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Expediendte Inicial
- 19/12/2007
Discurso - Cem anos de lucidez de Oscar Niemeyer
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, venho à tribuna para
manifestar uma grande alegria pelos cem anos de Oscar Niemeyer, completados
no sábado último, dia 15 de dezembro.
No início deste ano, cuidei de apresentar uma proposta para que
realizássemos sessão solene em homenagem a esse grande brasileiro. Quando
iniciei algumas providências para a efetivação do ato, percebi que Oscar
Niemeyer, por justos motivos, estava recebendo tantas homenagens que,
aparentemente, ele próprio se demonstrava, não vou dizer cansado, mas sem
disponibilidade de tempo para comparecer a todos os atos, o que é
perfeitamente compreensível.
Oscar Niemeyer não é apenas um dos maiores arquitetos do mundo. É, também,
um dos homens que se expressa com coerência e convicção, o que o fez ao
longo de sua vida. Ele se proclama comunista e assume esta condição.
Durante as homenagens, percebemos que praticamente todos os meios de
comunicação, em especial os grandes meios, procuraram entrevistar Oscar
Niemeyer, prestando-lhe também grandes homenagens. Mas não havia perguntas
sobre sua opinião a respeito de Cuba, por exemplo, ou a respeito da
Venezuela, ou da Bolívia ou do Equador.
Comecei a refletir sobre esse procedimento. Qual a razão de, no momento em
que um homem com convicções ideológicas profundas, com toda lucidez,
completa 100 anos, não é indagado sobre suas posições políticas? É
apresentado como um gênio por justos motivos, é apresentado como um homem
que revolucionou a Arquitetura por justos motivos, tratam de questões
técnicas a respeito do concreto, das curvas, mas não tratam das questões
mais diretamente ligadas à vida do povo brasileiro e à vida de todos os
povos.
Mas por que, tendo Oscar Niemeyer se autodeclarado um comunista, mesmo os
meios de comunicação mais conservadores lhe prestam todas as homenagens? Não
porque sejam democratas os controladores dos meios de comunicação, mas
prestam essas homenagens porque Oscar Niemeyer, não obstante toda a sua
projeção e toda a sua representatividade, não disputa o poder político.
Oscar Niemeyer tem credibilidade, tem respeitabilidade, mas não exerce
influência política. Se ele estivesse mobilizado ou integrando qualquer
corrente política, disputando o poder, certamente, encontrariam defeitos
nele, encontrariam alguma forma de criticá-lo. Eles o enaltecem, fazem de
Oscar Niemeyer ou usam o símbolo Oscar Niemeyer com o objetivo de demonstrar
aquilo que eles não são. Eles não são democratas, eles não são respeitosos.
Basta ter projeção, basta alcançar o nome alcançado por Oscar Niemeyer, mas
ter envolvimento na disputa pelo poder, que eles próprios controlam
–controlam em benefício próprio –, basta para que eles, ao contrário,
procurem tratar com toda a desconsideração e perversidade.
Muitos que prestam homenagens a Oscar Niemeyer o fazem sem nenhuma
autoridade, sem nenhuma legitimidade, porque ao longo de todo o processo
histórico deste país, especialmente nos últimos anos, sempre estiveram
atrelados a um modelo, atrelados a um poder que se distancia em tudo daquilo
que é o pensamento político de Oscar Niemeyer. Oscar Niemeyer tem que ser
homenageado pela classe trabalhadora, tendo em vista as suas convicções.
Legitimidade têm para homenageá-lo aqueles que são vítimas de um modelo
imposto por quem se atreve ainda, com a falsidade conhecida, a tentar se
apropriar da imagem de um homem que deve vê-los com total repúdio, embora
com alguma tolerância.
Sr. Presidente, venho a esta tribuna, primeiro, para manifestar a minha
alegria pelos 100 anos de Oscar Niemeyer e para denunciar aqueles que devem
intimamente odiá-lo pelas convicções políticas que ele professa. Mas, tendo
em vista a notoriedade, a reputação, a grandeza, a grandiosidade da obra de
Oscar Niemeyer, até nisso eles procuram pegar uma espécie de carona. Mas
tenho certeza absoluta de que Oscar Niemeyer tem a verdadeira compreensão do
seu papel; de que Oscar Niemeyer só recebe com alegria as homenagens que lhe
são prestadas por aqueles com os quais ele tem identidade ideológica.
Portanto, Sr. Presidente, salve Oscar Niemeyer, salve a classe trabalhadora!
Muito obrigado.
TOPO
Expediente Final 13/12/2007
Discurso - Paulo Ramos:
O PDT tem nome para governar a cidade do Rio de Janeiro com respeito, ética e compromisso.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sra. Presidente, Srs. Deputados, assomo à Tribuna para
manifestar-me exclusivamente sobre o Município do Rio de Janeiro, aliás, tomando
a liberdade de fazê-lo na presença de meu grande companheiro de PDT, o Sr.
Deputado Wagner Montes.
Gostaria de falar sobre a situação de abandono em que se encontra nosso
município: basta, ao longo desses anos, uma pequena chuva para que algumas
mazelas adicionais sejam impostas à população.
Refiro-me à situação precária das vias, com buracos por todas as partes, sem que
o Sr. Prefeito da cidade se manifeste de acordo com a responsabilidade do cargo
que exerce.
Há uma situação de abandono e o Sr. Prefeito cuida de instalar, em vários pontos
da cidade, os chamados pardais – com o objetivo único e exclusivo de encher os
cofres públicos, para gastar não se sabe em quê.
A Saúde Pública é objeto de manchetes reiteradas no noticiário diário. Cito o
caso do Hospital Souza Aguiar, que é o principal hospital de emergência em nosso
município.
Fui surpreendido – e me assustei nesta semana – quando me deparei, no local
chamado “Cebolão”, na Barra da Tijuca, em frente ao New York City Center e ao
Barrashopping, com uma espécie de “transatlântico”: a chamada cidade da música.
A impressão que transmite é de que transformaram o “Cebolão” num grande
estaleiro, porque há um transatlântico sendo ali ancorado, sem que haja qualquer
curso d’água.
E o pior, Sra. Presidente: mesmo sendo a Barra da Tijuca e o Recreio, uma região
que vem atraindo uma parcela expressiva da classe média. São dois bairros que
têm inúmeras ruas sem pavimentação e drenagem, as praças públicas abandonadas,
mas são bairros que estão inseridos na Zona Oeste. As pessoas que dizem que é a
“Zona Oeste rica”. Mas, se olharmos para o outro pedaço da Zona Oeste, vamos
verificar situações igualmente deploráveis, a começar pelo esgoto a céu aberto.
E tomo conhecimento, Sra. Presidente, que a Cidade da Música caminha para sugar
500 milhões de reais dos cofres públicos – 500 milhões, depois de construída e
equipada. Com 500 milhões, quantos problemas agudos que afligem a população
seriam resolvidos? Qual o sentido de prioridade que levou o prefeito da cidade a
decidir por aquela construção? Nem os moradores da região foram consultados,
porque, com certeza absoluta, teriam se manifestado por outras realizações. Mas,
quando voltamos os olhos para o conjunto da Zona Oeste, vemos a situação
deplorável, a situação de abandono experimentada pelos moradores de inúmeros
bairros.
Então, Sra. Presidente, o ano que vem teremos a eleição municipal. A população
de todos os municípios e também a população do Município do Rio de Janeiro vai
ter a oportunidade de escolher o seu prefeito e escolher os seus vereadores.
Estou convencido de que a população está atenta aos chamados “conchavos” de
algumas cúpulas partidárias irresponsáveis, que não têm compromisso, que não
estão voltadas, não estão interessadas na solução dos problemas que mais afligem
a população: educação, transporte, saúde. Não. A grande preocupação consiste no
controle do poder. Do poder pelo poder. E não a conquista do poder, para
promover a inclusão, para promover o bem-estar social, para melhorar os serviços
públicos. A grande questão consiste em controlar o poder para partilhar entre os
amigos. E aí o interesse público fica em segundo plano.
Portanto, Sra. Presidente, venho a esta tribuna para dizer, para aproveitar o
espaço, que o meu partido, o PDT, se inclina a fazer uma pré-convenção dia 23 de
fevereiro. Não apenas no Município do Rio de Janeiro estamos propondo, mas aqui
no Município do Rio de Janeiro o diretório municipal já marcou a data de 23 de
fevereiro para fazer uma pré-convenção, para escolher o candidato a prefeito e a
nominata de vereadores. E, para a minha honra, vários companheiros estão levando
o meu nome àquela convenção.
Espero que haja serenidade no partido, que haja serenidade no PDT. E aqueles que
compõem o colégio eleitoral dentro do partido se inclinem para fazer a escolha a
mais democrática. E se, porventura, o meu nome for o escolhido, caminharei com
as bandeiras partidárias, unindo o partido. Através da unidade partidária,
conquistar também o apoio da população.
Agradeço a V.Exa. e faço uma saudação, a mais especial também, ao Sr. Deputado
Wagner Montes, companheiro do PDT.
O SR. DICA - Vossa Excelência me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte ao Deputado Dica.
O SR. DICA – Desejo a V.Exa. toda sorte do mundo. Se V.Exa. estiver à frente da
cidade do Rio de Janeiro como prefeito da Cidade, tenho certeza de que a cidade
irá progredir e estará muito bem representada. V.Exa.é uma pessoa séria, que
defende o interesse público como se seu fosse.
No PDT há brilhantes nomes em seus quadros, não só o de V.Exa., como o do Sr.
Deputado Wagner Montes, que saberá representar e engrandecer a legenda do PDT e,
acima de tudo, a grandeza da cidade do Rio de Janeiro.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço a V.Exa.
Concluo, Sra. Presidente, dizendo: 23 de fevereiro, se os integrantes do PDT se
manifestarem pelo nome de Paulo Ramos, seguramente estaremos unindo o partido,
caminhando pela vitória.
Muito obrigado, Sra. Presidente.
O SR. DICA – Peço a palavra pela ordem, Sra. Presidente.
A SRA. PRESIDENTE (Graça Matos) – Pela ordem, tem a palavra o Sr. Deputado Dica.
O SR. DICA (Pela ordem) - Embora haja poucos Srs. Deputados presentes, pois já
estamos encerrando a Sessão, quero informar que a cidade de Duque de Caxias está
muito feliz porque o time de Duque de Caxias acaba de se classificar para a
primeira divisão do campeonato carioca.
Quero cumprimentar os jogadores da cidade de Duque de Caxias. Vejo isso também
com muito tristeza, porque vou ver a minha cidade enfrentando meu time de
coração, que é o Botafogo.
Muito obrigado, Sra. Presidente.
TOPO
EXPEDIENTE INICIAL 12/12/2007
Discurso - PAULO RAMOS A manipulação dos órgãos de pesquisa nas eleições
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs.
Deputados, ainda não estamos vivendo o frisson da eleição municipal do
próximo ano mas, certamente, e com a virada do ano, os debates municipais
serão mais acalorados.
Já verificamos o assanhamento dos chamados órgãos de pesquisa. Com grande
antecipação, os órgãos de pesquisa pretendem, num primeiro plano, substituir
os partidos políticos, que têm o dever de deliberar sobre suas candidaturas
a prefeito e a vereadores, na escolha dos candidatos.
Os órgãos de pesquisa já tentam, com alguma antecipação, dizer quais devem
ser os candidatos de cada partido, e mais, às vezes, procurando causar
constrangimentos ou intrigas.
O meu partido, o PDT, para a eleição aqui na Capital, no Município do Rio de
Janeiro, caminha para, no dia 23 de fevereiro, realizar uma pré-convenção,
escolher um candidato a prefeito e divulgar uma pré-nominata de candidatos a
vereador, de modo a permitir, dentro da lei, naturalmente, um início de
esforço para a construção de suas candidaturas.
Pego hoje o jornal O Globo e a coluna de Ancelmo Gois diz que o PDT,
internamente, tem restrições a um companheiro que se destaca nas pesquisas,
ou pode ter. Em primeiro lugar, todos aqueles cujos nomes vão sendo
cogitados devem ser apreciados pelos respectivos partidos políticos. Mesmo
que um partido político, qualquer que seja, escolha um candidato que não
venha sendo apresentado como aparentemente preferencial por uma avaliação
feita antecipadamente pelos órgãos de pesquisas, isso não significa
restrição ao nome. O partido pode ter uma opção por outro nome.
Eu mesmo, no PDT, incentivado por vários companheiros, disputarei a prévia.
Isso não significa que eu não tenha apreço, respeito, consideração por
qualquer dos outros companheiros que têm igual pretensão, independentemente
daquilo que apresenta antecipadamente qualquer órgão de pesquisa. Aliás,
quando órgãos de pesquisa resolvem substituir os partidos políticos ou
pretendem criar constrangimento aos partidos, ou quando procuram intrigar
militantes do mesmo partido, eles não cumprem um papel devido na democracia
– os meios de comunicação, às vezes, seguem esse caminho, muitas vezes, numa
aliança dos próprios órgãos de pesquisa.
Às vezes os órgãos de pesquisa pertencem ao mesmo grupo político do
controlador do meio de comunicação. Há de chegar, então, o dia em que os
órgãos de pesquisa escolherão pelos partidos os seus candidatos,
substituindo a militância dos delegados, a dinâmica da vida partidária.
Quando chegar o dia da eleição os órgãos de pesquisa também substituirão os
eleitores, porque basta fazer a pesquisa para determinar qual o vencedor.
Aliás, ainda poderão dizer que essa é uma medida de economia, pois a eleição
custa caro.
Venho a esta tribuna para dizer que os partidos políticos detêm a
competência para a escolha de seus candidatos. Os partidos políticos têm
estatuto, têm programa e, a partir daí, numa avaliação interna, escolhem
seus candidatos. Tenho esperanças, no meu partido, o PDT, de ser escolhido,
pela minha trajetória de vida e de luta. Mas, qualquer que venha, amanhã, a
ser o escolhido pelo partido, estarei lá perfilado, participando da
campanha. Estarei lá como, aliás, sempre estive, lutando para a afirmação
das bandeiras de meu partido, o PDT. É natural que espere reciprocidade –
qualquer um espera reciprocidade – e vai acontecer, porque o PDT tem a
característica de caminhar sempre unido. A unidade partidária sempre é
fundamental e o PDT tem esta compreensão.
Sr. Presidente, venho fazer essa advertência, esse alerta, para que alguns
desavisados ou as pessoas de um modo geral não se deixem induzir, seduzir ou
enganar por uma manipulação que é um verdadeiro atentado à democracia. Não
que os órgãos de pesquisa devam ficar distantes. Ao contrário, aqui, a
partir de uma determinada data, que os órgãos de pesquisa apresentem seus
resultados, porque muitas vezes há resultados manipulados, comprados, mas
que exercem influência no eleitorado. Se os órgãos de pesquisa merecessem
qualquer credibilidade, o Presidente Hugo Chavez teria sido vitorioso na
Venezuela. Se os órgãos de pesquisa merecessem qualquer credibilidade, no
plebiscito sobre o desarmamento o resultado teria sido outro. No caso da
Venezuela, houve até pesquisa de boca-de-urna, na qual o resultado era
completamente outro. Só trago esses dois exemplos para demonstrar que órgão
de pesquisa é uma casa comercial. O resultado vem de acordo com o interesse
daquele que às vezes paga a pesquisa. De qualquer maneira, não pode um órgão
de pesquisa substituir um partido político, como não pode um órgão de
pesquisa substituir os eleitores.
Então, Sr. Presidente, concluo dizendo que há no meu partido, o PDT, alguns
nomes que vão sendo lembrados, dentro do partido, para o pleito municipal
aqui, na capital, no Rio de Janeiro. Dentre esses nomes, meu nome está lá e,
com a autoridade política que tenho, com a trajetória dentro do partido que
tenho, com os compromissos já demonstrados que tenho com a causa
trabalhista, vou apresentar meu nome. É um direito. No meu caso, agora, se
transformou até num dever, tendo em vista o grande número de companheiros
que vêm me procurando, companheiros que resolveram, inclusive, apresentar
meu nome à direção do partido. Não é desapreço ou desconsideração a nenhum
outro nome do partido. Ao contrário, se amanhã, estando ou não no rol
daqueles que com tanta antecedência são os preferenciais nas pesquisas,
qualquer que seja o nome, o partido escolhendo, estarei lá, lutando para a
afirmação de nossa legenda, para que o PDT, a começar pela capital, recupere
não o prestígio político – porque prestígio político o partido sempre teve e
tem –, mas o prestígio eleitoral, para que possamos dizer: agora vamos
recuperar o programa da educação integral, agora vamos enfrentar os
problemas a partir da causa, agora vamos fazer um esforço para colocar todas
as crianças e adolescentes na escola. E o PDT tem experiência, tem tradição
nesse campo e tem nome.
Obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
06/12/2007 Expediente Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Nomes que marcaram a história política do
país.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, esta semana,
sofremos a perda de duas companheiras valorosíssimas: Sra. Deputada Heloneida
Studart, que foi velada aqui, no Palácio Tiradentes, companheira que travou uma
luta muito grande contra o regime autoritário, a Ditadura Militar implantada no
Brasil a partir do golpe de 31 de março de 1964.
Choramos também a perda de uma outra companheira, Vera Sílvia Magalhães, que
também sacrificou sua juventude no enfrentamento ao regime autoritário.
São duas perdas que, pelo significado, apenas atenuam o nosso sofrimento a
partir dos exemplos deixados e de uma espécie de reconvocação ou afirmação de
uma luta que deve ser permanente, de modo a que possamos conquistar,
verdadeiramente, as liberdades democráticas, a soberania nacional e a justiça
social.
Hoje, por iniciativa de um valorosíssimo companheiro do Partido Democrático
Trabalhista, Danilo Groff, representando todos os trabalhistas sinceros, foi
realizada, aqui ao lado, uma missa em homenagem ao ex-presidente João Goulart,
aliás uma missa rezada por um padre coronel da Aeronáutica, capelão Nilton
Campos, um homem que manifesta uma sensibilidade, um conhecimento da realidade
brasileira e ao mesmo tempo um compromisso com mudanças.
Hoje, estão completando 31 anos da morte de João Goulart. Um presidente que
morreu no exílio, amargurando um sofrimento tão profundo, e pouquíssimos na
história da humanidade teriam a oportunidade de avaliar. João Goulart teve uma
trajetória de vida e de luta a partir da percepção dos valores do trabalho, uma
trajetória política que se consolida a partir da era Vargas. João Goulart,
ministro do trabalho de Vargas, já no período constitucional pós 46, tendo sido
deputado estadual no Rio Grande do Sul e depois deputado federal, quando assumiu
a pasta do Trabalho, deu demonstrações, as mais veementes, de coragem e vínculo
com a causa trabalhista.
João Goulart, após o suicídio de Vargas, foi eleito vice-presidente da República
na chapa de Juscelino Kubitschek. Urge assinalar que, naquela época, a eleição
para presidente da República era uma eleição desvinculada da eleição de
vice-presidente da República. Não era a chapa completa. O eleitor votava no
candidato à presidência e no candidato à vice-presidência. E João Goulart foi
eleito vice-presidente da República. Logo depois, na sucessão de Juscelino
Kubitschek, João Goulart, mais uma vez, foi eleito vice-presidente da República.
É preciso lembrar não um pequeno detalhe, mas um grande detalhe que marcou a
história de nosso País: João Goulart integrava a chapa Lott/Jango – Lott para
presidência da República e Jango para vice-presidente. A chapa opositora era
composto por Jânio e Nilton Campos. E o povo brasileiro elegeu Jânio Quadros
presidente da República, mas reelegeu João Goulart, vice-presidente da
República.
Com apenas sete meses de governo, no ano de 1961, Jânio Quadros renunciou à
presidência da República. Num golpe de Estado, rompendo com preceitos
constitucionais, numa ação rápida, João Goulart, um homem que não pretendia ver
derramado o sangue do povo brasileiro, concordou com a chamada manobra
parlamentarista, único mecanismo capaz de fazê-lo assumir a presidência da
República. Mas, pela habilidade de Tancredo Neves, na emenda parlamentarista,
foi inserido o plebiscito. O povo brasileiro deveria se manifestar depois sobre
a sua preferência: parlamentarismo ou presidencialismo.
João Goulart assume num regime parlamentarista e, um ano depois, com o
plebiscito, o povo brasileiro, que elegera Jango duas vezes vice-presidente da
República, faz a opção clara, com uma votação esmagadora, pelo presidencialismo.
João Goulart, portanto, foi eleito três vezes: duas vezes vice-presidente da
República e, praticamente, eleito presidente da República a partir do plebiscito
que consagrou o presidencialismo. E João Goulart assume para recuperar o projeto
nacional da Era Vargas e vem com as chamadas reformas de base.
O compromisso de Jango era um compromisso tão nítido, que as forças
conservadoras, aliadas ao imperialismo americano, se mobilizaram no Brasil. No
dia 31 de março de 1964, foi dado um golpe, não pelos militares, mas com o
patrocínio de alguns militares. É preciso fazer esta distinção, Sr. Presidente,
visto que muitos militares que ocupavam os diversos degraus da hierarquia foram
cassados pela ditadura, especialmente aqueles que haviam lutado na última guerra
mundial e acreditavam que teriam lutado na defesa da democracia. Foram cassados,
foram excluídos das Forças Armadas e João Goulart foi para o exílio. João
Goulart, a rigor, poderia ter resistido, mas, assim como Vargas, confiou no povo
brasileiro, acreditando na possibilidade de uma reação popular. Com o controle
dos meios de comunicação, os conservadores afirmaram o golpe, massacraram o povo
brasileiro e inviabilizaram as reformas de base. Até hoje o Brasil paga um preço
muito alto pelo período pós-64, que retirou o Brasil do seu verdadeiro rumo, o
rumo da sua história.
João Goulart morreu no exílio em 1976 – hoje faz 31 anos. João Goulart é um
exemplo que deve ser conhecido especialmente pelas novas gerações. Mas João
Goulart, ao encaminhar ao Congresso Nacional as reformas de base, em um dos
trechos do seu pronunciamento, diz: “O Brasil dos nossos dias não admite que se
prolongue o doloroso processo de espoliação que, durante mais de quatro séculos,
reduziu e condenou milhões de brasileiros a condições subumanas de existência.”
Em 1976, João Goulart dizia: “mais de quatro séculos” e hoje, em 2007, podemos
dizer: mais de cinco séculos!
Nós, do PDT, quando nos mobilizamos para homenagear João Goulart, conhecedores
que somos do seu papel na História do Brasil, o fazemos porque ainda acreditamos
na causa trabalhista, ainda estamos convencidos de que a verdadeira
transformação vem através da mobilização das forças do trabalho e temos as
nossas referências históricas, como Getúlio, Jango e Brizola.
Aliás, Sr. Deputado Zito, hoje vamos ter a oportunidade de derrubar o veto
estranhamente aposto pelo Sr. Governador Sérgio Cabral ao projeto de V. Exa. que
dá o nome de Avenida Leonel Brizola à Avenida Presidente Kennedy, de Duque de
Caxias até Belford Roxo. Não quero aqui discutir a importância histórica, mas
homenagear Brizola é um dever de todos nós.
Concluo, Sr. Presidente, dizendo que o Presidente João Goulart precisa ser mais
conhecido não apenas pelas novas gerações, mas também por quem viveu aqueles
momentos e viu a história ser sepultada em função de conhecidas manipulações. As
reformas de base precisam ser retomadas, recuperadas, porque até hoje não foram
realizadas. João Goulart pretendia fazer a reforma agrária, pretendia
desapropriar terras e mais terras à beira das estradas – no governo Juscelino
Kubitschek muitas estradas foram construídas, beneficiando os latifundiários –
para facilitar o escoamento da produção, para beneficiar os trabalhadores do
campo, para fazer o que outros países que só se desenvolveram a partir da
reforma agrária fizeram.
João Goulart queria também a reforma da educação. Tinha um projeto de
erradicação do analfabetismo, o chamado Plano Nacional de Alfabetização, PNA, do
qual poucos se lembram. Até hoje o Brasil ainda guarda a marca do analfabetismo,
como guarda a marca da fome, porque não foi feita a reforma agrária. Na sua
reforma agrária, Jango incorporava a produção e distribuição de alimentos para
erradicar também a fome. Assim, no Brasil de hoje não haveria nem fome nem
analfabetos.
Sr. Presidente, João Goulart também pretendia controlar as remessas de lucros
para o exterior, remessas que hoje sangram as finanças nacionais.
Imaginar que só no ano de 2007, através de um perverso chamado superávit
primário, o governo Lula vai pagar, só de juros, mais de cem bilhões de reais,
quando faltam recursos para investir em coisas tão dramáticas, que alcançam
parcelas expressivas da população reduzindo-as às condições subumanas de
existência sobre as quais João Goulart falara em março de 1963, em março de
1964.
Sr. Presidente, venho aqui, até com muita emoção, porque lembrar de Jango é,
pelo menos, imaginar como estaria hoje o nosso país se as reformas de base
fossem feitas.
Então, é dizer aqui que Jango vive. Se não vive na memória da maioria esmagadora
do povo brasileiro, certamente vive na memória daqueles que acreditam nas
transformações a partir da força do trabalho.
Salve, Jango! Jango vive, Sr. Presidente!
TOPO
04/12/2007 Expediente Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Desinteresse do Governador do Estado pela Polícia
Militar é claro.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, como todos sabem, sou
oriundo dos quadros da Polícia Militar. Permaneci no serviço ativo daquela
instituição durante quase 22 anos. Sempre procurei participar ativamente de tudo
aquilo que envolvia a vida da corporação e aprendi que, se existe momento
importante na vida dos policiais militares, é o da sua formatura, seja quando o
soldado jura à bandeira, ou, por exemplo, quando o cabo conclui o curso e recebe
suas divisas de sargento.
Para o oficial, o momento importante na Academia é aquele em que, concluído o
curso e declarado aspirante, recebe a chamada espada que caracteriza o
oficialato. Em todas as unidades da Federação onde há Academia tem sido rotina
nesse dia os governadores de Estado se fazerem presentes. Sou aspirante do dia 3
de dezembro de 1965. Estive em todas as cerimônias anteriores e, 42 anos depois,
tive oportunidade de comparecer a Sulacap, à Academia.
Foi uma festa muito bonita, os formandos estavam exultantes, os que contribuíram
para a formação também, vivendo um momento de muita alegria, juntamente com os
familiares. Naturalmente, era de se esperar a presença do Sr. Governador do
Estado, pois há uma tradição: o Sr. Governador do Estado entrega a espada ao
primeiro colocado da turma. Nos dias que antecedem a formatura há, inclusive,
uma expectativa muito grande, porque a presença do Sr. Governador também
representa a importância que S. Exa. dá à instituição. Sua presença registra
aquilo que S. Exa. espera daqueles que estão concluindo sua formação.
Tal não aconteceu. O Sr. Governador Sérgio Cabral lá não compareceu e, pior, a
comunicação relativa ao não-comparecimento não se dá com a devida antecedência.
E aqueles que pontualmente lá compareceram permaneceram aguardando durante algum
tempo para que a solenidade fosse iniciada, na medida em que todos aguardavam a
presença do Sr. Governador.
Aliás, as solenidades militares devem primar pela pontualidade. Tenho
comparecido a inúmeras solenidades militares, nas Forças Armadas. Na hora
marcada, a solenidade começa. Neste último sábado, não. A solenidade foi marcada
para um determinado horário e nada foi iniciado porque todos aguardavam a
presença do Sr. Governador. Depois de muitos minutos veio a notícia de que o Sr.
Governador não compareceria; preferia ou preferiu, segundo o comunicado, estar
na Lagoa Rodrigo de Freitas para o momento de a árvore de Natal ser iluminada.
Esta foi a informação transmitida que “justificaria” – entre aspas – a ausência.
No dia seguinte, lendo todos os jornais, nenhum registrava a presença do Sr.
Governador na Lagoa Rodrigo de Freitas. Não posso imaginar que, se S.Exa. lá
tivesse comparecido, isso não tivesse feito parte da notícia. Seria natural,
seria óbvio que o noticiário registrasse a presença do Sr. Governador. Se não
registrou é porque possivelmente S.Exa. lá não compareceu, ficando,
especialmente para os formandos, não apenas uma certa desilusão pela
demonstração de desapreço, mas principalmente pelo distanciamento da verdade
para justificar a ausência. E o pior, na Academia, algo que é ensinado com muita
insistência consta do Estatuto dos Policiais Militares e diz assim: “Amar a
verdade como fundamento da dignidade pessoal.”
No dia da formatura os novos aspirantes recebem a notícia de que o Sr.
Governador não comparecerá porque estará na Lagoa Rodrigo de Freitas e, no dia
seguinte, tomam conhecimento de que nem lá o Sr. Governador foi. Afinal de
contas, qual a razão de mentir? Poderia pelo menos encaminhar um telegrama
dizendo: “Compromissos anteriormente assumidos.” Nem isto. O desinteresse, a
desconsideração, o desrespeito e a afronta, tudo está registrado com muita
clareza, porque certamente atesta aquilo que o Sr. Governador do Estado vê na
Polícia Militar: uma instituição que não merece qualquer consideração.
Então, Sr. Presidente, eu somente venho a esta tribuna para dizer que a
Segurança Pública se compõe também de alguns detalhes, de algumas manifestações,
de alguns exemplos que devem partir exatamente daqueles que, na estrutura
hierárquica, alcançam ou ocupam o topo da pirâmide. Aliás, também, há lá no
estatuto que a responsabilidade cresce com o grau hierárquico.
Portanto, ao faltar com a verdade sobre o motivo do não comparecimento, o
Governador do Estado, além da desilusão, manifesta-se através de um péssimo
exemplo.
Ao concluir, Sr. Presidente, quero mandar um abraço a todos os novos oficiais da
Polícia Militar e dizer que eles devem, apesar de tudo, caminhar comprometidos
com a instituição, comprometidos com a sociedade, comprometidos com a segurança
pública.
Muito obrigado.
TOPO
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