• Em defesa das nossas Universidades Públicas

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    O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a Uerj, há um grande ato em defesa das universidades públicas. A Capital do Estado, por ter sido Distrito Federal e pela proximidade do antigo Estado do Rio, tem um grande número de universidades federais. A presença de universidades federais no Estado do Rio de Janeiro é grande e não mobiliza para os seus cursos apenas alunos residentes no Estado do Rio de Janeiro; as universidades aqui recebem alunos de várias partes do nosso País que são aprovados nos vestibulares.

    Estamos vendo o sucateamento das universidades públicas em decorrência do abandono com que são tratadas pelo Governo Federal. Uma forma de privatizar é sucatear. Vemos os hospitais das universidades federais enfrentando graves dificuldades, deixando ou precarizando a formação dos profissionais de Saúde e, simultaneamente, deixando de atender à população.

    Quando olhamos as universidades estaduais – Uerj, Uenf e Uezo – percebemos que, não apenas em decorrência da chamada calamidade financeira, o tratamento que vem sendo dispensado ao longo dos últimos anos às universidades estaduais representa o pensamento do Governo em relação ao papel da universidade: ensino, pesquisa e extensão – esse é o papel da universidade, a pesquisa científica e tecnológica, a inovação.

    Há, portanto, em nosso País e em nosso Estado, um projeto deliberado no sentido de aniquilar o papel que cabe às universidades públicas porque, se de um lado as universidades públicas federais e estaduais estão sendo aniquiladas, de outro as particulares experimentam um crescimento de tal ordem que fundos de investimentos internacionais estão aqui investindo na compra de nossas universidades.

    Aliás, a educação à distância – experimenta também um crescimento muito grande –, a comercialização da graduação, a redução de custos, o lucro têm sido a principal meta daqueles que não têm nenhum compromisso com qualquer modelo de desenvolvimento para o nosso País.

    Imaginar que as universidades particulares recebem recursos públicos através de programas que são importantes – o Pró-Uni e o FIES –, mas, se porventura esses Programas enfrentassem a mesma redução de investimentos que verificamos nas universidades públicas, seguramente nossas universidades particulares não estariam valendo tanto.

    O pior – e basta verificar, Sr. Presidente – é que aqueles que levam seus sonhos para as universidades particulares, aqueles que acreditam na educação como fator de inclusão, aqueles que se sacrificam para colocar seus filhos numa universidade particular, aqueles que acreditam que a partir dali haverá inserção no mercado de trabalho em nível superior, se decepcionam.

    É muito grande, mas muito, o número de graduados nas universidades particulares que não encontram inserção no mercado de trabalho. Conseguem o chamado canudo de papel num dia, usam as becas nas formaturas, jogam para o alto o chapéu e, no dia seguinte, caem na real.

    A inserção no mercado de trabalho, com uma velocidade maior e num percentual muito mais expressivo, se dá a partir daqueles que cursam as universidades públicas, porque, comparativamente, as universidades públicas são melhores do que as universidades particulares. Mas, agora, há o agravante do ensino à distância, fazendo com que não haja nenhuma preocupação das universidades particulares com a qualidade da educação ou com o resultado daquela graduação para aquele que se sacrificou para conquistar o canudo de papel.

    Os Governos, tanto o Federal quanto o Estadual, já demonstraram que têm um projeto. E, aqui no Estado do Rio de Janeiro, quando olhamos a situação das universidades federais, nós constatamos o descaso. Mas, em relação às universidades estaduais – e temos convivido aqui nesta Casa na Comissão de Educação, com o corpo docente e o corpo discente, alunos e professores, pessoal administrativo, terceirizados -, é uma situação que representa uma denúncia grave, porque atesta a irresponsabilidade do Governo. Imaginar que, depois de tantos anos de criação, a Uezo nem campus tem! Como um Governo que pode prezar o nome de Governo convive com este descaso?

    Quando recebemos na Comissão de Educação representantes das universidades estaduais, com todas as dificuldades, com todas as agruras, eles ainda demonstram alguns resultados os mais auspiciosos, que revelam a importância, por exemplo, na Zona Oeste, da Uenf, no Norte e Noroeste do Estado. V. Exa. acompanha de perto, Deputado Janio Mendes, está lá vendo como uma universidade no Norte Fluminense reflete resultados até na Região dos Lagos. E a nossa Uerj, com todos os seus polos espalhados pelo Estado do Rio de Janeiro.

    Então, Sr. Presidente, a Frente que se forma hoje na Universidade do Estado do Rio de Janeiro em defesa das universidades públicas merece ser prestigiada mas, acima de tudo, representa a mais contundente denúncia contra um Governo ou contra dois Governos, o Federal e o Estadual, que, distantes que estão dos interesses maiores da população, pelo menos produzem um sentimento. Eu me lembro – para encerrar, Sr. Presidente – e falo isso com alguma amargura, que havia um desenho animado chamado Peter Potamus e Tico Mico, não sei quem conhece – era o hipopótamo e o mico -, e eles tinham a máquina do tempo. E diante de dificuldades, eles tinham a possibilidade de avançar ou recuar no tempo. Tenho certeza absoluta, Sr. Presidente, de que se o povo brasileiro, ou pelo menos o povo do Estado do Rio de Janeiro, dispusesse dessa máquina, ela seria utilizada imediatamente para avançar no tempo para que toda a população pudesse se livrar do desgoverno que está aí.

    Muito obrigado, Sr. Presidente.


    Fonte: Site da Alerj

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