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26/04/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Educação de qualidade: um direito de todos!
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, tive a oportunidade ontem de
prestar uma justa homenagem pelos 127 anos do tradicional e famoso Instituto de
Educação, situado na Rua Mariz e Barros, na Tijuca, próximo ao Maracanã.
O Instituto Superior de Educação tem uma tradição tão longa na formação – nem
posso dizer na formação de professores – mas acima de tudo na formação de
gerações e na formação de mentes. Tudo voltado para a educação pública universal
e de qualidade, mas com o compromisso com um projeto nacional.
Na homenagem de ontem, além de moções que foram dadas a professores, antigos e
atuais, ainda houve uma homenagem póstuma a Anísio Teixeira, Paulo Freire e
Darcy Ribeiro – nomes que são referência para qualquer cidadão que queira
conhecer relevantes projetos relativos à Educação, voltados para a construção de
uma sociedade justa.
Paralelamente à homenagem e ao reconhecimento do Instituto de Educação – agora
Instituto Superior de Educação – tornou-se rigorosamente lamentável a
reafirmação da constatação da situação de abandono em que se encontra aquele
estabelecimento.
Estamos no início de um novo Governo e não posso deixar de registrar que o Sr.
Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, o Sr. Deputado Alexandre Cardoso,
não tem demonstrado, a priori, qualquer tendência em buscar a solução para
problemas que vêm sendo agudizados.
Tomaremos a iniciativa de levar ao conhecimento do Sr. Governador Sérgio Cabral,
de modo a que o governo que se inicia não possa ser alcançado negativamente pela
omissão e pelo descaso de um de seus auxiliares.
Recebi e assumi o compromisso de fazer a leitura, para que constasse dos Anais
desta Casa, de um documento elaborado pelos alunos do Instituto que subscrevem o
documento, assumindo a responsabilidade pelo texto que eles próprios elaboraram.
(Lendo)
“Reivindicação e exigência ao respeito e cumprimento dos direitos acadêmicos dos
discentes do Instituto Superior de Educação para autoridades comprometidas com a
Educação na Cidade do Rio de Janeiro e no nosso Estado.
Nós, alunos que emprestamos nossas assinaturas a este documento, considerando os
acontecimentos estarrecedores aos quais vimos presenciando cotidianamente, neste
semestre letivo de 2007 e nesta instituição, recorremos às autoridades
compromissadas com a Educação na cidade do Rio de Janeiro para que nos voltem os
seus olhares e nos estendam as mãos em auxílio, ante o nosso desespero.
Considerando que, desde o início desse semestre letivo, 2 de abril deste, até a
presente data, estamos sem aula e sequer temos um horário definitivo que
contemple a real necessidade dos alunos, de acordo com a matriz curricular, a
cada dia nos sendo oferecida uma nova versão reformulada;
considerando que estamos sendo tratados, assim como alguns professores, com
extrema falta de respeito e descaso, sofrendo inclusive assédio moral e
agressões verbais intensas e constantes por parte de alguns docentes, por
estarmos nos posicionando contrariamente às práticas tendenciosas, autoritárias
e desrespeitosas aqui promovidas pelos mesmos;
considerando que temos presenciado casos de desmando nesta instituição, em não
se cumprir com as determinações dos pareceres e de regimentos internos que fazem
alusão à Educação, sendo estes substituídos por determinações arbitrárias
quaisquer à revelia, comprometendo o funcionamento e a qualidade do ensino;
declaramo-nos contrários a estas práticas abusivas que geram uma situação de
degradação deste curso.
Vimos, urgentemente, em relação aos nossos direitos, requerer:
o início e a normalização das aulas nesta Instituição; o cumprimento da matriz
curricular, reconhecida e autorizada pelo Conselho Estadual de Educação, bem
como das suas respectivas ementas curriculares; o cumprimento da disposição do
edital de convocação para vestibular de acesso ao curso normal superior, no
Instituto Superior de Educação, oferecendo a conclusão deste curso em três anos
letivos (seis períodos/semestres); emissão dos diplomas e, desde já, um
posicionamento, identificando a instituição que os credenciará”.
(Interrrompe a leitura)
Quero dizer, Sr. Presidente, que desde 2002, quando houve a formatura da
primeira turma, e em todos os anos subseqüentes, até hoje não houve a emissão
dos diplomas.
Vários alunos formados perdem a possibilidade de emprestar sua capacitação no
mercado de trabalho porque não têm diploma. Vários outros já fizeram cursos de
extensão - mestrado, doutorado - e não têm possibilidade de afirmação da
extensão, porque não dispõem do diploma da formação.
(Lendo) “Possibilidade de estagiar também em outras instituições de ensino
pública e/ou privada, atendendo plenamente à demanda dos alunos do curso normal
superior.” (Interrompe a leitura)
O curso normal superior tinha convênios com o Instituto de Cegos, com o
Instituto de Surdos e Mudos porque, no Instituto Superior de Educação, fazendo o
curso em quatro anos, os alunos saíam formados na educação de adultos e na
educação especial. Tudo isso vem sendo soterrado.
(Lendo)
“Divulgação clara e sem omissões sobre todas as situações e documentações do
curso normal superior;
Respeito ao corpo discente, e também aos docentes, por parte da totalidade do
corpo docente;
Respeito à documentação da instituição;
Respeito e cumprimento do regimento interno de 2002, reconhecido e autorizado
pelo Conselho Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro;
Respeito e cumprimento dos pareceres 544, 200 e 228, do próprio Conselho
Estadual de Educação;
Funcionamento pleno da biblioteca, em especial a do curso normal superior.”
(Interrompe a leitura)
Imaginem que a biblioteca fica fechada, impossibilitado o acesso dos alunos.
(Lendo)
“Funcionamento de um laboratório de informática para o curso normal superior.”
(Interrompe a leitura)
Observem que a informática tem sido apregoada como uma das grandes razões do
sucesso da Faetec. O Instituto Superior de Educação está subordinado à Faetec.
Se a Faetec tem computadores, tem cursos de informática pulverizados no Estado
inteiro, às vezes até atendendo a interesses de políticos e partidários, de
figuras conhecidas que se utilizam de centros sociais para enganar a população,
utilizando-se de recursos públicos, como não disponibilizar a informática ou um
laboratório para o curso normal superior?
(Lendo)
“Exercício da cidadania e democracia nas decisões que dizem respeito à vida
acadêmica dos discentes, através de assembléias deliberativas contemplando os
três turnos e respeitando o quórum mínimo de 50% mais um dos alunos com
matrícula ativa no curso;
Disponibilizar adaptações para acesso facilitado e permanência de pessoas com
necessidades educacionais especiais, garantindo o direito destas a usufruírem do
espaço de uma instituição pública de ensino;
Que seja respeitado o prazo mínimo de 30 dias entre a divulgação do edital e o
pleito para eleição da direção do ISERJ, oferecendo tempo hábil para o
cumprimento das etapas desse processo, e que este esteja de acordo com o
regimento de 2002.”
Vários alunos assinam o documento – eu não trouxe a folha seguinte, com muito
mais subscrições.
Sr. Presidente, o curso normal superior foi criado ou restabelecido em 1998.
Transferiram as instalações, os prédios, o mobiliário, transferiram tudo, mas
não transferem os implementadores. Isso acontece em outros estabelecimentos de
ensino que foram transferidos para a Secretaria de Estado de Ciência e
Tecnologia, além do Instituto de Educação – transferidos porque eram
instituições de renome, respeitadas. Até agora os implementadores aguardam a
transferência; não pertencem mais à Secretaria de Estado de Educação, pertencem
agora à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, e ainda há uma resistência
para que isso ocorra.
Em respeito aos alunos e aos professores de toda a rede Faetec transferida para
a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia é que venho aqui dizer da
homenagem prestada ao Instituto de Educação, agora Instituto Superior de
Educação, registrando a manifestação, a revolta dos alunos, Sr. Presidente.
Muito obrigado.
TOPO
26/04/2007- Expediente Final
Discurso - Paulo Ramos - Educação Básica: uma tragédia em nosso país.
Texto do Discurso
O SR. MARCO FIGUEIREDO – Antes de anunciar o próximo orador, gostaria de
anunciar a presença – que muito honra o Parlamento do Estado do Rio de Janeiro –
da nobre Sra. Deputada Marília Pinto, 1ª Secretária da Assembléia Legislativa de
Roraima. Seja bem-vinda. Este Poder Legislativo está honrado com a presença de
V. Exa. Esta Casa é sua, estamos à sua disposição.
O próximo orador inscrito é o Sr. Deputado Paulo Ramos, que dispõe de dez
minutos.
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, inicio com uma saudação
especial à Sra. Deputada Marília Pinto, que hoje nos visita. Muito obrigado pela
presença. Espero que esta Casa esteja à altura de recebê-la.
Minha opinião é que o Estado do Rio de Janeiro está perplexo no concernente à
educação básica. Ampla pesquisa publicada hoje pelo Jornal O Globo tem a
seguinte manchete: “Brasil tem apenas dez cidades com ensino de qualidade”.
Vejam bem: dos 5.500 municípios brasileiros, apenas dez apresentam ensino de
qualidade. E, a seguir, vem a tragédia maior. Nenhum município do Estado está
entre os melhores, no que se refere à rede pública. Nenhum. Alguns municípios,
como Campos, Paty do Alferes e Guapimirim, estão, sim, entre os piores.
Tanto no Estado do Rio quanto no Brasil, existe um discurso que incorpora a
unanimidade das correntes políticas e sempre contempla a educação como fator de
transformação, inclusão etc. É só discurso! Na prática, a educação está
abandonada no Rio, no Brasil. Mas devemos lembrar que o nosso Estado já havia
implantado um projeto ambicioso na área da educação, patrocinado pelo meu
partido, o PDT, nas duas gestões de Leonel Brizola, tendo à frente da Secretaria
de Educação o Professor Darcy Ribeiro, a educação integral, os Cieps - os
Brizolões, como hoje são chamados.
Às vezes, algumas correntes políticas fazem até autocrítica, diante da tragédia
que vive a população do Rio relativamente à Segurança Pública. Muitos dizem que
se o projeto dos Cieps tivesse tido continuidade, tivesse sido prestigiado,
apoiado, a realidade hoje seria outra. De qualquer forma, estamos aí diante de
um quadro que exige uma reflexão dos membros desta Casa para que, através da
Comissão de Educação, presidida pelo Deputado Comte Bittencourt, a liderança da
Comissão Permanente, possamos aprofundar o debate sobre esse tema propondo
saídas.
Estou recolhendo subscrições para criar a Frente Parlamentar em Defesa da
Educação Integral. É um início. Vamos criar o que eu chamo de Movimento Estadual
em Defesa da Educação Integral, o MEDEI. É como se fosse me dei, me entreguei.
O SR. COMTE BITTENCOURT – V. Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo aparte ao Deputado Comte Bittencourt.
O SR. COMTE BITTENCOURT – Deputado Paulo Ramos. V. Exa. traz, com muita
propriedade, matéria que a sociedade hoje, quando acordou, encontrou nos grandes
jornais. Os resultados do último SAEB deixam clara a situação. Não nos deixa
perplexos, como V. Exa. trouxe, porque conhecemos os descompromisso dos governos
sucessivos deste Estado com a Educação pública.
V. Exa. aborda um ponto importante. Eu tenho buscado sempre, no Expediente
Inicial, quando ocupo a tribuna, insistir que temos que tirar a educação do
discurso, do palanque e colocá-la na prática. No momento das eleições, nos
palanques, todos priorizam a educação. Agora, no momento de colocar em prática,
são poucos deputados, poucos senadores, poucos prefeitos e governantes que
priorizam a questão da educação.
Estamos colhendo dados, deputado, e nosso trabalho já tem refletido nos
municípios. É uma crise federativa, ou seja, não é o problema da
municipalização, mas é o problema da forma como se tem encarado a educação
pública no Estado do Rio de Janeiro. Os meninos dos municípios têm carência de
transporte; os recursos são insuficientes; das verbas transferidas do Estado
para os municípios, como o salário-educação, às vezes só chegam 25%. Os
municípios mais pobres, com orçamentos apertados, acabam assumindo uma
responsabilidade que deveria ser dividida com o governo estadual. Acabam
assumindo essa responsabilidade que não é só deles.
Já decorreram três meses de um ano letivo que já é curto. No dia 12 de maio faz
três meses do início do ano letivo da rede estadual. Sabemos como V. Exa.
defende o horário integral, Deputado Paulo Ramos, mas neste Estado o tempo de
permanência de um aluno em sala de aula é um dos menores do país. São 4,3
horas/dia, um dos menores do País. Estamos há quase três meses com milhares de
alunos sem aula - mais uma vez, mais um ano - porque falta professor, falta obra
nas escolas, falta manutenção, falta investimento.
V. Exa. traz com muita propriedade a questão dos Cieps. A vontade de um governo
de construir escolas - construiu quinhentas escolas em dois governos. Não deram
seqüência e hoje o Estado do Rio de Janeiro atravessa, na capital, uma crise sem
tamanho porque não há vagas para a matrícula diurna. Um adolescente de 15 anos é
obrigado a se matricular à noite, enfrentando toda essa conjuntura de
insegurança, porque o Estado não garante matrícula diurna.
Isso também gera evasão, gera conseqüências sérias. E nós estamos colhendo o que
diz a notícia do jornal hoje, sobre o plano anunciado pelo Presidente Lula de
desenvolvimento da Educação. Bem-vindo! Sozinho não vai resolver os dilemas da
Educação brasileira, mas são oito bilhões que serão acrescentados na educação
básica.
Vai-se buscar melhorar o piso do professor, vai-se investir na tecnologia da
informação, vai-se investir na energia elétrica. Enfim, pelo menos é um
movimento; um movimento na direção da importância da educação básica.
Mas a contribuição que V. Exa. traz, sem dúvida, é importante. Portanto, vamos
movimentar esta Casa. Esta Casa precisa fazer uma frente, não é favor da escola
integral só não, Deputado, mas uma frente a favor da educação pública do Estado
do Rio de Janeiro.
O SR. PAULO RAMOS – E de qualidade. Pública e de qualidade!
O SR. COMTE BITTENCOURT – Os 70 deputados precisam assumir e assinar esse
compromisso. Porque do que jeito que está indo, o SAEB – Sistema de Avaliação da
Educação Básica do ano que vem será muito pior, Deputado.
Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Eu agradeço a V. Exa. a contribuição que dá, e registro a
minha solidariedade ao Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, que
ontem mobilizou parcela da categoria, estando à porta do Palácio Guanabara, para
fazer não apenas denúncias, mas as justas reivindicações.
Aqui na capital nós temos escolas estaduais que funcionam em prédios alugados, e
estão sendo despejadas por falta de pagamento. Para demonstrar a situação
ultralamentável a que chegamos.
Concedo o aparte ao Deputado Marcelo Freixo.
O SR. MARCELO FREIXO – Nobre Deputado Paulo Ramos, parabéns por trazer este tema
ao plenário.
Como líder do PDT, V. Exa. tem toda a propriedade e a condição de levantar essa
bandeira da escola integral. Este é um tema que tem dominado boa parte das
audiências públicas e dos debates dentro da Comissão de Educação desta Casa, que
vem sendo uma Comissão que se reúne toda semana, com audiência pública – o
Presidente Deputado Comte Bittencourt acabou de falar.
E uma informação preciosa: no Município de São Gonçalo, dos oito Cieps que foram
municipalizados, todos, Deputado perderam o seu tempo de horário integral.
Todos! E isso tem uma relação direta.
Esse debate sobre a educação é profundo, porque esse tempo em que a juventude
deixa de estar na escola, ela fica onde? Há uma relação direta com o crescimento
da violência, com a falta de perspectiva para a juventude. Então, além de uma
política de educação pública, de defesa de escola integral, é uma política de
juventude que estamos debatendo e que precisa ser defendida aqui, com muita
clareza.
É muito preocupante. Muito preocupante porque, como professor, eu recebi em casa
durante a campanha um documento do então candidato Sérgio Cabral com uma série
de propostas de campanha, que eu achei fossem se tornar propostas de governo.
Eram exatamente as bandeiras e as definições dos marcos do Sindicato Estadual
dos Professores. Nenhuma delas foi cumprida.
E a proposta de reajuste salarial é aviltante: 6%! Mais parece promoção das
Casas Bahia: pago a 1% ao mês, a partir do meio do ano. É inaceitável.
Inaceitável! Não contribui para esse drama que estamos vivendo e que é muito bem
retratado nos jornais.
Há dez anos que no Rio de Janeiro o governo do Estado não constrói uma escola. E
a rede estadual está desaparecendo e faltando com a dignidade e as condições de
trabalho.
Obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço a V. Exa.
Simplificando uma atenção especial ao aparte, é melhor discutir e implementar a
educação integral do que discutir e implementar a redução da idade penal.
Por favor, Deputado Pedro Paulo.
O SR. PEDRO PAULO – Nobre Deputado Paulo Ramos, eu não tenho dúvida de que a sua
proposta é muito bem-vinda nesta Casa. A questão da educação é fundamental que
seja discutida.
Eu queria trazer neste aparte uma contribuição também, junto com Marcelo Freixo
e o Deputado Comte, do ponto de vista econômico. O impacto que gera a falta da
Educação aqui para o nosso Estado é catastrófica. O Rio de Janeiro sempre foi o
Estado com os maiores índices de educação deste País, com sete anos e meio de
escolaridade em média, contra uma média do País de 5,9. E com todos esses anos
de descaso na Educação, mesmo assim, o Rio ainda continua sendo o Estado mais
escolarizado deste País. E, provavelmente, se continuarmos, se não revertermos
esse quadro imediatamente - apesar de eu não ter dúvida de que o Governador
Sérgio Cabral está empenhado neste sentido -, nós vamos acabar perdendo a
condição de boa educação no estado. E esse quadro vai se agravar: a perda de
cérebros deste Estado para outras praças, como São Paulo e Minas Gerais. Vamos
perder a massa intelectual. Niterói, que é o município com maior nível de
escolaridade universitário, vai continuar perdendo essa condição e vamos
continuar perdendo esses quadros para outros Estados. Já perdemos os advogados e
os profissionais do mercado financeiro. Vamos continuar perdendo profissionais
bem educados para outros Estados e o Rio de Janeiro não dará a volta, do ponto
de vista econômico, e não trará mais bem estar para sua população.
Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço o aparte de V. Exa., mas quero registrar com
cautela a afirmação de ser o Estado do Rio de Janeiro aquele que está em melhor
posição em termos de escolaridade. Parece-me que isso não corresponde à
realidade; pelo menos, a publicação que está aqui coloca o Rio de Janeiro em uma
situação muito difícil.
Sr. Presidente, temos aqui os 20 piores municípios do Estado do Rio de Janeiro:
Campos dos Goytacazes (o pior); Paty do Alferes; Guapimirim; Nilópolis,
Seropédica; Japeri; Quissamã, Tanguá; Magé; São João da Barra; Saquarema; Duque
de Caxias; Itaguaí; Cantagalo; Carapebus; Paracambi; Belford Roxo; Rio das
Flores; Itatiaia e Cardoso Moreira. Estes são os municípios que alcançam uma
nota, de 0 a 10, entre 2,9 e 3,5.
Mas, Sr. Presidente, há mais um dado que preciso registrar, no Município do Rio
de Janeiro. Note que São Paulo começa com 6,8 e o Rio de Janeiro começa com 5,4,
a nota melhor. São dois municípios do interior: Trajano de Moraes e São José de
Ubá. Depois, vem Aperibé, com 5,1; Santa Maria Madalena; Miracema; Italva;
Miguel Pereira; Volta Redonda; Mendes; Friburgo; Itaperuna; Barra Mansa; Santo
Antônio de Pádua; Bom Jesus do Itabapoana; Macaé; Bom Jardim; Macuco;
Porciúncula; Engenheiro Paulo de Frontin. Estes, entre 5,4 e 4,3. Em 20º lugar,
também com 4,3, vem o Município do Rio de Janeiro.
Sr. Presidente, a capital de nosso Estado, que tenta também se apresentar como a
capital política e cultural do País, ocupa o 20º lugar no Estado entre os
municípios que ainda apresentam melhores condições. E o Município do Rio de
Janeiro dispõe de uma receita tão grande que o Sr. Prefeito chegou a oferecer
dinheiro à Sra. Governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius. Então, a
confissão está aqui. Não há dinheiro para investir na educação, mas há dinheiro
para emprestar a outro Estado. Isto é algo assustador.
Sr. Presidente, ainda não posso deixar de fazer um registro em relação a Trajano
de Moraes, principalmente, e a São José de Ubá. Trajano de Moraes ocupa o 1º
lugar. Em Trajano de Moraes, só há escola pública, não há escola particular. E
mais: todas as escolas do ensino básico são escolas públicas, e com horário
integral. Trata-se de um município pobre, Sr. Deputado Comte Bittencourt, que
certamente não recebe os recursos vindos do poder central, tem dificuldade para
receber, mas consegue manter suas crianças no ensino básico, da 1ª à 4ª série,
em horário integral. Vou propor a esta Casa uma homenagem à administração
municipal de Trajano de Moraes e de Aperibé. São municípios considerados
pequenos, com pequena receita, mas que conseguem dar uma atenção especialíssima
à educação.
Em Trajano de Moraes só há 36 escolas públicas, 36 ao todo. O horário é
integral. As instituições não têm laboratório, mas a falta de infra-estrutura
não impede projetos de incentivo à leitura, por exemplo, como no Ciep Guiomar
Gonçalves Neves. Na classificação nacional, a escola obteve o primeiro lugar em
português e o segundo lugar em matemática, na quarta série. Na classificação
nacional consta uma escola de Trajano de Moraes. Isso comprova que o compromisso
com a educação exige recursos, mas exige também atenção. É um compromisso
político com a educação, é um compromisso de mentalidade.
Pretendo propor a esta Casa uma homenagem pelo menos a esses dois municípios que
se destacaram, especialmente Trajano de Moraes.
Diz a direção do estabelecimento: “Nesses CIEPs, o resultado da Prova Brasil
aumentou a auto-estima dos alunos — não é para menos. Daiane Guimarães, 19 anos,
do curso de formação de professores, fez estágio em 2005 na turma de quarta
série avaliada pelo MEC. Para ela, o resultado mostra o valor das escolas do
interior, mas mostra também o valor da educação pública — e da educação pública
com horário integral.”
Sr. Presidente, tratar dessa questão sempre nos obriga, não apenas a nós, do
PDT, a fazer uma saudação póstuma a Leonel Brizola e a Darcy Ribeiro.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
A SRA. WALDETH BRASIEL – Sr. Presidente, gostaria de justificar a ausência do
Sr. Deputado Dr. Alcides Rolim, que está em Belford Roxo cumprindo compromissos.
O SR. PRESIDENTE (Marco Figueiredo) – A Presidência também justifica a ausência
do Sr. Deputado Audir Santana, que está participando de um encontro no Município
de Macaé, tratando de assuntos de alta relevância para o Estado do Rio de
Janeiro.
TOPO
24/04/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Os postos de trabalho gerados com o transporte
alternativo.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero aproveitar
para dizer ao grande companheiro, Deputado Alair Corrêa, que sou botafoguense. É
um outro embate. Não vou nem aqui rememorar o embate anterior, mas fiquei muito
feliz em ver o desempenho do Cabofriense. Foi um grande jogo. E registro que
lamentei muito o juiz ter anulado o gol do Cabofriense. Para quem gosta do bom
futebol, para quem gosta de ver um bom jogo, aquela anulação foi desnecessária
e, efetivamente, prejudicou o Cabofriense. Poderia, ali, ser um momento de um
outro enfrentamento. Mas faz parte do futebol. Há, também, o registro de o
bandeirinha ter dado um impedimento que prejudicou o Botafogo. Depois, com
aqueles efeitos especiais, a televisão tem a possibilidade de demonstrar se a
marcação foi correta ou não. E ficou comprovado, também, que o jogador estava na
mesma linha daquele do qual recebeu o passe, e o gol do Botafogo seria
convalidado. De qualquer maneira, quando surge um time, uma equipe do interior,
que consegue superar as equipes tradicionais, é motivo de alegria para todos
nós, que queremos ver o Rio de Janeiro recuperar, também no futebol, o prestígio
que já teve.
O SR. ALAIR CORRÊA – V. Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Pois não, Sr. Deputado.
O SR. ALAIR CORRÊA – Sr. Deputado Paulo Ramos, agradeço a concessão do aparte.
V. Exa. sabiamente colocou que o nosso time, realmente, foi altamente
prejudicado, porque não só um gol foi anulado erradamente; um pênalti não foi
marcado e o impedimento também não houve. Mas disputar com a sua equipe já é
motivo de muita alegria para nós, de Cabo Frio, porque o Botafogo em nossa
cidade é freguês de caderno; lá ele não consegue ganhar do Cabofriense.
O Botafogo ganhou no Maracanã. Seria muito atrevimento nosso, saindo da nossa
pacata e pequena cidade, querer ganhar do Botafogo, uma tradição, com 50 mil
pessoas gritando, ovacionando, cantando o hino do clube. Seria muito atrevimento
nosso. De qualquer forma, chegamos aonde queríamos: divulgar Cabo Frio e
encantar os botafoguenses, como V. Exa.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço a V. Exa. e também registro que, como botafoguense,
fiquei muito feliz. Não só torci; no apito final, tive manifestações de euforia,
manifestações naturais.
Sr. Presidente, venho a esta tribuna para falar de uma audiência pública,
realizada pela Comissão de Trabalho da Assembléia Legislativa, tratando de uma
questão extremamente relevante para o nosso Estado: os postos de trabalho
gerados com o transporte alternativo ou complementar.
Estamos vivendo no nosso Estado, neste início de governo, uma tentativa de
reorganização do transporte. Entretanto, não obstante todas as boas intenções
que estão presidindo tais esforços, há a certeza de que os trabalhadores do
transporte alternativo vêm sendo muito prejudicados. São diversos os pontos que
podem ser abordados e que demonstram claramente a necessidade do setor.
Principalmente pelos postos de trabalho que gera e pelo serviço prestado à
população, é preciso que o setor seja visto com outros olhos, não com os olhos
perversos daqueles que tentam criminalizar o transporte, acima de tudo, em
respeito aos bons profissionais, aos trabalhadores que diariamente tiram do
transporte alternativo o sustento de suas respectivas famílias.
Em primeiro lugar, Sr. Presidente, para citar alguns tópicos, criaram uma nova
moeda com a catraca eletrônica. O transporte alternativo dessa moeda não
usufrui. Já perde, obviamente, uma parcela expressiva da sua clientela. Em
segundo lugar, o transporte alternativo passa anualmente por duas vistorias,
enquanto o setor correlato, ônibus, passa apenas por uma vistoria. A vistoria
dos ônibus é feita nas próprias garagens das empresas, enquanto o transporte
alternativo tem que se deslocar, o intermunicipal, dos seus municípios, para uma
vistoria no Município do Rio de Janeiro.
Há, também, comprovadamente, uma espécie de orquestração que envolve
principalmente vários municípios, com os quais o Detro tem convênio para
fiscalização. O transporte alternativo é cruelmente perseguido. Em vários
municípios o transporte alternativo não pode sequer circular, isto é, só pode
trafegar nas vias expressas, nas vias estaduais. No momento em que se atreve a
adentrar o município, imediatamente o veículo é parado, multado, recolhido,
apreendido. É uma situação extremamente lamentável!
Imaginemos, por exemplo, que em municípios como Volta Redonda e Angra dos Reis o
ponto de partida de um transporte alternativo fica a vários quilômetros do
centro da cidade. Em Volta Redonda, a denúncia foi feita hoje. Os trabalhadores
do transporte alternativo fizeram uma espécie de intermodalidade com os
motoristas de táxis. E basta um táxi sair do seu ponto levando passageiros para
o transporte alternativo, que é multado. Isto é uma espécie de garrote, e no
sentido de buscar a regulamentação, o Governador Sérgio Cabral editou um
decreto. Aliás, a intenção foi viabilizar o setor - é preciso registrar - que
não permite ao transporte alternativo pegar e deixar passageiros durante o seu
trajeto. Só pode ser do ponto inicial ao ponto final.
Vou dar um exemplo a V. Exa., Deputado Walney Rocha. A condução tem ponto
inicial em Nova Iguaçu e ponto final Praça XV, mas o passageiro trabalha na
Rodoviária Novo Rio ou nas suas imediações. Ele tem que ir até a Praça XV para
depois voltar para a Rodoviária, mesmo passando em frente durante o trajeto. É
assim, de um absurdo que não tem tamanho.
Então, foi uma reivindicação para que o decreto seja modificado. Por outro lado,
todos falam que na livre iniciativa e na economia de mercado há de prevalecer a
competição, esta, não só na qualidade do serviço como também no preço do
serviço. Está estabelecido um preço mínimo em relação a um percentual mínimo de
acréscimo para o transporte alternativo fixar o preço das tarifas. Se quiser
colocar um preço menor, não pode. Quer dizer, são situações, as mais diversas
que tivemos oportunidade de debater.
A categoria se fez representar através de dirigentes de todo o Estado do Rio de
Janeiro, de diversos municípios, as centrais, as federações, os sindicatos.
Todos estiveram presentes, inclusive o Secretário Júlio Lopes e o Presidente do
Detro, Dr. Rogério Onofre.
Foi uma audiência pública muito produtiva. Fica aqui a esperança de que aqueles
pontos mais absurdos, imediatamente constatados, sejam rapidamente revistos.
Foi feito o pedido para que o Detro rompa o convênio que tem de fiscalização com
os municípios, porque os prefeitos estão se aliando aos donos de empresas de
ônibus e massacrando o transporte alternativo.
Com a licitação que há de ser feita, o mais rapidamente possível pelo setor, que
a situação fique regulamentada e os postos de trabalho completamente
preservados.
Agradeci muito a presença do Secretário Julio Lopes e do Presidente do Detro,
Dr. Rogério Onofre, porque com a presença deles, além de tomar ciência, foi
possível ter um embate de idéias. Então, foi uma audiência pública respeitosa
que seguramente dará bons resultados para os trabalhadores, e um transporte
alternativo para a população que precisa de transporte.
Muito obrigado.
TOPO
19/04/2007- Expediente Final
Discurso - Paulo Ramos - Sem soberania não há justiça social.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna
tratar de um problema internacional: a questão do Iraque. O tempo passa e
obviamente, como foi executado, ninguém mais fala de Saddam Hussein. Entretanto,
Saddam Hussein foi levado a um tribunal sob a alegação de que, a partir de uma
decisão, quando presidia o Iraque, uma ação do Exército Iraquiano levou à morte
182 pessoas, numa das regiões onde ele próprio, Saddam Hussein, teria sido
vítima de um atentado.
Por questões econômicas, pelo fato de Saddam Hussein ter nacionalizado todas as
atividades relativas ao petróleo no Iraque, e detendo o Iraque 15% das reservas
até então descobertas de petróleo no mundo, os Estados Unidos, na era George
Bush, resolveram invadir o Iraque. Fizeram isso sob várias alegações. A primeira
alegação era de que Saddam Hussein desenvolvia armas de destruição em massa. Os
inspetores da ONU, em todos os relatórios, afirmaram que não havia nada,
rigorosamente nada, que pudesse levar àquela conclusão. A ONU decidiu não apoiar
qualquer ação bélica contra o Iraque.
Descumprindo a decisão da ONU, o Sr. George Bush, com o apoio principalmente do
Primeiro Ministro da Inglaterra Tony Blair, resolveu invadir o Iraque. Logo
depois, tendo em vista o 11 de setembro, que foi outro pretexto, resolveu dizer
o Sr. George Bush que Saddam Hussein tinha uma aliança com Bin Laden, na Al
Qaeda. Agora, passados vários anos, documentos da inteligência americana afirmam
não existir nada que pudesse levar à conclusão de que Saddam Hussein tivesse
envolvimento com Bin Laden ou com outras forças que se apresentam no mundo como
terroristas. Nada! Nada!
Entretanto, só de militares americanos, já morreram no Iraque mais de três mil,
sem contar as centenas de milhares de iraquianos mortos. Afinal de contas, se
Saddam Hussein, através de um pretexto, foi levado ao banco dos réus, condenado
à forca e enforcado, qual tribunal há de julgar o Sr. George Bush? Qual
tribunal? Ele é responsável direto pela morte de pelo menos mais de três mil
soldados americanos.
Hoje, dia 19 de abril, estamos a dois dias de homenagear um dos vultos
libertários da história de nosso País: Tiradentes. Um patriota, nacionalista,
que lutou também contra a exploração do nosso povo e igualmente foi condenado à
forca. Onde estamos há, na frente do palácio que leva o nome de Tiradentes,
exatamente a estátua com o vulto de Tiradentes, no local onde ele foi enforcado.
Será que é possível estabelecer alguma relação entre o papel dos países
imperialistas e aqueles que ousam resistir em nome da afirmação dos direitos de
seus povos? Acredito que sim.
Sr. Presidente, o Governo Bush ainda busca na ONU, instituição que ele próprio
desrespeitou, apoio contra outro país, o Irã, simplesmente porque este
desenvolve a tecnologia nuclear, tecnologia já dominada principalmente pelos
Estados Unidos, que dispõem de armas de destruição em massa e ainda de longo
alcance! Eles são capazes de, sem sair dos Estados Unidos, apertando apenas um
botão, alcançar o Brasil e qualquer outra parte do mundo. Entretanto, qual a
razão de, em relação a eles, não haver qualquer restrição? E nem se pode dizer
que eles dispõem de tais armamentos com finalidade preventiva, porque sempre se
utilizaram desses armamentos, sempre.
Os Estados Unidos, aliás, são precursores na utilização de armamentos nucleares,
desde 1945, ao fim da Segunda Guerra Mundial. Eles nem falam no Presidente
Truman, ninguém nem ouve falar, pois foi justamente quem determinou que duas
bombas atômicas fossem lançadas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e
Nagasaki, mesmo com a guerra praticamente terminada. Eles, historicamente, não
têm autoridade política nem autoridade moral para impedir que qualquer país
desenvolva tecnologia nuclear. Eles não têm autoridade para duvidar das
intenções pacíficas do Irã. Qual a razão? Qual a razão?
Então, Sr. Presidente, assomo à tribuna para homenagear Tiradentes. É preciso
que o povo brasileiro recupere suas referências históricas e libertárias.
Tiradentes é um grande exemplo. Só com a unidade nacional, só com um projeto
nacional, teremos a oportunidade de construir uma nação soberana, porque sem
soberania não haverá justiça social.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
A SRA. INÊS PANDELÓ – Peço a palavra pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Coronel Jairo) – Pela ordem, tem a palavra a Sra. Deputada
Inês Pandeló.
A SRA. INÊS PANDELÓ (Pela ordem) – Sr. Presidente, venho justiçar a ausência dos
Sr. Deputado Rodrigo Neves, que se encontra em uma reunião no Palácio Guanabara.
Muito obrigada.
O SR WAGNER MONTES – Peço a palavra pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Coronel Jairo) – Pela ordem, tem a palavra o Sr. Deputado
Wagner Montes.
O SR. WAGNER MONTES (Pela ordem) – Gostaria de justificar a V. Exa. meu atraso
de três minutos em relação à segunda chamada, por causa do trânsito que peguei
ao voltar de outro trabalho.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Coronel Jairo) – Está justificado, Sr. Deputado Wagner Montes.
TOPO
18/04/2007- Expediente
Inicial
Discurso - PAULO RAMOS - Desvio político gera problemas à população
de Campos dos Goytacazes.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, venho a esta tribuna abraçar
inúmeros e graves problemas que estão sendo vividos hoje pela população de
Campos dos Goytacazes. Após alguns comentários, vou tomar a liberdade de ler um
artigo publicado no Jornal O Diário, de Campos, hoje, assinado pelo
Vice-Prefeito do Município, Roberto Henriques, do meu partido, o PDT. Registro
que o Prefeito de Campos, o Sr. Mocaiber, foi eleito pelo PDT, rompeu com os
compromissos partidários e assumiu uma espécie de descaminho.
Diz o artigo do Vice-Prefeito Roberto Henriques, intitulado “Festa Rica”:
(Lendo)
“Basta uma breve leitura cotidiana do Diário Oficial do município para a
constatação estarrecedora de que milhões de reais do sagrado dinheiro público
são gastos em obras e outros serviços com a dispensa de licitações. Uma única
empresa chega a ser contemplada com cerca de 50 milhões; outras tantas com
valores que vão de 1 a 20 milhões, tudo em nome do decreto de emergência
assinado no período das enchentes. Curioso que, no ano passado, o festival foi o
mesmo: mais de 70 milhões foram distribuídos para a realização de obras sem
licitação com a finalidade de prevenir o município contra as cheias. Preveniu?
Protegeu? A resposta é tristemente fácil. Campos e seu povo foi presa indefesa
das águas, por ausência das limpezas dos canais e de uma macro-drenagem para os
bairros e distritos. Caberia, portanto, já que a emergência de 2006 não
funcionou, uma ampla discussão com as entidades e técnicos da comunidade sobre a
aplicação dos recursos públicos na emergência que ora está instalada. “Não nos
chamaram para esta festa pobre que os homens armaram para nos convencer”, como
disse o nosso poeta Cazuza. Fizeram uma verdadeira “ação entre amigos” que
envergonha as tradições do povo campista. Não bastasse o setor de obras, entra
na festança das dispensas de licitações o setor de Educação. Assombra-nos a
publicação no monitor campista, dando-nos conta de que a Secretaria Municipal de
Educação contratara serviços ao Instituto de Desenvolvimento e Apoio a Projetos
Integrados, no valor de cinco milhões. Caro leitores, estamos falando de milhões
e milhões de reais. Somando tudo, só nestas dispensas de licitações ocorridas no
ano de 2007, os valores podem chegar a 300 milhões de reais com dispensas de
licitação.
Bradam aos céus !!! Diria o poeta Castro Alves: “Dizei-me, Senhor Deus, se eu
deliro ou é verdade, tanto horror perante aos céus”. Misturaria minhas palavras
aos versos de Cazuza para o chamamento: “Campos, mostra tua cara, quero ver
quanto pagamos pra gente ficar assim. Prefeitura, quem são seus sócios? Quais
são seus negócios? ... Com a palavra os gestores.”
(Interrompendo a leitura)
E eu aduzo aqui, dentre eles, o Prefeito Mocaiber.
(Lendo)
“Não somos um povo qualquer! Somos Campos dos Goytacazes, de ricas tradições
históricas.
Roberto Henriques
Vice-Prefeito de Campos”.
Sr. Presidente, além do Instituto de Desenvolvimento e Apoio às Pesquisas
Integradas e às inúmeras empreiteiras que se associaram ao Prefeito de Campos
para o desvio de recursos públicos, ainda existe a Fundação José Pellucio.
Sr. Presidente, quero dizer que ainda estou de posse de uma ação ajuizada pelo
Ministério Público do Rio de Janeiro. Veja bem, não se trata agora de algo que
algum desavisado pudesse atribuir como embate político, já que o artigo que li é
de autoria do Vice-Prefeito de Campos, Roberto Henriques.
Sr. Presidente, temos o Ministério Público estadual que ajuizou uma ação
envolvendo um fato escabrosíssimo, já que a prefeitura desapropriou determinada
área, atribuindo à mesma o valor de R$ 22.933.732,44, área adquirida num período
simultâneo à desapropriação por R$ 4.058.373,82. Veja bem, Sr. Presidente, cinco
vezes mais. A área foi desapropriada por um valor superior a cinco vezes o valor
da aquisição pela D.M. Empreendimentos. Consigne-se que o imóvel seria de
propriedade de Roncetti Comércio e Importação Ltda., mas o decreto
expropriatório considerou o imóvel pertencente à D.M. Empreendimentos Comerciais
S/A.
Veja bem, Sr. Presidente, é triste constatar que um município como Campos esteja
sendo vitimado pela ação deliberada e irresponsável do Sr. Prefeito Mocaiber.
Sr. Presidente, estou recebendo provas de todas as contratações feitas sem
licitação, estou recebendo outras denúncias documentadas e pretendo
simultaneamente encaminhar uma representação ao Ministério Público sobre tais
contratações. Pretendo ainda solicitar ao Tribunal de Contas, diante de farta
documentação, que realize em Campos imediatamente uma inspeção especial. Não
posso acreditar – não posso! – que as despesas de licitação estejam sendo
submetidas ao crivo do Tribunal de Contas. É uma orgia com recursos públicos!
O SR. DICA – V. Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Pois não, Sr. Deputado Dica.
O SR. DICA – Dou os parabéns a V. Exa. e peço que, se for o caso e se V. Exa.
quiser, com relação às enchentes e às verbas não utilizadas, o trabalho não
sendo totalmente feito, encaminhe tal documentação para a CPI das Enchentes,
para que possamos, juntamente com V. Exa., acompanhar mais esse descalabro no
uso de verba pública, com a população mais uma vez sofrendo e sendo penalizada.
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Deputado Dica, agradeço a sugestão de V. Exa. e levo ao
conhecimento da Casa que, tendo em vista a solicitação a mim feita pela Sra.
Deputada Sheila Gama para que eu a substituísse na CPI das Enchentes,
participarei, juntamente com V. Exa., desse trabalho e, com certeza, levarei ao
conhecimento de todos o que acontece no município de Campos.
O SR. DICA – Obrigado. A presença de V. Exa. na CPI vai engrandecer e enriquecer
ainda mais o nosso trabalho. O Estado é que ganhará.
O SR. PAULO RAMOS – Obrigado.
Agradeço a todos, Sr. Presidente, e espero que a Casa tome conhecimento do fato
e que o Ministério Público e o Tribunal de Contas tomem as providências
cabíveis. Espero ainda que a Comissão Parlamentar de Inquérito que aborda
especificamente este tema possa também incorporar a seus trabalhos a
investigação sobre o que acontece no Município de Campos.
Muito obrigado.
TOPO
18/04/2007- Expediente Final
Discurso - PAULO RAMOS - PDT apóia CPI das barcas para apurar causas e
responsáveis por acidentes
A manipulação do crime organizado nos resultados das Escolas de Samba
Lei garante que servidores escolham banco para receber pagamento
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sra. Presidente, tenho absoluta convicção de que o Sr.
Deputado Gilberto Palmares manifestaria aqui, mais uma vez, a sua indignação em
relação ao que está acontecendo na Baía de Guanabara com as barcas.
A população está assustada e o Sr. Deputado Gilberto Palmares ingressou com um
requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a
apurar as causas e os responsáveis. Seguramente são aqueles que se apropriaram
de um bem público e que agora demonstram que não têm nenhuma responsabilidade,
têm preocupação exclusiva com o lucro. Estamos apoiando, nós do PDT, a CPI
requerida pelo Sr. Deputado Gilberto Palmares, em homenagem à população que se
utiliza das barcas e que vive em torno da Baía de Guanabara.
Sra. Presidente, venho a esta tribuna para tratar de dois assuntos completamente
diferentes, mas de forma rápida e objetiva. Estamos assistindo agora, no Rio de
Janeiro, a um debate, depois que um delegado federal manifestou que o resultado
do último desfile das escolas de samba teria sido fraudado. Começo a perceber o
surgimento na sociedade de uma discussão acalorada sobre a manipulação dos
resultados com o objetivo de beneficiar esta escola e prejudicar aquela.
Há muito tempo existem fortes indícios de manipulação, claro. Podemos citar, por
exemplo, algo curioso: após a morte de Castor de Andrade, a Mocidade
Independente de Padre Miguel passou a viver situação de dificuldades. Isso
porque apresenta um desfile que se distancia tanto daquelas que alcançam os
primeiros lugares? Claro que não. Simplesmente por que o seu patrono não está
mais presente.
A grande questão que deveria ser discutida, aproveitando essa comoção, já que o
Carnaval mobiliza paixões a partir das escolas de samba, é algo sobre o que
tenho falado aqui, ao longo dos últimos anos, algumas vezes: o fato de o
verdadeiro crime organizado estar controlando a principal festa popular do nosso
País. Este é o escândalo. A manipulação do resultado é uma conseqüência, mas a
causa principal, algo repugnante que precisa ser rechaçado, é o fato de o Brasil
se expor ao mundo por causa do Carnaval, sendo que quem controla o evento no Rio
de Janeiro é a verdadeira máfia. É aí que está o escândalo.
É preciso repudiar este acontecimento, na medida em que a partir daí percebemos
uma espécie de mãe ou de pai de vários outros delitos. É o consentimento, é a
cumplicidade, é a tolerância, é a conivência, conivência que vem dos principais
dirigentes do município do Rio de Janeiro a partir do prefeito, mas envolvendo,
obviamente, as demais autoridades municipais, estaduais e federais, que às vezes
disputam vagas nos camarotes mais bem situados e convivem ali com os próprios
organizadores do Carnaval. Naquele momento do Carnaval, momento talvez de
alucinação, a ética fica distante, não há ética. O Carnaval talvez esteja acima
até dos principais valores morais que devem orientar a nossa sociedade.
É preciso aproveitar este momento para dizer que não podemos aceitar que a Liga
das Escolas de Samba tenha, em sua composição, os principais dirigentes do crime
organizado do nosso Estado. Imaginar, por exemplo, que no Espírito Santo, o seu
principal banqueiro do jogo do bicho chegou a presidir a Assembléia Legislativa.
Chegaremos a tal ponto? Não sei.
Sra. Presidente, neste caso, quero dizer que estamos diante de uma oportunidade
de dar uma demonstração à sociedade de que é preciso corrigir desvios, e desvios
graves; e que nossas festas populares, o nosso carnaval, que tanto leva o nome
do Brasil ao mundo, precisa ser dirigido por quem não tem envolvimentos dessa
natureza.
Mas, venho também à tribuna para comunicar que estou fazendo por escrito e
encaminhando um esclarecimento ao Sr. Governador Sérgio Cabral: li no jornal que
o governo do Estado estaria disposto a repactuar com o Banco Itaú, de modo a
receber mais recursos para investimentos públicos, o contrato em relação às
contas dos servidores públicos.
Surpreendi-me, na medida em que está em vigor uma lei, que tenho o orgulho de
dizer que é de minha autoria, com a aprovação desta Casa, que possibilita aos
servidores - ativos, inativos e pensionistas - a escolha do banco e da agência
onde pretendem receber seus vencimentos, seus proventos e suas pensões. Mas o
Governador do Estado, por falha de sua assessoria, por não ter sido cientificado
da existência desta lei, manifesta publicamente que pretende estabelecer com o
Banco Itaú um novo pacto.
Acredito que o servidor público e muitas entidades se manifestaram, com muito
regozijo por essa conquista, não apenas pelo direito que cada um tem de
controlar o seu próprio dinheiro, de dizer onde quer que ele seja depositado,
mas também pelo fato de que muitos, especialmente aqueles que estão aposentados
em locais onde não há agência do Banco Itaú, tenham o direito de escolher um
banco e uma agência localizada próximo de onde estiver morando. Por outro lado,
se manter a conta coletivamente num banco resulta em proveito financeiro, que
este proveito financeiro seja conduzido, de preferência pelas entidades
representativas dos servidores, e não pelo Estado.
O servidor já está tão aniquilado, tão massacrado, e no momento em que há uma
conquista que pode representar para ele algum benefício, aqueles que deveriam
estar alertando o governador do Estado não o fazem. Então, venho à tribuna para
fazê-lo, para dizer que há uma lei em vigor que permite aos servidores públicos
dos três Poderes, encerrado os contratos vigentes, a escolha do banco e da
agência onde pretendem receber seus vencimentos, proventos ou pensões.
Que aqui fique o alerta, mas estou encaminhando ao Sr. Governador Sérgio Cabral,
cópia da lei por ele aprovada, na certeza de que S. Exa. irá acolher e, ao
contrário, estimule o servidor a se mobilizar, a se organizar para uma decisão
coletiva da categoria para deixar a conta neste ou naquele banco, nesta ou
naquela agência, para que ele possa atender ao seu pleito de ter acesso mais
fácil à movimentação de seus recursos. Mas, acima de tudo, que a categoria, no
seu conjunto, possa tirar algum proveito.
Faço este alerta, que, certamente o Governador acolherá.
Obrigado, Sra. Presidente.
TOPO
17/04/2007- Expediente
Inicial
Discurso - PAULO RAMOS - Embate por melhorias em Tamoios
A atuação da Polícia Federal e o
crime organizado.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estou vendo ali o
meu querido Deputado Alair Corrêa. Quero dizer a ele que não vou tratar aqui a
questão relativa a Tamoios, Cabo Frio. Mas quero convidá-lo para o evento que
dia 4 de maio teremos lá em Tamoios, um grande encontro com a população para
tentar constatar mais uma vez os desejos da comunidade. V. Exa. está convidado:
será dia 4 de maio, às 20 horas. Depois informo a V. Exa. o local exato. O
convite está feito e eu me disponho a participar do encontro no 1o Distrito, em
Cabo Frio, a convite de V. Exa.
O SR. ALAIR CORRÊA – V. Exa me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte ao Deputado Alair Corrêa.
O SR. ALAIR CORRÊA – Sei que esse encontro não levará V. Exa. a lugar algum. V.
Exa. sabe que a CCJ já arquivou o processo e qualquer outra iniciativa de V.
Exa. nesse sentido irá de encontro ao próprio projeto e será inconstitucional,
motivo pelo qual não estarei presente. Se houvesse alguma possibilidade de
aquele povo sonhar com a emancipação, certamente, eu iria. Mas, no caso,
Deputado Paulo Ramos, vou lá para dizer o quê? Dizer, por exemplo: “olha, eu
estou aqui para dizer a vocês que esse processo não vai a lugar algum”?! Quer
dizer, eu iria entusiasmar as pessoas para algo impossível? Vou deixar por conta
de V. Exa. Eu não vou fazer isso.
O SR. PAULO RAMOS – Mas levarei a revista que V. Exa. tão gentilmente me
encaminhou com aquela bela dedicatória.
O SR. ALAIR CORRÊA – Eu a distribui em toda Tamoios, todos sabem. Todos sabem o
que foi feito em Cabo Frio. Não é só quem mora lá, não. O Brasil inteiro sabe. E
lá no seu distrito, esse que V. Exa. quer emancipar, lá tem um hospital que eu
fiz. Lá tem 6 km de orla que eu fiz. Lá tem uma escola com ginásio coberto, para
mil jovens de ensino médio, que eu fiz e era tarefa do Estado. Lá tem algumas
ruas calçadas. Agora, com relação àquelas fotografias, não vou me alongar, pode
ficar tranqüilo. Se nós pegarmos, nós temos o 1o Distrito com 500 anos. Estamos
asfaltando a última avenida, agora. O Distrito de Tamoios tem 30 anos, é quatro
vezes maior. Seria injusto querer que o Prefeito Alair Corrêa, em oito anos
apenas, asfaltasse 400 km2. Essa causa que V. Exa. defende não levará a nada.
O SR. PAULO RAMOS – Essa é a sua avaliação! Entretanto, existe causas
impossíveis na literatura religiosa. Diz-se também aparentemente impossível, ou
ainda aquela que para Deus nada é impossível ou A voz do povo é a voz de Deus. O
povo está lutando, deputado, e o fato de a Comissão de Constituição e Justiça já
ter deliberado não significa que o processo esteja encerrado.
Mas, Sr. Presidente, Srs. Deputados, eu vim aqui tratar de outro assunto.
O SR. ALAIR CORRÊA – V. Exa. me concede um aparte? Serei rápido.
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte ao Deputado Alair Corrêa.
O SR. ALAIR CORRÊA – Nem se pegar o profeta, da novela das seis, vai resolver o
seu problema.
O SR. PAULO RAMOS – Vamos ver, Deputado Alair Corrêa. V. Exa. já acumulou
experiência na vida, é certamente um vitorioso e sabe que toda vitória depende
da boa luta. É o que está fazendo o povo de Tamoios: lutando. Mas, V. Exa.
conhece o Regimento, sabe que um projeto apresentado em um ano, no ano seguinte
pode ser reapresentado. E nós vamos lutar exatamente em função da determinação
daquele povo.
De qualquer maneira, reitero o convite: dia 4 de maio, às 20 horas, estaremos no
1o Distrito para debater com a população as questões locais e, depois, vou
trazê-las aqui. Adianto que não são poucas.
De qualquer maneira, fico feliz, porque o Parlamento nos ensina que às vezes um
desentendimento, um entrevero, não significa algo a ser levado à ponta de faca.
Aprendemos que a convivência há de prevalecer a mais amistosa, a mais solidária,
cada qual nas suas convicções, dentro do trabalho que entende deva desenvolver.
Cumprimento afetuosamente o Deputado Alair Corrêa.
Sr. Presidente, vim a esta tribuna, para tratar da operação desencadeada pela
Polícia Federal. Uma operação policial que efetivamente nos alarmou a todos, não
só pela sua própria dimensão, como também em razão das pessoas que foram
alcançadas e presas, praticamente de todos os poderes, exceto - ainda - do Poder
Legislativo. Mas imaginar que desembargadores, juízes, procuradores, advogados e
delegados da própria Polícia Federal foram presos. Acredito que todo o povo
brasileiro esteja assustado, muito assustado, porque a impressão que fica é da
existência de uma degradação generalizada, como se as instituições estivessem
completamente deterioradas e contaminadas. Talvez isto aplaque a desesperança da
população. De qualquer forma é preciso perseverar. Não se pode perder a
esperança. A ação da Polícia Federal ainda é um indicativo de que providências
podem ser tomadas. Vamos aguardar, vamos esperar que a investigação seja
responsável, que busque verdadeiramente provas e que, ao final, não haja
injustiças, porque todos aqueles que estão sendo apontados como envolvidos,
estão tendo as suas imagens publicamente expostas. Se sobre eles pesarem provas
concretas, que então, no final, seja feita justiça.
Em função dessa operação, quero tratar aqui da quantia encontrada, guardada que
estava sob sete chaves. Os policiais se utilizaram de marreta para derrubar uma
parede e recolher alguns milhões de reais, dólares e euros. Naturalmente, os
donos daquele dinheiro não precisariam derrubar a parede para ter acesso, mas a
polícia teve essa necessidade.
Além disso, venho falar de como guardam seu dinheiro aqueles que dispõem de
muitos recursos, recursos auferidos de forma ilícita; de como mantêm, em
qualquer lugar, montanhas de dinheiro auferido de forma escusa, de forma
ilícita, através do crime organizado, da corrupção, através de qualquer
mecanismo espúrio. Como guardam? Se o deixam em casa, vivem sobressaltados; se o
deixam no escritório ou outro lugar qualquer, têm que criar verdadeiras
fortalezas. Mas aí está algo que não tem sido dito: a existência dos paraísos
fiscais.
Imagino, e ainda espero, que a própria Polícia Federal trate desse tema, porque
são exatamente os paraísos fiscais que recebem volumes expressivos de dinheiro
amealhados pelo crime organizado, pela corrupção, por todo tipo de fraude. Os
paraísos fiscais detêm uma espécie de arquivo criminal, porque quem põe dinheiro
em um paraíso fiscal não tem como cobrar, não tem como reivindicar a devolução
daquele dinheiro, caso os controladores dos ‘paraísos’ resolvam bloquear a
devolução.
Se não têm como dizer como conquistaram o dinheiro, não podem cobrar. Isso
estabelece uma relação de dependência entre aqueles que ganham dinheiro através
de atividades ilícitas e os controladores dos paraísos fiscais. Quem controla um
paraíso fiscal tem o arquivo nominal das pessoas que ali depositam dinheiro
oriundo de fonte escusa.
Por isso, eles dizem que a conta é numerada e secreta, porque querem transmitir
a impressão de que está protegido o nome do depositante, pois é difícil guardar
dinheiro. E aí há uma outra questão: imaginem se a pessoa que se corrompeu, a
pessoa que participou de uma atividade ilícita e colocou os recursos num paraíso
fiscal, se a esta pessoa cabem decisões políticas. A relação de dependência
passa a ser muito maior porque, além da dependência em relação ao dinheiro, há
uma dependência ética. O nome está em jogo.
E preciso que esta Casa ou qualquer outro fórum debata esta questão, não apenas
o crime organizado, não apenas as diversas outras formas de ganhar dinheiro
através das atividades ilícitas ou escusas, mas acima de tudo, as dificuldades
que tem para guardar dinheiro aquele que acumula muito dinheiro. E aí, deposita
em instituições financeiras que se propõem a proteger o crime organizado, a
fraude e a corrupção, ao mesmo tempo estabelecendo sobre aquele lá cadastrado,
um domínio muito grande.
Como a comunidade financeira internacional ou a comunidade internacional não se
rebelam face à existência de paraísos fiscais? Se há o conhecimento prévio do
receptador, por que não surgir nenhuma medida para, em eliminando a receptação,
eliminar também o crime?
Sr. Presidente, venho à tribuna para elogiar a ação da Polícia Federal, mas para
esperar também que as providências não se restrinjam única e exclusivamente –
porque também já é muito – a buscar os culpados e levá-los às barras dos
tribunais, como também para denunciar todo um sistema que tem por objetivo
incentivar, promover e ainda encobrir aqueles que recolhem grandes somas de
dinheiro através do crime ou de outras formas ilícitas.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
12/04/2007- Expediente
Inicial
Discurso - PAULO RAMOS - A realidade do Distrito de Tamoios.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, imaginei que tão cedo não
retornaria a um tema que causou tanta agonia, tanta amargura, tanta revolta ao
Sr. Deputado Alair Corrêa, qual seja, a emancipação de Tamoios, 2º Distrito de
Cabo Frio.
O Sr. Deputado Alair Corrêa, paralelamente à esperteza malsucedida, resolveu
distribuir para esta Casa uma belíssima revista, transformando Cabo Frio em um
município que só contém grandes belezas. É preciso registrar que mesmo no 1º
Distrito de Cabo Frio, onde há pontos turísticos verdadeiramente relevantes –
podemos elogiar a população de Cabo Frio –, existem inúmeros problemas,
inclusive um processo de favelização.
A revista, cara, traz uma propaganda pessoal do Sr. Deputado Alair Corrêa –
espero que não tenha sido feita com recursos públicos, porque a população há de
ficar muito mais assustada.
Recebo hoje aqui uma comissão que vem do 2º Distrito, de Tamoios, formada por
pessoas revoltadas com o procedimento do próprio Sr. Deputado Alair Corrêa.
Aliás, tenho recebido ligações telefônicas; pessoas do 1º Distrito de Cabo Frio
têm feito contato comigo manifestando uma certa repulsa, não unicamente a uma
falsa defesa que o Sr. Deputado Alair Corrêa faz do 1º Distrito, mas também às
mentiras que S. Exa. prega em relação à realidade do município.
A comissão que vem de Tamoios e está ali representada pelo Sr. Carnaval – é o
seu sobrenome – me traz algo sobre o que já falei e que já sei. Traz uma
propaganda oficial do Município de Cabo Frio, com suas belezas naturais, e dessa
propaganda não consta o Distrito de Tamoios.
Tenho reiterado aqui que muita gente não sabe que Tamoios pertence a Cabo Frio.
Na propaganda distribuída no Município de Cabo Frio, não há nem referência, até
porque Tamoios, 2º Distrito, não se comunica com o 1º Distrito. Para chegar ao
2º, tem que passar por outros municípios.
Além do mais, recebo aqui fotografias sobre a realidade de Tamoios. Não sei se a
TV Alerj terá a oportunidade de, com alguma clareza, demonstrar para aqueles que
acompanham pela TV as Sessões da Assembléia Legislativa, a situação das ruas.
São muitas as fotografias. São muitas as ruas. É aquele velho ditado. Sr.
Deputado Walney Rocha, V. Exa. conhece, também da Baixada Fluminense: quando
chove tem lama; quando faz sol tem poeira. As pessoas têm que sair ou descalças
com sacos plásticos nos pés, ou com sapatos sobressalentes, para que possam
minimamente se apresentar nos seus locais de trabalho porque a situação é grave.
Tenho aqui foto de várias ruas em situação precaríssima, em Tamoios. Estou
procurando o ponto exato para que a TV Alerj possa mostrar. São várias ruas
diferentes. Todas com a situação do não-recolhimento do lixo. Mas há algo
interessante, além das fotografias demonstrando que não há pavimentação e
drenagem, que não há saneamento básico, que não há nada, o Sr. Deputado Alair
Corrêa coloca fotografias convenientes, que suprimem parte da paisagem,
fotografias convenientes sobre a orla em Tamoios com os quiosques.
Na verdade, os quiosques são casebres. É por isso que Tamoios é um distrito que
não pode ser incluído na propaganda turística de Cabo Frio porque os quiosques
são casebres.
Há mais, muito mais aqui registrado em fotografias. Algumas obras que o Sr.
Deputado Alair Corrêa, na condição de prefeito, realizou. As obras estão
desmanchando, porque são de péssima qualidade. Certamente, o custo deve ter sido
alto, mas a qualidade é a pior possível.
As calçadas se desfazem. A cada chuva vai mais um pedaço da pavimentação. Isso
apenas na via principal, que liga Tamoios à Barra de São João, no caminho de
Macaé ou vice-versa.
Há também registro das pessoas de madrugada na fila do posto de saúde. Mais
obras destruídas. É uma situação, verdadeiramente, lamentável. Lamentável! Mas
isso, o Sr. Deputado Alair Corrêa não apresenta, porque, na verdade, é esta a
situação de abandono que faz com que a população de Tamoios queira a
emancipação, principalmente considerando ser o 2º Distrito, responsável por
parte expressiva da receita para Cabo Frio, proveniente dos royalties do
petróleo.
Aqui são os postos de saúde. As pessoas em fila, de madrugada, para pegar senha,
às vezes para esperar por um atendimento que nunca acontece.
Imaginava eu que, tão cedo, não abordaria esse tema, mas, vem uma comissão de
Tamoios trazendo não apenas o testemunho pessoal, mas o testemunho fotográfico
de uma situação que conheço sobejamente.
Há, também, e não trouxe, um abaixo-assinado. Deixo aqui um desafio: no dia 5 ou
12 de maio faremos, em Tamoios, uma ampla reunião. O Sr. Deputado Alair Corrêa
está convidado — assim como tem sido convidado para as outras reuniões. S. Exa.
não está sendo convidado para a próxima: foi convidado também para a última
reunião. E não compareceu. Aliás, S. Exa. tentou organizar, aqui, um espetáculo
que considerei infrutífero.
No dia 5 ou no dia 12 — amanhã confirmarei e comunicarei ao Sr. Deputado Alair
Corrêa — teremos, em Tamoios, um novo encontro com a população e vamos ver se S.
Exa. terá a coragem cívica de expender, lá, os argumentos dos quais se utiliza
aqui.
Eu me disponho, e já desafio o Sr. Deputado Alair Corrêa, a realizar um encontro
no 1º Distrito para que possamos discutir, com a população local, a situação do
município como um todo e a situação de Tamoios em particular. S. Exa. comparece
à reunião dos emancipacionistas em Tamoios e eu compareço à reunião daqueles que
S. Exa. diz que resistem à tal emancipação.
Vamos ver, no encontro de argumentos, quais os que serão apropriados pela
população, que é a mais interessada.
A minha saudação aos companheiros de Tamoios e meu desafio ao Sr. Deputado Alair
Corrêa. Vamos para o debate, mas o debate com a verdade e a verdade está lá na
comunidade.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
12/04/2007- Expediente Final
Discurso - Paulo Ramos - O falso déficit da Previdência Social
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sra. Presidente, Srs. Deputados, preparei-me, imaginando,
quando vi a lista de inscrição, que o meu atual desafeto fraterno, o Sr.
Deputado Alair Corrêa, faria uso da palavra tendo em vista o meu pronunciamento
no Expediente Inicial. Imaginei até que S. Exa. fosse aceitar o meu desafio de
comparecer a uma espécie de audiência pública em Tamoios. Eu, em contrapartida,
compareceria a uma audiência pública no 1º Distrito, Cabo Frio, propriamente
dito. Até me municiei de documentos para o embate: as fotografias, a revista que
S. Exa. distribuiu só com as maravilhas e um abaixo-assinado amplo da população
de Tamoios, pedindo, ansiando a criação do novo município. Na medida em que fui
frustrado, venho a esta tribuna para tratar de um tema que interessa não apenas
a população do Rio de Janeiro, e sim todo povo brasileiro.
Sra. Presidente, os jornais publicaram ontem que o governo se prepara, cuidando
do superávit primário, para pagar mais de cem bilhões anualmente de juros para
os credores, para os gigolôs da economia. São mais de cem bilhões por ano, e aí
se trava uma discussão sobre a reforma da Previdência, alegando-se que a
Previdência é deficitária, e não é. Faz-se coro a uma mentira que vem sendo
repetida sistematicamente. Ao mesmo tempo, às vezes, nas entrelinhas, ainda
tomamos conhecimento de algo que é óbvio: a Previdência Social é o maior
mecanismo existente no País para distribuição de alguma riqueza.
Tomamos conhecimento também de que inúmeros municípios têm a sua pequena
economia dinamizada em função dos benefícios pagos aos aposentados que ali
moram.
Imaginar que há um projeto em curso para o pagamento anual de mais de 100
bilhões de reais, chega a ultrapassar os limites da paciência, porque se, de um
lado, o chamado Plano de Aceleração do Crescimento representa uma transferência
de recursos dos trabalhadores - do Fundo de Garantia, do Fundo de Amparo ao
Trabalhador; recursos que vão se acumulando, representando a poupança interna, a
poupança nacional – por outro, querem, agora, entregar tais recursos para
setores da iniciativa privada, sob os auspícios de um crescimento para geração
de empregos, e, através dos salários, a distribuição da renda.
Não há nenhum programa ambicioso para a construção de habitações populares. Não
as habitações populares para serem vendidas aos de baixa renda, mas habitações
populares que devem consagrar o direito à moradia, completamente diferente da
casa própria, até porque, se parcela expressiva da população não tem recursos
para comprar alimentos, já que a fome ainda é um dos principais problemas do
País, como vai dispor de renda para a compra da casa própria?
Então, estamos diante do seguinte quadro: o governo pretende transferir os
recursos acumulados em nome dos trabalhadores, para que a iniciativa privada
desses recursos se aproprie, para investir, apostando no crescimento da economia
e, portanto, gerando emprego. Ao mesmo tempo, o governo pretende pagar
anualmente mais de 100 bilhões aos credores da dívida. 100 bilhões! Privatizaram
tudo; entregaram as empresas públicas estatais, alegando que um dos objetivos
seria a redução da dívida. Quanto mais privatizaram, mais o País ficou devendo.
E todos lembram do discurso: quanto menos Estado, mais saúde, mais educação,
mais transporte, mais segurança. Aconteceu exatamente o contrário: as empresas
públicas estatais foram vendidas na Bacia das Almas, a três reais, dois reais;
foram praticamente doadas. Um antro de corrupção sem precedente. O Estado se
afastou de diversas atividades, a Educação piorou, a Saúde piorou, a renda foi
cada vez mais concentrada, o processo de favelização crescente, a insegurança
pública, agora, sendo fator de susto para todas as pessoas. As balas achadas
estão cruzando. Aliás, o apagão aéreo nos trouxe a seguinte inspiração: os
aviões não voam, mas as balas voam. No céu não tem os aviões de carreira, tem as
balas que eles dizem que são perdidas, mas que são encontradas em alguns corpos
no nosso Estado.
Então, Sra. Presidente, venho a esta tribuna para, obviamente, chamar a atenção
de que o governo federal pretende pegar os recursos dos trabalhadores e
transferir para a iniciativa privada e, ao mesmo tempo, economizar num superávit
primário, sufocando ainda mais os direitos da população, para pagar, por ano,
mais de 100 bilhões de reais, somente de juros, àqueles que não desenvolvem
nenhuma atividade produtiva.
Portanto, para aqueles que discutem a segurança pública, a origem está aí. Não
há investimento público para solucionar os problemas mais graves da população, a
começar pela habitação, pela educação, pela saúde, etc. Que fique aqui o
protesto. Que o Governo Lula compreenda que, em vez de pagar a credores
inescrupulosos uma dívida artificialmente constituída, deve, sim, pegar esses
recursos e investir em políticas públicas que aliviem o sofrimento da população.
Muito obrigado.
TOPO
11/04/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Demonstrações de
oportunismo na luta pela emancipação de Tamoios.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, tive a oportunidade nos
exercícios de 2005 e 2006 de presidir, nesta Casa, a Comissão de Assuntos
Municipais e de Desenvolvimento Regional. E, a partir dos trabalhos realizados
pela Comissão, travei contato com várias realidades de municípios de nosso
Estado, os mais diversos, dentre eles o Município de Cabo Frio. Lá, convivi com
a ansiedade de uma comunidade que vive e sofre no Distrito de Tamoios, o 2º
Distrito, experimentando uma grande expansão, um grande crescimento em face de
sua proximidade com o Município de Macaé. Os moradores de Tamoios, perceberam a
contribuição que o distrito dá para a receita de Cabo Frio, especialmente a
partir dos royalties do petróleo, já que um percentual muito expressivo daquilo
com que o município é aquinhoado vem exatamente a partir do Distrito de Tamoios.
Entretanto, ao longo dos últimos anos, os olhos de sucessivas administrações têm
sido voltados exclusivamente para o 1º Distrito, ficando o Distrito de Tamoios
como uma espécie de primo pobre ou patinho feio, talvez a comprometer a própria
imagem que os administradores procuram imprimir a Cabo Frio, em face de suas
belezas naturais, que são muitas.
Cabo Frio é um município conhecido e reconhecido por suas belezas naturais,
merece a fama que tem. Mas no Distrito de Tamoios surgiu um movimento
emancipacionista. Pretendem aqueles cidadãos transformar Tamoios em mais um
município de nosso Estado. Basta conhecer o Distrito de Tamoios, percorrer suas
ruas e conversar com as pessoas, para registrar o abandono, o desprezo com que
aquela população é tratada pela administração central de Cabo Frio. A luta dos
moradores de Tamoios vem desde a emancipação de Búzios e Arraial do Cabo, mas
Tamoios não conseguiu alcançar o mesmo sucesso. Todavia, a população persevera.
Em face do boom pós-Constituinte, houve a criação de muitos municípios. Está
aqui presente, por exemplo, o Sr. Deputado Mário Marques, que vem de Nova
Iguaçu. S. Exa. sabe que Nova Iguaçu assistiu à emancipação de Japeri,
Engenheiro Pedreira, Queimados, Belford Roxo e, por último, Mesquita. Macaé
perdeu parte de seu território com as emancipações, o mesmo acontecendo com
Campos e Cabo Frio.
Não imaginava que enfrentaria, nesta Assembléia Legislativa, um embate fundado
em determinados procedimentos, porque também aqui ocupa uma das cadeiras no
Legislativo estadual o grande deputado, ex-prefeito de Cabo Frio, Alair Corrêa.
Sempre imaginei que numa Casa Legislativa devêssemos nos orientar pelo confronto
das idéias, na busca do voto, do apoio, da sustentação política. Ontem,
experimentei algo que considero inusitado, não só em função da fonte, como
também da idade. Não poderia imaginar, com o respeito e o nome que construiu,
que o Sr. Deputado Alair Corrêa pudesse ter procedido da forma como procedeu. É
claro que quando apresentei o projeto sabia dos obstáculos constitucionais – nos
debates com a comunidade em Tamoios, tudo era registrado –, mas a população
exige um embate político, de modo a manter a chama viva.
Não vou dizer que o Sr. Deputado Alair Corrêa tenha agido com esperteza; S. Exa.
agiu com a falsa malandragem que não enriquece o Parlamento estadual.
O SR. PAULO MELO – V. Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Pois não, Sr. Deputado Paulo Melo.
O SR. PAULO MELO – Sr. Deputado Paulo Ramos, sou um admirador de V. Exa.,
inclusive pela capacidade que tem de, como técnico, determinar várias
modalidades de jogar no seu time. V. Exa. é muito tranqüilo quando diz que
entendia as questões constitucionais, em especial o artigo 18, parágrafo 4º da
Constituição Federal, que trata da lei complementar.
Ontem, V. Exa. teve um gesto aqui que reputo como de grandeza: depois de tudo
ter acontecido, cumprimentou o Sr. Deputado Alair Corrêa. Acho que houve um
grande mal-entendido, com a maior sinceridade, porque na ocasião em que V. Exa.
me ligou – estava indo para Brasília, se não me engano, para a posse do grande
Sr. Ministro Lupi – eu retirei de pauta e não houve nenhum contratempo. Ontem eu
mesmo fui avisar a V. Exa. e à sua secretária. Acho que não foi esperteza, foi
um mal-entendido.
V. Exa. quer o debate político, que é sempre propício, e isso podemos fazer com
uma comissão. Faço um adendo: quem conhece Tamoios, que fica em Unamar,
exatamente no Rio São João, no limite com Rio das Ostras, e não com Macaé, sabe
o quanto foi feito naquela comunidade. Se não se atendeu a todos os pleitos, V.
Exa. precisava, meu querido Sr. Deputado Paulo Ramos, ver como era há dez anos.
O SR. PAULO RAMOS – Conheço Tamoios e durante mais de um ano freqüentei o
distrito. É claro que sei que Tamoios tem Barra de São João e depois vem Rio das
Ostras. Não é primeiro Rio das Ostras; primeiro é Casimiro de Abreu, que tem
Barra de São João. V. Exa. resolveu dar uma aula de geografia e acabou
confessando mais desconhecimento do que conhecimento. Eu digo próximo a Macaé
porque a distância é muito pequena e, portanto, com o crescimento, com a
exploração do petróleo, muitos trabalhadores estão residindo nas comunidades
mais próximas.
Como disse, conheço Tamoios. Não conheci apenas, passei a freqüentar mais o
local nesses dois últimos anos, conheço bem Tamoios. Tenho vários amigos que
moram lá. Tamoios não pertence a Cabo Frio nem política nem administrativa nem
geograficamente. Não existe ligação direta com o município. Para ali chegar, é
preciso passar por outro município.
Ontem, depois de um embate desagradabilíssimo na Comissão de Constituição e
Justiça – não houve mal-entendido, não, houve malandragem mesmo –, não se
alterou o resultado. Não seria possível alterá-lo porque o resultado era óbvio.
Mas eu queria registrar o que aconteceu nesta Casa e vou ter oportunidade de
fazê-lo porque estou recorrendo da decisão da Comissão de Constituição e Justiça
ao Plenário.
O Sr. Deputado Alair Corrêa distribuiu uma belíssima revista enaltecendo, por
justos motivos, Cabo Frio. Aliás, é uma belíssima revista, impressa em papel de
primeira, todo colorido – não sei quantos exemplares foram impressos, mas
acredito que essa propaganda tenha sido paga com recursos públicos. Vamos
verificar também. Talvez alguma coisa que falte a Tamoios esteja aqui, numa
espécie de ralo da propaganda pessoal ou da vaidade pessoal. A própria revista
distribuída pelo Sr. Deputado Alair Corrêa é o principal atestado do abandono
vivido pela população de Tamoios. Vejam bem, Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados, em Tamoios – Unamar não há uma agência bancária nem uma agência dos
Correios.
Eu posso dizer, com muita alegria, que a partir da minha presença continuada lá,
travamos uma batalha com os moradores pela instalação de uma agência bancária e
de uma agência dos Correios, que estão sendo implantadas agora. Para enganar a
população, não tendo nunca manifestado interesse algum em relação a Tamoios -
Unamar, seguramente o Sr. Deputado Alair Corrêa estará presente nessas
inaugurações, embora não tenha comparecido quando lutamos por elas. Na
inauguração, estará lá, mas deve enfrentar a reação da população.
Ontem, o Sr. Deputado Alair Corrêa resolveu fazer um pronunciamento neste
plenário, tendo se apresentado como grande defensor de Cabo Frio, incluindo
Tamoios e toda aquela região. Ele tenta transformar o município numa espécie de
curral eleitoral, mencionando deputados da capital e deputados do interior,
tentando levar a população a um equívoco.
A revista que mostra as belezas de Cabo Frio está aqui. Mas quem conhece Cabo
Frio - e ele diz que conhece - sabe quantos guetos e favelas existem por lá.
Cabo Frio não é somente isso que o Deputado Alair Corrêa coloca na sua
propaganda pessoal, certamente com recursos públicos. Não é só isso.
A população de Cabo Frio vive um modelo econômico que gerou desemprego, sofre as
conseqüências também das mal resolvidas questões ligadas à Educação, à Saúde. A
população de Unamar - Tamoios, porém, sofre muito mais.
Sr. Presidente, obviamente, lamento o episódio, que também protagonizei na
Comissão de Constituição e Justiça. Lamento mais ainda a decepção que tive com o
procedimento escuso do Sr. Deputado Alair Corrêa, sob todos os aspectos. Mas, ao
mesmo tempo, digo a ele que visite Tamoios; que saia do seu gueto - o centro de
Cabo Frio - e vá conhecer o sentimento daquela população. Aí sim, ao conhecer
esse sentimento, ele que, futuramente, tudo indica, será novamente candidato a
prefeito, poderá pelo menos assumir alguns compromissos com aquela população.
Mas estou convencido de que, sendo candidato a prefeito, o Deputado Alair Corrêa
será rechaçado no Distrito de Tamoios.
Vamos esperar que haja pelo menos uma disputa democrática em Cabo Frio e que a
população de Tamoios possa contribuir para a eleição de outro candidato, um nome
que valorize aquela região, recusando aquele que despreza o distrito e faz uma
propaganda mentirosa sobre a realidade do município que governou.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
11/04/2007- Expediente Final
Discurso - PAULO RAMOS - O transporte de massa e a manipulação das
empresas de ônibus junto aos órgãos do governo, contra o transporte alternativo.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, a Comissão de Trabalho,
Legislação Social e Seguridade Social realizou ontem uma audiência pública para
tratar de um grave problema vivido pela população do Estado do Rio de Janeiro em
relação ao transporte de massas.
A audiência pública abordou o transporte coletivo, em especial o chamado
transporte alternativo ou complementar. Compareceram inúmeros representantes
deste setor, transporte alternativo ou complementar, não só a representação dos
trabalhadores autônomos, como também as representações daqueles que se
organizaram em cooperativas. Estiveram presentes o subsecretário de Transportes
e um assessor do presidente do Detro.
Durante toda a audiência pública, não apenas as denúncias feitas pelos
representantes do transporte alternativo ou complementar como também em face das
respostas dadas pelos representantes governamentais presentes à audiência
pública, ficou sobejamente caracterizado, claramente explicitado, que o Detro se
transformou, lamentavelmente, num instrumento da Fetranspor, isto é, da
representação maior das empresas que controlam as linhas de ônibus em todo o
Estado do Rio de Janeiro.
Todos nós sabemos da força política que detém a Fetranspor, mas sabemos também
que, no Governo Rosinha Garotinho, a Fetranspor, aparente e estranhamente,
aparelhou o Detro com ônibus, com informatização, com um aparato fiscalizador
que nos fez, à época, trazer a esta Casa uma indagação: é razoável acreditar na
boa-fé de um setor que deve ser fiscalizado por um órgão público, aparelhar esse
órgão público, para a realização da fiscalização? Uma outra indagação eu trouxe
a esta Casa: é razoável que um órgão público responsável por uma fiscalização
aceite ser aparelhado, ser instrumentalizado por um setor que por ele deva ser
fiscalizado? Obviamente que as duas respostas são “não”. Não é razoável, a não
ser – e é o que está acontecendo - que o setor que aparelhou o Detro, setor de
transporte de massas sobre ônibus, através da Fetranspor, aparelhou o Detro,
exatamente com o objetivo de empurrar o Detro, não a fiscalizar, mas a perseguir
o transporte alternativo ou complementar.
O SR. DIONÍSIO LINS – V. Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Com todo o prazer, Deputado Dionísio Lins.
O SR. DIONÍSIO LINS – Dado oportuno, quero parabenizá-lo. V. Exa. é sempre um
parlamentar atuante, atento, em defesa daqueles menos favorecidos, daquelas
pessoas que necessitam ter voz, principalmente no nosso Poder, nesta Casa de
Leis.
Gostaria, deputado, de dizer a V. Exa. que o Departamento de Transportes, o
Detro, é um órgão importantíssimo. Entretanto, parabenizo-o quando vai às ruas
para apreender pirata. É esta a atividade fim do Detro. No entanto, estamos
realmente acompanhando alguns atos da presidência do órgão, que castigam
trabalhadores, que têm seus automóveis apreendidos, lavrando-se um auto de
infração indevido no valor de R$1.500,00. Isto foi objeto de minha fala nesta
Casa de Leis, quando o Presidente Rogério Onofre, poderoso, apreendeu diversos
táxis. Taxistas que iam para municípios outros tiveram seus carros apreendidos
com cobranças de R$1.500,00. Felizmente, isso parou, porque gritamos em defesa
deles. Entendo que o Detro deva ir às ruas a fim de retirar de circulação os
piratas. Não precisamos ir muito longe: aqui mesmo na Praça Mauá, há mais de 50
ônibus, e há um determinado horário em que esses ônibus circulam. Não sei por
que não apreendem esses piratas. E pior: segundo informação que tenho, no meu
gabinete, há quase quatro mil carros rodando dublé. Isso é muito pior ainda. E
quando acompanhamos o Jornal do Brasil e lemos o noticiário da ordem de uma
acusação a fiscais que recebem propina, ficamos, realmente, estarrecidos.
Não deve ser ético, mas não vejo tanto constrangimento, precisamos buscar
alternativa para ir às ruas. Eu mesmo vou comandar a Comissão de Pirataria,
tenho me entendido com a Delegacia de Pirataria para prender o “tubarão”. Não
adianta vir à rua pegar o “baixa renda”. É pegar o “tubarão”, aquele que comanda
a estrutura. E esse, em alguns momentos, fica impune.
Muito obrigado, Deputado Paulo Ramos.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço, Deputado Dionísio Lins, o aparte de V. Exa. e
quero dizer, Sr. Presidente, que a Fetranspor não conseguiu, simplesmente,
subordinar o Detro aos seus propósitos. A Fetranspor também se aliou a vários
prefeitos, chegando ao ponto de, o transporte alternativo ou o complementar
intermunicipal, estar proibido de circular em vários municípios. Existe a
proibição!
É, então, um setor que gera o levantamento de 50 mil postos de trabalho em todo
o Estado do Rio de Janeiro. E qual a competência que tem um prefeito para
impedir a circulação de um transporte intermunicipal e legalizado, legalizado?
Estamos diante, portanto, Sr. Presidente, de uma orquestração que tem o objetivo
de sufocar um setor que vem conquistando parcelas neste mercado, em detrimento
dos interesses daqueles que se imaginavam monopolistas, controladores de um
monopólio.
Foram perdendo espaço por quê? Porque eles dizem que defendem a economia de
mercado e a livre iniciativa, mas eles não querem a competição.
Cheguei a apresentar, está tramitando nesta Casa, um projeto de lei que proíbe o
prefeito de fiscalizar a regularidade do transporte alternativo intermunicipal.
Infração de trânsito é outra coisa, mas fiscalizar e impossibilitar a
circulação, o prefeito não tem competência para fazê-lo.
As multas extorsivas, formuladas aqui pelo Deputado Dionísio Lins, ultrapassam
os limites impostos pelo Código Nacional de Trânsito. São multas ilegais. As
exigências feitas pelo Detro são exigências arbitrárias.
Então, Sr. Presidente, na audiência pública não compareceu o secretário de
Transportes, como também não compareceu o presidente do Detro.
Estamos, agora, encaminhando à Comissão uma proposta para uma outra audiência
pública com a convocação do secretário de Transportes e do presidente do Detro.
Que eles venham pessoalmente explicar aquilo que, inicialmente, é inexplicável.
E fica aqui, também, um apelo ao Governador Sérgio Cabral, que editou um decreto
extremamente restritivo ao setor, apoiado em dados de 1998 para fixação da
frota. E não sai o edital de licitação.
Então, temos um somatório de iniciativas que culminam por inviabilizar uma
atividade econômica que gera, aproximadamente, 50 mil empregos.
Qual foi o pleito das representações? Que seja restabelecida a base anterior em
termos de número de veículos. E que os termos do edital sejam previamente
debatidos para que, democraticamente, não apenas a Fetranspor influa, mas que
haja um debate com a participação de todos os segmentos, de todos os modais.
Portanto, Sr. Presidente, vamos realizar certamente, na próxima semana, uma nova
audiência pública, pelo menos com a convocação e com a presença – esperamos que
compareçam – do secretário de Transportes e do presidente do Detro.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
10/04/2007-
Expediente Final
Discurso - PAULO RAMOS - Jogos Pan - Americanos: um blefe para o Rio de
Janeiro
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sra. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos aí, há
pouco mais de 90 dias para a realização dos Jogos Pan- Americanos aqui no
Município do Rio de Janeiro.
Tive a oportunidade de participar praticamente de todos os movimentos na fase em
que o Rio de Janeiro era candidato a sediar o Pan.
Acompanhei as palestras, deixei-me seduzir, fiquei entusiasmado com as
perspectivas que seriam abertas para o Rio de Janeiro, não apenas na
infra-estrutura viária, mas também nos equipamentos esportivos. Cheguei a
imaginar que passado o Pan, a infância, a adolescência e a juventude do nosso
povo disporiam de mais possibilidades de incorporação à prática esportiva. Vias
seriam pavimentadas, novos meios de transporte. O Rio de Janeiro sairia de uma
situação e experimentaria algo completamente diferente. Fiquei entusiasmado.
Entretanto, progressivamente, fui constatando estar diante de um blefe. O
município pouco vai receber, e ainda há o risco de o Rio de Janeiro expor o País
a uma situação de execração, porque as obras estão inconclusas, o custo do Pan
já está mais do que multiplicado por dez. Foi feito um orçamento, de
aproximadamente 400 milhões, e o custo já ultrapassa os quatro bilhões de reais.
Então, a situação é que, ao invés de ser um festival da prática esportiva,
estamos tendo um festival das empreiteiras.
E, aí, já teve a oportunidade de comparecer aqui algumas vezes o Presidente do
Comitê Olímpico, o Sr. Carlos Arthur Nuzman, que aparece sempre sorridente,
dando entrevistas, como se tudo estivesse às mil maravilhas. Entretanto, não
está.
O SR. DIONÍSIO LINS – V.Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Deputado Dionísio Lins, estou terminando o meu tempo. V.Exa.
fez um belíssimo discurso tratando da Segurança Pública.
O SR. DIONÍSIO LINS – A Presidência dá um pedacinho, se V.Exa. puder me conceder
um aparte.
O SR. PAULO RAMOS – Pois não.
A SRA. PRESIDENTE (Renata do Posto) – Infelizmente, a Presidência não vai poder
ceder, porque o Expediente tem que se encerrar às 18h30, devido ao Regimento
Interno.
O SR. DIONÍSIO LINS – Rapidinho, Presidente, só endossando.
Quero parabenizá-lo, mais uma vez, porque, na verdade, na nossa região as ruas
estão esburacadas, as ruas estão com a iluminação toda apagada.
Eu não sei que Pan é esse. Eu sei que nós vamos passar uma vergonha.
Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Então, Sra. Presidente, concluo dizendo que acho que todos
nós estamos torcendo para que o Pan-Americano seja o maior sucesso. Embora tudo
esteja a indicar que não será.
Mas, já tive a oportunidade de encaminhar um projeto de resolução para que
possamos, após o Pan, pelo menos, realizar uma Comissão Parlamentar de Inquérito
para apurar as responsabilidades, não só por tudo aquilo que foi prometido e não
foi feito, mas, principalmente, pelo superfaturamento escandaloso a que estamos
assistindo, em função de algo que deveria servir para engrandecer o nosso
Município do Rio de Janeiro, o nosso Estado e o nosso País.
Muito obrigado.
TOPO
04/04/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - As mudanças nas relações de trabalho e as perdas
dos direitos trabalhistas.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, o Sr. Deputado Mário Marques
dizia que passamos a perna hoje no Sr. Deputado Luiz Paulo. Ele não conseguiu
ser o primeiro nem o segundo inscrito. Mas está aqui e certamente será o
terceiro. Está no pódio, para não se sentir completamente abandonado.
Estive ontem na transmissão de cargo do Ministério do Trabalho, cargo que foi
assumido pelo Presidente do PDT, nosso grande companheiro, Carlos Lupi. E fiquei
muito feliz ao ouvir o pronunciamento do novo Ministro do Trabalho, Carlos Lupi,
assim como já havia feito quando da especulação sobre a possibilidade de ser ele
Ministro da Previdência, reiterou ontem, assumindo a pasta do Trabalho, que a
participação do PDT no Ministério do Trabalho representa a certeza que não
haverá retrocessos em relação aos direitos trabalhistas.
O Ministro Carlos Lupi invocou o fato de ser o PDT uma espécie de legatário, uma
espécie de herdeiro da era Vargas, quando praticamente a classe trabalhadora
experimentou grandes avanços, grandes conquistas. Mas registrou também as
reformas de base de João Goulart e, ainda, uma espécie de calvário vivido por
Leonel Brizola. Carlos Lupi deu a todos, especialmente a nós, do PDT, a certeza
de que a classe trabalhadora, estando S. Exa. à frente do Ministério, terá todas
as garantias em relação aos direitos conquistados e a abertura da possibilidade
de novas conquistas. A posse de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho ainda pode
representar outra contribuição, na medida em que o Brasil é um país cujas elites
se comportam de modo a tentar negar ou ocultar sua verdadeira ideologia – tentam
eliminar o conflito entre capital e trabalho, de diversas formas.
V. Exa., Sr. Deputado Zito, tem acompanhado, praticamente liderado a resistência
dos trabalhadores terceirizados na Refinaria Duque de Caxias. Tive eu a
oportunidade de lá estar, com V. Exa., Presidente que sou da Comissão de
Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social, ouvindo o confronto de
posições. Fomos forçados a reconhecer que os terceirizados da Reduc não têm
apenas um patrão, têm dois. A relação capital-trabalho se dá de forma difusa,
porque os trabalhadores não sabem praticamente a quem se reportar, se àquele que
dirige a Refinaria Duque de Caxias ou ao seu patrão mais imediato, com o qual a
direção da Petrobras fez contato para a prestação de determinados serviços, no
caso, o Sindicato da Construção Civil.
Agora, temos outro sinal dessa tentativa de fazer do patrão uma figura difusa:
as terceirizações, os novos processos de gestão. O Sr. Presidente Lula vetou a
chamada Emenda 3. Esta Emenda revelou que há uma tentativa, não podendo
precarizar as relações trabalhistas, não podendo precarizar os direitos
trabalhistas que estão na Constituição como cláusulas pétreas. O que pretende o
patronato? Pretende eliminar a figura do empregado. Falávamos, jovens, na
apropriação coletiva dos meios de produção, falávamos que, em qualquer atividade
econômica, o patrão é dispensável, mas não o trabalhador, porque é o trabalhador
que move a máquina. Agora, não! Eles estão invertendo. Querem eliminar a figura
do trabalhador, do empregado.
Temos, assim, uma situação esdrúxula, em que uma pessoa física está sendo
transformada em pessoa jurídica. Mesmo estando subordinada a um patrão, com
jornada de trabalho, direitos, salário mensal fixado, não é empregado, é pessoa
jurídica. Com qual objetivo? Para que o patrão não tenha a obrigação de arcar
com os direitos trabalhistas. Querem chamar de prestadores de serviço,
equiparados à pessoa jurídica. Isso é algo alarmante. A figura do patrão é uma
figura difusa, porque fica difícil identificar a quem se reportar, e agora estão
eliminando a figura do trabalhador; é prestador de serviço equiparado à pessoa
jurídica.
Na apreciação da Emenda nº 3, ontem, em Brasília, eram muitas faixas querendo
derrubar o veto do Presidente da República e outras defendendo a manutenção do
veto. É claro que a manutenção era defendida pelos trabalhadores, porque além
dessa confusão da eliminação da figura do trabalhador, substituído por uma
pessoa jurídica, ainda pretendem impedir a fiscalização. Não tendo o fiscal do
Ministério do Trabalho a atribuição de analisar aquela relação de trabalho.
“Ah, a competência é da Justiça do Trabalho, e não do fiscal.” Quer dizer, além
da eliminação da figura do trabalhador, transformada em pessoa jurídica, ainda
não querem que a fiscalização do Ministério do Trabalho possa definir qual é
aquela relação. Não sei aonde vamos parar!
No caso específico da Reduc, verificamos que são tantos os contratos de
terceirização, que progressivamente também estão eliminando a figura do
petroleiro. O número de petroleiros diminui, aumentando o número de
terceirizados. Eles vão passar a terceirizar progressivamente todas as
atividades. E então não teremos mais a figura do petroleiro.
Foi boa a advertência feita por um sindicalista quando o diretor da Reduc tratou
dos percentuais por eles reivindicados. E necessariamente veio a comparação:
“Nós prestamos serviço aqui, trabalhamos aqui e queremos, pelo menos, chegar
perto da remuneração dos próprios petroleiros.”
Mas o movimento que acontece, e não é apenas na Petrobras, é um movimento
contrário. Eles vão terceirizando e precarizando os direitos dos próprios
petroleiros! Não são os terceirizados que estão alcançando conquistas, de modo
a, brevemente ou em futuro próximo, terem uma equiparação com os petroleiros! Ao
contrário, os direitos dos petroleiros vão sendo precarizados de modo a
transformar todos, amanhã, em trabalhadores iguais em direitos. E sendo iguais
em direitos, serão fatalmente terceirizados todos.
Sendo assim, Sr. Presidente, venho a esta tribuna, primeiramente, para elogiar o
novo Ministro Carlos Lupi. Que ele tenha força política para defender e
preservar os direitos dos trabalhadores; que ele tenha força política para
representar, com legitimidade, as bandeiras do nosso partido. E, ao mesmo tempo,
denunciar esse processo de terceirização que tem nessa Emenda nº 3 uma
representação bem expressiva, que consiste na eliminação da figura do
trabalhador, comparando-o à pessoa jurídica, e não numa relação de trabalho em
que o empregador assume os custos sociais do contrato de trabalho.
Muito obrigado.
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