É PRECISO CRIAR O MOVIMENTO MUNDIAL PELA ERRADICAÇÃO DOS PARAÍSOS FISCAIS

Os paraísos fiscais, nação soberana entre aspas, por vezes pequenos pontos quase invisíveis no mapa mundi, na medida em que são controlados por grandes potências (Inglaterra, França, EUA, Canadá etc.) representam uma afrontosa excrescência, sem falar na velha Suíça, que se notabilizou por lavar mais branco há anos atrás e que, hoje, procura disfarçar o criminoso papel que continua desempenhando, tentando dourar a pílula com propostas ou participações em acordos internacionais que visam dar mais transparência as suas ações enganosamente moralizadoras.

Receptadores explícitos do dinheiro ilícito, proveniente do tráfico de entorpecentes, do contrabando de tudo, até de armas, da prostituição e do lenocínio e das mais diversas práticas de corrupção e sonegação, dentre outros crimes, os paraísos fiscais são o braçi claro da lavagem do dinheiro sujo, levando desgraça e ameaça à toda a humanidade, salvo alguns poucos inescrupulosos beneficiários de algo nocivo que tem prosperado ao longo dos anos.

É notório que a lavagem de dinheiro sujo ainda dispõe de outros mecanismos mais ou menos explícitos, que digam o Citybank ou o Banestado, cumprindo importante papel para o sistema financeiro internacional e imoral.

Ainda como prova do cinismo imperialista e da sem cerimônia como que agem os controladores dos paraísos fiscais, são exatamente eles que, através das instituições que controlam e manipulam, analisam e classificam os países vítimas, conforme o maior ou menor risco a que subordinam os investimentos estrangeiros, observado, também, o cálculo de risco os padrões de moralidade experimentados pelos sofridos e explorados povos.

Com freqüência verificamos na mídia as variações do risco Brasil ou o custo Brasil e de outros países, quando comparações são feitas, uma espécie de competição macabra, se chega a influir também nas criminosas taxas de juros.

Como o escândalo vai assumindo proporções incontroláveis, são os próprios corruptores e beneficiários do esquema fraudulento que oferecem soluções que chegam a seduzir alguns inocentes úteis ou ingênuos, tais como: "Precisamos taxar o capital especulativo".

Ora, chega a ser ridículo que pretendam, aí sim, reconhecer e chancelar ações criminosas taxando o dinheiro produto de vários crimes, para, a partir daí, ser desfechado o golpe final, qual seja, a lavagem definitiva e institucionalizada pelas próprias vítimas.

A reação correta deve se dirigir à erradicação de todos os mecanismos destinados à lavagem do dinheiro produto do crime, a começar pelos paraísos fiscais.

Quando exerci o mandato de deputado federal e constituinte, durante a elaboração da Constituição, promulgada do dia 6 de outubro de 1988, cheguei a propor e obviamente fui derrotado, que incluíssemos no texto constitucional a seguinte norma:

"O Brasil não manterá relações diplomáticas e nem comerciais como países cujo sistema bancário se utilize dos mecanismos de contas numeradas e secretas e se recusem a fornecer dados sobre as movimentações financeiras realizadas por brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil (pessoa física ou jurídica) quando solicitadas pela Justiça ou pelo processo brasileiros".

A bem da verdade a ser enfrentada, além da erradicação dos paraísos fiscais, são questões ligadas ao sigilo bancário que tem servido de biombo para todas as falcatruas.

Entretanto, considerando a oportunidade do Fórum Social Mundial, a par da certeza de que preencha todas as conveniências afirmar a compreensão de que os paraísos fiscais representam o símbolo maior da corrupção, do crime organizado no seu mais elevado patamar, na sua forma mais elaborada, proponho, em nome da busca da justiça social e da liberdade, da fraternidade e da solidariedade que os diversos representantes do melhor pensamento internacional para participar de um MOVIMENTO MUNDIAL PELA ERRADICAÇÃO DOS PARAÍSOS FISCAIS