|
22/11/2007
- Expediente Inicial
Discurso - PAULO RAMOS - Desrespeito aos torcedores do Flamengo
Política de Segurança Pública
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, aproveitando que
deixou a tribuna o Sr. Deputado Roberto Dinamite, um vascaíno sem qualquer
preocupação com os conflitos existentes entre as torcidas do Vasco da Gama e do
Flamengo, quero manifestar minha solidariedade à torcida do Flamengo. Que
absurdo cometido contra aqueles que foram seduzidos por um projeto de compra de
ingressos através da troca da lata de leite Nestlé!
Olhe o flagrante desrespeito, Sr. Deputado Mário Marques –também ligado ao
esporte – olhe o absurdo: atraem a torcida, através de propagandas veiculadas em
todos os meios de comunicação, e, depois, alegam que não dispunham dos
ingressos!
E por que não cuidaram de avisar previamente – pelo menos na parte da manhã –
utilizando-se dos meios de comunicação? Poderiam ter desmobilizado a torcida.
Depois, a situação se torna um problema policial. O oficial da Polícia Militar –
cujo nome não me lembro e que lá estava para tentar organizar e promover a paz –
fez um desabafo: “vem uma empresa, patrocina o interesse de um clube para
propaganda e, agora, nós estamos aqui para segurar as conseqüências!”
Fiquei feliz com a iniciativa do Ministério Público, pois esse episódio não pode
ficar esquecido e alguém há de ser responsabilizado por isso, para que não mais
ocorra com qualquer outra torcida!
Muito se fala em “violência das torcidas”. Essa foi uma violência grave contra a
torcida!
Se as torcidas vão ser investigadas e seus chefes, por vezes, vão ser
perseguidos criminalmente, por que não fazer o mesmo com os que patrocinaram
essa indignidade?
Então, quero aqui dizer de meu respeito – botafoguense que sou – a todas as
torcidas e, neste caso específico, à torcida do Flamengo.
O SR. ROBERTO DINAMITE – V. Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte ao Sr. Deputado Roberto Dinamite.
O SR. ROBERTO DINAMITE – Sr. Deputado Paulo Ramos, quero deixar registrado que
em toda partida no Maracanã há um responsável, um mandante.
O mandante é o responsável direto pela venda e troca de ingressos e não a Suderj,
que fica ali à disposição desde o momento em que os representantes dos clubes
autorizem ou ali coloquem quem venda ou troque ingressos.
Então, quero deixar claro que a responsabilidade, no caso, é do clube mandante –
também quanto ao patrocínio, quanto às latinhas e quanto à distribuição dos
ingressos.
Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – De qualquer forma, o Ministério Público está tomando a
competente iniciativa para responsabilizar aqueles que perpetraram essa
indignidade contra a torcida do Flamengo.
Mas inicialmente, Sr. Presidente, abordei esse tema somente para prestar uma
homenagem ao Sr. Deputado Roberto Dinamite, que, da tribuna, tratava dos
programas a que chamamos “de massificação da prática esportiva” – não para a
busca de excelência, mas sim como alvo de integração, de promoção da Saúde.
Mas minha vinda aqui tinha o único objetivo, qual seja, o de manifestar mais uma
vez minha solidariedade à família policial – em especial à família policial
militar.
Vemos a situação de “insegurança pública” experimentada pela população do Estado
do Rio de Janeiro e temos condenado aqui a política de Segurança Pública. A
responsabilidade é do Governo!
E é preciso dizer, Sr. Presidente, em alto e bom som, que esta Casa criou uma
Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as causas das mortes dos
policiais: são muitos os que são assassinados por ano!
E esta Casa aprovou um relatório que condena a política de Segurança Pública do
Governo – baseada no confronto - e que fez com que o Rio de Janeiro se
transformasse na unidade da federação onde a polícia mais mata e também, de
forma assustadora, onde é maior o número de policiais assassinados!
O confronto está estabelecido e a visão bélica mantida. Já não é mais o controle
da criminalidade, mas a eliminação de quem foi previamente selecionado para ser
considerado criminoso.
E qualquer policial que é assassinado imediatamente vira suspeito da prática de
algum crime.
Venho a esta tribuna dizer que a política de Segurança Pública levada a efeito
no Estado do Rio de Janeiro está sendo responsável por toda essa insegurança que
vive a população. As vítimas são conhecidas: as vítimas da ação policial e os
próprios policiais que vão sendo assassinados, sem qualquer direito a defesa, e
ainda sendo confundidos com aqueles que praticam os delitos.
Quero lembrar que o Plenário aprovou o relatório da Comissão Parlamentar de
Inquérito que investigou as mortes de policiais. E o relatório, reitero, condena
de forma clara a política de Segurança Pública baseada na visão militar do
confronto, da eliminação do inimigo. Os inimigos estão se enfrentando. Em ambos
os lados eles estão morrendo, mas o Governador do Estado seguramente nunca
sentará no banco dos réus.
TOPO
14/11/2007 - Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Estado não garante os direitos fundamentais
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sras. e Srs. Deputados aprendi, há muitos anos, que três
eram as necessidades fundamentais de qualquer pessoa: alimentação, habitação e
vestuário. Aqui no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, temos constatado que
os três direitos fundamentais ainda não contemplam todos os cidadãos. Ainda
encontramos vários recantos do nosso Estado, onde impera a fome, o processo de favelização ainda é muito grande e o direito à habitação vem se confundindo com
a casa própria.
E se as pessoas não têm renda, como terão a casa própria? Então, o direito à
habitação fica também subordinado a um padrão de renda que possibilite a compra,
porque não há política pública voltada para a construção de habitações dignas de
forma a contemplar o direito à moradia.
Vi, agora, algo interessante, um novo projeto, que será implementado em
homenagem, inicialmente, à população da Rocinha. Eles querem reduzir o número de
habitações na Rocinha. Então desenvolveram um projeto para a construção de
habitações em Campo Grande. A distância entre a Rocinha e Campo Grande é muito
grande. E, cada imóvel vai custar R$ 29 mil. É uma situação extremamente
dramática, pois quem é que vai ter renda estando desvalido, subempregado ou
recebendo no máximo dois salários mínimos, quem vai ter a oportunidade de
comprar uma casa de R$ 29 mil?
Então, não há política pública voltada para a construção com a perspectiva do
direito à moradia. E o vestuário? Basta passar em diversos pontos da cidade para
constatar que muitas pessoas estão trajando restos de indumentárias. As pessoas
expressam as dificuldades enfrentadas não apenas na fisionomia, mas também no
traje.
E aí, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, retornando à questão da habitação
como direito, eu incorporo um outro aspecto, mormente considerando o exemplo que
aqui citei, da tentativa de transferir as pessoas da Rocinha para Campo Grande
na compra de uma casa própria – na compra - e o preço: 29 mil reais.
Quanto à questão dos transportes, se existe algo desorganizado no nosso Estado é
o transporte de massa. V. Exa., Deputado Gilberto Palmares, tem se dedicado à
questão das barcas, naturalmente que além de outras modalidades, mas tem
procurado demonstrar que o sistema de barcas - atendendo à população de Niterói,
da Ilha do Governador e de Paquetá - não alcançou o grau de excelência anunciado
quando da época da privatização. Aliás, submetendo até a muitos riscos a
população, já que os acidentes são freqüentes. A população de Paquetá paga uma
passagem cara e só dispõe daquele meio de transporte.
Estamos aí com a questão da SuperVia, que não consegue ampliar o número de
plataformas. A população cresceu, outros núcleos urbanos surgiram, e as pessoas
têm que caminhar, às vezes, trechos longos para ter acesso ao trem. Com relação
à Central e à Riotrilhos, o governo do Estado agora também quer privatizar. Ele
não quer recuperar os ramais com o objetivo de oferecer um bom serviço à
população e até estabelecer uma competição entre aquilo que é público e privado,
um modelo de gestão pública eficiente. Não, ele quer praticamente demitir os
trabalhadores. Trata-se do Programa de Demissão Incentivada. Vem fazendo isto em
12 empresas, tais como o Caserj, Cehab, Emater, - já está aí – Codim. São
muitas, são muitas.
E há outras modalidades. O transporte ferroviário que deveria ser prioritário,
fica também num plano secundário, até as questões ligadas ao Metrô.
O SR. PRESIDENTE (Gilberto Palmares) – A linha 2, do Estácio à Carioca, um
pequeno trecho...
O SR. PAULO RAMOS – Pequeno trecho.
O SR. PRESIDENTE (Gilberto Palmares) - ...que permitiria atender à população da
Baixada, não é concluído.
O SR. PAULO RAMOS – Estive no Sindicato dos Metroviários aqui, na Avenida Rio
Branco, e vi que está lá a maquete pronta, demonstrando, claramente, que com um
investimento menor o governo pode resolver um grande problema, fazendo essa
ligação Estácio-Carioca. Mas tudo aquilo que representa um investimento pequeno,
talvez não seja de interesse do governo.
Mas aí vem o transporte rodoviário que, aliás, tem sido o principal meio de
transporte, e surge uma disputa entre o transporte por ônibus e o transporte
alternativo. E aí, Sr. Presidente, para concluir, eu digo: há uma clara aliança,
claríssima aliança, feita pelo governo do Estado com a Fetranspor, porque foi a
Fetranspor que aparelhou o Detro, informatizando - ônibus informatizados - e o
Detro, sem qualquer estrutura, está exercendo uma espécie de perseguição, a mais
cruel, especialmente ao transporte alternativo, fazendo convênios com
municípios, ainda atraindo a participação da Polícia Militar, colocando
barreiras e operações policiais em diversos pontos do Estado e do município, com
o objetivo exatamente de aniquilar o transporte alternativo. E aí verificamos
que S. Exa. o Governador do Estado se transformou numa espécie de
garoto-propaganda da própria Fetranspor, porque a Fetranspor tem colocado em
vários jornais informes publicitários sobre seus programas. E quem aparece lá,
fazendo a propaganda dos interesses da Fetranspor? Exatamente, o Governador do
Estado.
É claro que a população não sabe que se trata de informe publicitário, mas é
preciso dizer! A população tem que saber que ela está diante de uma matéria paga
pela Fetranspor e que ostenta lá a figura do governador, como se o transporte
rodoviário, através de ônibus, estivesse alcançando algum grau de excelência em
nosso Estado. Sabemos do descaso com a população. Sabemos do tratamento cruel
dispensado pelos patrões aos rodoviários; da questão dos micrões, eliminando a
figura do cobrador; dos acidentes causados, das doenças profissionais! E o
governador do Estado aparece lá como garoto-propaganda.
De qualquer maneira, Sr. Presidente, dentre as necessidades fundamentais, a
habitação é uma delas, mas se não houver também o equacionamento do transporte
de massa, seguramente morar no Estado do Rio de Janeiro, em especial nos pontos
mais distantes, será sempre um suplício adicional.
Muito obrigado.
TOPO
08/11/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Governo Sérgio Cabral: cópia negativa de governos
anteriores.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, venho a esta Tribuna para tratar de um tema
sobre o qual, ontem, tive a oportunidade de falar em dois momentos, com a
presença do Sr. Deputado Flávio Bolsonaro, primeiro em aparte ao discurso de S.Exa,
e, depois quando da apreciação de um veto aposto, pelo Governador Sérgio Cabral,
a um Projeto de Lei, de autoria do Sr. Deputado Flávio Bolsonaro que concedia,
de forma justa, alguns benefícios, que já usufruem os policiais militares da
ativa, aos policiais militares inativos,
Mas o tema, Sr. Presidente, é relativo à matéria que eu considero a mais
espetaculosa dos últimos dias: a situação dos policiais militares do 15o
Batalhão, que foram presos em decorrência de uma investigação feita pelo
Delegado André Drumond, sendo a acusação o possível envolvimento a um traficante
de entorpecente.
Mas volto a esta Tribuna, porque tudo aquilo que faz parte do nosso
convencimento, a cada dia vai se robustecendo. Em primeiro lugar, quero
registrar que o Governo Sérgio Cabral tem inúmeros pontos de contato - é uma
espécie de sucedâneo do Governo Marcello Alencar - incorporando, obviamente,
tudo aquilo de negativo que houve no período Garotinho-Benedita e depois
Rosinha-Garotinho.
É algo, assim, tão surpreendente, porque imaginávamos que o Governo Sérgio
Cabral fosse pelo menos inovar em alguma coisa, mas não. Na área da Saúde,
enquanto o Governador Marcello Alencar tentou administrar os hospitais, através
de cooperativas, pretende agora, com algo assemelhado, administrar os hospitais,
através de fundações.
Na área da Educação - está aqui o Sr. Deputado Comte Bittencourt, que preside a
Comissão de Educação – tem se aprofundado, a cada dia, a tragédia vivida pelos
profissionais da educação, mas, em especial, a tragédia vivida por todas as
famílias, que têm seus filhos nas escolas públicas do nosso Estado.
Na área de Segurança Pública é algo evidente. O Governador Sérgio Cabral assume
duas posturas verificadas também no Governo Marcello Alencar. Primeiro, assume
com clareza a política do extermínio - e tenta se apresentar como moralizador
das instituições policiais, e o faz com total incompetência, na medida em que
sequer se manifesta com a necessária serenidade.
Não tem serenidade o Governador do Estado. Ele tenta, falsamente, demonstrar
indignação. O Governador Sérgio Cabral perdeu a capacidade de se indignar. Ele
governa voltado, certamente, para qualquer outro objetivo, menos o interesse
público. Aliás, quando candidato assumiu compromisso, por escrito, com todas as
categorias de servidores públicos - saúde, educação e segurança - e não vem
cumprindo com nenhum.
Sr. Presidente, vou tratar com muita objetividade a questão que envolve os
policiais de Caxias.
Em primeiro lugar, a partir de algo extremamente surpreendente de que tomamos
conhecimento através do Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Murta
Ribeiro, que nos disse, na presença de dois juízes – estava eu com o Sr.
Deputado Flávio Bolsonaro – disse que para os policiais militares, para os
policiais civis, para policiais de um modo geral, não prevalecia a presunção da
inocência, mesmo sendo um dispositivo constante da Declaração Universal dos
Direitos Humanos e também da nossa Constituição Federal. Disse ele que o
interesse público estaria acima dessa presunção de inocência para os policiais.
Poderia eu citar inúmeros casos, mas, pegando única e exclusivamente o caso dos
policiais militares de Caxias, é possível constatar que a afirmação feita pelo
Presidente do Tribunal de Justiça é verdadeira, é isto mesmo: para os policiais
militares e para os policiais civis, não há a presunção da inocência. Ao
contrário, há a presunção da culpa e, a partir daí, em relação a esses
profissionais da segurança pública, não há necessidade do fazimento da prova.
Basta qualquer suspeição, basta a existência de um mínimo indício, para que a
conclusão seja imediata: é culpado.
Lamentavelmente, no caso de Caxias, tudo surgiu a partir da ação de um delegado
de polícia, um delegado de Polícia que sequer se lembra em que ano ingressou na
Polícia Civil. Não sabe. Só sabe ele que fez o curso para ser preparado para a
investigação policial, em sendo advogado, um curso de três meses. Não sei nem se
aprendeu a atirar, mas não deve ter aprendido nada. A forma como ele conduziu a
investigação desse escabroso caso do 15º Batalhão demonstra isto. Demonstra
claramente, tendo em vista os desdobramentos, que, em relação aos policiais
militares, ele não se preocupou em caracterizar o procedimento criminoso.
Em um só dia o delegado ouviu duas supostas testemunhas, que receberam o
oferecimento da delação premiada para entrar no programa de proteção a
testemunhas. Traficantes de entorpecentes assumidas que eram, numa sexta-feira,
já na parte vespertina, as duas reconheceram, por fotografias encaminhadas pela
Polícia Militar, naquele mesmo dia, 59 policiais militares – uma reconheceu 12 e
a outra reconheceu 47. O reconhecimento terminou a uma hora da manhã. E no dia
seguinte, um juiz de plantão, com base nesse arremedo de investigação e de
reconhecimento, decretou a prisão dos 59.
Segundo eles, a investigação já vinha sendo feita há mais tempo e eles tinham
gravações de tratativas relativas ao pagamento de propina, para que não houvesse
a ação policial naquele logradouro. Veio aqui, Sr. Deputado Comte Bittencourt, o
ex-comandante do batalhão, o comandante que foi substituído e disse que sob seu
comando, principalmente naquela área, os resultados da ação policial são os
resultados mais expressivos, comparativamente com todas as unidades da Polícia
Militar. E disse mais: nas áreas envolvidas há dois destacamentos da PM e uma
delegacia de polícia.
Um minuto só, Sr. Deputado Alcides Rolim, quero conduzir este raciocínio, Sr.
Deputado Comte Bittencourt, para que haja uma compreensão de como as coisas
aconteceram.
Aí, com base nessas gravações e com o reconhecimento - se é que foi
reconhecimento, pois as fotografias às vezes não são atualizadas. Não sei como
pode ter sido feito esse reconhecimento num período de três, quatro horas. Mas o
delegado dispunha das gravações e, de acordo com a escala de serviço das
gravações feitas, arrolou todos os que estavam de serviço naqueles dias. Todos!
As mulheres chamadas a fazer o reconhecimento foram alvos da ação policial.
Anteriormente, chegaram a ser presas, em função da ação dos próprios policiais.
Indagadas se era possível terem agido em relação a vários deles por vingança,
responderam: “É possível, sim”.
O delegado não cuidou, dispondo das gravações, de proceder à perícia em relação
às vozes para saber a quem pertenciam, quem estava tratando com os traficantes o
pagamento de propina. Não cuidou.
Mas os policiais militares foram presos por uma decisão judicial com o
patrocínio do Ministério Público, que encaminhou mediando, por dever de ofício e
também por esposar o mesmo pensamento: aos policiais militares não pode ser
conferida a presunção da inocência. E o juiz decretou.
A prisão foi alvo de um grande espetáculo na mídia, em todos os jornais e em
todas as emissoras de televisão. Foram expostos os policiais militares presos de
uma forma esdrúxula e arbitrária, mesmo seguindo os preceitos supostamente
legais.
Houve um jornal, Jornal Extra, que divulgou as fotografias como se fosse uma
galeria. A galeria dos policiais militares do 15º Batalhão envolvidos no tráfico
de entorpecentes. Todos têm família, filhos, e são todos policiais.
Naturalmente, o Governador e o Secretário de Segurança vieram a público para
manifestar seu apoio àquela ação. Afinal de contas, eles defendem o extermínio,
mas são moralizadores. Vieram a público dizer: “É uma ação moralizadora da
polícia. Estamos saneando os quadros da polícia. Estamos eliminando a banda
podre, separando o joio do trigo”. São essas as expressões usadas.
Aquele espetáculo todo, certamente, conseguiu convencer a opinião pública. O
tempo passou; quase dois meses. E, em função da inexistência de provas e da
impossibilidade de caracterizar o procedimento de cada um na ação denunciada, o
juiz não teve alternativa: estava diante da inexistência de provas;
impossibilitado de atribuir a cada um o procedimento criminoso.
Em relação a 43 policiais, ainda permanecem 30. Seguramente dentre os 30,
quantos ainda são inocentes? Não sei. A investigação é mal feita. A investigação
não existiu, e aí, os policiais militares foram colocados em liberdade.
Obviamente, tinham de manifestar alguma forma de euforia e extravazamento dos
sentimentos acumulados, do sofrimento daqueles que são alvos de injustiças. É
natural tal atitude.
Neste caso, não: o advogado afirma que descobriu uma brecha na lei. Ao dizer
isso, ele não teve tempo de explicar qual teria sido a brecha, qual seja, o
Ministério Público denunciou sem caracterizar o procedimento de cada um. Dessa
forma, ficou impossível ao juiz saber qual teria sido a participação de cada um
dos 43 policiais no fato criminoso. S. Exa. não teve outra alternativa senão
libertar os policiais.
E aí, vem o Sr. Governador indignado - fiquei feliz de ver S. Exa. indignado.
Imagino, então, que vai ser capaz de se indignar em relação a outras coisas - o
salário dos policiais, a situação das viaturas, a situação do fardamento - que
fosse capaz de manifestar indignação por algo justo. Mas ali era um completo
jogo de cena. O fato de o advogado ter dito que pegou uma brecha na lei. Ele
estava denunciando que, além do delegado que fez a investigação, o representante
do Ministério Público não cuidou e nem pode cuidar porque as provas não existem.
E aí o que me surpreendeu foi a manifestação do Procurador Geral de Justiça, Dr.
Marfan Vieira. Poderia se manifestar com a serenidade que o cargo impõe. Não.
Vamos encontrar uma forma, como se o Ministério Público tivesse sido apanhado, e
foi, numa manifestação de incompetência de alguns dos seus, ou de pelo menos um
ou outro dos seus representantes. Mas por quê? Porque prevalece a presunção da
culpa para os policiais militares, não prevalece a presunção da inocência. E
agora temos esse quadro todo.
Não sei qual vai ser o desfecho, não se pode saber. Um meio de comunicação, o
Sistema Globo, procura buscar outros descaminhos: os carros nos quais eles
saíram, isso e aquilo. Na verdade eles se distanciam da preocupação com o fato,
eles querem encontrar outros fatos.
Sr. Presidente, venho à tribuna para dizer que ninguém em sã consciência pode
tentar acobertar desvios de conduta, especialmente em relação aos profissionais
da Segurança Pública. Tem que haver um comportamento correto, um comportamento
ilibado, é uma exigência básica. Entretanto, não podemos aceitar que sejam
culpados até uma prova em contrário. É isso que está vigorando.
Convivemos com os familiares, vemos o desespero. Ao fazer as visitas tem assim:
“No cárcere e não me visitaste, no cárcere visitamos.” Para conhecer o
sentimento, para conhecer a verdade. Mas aquilo que consta no processo não
possibilita manter os homens presos.
O SR. COMTE BITTENCOURT – V. Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte ao Sr. Deputado Comte Bittencourt.
O SR. COMTE BITTENCOURT – Sr. Deputado Paulo Pinheiro...
O SR. PAULO RAMOS – Obrigado pelo Paulo Pinheiro que é um grande companheiro
nosso e eu sinto saudades dele aqui.
O SR. COMTE BITTENCOURT – Desculpe, Sr. Deputado Paulo Ramos, é porque estive
com o Sr. Paulo Pinheiro há pouco.
Sr. Deputado Paulo Ramos, o meu aparte seria uma colaboração na primeira parte
da intervenção de V. Exa. Depois de dez meses do Governo Sérgio Cabral as
demonstrações começam a aparecer para a sociedade e a ciência, especial a
ciência médica hoje já muito aprofundada no tema do DNA humano, fica claro que o
DNA desse governo é exatamente igual ao DNA dos oito anos passados. A ciência
comprova. No palanque temos a ciência que não é a médica, com a palavra se diz
tudo. Mas quando vem para a biologia o DNA está muito claro e é exatamente o
mesmo.
Eu trago uma colaboração para o pronunciamento de V.Exa., veja o absurdo. Esta
Casa aprovou, no mês passado, um programa de demissão voluntária dos servidores
da Emater.
O Sr. Secretário de Planejamento, Sérgio Ruy Barbosa, tem dito sempre que vem a
esta Casa, que o grande problema do Estado é a despesa com o pessoal.
Numa audiência pública em 11 de outubro passado, realizada nesta Casa,
justificando uma mensagem do Programa de Demissão Voluntária da Emater, que
lembra governos passados, o que V. Exa. trouxe em seu pronunciamento - por isso
dou esta colaboração –, disse que a média de salários da Emater é de R$
4.000,00.
Veja bem, Sr. Deputado Paulo Ramos, a contradição desse Governo: o Presidente da
Emater ganha R$ 42.000,00! R$ 42.000,00 porque é um técnico do BNDES,
requisitado pelo Estado! E esse mesmo governo que critica a média de R$ 4.000,00
do servidor da Emater, reembolsa o BNDES em R$ 42.000,00 por mês, mais as
despesas dos encargos patronais – porque todos sabemos que o Banco do Brasil, o
BNDES, a Caixa Econômica Federal, não cedem servidores sem que o ônus fique com
o poder que os solicita.
Srs. Deputados, não vou discutir o salário do BNDES. Eu gostaria que todos os
servidores ganhassem R$ 20 mil ou R$ 40 mil por mês. Mas quantos empregadores,
Sr. Deputado Paulo Ramos, ganham R$ 40 mil reais? Não estou nem falando de
empresários, falo de empregadores, que pagam impostos, empregam, têm risco.
Esse cidadão ganha R$ 42 mil/mês em uma empresa onde o Estado implementa um
programa de demissão voluntária, alegando que os salários são altos, e ainda,
certeza absoluta, recebe o DAS do cargo de presidente!
Sr. Deputado Paulo Ramos, neste ano a Emater está destinando apenas R$ 10.000,00
para todos os seus escritórios de representação no interior do Estado, como
recurso para Custeio Operacional. Esse presidente custará ao Estado, neste ano,
mais de meio milhão de reais! Um único cidadão! E digo mais: o Sr. Hélio Cabral
– não sei se é parente – não tem formação na área. Ele é engenheiro de
Metalurgia, presidindo a Emater e ganhando R$ 42.000,00/mês.
Gostaria apenas de dar esta contribuição, com o intuito de demonstrar a V. Exa.
mais uma das contradições desse Governo, que tem discurso e prática
completamente diferentes. Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Deputado Comte Bittencourt, chegamos a fazer nesta Casa
duas audiências públicas com a presença do Sr. Presidente da Emater. O que está
acontecendo na Emater ocorre em outras onze empresas públicas: Caserj, Ceasa,
Cehab, Rio Trilhos, Central... O Governo Sérgio Cabral é a reprodução do Governo
Marcello Alencar, quando demonstra descompromisso com a coisa pública.
Temos que estabelecer esse vínculo porque, com relação à Cedae, ele pretende
colocar ações da empresa na Bolsa! Água será um objeto a ser negociado para o
lucro! E quer começar por Belford Roxo, entregando a distribuição da água ao
município, que vai contratar a Águas de Guariroba – uma empresa conhecida em
outras partes do mundo pelos golpes que vem dando!
O DR. ALCIDES ROLIM – V. Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte ao Sr. Deputado Dr. Alcides Rolim.
O DR. ALCIDES ROLIM – Sr. Deputado Paulo Ramos, obrigado pelo aparte.
Relembrando o início de suas palavras, digo que nossa Baixada Fluminense sofre
na Saúde, na Educação, mas na Segurança Pública está o maior grande problema.
Temos hoje em São João de Meriti uma casa de shows chamada Via Show – é próximo
à Dutra e ao Shopping Grande Rio – e lá muitos adolescentes estão sendo mortos
em conseqüência de brigas que ocorrem lá dentro!
Pessoas adentram a casa armadas – e não podemos identificar se são militares, se
pertencem aos quadros da Segurança Pública ou simplesmente pessoas comuns. As
brigas ocorrem e, ao saírem da casa de shows, muitos são mortos em frente ao
shopping, próximo à Dutra. Isso ocorre e não se toma uma providência. Falo só do
que ocorre nesse entorno, mas fatos assim ocorrem em Belford Roxo e em outras
regiões também de São João de Meriti.
Espero que nosso Secretário de Segurança Pública tome ciência desses fatos,
porque o nosso Rio de Janeiro, o que acontece na Baixada acontece na Zona Sul,
na Zona Oeste, só que a gente vê uma discriminação.
Enquanto você vê um policial militar ou um policial civil ou um policial federal
correndo atrás, abordando e levando preso sem disparar um tiro, um traficante de
classe média, um adolescente na Baixada muitas vezes não tem defesa e sofre a
mesma coisa que sofre um policial militar. Ele é condenado sem condenação e
deixa de ser um menino e passa a ser um defunto. Isso tem acontecido muito na
Baixada Fluminense.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço ao Deputado Dr. Alcides Rolim.
O SR. RODRIGO DANTAS – Vossa Excelência me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte ao Sr. Deputado Rodrigo Dantas.
O SR. RODRIGO DANTAS – Obrigado, Deputado Paulo Ramos.
É apenas para contribuir com a questão levantada pelo Sr. Deputado Comte
Bittencourt e por V. Excelência sobre a Emater. Essa notícia chegou aos
deputados através de e-mail, sobre o presidente da Emater. Se eu não me engano,
o nome é Hélio...
O SR. PAULO RAMOS – Cabral. Hélio Cabral.
O SR. RODRIGO DANTAS – Hélio Cabral Nogueira, alguma coisa assim.
Mas para não ser leviano, já que são questões graves para serem, levantadas
aqui, não há confirmação de que o salário dele é de R$ 42 mil. Eu até já pedi a
minha assessoria - e aí me coloco à disposição para quem quiser ser
co-signatário - elaborar um requerimento de informação sobre quanto é, de fato,
os vencimentos.
Após isso poderemos nos posicionar. Se for, realmente, R$ 42 mil reais de
salário – ainda mais agora com esse programa voluntária, incentivo à demissão
voluntária, que está ocorrendo não só na Emater, mas como V. Excelência muito
bem observou, em outras empresas – teremos um contra-senso.
A mesma matéria informa que, em alguns seccionais, em algumas filiais da Emater,
por assim dizer, eles não têm R$ 10 mil para manter o escritório funcionando.
Então é um absurdo!
V. Excelência está de parabéns.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço, Sr. Deputado Rodrigo Dantas.
Para concluir, vou voltar à vaca fria, isto é, a questão dos policiais
militares.
O delegado André Drummond não teve a preocupação em aprofundar a investigação
por entender que, para os policiais militares, a presunção da inocência não
existe. A presunção é da culpa. Não precisa ter provas. Basta ter alguns
indícios e basta ter o reconhecimento fajuto de duas criminosas, que receberam
promessas de benefícios, para caracterizar a identificação.
Aliás, o Dr. André Drummond nos disse que um dos promotores chegou a produzir a
seguinte pérola: pela experiência que ele tinha na Baixada Fluminense, ele sabia
quando uma pessoa estava mentindo ou dizendo a verdade. Está tudo gravado.
Mas esse convencimento só se dirige de forma mais dura, talvez, contra os
policiais militares. E aí vem, diante da decisão judicial, que se baseou numa
investigação que não oferecia provas, e que também levou o representante do
Ministério Público a dizer o que disse.
Vem, então, o Secretário de Segurança e mais uma vez afirma, para buscar
consonância com a mídia, recrimina o procedimento dos policiais. Não ouvi uma
palavra do Secretário de Segurança Beltrame quando os policiais militares
tiveram suas imagens expostas. Nenhuma! Nenhuma! Nem de cautela. Foi o primeiro
a dizer que o Governo estava limpando os quadros da polícia, que aquilo era uma
ação... Esse é o procedimento dele.
E vem também o Governador, completamente destemperado. O Comandante-Geral da
Polícia Militar, ainda procurou agir com alguma serenidade, disse que era uma
reação devido a tudo aquilo que eles tinham acumulado e que muitos se manifestam
soltando fogos em momentos de alegria.
De qualquer maneira, Sr. Presidente, não podemos aceitar que em relação a
qualquer cidadão policial militar, policial civil ou não, que não prevaleça a
presunção da inocência, até porque a Polícia é acusada de agir assim em relação
a outros cidadãos quando dizem: depois que matou colocou a arma na mão, forjou
testemunhos. É assim.
De qualquer maneira, Sr. Presidente, com toda a dificuldade do momento, com todo
o massacre do principal sistema de comunicação do nosso estado, do nosso país,
com toda a manifestação equivocada do presidente do Tribunal de Justiça, do
procurador de justiça chefe, um comportamento equivocado de um delegado, mesmo
assim, com essa orquestração para conduzir a opinião pública a enxovalhar ainda
mais o nome de uma instituição policial, venho aqui manifestar minha
solidariedade aos integrantes da Polícia Militar, àqueles que diuturnamente, com
grandes sacrifícios, procuram levar segurança à população.
Muito obrigado.
TOPO
06/11/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Política da Insegurança Pública
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta
tribuna, Sr. Presidente, mais uma vez para abordar questões ligadas à Segurança
Pública. E o faço tendo em vista a tragédia que alcançou mais uma família de
policial militar. Aliás, uma tragédia múltipla, na medida em que o policial
militar ontem foi assassinado no Bairro da Penha com 14 tiros. Somente este fato
seria suficiente para comover não apenas a família policial, mas toda sociedade.
Entretanto, surge algo que incorpora à tragédia uma perversidade muito grande,
que tem sido motivo aqui de vários alertas que faço.
O policial militar foi assassinado com 14 tiros, e na notícia vem dizendo da
possibilidade - da possibilidade - ainda não investigada de estar aquele
policial militar envolvido com esquema de máquinas caça-níqueis. Mas de onde o
jornalista retirou tal informação? Porque aquilo que é noticiado não é atribuído
a nenhuma fonte. É duro. É duro constatar que aqueles que, por vezes, são
imolados em nome da Segurança Pública, no momento do sofrimento da família,
ainda são apresentados como suspeitos do envolvimento em qualquer atividade
criminosa. Tudo isto resulta obviamente da equivocada política de Segurança
Pública levada a efeito no Estado do Rio de Janeiro ao longo dos últimos anos,
mas que agora é assumida com toda clareza pela administração Sérgio Cabral.
A máxima que vai sendo imposta é a seguinte: qualquer um que é morto na favela
em decorrência da ação policial, já pode ser imediatamente rotulado como
traficante de entorpecentes, assim como qualquer policial que é assassinado,
imediatamente confundido como estando envolvido em qualquer atividade criminosa.
Este é o resultado de um conflito que, ao invés de ser agudizado pelo governo,
deveria ser mediado pelo governo. A política de Segurança Pública, ao mesmo
tempo em que selecionou aqueles que deveriam ser vítimas da ação policial, vem
levando os próprios policiais executores à situação vivida por este agora que
foi assassinado.
O Estado do Rio de Janeiro ainda é a principal porta de entrada de turistas no
nosso País. É a chamada indústria sem chaminés. Mas a insegurança pública vem
afastando não só turistas que vêm de outros países, mas o próprio turismo
interno. O Rio de Janeiro vem sendo rejeitado como porta de turismo por muitos
brasileiros em outras unidades da Federação, e também agora por muitos
estrangeiros. Mas a responsabilidade pela insegurança pública decorre muito mais
da política desenvolvida no Estado do que da ação de criminosos.
Vejam que coisa incrível! Quando estamos para receber a Anistia Internacional,
aqui no Brasil, quando estamos para receber uma representação da Organização das
Nações Unidas, que vem com base em relatório feito pela Comissão de Direitos
Humanos e Cidadania do Governo Federal - e o Governador Sérgio Cabral é um
grande aliado do Presidente Lula -, Comissão vinculada ao Ministério da Justiça,
vem aqui e denuncia que a ação policial, na Vila Cruzeiro, representou muito
mais um extermínio do que uma ação policial para proteger aquela população. Se o
principal aliado do Governador Sérgio Cabral encaminha aqui a sua Comissão de
Direitos Humanos e Cidadania para desautorizar uma ação policial, esta
desautorização passa a merecer alguma credibilidade.
Mas qual é o rumo a que uma investigação mais aprofundada pode chegar? Por
enquanto, o Governador Sérgio Cabral defende aquela operação; o secretário de
segurança também defende aquela operação. Mas como já aconteceu em outras
oportunidades, no momento em que a pressão aumentar, aqueles que hoje, com
autoridades de governo defendem a ação policial, logo ali na frente, eles vão
defender a responsabilização dos policiais que estavam na ponta, na execução.
Eles não vão suportar a pressão e ainda vão se apresentar, aos olhos da
população, como defensores dos direitos humanos ou como alguém que defende a
ação policial dentro dos limites da lei. É assim que eles vão se apresentar. E
aí os policiais civis e militares, continuarão enfrentando algo que é
inaceitável em qualquer civilização: ou eles matam ou morrem; ou eles ferem ou
ficam feridos; ou depois sentam no banco dos réus. Os governantes não sentam; os
secretários de segurança não sentam; os chefes de polícia, os comandantes da
Polícia Militar também não sentam; mas seus comandados, seus dirigidos, esses
vão sentar no banco dos réus.
Esta é a situação lamentável: ou matam ou morrem; ou ferem ou ficam feridos; ou
sentam no banco dos réus. E a instituição policial cada vez mais desacreditada,
cada vez mais desmoralizada. Mas é a ação do governo.
Estou tomando a iniciativa de buscar contato com essas instituições para dizer:
é preciso responsabilizar criminalmente, não aqueles que estão não ponta do
sistema; tem que responsabilizar criminalmente o governador do Estado e o
secretário de segurança como mandantes. Eles são os mandantes que se ocultam
porque, na verdade, eles induzem àquelas práticas e depois fogem de suas
responsabilidades.
Sr. Presidente, a Assembléia Legislativa conclui agora, há 15, 20 dias, uma
Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as causas das mortes dos
policiais. E não só a comissão, mas o Plenário desta Casa aprovou o relatório da
Comissão Parlamentar de Inquérito que representa uma condenação, a mais
expressiva, à política de segurança pública implementada em nosso Estado, que
não busca o controle da criminalidade, que busca a eliminação daqueles que,
morando em comunidades carentes foram selecionados para uma apresentação como
sendo os principais responsáveis pela insegurança da população. É a
criminalização da favela. Só que os próprios profissionais da Segurança Pública
são oriundos das comunidades para onde são empurrados para reprimir. Aliás, os
profissionais da Segurança Pública eu os chamo de profissionais invisíveis,
porque eles não podem se apresentar como policiais civis ou policiais militares
nas comunidades onde moram. Eles têm que ocultar a profissão. Os policiais
militares, as famílias, as esposas vivem a dificuldade. Não podem lavar a roupa
em casa. Dizem que roupa suja se lava em casa, menos para os policiais
militares. Têm que ocultar. A roupa não pode ficar no varal, porque se um
policial militar for identificado como tal nas comunidades onde rotineiramente
moram, não só eles correm risco, mas seus familiares também. Então, esta
situação precisa de uma resposta, mas a resposta não virá com esse modelo de
Segurança Pública, com a visão militar, com a visão do confronto, mas, acima de
tudo, com a irresponsabilidade dos governantes, porque eles não assumem as
responsabilidades, eles empurram os policiais para as ações, eles pregam a
política do extermínio, mas o policial também está sendo exterminado. A Polícia
do Rio de Janeiro é reconhecida como a Polícia que mais mata, mas ainda não é
reconhecida como a que mais morre. E a CPI, trazendo dados de pesquisas feitas
por universidades, comprovou – e veja que dado trágico - que o número que as
pesquisas tomam por base para verificar as questões ligadas à letalidade por 100
mil habitantes, o número de policiais mortos no Rio de Janeiro, principalmente
policiais militares, em relação a 100 mil habitantes, é muitíssimo maior do que
o número de cidadãos mortos por 100 mil habitantes, excluídos os policiais
militares. Muitas vezes maior o número, demonstrando, portanto, que ser
policial, no Rio de Janeiro, representa um risco muito maior do que ser um
cidadão comum. Muito! Não é pouco maior. A Polícia Militar do Rio de Janeiro
perde, por ano, por ferimento de arma de fogo, entre mortos e incapazes
definitivamente, para todo e qualquer serviço, quase 800 policiais militares.
Oitocentos em um ano. No relatório da CPI, fui o relator. Que não queiram
encarar esta questão pelo ângulo humanitário, pelo respeito aos direitos
humanos, pelo respeito às famílias, mas que, pelo menos, olhem pela questão
financeira. O prejuízo tem sido muito grande. Quando morrem, deixam a viúva, que
vai receber pensão. Quando ficam incapazes definitivamente, vão receber os
proventos da aposentadoria. A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro tem
desfalcado seu efetivo mais em decorrência de ferimento por arma de fogo do que
pela complementação anual de vários policiais por tempo de serviço. A passagem
para a inatividade por tempo de serviço representa um número menor do que a
redução do efetivo por morte ou incapacidade definitiva decorrente de ferimento
de arma de fogo. E nem estamos falando, Deputado Jorge Babu, oriundo dos quadros
da Polícia Civil, das doenças profissionais, daqueles que vão para a
inatividade, incapazes por outras doenças, de fundo nervoso, tais como as
úlceras de fundo nervoso, problemas psiquiátricos graves, um percentual
expressivo nos quadros da Polícia Militar com diagnóstico na psiquiatria, porque
a pressão é muito grande, a tensão é muito grande. A tensão é tão grande quanto
pequeno é o salário. Esta é a situação.
Se, com rigor, as conseqüências deste modelo fossem avaliadas única e
exclusivamente pelo aspecto financeiro, a sociedade se revoltaria, porque o
custo da Segurança Pública ficaria muitíssimo maior. Até porque, quando se fica
incapaz e se vai para a inatividade, ou quando se deixa a viúva, é o
RioPrevidência que vai cuidar. Ali, fica uma espécie de biombo, ninguém quer
saber. Como dizem “Mas o RioPrevidência é deficitário! Mas o RioPrevidência fica
exigindo muitos recursos do tesouro!”, principalmente em decorrência do modelo
de Segurança Pública.
Então, venho a esta tribuna, mais uma vez, para lamentar profundamente a cena
vivida hoje pelos profissionais da Segurança Pública. Quando matam, sentam no
banco dos réus; quando morrem, são acusados de envolvimento em qualquer
atividade criminosa.
Então, venho aqui para alertar à sociedade como um todo, a partir desta tribuna,
para dizer que este modelo de Segurança Pública é um modelo equivocado. Foi
baseado numa falsa premissa de que o elemento propulsor da criminalidade é o
crime organizado. Simplificaram o crime organizado no tráfico de entorpecentes e
simplificaram mais ainda nas favelas.
A Fundação Getúlio Vargas já comprovou, através de uma pesquisa, o óbvio: que
80% dos consumidores de entorpecentes estão nas classes “a” e “b”, aliás,
consumidores de tudo.
Os Estados Unidos são os maiores consumidores de energia, são os maiores
consumidores de todos os produtos, e são também os maiores consumidores de
entorpecentes.
Então, no Brasil, no Rio de Janeiro, quem pode comprar tudo pelo telefone não
correria o risco de comprar entorpecente na favela, também recebe em casa. É
assim de uma clareza mais do que meridiana.
Então, Sr. Presidente, venho aqui, na verdade, para fazer esta denúncia de
maneira mais ligeira. Os dados estão no relatório da CPI. Mas venho, acima de
tudo, prestar a minha solidariedade à família policial militar, à família
policial civil, a minha solidariedade às famílias também daqueles que moram em
áreas de toda carência e que vivem este enfrentamento, pobres contra pobres.
Os policiais são oriundos das camadas menos favorecidas. São empurrados para
reprimir àqueles que estão integrando a sua própria origem.
O governo do Estado vai ter que assumir a responsabilidade. Estou buscando as
entidades para dizer que não tem que processar o Estado como uma figura
jurídica, mas tem que processar o governador, tem que processar o secretário de
Segurança, tem que processar o chefe de Polícia, tem que processar o comandante
geral da Polícia Militar e o chefe da Polícia Civil. Eles é que têm que ser
processados, porque eles, às vezes sob pressão da hierarquia, empurram para
ações que não oferecem alternativa. As alternativas são através do medo e da
revolta, e através do confronto, a eliminação.
Então, Sr. Presidente, esta Casa aprovou o relatório. E o relatório representa a
mais grave condenação ao modelo de Segurança Pública que, ao contrário, está
levando a população ao desespero e ao medo.
É a política da insegurança pública que precisa ser denunciada.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
01/11/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Fora Sarney!
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, assomo à Tribuna para falar
sobre uma importante figura do cenário político brasileiro e também sobre as
nefastas conseqüências de sua passagem, não apenas pela Presidência da
República, mas também na vida do povo do Maranhão.
Venho aqui falar sobre S.Exa., o Sr. Senador José Sarney, que caminhou na
política de forma muito ativa e, dos postos que foi ocupando, construiu – a
partir do Estado do Maranhão – um grande império.
Também contribuiu para a construção de vários impérios.
Urge registrar que o Sr. Senador José Sarney foi uma figura exponencial no
período pós-1964 – que desviou o Brasil de seu rumo, em homenagem à afirmação da
soberania e da justiça social.
Porque o período pós-1964 quebrou a normalidade democrática e, depois, um
presidente – o Sr. João Goulart, que, constitucionalmente, ocupava o cargo de
primeiro mandatário da nação – foi deposto porque pretendia dar continuidade à
chamada “Era Vargas” e, com as reformas de base, levar as políticas públicas
consentâneas com a verdadeira inclusão.
João Goulart foi deposto através da manipulação da mídia e da mobilização de
setores comprometidos claramente com interesses outros, que não os do povo
brasileiro.
E, durante anos a fio, esse povo tudo fez para reencontrar seu caminho. Até hoje
não conseguiu.
O Golpe de 1964 ainda faz com que o povo brasileiro continue subordinado a seus
desdobramentos.
Mas por que a figura do Sr. Senador José Sarney? Durante a resistência
democrática, no período pós-1964, duas bandeiras – que conseguiram mobilizar
setores dos mais expressivos – uniram o povo brasileiro e acabaram predominando:
a anistia e a Constituinte.
Paralelamente, uma outra bandeira foi incorporada à luta da resistência
democrática: as Diretas Já!
Na fase da transição, embora esta tenha ocorrido em face da anistia e da
Constituinte, o Sr. Presidente da República – que deveria concluí-la – não
chegou a tomar posse.
E ao Sr. Senador José Sarney – que na verdade traiu os grupos com os quais se
afinava para compor a chapa de Tancredo Neves, como vice-presidente – estava
reservado um papel extremamente secundário. Mas com a morte de Tancredo Neves,
sem que tivesse tomado posse, tendo os setores que se mobilizaram para a
superação do regime autoritário acreditado piamente que Tancredo Neves estava
acometido de um mal menor, que Tancredo Neves não morreria da tal diverticulite,
essas forças políticas concordaram que José Sarney tomasse posse, como se fosse
uma posse provisória.
A morte de Tancredo Neves fez de José Sarney um falso condutor daquela
transição. O ministério todo formado era o de Tancredo Neves. José Sarney
convocou a Assembléia Nacional Constituinte. Elaborada a Constituição,
imaginávamos que o Brasil já estaria institucionalizado em bases democráticas. O
Presidente José Sarney, hoje Senador, ex-imperador do Maranhão, até porque o
povo maranhense já compreendeu e ele vem sendo derrotado por lá, o imperador
José Sarney tudo fez para que a Constituição não entrasse em vigor. Não tendo
sido regulamentada, face ao uso abusivo das medidas provisórias que tinham toda
preferência na apreciação pelo Congresso Nacional, o Presidente José Sarney
ainda consegue, através da mais alta traição, das mais altas corrupções, mais um
ano de mandato. Cinco anos para Sarney.
Em aliança clara com o principal sistema de comunicação – o que ainda prevalece
neste Brasil - na primeira eleição direta para presidente da República é eleito
o Sr. Collor de Melo. O resto da história, eu tenho certeza absoluta, todos
conhecem.
A Constituição é elaborada para conduzir o Brasil num determinado rumo. Mas o
primeiro presidente eleito veio com propostas que se opunham frontalmente àquilo
que estava na Constituição: veio Collor comprometido com o modelo liberal.
Enquanto a Constituição pregava o fortalecimento do Estado, Collor, patrocinado
obviamente pelo imperialismo internacional, vem com as bandeiras da modernidade:
quanto menos Estado, mais saúde, mais educação... E deu seqüência às
privatizações que timidamente já tinham começado no Governo Sarney.
O povo brasileiro, ainda para resistir, acreditando em propostas progressistas,
depois do impeachment de um presidente que patrocinou diretamente a corrupção, e
hoje também é Senador, o povo brasileiro elege por duas vezes o então Senador
Fernando Henrique Cardoso que, aproveitando aquela reação do povo, imaginando
que ele, Fernando Henrique, daria ao país um rumo diferente, ao contrário, o
Presidente Fernando Henrique Cardoso estupra todo processo constituinte: em seis
meses de Governo, interfere na ordem econômica, acaba com todos os monopólios,
com tudo que garantia a soberania nacional, continuam as privatizações. Ele
acaba com o monopólio estatal do petróleo, com o monopólio das comunicações, com
a nacionalização do subsolo, com a bandeira nacional na navegação de cabotagem,
com o mercado interno, com o patrimônio nacional, empresas brasileiras de
capital nacional, tudo! Sai entregando tudo, inclusive uma empresa lucrativa,
que representava acima tudo a afirmação maior da soberania nacional: a Cia. Vale
do Rio Doce.
Ainda hoje permanece a grande luta na tentativa de manter viva a denúncia do que
significou a privatização da Vale do Rio Doce para a soberania nacional. Nosso
subsolo hoje vem sendo esburacado e nossos minérios exportados de modo bruto –
minério bruto, sem qualquer beneficiamento. E apresentam a Vale do Rio Doce como
exemplo de empresa bem sucedida depois da privatização.
E aí, Sr. Presidente, a nave segue seu curso e o povo brasileiro, ainda
acreditando na mudança de rumo, elege Luiz Inácio Lula da Silva, por duas vezes.
E Luiz Inácio Lula da Silva adere ao modelo liberal ao ponto tal que agora,
eleito pela segunda vez, caminha com o seu partido, o PT, para uma fusão com o
PSDB, porque as propostas são iguais e os modelos que defendem também são
iguais.
Na América Latina, principalmente na América do Sul, alguns presidentes vão
sendo eleitos possuídos do mesmo sentimento que o povo brasileiro foi possuído
durante a elaboração da Constituição em 87 e 88: afirmação da soberania
nacional. Especialmente a Venezuela, com Hugo Chávez. O povo venezuelano, sendo
a Venezuela integrante da Opep, dos países produtores de petróleo, exportando
seu petróleo maciçamente para os Estados Unidos, o povo lá vivia na miséria.
Surgiu um presidente que resolveu afirmar a soberania nacional, na tentativa de
dar à Venezuela e ao povo venezuelano um outro rumo. E os povos têm direito de
experimentar novos modelos. Os povos não podem aceitar as imposições do império.
Aí, no momento em que a Venezuela aponta para outro caminho, no momento em que o
comércio Venezuela – Brasil começa a ser intensificado, no momento em que a
Venezuela vê no Brasil um parceiro maior, comprando aqui inúmeros produtos,
surge a figura execrável do Senador José Sarney, dizendo que a Venezuela está se
armando e pode se tornar uma potência militar; não pode a Venezuela integrar o
Mercosul.
Todos nós temos na alma e na memória a lembrança da polarização que não
interessava a nenhum dos países e nem interessava à América Latina ou à América
do Sul: a polarização Brasil – Argentina. Essa polarização foi incrementada,
incentivada durante anos a fio. Hoje, não é mais possível. Hoje, já há uma
compreensão de que a Argentina não significa um país adversário do Brasil, ao
contrário, como a Venezuela, a Bolívia e o Equador não representam. Que é
preciso voltar os olhos para o Sul.
Na Venezuela há uma expressão que diz assim: “O nosso norte é o Sul. O nosso
rumo é o Sul.” E aí a figura execrável do Senador José Sarney, cumprindo com
seus propósitos escusos, aliado aos mesmos interesses que fizeram com que ele
impedisse a implementação da Constituição promulgada no dia 05 de outubro de
1988, vem dizer que a Venezuela está se transformando em uma potência militar e
o Brasil não pode com ela ter qualquer relação e nem permitir o ingresso no
Mercosul porque a Venezuela é uma adversária do Brasil.
Vejam bem, quais são os adversários do Brasil? Os adversários do Brasil são
aqueles que carregam por ano mais de 100 bilhões de juros; os adversários do
Brasil são aqueles que vêm aqui, sob os auspícios de investimento estrangeiros,
pegando empréstimos no BNDES; os adversários do Brasil são aqueles que exploram
o povo e remetem os lucros para o exterior, somente no último mês mais de 1,8
bilhão. Os adversários do Brasil são os exploradores do povo e aqueles que a ele
se aliam.
Existia um deputado do Paraná chamado Nelton Friedrich, há tempos não o vejo,
que dizia o seguinte: “Piores do que os gringos que nos compram são os
brasileiros que nos vendem.” E o ex-Presidente Sarney, hoje Senador, está no rol
daqueles que nos vendem. E é por isso que a palavra dele não encontra mais eco
nem nos seus aliados, aliás, descaradamente ainda integra a Academia Brasileira
de Letras. Não há pudor, a ponto de, tendo escrito livros medíocres, aliás,
raros, começou com um tal de Marimbondos de Fogo. Só com Marimbondos de Fogo,
integrou a Academia Brasileira de Letras.
O SR. GERALDO MOREIRA – V. Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte ao Sr. Deputado Geraldo Moreira.
O SR. GERALDO MOREIRA – Sr. Deputado Paulo Ramos, na minha rotina de trabalho
nesta Assembléia Legislativa e, principalmente, nos últimos tempos, em função de
alguns problemas que tenho vivido, não é costume meu estar no Expediente
Inicial.
Hoje, me determinei a estar aqui porque queria usar a tribuna para fazer,
exatamente, o discurso que V.Exa. acaba de fazer. Não retiro nenhuma vírgula do
que V.Exa. disse. Vim para dizer tudo isso, aqui. Não vou assomar à tribuna com
esse intuito porque não gostaria de ser repetitivo.
Gostaria de cumprimentar V.Exa. e reafirmar seu discurso. É o que nós,
parlamentares patriotas e comprometidos com a Nação soberana, temos que fazer:
repudiar a ação desses vermes, desses vendedores do Brasil.
Nosso grande líder, Leonel Brizola, disse-me que, pior, muito pior do que os
donos dos escravos, agiam os capatazes contra a escravatura. Os capatazes
brigavam muito mais contra a abolição da escravatura do que os próprios donos de
escravos que, estes sim, eram donos da terra e, de alguma forma, sabiam que
iriam continuar comandando o processo. Os capatazes, não: viviam daquela
situação imunda. A sua função era a repressão e, portanto, se acabasse aquela
situação, eles, conseqüentemente, estariam sem ter o que fazer, sem onde vender
seus feixes.
Assim é o Sr. Senador José Sarney: é um capataz daquele tempo que, pior do que
os grandes capitalistas internacionais, vive da venda do futuro do povo
brasileiro, vive da venda da nossa felicidade.
Cumprimento V.Exa. e suas declarações sobre um presidente eleito pelo povo
venezuelano, constitucionalmente eleito, legitimamente constituído.
V.Exa. esqueceu-se de dizer que José Sarney foi presidente da Arena, o partido
que sustentou o movimento mais sanguinário do Brasil, a ditadura militar. Sarney
compactuou o tempo todo, inclusive sendo chefe desse partido e dessa gente.
Agora, para cumprir, mais uma vez, seu papel de capataz, atendendo aos ditames e
à orientação desse movimento financeiro internacional que nos espolia e nos
escraviza, dá uma declaração infeliz dessas, sem qualquer autoridade.
Eu acho que não só nos dois, mas todos os democratas deste país, deveriam usar
nossas tribunas para repudiar tal atitude.
Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço, Sr. Deputado Geraldo Moreira.
A figura execrável do Sr. Senador José Sarney não vai encontrar eco nas suas
palavras porque o povo brasileiro, a cada dia, compreende mais qual é o seu
destino. E, quanto mais compreende, mais execra figuras como a do senador já
citado.
Salve a integração sul-americana. E, como o povo diz há tempos: Fora Sarney!
TOPO
|