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29/03/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Erros na gestão do Instituto Superior de
Educação.
Manifesto de apoio às famílias de policiais mortos.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna
para tratar de outro tema, na medida em que abordei a questão do Instituto
Superior de Educação na última terça-feira. Tenho a mais absoluta certeza de que
contarei com a solidariedade do Sr. Deputado Comte Bittencourt, que enriqueceu a
administração Jorge Roberto Silveira, em Niterói, como Secretário de Educação.
Alunos e professores não podem pagar um preço continuado por erros de gestores.
As pessoas são seduzidas para um projeto, mobilizam consciências – professores
fazem isso – e, com o passar do tempo, vão sendo frustradas naquilo que
idealizaram e implementaram com sucesso. Este é o caso dos professores
implementadores do Instituto Superior de Educação, que lutam e relutam, ao longo
dos anos, para que o instituto encontre o caminho da normalidade e da
legalidade. Aí passam a enfrentar obstáculos inusitados e até surpreendentes,
ficando a impressão de que, ao invés de terem uma parceria com os gestores,
passam a ser vistos como adversários – obviamente, diante de gestores movidos de
propósitos outros, que não o sucesso da educação pública.
Não estou, com isso, dizendo que esse seja o caso do Professor Boclin, ou do
Secretário Alexandre Cardoso. Mas faço questão de registrar que não estou
dizendo isso por enquanto, porque espero da nova gestão da Secretaria de Ciência
e Tecnologia um procedimento completamente contrário ao que venho acompanhando
ao longo dos últimos cinco ou seis anos, tentando levar esta Casa – agora, tenho
certeza absoluta, estando o Sr. Deputado Comte Bittencourt, mais uma vez,
presidindo a Comissão de Educação. Embora, por questões organizacionais, da
estrutura organizacional do Estado, o Instituto esteja subordinado ou integrando
a Secretaria de Ciência e Tecnologia, é uma outra aberração, mas o que se há de
fazer?
O SR. COMTE BITTENCOURT – V. Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte ao Sr. Deputado Comte Bittencourt.
O SR. COMTE BITTENCOURT – Quero hipotecar integralmente meu apoio a esse seu
movimento. Não podem, professores e formados, ficar prejudicados. Este é o
cenário em que se encontra hoje a população do Estado do Rio de Janeiro com
relação às gestões sucessivas na Educação. Como falei, é o menino fora da
escola, a falta do professor, o formado do Instituto sem direito ao diploma e
não podendo trabalhar. V. Exa. conta com o apoio integral do meu mandato.
Enquanto eu estiver na presidência da Comissão de Educação, estarei a seu lado
nessa busca.
Colaborando com o debate, com a reflexão que V. Exa. traz, pergunto: por que um
Instituto de Educação, por que universidades vinculadas a uma Secretaria de
Ciência e Tecnologia? Isso é único. Somos o único Estado da Federação onde a
educação superior,mantida pelo Estado, não está ligada à Secretaria Estadual de
Educação. É lá o lugar deles, é lá o ambiente deles, é lá a lógica do debate da
Educação, porque lá estão os educadores. A Secretaria de Ciência e Tecnologia
cuida do entrosamento do setor produtivo do Estado, com o financiamento de
pesquisas através da nossa Finepe. Mas a Secretaria de Ciência de Tecnologia ser
a gestora política de universidades e de institutos de educação, a mim parece
que, realmente, essa combinação não vai dar certo nunca.
Mas é um bom debate que eu quero ter na Comissão de Educação, porque eu, o
Deputado Alessandro Molon, a Deputada Sheila Gama e o Deputado Marcelo Freixo já
iniciamos essa reflexão com as duas audiências que mantivemos com os reitores. E
qual a opinião da comunidade acadêmica de estar vinculada administrativa e
politicamente a uma pasta de ciência e tecnologia? Tenho certeza de que nós dois
podemos colaborar com este debate.
Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço a V. Exa.
O tema que me traz a esta tribuna, Presidente, não é Cabo Frio. Estando V. Exa.,
Deputado Alair Corrêa, na presidência dos trabalhos nesta tarde, não vou tratar
de um tema que o comove tanto.
O SR. PRESIDENTE (Alair Corrêa) – Obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Vim aqui tratar de um tema que, tenho certeza absoluta,
entristece a todos nós, que é a morte de mais um policial militar em ato de
serviço.
Um tenente da Polícia Militar foi assassinado de forma torpe quando patrulhava
uma das ruas de nossa cidade. E percebo, Sr. Presidente, lamentavelmente, que a
morte de um policial não comove tanto a sociedade. Ainda não percebo
manifestação de repulsa, de rejeição a algo que reiteradamente vem acontecendo
ao longo dos últimos anos. Um determinado momento, já neste ano, em menos de uma
semana, 12 policiais foram mortos. Naquele momento houve alguma manifestação,
houve alguma reação, mas, praticamente, tudo se perdeu, e quando surge um caso,
aparentemente isolado, aí, não há nenhuma manifestação.
Esta Casa está realizando uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar
a razão da morte dos policiais. É a segunda vez que o faz. Tive a oportunidade
de presidir igual Comissão há alguns anos. Desta, agora, sou relator.
É preciso que a sociedade aceite, ou acolha, que a morte de um policial em ato
de serviço, em decorrência do serviço, ou pelo simples fato de ser aquele
cidadão um policial, seja vista como algo inerente à profissão, ou morreu e não
fez nada além do que o seu dever. Nós não podemos aceitar assim. Entretanto, a
impressão que se tem é que este sentimento prevalece na sociedade.
De qualquer maneira, Sr. Presidente, venho a esta tribuna não só manifestar a
minha solidariedade aos familiares do policial morto, mas, à família policial
como um todo, à medida que, desde que estou nesta Casa, integro a Comissão de
Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania.
Sempre entendi que o ser humano deve ser respeitado; o ser humano, sendo
alcançado por qualquer violência, deve merecer a mesma manifestação de repulsa,
tendo ele uma farda ou não.
Não é possível que ainda haja confusão, ainda alguns que se apresentam como
defensores dos direitos humanos não assumam a compreensão de que os seres
humanos merecem igual respeito.
Portanto, Sr. Presidente, a minha solidariedade à família policial militar, a
minha solidariedade à família do oficial morto e, ao mesmo tempo, a minha
manifestação de preocupação na medida em que há uma necessidade muito grande de
manifestações expressivas quando qualquer pessoa é violentada, inclusive um
policial.
Muito obrigado.
TOPO
27/03/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - O sucateamento do Instituto Superior de Educação
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero aproveitar
para fazer uma saudação especialíssima ao nosso sempre Deputado Aurélio Marques,
manifestando uma esperança inicial de ele vir a ser o futuro Prefeito de Angra
dos Reis. Uma saudação calorosa ao nosso grande companheiro. Sabe ele dos meus
compromissos partidários e que, se porventura, amanhã caminhar junto ao PDT
certamente contará com um entusiasmo meu muito maior.
Mas, Sr. Presidente, venho a esta tribuna para tratar de uma questão que envolve
uma instituição mais do que centenária, conhecida por muitos, o reconhecido,
famoso Instituto de Educação, hoje Instituto Superior de Educação, que ao longo
de sua existência formou centenas e centenas de professores e professoras, que
têm responsabilidade também na formação de muitas gerações.
Tenho acompanhado, ao longo dos últimos anos, o sofrimento de professores e
alunos que não se conformam com o sucateamento, com o aniquilamento daquela
instituição – não apenas em questões ligadas à estrutura física, não apenas com
relação a questões meramente materiais. O Instituto Superior de Educação vem
sofrendo revezes que exigem uma preocupação e uma atenção desta Casa. Precisamos
de uma solução que reintegre o Instituto Superior de Educação às suas
finalidades históricas.
Cinco anos atrás, o Instituto de Educação passou a ser Instituto Superior de
Educação, com um projeto político/pedagógico que formava professores em quatro
anos. Professores saíam especialistas na educação de adultos, na educação de
pessoas portadoras de deficiência – o que, lá, os idealizadores do projeto
chamam de “ênfase”. Entretanto, a partir de alguns anos atrás – especialmente no
final do governo Anthony Garotinho/Benedita da Silva e durante todo o governo
Rosinha Garotinho –, o Instituto Superior de Educação experimentou um declínio,
tudo indicando que há um esforço voltado para equipará-lo a entidades privadas
que formam professores em três anos mas de onde todos saem sem especializações.
É preciso registrar – vejam que absurdo para uma instituição pública de ensino!
– que em todas as turmas formadas, já ostentando o título de Instituto Superior
de Educação, aluno algum recebeu seu diploma. Alguns já fizeram cursos de
extensão, alguns já fizeram mestrado e até doutorado mas não têm como buscar o
reconhecimento da extensão se não têm o diploma da formação!
O desespero e o sofrimento são muito grandes. Com a eleição do Sr. Governador
Sérgio Cabral, novas esperanças surgiram, esperanças que vão sendo diluídas, na
medida em que o Instituto Superior de Educação faz parte da rede Faetec,
subordinada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação. Talvez a
inovação seja para o atraso, e não para o avanço.
Agora, temos como Secretário o Sr. Deputado Federal Alexandre Cardoso. O ideal
seria que o Sr. Secretário visitasse o instituto; o ideal seria que o Sr.
Secretário, diretamente, ouvisse professores e alunos, principalmente aqueles
que estão comprometidos com o projeto original. Sr. Presidente, com raríssimas
exceções, os alunos já saíam do Curso Superior de Educação do Instituto
praticamente empregados, tendo em vista o padrão de excelência ali implementado,
não obstante as dificuldades materiais. Até dois anos atrás, o curso não sequer
estava reconhecido – por uma certa omissão do Conselho Estadual de Educação.
Paralelamente às esperanças em relação ao Sr. Governador Sérgio Cabral, as
expectativas voltaram-se para o novo Secretário. Eis que o Secretário se faz
cercar, primeiro, de um subsecretário que é ex-diretor do Instituto Superior de
Educação, o Sr. Antônio Ribeiro. Trata-se de um ex-diretor que representou um
obstáculo para a afirmação do Instituto. Não fora o sacrifício, o empenho de
professores e demais funcionários, se dependesse do diretor, o Instituto estaria
em situação falimentar.
Outra situação gera a impressão da existência de uma conspiração contra o
Instituto: o chefe de gabinete do Sr. Deputado Alexandre Cardoso, Secretário de
Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, é o Professor Boclin, presidente do
Conselho Estadual de Educação. Não sei se poderia haver, para a Secretaria,
tragédia maior. Acredito que não, porque, agora, no momento em que tudo
conspirava favoravelmente, surge uma espécie de conspiração contra.
O Secretário talvez não esteja muito ligado às questões da Pasta e tudo aquilo
que foi produzido, durante os anos anteriores ao Governo Sérgio Cabral, pelo
próprio Conselho Estadual de Educação, como forma de impedir o reconhecimento do
esforço dos professores implementadores, que têm o apoio dos alunos, eles estão
mandando reproduzir novos pareceres do Conselho Estadual de Educação. Mas os
membros do Conselho Estadual de Educação são os mesmos do ano passado e do ano
retrasado. Qual a razão de reproduzir tudo?
Eu não posso imaginar – não posso, recuso-me – que, por uma maioria eventual, o
Conselho Estadual de Educação conspire favoravelmente à educação privada. Não há
razão para isso, nem é reivindicado. Tenho certeza absoluta de que aqueles que
fazem investimentos na educação privada nem esperam esse procedimento do
Conselho Estadual de Educação. São serviçais voluntários. Isso gera uma situação
preocupante, porque o tempo passa muito depressa e as providências efetivas não
são tomadas.
Portanto, venho a esta tribuna, primeiro, para manifestar minha solidariedade
aos professores e alunos do Instituto Superior de Educação, que ainda
perseveram, sob condições adversas, para manter alto o nome daquela instituição.
Segundo, venho até aqui para fazer, desta tribuna, uma espécie de alerta ao
Secretário Alexandre Cardoso, que está tão ocupado...
Vou concluir, Sr. Presidente, porque há outros oradores inscritos. Todos estamos
acostumados às falsas gentilezas. Uma coisa consiste em, num encontro qualquer,
manifestar apreço, amizade, alegria. Já estamos com o saco cheio disso! No
exercício do mandato, imaginamos que uma interlocução responsável fica mais
doirada com a amizade, com a alegria, claro. O que não podemos é imaginar que a
alegria do encontro e a manifestação de afetividade substituam a
responsabilidade de discutir seriamente os problemas de uma Pasta.
Ao longo dos anos, mantenho um excelente relacionamento pessoal com o Secretário
de Ciência e Tecnologia, Sr. Deputado Alexandre Cardoso. Quando nos encontramos,
não vou dizer que seja uma euforia, mas é um encontro alegre. Entretanto, não
posso me deixar seduzir ou permitir que o Sr. Deputado Alexandre Cardoso faça
confusão sobre o significado de um relacionamento que não pode obstruir o
compromisso que cada um assume de representar a coisa pública. Se S. Exa. tem
dificuldades, está tão assoberbado que não pode receber qualquer parlamentar, ou
pelo menos um parlamentar específico, que pelo menos visite o Instituto e
procure ouvir as pessoas diretamente, não por intermediários que têm qualquer
outro compromisso.
Verifico que o Conselho Estadual de Educação tem uma composição interessante. Há
membro do Conselho que integra órgão executivo do governo, está na Universidade
da Zona Oeste. Não sei como é possível uma pessoa só ocupar tantos espaços
públicos. De qualquer maneira, diz ali o Sr. Deputado Wagner Montes: “The
Flash”.
Sr. Presidente, fica aqui esta solicitação ao Secretário de Estado de Ciência,
Tecnologia e Inovação, Sr. Deputado Alexandre Cardoso: se S. Exa. não tem tempo
de nos receber, se não tem tempo de ouvir os representantes dos professores e
dos alunos, que pelo menos desça do pedestal e visite o Instituto Superior de
Educação antes que o mesmo acabe.
Obrigado.
TOPO
22/03/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Luta pela emancipação de Tamoios (2º Distrito de
Cabo Frio).
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nos dois últimos
anos do mandato que se encerrou no dia 31/01/07, tive a oportunidade de presidir
a Comissão de Assuntos Municipais e de Desenvolvimento Regional. A partir desta
Comissão, tomei conhecimento de problemas gerais envolvendo inúmeros municípios.
No último ano do mandato, em 2006, travei contato com uma reivindicação da quase
unanimidade da população de Tamoios, 2º Distrito de Cabo Frio. Obviamente, como
o tempo passa muito depressa, na medida em que as reuniões foram sendo
realizadas, chegamos ao período eleitoral, período em que, muitas vezes,
candidatos que não se movem pelos melhores critérios éticos, tentam se
aproveitar de reivindicações diversas, também de comunidades várias para o
fazimento de promessas vãs, compromissos que não serão cumpridos, etc.
A população de Tamoios reivindica a sua emancipação. Pretendem os moradores de
Tamoios a criação de um novo município. Usando uma expressão que eles usam,
querem ficar livres de Cabo Frio...
O Distrito de Tamoios tem uma participação muito expressiva nas receitas do
Município de Cabo Frio, setenta por cento. Entretanto, a população de Tamoios
não tem recebido, ao longo dos anos, a atenção que imagina ser devida pela
administração central do município, que fica em Cabo Frio, propriamente dito.
Se aqui nesta Casa houver uma pesquisa entre os 71 deputados, talvez, um ou
outro poderá saber que Tamoios pertence a Cabo Frio. Mesmo aqueles que pegam a
estrada sentido Macaé, quando passam por Tamoios, Barra de São João, Rio das
Ostras, sequer, quem por ali passa, imagina estar em Cabo Frio.
Sendo Cabo Frio um município que tem belezas naturais, que faz reconhecidos
apelos ao turismo, é impossível encontrar, em qualquer propaganda sobre o
turismo em Cabo Frio, a inserção de Tamoios, embora Tamoios tenha praias,
também. Os royalties do petróleo, que vão para Cabo Frio, estão vinculados ao
Distrito de Tamoios.
Mas, para que o sentimento emancipacionista florescesse, houve a necessidade de
muitos anos de sofrimento para que a população daquele distrito compreendesse
que o único caminho para a realização de suas reivindicações era a emancipação.
Já houve um movimento muito grande, numa fase, logo após a promulgação da
Constituição de 5 de outubro de 1988, quando vários municípios foram criados.
Búzios foi emancipado de Cabo Frio; Arraial do Cabo foi emancipado de Cabo Frio;
e, agora, Tamoios pretende, também, concluir sua emancipação, que deu início
naquela época.
A Constituição foi mudada, estabelecendo obstáculos maiores à emancipação de
municípios. Temos, no Rio de Janeiro, o exemplo do Município de Mesquita, que
foi emancipado de Nova Iguaçu; Belford Roxo foi emancipado de Nova Iguaçu;
Japeri foi emancipado de Nova Iguaçu; Queimados foi emancipado de Nova Iguaçu,
pós 88. E o município de Nova Iguaçu continua sobrevivendo, tendo perdido
parcelas expressivas do seu território.
E por que Mesquita? Mesquita foi emancipada, mesmo após a modificação da
Constituição, porque o Supremo Tribunal Federal entendeu que, em tendo iniciado
todo o processo antes da mudança da Constituição, por interesse social deveria
haver o reconhecimento de obediência às normas anteriores.
Esta Casa aprovou um projeto de lei autorizando a emancipação. O plebiscito foi
feito exclusivamente no distrito de Mesquita, e está lá o município, hoje,
emancipado e, certamente, com o prefeito Arthur Messias, conseguindo avanços
muito maiores, não obstante as reconhecidas dificuldades, do que quando Mesquita
pertencia a Nova Iguaçu. Assim Belford Roxo, assim Queimados, assim Japeri e
Engenheiro Pedreira. Assim como Búzios e Arraial do Cabo.
E aí, Sr. Presidente, depois de passado o período eleitoral, iniciamos uma nova
legislatura, tive a oportunidade de participar de duas reuniões no Distrito de
Tamoios, reconhecendo o desejo da população em relação à emancipação. Estive lá,
juntamente com o Deputado Sabino, hoje Secretário de Trabalho. E ainda estimulam
a presença do Sabino. A proximidade com Rio das Ostras faz com que a população
de Tamoios queira, ainda mais, a emancipação, porque Rio das Ostras foi
emancipado de Casimiro de Abreu e, hoje, é um município que incorporou
benefícios para sua população, mas muitos benefícios, administrações eficientes
do ex-Prefeito Sabino. Então, é natural esse sentimento. Veja V. Exa. que o
Distrito de Tamoios não tinha sequer agência bancária, nem agência de Correios.
Digo aqui com total alegria que, a partir do momento em que travei contato com a
realidade do município, ele já tem agência bancária e vai ter agência dos
Correios. Com o esforço da população. Será que aqueles representantes que vêm de
Cabo Frio estiveram, alguma vez, em Tamoios, para saber que lá não havia nem
agência bancária, anos a fio? Nem agência dos Correios?
Diante desse clamor, apresentei o Projeto. Estou com toda a documentação, estou
fazendo uma comparação com Mesquita, para dizer que é possível. Ontem – tenho
que fazer esse registro -, um grande deputado – reconheço seus méritos -,
ex-prefeito de Cabo Frio, nosso companheiro Alair Corrêa fez aqui um
pronunciamento contrário à emancipação. É natural que ele seja contrário à
emancipação, na medida em que ele administrou o município com recursos de
Tamoios, mas contemplando, certamente muito mais, a população que vive no 1º
Distrito, o Distrito 7. Mas o Deputado Alair Corrêa faz no seu pronunciamento
algumas referências que precisam ser enfrentadas com serenidade,
respeitosamente. Ele diz que quem quer a emancipação está preocupado em
conquistar cargos de vereador ou de prefeito. Se isso fosse falado por alguma
pessoa sem envolvimento na atividade política, ainda seria razoável. Poderia
alguém, em contrapartida, dizer: “Não, o Deputado Alair Corrêa quer voltar a ser
prefeito de Cabo Frio e quer contar com esses recursos.” Não vou fazê-lo, mas é
razoável chegar a essa conclusão. Mas diz mais, diz o Deputado Alair Corrêa que
a sede do Município de Cabo Frio ainda tem uma infraestrutura em Educação,
Saúde, transporte, etc, que atende aos municípios de São Pedro da Aldeia,
Araruama, Arraial do Cabo e Búzios. É mais um argumento, para que o pessoal de
Tamoios queira a emancipação, porque, o Município de Cabo Frio dispõe de
recursos para atender a outros municípios em seu entorno – aliás é uma afirmação
que considero duvidosa, na medida em que Búzios é um município que prosperou
muito; o Prefeito de Araruama proclama que está realizando uma excelente
administração. Talvez seja até uma coisa a ser contestada, mais pelos prefeitos
desses municípios. Mas isso aqui ainda é o atestado de que a população de
Tamoios tem razão. Se, com os nosso recursos, o município está atendendo a
outros municípios, então, não tem mesmo recurso para nos atender. E, aí, o
Deputado Alair Corrêa ainda envereda com outros argumentos que são até
primários. Compreendo, talvez, a emoção. S. Exa. diz que perdeu Búzios, que já
teve 700 km2 de extensão e, com a emancipação de Tamoios, reduzir-se-á a 70 km2.
Talvez seja melhor.
Sr. Presidente, estive em Cabo Frio e lá está sendo construído um monumento.
Veja bem, a paciência; está sendo construído um viaduto com uma estrutura tão
grande que, talvez, só consigamos ver algo semelhante em países do primeiro
mundo, especialmente nos Estados Unidos, que tem aquele sistema viário com
entroncamento de vias. É uma estrutura tão pesada que desfigura o município!
E aí, a população fala: “Afinal de contas, quanto está custando esse viaduto?
Quais as empreiteiras que estão realizando a obra nesse viaduto? Ele vai ligar o
quê a quê e para quê?”
Sr. Presidente, devo dizer que, no exercício do mandato, apresentei o projeto
atendendo a um clamor muito mais justificado agora, porque as pessoas reclamam
das redes de saúde e de educação em Tamoios. As pessoas reclamam do saneamento
básico, da pavimentação das vias que não têm.
Lamentavelmente, o Sr. Deputado Alair Corrêa, ao imaginar estar defendendo o
interesse de Cabo Frio, que não está, simplesmente deu razão, com os argumentos
expendidos, ao clamor da população de Tamoios.
Tenho certeza absoluta que, com a emancipação de Tamoios, o que ficar como
Município de Cabo Frio, ao contrário, terá muito mais possibilidades de se
realizar porque, realmente, será um apelo exclusivo ao turismo. E vamos permitir
que Tamoios, que também tem praia e recantos bonitos, possa incorporar àquela
região, não apenas a Cabo Frio, outras fontes de recursos para geração de
empregos e distribuição de renda.
Terei a oportunidade de encaminhar o pronunciamento do Sr. Deputado Alair Corrêa
à Comissão que luta pela emancipação de Tamoios, porque temos aqui argumentos
muito mais robustos para que aquela população diga “Emancipação Já”.
Obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
20/03/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Homenagem aos 90 anos do Colégio de Pádua Alumni.
Segurança Pública: mortes dos policiais e a implementação de políticas
preventivas.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta
tribuna, primeiro, para prestar uma homenagem aos 90 anos de um colégio situado
no Município de Santo Antônio de Pádua, o Colégio de Pádua Alumni. Desde 1917, o
colégio trabalha ininterruptamente, contribuindo para a formação de muitas
gerações. Trata-se da construção de um patrimônio que precisa, Sr. Presidente,
ser reconhecido. Em um país como o nosso, em que a educação é relegada, às
vezes, a um plano secundaríssimo, ter uma instituição de ensino completando 90
anos, com o reconhecimento da comunidade, é algo assim muito auspicioso.
Quero, portanto, mandar um abraço a todos aqueles que dirigem hoje o Colégio de
Pádua Alumni, todas as gerações anteriores, professores, profissionais de apoio,
todos que deram uma contribuição efetiva para o colégio completar 90 anos de
bons serviços prestados à Comunidade de Santo Antônio de Pádua. Parabéns ao
Colégio de Pádua Alumni! E mando um abraço para um grande companheiro, Fernando
Lavaquial, que está lá conduzindo este colégio. É um quadro político conhecido,
que me comunicou o aniversário do colégio e eu, prontamente, me dispus a fazer
esse registro elogioso.
Mas, Sr. Presidente, venho a esta tribuna, mais uma vez, para tratar de algo que
acredito que vem alarmando, assustando nossa população. É uma questão ligada à
Segurança Pública. Agora, com o novo Governador Sérgio Cabral, há uma esperança
muito grande de que políticas preventivas sejam implementadas e a população do
Estado possa continuar dando sua contribuição para o desenvolvimento deste nosso
pedaço de chão, sem o enfrentamento de momentos de suplício, momentos agudos,
causados por aqueles que se dispõem a perturbar a ordem pública.
Venho tratar aqui da morte dos policiais. São muitos, mas não são muitos apenas
no ano de 2007. Neste ano houve muitos casos seguidos. Em poucos dias, 13, 14 em
uma semana. E um fato que acontece no nosso estado ao longo dos últimos anos
assustou mais ainda a população e, obviamente, fez sofrer ainda mais a família
policial, família sempre esquecida.
A sociedade se manifesta em relação a algumas conseqüências da Segurança
Pública, mas quando morre um policial a impressão que se tem é a de que morreu
no cumprimento do dever, não fez mais que sua obrigação. Não há, nem na mídia, a
comoção que deveria existir, nem quando morre no cumprimento do dever, nem
quando morre em ato de serviço.
Tenho, reiteradamente, nos últimos anos, aqui desta tribuna, denunciado que em
nenhum dos últimos doze anos morreram menos de 150 policiais militares por
ferimento de arma de fogo. Um mínimo de 150 a cada ano nos últimos 12 anos.
Devendo ser registrado também o número daqueles que ficam incapazes
definitivamente para todo e qualquer serviço em decorrência de ferimento de arma
de fogo. São muitos. A Polícia Militar perde, a cada três anos e meio, por
ferimento de arma de fogo, o efetivo de um batalhão de padrão médio - 550
homens.
Além, obviamente, da comoção que isto deve causar, há de verificar o prejuízo
orçamentário, o prejuízo financeiro, já que a população custa a se comover em
relação à morte de policiais, não se comove mesmo sendo um número muito elevado,
que haja pelo menos a compreensão do prejuízo visto causa, suprimindo recursos
que poderiam ser empregados em outras políticas públicas ou mesmo na própria
Segurança Pública.
Todos sabem que os profissionais da Segurança Pública estão aí aguardando, como
de resto os demais servidores públicos, o reconhecimento do governo por melhores
condições de vida e melhores condições de trabalho.
Tomei conhecimento de que hoje aconteceu na Igreja da Candelária uma missa em
homenagem aos policiais mortos, e lá estava presente o nosso governador
manifestando sua solidariedade. Só tomei conhecimento, Sr. Presidente, agora na
parte da tarde; senão considerar-me-ia obrigado a comparecer.
Tenho certeza absoluta, de que muitos parlamentares estariam lá presentes se
conhecimento tivessem da realização desta missa, uma manifestação de
solidariedade aos familiares dos policiais militares, aos familiares dos mortos,
muitos reconhecidos como tendo sido mortos em ato de serviço; os que morreram em
decorrência do serviço e os que morreram pelo simples fato de serem policiais.
Agora, esta Casa realiza uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar
as razões. É a segunda. Já há anos esta Casa realizou uma Comissão Parlamentar
de Inquérito para investigar. Nenhuma praticamente, salvo uma, nenhuma das
sugestões apresentadas por aquela Comissão foi acolhida e as medidas
correspondentes foram tomadas. Somente uma que dizia que o criminoso, quem
matasse ou ferisse um policial, deveria ter a pena agravada. O Congresso
Nacional acolheu esta sugestão que partiu – e é preciso registrar – da Comissão
Parlamentar de Inquérito realizada nesta Casa. Foi a partir do levantamento e do
encaminhamento que o Congresso Nacional registrou e acolheu. É claro que deve
ter havido pressão de outras corporações policiais, de outros Estados, mas aqui
no Rio de Janeiro o número de mortos é muito maior. Não há comparação. O número
de policiais mortos no Rio de Janeiro corresponde praticamente à soma de todos
os demais policiais mortos nas demais unidades da Federação.
Isso demonstra o que acontece no Rio de Janeiro em termos de Segurança Pública e
a quebra do princípio da autoridade. Vamos ver. Estamos iniciando um novo
governo e as esperanças se renovam. Vamos aguardar e acreditar que o Governador
Sérgio Cabral há de elaborar políticas públicas voltadas à promoção da segurança
da população, incluindo os próprios profissionais da área. É preciso que o
Governador Sérgio Cabral ouça aqueles que acumularam experiência na área, que
procure elaborar políticas públicas ouvindo, e não simplesmente se deixando
cercar por grupos bem intencionados que ousamos chamar os tecnocratas de sempre,
mas sem uma avaliação a partir da experiência de quem acumulou politicamente
visões que podem contribuir para a solução dos problemas.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
15/03/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Irregularidades nos concursos públicos confirmam
a necessidade de mudanças.
Em homenagem ao Dia do Consumidor Paulo Ramos destaca leis de sua autoria.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, assomei hoje à
tribuna para homenagear o Dia do Consumidor. Entretanto, não poderia deixar de
registrar minha perplexidade em relação à matéria publicada no Jornal O Globo,
tratando do concurso para a carreira de Magistrado do Estado do Rio de Janeiro.
Já tive a oportunidade de me envolver na fiscalização e até na apuração de
denúncias de irregularidades encontradas em inúmeros concursos públicos – no
Estado e também em vários municípios de nosso Estado. Agora, em função deste
caso, vou requerer urgência para a votação de um projeto de lei tratando do
concurso público. Aliás, o fiz por dois caminhos: emenda constitucional e
projeto de lei.
Surpreendentemente, sem que haja qualquer explicação plausível – e vou reiterar
a apresentação, através de emenda constitucional – a Comissão de Emendas
Constitucionais e Vetos, à época, opinou pela inadmissibilidade, não sei baseado
em quê. Entretanto, como projeto de lei, estou desarquivando, para perseguir a
tramitação em regime de urgência, até para oferecer a esta Casa a oportunidade
do debate. Não quero aqui, de imediato, acreditar no que consta da matéria, mas
há uma necessidade urgente de uma “disciplinação” dos concursos públicos,
através de lei, para que aqueles que buscam a aprovação possa ter a
tranqüilidade democrática em face da competição.
Qualquer dúvida – independentemente de qualquer cogitação sobre a veracidade do
que consta na matéria – cria, obviamente, uma aura de suspeição, considerando
que a aprovação para a carreira de juiz, para a magistratura, é algo assim de
grande excepcionalidade, não só pela grande procura, mas também pela
importância, pelo prestígio, bem como pelo prestígio remuneratório. Há um
prestígio social. Qualquer pessoa se sente honrada em ocupar, pertencer à
carreira da magistratura, mas quando surge um fato desses... Já surgiu, em
relação ao Ministério Público. Realmente, é duro para os candidatos que não têm
qualquer vínculo, independentemente de qualquer consideração sobre a lisura do
concurso, verificar, no resultado final, os sobrenomes e encontrar um número
muito grande de filhos e parentes de quem já está na carreira ocupando cargos de
direção. Então, acredito que devemos debater este tema.
Mas venho, Sr. Presidente, a esta tribuna para tratar, pelo menos, de duas leis
de minha iniciativa em homenagem ao consumidor. Uma trata do local de instalação
dos medidores de água, gás, energia elétrica e até de telefonia. O consumidor
deve conhecer como está sendo avaliado seu consumo, para efeito de emissão da
conta. Esta minha iniciativa foi tomada em função dos medidores de energia
elétrica, que estavam sendo – e continuam sendo – colocados em locais distantes
da visão do próprio consumidor.
A Ampla, por exemplo, adotou novos critérios de medição, através do chamado
chip, um software que nem o Inmetro tem possibilidade de investigar ou avaliar.
A Ampla causou um vespeiro em São Gonçalo, Caxias, várias regiões, porque
simultaneamente adotou um novo processo de medição e instalou os medidores fora
do alcance do consumidor. E as contas multiplicadas por dez, por 20 ou mais. A
superioridade da concessionária é muito grande. Porque na falta de pagamento
eles interrompem a prestação do serviço.
E aí tem, Sr. Presidente, a Lei nº 4.901, de 8/11/06, tratando dos medidores. É
de se esperar que as concessionárias cumpram, especialmente as de energia
elétrica. A lei estabelece prazos e dá vantagens ao consumidor. Porque se o
medidor não estiver ao alcance do consumidor ele que recebe uma multa a ser paga
pela concessionária. Porque ele não teve a oportunidade de conferir o seu
consumo. Então, considero importante esta lei porque envolve eletricidade, água,
telefonia e gás.
A companhia de água, de gás, os medidores já estão ao alcance. Telefonia é outro
sistema de medição em que o consumidor também tem dificuldade de aferir os seus
impulsos. A lei contempla também a telefonia. Mas o que alarmou mais a população
foram os medidores de energia elétrica. Então, a lei está à disposição dos
consumidores, cujo dia hoje comemoramos, para que seus direitos prevaleçam.
A segunda lei envolve as emissoras de televisão. Todos nós acompanhamos vários
programas que têm participação popular. Para dar um exemplo daquele que tem
contado com a maior participação, temos o Big Brother - – não sei nem em que
número está, se é seis, sete –, o “BBB”. E ali a população é mobilizada a
participar daqueles conflitos, para opinar, para manifestar a sua preferência. E
eles dizem quantos milhões de ligação foram feitas em cada programa.
E aí há um detalhe curioso, foi o que me chamou a atenção, não em relação ao Big
Brother, mas em relação aos programas em geral: o locutor só anuncia o custo da
ligação quando não há custo. A ligação é grátis. Mas quando a ligação vai ser
paga por quem está ligando, aparece uma tarjazinha ilegível dizendo o custo
daquela ligação. Como quando a ligação é gratuita há o anúncio, fica a impressão
de que esse procedimento, não posso afirmar, mas seja um procedimento que leve a
todo telespectador pensar que todas as ligações são gratuitas.
Então, a apresentei um projeto de lei que se transformou na lei 4.548, de
6/5/05, determinando a obrigatoriedade da proclamação do valor da ligação, pelo
apresentador. Ele é obrigado a dizer o valor da ligação, porque aí quando houver
a participação do telespectador, ele terá uma participação consciente, sabendo
que ele está pagando para participar daquele programa.
Pois não, Deputado Paulo Melo.
O SR. PAULO MELO – Espero que o Presidente aquiesça e me permita apartear.
Quero dizer que V. Exa. está coberto de razão. Nós precisamos de uma maneira
muito serena empreender um processo de contestação e de fiscalização dos
serviços públicos concedidos e serviços prestados por essas empresas.
Eu vou contar um fato corriqueiro a V. Exa. Na minha casa, onde moro, a conta de
luz veio com um determinado valor. Fiquei 40 dias sem usar nada da casa, sem
jogar futebol, sem ligar a sauna. Foram 40 dias. A conta de luz veio com o mesmo
valor. O mesmo valor! Na verdade, R$ 28,00 a mais, ainda. Estou com uma ação
contra a Ampla.
Fiz uma outra estimativa: pedi a um eletricista conhecido meu para desligar o
relógio durante uma semana. A conta de luz veio com o mesmo valor. Estou fazendo
a mesma experiência. Como consumidor, vou solicitar a constatação de uma
autoridade de que estou desligando o relógio e que a conta de luz virá com o
mesmo valor. Isso, na minha casa, onde vejo o relógio, que está em lugar baixo,
logo na entrada. Imaginem quem tem o relógio instalado no alto do poste. Parece
aquela brincadeira de festa do interior, de subir no pau-de-sebo. Se o
consumidor quiser fazer alguma coisa, não há como, vai ter que escalar o poste.
Há ainda a questão das ligações telefônicas. Muitas vezes, somos surpreendidos:
pensamos que estamos ganhando um brinde e estamos pagando caro, e pagando por
nada.
Eu, que brincava com o Sr. Deputado Luiz Paulo, digo, às vezes, que lamento
profundamente que o Sr. Deputado Paulo Ramos tenha saído de Brasília, ao mesmo
tempo em que é motivo de júbilo para mim tê-lo aqui ao meu lado, pois aprendo
sempre com S. Exa. Temos que contestar mais e brigar mais porque ainda não vi
nada que beneficiasse o consumidor. Vou ter a oportunidade de trazer as três
contas de luz para V. Exas. observarem que o valor nunca diminui.
Às vezes ouvimos alguém dizer: “Fulano de tal é matador.” Um dia, ouvi um cara
perguntar: “Mas só há matador? Não há ‘morredor’ do lado de lá, não?” É a mesma
coisa: só há ganhador, não há perdedor. Só eles ganham, só eles ganham. São só
eles que ganham, nós perdemos sempre.
V. Exa. está de parabéns!
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço a V. Exa.
Em se tratando do consumo de energia elétrica, registro que um setor nosso da
economia, as padarias, está indo à falência. As padarias são consumidoras
intensivas de energia. Elas estão recebendo, com esse critério novo de medição,
sem a possibilidade de acompanhar o que marca o seu medidor, contas astronômicas
e estão indo à falência.
De qualquer maneira, Sr. Presidente, volto muito rapidamente, para concluir, à
questão da participação dos telespectadores em alguns programas. O projeto de
lei diz o seguinte: (Lendo) “Nos programas transmitidos por emissora de
televisão que mobilizem a participação da população do Estado do Rio de Janeiro,
através de ligações telefônicas, internet e mensagens de celular, além da
exposição no vídeo, de forma clara e legível, do custo da ligação e/ou mensagem,
é exigível a sua proclamação por parte do apresentador.” (Conclui a leitura)
Isso não vem acontecendo.
Registro que há uma multa. A multa corresponde a toda a arrecadação do dia. Como
a lei não vem sendo cumprida, é possível imaginar que há um acúmulo de dívidas
muito grande. Mas tive oportunidade de encaminhar esta lei para o Ministério
Público, para o Dr. Rodrigo Terra, que é responsável pela área de proteção ao
consumidor. Tive dificuldades de ter um contato pessoal com o Dr. Rodrigo Terra.
Certamente ele está muito ocupado, cumprindo com seus deveres. Entretanto, pelo
tempo que fiz chegar às mãos do Dr. Rodrigo Terra esta lei, não tendo visto
nenhuma providência, imagino que, em sendo eu também consumidor, mas estando no
exercício do mandato, não tive a minha pretensão de ver as providências pelo
órgão competente, as providências em relação a essa minha iniciativa.
De qualquer maneira, em homenagem ao Dia do Consumidor, estarei, amanhã,
encaminhando, mas vou entrar agora com uma representação junto ao Ministério
Público. Não encaminharei diretamente àquele que às vezes ocupa as manchetes de
jornais, dá entrevistas na televisão, tratando da defesa do consumidor em nome
do Ministério Público. Vou encaminhar uma representação e vamos ver se o
consumidor vai ser protegido em relação a alguns poderosíssimos, que são as
emissoras controladoras das emissoras de televisão.
Agradeço, Sr. Presidente, ter-me permitido ser o primeiro orador. Falei pouco
mais de dez minutos. A Sessão começou às 14h30, Sr. Presidente. Que maravilha!
Falei durante quinze minutos.
De qualquer maneira, sou consumidor da tribuna e consumi quinze a vinte minutos
deste Expediente Inicial. É a homenagem que presto ao consumidor.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
14/03/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - A sociedade e a manipulação do crime
organizado.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sra. Presidente, Srs. Deputados, mais uma vez, venho tratar
de algo que comove a alguns mas que, certamente, não tem comovido a sociedade.
Refiro-me à morte de policiais.
Do último fim de semana até os dias de hoje, foram dez policiais militares
mortos por ferimentos de arma de fogo. Sabemos que a sociedade se comove com
muitas mortes, e tem que se comover, tem que se mobilizar, mas não constatamos a
mesma comoção quando é morto um policial.
Não sei se a sociedade entende que, ao morrer, em serviço ou não, mas no
cumprimento do dever, ali esteja algo que já faz parte do ofício. Morreu porque
a profissão abraçada incorpora a morte. Também não sei se, mesmo a sociedade
exigindo mais segurança a cada dia, se há um ódio social tão incrustado na
população que faz com que ela esteja insensibilizada quando morre um policial.
Mas há algo de muito estranho porque os policiais militares e os policiais civis
morrem, as famílias ficam enlutadas e igualmente desesperadas, a solidariedade
que se expressa é a que advém dos integrantes das respectivas corporações, e as
coisas caminham.
Há pouco tempo, surgiu um debate sobre as chamadas milícias – o tema parece que
saiu um pouco da mídia. Depois de ter participado de muitos debates a respeito,
percebi que os grandes meios de comunicação, especialmente o principal sistema
de comunicação do País, o Sistema Globo, procuraram estabelecer uma confusão, de
modo a que a população, em especial a classe média e a classe média alta,
deixasse de compreender do que se tratava. A partir de um determinado momento,
em chamando de milícia, os meios de comunicação transformaram as milícias em
grupos de extermínios. A população, assustada, sempre imagina que a
responsabilidade pela Segurança Pública cabe ao Estado. Mas a Constituição diz
que cabe, também, aos cidadãos.
Tenho percorrido algumas comunidades, especialmente as que constaram nos jornais
como sendo as comunidades que recebem a chamada proteção das milícias. Essas
comunidades estavam preocupadas ante a possibilidade da perda dessa proteção,
porque chamam de milícia, ou confundem a segurança particular e complementar
feita exclusivamente nas comunidades menos favorecidas. Mas a mesma confusão não
se verifica quando essa segurança particular e complementar acontece onde está a
classe média, ou, pelo menos, onde as comunidades não podem ser vistas como
comunidades faveladas. Onde há favela, é milícia. Onde não há favela, é um
esforço da comunidade na busca de autoproteção.
Assim como os servidores públicos, de um modo geral, complementam seus salários
nas respectivas atividades que desenvolvem no serviço público, os profissionais
da Segurança Pública idem, embora uma parcela se dedique a qualquer outra
atividade remunerada que nada tem a ver com a segurança. Mas é natural que, a
segurança tão valorizada, os salários oferecidos, o profissional da Segurança
Pública busque uma complementação. Hoje, com os dados que tenho, intimamente me
convenci de algo que pode ser surpreendente, que trata do crime organizado.
O crime organizado não se resume ao tráfico de entorpecentes nas favelas. Ali é
a rabeira do sistema, porque o crime organizado incorpora o contrabando, o
tráfico de entorpecentes, a prostituição, o lenocínio, o jogo e, obviamente, a
lavagem de dinheiro, porque a quase totalidade dos crimes praticados em nosso
Estado e nosso País são crimes contra o patrimônio, ou com finalidade
patrimonial. Então, o crime organizado, tratando desses vetores – jogo,
contrabando, tráfico – arrecada algo muito volumoso e esse dinheiro tem que ser
lavado, para que possa participar do modelo econômico sem o estigma da origem.
Mas o crime contra o patrimônio que assusta a população não é o crime do
colarinho branco. Já citei aqui que os controladores do Banco Nacional o
levaram, fraudulentamente, à falência. Já foram condenados em primeira instância
– o processo não termina para que a condenação definitiva venha – e acabam de
fazer um acordo com o Banco Central para a cessação das ações que movem contra o
BC. Pelo acordo, vão receber 150 milhões de reais, porque o banco conclui que o
prejuízo no futuro será muito maior.
Ali identificamos um crime que tem conseqüências perversas, entretanto, não
comove a população, assim como no caso do Banco Econômico, do Banco Santos, do
Bamerindus e de outros mais que acabaram – só trocaram de nome, trocaram as
placas nas agências. O crime que assusta a população é o crime do asfalto, até
porque é este que põe em risco a vida ou a integridade física.
Quando, hoje, a situação chega ao patamar a que chegou, sou obrigado a dizer
que, no meu pensamento, na minha convicção, o verdadeiro crime organizado está
empurrando o aparato do Estado, única e exclusivamente, para as favelas. Porque
não é razoável imaginar que o controlador de qualquer atividade econômica
instale os seus armazéns, os seus depósitos – a atividade econômica é
clandestina, ilegal –, as suas mercadorias em um determinado ponto e dirija a
polícia para reprimir aquele local. Não é razoável imaginar isso. Também não é
razoável que se instale em determinado local estabelecendo uma segurança em
torno, precária, para enfrentar o Estado com o aparato policial quando vai ali
para apreender as mercadorias. Não tem lógica isso.
Eu sei – todos sabem, acredito – que entorpecente na favela quem compra é
viciado, desesperado ou pobre. O pobre consome muito menos do que o rico, pois
trata-se de uma atividade econômica e quem não tem dinheiro não compra.
O SR. PEDRO FERNANDES – V. Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo um aparte a V. Exa.
O SR. PEDRO FERNANDES – Desculpe-me interrompê-lo, mas no início de seu discurso
V. Exa. comentou sobre a morte de policiais. Hoje de manhã liguei para o Coronel
Ubiratan, comandante-geral da Polícia Militar, porque ontem perdemos mais um
homem. Algumas pessoas já começam a criticar a cúpula da Segurança Pública,
dizendo, inclusive, que é preciso fazer algumas alterações no comando. Sou
totalmente contra, porque acho que a Secretaria de Segurança Pública está
fazendo um bom trabalho, a Polícia Militar está fazendo um bom trabalho. Não
será em dois meses que vamos resolver todos os problemas.
Se os bandidos estão desesperados e fazendo retaliação, e estão fazendo, isso
ocorre porque estão sendo incomodados de alguma forma, pois já não existem mais
determinados acordos. Portanto, venho prestar a minha solidariedade ao Coronel
Ubiratan e a toda a Secretaria de Segurança Pública por estarem fazendo um bom
trabalho, por não estarem se sujeitando a determinados acordos que eram feitos
em governos passados.
Peço às pessoas que ficam criticando sem embasamento que reflitam um pouco sobre
isso e que dêem um pouco mais de tempo para que possamos ver os resultados
acontecerem.
Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço o aparte de V. Exa., mas registro que se havia
acordo na fase anterior, este não perpassava pelo comandante-geral da Polícia
Militar da época. Talvez fosse um acordo que viesse muito mais de cima, não do
âmbito do chefe de polícia ou do comandante da Polícia Militar. Compreendo o
propósito de V. Exa., Sr. Deputado, e sei que não foi sua intenção alcançar os
dirigentes anteriores.
Para concluir, Sra. Presidente, lembro que na medida em que as forças policiais
vão sendo desacreditadas; na medida em que aqueles que controlam os meios de
comunicação procuram dirigir o aparato policial; na medida em que tentam levar a
população a acreditar em algo que não é verdadeiro, acabam fragilizando o
princípio da autoridade e aí incentivam, estimulam esse tipo de prática que vem
ceifando a vida de muitos policiais, o que é lamentável.
Sou oriundo dos quadros da Polícia Militar e tomo conhecimento disso porque as
famílias me procuram, com um sofrimento igualmente grande. As mães dos policiais
militares, seus irmãos, seus pais, sofrem e muito; sofrem tanto quanto a sofrida
mãe da criança João Hélio, que sofreu algo assim de uma barbárie, de uma
atrocidade sem precedentes.
Para aqueles que defendem os direitos humanos, e eu integro a Comissão de Defesa
dos Direitos Humanos e Cidadania, estamos tendo a oportunidade agora de uma
reunião lá no Auditório Nelson Carneiro. Vou para lá agora, mas quero dizer que
é preciso que a sociedade seja alertada para as manipulações do verdadeiro crime
organizado, manipulações patrocinadas por alguns meios de comunicação, os
maiores principalmente.
Se a sociedade compreender, seguramente não mais será manipulada como também irá
se mobilizar. E aí sim, poderá cobrar um modelo de segurança pública que faça
com que o Estado cumpra com seu dever e que os profissionais da segurança
pública possam, nas horas de folga, se dedicar ao lazer e também às suas
famílias.
TOPO
08/03/2007- Expediente Final
Discurso - Paulo Ramos - Apoio aos servidores da Saúde e manifesto ao caos
do Iaserj.
Saudação pelo Dia Internacional da Mulher.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, não tive a oportunidade de
estar aqui no plenário não só durante o Expediente Inicial como também no
Expediente deliberativo. É claro que sabíamos que as matérias que seriam
apreciadas na Ordem do Dia são matérias praticamente consensuais e, juntamente
com os membros da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa - Deputado Márcio Panisset, que preside a Comissão de Saúde; Deputado Dr. Alcides Rolim, membro da
Comissão; Deputado Audir Santana, também membro da Comissão, os três médicos -
eu e o Deputado Jodenir Soares fizemos uma visita de inspeção ou de
reconhecimento, em relação ao que vem acontecendo no Iaserj, que tem revoltado
muitos servidores públicos e que tem levado à indignação os servidores que lá
trabalham.
Não tive a oportunidade de estar aqui para ouvir e para também saudar – não vou
me atrever a saudar todas as mulheres, mas saudar, pelo menos, as nossas
servidoras, as deputadas e aquelas que aqui, no Poder Legislativo, dão talvez um
sentido maior aos nossos trabalhos, e dão um sentido maior não apenas pela
proficiência, pela dedicação, mas também pela beleza.
O Khalil Gibran, o maior pensador do deserto, cunhou uma frase em que dizia
assim: “A verdade está nas mãos do homem que trabalha e a beleza está no coração
da mulher amada”.
Eu posso me proclamar aqui um apaixonado pelas mulheres, mas no sentido do
reconhecimento, do reconhecimento de tudo aquilo que a mulher representa, porque
a mulher, dotada talvez de mais sensibilidade, dá um sentido maior à própria
vida. Ela não gera apenas a vida, dá um sentido maior à nossa existência. Então,
já que não estive aqui para ouvir, só tive a oportunidade de ouvir o Deputado
Gilberto Palmares e o Deputado Roberto Dinamite, aproveito a oportunidade de
agradecer às nossas servidoras, às servidoras do Poder Legislativo, pelo fato
delas tornarem suportável o exercício do mandato.
Gibran Khalil Gibran, agora que me lembrei da frase com exatidão, disse: “A
beleza está no coração da mulher amada e a verdade está nas mãos do homem que
trabalha.” Acredito que a verdade também esteja no coração das mulheres, não
apenas nas mãos do homem que trabalha.
Eu me embaracei no improviso, quis fazer a citação e não me lembrei direito, mas
durante, talvez, eu que já carrego aquele velho estatuto no bolso, às vezes sou
traído pela memória.
Sr. Presidente, é para cumprimentar todas as mulheres. Esse é um dia importante.
É importante registrar não apenas o sofrimento das mulheres, mas também a
felicidade delas. As mulheres não devem ser marcadas ou lembradas unicamente
pelo infortúnio, mas também pela alegria, por tudo aquilo que as elas realizam
no dia-a-dia.
É claro que o Dia da Mulher coincide com a vinda do Presidente dos Estados
Unidos ao Brasil. Em nosso Estado, também, além de muitas homenagens às
mulheres, temos constatado muitas manifestações de repúdio, não à presença de um
Chefe de Estado, mas por aquilo que o Presidente dos Estados Unidos representa
de mal para a Humanidade.
Temos todos que rejeitar a tentativa de, por meio da chamada Tríplice Fronteira,
trazer para o Brasil um antagonismo, um conflito que aqui não se verifica. Não
podemos aceitar, em nenhum momento, qualquer insinuação de que através da
Tríplice Fronteira haja financiamento ao terrorismo, até porque os países que a
integram têm possibilidades e mecanismos de investigar, de reprimir. Não
precisamos e não devemos aceitar qualquer manifestação que venha do principal
país terrorista do mundo, os Estados Unidos.
Temos nossas dificuldades, nossos conflitos sociais, mas não podemos de forma
alguma deixar-nos envolver nesse tipo de manipulação, porque eles mentem, forjam
fatos, são movidos única e exclusivamente pelos seus próprios interesses.
Concedo o aparte ao Sr. Deputado Dr. Alcides Rolim.
O DR. ALCIDES ROLIM – Sr. Deputado Paulo Ramos, agradeço a concessão do aparte.
Também agradeci a presença dessas nossas mulheres do Estado do Rio de Janeiro.
Falar que o dia 8 de março representa o Dia Internacional da Mulher e lembrar
que elas são presentes o ano todo, a vida toda. Sabemos que, sem a mulher, o
mundo não funcionaria nunca, não só pela maternidade, mas porque elas
abrilhantam e embelezam o dia-a-dia da vida na Terra.
Agradeço por elas existirem, a todas as funcionárias, às nossas assessoras, às
deputadas, às nossas mulheres, às mulheres do Brasil que, com certeza, são a
mola mestra do Brasil.
Dizer também, Sr. Deputado, que estivemos hoje no Iaserj. Vamos conversar
posteriormente sobre, falar do sucateamento daquele grande hospital que já foi
referência nacional.
Lembrar também que a vinda do presidente dos Estados Unidos ao Brasil é
importante. Temos ciência disso porque um país imperialista que diz empregar
democracia - mas não vemos nada disso - é responsável por uma grande mortandade
no mundo. Principalmente a mortandade de muitas mulheres, pois ele bombardeia os
países da maneira que acha melhor, destrói vidas, incluindo crianças; destrói a
humanidade e também é o responsável pela destruição do clima na Terra, pelo
efeito estufa, pelo efeito global.
Por quê? Uso de armas químicas, uso de gases tóxicos, uso da indústria poluente.
E agora eles estão querendo vir para o hemisfério sul, arrumando o pretexto de
que o continente, na fronteira, abriga uma célula terrorista. Não é verdade,
sabemos que não é verdade. Somos um hemisfério de paz, que tenta crescer neste
mundo dominado pelos Estados Unidos, que hoje tenta cercear ao máximo possível,
com suas taxações, seus embargos, o crescimento do nosso hemisfério.
Então, temos que estar atentos para isso e, é claro, lutar para que sejamos
independentes dos Estados Unidos. Estamos conseguindo crescer neste mundo
globalizado. Temos que ter parceria? Não tenha dúvidas de que temos que ter
parceria neste mundo global, mas não devemos perder a nossa identidade de país
independente.
Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Muito obrigado, Sr. Deputado Alcides Rolim. Eu simplifico
todo o nosso sentimento de rejeição às políticas desenvolvidas pelos sucessivos
governos americanos com a expressão que está nas ruas: “Fora Bush!”
Mas quero, Sr. Presidente, muito rapidamente dizer que visitamos o Iaserj,
acompanhados dos servidores que integram a direção da entidade representativa,
Afiaserj, e constatamos algo extremamente lamentável e preocupante: o Iaserj vem
sendo completamente desativado, unidades que poderiam, deveriam estar
funcionando para atender ao servidor público estão sendo desativadas;
equipamentos estão sendo desviados e levados não se sabe para onde.
O Dr. Jorge Moll, que é uma espécie de interventor, está praticando atos que,
com certeza a mais absoluta, não são do conhecimento do governador. O Governador
Sérgio Cabral emitiu um decreto determinando que no prazo de 60 dias fosse feito
um diagnóstico, uma avaliação sobre a situação do Iaserj; e não ter alguém na
direção o está desativando completamente, aniquilando todos os serviços que o
Iaserj vinha prestando.
O Deputado Márcio Panisset ainda vai reunir a comissão, mas a principal sugestão
que surgiu, além, naturalmente, da elaboração de um relatório sobre tudo o que a
comissão constatou, é fazer um esforço para que o Governador Sérgio Cabral lá
compareça. O Governador Sérgio Cabral tem sido tão diligente, tem comparecido a
unidades hospitalares, tem comparecido a unidades escolares; será
importantíssimo que ele lá compareça, para que, com os próprios olhos, constate
aquilo que constatamos, dentre outros aspectos verificados: berços para crianças
colocados no banheiro, na copa, para as crianças submetidas à cirurgia.
Desativa-se o centro cirúrgico pediátrico e se improvisa um centro cirúrgico,
ainda colocando berço no banheiro!
O Deputado Alcides Rolim, médico, como o Deputado Márcio Panisset, estão,
talvez, muito mais capacitados a expressar; o que eu posso dizer, o horror que
nós ali verificamos. E ainda há a retirada de equipamentos hospitalares, que
estão sendo levados não se sabe para onde!
Então, falei: deve ser uma rapinagem! Se o objetivo consiste em aniquilar de vez
o Iaserj para depois apresentar um plano de recuperação ambicioso, aí é jogar
dinheiro público no ralo!
Pois não, Deputado Alcides Rolim.
O SR. ALCIDES ROLIM – Fiquei muito triste com essa visita ao Iaserj. Primeiro,
porque é um hospital de referência nacional, um hospital que atende aos
servidores públicos e a seus familiares, um hospital que atende a população
indistintamente.
Sabemos, com certeza, que o Sr. Governador, imbuído de seu espírito social, não
tem ciência do que está acontecendo no Iaserj. Um hospital de tamanha
envergadura, que tem serviço de neurologia, urologia, cirurgia cardíaca,
cirurgia pediátrica, cirurgia por videolaparoscopia, UTI neonatal e outros
serviços de clínica médica, hoje, está sucateado. Se o hospital tem um
administrador, o Sr. Jorge Moll, ele tem que fazer um diagnóstico da situação do
hospital, para tentar uma recuperação. Hoje, quando lá chegamos, a Comissão de
Saúde, o Sr. Deputado Paulo Ramos, o Sr. Deputado Audir Santana, o Sr. Deputado
Márcio Panisset, o Sr. Deputado Jodenir Soares e eu, vimos que o propósito desse
interventor não é fazer um diagnóstico das necessidades do Iaserj, mas uma
destruição do Iaserj.
Vimos hoje equipamentos caríssimos, cotados em dólares, como o aparelho de
videolaparoscopia, carro de anestesia e o arco em C. Muitos hospitais que
praticam a cirurgia ortopédica ficam querendo esses aparelhos, mas eles são tão
caros, que não conseguem para melhorar o atendimento médico. Vimos esses
aparelhos jogados nas salas, abandonados, sendo destruídos. Por que esse
sucateamento, a transferência desse material, que não sabemos por quem está
sendo feita e para onde está sendo deslocado? Uma unidade que é referência
nacional, uma unidade que representa a identidade da Saúde do Estado, hoje, está
sendo vilipendiada. Isso é um absurdo.
Com certeza, depois da reunião da Comissão de Saúde, nós, deputados, esperamos
sensibilizar o Sr. Governador a fazer uma visita ao Iaserj. A população, como
sempre falo, merece o respeito do Poder Público.
Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Obrigado, Sr. Deputado Dr. Alcides Rolim.
Sr. Presidente, concluo manifestando minha solidariedade aos servidores públicos
de um modo geral e, em especial, aos servidores que lá no Iaserj resistem à
agonia de um Instituto que, como disse o Sr. Deputado Dr. Alcides Rolim, já foi
uma referência.
Como na próxima segunda-feira, às 19 horas, o Sr. Governador Sérgio Cabral vai
receber uma ampla representação de servidores públicos para tratar
principalmente da questão da Emenda Constitucional que busca romper com o regime
jurídico único, temos certeza, também, de que o Sr. Governador vai se
sensibilizar em relação a essa preocupação dos servidores. Então, na própria
segunda-feira, acredito que S. Exa. possa ser cientificado do que vem
acontecendo no Iaserj e, com presteza, há de marcar uma visita àquela
Instituição, para frear algo que compromete. Não compromete o Governo, mas
compromete a consciência de qualquer um.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Roberto Dinamite) – Com certeza, o Sr. Governador, que é uma
pessoa sensível e tem o desejo de melhorar a Saúde em nosso Estado, não vai
deixar o Iaserj de lado.
TOPO
06/03/2007- Expediente Final
Discurso - PAULO RAMOS - "Fora Bush!" - A farsa da democracia americana.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Sr. Deputado Luiz
Paulo tratou do aquecimento global da Terra e se preocupou, por motivos óbvios,
de cuidar da poluição que tem vindo da China.
Entretanto, mesmo estando com aproximadamente 1,6 bilhão de habitantes, mesmo
assim, com esse processo de desenvolvimento acelerado, a China não consegue
contribuir para o aquecimento global da Terra com um percentual sequer razoável
em relação ao que é feito pelos Estados Unidos. Os Estados Unidos ainda são os
maiores poluidores e, imperialistas que são, se recusam a assinar o chamado
Tratado de Kioto, que prevê a redução da emissão de gases poluentes, porque são
consumidores. O povo americano não quer abrir mão dos privilégios conquistados.
Na quinta-feira e na sexta-feira estará no Brasil o Sr. Presidente Bush. Vem
aqui sabem para quê? Para falar em democracia, mas uma democracia de fachada;
vem para tentar impor ao governo brasileiro os interesses americanos. Mas falar
em democracia como? Nos Estados Unidos, muitos sabem, ou todos sabem, o voto não
é obrigatório e o percentual de participação nas eleições americanas não chega a
40%. Significa que o presidente da maior potência do mundo é eleito por pouco
mais de 20% dos eleitores.
O que ele deixa de dizer é que estão se revezando no poder dos Estados Unidos
dois partidos políticos que são patrocinados pelas mesmas corporações, com
diferenças muito pequenas: democratas e republicanos, não há diferença. Como não
há diferença e há aquela tendência à preservação dos privilégios, os
privilegiados não comparecem para votar. Comparecem para votar aqueles que estão
querendo ser incluídos, os latinos, por exemplo. Entretanto, a manifestação da
vontade é frustrada na medida em que ambos os partidos representam o mesmo
modelo capitalista. Então, a parcela que vota na expectativa de experimentar
mudanças não vê mudança alguma.
Como o Sr. Presidente Bush estará no Brasil na quinta-feira e na sexta-feira, é
preciso, desde já, denunciar a farsa da democracia americana. Apropriaram-se de
um discurso sobre a liberdade que não envolve nada de liberdade; o objetivo é a
imposição dos interesses americanos. Pior, vem para cá para dizer – o Jornal O
Globo de hoje traz uma entrevista com o embaixador americano – que na tríplice
fronteira, Brasil, Argentina e Paraguai, há focos de financiamentos do
terrorismo no mundo, da Al Qaeda, quando todos nós sabemos que os bancos
americanos são as maiores lavanderias existentes no mundo, e mesmo assim eles
ainda patrocinam inúmeros paraísos fiscais.
Aqui no Brasil – é fácil verificar isso, Sr. Presidente, basta pegar o
noticiário –, muitas notícias envolvendo fraudes financeiras, muitas envolvendo
remessas ilegais passam pelo Citibank e por bancos menores que são criados
exatamente com o objetivo de patrocinar a lavagem de dinheiro, a remessa ilegal.
Aliás, tem remessa ilegal através de um dispositivo antigo: a Carta Circular nº
05, do Banco Central.
Então, o presidente dos Estados Unidos vem aqui tentar levar o Governo Lula a um
contraponto com o Presidente Hugo Chávez da Venezuela, ou Presidente Nestor
Kirchner da Argentina, ou da Bolívia, Evo Moralez. Não vai conseguir, porque
embora o Presidente Lula para efeitos internos seja liberal, ele tem pelo menos
manifestado a compreensão de que há de se respeitar a autodeterminação dos
povos.
Então, o povo boliviano, o povo venezuelano, o povo equatoriano, o povo
argentino, o povo uruguaio, cada um tem a capacidade de autodeterminar-se,
sofrer qualquer intervenção que venha de fora para dentro.
Concedo o aparte ao Deputado Dr. Alcides Rolim. Por favor.
O SR. DR. ALCIDES ROLIM – Obrigado, Deputado. É importante essa questão da
tríplice fronteira na nossa região da América do Sul. É que o americano sempre
quer arranjar um pretexto para colocar uma base em algum lugar.
Tentou isso aí no Paraguai e colocou no Paraguai uma base americana. O objetivo
é aquele de que nós estamos falando, em relação até ao domínio de novas fontes
de riqueza, o que tem muito na América Latina: água, florestas, minérios etc. Na
América Latina infelizmente não temos muitos recursos econômicos nem tecnologia
para proceder convenientemente a essas explorações e a elas agregar valor. O
Brasil ainda cresceu um pouquinho mais, mas não temos condições de manter o meio
ambiente intacto. Os americanos já exploraram tudo o que podiam, os Estados
Unidos destruíram já as suas florestas e agora querem vir em direção à América
do Sul. Temos de estar de olho nisso, porque os americanos nunca pensaram no
nosso bem estar ou no dos outros. Eles pensam sempre no bem estar imperialista
deles próprios.
O SR. PAULO RAMOS – É verdade. Eles não vêm aqui com nenhum propósito
preservacionista. Vêm aqui exatamente para explorar e destruir o que já fizeram
no próprio país.
Para concluir, recuperando o ímpeto da juventude que ainda conservo, eu pretendo
me incorporar às manifestações populares que vão acontecer aqui no Rio de
Janeiro e gritar com a juventude: “Fora Bush!”
Obrigado, Sr. Presidente.
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