• 17.08.2017 – Morte de PMs – Solidariedade não é comparecer a enterros

    O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, quando me preparava para ocupar esta tribuna para tratar da CPI destinada a investigar o desmonte da Petrobras – a venda de ativos, uma malha de dutos, Liquigás Distribuidora, BR Distribuidora, entre outros -, tomei conhecimento, Deputada Martha Rocha, que preside a Comissão de Segurança, e Deputado Zaqueu Teixeira, relator da CPI destinada a investigar a morte de policiais, tomei conhecimento de que, agora, à tarde mais dois policiais militares foram assassinados.

    Não sei qual o sentimento que perpassa na alma daqueles que são os responsáveis pela política de segurança pública do nosso Estado, que definem a forma de emprego dos agentes da segurança pública e que têm a preocupação com as consequências dessa política para aqueles que a executam. Já estamos alcançando o número de praticamente uma centena de policiais militares assassinados, só neste período de janeiro a agosto de 2017.

    Talvez haja, e eu acredito que haja, sinceridade quando as autoridades comparecem aos cemitérios, manifestando solidariedade aos familiares dos mortos, mas isto é muito pouco. É preciso reavaliar a política se Segurança Pública para que possamos não só promover a segurança da população como também dar garantias àqueles que, com sacrifício da própria vida, estão tentando cumprir tais tarefas.

    De qualquer maneira, Sr. Presidente, a irresponsabilidade tem sido muito grande porque a política de Segurança Pública, que procuram dizer, está baseada na inteligência, eu não sei qual e nem de quem, mas a política se Segurança Pública está baseada, única e exclusivamente, no uso da força.

    A operação realizada ontem em Niterói, com milhares de homens do Exército Brasileiro, somente comprova o erro, a falência da Segurança Pública em nosso Estado.

    De qualquer maneira, Sr. Presidente, ao longo dos últimos anos, inclusive, na fase em que proclamavam o sucesso das chamadas Unidades de Polícia Pacificadora, ocupei esta tribuna para talvez vaticinar o que ocorreria. De qualquer foram, como sendo oriundo dos quadros da Polícia Militar, integrando a família policial militar, quero mandar um abraço fraterno, sofrido para as famílias daqueles que estão perdendo os seus filhos, os seus pais e seus irmãos, assim como em relação aos companheiros da Polícia Civil, também, nesta última semana, enlutada com a morte de um de seus integrantes.

    Pois não, Deputado Zaqueu Teixeira.

    O SR. ZAQUEU TEIXEIRA – É muito louvável o pronunciamento de V.Exa., Deputado Paulo Ramos. É um fervoroso defensor das instituições policiais e que V.Exa. está trazendo aqui é real porque muito se fala em inteligência.

    Eu já pedi à Deputada Martha Rocha e já fiz um Requerimento, para que se faça uma audiência pública para possamos verificar o trabalho feito por essa Inteligência porque ser surpreendido por matérias de jornal que o jornalista tem acesso a documentos reservados dessa Inteligência, estamos vendo que essa Inteligência está muito longe de chegar a um bom termo.

    Outra coisa muito importante é que, quando olhamos o plano nacional de segurança com Exército, forças armadas todas envolvidas, integração, perguntamos: Cadê integração no Jacarezinho? A Polícia Civil está ali sozinha há sete dias num confronto diário. Cadê a integração dos órgãos de Segurança Pública?

    O que vemos é uma falácia do Governo Federal. É uma falácia o que o Presidente Temer quer impor ao Rio de Janeiro porque verificamos que os recursos até hoje não chegaram para fazer o pagamento do 13º salário, do regime adicional de serviço e todos os compromissos assumidos durante as Olimpíadas que os policiais não receberam até hoje.

    É triste ver a cada dia o número de policiais serem abatidos e mortos, chegando quase a uma centena e estamos muito longe de terminar o ano.

    Quero saudar V. Exa. e parabenizar pelo pronunciamento e a preocupação que temos, aqui, com os nossos policiais.

    O SR. PAULO RAMOS – Deputado Zaqueu Teixeira, eu faço, aqui, uma observação, agradecendo o aparte de V. Exa., para dizer que a Cidade da Polícia está ali exatamente à frente, ou na frente, da comunidade do Jacarezinho, comunidade também sofrida. Qualquer dia, não está longe, teremos uma atividade organizada para a invasão da Cidade da Polícia. E isto está próximo de acontecer, porque a presença isolada da Polícia Civil ali na comunidade, sem o respaldo necessário, vai produzir uma reação. E, se realmente a inteligência está funcionando, que eu penso que não está, a política de segurança pública pode estar próxima de qualquer coisa, menos da inteligência.

    De qualquer maneira, também estamos marcando uma audiência pública para o dia 04 de setembro para analisar não só a questão das mortes de policiais, estamos aguardando qual vai ser a manifestação, ainda, das autoridades, porque o Ministro da Defesa chega aqui, demonstra total desconhecimento de qualquer política responsável de segurança pública. O Ministro das Relações Institucionais, um general do Exército, chega aqui e fala na folga, que a escala de serviço é muito benéfica. Quer dizer, algo assim completamente despropositado, demonstrando até um desrespeito aos policiais civis e militares.

    De qualquer maneira, Sr. Presidente, vamos ver se vai ser possível conviver, no nosso Estado do Rio de Janeiro, com mais segurança para a população e sem as mortes reiteradas de policiais num número muito mais expressivo de policiais militares.

    Mas, Sr. Presidente, eu me dirigi e registrei que abordei o tema morte de policiais ainda no impulso do sofrimento por tomar conhecimento de mais dois policiais militares mortos.

    Fonte: Site da Alerj

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