• 05.09.2017 – O Brasil não é visto como um País que respeita o meio ambiente.



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    O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna para tratar de um tema que pode, acredito eu, ter passado despercebido por, praticamente, todos aqueles que estão aqui no exercício do mandato.
    Trata-se de uma importante festa, um grande acontecimento, um grande festival, que tem uma dimensão que ultrapassa as fronteiras do nosso País. Falo do Rock in Rio. Tem à frente o Sr. Roberto Medina e conta com uma parceria expressiva do Sistema Globo. É um acontecimento que mobiliza artistas brasileiros e estrangeiros, com um relevante impacto no turismo do nosso Estado, mas, principalmente, no Município do Rio de Janeiro. É, sem dúvida alguma, um grande acontecimento.
    Mas surgiu um debate sobre a soltura de fogos de artifício. Ao que tudo indica, ainda não sei se o festival de fogos está mantido. Mas ambientalistas, que conhecem aquele complexo lagunar e as questões ambientais na região da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, todos se manifestaram preocupados com o impacto de um festival de fogos, especialmente para as espécies animais que ali habitam.
    Como a força política alcançada pelo festival é muito grande, principalmente tendo em vista o patrocínio do Sistema Globo, acredito que eles estejam dispostos a não levar em consideração a manifestação dos ambientalistas, porque eles não estão dispostos a respeitar as espécies animais que têm ali os seus santuários.
    Já estamos convivendo com uma decisão do Presidente da República, que teve seus efeitos suspensos, em relação à reserva mineral no Norte do Brasil em áreas de proteção e também em terras indígenas. Uma área, segundo divulgação, do tamanho da Dinamarca, que pretende S. Exa. o Presidente da República entregar à mineração, em especial a multinacionais. O Brasil não é visto como um País que respeita o meio ambiente. Temos esse exemplo maior do Presidente Temer e, agora, no Rio de Janeiro, há esta possibilidade.
    Venho a esta tribuna para, primeiro, duvidar do atrevimento. Não posso acreditar que, não obstante todas as observações contrárias à realização desse foguetório, haja a insistência, mas, acima de tudo, é preciso uma manifestação concreta de que o respeito ao meio ambiente será contemplado, mesmo considerando que o Rock in Rio, hoje, talvez seja uma das maiores festas, um dos maiores espetáculos dentre os realizados no nosso Estado e no nosso País. Já conhecemos os chamados atores, não apenas os organizadores, mas, especialmente, o sistema de comunicação que participa, que conduz e que integra a organização desse espetáculo.
    Temos aqui, na Assembleia Legislativa, uma Comissão Permanente, que cuida da proteção ambiental. Estou sugerindo, encaminhando um ofício, ao presidente da Comissão, para que possamos ter uma interlocução com o Sr. Roberto Medina, de modo a saber dos propósitos, o que poderá ocorrer, se há a disposição para a realização, para a inclusão desse espetáculo de fogos de artifício na abertura, ou em qualquer fase do Rock in Rio. E, se porventura persistir o desejo, a Comissão avaliar, com urgência, o que pode ser feito para evitar.
    Então, a minha presença aqui na tribuna tem o objetivo de, inclusive, mobilizar todos os parlamentares em torno da Comissão Permanente de Meio Ambiente, de modo a dar uma contribuição para que as espécies animais em torno das lagoas de Jacarepaguá, Barra e Recreio, aquela área de proteção ambiental, que as espécies possam ser respeitadas, de modo que o Rock in Rio, amanhã, além do espetáculo de rock, não se apresente também como o espetáculo do extermínio de várias espécies.
    Muito obrigado.

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