• 09.05.2017 – Parabéns Força Sindical – 8º Congresso RJ – Unidade das Centrais Sindicais



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    O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, eu estive hoje, Sr. Presidente, na parte da manhã, na abertura do 8º Congresso da Central Sindical Força, a Força Sindical do Estado do Rio de Janeiro, e mando um abraço a todos os dirigentes, todos os filiados à Força, lembrando aqui o grande companheiro que está presente na nossa memória, na nossa alma, que é o Francisco Dalprá. Em nome do Francisco Dalprá, eu cumprimento todos os trabalhadores e trabalhadoras da Força Sindical do Estado do Rio de Janeiro.

    E em vendo a dimensão do 8º Congresso da Força Sindical, fiquei refletindo sobre a situação, Deputado Gilberto Palmares, do povo brasileiro submetido a um Presidente da República que assumiu o cargo em decorrência de um golpe e que não tem nenhuma legitimidade para fazer o que está fazendo, atacando, de forma clara, direitos dos trabalhadores.

    Mas comecei a refletir sobre as razões do golpe, lembrando-me da transmissão das gravações feitas pelo ex-Senador Sérgio Machado, presidente da Transpetro, especialmente com o Senador Romero Jucá, quando, meses antes do impeachment, o Senador Romero Jucá dizia que era preciso estancar a sangria, que era preciso tirar a Presidente da República porque com ela no poder outras forças políticas e outros nomes seria alcançados.

    Então, é claro que o impeachment não se deu por qualquer questão ética, não houve nenhuma preocupação com questões ligadas, ao contrário, para impedir que algumas figuras fossem alcançadas em função das investigações.

    Aliás, é o que tem acontecido. Alguns estão sendo poupados enquanto outros estão sendo muito perseguidos, causando, inclusive, muita suspeição sobre os propósitos da operação.

    Mas, o que mais aconteceu no País depois do impeachment? Primeiro, com a tentativa de levar a Petrobras ao descrédito, houve a mudança do marco regulatório, voltando ao regime de concessão, substituindo o regime de partilha. A Petrobras, deixando de ser a operadora única na área do pré-sal, atentando, claramente, contra a soberania nacional.

    A paralisação do Comperj e o fim da exigência de conteúdo nacional, ambas causando não só o fechamento, o sucateamento da indústria naval, como trazendo graves prejuízos à empregabilidade no Estado do Rio de Janeiro.

    O Presidente Temer, ilegítimo sob todos os aspectos, ainda tudo faz para contemplar a banca, os rentistas, com superávits primários que chegam a ultrapassar os 40 bilhões/mês, significando que, em um ano, para rolar a dívida pública que só cresce, Michel Temer terá de pagar mais de 500 bilhões em um ano. Então, está aí registrado outro propósito do golpe.

    Por outro lado, e aí vamos entrar nas chamadas reformas que alcançam os trabalhadores, a força trabalhadora da ativa, aposentados e pensionistas e servidores públicos. Primeiro, nos trabalhadores, e veja como a aliança com o tucanato demonstra claramente qual foi o propósito do golpe: foram buscar um projeto de 1998 para aprovar a terceirização na atividade-fim.

    As terceirizações já tinham sido aprovadas na era FHC para as atividades-meio, mas foram buscar também o Projeto de 1998 para a terceirização na atividade-fim.

    A Reforma Trabalhista ataca duramente os direitos dos trabalhadores, que tinha sido derrotada na era FHC, aliás, FHC que aprovou, estuprou a Constituição aprovando a Emenda para sua própria reeleição e, agora, vive num completo ostracismo, não obstante o esforço do sistema Globo para levantar o seu nome.

    Além, obviamente, das privatizações dos setores estratégicos. Acabou com o monopólio estatal do petróleo, monopólio das comunicações. As teles estão aí quase sendo contempladas com todo o patrimônio público instalado.

    Um escândalo a venda da Cia. Vale do Rio Doce, a desnacionalização do subsolo. Enfim, uma tragédia.

    Agora, Deputados Waldeck Carneiro, Wanderson Nogueira e Gilberto Palmares, o nosso IBGE de tanta tradição, acaba de contemplar o Presidente Temer, Deputado Janio Mendes, com a Medalha de Mérito Getúlio Vargas. Ora, se o Michel Temer está fazendo tudo, chamando de reforma, para destruir direitos dos trabalhadores que vêm da era Vargas, como o nosso IBGE, por seu presidente ou por sua diretoria concorde com a concessão dessa Medalha?

    Eu não posso acreditar que os servidores do IBGE tenham concordado com essa condecoração, ainda mais neste momento, de entregar ao Michel Temer a Medalha de Mérito Getúlio Vargas.

    Sr. Presidente, já preocupado com a reação unitária da classe trabalhadora, estive hoje no 8º Congresso da Força Sindical do Estado do Rio de Janeiro. Vi lá a presença das representações de outras centrais sindicais e todos falando na unidade das centrais, unidade para reagir, para resistir à tentativa de golpe, com ataque à legislação trabalhista, e à reforma previdenciária, unidade que resultou na exitosa greve do dia 28, da qual todas as centrais sindicais participaram. Estão se preparando para ir a Brasília. Todas as centrais estão mobilizando as categorias profissionais, os sindicatos a que pertencem.

    Sr. Presidente, a reforma trabalhista não vai gerar emprego. Isso é uma mentira. Ao contrário, vai destruir direitos dos trabalhadores. A terceirização na atividade-fim vai pulverizar ainda mais a classe trabalhadora. Quando eles falam no surgimento de muitos sindicatos, temos que lembrar que os sindicatos surgiram exatamente com a terceirização na atividade-meio. Com a terceirização na atividade-fim, nós vamos ter mais sindicatos ainda. E aí vem uma outra questão: estão atacando a Justiça do Trabalho, dizendo que o acordado prevalecendo sobre o legislado vai fazer com que haja menos ações na Justiça do Trabalho, o que não é verdade, porque os litígios vão continuar, e eles serão dirimidos pela Justiça do Trabalho, que precisa ser completamente preservada.

    Sr. Presidente, venho a esta tribuna para dizer que fiquei com mais esperanças em estando no 8º congresso da Força Sindical e vendo a presença das demais centrais sindicais, participando do mesmo ato e manifestando unidade na luta contra o que pretende o Presidente Temer fazer em relação aos direitos dos trabalhadores e na luta contra as mudanças na Previdência Social.

    Só para encerrar, quantos trabalhadores vão chegar empregados aos 65 anos de idade? Quantos terão a oportunidade de contribuir durante aquele número de anos? É uma reforma que, na verdade, só quer suprimir, restringir direitos; não tem nenhum propósito de criar empregos, de melhorar as relações de trabalho, nem de salvar a Previdência Social. Aliás, a seguridade social é superavitária e com dinheiro público o Presidente Temer vem fazendo uma propaganda enganosa, mas que não engana mais ninguém. Na verdade, o que o povo está dizendo é: “Fora, Temer”.

    Meu abraço à Central Sindical, à Força, juntamente com as demais por esses movimentos unitários.

    Fonte: Site da Alerj

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