• Manifesto de Maçons

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    Mas venho também, Sr. Presidente, a esta tribuna para tratar de um tema abordado ontem, aqui, pelo Deputado Gilberto Palmares.

    Todos acompanhamos a repercussão nos meios de comunicação de uma palestra feita por um general do Exército, do serviço ativo, numa Loja Maçônica, em Brasília, pregando, obviamente, a intervenção militar, rompendo ou propondo o rompimento com o estado democrático de direito.

    A repercussão foi muito grande e gerou a impressão de que a proposta contava com o apoio da Maçonaria. E eu, em contato com vários integrantes dessa instituição, percebi que não há o apoio, que as lojas maçônicas estão abertas, recebendo palestrantes que tratam de diversos temas. O fato de uma palestra, de um debate ter sido travado numa loja maçônica não significa a adesão à proposta ali defendida, porque há um orgulho nos maçons pela participação da maçonaria em vários eventos da História do nosso País e da História Universal. É preciso que não haja confusão. E aí surgiram os maçons pela democracia, defendendo o quê? O estado democrático de direito! O Brasil já foi vítima de golpes, está sendo vítima de mais um, para que esse tipo de confusão seja feita.

    Aqueles que agora se manifestam na defesa do estado democrático de direito têm a compreensão de que as liberdades democráticas devem ser preservadas e que o povo brasileiro seja, sim, mobilizado, convocado a participar das decisões mais importantes em relação aos destinos do nosso País, especialmente em relação à conquista e à preservação do poder. Isto é, defendem que possamos chegar ao ano de 2018 e que o povo brasileiro se manifeste, escolhendo o projeto político e o candidato que o povo quer ver na presidência da República, conduzindo os destinos do País.

    Não podemos aceitar que especialmente os grandes meios de comunicação estabeleçam esse tipo de confusão.

    Então venho a esta tribuna, primeiro, para dizer da solicitação que me foi feita: a maçonaria é plural, defende o estado democrático de direito. Se há um ou outro integrante golpista, se há qualquer um que defenda projetos autoritários, isto não significa o pensamento da maioria, nem da instituição.

    Então, peço a V. Exa., o Deputado Gilberto Palmares ontem já solicitou, e reitero, como parte do meu pronunciamento, a transcrição do documento elaborado por membros da maçonaria, de todas as potências, pregando o estado democrático de direito, a soberania popular, mas também a soberania nacional.

    Então, peço a V.Exa. como parte do meu pronunciamento a transcrição deste manifesto proclamando aqui também a defesa do estado democrático de direito, das liberdades democráticas. E que o povo brasileiro – que está sofrendo as consequências de um modelo injusto -, ele, sim, possa determinar os rumos do nosso País.

    Não ao golpe! Pela democracia! Salve os irmãos maçons pela democracia!

    Muito obrigado.

    O SR. PRESIDENTE (Renato Cozzolino) – A Presidência defere o pedido de V.Exa.

    “Ao Povo Brasileiro

    A maçonaria sempre participou de momentos relevantes da nossa História. Atuou em acontecimentos políticos para consolidação do estado e da nação brasileira, como a Inconfidência Mineira, a Independência do Brasil, a Confederação do Equador, a Revolução Liberal de 1842, a Revolução Farroupilha, a Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates, a Abolição de Escravatura e a Proclamação da República. Em todos esses momentos, os maçons tiveram forte presença e liderança.

    Os maçons redigiram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, base doutrinária das constituições da França e dos Estados Unidos, posteriormente transformada em resolução da ONU.

    Nesse grave momento da conjuntura nacional, os Maçons pela Democracia reafirmam seu compromisso com as origens da Maçonaria.

    A cada reunião, refirmamos o propósito de combater a tirania e respeitar a crença e as opiniões de cada um. O discurso apolítico e antidemocrático é incompatível com os princípios da nossa Ordem. Nenhum maçom tem o direito de usar o nome de uma instituição tão tradicional e respeitada e expô-Ia à execração pública, defendendo posições extra-legais; antinacionais, como a entrega do patrimônio público (a Petrobrás, a Eletrobras, os Correios, as reservas de água potável e os minérios); e antissociais, como a cassação de direitos trabalhistas e previdenciários.

    Nenhum grupo pode se manifestar em nome da instituição maçônica, principalmente em eventos não autorizados, cujos participantes dizem, sem provar, representar a maioria. Estão agindo em seu próprio nome, mas não no da Maçonaria, que jamais se prestaria a assumir tais posições. A Maçonaria é plural.

    Hoje, o Brasil vive uma inédita fragmentação política, sendo necessário um discurso que aceite diferenças e não divisões, um discurso que promova um entendimento através da democracia e não pela força. Precisamos reafirmar nossos ideários permanentes e solidários, que prezam pela soberania nacional e popular e pela defesa da democracia.

    Os irmãos vinculados ao Grupo Maçons pela Democracia propõem a criação de um movimento nacional, nos termos deste documento. Não falam em nome de nenhuma potência maçônica, e sim com base em convicções pessoais sobre o dever cívico de um maçom.

    Estão convidados a participar todos os irmãos maçons progressistas e nacionalistas, comprometidos com o avanço social no Brasil, em defesa da soberania nacional e da democracia brasileira.

    Maçons Pela Democracia.

    http://maconspelademocracia.blogspot.com.br

    Fonte: Site da Alerj

     

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