• 4334/2018 – DECLARA PATRIMÔNIO CULTURAL, HISTÓRICO E IMATERIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO A CAIPIRINHA.

    PROJETO DE LEI Nº 4334/2018

    EMENTA: DECLARA PATRIMÔNIO CULTURAL, HISTÓRICO E IMATERIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO A CAIPIRINHA.

    Autor(es): Deputado PAULO RAMOS

    A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

    RESOLVE:

    Art. 1º Fica declarada como patrimônio cultural, histórico e imaterial do Estado do Rio de Janeiro a caipirinha, bebida-símbolo do Brasil.

    Art. 2º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.

    Plenário Barbosa Lima Sobrinho, 20 de agosto de 2018

    Deputado PAULO RAMOS

     

    JUSTIFICATIVA

    A caipirinha completa em 2018, 100 anos de existência. É o único coquetel brasileiro registrado internacionalmente. O Brasil é um país cheio de colorido e cultura, mas quando se pergunta para alguém de fora o que a pessoa lembra quando ouve o nome de nosso país a pessoa responderá “CaipirinhaFutebol e Carnaval”. 
    Já é um senso comum pensar no Brasil e nessa bebida que tradicionalmente leva em sua composição limãocachaçagelo e açúcar, mas que pode ter diversas variações com frutas e outras bebidas.
    Uma bebida tão famosa tem uma porção de histórias que tentam explicar a sua origem. Existem diferentes versões. Entre as fontes acadêmicas, é consenso que a caipirinha foi inventada no interior de São Paulo, havendo no entanto divergências quanto a razão de sua origem e a região específica no estado de São Paulo em que ela surgiu. Segundo aponta o historiador Luís da Câmara Cascudo, a caipirinha foi criada por fazendeiros latifundiários na região de Piracicaba, no Estado de São Paulo, durante o século XIX, como um drinque local para festas e eventos de alto padrão, sendo um reflexo da forte cultura canavieira na região. A caipirinha, em seus primeiros dias, era vista como um substituto local de boa qualidade ao uísque e ao vinho importados, sendo a bebida servida frequentemente em coquetéis da alta classe de fazendeiros, vendas de gado e eventos de grande notoriedade.
    Dessa origem de alta classe, a caipirinha logo passou para o gosto popular devido ao baixo preço de seus ingredientes, popularizando-se por todo o estado e se tornando a bebida-símbolo de São Paulo no século XIX. No início do século XX, na década de 1930, já era possível encontrá-la em outros estados, especialmente no Rio de Janeiro e Minas Gerais.
    Em outra versão apresentada pelo IBRAC (Instituto Brasileiro da Cachaça), a história da caipirinha começa por volta de 1918, no interior do estado de São Paulo. Nela, a caipirinha como conhecemos hoje teria sido criada a partir de uma receita popular feita com limãoalho e mel, indicada para os doentes da gripe espanhola. Como era bastante comum colocar um pouquinho de álcool em todo remédio caseiro, a fim de acelerar o efeito terapêutico, a cachaça era sempre usada. “Até que, um dia, alguém resolveu tirar o alho e o mel. Depois, acrescentaram umas colheres de açúcar para adoçar a bebida. O gelo veio em seguida, para espantar o calor”, explica Carlos Lima, diretor-executivo do Ibrac (Instituto Brasileiro da Cachaça). Ainda segundo o mesmo, a difusão da caipirinha para o restante do Brasil se deu através da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, em que a bebida ganhou grande popularidade entre os artistas que a introduziram em seus estados de origem ao final do referido evento. Tal versão, embora não seja inteiramente coincidente com a do historiador Luis da Câmara Cascudo, a mesma condiz com as versão do acadêmico no que tange a sua origem geográfica e quanto ao período em que a mesma se difundiu para o restante do Brasil, divergindo no entanto a data e a razão de surgimento da bebida.
    Outra versão, citada em matéria do jornal paranaense Gazeta do Povo relata outra história que coloca a origem do coquetel ainda mais para trás na linha do tempo, afirmando que marinheiros que passavam pelo Rio de Janeiro adicionariam limão às doses de cachaça que bebiam para evitar o escorbuto, e que teria sido uma questão de tempo até ser adicionado o açúcar. Tal referência, no entanto, não menciona quais historiadores ou acadêmicos defendem tal tese.
    Em 2009 foi assinado um decreto presidencial, que, dentre outras prerrogativas, estabelecia uma padronização para a bebida.

     

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