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27/09/2007- Expediente
Inicial
Discurso - PAULO RAMOS - O sucateamento do Estado
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, estamos vivendo no Estado do
Rio de Janeiro uma espécie de revelação da índole, da natureza do governo que
tomou posse em 1º de janeiro deste ano. A natureza do governo certamente
consiste em aprofundar o sucateamento do Estado, penalizando servidores públicos
e entregando à iniciativa privada a gestão de setores dos mais importantes da
administração pública.
De um lado, na fase primeira da revelação, S. Exa. o Governador do Estado
encaminhou a esta Casa uma emenda constitucional que pretendia inserir no texto
da Lei Maior do nosso Estado a possibilidade de contratação de servidores
públicos pelo regime celetista, acabando praticamente com o regime estatutário.
Se naquele momento, em função da reação desta Casa, em consonância com as
representações dos servidores públicos, o Sr. Governador recuou retirando as
mensagens, por outro lado, voltou S. Exa. à carga quando fez aprovar nesta Casa,
pela maioria que controla, as famigeradas parcerias público-privadas, em que
vemos inseridos todos os setores da administração: educação, saúde, segurança,
meio ambiente, transportes, cultura, saneamento básico. Tudo. Não há um setor da
administração que tenha sido poupado.
É preciso recuperar na memória de todos que durante a campanha eleitoral o Sr.
Governador assumiu compromisso com todas as categorias de servidores públicos,
de todos os setores da administração. E S. Exa. incluiu aí na chamada parceria
público-privada, exatamente os setores que ele visitou pedindo votos durante a
campanha eleitoral.
Urge registrar que em diversos casos o Sr. Governador subscreveu compromisso,
assinou compromisso com os profissionais de saúde, com os profissionais da
educação, com os militares estaduais. O Governador chegou a dizer que qualquer
governante que dissesse não dispor de recursos para remunerar de forma digna os
profissionais da segurança pública, qualquer um, deveria ser visto inicialmente
como incompetente. E mais: ao assumir os compromissos, ainda orientou: “Vocês
podem gravar o que estou dizendo para me cobrar depois.” Isso foi feito. Agora,
quando nos reunimos com os servidores públicos, ouvimos a gravação e ficamos
diante de documentos assinados por S. Exa.
S. Exa. já está demonstrando que certamente não vai cumprir com a palavra
empenhada – está demonstrando não apenas no discurso, mas também na prática.
Assinou documento no Sindicato dos Médicos afirmando, dentre outras coisas, que
implementaria o plano de cargos, carreiras e salários. Está demonstrando agora
um propósito contrário. Subscreveu também o compromisso de recuperar o Iaserj. E
sabem o que ele está fazendo? Está desativando completamente uma rede de saúde
destinada ao atendimento exclusivo do servidor público. Já está fazendo isso. No
Iaserj central, tudo – cirurgias, pediatria, tudo – já foi desativado, sem que
se saiba para onde os equipamentos estão sendo levados. Ninguém sabe. E colocou
para administrar o Iaserj um representante da saúde privada, um representante da
rede D’Or – Copa D’Or, Barra D’Or, Quinta D’Or. Está lá o Dr. Jorge Moll, que os
servidores já chamam de “Jorge Mau”. Mas não é o Jorge que é mau; perverso é o
governo, porque está ali somente defendendo os interesses do setor privado que
representa, em detrimento das esperanças que estão sendo sepultadas, mas que
foram, de forma escusa, elevadas.
Hoje, estamos recebendo, nas escadarias da Alerj, servidores de diversas áreas
da Administração Pública – educação, saúde, segurança. Os servidores do Iperj
estão peregrinando pelos corredores da Alerj na esperança de um mínimo de
reconhecimento, na medida em que o governo encaminha uma mensagem extinguindo o
Iperj, se apropriando de todos os bens, e os servidores colocados num quadro em
extinção, sem qualquer direito às carreiras que serão criadas no RioPrevidência.
Mas o Sr. Governador também esteve, durante a campanha eleitoral, com os
servidores do Iperj e fez todas as promessas.
Sr. Presidente, estou aqui com um documento que está sendo encaminhado, a todos
os Deputados, pelos profissionais de saúde, não como uma espécie de pauta de
reivindicações, mas com aquilo que integra o compromisso assumido durante a
campanha eleitoral pelo Sr. Governador do Estado:
(Lendo)
“1 – Implantação imediata do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, Lei nº 3948,
de 11/09/2002”;
(Interrompe a leitura)
Aliás, presidia esta Casa o próprio Sr. Governador do Estado.
(Continua a leitura))
“2 – Soerguimento do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de
Janeiro – Iaserj”;
(Interrompe a leitura)
que S.Exa. vem sepultando.
(Continua a leitura)
“3 – Contratação dos servidores na modalidade do concurso público, como
estabelece a Carta Magna”;
(Interrompe a leitura)
É preciso denunciar que os mesmos institutos, as mesmas ONGs que patrocinaram a
orgia nos governos anteriores – Rosinha e Garotinho – na contratação de pessoal
com contratos fraudados, continuam como intermediárias de tais contratações. São
milhares. Milhares!
(Continua a leitura)
“4 – Verba para garantir a qualidade do atendimento aos pacientes e adoção de
programas de higiene e segurança do trabalho no âmbito das unidades sob gestão
do governo estadual, estabelecido na legislação”;
(Interrompe a leitura)
Os hospitais estaduais, haja vista o que vem sendo denunciado em relação ao
Alberto Schweitzer, ao Rocha Faria, ao Pedro II e ao Carlos Chagas, estão numa
situação deplorável. O Secretário de Saúde vem se comportando de forma
surpreendente, porque sequer observa as determinações do Tribunal de Contas em
relação às gestões anteriores.
Ele vem fazendo rigorosamente a mesma coisa que já foi condenada.
E ainda mais:
(Continua a leitura)
5 – Verba para garantir a paridade, consagrada na Constituição, entre ativos,
inativos e pensionistas”;
(Interrompe a leitura)
No Projeto encaminhado a esta Casa, tratando da questão do IPERJ, incluí uma
emenda falando da atualização do valor das pensões. Vamos ver se o Governo
assimila; se assume a responsabilidade de cumprir as Constituições Federal e
Estadual, atualizando finalmente o valor das pensões.
(Continua a leitura)
6 – Verba para garantir a recomposição salarial dos servidores estaduais, na sua
data-base”;
(Interrompe a leitura)
Muitos não sabem, mas há data-base para o reajuste dos servidores. E, por
último:
(Continua a leitura)
7 – Rejeitar qualquer proposta e/ou emenda orçamentária para o projeto das
fundações ditas públicas de direito privado como forma de gestão e contratação
de empregados públicos regidos pela CLT.
(Interrompe a leitura)
Este é o propósito difundido pelo próprio Governo, que pretende criar esse
modelo de gestão, como forma óbvia de privatização da Saúde Pública. Diz ainda o
documento do Sindicato dos Profissionais de Saúde do Estado do Rio de Janeiro:
(Continua a leitura)
Vale lembrar que já existe decisão de STF condenando a contratação de empregados
públicos pelo regime celetista para a administração pública.”
(Conclui a leitura)
Estamos diante de um Governo que persevera no descumprimento dos compromissos
que subscreveu; no descumprimento das Constituições Federal e Estadual.
Certamente, não observará também as decisões do STF.
Por último, Sr. Presidente, quero manifestar minha solidariedade aos
serventuários da Justiça, pois não é possível que o Sr. Governador do Estado
sequer respeite a independência do Poder Judiciário – que tem orçamento próprio
e que, através de seu Presidente, no mês de maio, enviou uma mensagem de
reajuste para seus serventuários, observando a Lei de Responsabilidade Fiscal.
A mensagem não foi votada. E o que pretende o Sr. Governador? Submeter esta
Casa, já que concedeu miseráveis 4% aos servidores públicos da Educação, Saúde e
Segurança Pública! 4%!
Aliás, pela primeira vez um reajuste é rejeitado pelos seus destinatários! Os
servidores públicos nos pediram que votássemos contra!
Mas o que se pretende? Uma vez chegada a mensagem do Tribunal de Justiça,
através de emendas ou subemendas – inconstitucionalmente – reduzir o reajuste
para 4%.
Recebemos, inclusive, notícias que os servidores públicos do Ministério Público
não querem, pois o Procurador-Geral de Justiça já encaminhou a esta Casa uma
mensagem concedendo aos seus servidores públicos também 4%. Trata-se de um “acordão”,
que deve envergonhar os que dele participam ou aos que a ele se submetem.
Porque não se pode imaginar que um Governo que vem privilegiando setores da
iniciativa privada com renúncia fiscal, com benefícios fiscais, não se disponha
a compreender e realizar um serviço público de melhor qualidade a partir de seus
servidores.
Portanto, Sr. Presidente, que fiquemos atentos, pois não há qualquer dúvida. E a
população deve ser alertada de que os servidores públicos, e de diversos Poderes
- talvez como nunca tenha acontecido no Estado do Rio de Janeiro – estão juntos.
Temos conhecimento de que os do Legislativo também serão beneficiados, ou
maltratados, com esses miseráveis 4%. Compõem todo o quadro: o do Executivo,
Judiciário, Legislativo e Ministério Público.
Talvez pela primeira vez neste Estado tenhamos uma greve geral de servidores. A
população precisa dos serviços. Mas ela também há de compreender que a greve dos
servidores ou qualquer manifestação das categorias não tem somente como único
objetivo a busca de melhores salários. Os servidores públicos querem prestar um
serviço público de boa qualidade. E um serviço público de boa qualidade passa
necessariamente por uma remuneração compatível desses próprios servidores.
Muito obrigado.
TOPO
26/09/2007- Expediente
Inicial
Discurso - PAULO RAMOS - Programa de Demissão Voluntária no Governo do
Estado
Lesão dos Cofres Públicos
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho à tribuna
tratar de dois temas. O primeiro, com ligação ao jornal Extra de ontem, sob o
título “Reforma do Estado. Sérgio Cabral vai demitir celetistas de 12 empresas.”
E registra que tal programa de demissão incentivada já estaria começando pela
Emater.
Elenca o jornal a possibilidade de demissões incentivadas e demissões de um modo
geral, mesmo sem qualquer incentivo, na Caserj, Codin. Coderte, Cehab, Ceasa,
Rio-Trilhos, Central Logística, Emop, Pesagro, Imprensa Oficial e TurisRio.
Esta notícia traz uma grande preocupação: não estamos vendo nenhuma medida, no
Governo Sérgio Cabral, para reestruturação efetiva do serviço público,
respeitando os servidores públicos.
Todas as iniciativas do Governo Sérgio Cabral que tratam de qualquer questão
ligada ao Estado, em qualquer setor da administração, têm sido perversas para os
servidores públicos. Eis que surge uma verdadeira excrescência de incentivo ao
desligamento voluntário.
Aliás, segundo declarações do Secretário de Transportes, embora seja desejável,
ainda não será iniciado esse programa em sua área, na medida em que faltam
recursos.
Sr. Presidente, estou encaminhando, pela Comissão de Trabalho- vou submeter aos
seus membros - a realização de uma audiência pública, convidando representantes
de todas essas categorias para alertá-los do crime que significa esse programa
de incentivo à demissão voluntária.
Tal experiência foi feita no Governo Collor e muitos servidores acreditaram
naquela falácia. O programa collorido dizia ainda que aqueles que optassem pela
demissão seriam preparados para a inserção no mercado de trabalho.
Já realizamos na Comissão de Trabalho uma audiência pública, e observamos um
grande movimento daqueles que foram enganados pelo governo federal à época,
estão sofrendo agora com o desemprego e amargaram durante anos a impossibilidade
de inserção no mercado de trabalho.
É preciso que os servidores da Emater e dos demais órgãos citados sejam
advertidos e alertados ante esse crime que poderá ser perpetrado se eles
acreditarem na falácia do governo.
Quanto ao outro tema, tive a oportunidade de ontem tratar aqui de uma publicação
feita no jornal O Globo de denúncia da ONU e do Banco Mundial sobre lavagem de
dinheiro, auferido ilegalmente, não só do crime organizado, da corrupção
desenfreada, mas também da lesão aos cofres públicos em relação ao recolhimento
de impostos.
Esta Casa concluiu uma Comissão Parlamentar de Inquérito que tratou da evolução
da receita. E a CPI constatou que ainda impera em nosso Estado padrões razoáveis
de sonegação, envolvendo vários setores da economia, dentre eles o setor de
combustíveis e lubrificantes, o setor energético e ainda o setor de alimentos.
Tomamos conhecimento de que, não obstante tudo aquilo que já foi investigado,
que já foi denunciado e comprovado, os supermercados – Sendas, Prezunic, Mundial
e outros – perseveram no objetivo de sonegar.
O ex-Secretário de Fazenda Neto que hoje preside o Detran, aliás, deixando os
servidores em polvorosa, porque não tem agido corretamente com os servidores,
prestou depoimento na CPI. Eu, como membro suplente da CPI, não tive uma
participação tão efetiva, mas acompanhei inúmeros depoimentos. Ficou registrada
que, uma das razões da involução ou da dificuldade de crescimento da receita, é
a sonegação feita pelos supermercados.
Eu, inclusive, Sr. Presidente, em algumas oportunidades, tenho defendido a
recriação da Inspetoria de Grande Porte. A Inspetoria de Grande Porte foi
estruturada de modo a realizar uma fiscalização efetiva sobre os chamados
grandes contribuintes. Grandes contribuintes eufemisticamente chamados, são os
grandes recolhedores porque contribuinte é o consumidor. Eles recolhem o Imposto
de Circulação sobre Mercadorias e Serviços, o ICMS, mas quem paga é o consumidor
final.
Dados, os mais expressivos, demonstram que, ano a ano, o recolhimento de
impostos de algumas redes, ao invés de experimentar um aumento na arrecadação,
não obstante o aumento do consumo, diminui.
Então, é preciso que os dados levantados pela Comissão Parlamentar de Inquérito
- que nesta última semana teve o seu relatório aqui aprovado -, as conclusões da
CPI ainda possam ensejar algumas outras atividades desta Casa. As Comissões
próprias devem exercer uma fiscalização mais efetiva sobre as redes de
supermercados, observando principalmente o depoimento feito nesta Casa à CPI
pelo ex-Secretário Neto.
Se o governo diz que não há recursos para promover uma remuneração melhor para
os servidores públicos. Se tudo depende do crescimento da receita, e a sonegação
ainda tem crescido num setor de atividade, um dos mais relevantes, de onde vem
as maiores contribuições, na medida em que, as mercadorias que são vendidas são
as mercadorias mais consumidas pela população, se ali a sonegação impera, vai
ser muito difícil alguma evolução da Receita.
Então, Sr. Presidente, já que o Sr. Governador Sérgio Cabral tem manifestado
tanta preocupação, através do Sr. Secretário Joaquim Levy, para o crescimento da
receita, é de se esperar que, através da Secretaria de Fazenda seja exercida uma
fiscalização mais rigorosa, nessas redes de supermercado. E que esta Casa,
através das Comissões próprias, possa e, aí sim, não em homenagem ao governo,
mas em homenagem aos consumidores, que pagam os impostos, que pagam o ICMS e
que, através do recolhimento desses impostos, esses consumidores esperam a boa
prestação de serviço público na área da Educação, na área da Saúde, na área de
Segurança e em todas as demais áreas.
Então, que fique aqui esta denúncia, esperando que não apenas a Secretaria de
Fazenda, mas também esta Casa, a partir deste importante depoimento, e de
outros, além de outras investigações já feitas, esta Casa possa dar a sua
contribuição, para que a receita possa corresponder ao dever de recolher
daqueles que estão sonegando.
Muito obrigado.
TOPO
26/09/2007- Expediente
Inicial
Discurso - PAULO RAMOS - Relações comerciais e políticas entre o Brasil e
a Venezuela.
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho aqui tratar de
um tema que tem sido objeto de muitas publicações, de muita divulgação nos
nossos meios de comunicação. Vou tratar aqui das relações comerciais, das
relações políticas entre o Brasil e a Venezuela.
Todos sabem nesta Casa que fui autor da iniciativa que conferiu ao Presidente da
Venezuela, Hugo Chávez, a Medalha Tiradentes. E S. Exa. aqui compareceu
pessoalmente para receber a Medalha.
É preciso dizer que o Brasil defende a autodeterminação dos povos. Podemos, e é
um direito de todos, manifestar opiniões, mas também somos forçados a acolher
opiniões. Manifestamos opiniões sobre os destinos de outros países, sobre o
posicionamento ou comportamento de outros chefes de Estado e temos,
democraticamente, que ouvir, mesmo que discordando, opiniões de quaisquer
cidadãos de outros países a respeito da nossa realidade.
Por outro lado, é possível afirmar que à frente da Venezuela o presidente Hugo
Chávez vem intensificando as relações comerciais daquele país com o Brasil. E
não há nenhuma dúvida, porque os dados estão aí: a Venezuela tem comprado do
Brasil muito mais mercadorias que os governos anteriores compravam. Portanto,
urge dizer que preenche os interesses do povo brasileiro, na medida em que
empregos estão sendo gerados aqui e há uma relação de respeito entre os dois
países. Aliás, os jornais de hoje refletem o posicionamento do empresariado
brasileiro que exporta mercadorias para a Venezuela, posição majoritariamente
favorável ao ingresso da Venezuela no Mercosul.
Se existe chefe de Estado que tem sido achincalhado por alguns, no Brasil, que
têm acesso à mídia, esse é o presidente da Venezuela. Se há um chefe de Estado
que tem sido alvo de todos os ataques — ataques perpetrados a partir do Brasil —
é o presidente da Venezuela.
No momento em que o presidente manifesta uma opinião sobre o Congresso Nacional,
sobre o Senado da República - seu dever -, aprovando ou não o ingresso da
Venezuela no Mercosul, dá a impressão de que o mundo vai acabar. É preciso
acentuar a existência de uma espécie de rede de intrigas com o objetivo de
indispor o povo brasileiro, fazê-lo contra o povo venezuelano. Há interesses
comuns.
Agora mesmo, na reunião da ONU, em que está o presidente Lula, o presidente do
Irã está lá fazendo palestras em universidades, recebendo críticas e fazendo
críticas no próprio solo norte-americano, diante de uma espécie de cinismo do
presidente dos Estados Unidos que, não assinando o Tratado de Quioto
relativamente às questões ambientais, à emissão de CO2, está tentando mobilizar
a ONU contra a China e a Índia pelo fato de serem países considerados poluentes.
Os Estados Unidos, os maiores poluidores do mundo, não assumem qualquer
responsabilidade e pretendem responsabilizar outras nações que, na melhor ou na
pior das hipóteses, poluem tanto quanto o país norte-americano, os Estados
Unidos.
A relação entre os povos deve ser de respeito e autodeterminação. Mas é preciso
olhar o interesse dos povos. E não há qualquer dúvida de que interessa ao Brasil
e, portanto, interessa ao povo brasileiro aprofundar as relações com a
Venezuela, com o povo venezuelano. Interessa o ingresso da Venezuela no Mercosul
para que possamos estabelecer relações comerciais cada vez mais ampliadas.
Há aqueles, inclusive a figura do Bolívar, que pregava o ideal latino-americano.
Unir os países da América do Sul em função de interesses comuns é um dever de
todos os governantes.
Durante muitos anos o povo brasileiro não recebia qualquer notícia, nada sobre a
Venezuela; como também não recebia sobre o Equador; não recebia sobre a Bolívia.
Só recebia sobre a Colômbia por um aspecto negativo, às questões ligadas ao
narcotráfico.
Sr. Presidente, é preciso serenidade no momento de se fazer críticas e é preciso
serenidade no momento de receber as críticas.
Quero aqui, portanto, manifestar a minha solidariedade ao povo venezuelano, na
certeza de que brevemente a Venezuela estará integrando o Mercosul para o
fortalecimento das relações comerciais dos povos do continente, como o único
caminho de fazer face àqueles que exploram o povo brasileiro sem qualquer
retribuição.
TOPO
25/09/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Os paraísos fiscais
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente Deputado Zito, inicialmente, antes de me
dirigir aos demais parlamentares e a toda Casa, venho manifestar minha
solidariedade a V. Exa., sobre algo inusitado, impensável de acontecer em
qualquer lugar, ainda mais quando imaginamos - e algumas pessoas não percebem
isso – que estamos tentando viver num país onde o confronto das idéias deve
presidir o relacionamento político, mesmo dentre aqueles que integram a mesma
legenda partidária.
É da discussão que nasce a luz. Um partido político onde haja unanimidade de
idéias, sem possibilidade de debate, é um partido político frustrado. Entre
partidos políticos o respeito às idéias contrárias é que faz com que padrões
civilizatórios prevaleçam. Imaginar chegar num município para uma tarefa
política rotineira e ser hostilizado, ser confrontado, desrespeitado, é
realmente algo inusitado. Entretanto, as pessoas se expressam de acordo com seus
próprios padrões. A população de Magé, naturalmente, refletirá sobre esse tipo
de procedimento e dará, com certeza absoluta, a resposta nas urnas.
Então, minha solidariedade a V. Exa. e ao seu partido.
Mas venho à tribuna, Sr. Presidente, Srs. Deputados, para tratar de algo que já
tratei aqui em algumas abordagens que fiz, porque somos sempre envolvidos em
debates sobre a criminalidade urbana, a insegurança pública, e nos distanciamos
de um debate sobre os grandes crimes contra o patrimônio.
No último sábado, o jornal O Globo publicou matéria que deveria - e esperamos
que se transforme em um mega escândalo - mobilizar toda a vontade não apenas do
povo brasileiro, mas de todos os povos, especialmente dos povos explorados.
Vejam bem: O propinoduto de luxo dos pobres – O Banco Mundial estima que U$ 1,6
trilhão, frutos de crime e corrupção, estão sendo lavados em países
desenvolvidos, por ano. Veja bem, Sr. Presidente, U$ 1,6 trilhão. E esse
dinheiro é fruto de quê? Veja bem que é uma denúncia feita pelo Banco Mundial e
pela ONU, portanto, uma denúncia que há de merecer toda a confiabilidade. O
dinheiro provém. O rombo anual chegaria, em termos de corrupção, propinas pagas
a políticos - 40 bilhões; atividades criminosas – 500 bilhões anuais em dinheiro
sujo; sonegação fiscal – outros 500 bilhões. Quem diz isso é a ONU e o Banco
Mundial. Subornos, comissões ilegais e outras formas de renda dos países em
desenvolvimento são fornecidos por empresas e indivíduos dos países
desenvolvidos, e o dinheiro roubado quase sempre é escondido em países ricos ou
em paraísos fiscais. Aliás, paraísos fiscais também controlados pelos países
ricos.
Em outro trecho, diz assim: “O Banco Mundial deixa claro que a iniciativa, isto
é, criar mecanismos envolvendo os países ricos para eliminar esta sangria e
autoprevenir práticas delituosas como o contrabando, o tráfico de entorpecentes,
o jogo, a prostituição e o lenocínio, tudo aquilo que integra o crime
organizado.” Veja bem, o Bird deixa claro que a iniciativa só terá êxito se, de
fato, os países industrializados deixarem de fazer vista grossa à lavagem de
dinheiro a que eles se prestam.
No documento em que o Banco Mundial e a ONU se comprometem a empreender, como
prioridade, uma cruzada contra os corruptos, está registrado que chegou a hora
de se encarar o problema olhando o outro lado da equação — o outro lado da
equação são os países ricos que se beneficiam desse antro de crime e de
corrupção.
Bens roubados são freqüentemente escondidos em centros financeiros dos países
desenvolvidos; suborno de funcionários públicos dos países em desenvolvimento,
se originam, freqüentemente, de corporações multinacionais; e os serviços
intermediários fornecidos por advogados, contadores e agentes, que criam
companhias de fachada para lavar ou esconder rendimentos de roubos realizados
por políticos, estão freqüentemente localizados nos centros financeiros dos
países ricos.
O que temos de fazer é tornar cada vez mais difícil, aos ladrões dos cofres
públicos, roubar o dinheiro do povo e tornar cada dia mais fácil, para o
público, recuperar seu dinheiro de volta.
Veja bem, Sr. Presidente, o Banco Mundial e a ONU. Já tive oportunidade de dizer
que o grande escândalo consiste em a comunidade internacional aceitar a
existência dos paraísos fiscais como receptadores de praticamente quase todo o
dinheiro auferido de forma ilegal.
Agora, o Banco Mundial acrescenta que os países desenvolvidos participam
diretamente — e não apenas por intermédio dos paraísos fiscais — dessa lavagem.
E aí, vem uma indagação que já fiz aqui desta tribuna: qual o sentido político
da corrupção? Quem controla a lavagem do dinheiro sabe quais são aqueles que
auferiram o tal dinheiro por mecanismos escusos. Os paraísos fiscais são,
portanto, uma espécie de cadastro criminal. Os países desenvolvidos sabem, em
qualquer parte do mundo, quais aqueles que participam do crime organizado,
depositando dinheiro lá; quais aqueles que se corrompem, e põem o dinheiro lá.
São os grandes.
Por outro lado, se eles sabem que quem deposita lá dinheiro auferido de forma
escusa e tem poder político, fica facilmente dominado. Eles controlam a
consciência política daqueles que se corromperam em países como o Brasil. E,
controlando a vontade política, eles impõem a própria vontade.
Fica muito difícil, a países como o Brasil, encontrar a libertação do seu povo
pelas vias democráticas tendo, na verdade, os países industrializados, tais
mecanismos de controle. Porque eles controlam o fluxo ilegal de dinheiro e eles
controlam aqueles que remetem, de forma ilegal, ou se corrompem, ou participam
do crime organizado. Eles controlam a vontade política.
Não há independência para nenhum governante que tenha recursos depositados em
paraísos fiscais ou nos países industrializados. E, se não há vontade política,
se não há independência, os governantes acabam cumprindo as determinações de
quem guarda o dinheiro e de quem corrompeu.
Imaginar, por exemplo, que tivemos um Presidente da República que, depois de 65
anos, disse claramente: “Rasguem ou esqueçam tudo aquilo que eu escrevi”.Como
alguém pode mudar completamente de visão política depois de ter tido uma vida
inteira propugnando por um caminho?
Lamento que o nosso Presidente da República, estando no exterior, diga que não
há provas do mensalão, que aqueles que são apontados como envolvidos não podem
ser alcançados pelo braço da justiça na medida em que não há provas.
Qual a razão? Como não há provas, se está tudo documentado, as provas aí estão
afrontando a consciência da população brasileira?
Concluo que esta matéria tem um significado muito grande. Estou encaminhando ao
meu Partido, o PDT, uma proposta no sentido de tentar mobilizar outras correntes
políticas com o objetivo de se associarem à iniciativa da ONU e a do Banco
Mundial. Se porventura as providências forem tomadas de cima para baixo,
seguramente teremos muito mais segurança e muito mais tranqüilidade. Acima de
tudo, teremos muito mais recursos para o investimento em políticas públicas
verdadeiramente inclusivas, retirando da miséria a maioria esmagadora da
população brasileira e de outras partes do mundo.
Muito obrigado.
TOPO
18/09/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - A falta de recursos para o Corpo de
Bombeiros
Cedae: privatização do serviço em Belford Roxo
Polícia Civil, Polícia Militar e a População
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna
tratar de três assuntos, sobre os quais vou falar muito rapidamente. O primeiro
deles envolve o Corpo de Bombeiros Militar.
A imprensa noticiou que a corporação de tantas tradições, tendo em vista a falta
de chuvas, está completamente desaparelhada para cumprir as suas tarefas. Ao ler
a matéria, vi a preocupação dos bombeiros militares, especialmente dos escalões
de comando, com as responsabilidades que têm e, principalmente, com a imagem da
corporação, procurando dar explicações de modo até a tranqüilizar a população.
O Corpo de Bombeiros dispõe apenas de um avião, que tem o papel de apagar focos
de incêndio, já que leva água e a despeja sobre os focos. Esse avião, por causa
de uma peça, está parado durante meses a fio. No momento da necessidade, não
pôde ser empregado porque estava em manutenção, aguardando a importação de uma
peça. Imaginei que uma das razões, talvez, seja o fato de estar o Corpo de
Bombeiros na Secretaria de Saúde, uma vez que não há nenhuma correlação.
O governo do Estado resolveu, tendo em vista o brilhante trabalho que os
bombeiros militares fazem, de atendimento e socorro de emergência, integrar a
Defesa Civil à área da Saúde. Com atribuições tão diversificadas e tão amplas,
se o Sr. Secretário já não corresponde de forma aceitável naquilo que é exigido
na área da Saúde, imaginem com as atividades de defesa civil.
Por outro lado, onde está o dinheiro do fundo? O Corpo de Bombeiros dispõe de um
fundo, o Funesbom. Para o fundo são várias as contribuições, inclusive a taxa de
incêndio. O dinheiro do fundo está sendo aplicado em quê? Para aparelhar o Corpo
de Bombeiros? Se cumprisse tal objetivo, a aeronave estaria em condições de
cumprir sua tarefa.
Venho manifestar, primeiro, a minha solidariedade aos bombeiros militares,
porque sei da dedicação, do esforço, do sentimento e até do sofrimento quando o
nome da instituição fica exposto.
Aliás, até o Sr. Secretário de Meio Ambiente fez críticas. A impressão é de que
S. Exa. pertence ao governo de outro Estado. Como, tendo responsabilidades de
governo, S. Exa. critica uma instituição vinculada ao próprio governo? Ele
critica uma instituição vinculada ao próprio governo. Mas também, ao mesmo
tempo, além dessa solidariedade aos bombeiros militares, tentar enviar daqui –
não sei se vai chegar a Roma, onde está o Sr. Governador com sua equipe – um
pleito: que o Corpo de Bombeiros passe a integrar separadamente a Secretaria de
Estado de Defesa Civil, que o Corpo de Bombeiros seja inserido na estrutura
governamental de acordo com sua destinação constitucional.
Estou encaminhando um requerimento de informações para saber quanto o fundo
arrecadou durante os últimos anos, de onde vem a contribuição para a formação do
fundo e a aplicação. Onde está sendo aplicado o dinheiro do fundo? Certamente,
para aparelhar o Corpo de Bombeiros, não é. Aliás, é preciso denunciar que os
bombeiros militares contribuem para o fundo, para a área de Saúde, e, mesmo
assim, ainda pagam inúmeros atendimentos médico-odontológicos. Contribuem para o
fundo e ainda pagam por tratamentos diversos. Então, Sr. Presidente, é uma
situação inaceitável e não podemos concordar com o rumo que o governo vem
imprimindo a uma instituição que tem uma tradição e um nome tão grandes.
Segundo ponto, Sr. Presidente, é a Cedae. Fizemos hoje aqui uma audiência
pública, tratando de uma situação específica da Cedae. Tomamos conhecimento,
dias atrás, de que o governo do Estado pretende entregar a distribuição de água
e o tratamento de esgoto no Município de Belford Roxo à iniciativa privada, sob
o argumento de que naquele município o percentual de inadimplência é muito
grande. Veja só! Não cogita o governo verificar se a água tem sido fornecida
regularmente. Não cuida o governo de constatar que, não obstante o caríssimo
Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, em Belford Roxo as valas negras
estão por todos os cantos. Não. A preocupação do governo se dirige única e
exclusivamente para o faturamento e não para a prestação de um bom serviço,
para, como retribuição, ter o pagamento. Não se preocupa com o fato de ser
Belford Roxo um dos municípios mais empobrecidos. A população cresce, a renda
diminui e os serviços públicos vão sendo cada vez mais precarizados.
Estiveram aqui representantes da Cedae e representantes de todas as entidades de
trabalhadores. Há unanimidade entre os trabalhadores, tenho certeza, porque
compareceram também representantes de associações de moradores de Belford Roxo,
todos. Nenhum quer a privatização. Todos querem que no município o serviço de
água e esgoto continue sendo um serviço público, obviamente, de boa qualidade.
Se a população não tem renda, contando que o saneamento guarda obviamente uma
vinculação com a saúde, que para as pessoas de baixa renda haja a tarifa social.
É assim que age um governo responsável e, não em troca do faturamento, supliciar
a população.
Então, tendo em vista informações que foram trazidas mas de difícil comprovação,
denunciaram na audiência pública os trabalhadores da Cedae que o processo de
terceirização já estaria quase que consumado, mas ainda não consumado, estamos
marcando uma audiência com o presidente da Cedae, porque precisamos, pelo menos,
conhecer a verdade: qual é a pretensão do governo e em que pé o processo se
encontra. E sabendo o governo que os trabalhadores da Cedae rejeitam essa
proposta, assim como também a rejeita a população. Foram muitas as entidades
representativas de trabalhadores que estiveram presentes hoje, na nossa
audiência pública.
Por último, Sr. Presidente, quero tratar de um fato profundamente desagradável,
grave e preocupante. Tomamos conhecimento, ontem à noite - e hoje está em todos
os jornais - que em Caxias, terra de V. Exa. Deputado Zito, o delegado titular
da 59a. Delegacia de Polícia, na fiscalização que vem fazendo desde fevereiro,
concluiu que muitos policiais militares e policiais civis estariam envolvidos
com o tráfico de entorpecente. E desencadeou um processo de prisão alcançando
cinqüenta e poucos policiais militares. Sendo ele Delegado de Polícia, fica para
alguns a estranheza de não ter alcançado nenhum policial civil. Já que ele
próprio diz que o envolvimento é o mais amplo possível, agregando nesse
envolvimento, nesse desvio de conduta, nesse procedimento execrável, integrantes
tanto da Polícia Militar quanto da Polícia Civil.
A grande questão é que vem crescendo e se aprofundando um conflito institucional
de conseqüências as mais preocupantes e indesejáveis. Pela experiência que
acumulei, brevemente teremos aí troca de tiros nas ruas, na porta das
delegacias, na porta dos quartéis. Chegaremos ao enfrentamento armado de
policiais civis e militares. E de quem é a responsabilidade? É do governo,
porque estamos vendo uma competição, cada instituição pretendendo assumir as
responsabilidades da outra, mas sob o patrocínio da política na área de
Segurança Pública.
Já tive a oportunidade de tratar desse tema aqui inúmeras vezes. A Polícia Civil
vem fazendo operações policiais, fardada. Assumindo, portanto, um papel que cabe
à Polícia Militar: de policiamento ostensivo e fardado. Eu nunca vi, a Polícia
Judiciária repressiva criminal ou de investigação fazendo a investigação usando
farda, com viaturas caracterizadas. Isso não existe em nenhuma parte do mundo,
nem nos países mais atrasados. Até na Colômbia, onde S.Exa. o governador do
Estado foi buscar inspiração, isto acontece!
A polícia de investigação investiga sempre estando completamente
descaracterizada. Avança nas atribuições, tentando afirmar uma competência
maior. E a recíproca? Também tem, porque na Polícia Militar - que tem a
responsabilidade de fazer o policiamento ostensivo e fardado - muitos policiais
se embrenham na investigação criminal, tentando demonstrar mais preparo, mais
competência, mais agilidade do que os profissionais da Polícia Civil.
Tudo, eu reitero, com o patrocínio do governo. E aí o que acontece? Naquilo que
depende da Polícia Civil investigar, que tenha, mesmo que longinquamente ou
mesmo através de uma única suspeição, policial militar envolvido, o fato é
transformado em escândalo e imediatamente levado para o conhecimento dos meios
de comunicação, expondo o nome de pessoas e expondo o nome da instituição. Esta
operação acontecida em Duque de Caxias não poderia ter sido alvo dessa
divulgação da forma como se deu. A divulgação só poderia ser feita concluídas as
investigações. Não poderia ter sido divulgada numa fase intermediária, numa fase
em que ainda não há toda a certeza.
Outro episódio parecido aconteceu com o lamentável atentado perpetrado contra o
Delegado Alexandre Neto. O delegado de Copacabana, agilmente, resolveu seguir
uma linha de investigação envolvendo policiais militares. Agora, está
enfrentando uma contradição. Afirmou uma determinada coisa e a prova mostra que
aquilo não aconteceu. O carro da Polícia Militar que ele alegou ter passado na
Rua Constante Ramos – onde mora o delegado - não passou lá. Então, por que ele
não quer investigar outras linha possíveis que tenham envolvimento de policiais
civis? Aliás, a própria vítima denunciou isto.
Não quero, Sr. Presidente, assumir qualquer posição que possa representar
parcialidade, na medida em que sou oriundo dos quadros da Polícia Militar. Não,
não quero. É preciso que haja responsabilidade. É preciso que a Constituição
seja cumprida; que cada instituição cumpra com o seu papel: a Polícia Militar,
do policiamento ostensivo normal e a Polícia Civil, na investigação criminal.
Mecanismos de integração devem ser buscados. Muitos já são conhecidos. Mas o que
não se pode tolerar, sob pena de estimular esse conflito e essa competição, com
o patrocínio da Secretaria de Estado de Segurança Pública, é cada instituição
procurar cumprir o seu papel, mas avançando na atribuição da outra.
A experiência acumulada diz que, se as forças de segurança ficam se digladiando,
quem perde é a população que já está insegura, assustada; e agora perdendo muito
mais do que completamente a confiança no aparato policial. Se é isso que o
governo busca, ele está alcançando, está conseguindo.
Sr. Presidente, faço essa advertência, não apenas ao Secretário de Estado de
Segurança Pública, mas também ao governador e aos profissionais da Segurança
Pública - os policiais civis e militares - que compreendam, que assumam a
compreensão de que, em termos de estrutura da Polícia, eles têm um adversário
comum, que é o próprio governo; que não podem ficar se enfrentando, competindo,
um tentando aniquilar o outro, porque perdem as instituições e perde a
população, a quem todos devem servir. Fica aqui esta advertência.
Sr. Presidente, estou encaminhando um requerimento ao presidente da Comissão de
Segurança Pública para que, ainda esta semana, possamos ter aqui o Secretário de
Segurança, o Comandante-Geral da Polícia Militar, o Chefe da Polícia, o delegado
titular da 59ª DP e o Comandante do 15º Batalhão. Porque se tudo aquilo
acontecia no batalhão, então, não havia comando. Se tem 2ª sessão e Corregedoria
que investigam, se tem corregedoria-geral unificada, se tem 2ª sessão do Estado
maior, ouvidoria, Disque-Denúncia e acontece algo com tamanha profundidade, só
mesmo havendo uma cumplicidade generalizada, a partir dos escalões de comando, a
partir, inclusive, do próprio Secretário de Segurança, porque ele dispõe de
muitos meios para conhecer o que acontece nas diversas áreas de policiamento.
Sr. Presidente, quero manifestar meu apreço aos profissionais da Segurança
Pública, às duas instituições policiais e ao mesmo tempo esperar que o governo
do Estado - que tantos compromissos assumiu durante a campanha eleitoral -
possa, verdadeiramente, dar a atenção à área da Segurança Pública porque a
população já está desesperada.
TOPO
11/09/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Fraudes no Ministério Público Estadual
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar
quero manifestar a minha solidariedade aos integrantes do Ministério Público
Estadual, na medida em que hoje alguns jornais de grande circulação registram
uma grave denúncia que, queiramos ou não, pode arranhar a reputação do nosso
Ministério Público Estadual.
Manifesto a minha solidariedade na medida em que tive a oportunidade, em
participando da elaboração da Constituição, promulgada no dia 5 de outubro de
1988, de ver as atribuições deferidas ao Ministério Público, fazerem com que
aquele órgão, aquela instituição passasse a ter responsabilidades ainda maiores
diante da sociedade brasileira.
Vi com entusiasmo a mudança. E agora, é com muito sofrimento que vejo estampada
nas páginas dos jornais a notícia de que a assinatura de procuradores, de
representantes do Ministério Público, estariam sendo fraudadas, com o objetivo
de dar um curso diferenciado a processos, beneficiando figuras que deveriam
estar sendo responsabilizadas por suas práticas e, ao mesmo tempo também,
proteger figuras que buscam a degradação do meio ambiente.
Os jornais noticiaram três casos, todos escabrosos. Falam da possibilidade –
veja a gravidade, Sr. Presidente – da existência de uma espécie de quadrilha
montada no seio daquela instituição para fraudar pareceres.
Então venho aqui, em primeiro lugar, reiterar o meu apreço ao Ministério
Público, a minha solidariedade a todos os procuradores de Justiça, todos os
promotores públicos, na esperança de que a investigação se aprofunde - o
Tribunal de Justiça acolheu a denúncia – e que aqueles que ousaram macular tão
importante instituição possam ser responsabilizados pelos seus atos.
Tratando de um outro tema, Sr. Presidente, só tenho a dizer que estamos diante,
no Estado do Rio de Janeiro, da falência, a mais completa, da autoridade. Como é
possível aceitar que numa festa, numa comemoração, dois Ministros de Estado e um
Secretário de Estado, num trem urbano, sofram o constrangimento ao terem que
mergulhar no chão porque a locomotiva foi alvejada por tiros?
Houve alguma imprevidência em relação à segurança? Houve alguma provocação? Só
sei que, se com alguns ministros que visitam o nosso Estado para uma solenidade
oficial, esse tipo de agressão acontece, como ficam os cidadãos comuns? Como
ficam aqueles que no seu dia-a-dia percorrem os ramais ferroviários, os ramais
rodoviários. A situação é de grande desespero.
Mas é preciso denunciar a falência da autoridade do nosso Estado. E a falência
vai sendo constatada através de episódios os mais diversos, até quando algumas
figuras são investidas de funções públicas e, ao invés da busca do cumprimento
da lei, essas figuras agem de forma, a mais arbitrária. Posso citar o exemplo do
presidente do Detran, Sr. Antônio Francisco Neto, à frente daquela autarquia,
veio o Sr. Neto colocando mais de uma centena de servidores sem qualquer função.
Servidores efetivos, servidores com longo tempo de experiência estão sendo
colocados nos armários, sem qualquer atribuição. Tem a obrigação do cumprimento
do ponto, permanecendo na autarquia na ociosidade. Paralelamente a isso, todos
os serviços estão sendo terceirizados.
Eu não sei. Há pouco tempo, os jornais estampavam uma notícia de que o Tribunal
de Contas do nosso Estado estaria responsabilizando alguns secretários de
Estado, na época do Governo Garotinho e Rosinha Garotinho, pela terceirização,
pela contratação de servidores, através de fundações, institutos e ONGs. Mas
como, se a mesma coisa continua acontecendo em diversos órgãos do Estado? Como o
Tribunal de Contas está tomando providências, em relação ao passado se, no
presente, as mesmas coisas estão acontecendo? Ou o Tribunal de Contas faz de
conta ou aqueles que exercem funções no Executivo alcançaram tal poder que
sequer ficam sensibilizados por qualquer fiscalização ou qualquer
responsabilização por seus atos. São irresponsáveis. Mas estamos falando de
questão de autoridade. Qual a autoridade que tem o Tribunal de Contas se ele
busca multar, penalizar gestores passados e os atuais gestores, a começar pelo
Sr. Antônio Francisco Neto, fazem rigorosamente a mesma coisa?
E veja bem, no Detran a representação da categoria, o sindicato, encaminhou um
ofício ao governador do Estado denunciando o que está acontecendo naquele órgão.
Mas será que nós vamos admitir que o governador não tem ciência de algo que está
acontecendo em toda a administração pública? Toda, sem nenhuma exceção. Não há
nenhum órgão do nosso Estado, da administração direta e indireta que não esteja
dando continuidade às práticas do governo passado.
Estou citando o exemplo do Detran, fiz uma audiência pública tratando os
trabalhadores do Instituto Vital Brazil. Fiz uma outra audiência pública com
servidores do Proderj, junto com o presidente da Comissão dos Servidores
Públicos, Deputado Nelson Gonçalves. O Proderj também vem terceirizando todos os
seus serviços. Agora está iniciando uma licitação de 28 milhões, para
terceirizar serviços.
Então, o presidente do Detran, Sr. Francisco Neto, não está isolado nessa
prática administrativa de dispensar servidores efetivos de suas atribuições,
colocá-los na ociosidade enquanto vai contratando seus apaniguados, como
acontece em toda a administração.
Então, Sr. Presidente, assomo à tribuna para daqui mandar uma voz, uma mensagem
ao Sr. Governador Sérgio Cabral que, durante o período em que concorria ao
pleito, assumiu com os servidores públicos todos os compromissos, inclusive o
compromisso com o concurso público; manifestar o compromisso com o concurso
público significa defender os servidores efetivos, estatutários – mas tal não
vem acontecendo. Portanto, que S. Exa. o Sr. Governador tome conhecimento do que
vem acontecendo em sua administração, em especial, que é o motivo principal de
meu pronunciamento, no nosso Departamento de Trânsito.
O Sr. Francisco Neto está sendo arbitrário, está agindo contra a lei: é o
assédio moral, a pressão, a repressão, humilhando os servidores efetivos para
colocar seus protegidos – aliás, vamos verificar até os endereços; certamente
muitos são de Volta Redonda.
Muito obrigado.
TOPO
04/09/2007- Expediente
Inicial
Discurso - Paulo Ramos - Mensalão
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, assomo à tribuna para tratar
de um tema, objeto de grande repercussão na mídia na semana passada, qual seja,
a decisão do Supremo Tribunal Federal, acolhendo denúncia do Ministério Público
Federal quando tratou da questão que chegou ao conhecimento público com o nome
de mensalão.
Não obstante as divergências partidárias que ainda alimento em relação ao
Partido dos Trabalhadores, não fiquei feliz diante daquele episódio, porque vi a
denúncia acolhida envolvendo figuras da vida nacional, com as quais, em uma
determinada fase tive a oportunidade de conviver e de respeitar. Entretanto,
considerei muito justa a decisão do Supremo Tribunal Federal, na medida em que
foi exatamente o Partido dos Trabalhadores que durante anos a fio se apropriou
da ética – era o grande arauto da ética.
Em função dos privilégios que tinham nos meios de comunicação, esses quadros
prosperaram, cresceram na política, fazendo crescer o partido. Chegando ao
poder, eles dão um péssimo exemplo e ainda levam a população a uma desilusão
muito grande.
É preciso registrar que o Supremo Tribunal Federal apenas acolheu a denúncia e
que agora o processo criminal vai ter o seu curso, somente agora, porque o
processo começa com o acolhimento da denúncia. Não posso deixar de assumir a
responsabilidade de manifestar uma preocupação: até a presente data o Supremo
Tribunal Federal, que é o foro privilegiado daqueles que detêm o poder político
no Planalto Central, não condenou ninguém. Não há ainda nenhum caso, com a
denúncia acolhida, em que o julgamento tenha sido acolhido. O pior: já existem
casos em que, tendo em vista a morosidade para conclusão do julgamento, houve a
prescrição. O denunciado se beneficiou do passar do tempo, sem que o Supremo
Tribunal Federal tenha decidido.
Quando se fala em impunidade precisamos refletir a respeito do foro
privilegiado, porque a população confunde foro privilegiado com impunidade. São
casos diferentes? São diferentes na teoria, mas não estão sendo diferentes na
prática. Como explicar à sociedade o fato de existir um tribunal para julgar
deputados, senadores, ministros, sem que tenha havido uma decisão? Nem estou me
referindo à decisão condenatória – ainda não houve sequer decisão absolvendo. As
denúncias são acolhidas, entretanto, o processo não é concluído com o julgamento
definitivo.
Venho à tribuna para tratar deste tema na medida em que tenho visto em todos os
jornais manifestações as mais eloqüentes de homenagem ao Supremo Tribunal
Federal pelo fato de ter acolhido a denúncia envolvendo tais figuras. Imaginar
com os olhos do cidadão comum que alguns dos denunciados que ocuparam cargos, os
mais expressivos da República, eram figuras que conduziam, juntamente com o Sr.
Presidente da República, os destinos da Nação brasileira, é duro. De qualquer
maneira, vejo com algum entusiasmo e até com muita mágoa não a decisão do
Supremo Tribunal Federal, mas algumas pessoas envolvidas, que já mereceram de
minha parte todo o respeito. Outra coisa é esperar que o Supremo Tribunal
Federal conclua com o julgamento não apenas este caso do mensalão, mas também os
casos anteriores. Porque se tal não acontecer, o Supremo Tribunal Federal não
estará cumprindo, não estará assumindo a responsabilidade que tem – de processar
e julgar a partir do acolhimento das denúncias.
Então, esta é minha preocupação e quero dizer que não tem sido uma quadra fácil
da vida do povo brasileiro e da História de nosso País ver figuras, que já foram
tão expressivas, sendo denunciadas – e denúncias já acolhidas – por formação de
quadrilha. Talvez não possa existir nada mais pernicioso. Uma quadrilha formada
para auferir, de forma ilícita, recursos – inclusive públicos - não apenas para
colocá-los no bolso, mas também para servir de instrumento de ação política para
comprar apoiamentos no Congresso Nacional.
Não sei se pode existir afronta à Ética mais hedionda. Mas não tenho ainda
nenhum entusiasmo com relação àquilo que pode acontecer no Supremo Tribunal
Federal. E a sociedade tem que exigir, além do acolhimento da denúncia, a
conclusão dos processos, com o julgamento. E exigir também o julgamento dos
demais processos que ainda tramitam no Supremo Tribunal Federal.
Então, lamento profundamente todos esses episódios, que não são muito
afortunados. “Fortuna” é o que foi amealhado. Mas, em termos de sentimentos,
trata-se de um episódio não muito afortunado.
Então vamos esperar que o Supremo Tribunal Federal – com relação aos processos
que tramitam há mais tempo – conclua os julgamentos. E esperemos também que as
ações atualmente acolhidas tenham uma tramitação rápida, porque, aí sim, teremos
a consagração da impunidade alcançando os escalões mais elevados da nossa
República.
Mas, muito rapidamente, Sr. Presidente, também assomei à tribuna, primeiro para
manifestar minha solidariedade aos serventuários da Justiça, pois não é possível
que o Sr. Governador Sérgio Cabral interfira desta forma em outro Poder, uma vez
que o Poder Judiciário tem sua autonomia. E o Sr. Presidente do Tribunal de
Justiça do Estado do Rio de Janeiro, quando encaminhou a esta Casa uma mensagem
com a previsão de reajustes para aqueles serventuários, ele o fez como chefe de
um Poder – e dentro de suas limitações orçamentárias.
O Sr. Governador Sérgio Cabral, ao interferir – ao tentar equiparar; ao tentar
evitar uma comparação entre o que ele concedeu aos servidores públicos da
Educação, Saúde e Segurança Pública e ao exigir que seja o mesmo percentual
concedido àqueles serventuários da Justiça – pretende, de forma objetiva, tapar
o sol com a peneira. Tenta ele explicar que não tem recursos.
Mas o Sr. Presidente do Tribunal de Justiça é um homem responsável e não
encaminharia a esta Casa uma mensagem ultrapassando os limites da Lei de
Responsabilidade Fiscal em seu Poder.
É a primeira vez que isso acontece, pois nunca o chefe do Poder Executivo
interveio em mensagens encaminhadas a esta Casa pelo chefe de outro Poder.
Assim, empenho minha solidariedade aos serventuários da Justiça, esperando que o
Presidente do Tribunal de Justiça, o Sr. Desembargador Murta Ribeiro, afirme sua
autoridade de chefe de um poder, que não se curve diante da exigência do
governador do Estado. E que saiba como encontrar os caminhos para a afirmação de
sua autoridade.
Por último, também muito rapidamente, queria dizer da audiência pública que
fizemos, com a participação de V. Exa., Sr. Deputado Zito, que preside esta
Sessão.
Quero dizer que os rodoviários estão vivendo uma agonia muito grande na medida
em que o Poder Executivo, através do Detro, subordinado à Secretaria de
Transportes, vem permitindo e vem se acumpliciando a algo que penaliza a
sociedade e leva os rodoviários a uma situação de desespero, que é a dupla
função do motorista: ser motorista e simultaneamente cobrador. E o pior, com
salários menores, porque o microônibus exige uma habilitação não exigida para o
ônibus. Paga menos e lucra muito mais.
V. Exa. ainda lembrou hoje na audiência pública a renúncia fiscal do final do
Governo Rosinha em benefício dos empresários de ônibus, o ICMS sendo reduzido
sobre o óleo diesel. Então, tudo contribuindo para que eles tenham mais e mais
lucros. Às vezes, não estão sequer preocupados nem com a saúde dos rodoviários e
muito menos com a segurança da população. Os acidentes estão acontecendo e não
há qualquer providência. Vamos ver se a Comissão de Trabalho, com a participação
de V. Exa. e de todos os demais parlamentares, pode dar uma contribuição para
fazer com que o governo do Estado respeite os direitos dos trabalhadores
rodoviários e, acima de tudo, saiba que é uma concessão o transporte rodoviário,
e que não pode ser uma concessão a colocar em risco a vida da população.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Zito) – Quero parabenizar V. Exa. pela reunião presidida por
V. Exa. hoje, na parte da manhã, e ressaltar a importância dessa classe
trabalhadora que está acreditando nesta Casa Legislativa. Parabéns a V. Exa.
pela belíssima reunião.
TOPO
04/09/2007- Expediente
Inicial
Discurso - PAULO RAMOS - Serventuários da Justiça
Texto do Discurso
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, acabei de participar, aqui
nas escadarias da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, de um
encontro, já que era uma manifestação dos serventuários da Justiça e esta Casa
precisa se debruçar sobre o conflito que está instalado entre o Poder Judiciário
e o Poder Executivo.
E por que conflito, Sr. Presidente? Porque todos nós sabemos que um dos
princípios republicanos é a independência entre os poderes, o Legislativo, o
Executivo, e o Judiciário. São independentes e harmônicos entre si, é o que diz
a Constituição.
Quando se fala na independência, quando se fala na autonomia, é preciso
compreender a extensão.
E, com base nesses princípios, o Presidente do Tribunal de Justiça,
Desembargador Murta Ribeiro, encaminhou a esta Casa, como é de sua competência,
uma mensagem propondo um reajuste na remuneração dos serventuários da Justiça.
Quando S. Exa., o Desembargador Murta Ribeiro, encaminhou a mensagem a esta
Casa, obviamente ele tinha consciência da sua autonomia, ou da autonomia do
Poder por ele presidido. E também o fez dentro de suas limitações orçamentárias,
observando a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Obviamente, que caberia, e cabe, a esta Casa apreciar a mensagem, aprovando, ou
rejeitando.
Entretanto, o chefe do Poder Executivo, o governador do Estado, resolveu
interferir simultaneamente em dois Poderes; no Poder Judiciário, e, ainda nesta
Casa, porque, veja bem, Sr. Presidente, embora o Presidente do Tribunal de
Justiça não tenha solicitado o regime de urgência na mensagem que encaminhou, 65
deputados - e esta Casa tem 70 -, 65 subscreveram o requerimento de urgência. E
o requerimento de urgência, com 65 assinaturas, sequer, por força regimental,
deveria ser encaminhado ao plenário para votação, porque já contava uma maioria
muito mais do que esmagadora, a quase unanimidade. E dizer que, pelo menos, três
deputados somente não subscreveram por dificuldade no recolhimento das
assinaturas, mas manifestaram apoio.
A mensagem, Sr. Presidente, foi encaminhada a esta Casa no mês de maio, no mês
de maio. E o requerimento de urgência foi encaminhado à Presidência, ainda no
início de junho; e já estamos no mês de setembro.
O Governador do Estado não pode, - não é nem deve, não - não pode aproveitar
alegadas dificuldades para conceder reajuste aos servidores do Poder Executivo.
Eu digo, alegadas dificuldades, porque há recursos, sim, o governo é que tem
outras prioridades, que não a melhoria na remuneração dos servidores do Poder
Executivo.
O governador não pode atrasar o processo legislativo, influindo para que a
matéria não seja incluída na Ordem do Dia, porque ele está interferindo
simultaneamente em dois Poderes.
É claro que compreendemos o papel, que até agora vem sendo tentado de se buscar
um acordo, de esta Casa possibilitar o fim de uma crise entre dois poderes
através de uma negociação.
Mas, hoje, a notícia que chega é que S. Exa. o governador do Estado, em
tratativas com uma comissão de desembargadores, formada pelo Presidente do
Tribunal de Justiça, resolveu oferecer - vejam a petulância - um reajuste de 4%,
igual àquele que ele miseravelmente concedeu aos servidores da Educação, Saúde e
Segurança. Aliás, pela primeira vez, os servidores públicos rejeitam uma
proposta de correção salarial, porque a unanimidade das representações dessas
três categorias rejeitou o aumento.
Sr. Presidente, agora estamos diante de um impasse. O Presidente do Tribunal de
Justiça tem uma Mensagem encaminhada a esta Casa a ser incluída na Ordem do Dia,
já com o requerimento de urgência subscrito pela quase unanimidade da Casa e o
governador do Estado intervém, pretendendo uma modificação na Mensagem. Não
acredito que o Desembargador Murta Ribeiro, que preside o Tribunal de Justiça,
vá se submeter às exigências do Executivo, retirando a Mensagem e muito menos
modificando-a.
Isso seria uma capitulação que amesquinharia o Poder Judiciário na sua
independência, na sua autonomia e o pior, nenhum outro Presidente do Tribunal de
Justiça enfrentou esse tipo de situação.
Venha à tribuna, em primeiro lugar, para manifestar a minha solidariedade aos
serventuários da Justiça e dizer da minha esperança na ação, na afirmação do
Presidente do Tribunal de Justiça. Que ele venha a esta Casa dizer que ele não
se curva, que não aceita a intervenção e que não pode, de forma alguma, diante
das responsabilidades que tem, permitir que o chefe do Poder Executivo oriente o
que ele deve, como chefe do Poder, conceder àqueles que, sem os quais, seria
impossível a prestação jurisdicional do Estado. Eles são essenciais e, uma vez a
matéria incluída na Ordem do Dia, veremos que este é o dever da Casa, votar a
matéria.
Vamos verificar se a maioria nesta Casa seguirá a equivocada orientação do
governador do Estado, ou se a maioria irá demonstrar que respeita a
independência dos Poderes, se a maioria vai aceitar uma agressão de um Poder a
outro, ou se a maioria vai - não direi nem estabelecer - restabelecer um
princípio republicano.
Sr. Presidente, acredito que o Desembargador Murta Ribeiro se utilizará da
autoridade que tem para levar o chefe do Poder Executivo a desistir dessa
insanidade. Minha solidariedade aos serventuários, Sr. Presidente.
TOPO
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