JUSTIÇA PARA OS APROVADOS NO CONCURSO DOS BOMBEIROS

O Brasil é um país de oportunidades para poucos e de injustiças para a maioria de seu povo. As tais oportunidades que os historiadores, os economistas e outros teóricos dizem existir no nosso imenso país são coisas restritas e limitadas, longe do alcance da maioria, distante para quem não possui "capital inicial" ou boas relações familiares e sociais.

Para os jovens, e mesmo boa parte da população em idade produtiva, fazer um concurso público tornou-se a saída para se conseguir um emprego "estável". Embora, passar no concurso e poder trabalhar em uma instituição pública acabe sendo, mais do que um emprego, uma alternativa de dignidade profissional; a pessoa procura dar um sentido à sua vida ao buscar integrar o projeto pessoal ao serviço público que, todos sabemos, é fundamental para a sociedade.

Os concursos públicos são formas democráticas e de justiça social no acesso ao trabalho e exercício profissional ligado ao Estado, nos níveis municipal, estadual e federal.

Mas, há episódios em que o que o nasce da proposta justa transforma-se, por ações inescrupulosas, em injustiça. Essa, por sua vez, ultrapassa a dimensão de arbitrariedade e torna-se verdadeira crueldade.

É o que está acontecendo com os 700 aprovados no concurso realizado em 2001 para o Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. Jovens, na sua grande maioria, eles passam por situação tragicamente surrealista. Fizeram o concurso, foram aprovados e classificados. Muitos, inclusive, realizaram o curso de formação nos próprios quartéis da corporação.

Mas, de forma espantosa e absurda, não são chamados para assumir o lugar legitimamente alcançado através do concurso. E aí começa uma saga só possível de acontecer em um país de injustiças como o Brasil e em um estado de mazelas como o Rio de Janeiro.

Sobre o concurso pairam acusações de fraudes e irregularidades, mas, nenhuma impede os 700 aprovados de assumirem seu posto. Ao contrário, eles são as vítimas desse processo sombrio. E precisam que o caso seja resolvido.

Através de uma consciente organização estão mobilizados e regularmente fazem manifestações na Assembléia Legislativa e no Palácio Guanabara. A Comissão de Servidores Públicos, da qual sou presidente, tem sido um espaço permanente de denúncia, manifestação e organização desses futuros soldados do fogo.

Lutam na Justiça, nas secretarias de Defesa Civil, de Governo e na Alerj. Procuram os veículos de comunicação para que esses levem sua voz à sociedade, articulam-se com outras categorias de servidores em busca de apoio e solidariedade, tornam pública sua luta e reivindicação.

Eles não querem nada além do que têm direito: a vaga de bombeiro conquistada com estudo e aplicação em um concurso público.