Uma
das maiores conquistas da população brasileira é o
processo de consolidação da democracia através da
constituição de um estado de direito democrático após o
fim do regime militar.
O entendimento da importância dessa questão para a vida
nacional brasileira ganhou uma nova dimensão durante a
resistência à ditadura militar. Nesse período, a
conquista das liberdades democráticas, no seu sentido
mais amplo e abrangente, tornou-se o centro do movimento
oposicionista. Principalmente após a derrota das teorias
que preconizavam outras formas de luta, como a luta
armada para o enfrentamento do regime.
Entendia-se, na época, que liberdades democráticas
englobavam não só os direitos e garantias presentes nas
formas democráticas representativas tradicionais, como
as liberdades de opinião, de associação, de imprensa,
mas que deveriam incluir, também, direitos de caráter
econômico e social, como emprego, moradia, saúde e
educação.
O amadurecimento desse debate entre os vários segmentos
políticos brasileiros, com destaque especial das
entidades e representações de advogados, como a OAB,
teve como desdobramento a Constituição Cidadã de 1988,
presidida pelo saudoso Ulysses Guimarães que consagrou,
em grande parte, esse entendimento amplo do conceito de
liberdades democráticas.
O Poder Judiciário, tão desrespeitado durante a
ditadura, ocupa no processo brasileiro de consolidação
democrática uma posição protagonista e decisiva. É um
dos três poderes constituintes do regime democrático,
operador das leis e do fazer justiça, e é também espaço
do fazer democracia, no sentido de que deve se aproximar
e deixar aproximar as amplas parcelas do povo brasileiro
que, até hoje, enfrentam grandes dificuldades para ter
acesso à Justiça.
Nos últimos anos, cada vez mais, a população percebe a
importância do Poder Judiciário para a sociedade,
procura a Justiça em variadas demandas, nos campos
trabalhista, civil, administrativo, tributário e
criminal. Trata-se de uma consciência de cidadania
construída na percepção de que as coisas podem
funcionar, de que as instituições operam sim a favor das
pessoas, de que o Estado existe em benefício de todos.
O Poder Judiciário, por outro lado, demonstra grande
sintonia com as transformações verificadas no Brasil,
com o ambiente de avanço democrático e a compreensão de
que na democracia direitos e deveres, mais do que
respeitados, devem ser praticados, igualmente e
indistintamente, pelo conjunto do corpo social.
O Congresso Nacional está discutindo as reformas
tributária, trabalhista e previdenciária. A reforma do
judiciário será um dos grandes debates que serão
travados não só pelos parlamentares e integrantes da
Justiça, mas por todos os segmentos da sociedade
brasileira, já que é tema fundamental para o nosso país.
A democracia deve apoiar-se no estado da lei e no
funcionamento harmônico dos poderes. Mas, tem que buscar
também o estado de justiça social, onde exista trabalho,
moradia, saúde, educação e segurança para o nosso povo.
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