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Expediente Final 30/04/08
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados, eu venho a essa tribuna para prestar uma homenagem à classe
trabalhadora, tendo em vista o dia de amanhã ser dedicado a uma justa homenagem
que é devida àqueles que são responsáveis pela construção de tudo. Não existe
nada, nada de que o homem se beneficie e que resulte em qualquer transformação
que não tenha a mão, a inteligência, a presença dos trabalhadores.
Quero inclusive sugerir que todos leiam um poema de Vinícius de Morais com o
título “Um Operário em Construção” porque Vinícius de Morais, com a beleza de
sempre, leva-nos a compreender, a assimilar um ensinamento tão precioso capaz de
levar até as pessoas mais insensíveis a compreender o respeito que é devido à
classe trabalhadora.
Há aqueles que falam no fim da história, há aqueles que tentam afirmar o
entendimento da inexistência ou da superação da luta de classe e, obviamente,
que isto não representa um mínimo de verdade. A luta de classe, o enfrentamento
capital/trabalho, está diante de nós e aqui no nosso País a classe trabalhadora
ainda não alcançou o reconhecimento que lhe é devido, na medida em que a
concentração da renda, a desvalorização do trabalho e a desvalorização do
trabalho estão presentes de forma assim tão acachapantes, tão contundentes, que
os trabalhadores do nosso País, na maioria esmagadora, não tem alcançado através
de justos salários ou través de políticas públicas que promovam os
trabalhadores, vivem eles na mais aguda miséria.
O empobrecimento da população
está assim, diante dos nossos olhos, basta freqüentar, basta pesquisar, basta
estar presente em qualquer ambiente que reúna trabalhadores, para assumir a
compreensão de que o dia 1º de maio, que é consagrado aos trabalhadores, deve
ser um dia de reflexão.
Na Constituição de 05 de outubro de 1988, - da qual tenho a honra de ter sido um
dos signatários, mesmo não estando hoje em vigor, - os direitos dos
trabalhadores foram esculpidos como cláusulas pétreas. Se porventura os
constituintes não tivessem tido tal cuidado, com certeza absoluta, com a
avalanche, com o massacre liberal, os trabalhadores já teriam perdido os seus
direitos, direitos que vêm praticamente desde a Era Vargas e que estavam na
Consolidação das Leis do Trabalho.
Aliás, é bom lembrar do salário mínimo, de autoria do Steinbruch, que exerceu,
ao final de sua vida, o mandato de vereador aqui na Câmara Municipal do Estado
do Rio de Janeiro. Foi ele o autor da iniciativa que marcou. Um salário mínimo
que, ao longo de sua existência, perdeu tanto o seu poder de compra, que hoje,
por levantamentos feitos pelo Dieese, o salário mínimo deveria corresponder a
cinco vezes o valor fixado para que pudesse comprar o mesmo que comprava pelo
menos na década de 50.
A Constituição quando trata do salário mínimo diz:
salário mínimo nacionalmente unificado que permita ao trabalhador e sua família
a realização de tantos direitos: alimentação, habitação, vestuário. Ficando só
nas necessidades fundamentais, é possível constatar que com o salário mínimo
vigente hoje, o trabalhador não consegue realizar esses três direitos,
alimentação, habitação e vestuário, para si e para sua família. Se incorporarmos
os demais direitos, vamos verificar que o trabalhador no nosso país, que tem
sido alvo de tantos discursos, de homenagens, concretamente, está
impossibilitado de participar de elementares conquistas que já estão incluídas,
já fazem parte da vida em outras nações minimamente civilizadas. Mas aqui não.
Aqui o homem e a mulher trabalham, suam, constroem, realizam a felicidade dos
outros, mas não conseguem alcançar a própria felicidade.
Ainda temos a ameaça sobre os trabalhadores de uma perversidade liberal chamada
a flexibilização das relações de trabalho. Pretendem que o acordado prevaleça
sobre o legislado. É fácil imaginar, numa situação de desemprego, qual seria a
opção do trabalhador. Ou você permanece com suas férias remuneradas ou você
perde o emprego. Ou você abre mão do 13º salário integral ou você perde o
emprego. A opção é óbvia.
Diante de tal constrangimento, o trabalhador, mesmo que em assembléia, junto com
toda a categoria, a tendência clara é a opção pela preservação do emprego.
Vivemos uma quadra da vida nacional em que os liberais pretendem transformar
pessoas físicas em pessoas jurídicas para que não tenham que responder pelos
encargos sociais, principalmente o Fundo de Garantia e a contribuição
previdenciária.
A classe dominante é tão ousada que se atreve pretender aniquilar direitos tão
elementares. Mas, os trabalhadores, organizados, estão através de seus
sindicatos, de suas centrais sindicais, de suas federações e confederações,
estão lutando para que possam, amanhã, ter um 1º de maio motivo de grande
comemoração. Eles querem escola para seus filhos, mas não têm acesso ou o acesso
é muito difícil; não dispõem de recursos para pagar uma escola particular.
O Sistema Único de Saúde, previsto na Constituição, ainda não está em vigor e o
trabalhador com sua família, às vezes morrem nas filas dos hospitais. Até para
encontrar emprego é difícil, para chegar ao trabalho muito mais, porque os
transportes coletivos estão aí deixando muito a desejar.
Enfim, mesmo diante de todo esse quadro, diante de toda essa injustiça, quero
aqui, em nome de meu partido o PDT e em meu nome pessoal, ainda dizer que nós,
do PDT, temos a felicidade de contar com o Ministério do Trabalho, pelo Sr.
Ministro Carlos Lupi.
Mesmo com as divergências que temos em relação à condução do Governo Lula, o Sr.
Ministro Carlos Lupi tem proclamado que, enquanto ele permanecer à frente do
Ministério do Trabalho, nenhum direito conquistado pelos trabalhadores será
atingido. Portanto, vamos ter esperança na classe trabalhadora, vamos ter
esperança de que amanhã os trabalhadores não só vençam, como prevaleçam porque
ninguém usufrui de um bem que não tenha sido produzido por aquele que hoje é tão
tristemente abandonado em nosso país.
Parabéns aos trabalhadores por seu 1º de Maio.
TOPO
Expediente Inicial 30/04/08
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados.
Eu falo (senhôra), porque, segundo o Professor Comte Bittencourt, a maneira
correta de expressar o feminino de senhor, é (senhora), como temos constatado
inúmeros atentados ao vernáculo, não aqui nesta Casa, que prima pela correção,
mas, em outros ambientes públicos.
Mas, Sr. Presidente, nós estamos aí tratando, acompanhando o sofrimento da
população em função da epidemia de dengue. A dengue está aí e diariamente
ocupando inúmeras páginas de todos os jornais, sendo abordado nas estações de
rádio e também em todos canais de televisão. Diariamente mortes vão sendo
anunciadas e o número de infectados, a cada dia, cresce. É grave, portanto, a
crise na Saúde do nosso Estado, mas, ainda há outras doenças que ficaram
ofuscadas em função da dengue, mas que faz com que o Rio de Janeiro comece a ser
possuidor do título de campeão nacional. Nós temos, veja bem, Deputada Cidinha
Campos, veja bem, Deputado Comte Bittencourt, a febre amarela não tem sido
noticiada, mas, a incidência da febre amarela tem, também, crescido muito, como
cresce a tuberculose, além da hanseníase.
A situação da saúde pública no Rio de Janeiro passa por uma profundíssima
crise que decorre, não vou falar da incompetência, mas da irresponsabilidade das
três esferas do governo, a federal, a estadual e a municipal. Mas procuram
enganar a população ou com a divulgação de providências, de medidas, ou pela
troca de acusações. Uma esfera procurando responsabilizar a outra, mas quem
sofre é a população, principalmente as camadas menos favorecidas.
Todos nós temos na memória a intervenção que foi feita pelo Governo Federal,
há pouco tempo, no município do Rio de Janeiro, quando a mídia divulgava o
descalabro nas emergências. A população sem nenhum atendimento nos corredores
dos hospitais, nas filas dos hospitais, e o Governo Federal interveio. Falando
no vernáculo, de vez em quando a gente ouve “interviu”, mas é interveio, o que
também me ensinou o Professor Comte Bittencourt.
Mas o Governo Federal, ao fazer a intervenção, utilizando-se inclusive das
Forças Armadas, com armação de barracas, hospitais de campanha em vários pontos
da cidade, rompeu com o convênio que tinha, através do Sistema Único de Saúde,
com o município do Rio de Janeiro, assumindo ou recuperando a administração de
vários hospitais: Hospital da Lagoa, Hospital Miguel Couto, Hospital de Ipanema
e o Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá.
A SRA. CIDINHA CAMPOS - Vossa Excelência me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte à Sra. Deputada Cidinha Campos.
A SRA. CIDINHA CAMPOS – Desculpe-me interrompê-lo, mas é para pedir
providência da Mesa no sentido de fazer acender as luzes porque a transmissão
fica muito ruim com a luz apagada.
O SR. PRESIDENTE (Altineu Côrtes) – Gostaria de pedir à área técnica para
que pudesse resolver o problema da iluminação do Plenário.
Já estão providenciando.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço a Sra. Deputada Cidinha Campos - quero ficar
bem na fita.
Mas eu quero cuidar do Hospital Cardoso Fontes. O Hospital Cardoso Fontes,
em função da liderança que conseguiu, da equipe que conseguiu formar a Diretora
do Cardoso Fontes, vinha funcionando e merecendo o aplauso e o reconhecimento
dos usuários, daqueles que buscavam lá atendimento médico-hospitalar. Não sei se
o sucesso na administração pública, ao invés de ser meritório penaliza porque
surpreendentemente o Sr. Ministro da Saúde resolveu – contrariando a vontade de
todo o corpo funcional e da comunidade, da sociedade em torno do Hospital
Cardoso Fontes – substituir a diretora, colocando um novo diretor, segundo
chegou ao nosso conhecimento, patrocinado por um partido político da base de
sustentação do Governo Lula.
Todos os chefes de setores, ou de clínicas, entregaram os respectivos cargos
esperando, pelo menos, que o Sr. Ministro da Saúde consultasse o corpo funcional
e a comunidade sobre quem deveria ficar na frente da direção daquele hospital,
até porque, o diretor que assumiu o cargo não tinha e não tem nenhuma
convivência com o hospital e com o corpo funcional – um objeto estranho
introduzido para administrar um hospital de tamanha importância.
Surgiu uma denúncia que considero extremamente grave e preocupante: o
Ministério da Saúde, com um novo modelo de gestão, pretende dar a cada unidade
hospitalar a autonomia financeira, a autonomia administrativa. E o Hospital
Cardoso Fontes vai receber, em espécie, para administrar uma dotação
orçamentária. Isso assusta, porque no momento em que a administração com toda a
dificuldade, sem que os repasses tivessem sido feitos com alguma pontualidade,
já estava bem-sucedida, é de se imaginar o que faria aquela direção dispondo de
recursos para administrar e causa uma grande suspeita, já que, rotineiramente,
as denúncias chegam devido à malversação dos recursos públicos. Substituir uma
administração exitosa, exatamente no momento em que o hospital vai dispor de
mais independência financeira, causa naturalmente uma espécie razoável.
Fica a manifestação da minha preocupação para que amanhã, quando as coisas
surgirem, pelo menos, não tenha havido desta Casa, representando naturalmente
uma parcela, que não sei aferir agora, de todos os que aqui tem assento, para
alertar e denunciar.
O Hospital Cardoso Fontes precisa recuperar a sua direção. O diretor que lá
está é mal recebido, não é acolhido, não conhece o hospital, não tem qualquer
inserção, não tem qualquer ambiente no corpo funcional e, portanto, precisa
urgentemente ser substituído.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
Expediente Inicial 29/04/08
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados.
Venho a esta tribuna, mais uma vez, para tratar de um tema que reputo ser da
maior relevância porque alcança nossos adolescentes e jovens, levando desespero
e dor para muitas famílias. Falo dos adolescentes e jovens que se deixam seduzir
pelo uso de substâncias entorpecentes.
E por que, Sr. Presidente, volto à
tribuna para tratar desse tema? Semana passada, no final da semana, um jornal de
grande penetração, dos principais jornais do nosso Estado e do nosso país,
resolveu debater essa questão. Eu até entendi ali ser uma espécie de confissão,
na medida em que é um jornal que também dá nome a uma grande rede de televisão e
que defende a descriminação especialmente da maconha. Como ali não trata, no
editorial, exclusivamente da maconha, fala na liberação das drogas, defendendo a
liberação, tratando de questões de segurança, porque a insegurança pública está
muito vinculada ao tráfico de entorpecentes como elemento propulsor da
criminalidade, questões batidas que não representam a verdade, mas que têm sido
afirmadas tantas vezes que já levou muita gente à crença que está diante da
verdade.
Num dos trechos do editorial diz que o Brasil sozinho não poderia caminhar
nesse rumo e que seria necessário que outros países participassem desse
concerto, de modo a fazer com que a droga fosse descriminada. Presta homenagens
ao usuário, trata o usuário como vítima. Eu também entendo que o viciado possa
merecer um tratamento como sendo uma pessoa doente, que precisa realmente de
tratamento. Mas, enfim, afirma lá que era preciso que os povos, as nações, se
reunissem para uma decisão coletiva no rumo da liberação. E, como contraponto,
vem um artigo subscrito por um Tenente Coronel da Polícia Militar, Milton Corrêa
da Costa, se manifestando contrário.
Imaginei que o tema estaria ali esgotado.
Eis que no mesmo jornal, um ou
dois dias depois, vem a notícia de que aqui no Hotel Glória, por esses dias,
representantes de vários países estariam reunidos debatendo exatamente a
descriminação das drogas. Representando o Brasil está um ex-presidente, o
sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Imaginei: afinal de contas, qual a razão do
tema não ser tratado a partir dos seus resultados financeiros? Porque o tráfico
de entorpecentes, pela pressão da oferta e por algumas propagandas mirabolantes,
vem desgraçando a vida de tantas famílias; porque o tráfico de entorpecente está
inserido no chamado crime organizado: contrabando, tráfico de entorpecentes,
jogo, prostituição, lenocínio e lavagem de dinheiro.
Mas, por que, em sabendo
que os resultados financeiros do crime organizado alimentam o sistema financeiro
internacional, em sabendo também da existência de paraísos fiscais, que são
controlados especialmente pelas potências hegemônicas a começar pelos Estados
Unidos, Inglaterra e França... São eles que controlam os paraísos fiscais,
paraísos fiscais que recebem para lavagem, o dinheiro que vem da prática de
inúmeros crimes, fraudes, corrupção. Mas, do crime organizado, disso, eles não
tratam, mas falam que a liberação é que vai fazer com que seja possível
administrar e educar a juventude para que não se vicie. Chega a ser de um
cinismo perceptível.
Mas, como os meios de comunicação, os grandes, que falam na liberdade de
informação, se apropriaram dessa liberdade para mentir, o sistema, sobre o qual
estou falando, adotou a defesa da descriminação. Eles não tratam dos paraísos
fiscais, que deveriam ser enfrentados, afinal de contas, como tem países, ou
chamadas “nações soberanas”, pequeníssimas repúblicas que absorvem todo esse
dinheiro, têm o cadastro criminal daqueles que se corrompem e mandam o dinheiro
para o paraíso fiscal, são dependentes duplamente, dependem do controle daquele
dinheiro em benefício próprio, mas dependem também da consideração que há de ser
dispensada por aqueles que controlam os paraísos fiscais, porque eles têm ali um
cadastro criminal.
Quando o nome que está lá é de alguém que detém parcela de poder político,
imaginem como fica a sociedade, que precisa de decisões políticas de quem tem o
nome no cadastro criminal. Não é por acaso que constatamos, por vezes, figuras
de expressão na política brasileira que mudam completamente de opinião; antes
eram socialistas, depois viram liberais – rasguem tudo o que escrevi - afinal de
contas, aliás, até depois de 60 anos.
Portanto, Sr. Presidente, como agora, no dia 4 de dezembro, dizem que vai
acontecer a marcha em defesa da maconha, que conta com a simpatia, veja bem, do
Governador do Estado e conta com a adesão de um candidato a prefeito pelo Rio de
Janeiro, que também tem sido alavancado por esse mesmo sistema de comunicação,
eu não sei onde é que nós vamos parar.
De qualquer maneira, estou convencido de que não há nenhuma família, nenhum
pai, nenhuma mãe, nenhuma, que queira o seu filho usuário de entorpecentes e
queira seu filho dependente. Nenhuma.
Portanto, venho, mais uma vez, primeiro, para dizer “Não” à marcha, em
defesa da liberação; dizer “Não” à descriminação, mas, acima de tudo, exigir que
os meios de comunicação – concessões - se utilizem da veiculação de notícias em
homenagem à verdade. A manipulação vem com o carimbo da cumplicidade; a
manipulação vem com o carimbo de algo que todos nós esquecemos: o carimbo de
quem é beneficiário. Eles são beneficiários de algo que eles querem liberar; são
eles que ganham dinheiro com isto.
Portanto, Sr. Presidente, para quem conhece bem o sofrimento das famílias
que têm filhos viciados é que eu, pelo menos, alerto: não vamos nos deixar levar
por sistemas de comunicação que são conduzidos, exatamente, pelos grandes
controladores do crime organizado.
Muito obrigado.
TOPO
Expediente Inicial 24/04/08
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a
esta tribuna, mais uma vez, para tratar de um tema que tenho certeza absoluta
que move a preocupação de todas as famílias. Todas, sem nenhuma exceção. Move a
preocupação de todas e o desespero de algumas: as famílias que têm, no seu seio,
alguém viciado em qualquer substância entorpecente, até em bebida alcoólica.
Trato desse tema, Sr. Presidente, tendo em vista a realização, no próximo dia 4
de maio, da chamada “Marcha em Defesa da Descriminação da Maconha”. Mais uma
marcha, porque já houve, no ano passado, e, agora, programaram outra para o dia
4 de maio.
No ano passado, uma situação que considero dramática para a segurança
pública e para a tranqüilidade das famílias; e dramática, também, para a
observância de um mínimo relativo ao princípio da autoridade. Os manifestantes
utilizaram-se de máscaras com a fisionomia do Governador e de um Deputado
Federal, Fernando Gabeira. Mas o fizeram por quê? Porque contam com a
manifestação expressa de ambos, apoiando tal iniciativa.
Quem tem convivência
com um viciado, quem tem em sua família um viciado em maconha, em cocaína, em
qualquer droga sintética, sabe o sofrimento que isso acarreta para o viciado e
para aqueles que com ele convivem. É um drama muito grande. Não conheço nenhum
pai ou nenhuma mãe que se sinta feliz, verificando que o seu filho embrenhou-se
pelo caminho do uso de substâncias entorpecentes. Mas sei que, talvez, sejam
raríssimas as famílias – raríssimas - que não tenham um de seus entes queridos
que tenha se desencaminhado tenha sido seduzido para o caminho da dependência e
da morte.
Eu tenho por hábito dizer, Sr. Deputado Gilberto Palmares, que se a
democracia se fundamenta na livre manifestação da vontade, o dependente, por não
ter a possibilidade de livremente manifestar a sua vontade, ele tem sempre
dificuldades de dar a sua contribuição para a afirmação da democracia.
Mas, quando o Governador do Estado e um Deputado Federal, Fernando Gabeira,
candidato a Prefeito, manifestam apoio, eu fico me lembrando, por exemplo, da
comunidade lá do Complexo do Alemão, que tem sido duramente reprimida por
operações policiais cotidianas e de grande vulto, vitimando, inclusive, jovens
da comunidade. Fico a imaginar, porque a polícia está lá reprimindo para
apreender, dentre outras coisas, apreender, fazer a apreensão de maconha. Mas, o
Governador apóia a descriminação.
O SR. GILBERTO PALMARES – V. Exa. me concede um aparte.
O SR. PAULO RAMOS – Concedo um aparte ao Sr. Deputado Gilberto Palmares.
O SR. GILBERTO PALMARES – Sr. Deputado Paulo Ramos queria aqui manifestar
que eu, com a mesma clareza que entendo que o usuário, o viciado em drogas, não
o traficante, não deve ser considerado um criminoso, e a lei já entende dessa
forma, com a mesma nitidez, tenho clareza de que a droga, qualquer que seja ela,
traz malefícios aos seus usuários e à sociedade. E que qualquer homem público
deve ter a posição clara contra qualquer medida que, direta ou indiretamente,
possa significar algum incentivo ao consumo ou a ampliação do consumo de drogas.
E aproveito esse registro para dizer o quanto alguns homens públicos, que
querem aparecer como acima do bem e do mal, os mais transparentes, não o são.
Um dos cidadãos que V.Exa. citou, que pretende ser candidato a Prefeito da
Cidade do Rio de Janeiro, que se notabilizou, que conseguiu, inclusive, muito
voto com essa questão, agora diz que não vai. Não vai porque tenha negado o seu
discurso a favor eventualmente das drogas, mas porque tem medo de não ter o voto
de determinado segmento.
O homem público transparente, ou candidato, deve se apresentar à população
com nitidez, sem mascara, defendendo as posições que acha corretas. O Sr.
Gabeira, definitivamente, não tem essa transparência, essa coragem, nesse
momento, que quer ser candidato a Prefeito.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço, Sr. Deputado Gilberto Palmares.
Claro, estamos diante de um oportunismo. Percebendo que, majoritariamente, a
sociedade rejeita tal iniciativa, na qualidade de candidato a Prefeito do Rio de
Janeiro, o Sr. Deputado Federal Fernando Gabeira afirma estar repensando os seus
conceitos. Mas, é óbvio que isso é um expediente tático mas que será,
obviamente, rejeitado.
Mas, Sr. Presidente, estamos diante de uma situação muito difícil. E aí
reitero a posição apregoada pelo Governador do Estado, Sérgio Cabral, que,
reiteradamente se manifestou favorável à descriminação da maconha.
E aí fica a indagação. Como será feita a seleção? Esta pode, esta não
pode... E o malefício?
Argumentam alguns que a liberação descomoveria a segurança pública, já que o
modelo está voltado para a repressão nas comunidades carentes.
É preciso dizer que a repressão ao entorpecente se restringe única e
exclusivamente às comunidades carentes, é a cidade partida, é a criminalização
da pobreza, é a vitimização das vítimas do modelo; e aí fica muito fácil:
aqueles que têm um poder aquisitivo alto e que ocupam os lugares melhores no
território, na cidade, estão livres para consumir e estão livres da ação da
polícia, estão livres até para negociar, para ter os pontos de venda nos
belíssimos apartamentos, nas belíssimas residências; mas, o excluído não, o
excluído que está não está no mercado consumidor de praticamente nada e,
obviamente, não faz parte do mercado consumidor de entorpecentes, a ele ainda é
atribuída a autoria da comercialização, é ali que estão os pontos de venda, são
aqueles que são os traficantes, são aqueles que são os consumidores, são eles
que desencaminham os jovens das camadas mais favorecidas, tudo uma farsa e a
farsa fica maior...
O DR. ALCIDES ROLIM – Vossa Excelência me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte ao Deputado Dr. Alcides Rolim.
O DR. ALCIDES ROLIM – Deputado Paulo Ramos, é importantíssima essa retórica,
porque observamos, e eu sempre falo, que, hoje, o grande problema do consumo de
drogas é quem está na classe média, média alta, porque são eles é que
incentivam. Temos observados, na mídia, gente de poder aquisitivo alto, que está
incluso na mídia, e que, com certeza, mostra a realidade desse comércio de
droga, do consumo, e que, com certeza, essa liberação não vai favorecer a
sociedade, vai liberar, sim, para a classe média alta ficar com mais
tranqüilidade para não ser punida nunca; e o nosso povo que mora nas comunidades
carentes, com certeza, vai sofrer muito mais com isso.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço, Sr. Deputado Dr. Alcides Rolim, e concluo, Sr.
Presidente, dizendo que alguns países, especialmente a Holanda, que já fizeram
tal experiência e agora estão tentando retornar à situação anterior, procurando
controlar, intensificando campanhas educativas e ao mesmo tempo voltando a
reprimir, mudando a legislação para reprimir, como aqui, e lamentavelmente no
Rio de Janeiro.
O que eu quero saber, Sr. Deputado Dr. Alcides Rolim como ficará a polícia
no próximo dia 04. Se o Governador manifesta apoio e o Governador é que é o
comandante, o chefe do Poder Executivo e a política pública na área da segurança
pública também vem da autoridade do Governador. A polícia reprime? Qual será o
papel da polícia? Isto está inserido na liberdade de expressão, como alguns
tentam maldosa e equivocadamente invocar?
Então, Sr. Presidente, eu venho a esta tribuna para dizer que as famílias
desesperadas devem se manifestar. São tantos os órgãos de pesquisas, por que não
pesquisam pais e mães para que tenham a resposta e vão constatar que o medo hoje
é muito grande para aqueles que têm filhos adolescentes e jovens que saem de
casa para uma festa, uma vida alegre, aqueles que levam e deixam os filhos nas
casas de festas ou nos clubes e que em determinados horários vão lá para buscar
seus filhos, a apreensão é muito grande, o medo é muito grande. Por quê? Porque
todos sabem que o envolvimento com substância entorpecente significa uma
infelicidade muito grande. Ingressar é fácil, sair é que é difícil. E as
famílias vivem a amargura, buscando tratamento, buscando controlar seus jovens.
Tenho um amigo, Deputado Dr. Alcides Rolim, cujo o filho entrou por esse
caminho. Ele deixou o trabalho e ficou andando diariamente com o filho,
permanecendo em casa. Chegou a se algemar junto com o filho no momento da
síndrome da abstinência.
Essas desgraças que acontecem em vários lares deveriam ser divulgadas para
que alguns incautos, que não são bem-intencionados, não participassem dessa
marcha do desespero, a marcha da mentira, a marcha do ganho fácil, porque quem
propõe a liberação ou é interessado ou aliado, porque é um desafio à razão.
Sr. Presidente, venho manifestar minha posição frontalmente contrária, não
apenas à descriminação mas também à própria manifestação, à própria passeata,
porque isso não guarda qualquer vínculo com as liberdades democráticas; ao
contrário, é uma afronta à democracia e àqueles que querem ver seus filhos com
uma vida livre e sadia.
O DR. ALCIDES ROLIM – V. Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte ao Sr. Deputado Dr. Alcides Rolim.
O DR. ALCIDES ROLIM – Em relação à Holanda, a liberação lá aconteceu há
algumas décadas e a sociedade ali regrediu nisso. Eles hoje tentam voltar. Todos
os tipos de drogas são liberados lá, e claro que há lugares para se consumir. E
coloca-se no invólucro das drogas o malefício que ela causa, o tempo que ela
causa dependência, que vai elevar a lesão do sistema nervoso central e, mesmo
assim, não desestimulou o consumo; muito pelo contrário, atraiu comunidades
estrangeiras para dentro da Holanda, quer dizer, aumentou o consumo e virou um
país onde o consumo de drogas é liberado e c’est la vie.
Temos observado isso há muito tempo que a droga é o caos da família.
Dificilmente conseguimos que um drogado volte a ter uma atividade normal na
sociedade. Temos observado e a Revista Veja da semana passada mostrou o caso do
jogador Casagrande. É a terceira vez que se interna e o suplício dele para
tentar sair desse vício.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço a V.Exa. e encerro, Sr. Presidente, dizendo,
tratamento para os viciados, campanhas educativas para que outros não adentrem
esse caminho, uma fiscalização efetiva para que seja reduzida a oferta e que
haja uma repressão muito grande aos centros de produção ou às vias de passagem,
às rotas do entorpecente.
O Brasil é o maior produtor mundial de maconha e todos, Governo Federal,
Forças Armadas, as polícias de Pernambuco e Bahia, todos sabem onde fica o
triângulo da maconha. É só acabar ou reduzir de vez a oferta, estaremos
libertando nossos adolescentes e jovens, levando tranqüilidade para muitas
famílias.
Muito obrigado.
TOPO
Expediente Inicial 17/04/08
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados.
Sr. Presidente, tive a oportunidade de ler nos jornais que está marcada para
o dia 04 de maio uma marcha em defesa da maconha e me surpreendi porque não será
a primeira. E passei a refletir sobre a situação vivida por qualquer família,
qualquer uma, que tenha um dos seus entes queridos viciado no uso continuado de
qualquer substância entorpecente. Estou convencido de que não há, certamente,
uma família sequer que não tenha um de seus integrantes viciado em qualquer
substância entorpecente. É muito difícil que haja uma família que não tenha um
dependente.
Acredito que, se houver uma espécie de consulta, não falo pesquisa, até
porque os órgãos de pesquisas não são confiáveis, são casas comerciais que
vendem seus produtos; ainda confio, em parte, no IBGE, embora já tenha sido o
IBGE pilhado em pesquisas feitas em homenagem a esse ou aquele governo. De
qualquer maneira, se tal aconteceu, não decorreu do esforço dos funcionários e,
sim, de direções mais comprometidas com o escuso do que com o nome da
instituição. Então, não considero razoável confiar a qualquer órgão de pesquisa
a avaliação do sentimento de qualquer pai ou mãe que tenha um filho viciado, mas
tenho certeza absoluta de que, se houvesse a indagação a qualquer pai ou mãe, se
gostaria de ter um filho dependente de qualquer substância, inclusive a maconha,
a unanimidade diria não, porque é uma tragédia, uma desgraça para qualquer
família ter um dependente, um filho viciado.
Aqueles que proclamam até os benefícios, ou aqueles que dizem ser a maconha
inofensiva, não estão apenas fazendo a apologia a um crime – nem ingresso por
essa vertente –, estão produzindo um mal muito grande, porque são capazes de
seduzir muitos incautos. Assim, imaginar que estão programando uma nova marcha
para proclamar a maconha como inofensiva, me assusta. Não venho aqui invocar
providências policiais, mas me manifestar sobre medidas preventivas de modo a
impedir. Não se trata da livre manifestação do pensamento. Não estamos aqui
diante de algo que possa ofender qualquer preceito democrático.
Já convivemos com uma situação lamentável em relação às substâncias
entorpecentes, que têm um crescimento expressivo no mercado consumidor no
Brasil, preferencialmente aqui, no Rio de Janeiro, pela pressão da oferta. Há um
esforço muito grande nos colégios, nas festas. Essa não é uma opção que o jovem
faz; por vezes, é uma imposição. A oferta é tão agressiva que chega a subjugar
alguns mais frágeis.
Não se pode imaginar que há um candidato à prefeitura do Rio de Janeiro que
se caracteriza pela defesa que faz do uso das substâncias entorpecentes, tendo
até um slogan - não é? - “quem fuma e cheira...”, nem imaginar que chegam a
atribuir até ao governador do Estado certa euforia, certo entusiasmo, como se
fora ele um defensor de algo que faz com que a nossa juventude seja seduzida
para muitos descaminhos.
Sr. Presidente, venho a esta tribuna pelo menos fazer um apelo àqueles que
já se deixaram seduzir, àqueles que já foram prejudicados, que perderam a
juventude, perderam a saúde, ou até aos pais daqueles que perderam a vida, que,
com a devida antecedência, se manifestem, se manifestem para denunciar, para
dizer que não há possibilidade de considerar a maconha como algo inofensivo. E
que qualquer um que segue esse caminho, depois encontra outros de drogas
consideradas muito mais pesadas. Tem mais: depois que se transformam em
dependentes eles encontram todas as dificuldades para reunir força de vontade e
sair do vício.
Então, fica aqui o meu protesto, a minha advertência e o meu desejo de que
esta marcha não se realize, exatamente em nome da democracia, porque se a
democracia reúne dentre os seus preceitos a liberdade de expressão, a liberdade
de expressão é a partir da consciência livre. O dependente perde a possibilidade
de expressar conscientemente a sua vontade. O contrário, portanto, como pregar a
liberação, a descriminação de uma substância entorpecente, é acima de tudo um
atentado à democracia.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
Expediente Final 16/04/08
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras e Srs.
Deputados...
O SR. ALESSANDRO CALAZANS – Sr. Deputado Paulo Ramos, antes de começar...
O SR. PAULO RAMOS – Pois não, Sr. Deputado Alessandro Calazans.
O SR. ALESSANDRO CALAZANS – Agradecendo o carinho de V.Exa., só gostaria de
saudar meu amigo Abrahão Marinho, candidato a vereador em Nilópolis, que com
certeza terá um futuro brilhante. Vamos administrar juntos aquela cidade.
Muito obrigado, Sr. Deputado Paulo Ramos, e me desculpe por interromper o
discurso de V.Exa.
O SR. PAULO RAMOS – É justa a homenagem.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho à tribuna prestar uma
homenagem a um jornalista brasileiro que tem se caracterizado pela independência
na condução de um jornal, mas também pela defesa da soberania nacional.
Exatamente por ter essas duas características, sofreu e tem sofrido, ao longo de
todos esses anos, a mais dura perseguição. Falo do jornalista Hélio Fernandes e
do jornal Tribuna da Imprensa.
Não é razoável que persista a situação dramática vivida por Hélio Fernandes
e pela Tribuna da Imprensa, principalmente considerando a promulgação, a 5 de
outubro de 1988, de uma Constituição adjetivada por Ulisses Guimarães de
“Constituição-cidadã”, que dentre outros dispositivos, em homenagem às
liberdades democráticas, contemplou a liberdade de opinião e fez com que a
liberdade de imprensa se transformasse mais uma vez num dos pilares da
democracia.
A Tribuna da Imprensa vem sendo aniquilada. Especialmente o governo federal,
se de um lado é credor da Tribuna da Imprensa, por outro lado também é devedor.
O jornalista Hélio Fernandes reivindica, em nome da justiça e da democracia, que
seja feito um encontro de contas, e não que a União persevere na cobrança de
dívidas sem o reconhecimento das dívidas que tem para com a Tribuna da Imprensa.
Diz Hélio Fernandes, respondendo à carta de um leitor que trata de
indenizações decorrentes de anistia. Diz ele ao final da resposta:
(Lendo)
“Há 28 anos a indenização da Tribuna fica parada. As nossas dívidas são
executadas com toda a velocidade.” E conclui:
“a Tribuna deve e não nega; a União deve e não paga”.
Então, Sr. Presidente, se todos nós defendemos a liberdade de imprensa, se
entendemos hoje que a liberdade de imprensa está sendo atingida a partir do
controle dos meios de comunicação por poucas famílias, sendo razoável denunciar
que o controle da informação está aliado a propósitos e números, inclusive
propósitos escusos, e se podemos também afirmar que a liberdade há de consistir
na pulverização do controle dos meios de comunicação, nós não podemos aceitar
que um veículo que prima pela independência, como a Tribuna da Imprensa, que tem
sido uma alternativa àqueles que buscam a verdadeira informação, que tem sido um
instrumento na defesa da soberania nacional, esse instrumento venha a ser
extinto a partir de uma perseguição na cobrança de dívidas por quem é devedor.
A
Tribuna tem muito mais a receber do que aquilo que deve.
Então, em nome do direito, em nome da justiça e em nome da democracia, é
preciso defender aqui a preservação de um jornal diário que prima por abraçar os
mais caros valores nacionais.
Pois não, Sr. Deputado Wagner Montes.
O SR. WAGNER MONTES – Quero só hipotecar solidariedade a V. Exa. para que
haja esse ajuste de contas entre a União e a Tribuna da Imprensa, que nada mais
é do que fazer justiça: eu te devo tanto, você me deve tanto, sobrou tanto. Quem
vai pagar? Como é que vai ser feito esse pagamento? Vamos parcelar ou não vamos
parcelar?
Mas é inadmissível qualquer censura, seja por que meio for, principalmente,
ao gabarito, a um dos decanos do jornalismo brasileiro, que é o jornalista Helio
Fernandes. Uma família honrada, uma família digna e que merece total
solidariedade e principalmente nessa hora. Como V. Exa. disse, a Tribuna da
Imprensa faz um jornalismo independente, justamente privilegiando aqueles que
muitas vezes não têm voz em outros locais.
Portanto, sou totalmente a favor que o representante da União sente com o
jornalista Helio Fernandes ou com o seu corpo jurídico, que sejam feitas as
contas e aquele que tiver devendo tenha a oportunidade de pagar da melhor forma
possível como lhe convier, como convier principalmente àquele que é credor.
No entanto, a minha solidariedade a V. Exa. nesse discurso e ao jornalista
Helio Fernandes.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço, Sr. Deputado Wagner Montes, V. Exa., que é um
homem de comunicação, tem a sensibilidade e a compreensão corretas sobre o
significado da liberdade de imprensa. Agradeço a V. Exa.
Sr. Presidente, somente para concluir, aproveitando o aparte do Sr. Deputado
Wagner Montes, o período autoritário, tenho na memória, na época da censura me
lembro que o jornalista Helio Fernandes tinha a dignidade de deixar muitas das
páginas da Tribuna da Imprensa completamente vazias, somente com o carimbo
“censurado”, de modo a que mesmo não transmitindo aquilo que pretendia
transmitir, certamente denunciando e protestando, mesmo assim ele denunciava e
protestava, porque ao colocar o carimbo em vários espaços do jornal – muitas
vezes em páginas inteiras –, o carimbo de “censurado”, ele poderia não ter o seu
jornal comprado, ele poderia não ter o alcance que buscava, ele poderia não ter
resultados financeiros, porque sem as matérias publicadas o número de
compradores certamente diminuía muito, mas mesmo assim Helio Fernandes ousava
denunciar.
E, por esta razão, a Tribuna da Imprensa, por exemplo, chegou a ser
alvo de explosões, cujas autorias, até hoje, não estão identificadas, mas que
todos nós sabemos a origem.
O SR. WAGNER MONTES – Sr. Deputado Paulo Ramos, os grandes atores e as
grandes atrizes do nosso país, e do mundo inteiro até, do berço do cinema em
Hollywood, nunca precisaram de muitos textos, de muitas falas nas novelas.
Podemos falar desta forma para que as pessoas entendam com maior clareza, para
dizer o que estavam passando. Os grandes atores, as grandes atrizes
interpretavam e passavam aquilo que sentiam, através dos olhares.
Hélio Fernandes é tão inteligente que não precisava nem escrever, ele só
carimbava.
O SR. PAULO RAMOS – Obrigado, Sr. Deputado Wagner Montes.
Quero concluir, Sr. Presidente, dizendo que, em nome da liberdade de
imprensa, vamos criar uma Frente Parlamentar em defesa das liberdades
democráticas, em defesa da Tribuna da Imprensa. A Tribuna da Imprensa é um
jornal que deve permanecer por aquilo que sempre representou e por aquilo que
continua representando.
Portanto, minhas homenagens especiais a Hélio Fernandes, pai, e a Hélio
Fernandes, filho.
Salve a Tribuna da Imprensa, Sr. Presidente.
TOPO
Expediente Inicial 16/04/2008
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados, venho a esta tribuna tratar de um tema que me alcança diretamente e
ao meu partido, o PDT: venho falar da eleição para prefeito do Município do Rio
de Janeiro.
O Partido Democrático Trabalhista é organizado, registrado, tem programa e
estatuto próprios. De acordo com o estatuto, o PDT realizou no Município do Rio
de Janeiro uma pré-convenção para escolha do candidato a prefeito. A convenção
foi precedida de uma divulgação ampla para que aqueles que entendessem que
poderiam representar a nossa legenda se apresentassem, se inscrevessem. Esgotado
o prazo de inscrição, a direção municipal organizou três debates, mobilizando o
partido: um debate em Rocha Miranda; um debate aqui no centro da cidade, na sede
do partido, na Praça Tiradentes; e um terceiro e último debate na sede do Bangu
Atlético Clube.
Encerrados os debates, na semana seguinte, dia 8 de março, no Instituto
Leonel Brizola–Alberto Pasqualini, na Praça Tiradentes, o PDT realizou a sua
pré-convenção para a escolha do candidato. Tive eu a oportunidade de ser o
escolhido, com aproximadamente 75% dos votos dos convencionais. Devo dizer que
foi uma das mais expressivas convenções realizadas pelo PDT, especialmente
considerando a ausência do nosso líder maior, Leonel Brizola. A participação foi
muito ampla e o PDT escolheu o seu candidato.
Por razões que eu próprio compreendo, a chamada grande mídia tem procurado
influir, às vezes até por intrigas, tentando jogar companheiros contra
companheiros, plantando notas e, mesmo quando é encaminhado o desmentido para o
esclarecimento, não há a publicação.
O jornal O Globo de hoje tem uma intriga desfeita. No último sábado, a
coluna de Ilimar Franco, em Panorama, divulga uma suposta tratativa, em
Brasília, para que o PDT fizesse uma coligação com outra legenda. Hoje, sai o
desmentido. Mas, a grande questão não é o desmentido, é o atrevimento. A partir
de qual fonte a notícia foi plantada e divulgada no jornal O Globo, de sábado?
O jornal O Dia, há pouco tempo, publicou matéria envolvendo o deputado
federal Arnaldo Viana, a do O Globo era o deputado Brizola Neto, que desmentiu.
Mesmo com o desmentido, o jornal tenta, através de seus jornalistas, fazer
intriga. E não publica o desmentido.
A grande mídia tenta escolher para os partidos os candidatos e procura
causar constrangimentos àqueles que a ela não são simpáticos. Então, vejo-me no
dever de anunciar que o PDT escolheu o seu candidato a prefeito, para o
município do Rio de Janeiro, que é este deputado que ora ocupa esta tribuna.
Aliás, aproveito para pedir aos servidores da Alerj, que têm domicílio eleitoral
no Rio de Janeiro, que comecem a avaliar, e a todos desde já estou pedindo o
apoio.
E que também saibam os nossos telespectadores que a escolha feita pelo PDT
recaiu sobre um nome que não vive de conchavos, que não faz parte de uma certa
confraria que renuncia às convicções em função de conveniências imediatistas. E
eu não digo nem de conveniências eleitorais: eu digo conveniências eleitoreiras.
Houve uma nota plantada e não houve desmentido. Embora eu tenha procurado,
junto à figura que vou citar, buscar os esclarecimentos, não recebi retorno, não
houve desmentido.
Saiu, no Jornal do Brasil também, uma notícia dizendo que o Senador Marcelo
Crivella teria procurado o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
para que o Presidente Lula fizesse gestões junto ao Ministro do Trabalho, Carlos
Luppi, Presidente Nacional – licenciado – do PDT, para que o PDT pudesse formar,
aqui no Rio de Janeiro, uma coligação de apoio à candidatura do Senador. E mais:
que ele estaria avaliando – vejam bem a gravidade da matéria -, uma boa
compensação para o Deputado Paulo Ramos. Uma boa compensação!
Isto me surpreendeu, primeiro, porque o PDT fez uma escolha que há de ser
definitiva. Segundo, porque a direção do partido não vem fazendo nenhuma
tratativa com qualquer outra legenda, até porque, se tal estivesse acontecendo,
é óbvio que, sendo eu também membro da direção do partido, eu estaria
participando.
Eu não conheço o Senador Crivella. Ele não tem uma trajetória no mundo da
política. Elegeu-se senador da maneira conhecida, com um projeto sobre o qual
nunca mais se ouviu falar, de atendimento a criancinhas, se não me engano, num
município pobre da Bahia. Assim ele está fazendo agora essa cascata de Cimento
Social no Morro da Providência. Mas ele não desmentir que estaria procurando uma
boa compensação para o Deputado Paulo Ramos? Ele está me confundindo com ele.
Caetano Veloso fez uma música sobre São Paulo e usou uma expressão que diz:
“...é que Narciso acha feio o que não é espelho.”
Na minha trajetória de vida e de luta, não tenho buscado compensação. A que
estaria o Senador se referindo? Então, na medida em que não houve desmentido,
estou tomando a providência de interpelar, judicialmente, o Senador Marcelo
Crivella, para que ele possa dizer a verdade sobre esse tipo de insinuação, que,
para ele pode não ser indecorosa porque, certamente, ele não tem qualquer
decoro. Não sei se ele sabe o que é decoro, não sei se ele sabe o que é honra.
Não deve saber. Deve ter hábitos compatíveis com a corrente política, ou com os
quadros políticos com os quais ele tem convivido.
Como não houve o desmentido – reitero, Sr. Presidente -, estou tomando a
providência de interpelar, judicialmente, o Senador Marcelo Crivella, porque
esse tipo de insinuação gera dúvidas e, ao mesmo tempo, considerando a falta de
ética que tem presidido o comportamento da grande mídia, se eu não tomar uma
providência, acaba a insinuação assumindo ares de veracidade.
De qualquer maneira, concluo dizendo que o Partido Democrático Trabalhista
está distribuindo, hoje, uma nota assinada pelo Presidente do Diretório
Municipal do Rio de Janeiro, Deputado Brizola Neto, proclamando, de uma vez por
todas, que o PDT escolheu, no dia 8 de março último, o seu candidato à Prefeito
do Município do Rio de Janeiro.
Agradeço a V.Exa. e, obviamente, termino com um sorriso, pedindo o apoio
daqueles que estão ouvindo, mas, especialmente, daqueles com os quais temos aqui
convivido.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
Expediente Final 15/04/08
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, pretendia
eu, Sr. Presidente, pedir a transcrição de um brilhante artigo, publicado no
jornal O Globo da semana passada, de autoria do nosso Procurador da Casa, ex
Deputado Federal, grande advogado, que merece o reconhecimento de todos nós, o
Dr. Marcello Cerqueira.
Escreveu um artigo sob o título “A culpa é do Fidel”, em 08/04/2008. E o
artigo diz o seguinte:
(Lendo)
“Nem sempre foram tão estreitas as relações entre os governos dos Estados
Unidos e da Colômbia. Em 1903, os colombianos não puderam reagir aos
norte-americanos que promoveram um levante ‘separatista’, que resultou na
“independência” do Panamá, cujo governo logo concedeu aos norte-americanos
direitos perpétuos sobre o Canal do Panamá. Mais tarde, o governo dos Estados
Unidos ofereceria 25 milhões de dólares à Colômbia a título de indenização pelo
uso do canal.
Conservadores norte-americanos nunca se conformaram com o tratado
Carter-Torrijos, de 1977, que comprometeu os Estados Unidos a devolver a
estratégica Zona do Canal para os panamenhos, o que poderia reabrir a chaga
aberta com a expropriação de 1903 por grupos nacionalistas colombianos.
Essa é a razão oculta que dá origem ao esforço da presença norte-americana
na Colômbia, a pretexto de combater o que chama narcoterrorismo e, afinal, a
concretização do acordo chamado “Plano Colômbia”, em que o Governo Clinton
formaliza com o Governo Colombiano de Andrés Pastrana, uma ajuda que vai chegar
a US$4,15 bilhões nos últimos anos.
No segundo Governo Bush, e após o episódio de 11 de setembro de 2001 e a
posse do Presidente Álvaro Uribe, é que a guerrilha colombiana, ativa desde
1959, será batizada como Guerrilha narcoterrorista, embora não existam
“terroristas” na América do Sul, como assim assinalam a ONU e o governo
brasileiro, por exemplo.
Uribe, quando prefeito de Medellín, organizou os planos de habitação
financiados por Pablo Escobar. Posteriormente, Uribe foi diretor da Aviação
Civil, concedendo licenças para pilotos e autorizações de construção de pistas
para os narcotraficantes. Ao ser eleito governador de Antioquia, promoveu a
criação das Cooperativas de Segurança Privada, Convivir, “legalizando” o
paramilitarismo.
Em 1990, durante uma tentativa de desmobilização do grupo guerrilheiro
colombiano, do agrupamento M-19, que resolveu participar da política partidária
e da via eleitoral, foram exterminados mais de três mil - pelos grupos
paramilitares tradicionalmente ligados a Uribe.
Uribe objetiva reformar novamente a Constituição para lograr um terceiro
mandato, após perder as eleições municipais nas principais cidades do país, como
Bogotá, Medellín e Cáli. É expediente guerreiro para desviar a atenção dos
colombianos para avaliação do seu governo, que se mantém sob a chantagem da
guerra, supostamente representando a paz. Lembrem-se que dois ministros de Uribe
foram afastados pela Justiça e trinta e quatro deputados de seu partido foram
cassados, todos pelo envolvimento com o narcotráfico.
Os serviços de inteligência dos Estados Unidos e o governo Uribe sabiam que
Raúl Reis, o principal negociador das Farc, estava em Putumayo, no Equador, e
próximo à fronteira com a Colômbia para reunir-se com a senadora colombiana
Piedade Córdoba e com representantes diplomáticos franceses para formalizar o
acordo humanitário que previa a libertação de reféns, inclusive a da ex-senadora
Ingrid Betancourt. Enquanto o presidente francês Nicolas Sarkozy, condenava o
massacre, o presidente Bush declarava apoio a Uribe, cujo governo é o maior
obstáculo para a criação de uma zona neutra e segura que permita a libertação e
a troca de prisioneiros e o início da desmilitarização das Farc, com garantias
multilaterais de que não se estará a repetir o massacre da desmilitarização do
M-19.
A Amazônia, ninguém ignora, é objeto de cobiça internacional. A agressão
operada contra a soberania do Equador é grave precedente que ameaça a nossa
imensa fronteira sem marcos delimitatórios e sem suficientes guarnições
militares a protegê-la. Pode, os Estados Unidos, substituírem o tema “imposição
da paz” com guerra ao terrorismo no Iraque ou no Afeganistão, por um tipo de
política salvacionista do “meio-ambiente” que, futuramente, irá ameaçar a
Amazônia brasileira. De há muito, nossas Forças Armadas estão atentas a isso e
também o governo brasileiro, que mantém uma política externa compatível com os
interesses do país.
Nunca é demais alertar a opinião pública sobre o fantasma que ronda nossa
soberania. Para um tipo de elite que se envergonha de publicamente declarar-se
pró-Estados Unidos, não importa a política belicista norte-americana e do seu
aliado colombiano, ou que Morales e Chávez não representam ameaça às nossas
fronteiras. Nada disso importa: a culpa é do Fidel.”
(Conclui a leitura)
Sr. Presidente, o alerta que nos faz o grande companheiro Marcello Cerqueira
é uma espécie de esclarecimento para a desfaçatez com que se comporta o governo
colombiano de Álvaro Uribe, patrocinado claramente pelo imperialismo americano.
Que lutemos pela preservação da Amazônia, pela paz na América Latina e para uma
aliança latino-americana contra o imperialismo dos Estados Unidos.
Muito obrigado.
TOPO
Expediente Final 09/04/08
O SR. PAULO RAMOS –
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ontem, homenageando a Associação
Brasileira de Imprensa hoje presidida pelo grande companheiro Maurício Azedo,
entidade que foi presidida por muitos ilustre brasileiros, dentre eles Barbosa
Lima Sobrinho. Homenageando a ABI pelos seus 100 anos, disse aqui que, no Teatro
Municipal, na principal solenidade, a palavra mais incorporada à liberdade de
imprensa foi a palavra ética. E tive a oportunidade de dizer que, embora a
liberdade de imprensa seja um dos pilares da democracia, nós não verificamos, na
nossa grande mídia, critérios éticos que façam com que essa grande mídia mereça
a liberdade que a sociedade brasileira lhe está oferecendo.
Mas tenho constatado, também, a ausência da ética no concernente à eleição
municipal aqui no Rio de Janeiro, no procedimento de alguns dos candidatos que
se apresentam por diversas legendas partidárias. Refiro-me, em primeiro lugar,
ao Senador Marcelo Crivella, que está sendo apresentado como pré-candidato, não
sei se de um partido político ou de uma instituição religiosa que se transformou
em partido político e que, agora, busca o poder. Não sei. Mas, utilizando-se dos
espaços que dispõe em grandes jornais... Aliás, numa situação duplamente
ofensiva à ética, o procedimento do Senador Marcelo Crivella e o procedimento do
veículo de comunicação. Não sei a que preço, a que custo, as matérias vão sendo
plantadas.
Como as matérias envolvem o meu nome, já que fui escolhido como
candidato a prefeito pelo meu partido, o PDT não tendo a oportunidade, talvez
por não ter dinheiro, não estar ligado ao poder econômico, de ocupar espaços na
mídia, que só defere a oportunidade aos candidatos que fazem parte de uma certa
confraria, sou obrigado a me valer dessa tribuna.
Em uma publicação, o Senador diz que procurou o Presidente Lula para que este
tratasse com o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, Presidente Nacional licenciado
do meu Partido, o PDT, para que ele pudesse contar com o apoio do Partido.
Até aí eu não seria capaz de reagir, mesmo estando diante de uma baixaria
política, tão apropriada para os inescrupulosos. Mas, a notícia acrescenta que
ele estaria analisando uma compensação para o Deputado Paulo Ramos –
compensação.
Como já tenho uma trajetória de vida marcada por alguns critérios, é preciso que
o Senador Crivella saiba que ele é que vive de compensações, mas eu não vivo de
compensações. Eu tenho uma trajetória de luta, e de muita luta. Certamente que
ele, como não desenvolveu nenhum esforço para chegar aonde chegou, não tem
registro de sua participação em nenhuma ação política de interesse de qualquer
comunidade, em qualquer fase da história do nosso país, ele se habituou às
compensações, não sabe o que é luta.
Logo depois, em outro jornal do Rio de Janeiro, o Senador Crivella prega a
seguinte nota: que o partido a que ele pertence estaria negociando apoio ao
candidato do PDT em Campos, Deputado Arnaldo Viana, em troca do apoio a ser
oferecido pelo PDT a ele, Senador Marcelo Crivella, aqui no Rio de Janeiro.
Não sei quais os valores, quais os princípios através dos quais o Senador
Marcelo Crivella orienta a sua vida pessoal e a sua vida pública. Porque
conversei com o Deputado Arnaldo Viana que negou, peremptoriamente, qualquer
tratativa com o Senador.
Se o Senador Marcelo Crivella pensa que, através de tais expedientes escusos,
ele vai alcançar algum objetivo com o apoio do meu partido, o PDT, ele se engana
redondamente. O PDT fez uma convenção e escolheu um candidato, depois de um
processo interno de debates, discussões, com a participação expressiva dos
delegados.
Então, o Deputado Paulo Ramos, que ora ocupa a tribuna, é o candidato do PDT à
Prefeitura do Rio de Janeiro.
Tem se utilizado de alguns outros intermediários. Mas fiquei igualmente surpreso
quando li a matéria sobre a convenção do Partido Comunista do Brasil que lançou
a ex-deputada Jandira Feghali como candidata à Prefeitura do Rio de Janeiro, sem
qualquer cerimônia, sem qualquer respeito, a ex-deputada Jandira Feghali ao
dizer dos partidos políticos que integrariam a sua coligação, ela inclui o meu
partido, o PDT. É uma espécie de apropriação indébita, um abuso, uma espécie de
assalto à mão desarmada.
Mas, lendo o restante da
matéria, eu compreendi, porque diz na matéria que Jandira Feghali fizera um
acordo com o Senador Marcelo Crivella. Um acordo de não agressão no primeiro
turno,- vejam só – ou um acordo para que um poupasse o outro de críticas no
primeiro turno, como se eles previamente tivessem ou estejam assumindo um
compromisso para o segundo turno.
Então, vi que os princípios e os critérios são os mesmos. Mas aí não me
surpreendi, assustei-me, porque se de fato existe tal acordo, acredito que
exista, porque não houve qualquer reparo, assim como entendo que as publicações
anteriormente por mim citadas também representam a verdade - porque não houve
desmentido - porque o Partido Comunista do Brasil é um partido ateu.
Será que a ex-deputada Jandira Feghali não terá a obrigação de dizer que o
Estado é laico, que o Estado não pode ser apropriado a partir do município por
um partido político, que na verdade representa um segmento religioso, uma
denominação religiosa que se transformou num partido político para disputar o
poder? Será que ela não terá obrigação de denunciar isto à opinião pública? Como
fazer tal acordo, a não ser na base das compensações, das conveniências. E aí
vejo que não só o Senador Marcelo Crivella vive de compensações. Vejo que a
ex-deputada Jandira Feghali, agora Secretária de Ciência e Tecnologia no
município de Niterói, também compactua com expedientes bem mais graves, porque
se omite, recusa-se a denunciar a existência de um início de intolerância
religiosa em nosso Estado e em nosso País.
Venho aqui, Sr. Presidente,
já que o jornal O Globo, o Jornal do Brasil e o jornal O Dia, jornais que
refletiram as afirmações que aqui faço, como não tenho a oportunidade de
apresentar a posição do meu partido, que seria o dever deles, se eles
observassem o mínimo ético em face da liberdade que assumiram, teriam a
obrigação de consultar, de ouvir aquele que está diretamente envolvido na
publicação.
De qualquer forma, numa quadra da vida nacional onde o poder econômico, o poder
do dinheiro tem tanta força, é natural constatar que a ética no dever de
informar é uma ética subjugada a interesses escusos.
Muito obrigado.
TOPO
Expediente Inicial 08/04/08
O SR. PAULO RAMOS –
Sr. Presidente, obedecendo à orientação de V. Exa., serei breve para dizer que a
expectativa do Sr. Deputado Flávio Bolsonaro só se realizará através da pressão
dos servidores públicos. Porque o Governador do Estado já demonstrou toda a sua
insensibilidade em relação ao serviço público, mas, principalmente em relação
aos servidores públicos.
O projeto do Governador do
Estado se concentra nem no estado mínimo, é no estado nenhum. E é por esta razão
que ele vem sucedendo àquilo que foi feito pelo ex-Governador Marcello Alencar,
que privatizou tudo que podia, restando apenas a Cedae.
Aliás, na semana passada, um representante da Cedae estava fazendo propaganda no
lançamento de ações da Cedae. Sabe aonde, Sr. Deputado Gilberto Palmares, Sr.
Deputado Flávio Bolsonaro, Sr. Deputado Natalino, Sr. Deputado Zito, que preside
esta Sessão? Lá na bolsa de Nova Iorque.
Nós, aqui, na Assembléia
Legislativa, não temos conhecimento de nada. E o Governo do Estado já está
tramando transformar a Cedae em uma empresa a ser controlada 51% pelo estado, e
49% por investidores, de preferência estrangeiros. E a água, que é um bem
insubstituível, não pode ser submetida ao lucro, não pode.
Tenho dito, quando debato
questões ligadas à água, que quem faz greve de fome tem direito a beber água -
para demonstrar como a água é essencial. Num país como o nosso, num estado como
o nosso, em que a renda vai diminuindo na medida em que aumenta o contingente
populacional, imaginar que há pessoas que não têm nenhuma renda; estas estarão
proibidas de beber água, porque elas terão que pagar pela água.
Então, é uma insanidade. Não
chega a ser uma irresponsabilidade. É uma desumanidade não compreender que a
água não pode estar submetida ao lucro; os investidores, os acionistas,
pretendem a remuneração do seu capital. A Cedae tem que ser uma empresa social.
Obviamente, cobrando pela água? Cobrando, mas compreendendo que tem a tarifa
social. É preciso ver a água com outros olhos. Lamentavelmente, o Governador do
Estado está vendo a água com aquela visão capitalista do lucro.
O SR. FLÁVIO BOLSONARO -
Vossa Excelência me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo o aparte ao Sr. Deputado Paulo Ramos.
O SR. FLÁVIO BOLSONARO – Seguindo a linha de raciocínio de V.Exa., realmente a
água é um bem muito valioso já hoje em dia. O litro da água está mais caro do
que o litro da gasolina.
O SR. PAULO RAMOS –
Permita-me V.Exa. Tenho recebido a presença, quando faço audiências públicas com
os trabalhadores da Cedae, do Professor Rui Nogueira, que denuncia e comprova
que uma multinacional chamada Nestlé, muito conhecida, está assumindo o controle
de todas as reservas de água mineral no nosso país. Não é nem no Estado de
Minas, não, no país.
O SR. GILBERTO PALMARES -
Vossa Excelência me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo
o aparte ao Deputado Gilberto Palmares.
O SR. GILBERTO PALMARES –
Deputado Paulo Ramos, rapidamente. É só para lembrar, quando tem essa discussão
de abrir o capital da Cedae, duas questões. Uma, que os trabalhadores da Cedae
têm um artigo no seu acordo coletivo proibindo a demissão arbitrária que, volta
e meia, os Governos Estaduais tentam retirar. É evidente que investidores
privados que venham a ter interesse na Cedae farão, como exigência, que
cláusulas como essa do acordo coletivo sejam retiradas. Então, preventivamente,
dizendo que nós não aceitaremos, em hipótese nenhuma, até por conta disso.
A outra questão é que, além
da água, que é um bem essencial à vida, a Cedae é responsável pela questão do
saneamento básico. Quando tem a crise da dengue, e outras, a própria mídia
começa a demonstrar que a maioria da população não tem acesso ao saneamento
básico e que, por conta disso, tem problemas sérios de saúde.
É bom lembrar que também a
eventual privatização da CEDAE ou a hegemonia de interesse privados também torna
mais difícil o acesso ao saneamento.
O SR. PAULO RAMOS –
Água potável em todas as torneiras e esgoto tratado, esse é o papel que cabe à
CEDAE. A CEDAE tem uma função pública essencialíssima, que não pode ser
submetida ao lucro.
Sr. Presidente, Sr. Deputado
Flávio Bolsonaro, o Governador do Estado, quando candidato, compareceu entre o
primeiro e o segundo turno, diante das entidades representativas de todos os
servidores - Saúde, Educação, Segurança, Cultura, tudo - e assinou o compromisso
e não cumpriu; vem sendo retratado agora como Pinóquio.
Para concluir, Sr.
Presidente, ontem, aqui, na Assembléia Legislativa, que foi realizada uma
audiência pública, mas foi um ato público em homenagem ao Dia Internacional da
Saúde. O ato foi organizado por todas as entidades representativas dos
profissionais de Saúde. Um ato grande e importante, com a manifestação clara de
repúdio a uma criação esdrúxula, uma excrescência jurídica com a qual pretende o
Sr. Governador Sérgio Cabral administrar a Saúde no nosso estado: a fundação
pública, mas de direito privado.
A Dra. Salete Maccalóz,
juíza federal, no pronunciamento que fez, desmontou aqui essa fundação,
demonstrando claramente a impossibilidade jurídica dela se realizar. De qualquer
maneira, foi um ato público importante.
Então, quero desta tribuna
manifestar a minha homenagem aos profissionais de Saúde que organizaram aquele
ato no Dia Internacional da Saúde, dizendo: o que existe de saúde pública no
nosso Estado ainda é devido aos profissionais de Saúde. Se dependesse do
governante, seguramente, estaria tudo fechado, assim como ele está fechando o
Hospital São Sebastião; e a questão do IASERJ, que ele está entregando a
instalação ao INCA, depois de receber 10 milhões desta Casa.
CPI da Dengue - já foi dada entrada com o pedido de abertura de uma CPI com o
número necessário de assinaturas. Vamos ver se esta Casa implanta a CPI da
Dengue.
O SR. FLÁVIO BOLSONARO –
Gostaria de um aparte de V. Exa., antes de encerrar o seu tempo, porque acho
importantíssimo. V.Exa. tem falado das organizações médicas que estão sendo
fechadas pelo Governo do Estado. Gostaria de citar mais uma, que muito me
preocupa, Sr. Deputado Gilberto Palmares, que foi citada recentemente pela
imprensa.
Uma das cinco melhores instituições dentre as públicas e privadas, que
é o Centro de Tratamento de Doenças Craniofaciais, o Reviva, o Governo do Estado
extinguiu todos aqueles cargos; um centro de referência nacional, o quarto
hospital do Estado considerado por essa pesquisa. Ainda assim, o Governo do
Estado tem se mostrado inflexível fechando um hospital importante, crianças que
nascem com lábio leporino ou que tem uma série de deficiências craniofaciais, só
tem o Reviva para recorrer, um hospital público mas que parece privado, tamanha
a qualidade do serviço que presta e o estado. Há três semanas extinguiu todos
esses cargos e esta lá ao ócio, um espaço importante na Gávea que prestava um
serviço público imensurável.
É lamentável! Esperamos que o poder público, que o
nosso Governo do Estado possa rever essa situação.
O SR. PAULO RAMOS –
Agradeço o aparte de V.Exa. Presto também uma homenagem aos companheiros da
Beneficência Portuguesa, na Rua Santo Amaro, que o Governador - autoritariamente
- desapropriou.
Vamos lá! É uma luta grande, Sr. Presidente.
TOPO
Expediente Final 08/04/08
O SR. PAULO RAMOS –
Sr. Presidente, Srs. Deputados, ontem, compareci ao Teatro Municipal, na
solenidade maior em homenagem aos 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa,
agora sob a presidência do nosso grande companheiro Maurício Azedo. Eu conheço a
tradição da ABI, das lutas pela afirmação das liberdades democráticos. E falo
das liberdades democráticas no seu conjunto, da luta pela afirmação da
democracia.
Em todos os pronunciamentos
feitos, uma palavra esteve presente em todos eles: a ética jornalística. Na
minha volta para casa, comecei a refletir sobre a ética nos nossos meios de
comunicação, no nosso jornalismo de hoje. Como tenho graves reparos à ética
experimentada pelos meios de comunicação, imediatamente concluí que a Associação
Brasileira de Imprensa representa algo diferente e muito maior do que a nossa
mídia atual, com raríssimas exceções, porque o que nós verificamos no nosso país
é a concentração nas mãos de poucos dos meios de comunicação.
Aí, a própria liberdade de
imprensa fica comprometida, na medida em que esses grandes conglomerados se
transformam em potências econômicas, associados, buscando na verdade, a
democracia representativa, influir e procurar conduzir a população a afirmar uma
representação contrária aos próprios interesses públicos.
A Associação Brasileira de
Imprensa é uma coisa: é uma instituição que precisa ser sempre homenageada e
reconhecida. Mas vários dos representados na Associação Brasileira de Imprensa -
mesmo proclamando a liberdade de imprensa como fundamento da democracia - não
fazem jus a uma liberdade da qual se apropriam para manipular a verdade, para
manipular a informação, rotineiramente em benefício de interesses escusos,
especialmente quando se trata da disputa pelo poder político.
É o que estamos assistindo
aqui no Município do Rio de Janeiro, quando, com raríssimas exceções, os
principais jornais já estão comprometidos com um possível resultado adrede
preparado para que consigam levar, como titular da Prefeitura do Rio de Janeiro,
alguém da conveniência deles e não da conveniência da população, até porque eles
cuidam de isolar candidaturas; eles cuidam de patrocinar outras candidaturas.
Tentam demonstrar que há
aqueles que aparentemente já estão selecionados como preferenciais da população,
mas na verdade são os preferenciais deles. Eles, como casas comerciais, se
associam a outras casas de comércio, como os órgãos de pesquisa. E vamos vendo
resultados de órgãos diferentes os mais estapafúrdios, com uma diferença de
tempo, às vezes, de quatro ou cinco dias, como se a opinião pública observasse
uma flexibilidade, uma fluidez, até uma leviandade tão grande quanto a
leviandade dos patrocinadores da comunicação e dos patrocinadores das pesquisas.
Quem é que paga, quem é que compra, quem é que remunera?
Tive a oportunidade de
aprovar hoje – esta Casa aprovou – a concessão do Título de Benemérito do Estado
do Rio de Janeiro para o grande jornalista, este, sim, ético, Villas Bôas
Corrêa, que continua escrevendo no Jornal do Brasil. O Jornal do Brasil
certamente ainda tem lá o Mauro Santayana e outros jornalistas, mas tem também
uma ou outra figura – posso citar a jornalista Ana Ramalho, que tem uma coluna
que parece uma horta: planta-se ali aquilo que ela bem entende de plantar. Não
sei a que preço, não sei com qual propósito, mas não no propósito da tradição do
Jornal do Brasil, de apego à verdade. Aliás, há tempos, o Jornal do Brasil fez
uma campanha dizendo exatamente isso: o amor à verdade, o compromisso com a
verdade.
Vejo outros meios de comunicação impressos, e posso citar o jornal O
Globo, que também tem compromissos éticos duvidosos, através de vários dos seus
articulistas, porque apresentam ao público a notícia pela metade, a notícia
ceifada.
Sr. Presidente, quando dava
uma entrevista na Rádio Bandeirantes, na semana passada, recebi um grupo
expressivo de profissionais ligados ao Sindicato dos Jornalistas, trazendo-me a
denúncia de que vários jornais estão descumprindo suas obrigações trabalhistas
para com os jornalistas, deixando de recolher o que é devido à Previdência
Social, deixando de pagar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, inúmeras as
reivindicações.
E eles citaram o jornal O Globo, o Jornal do Brasil e outros
jornais. Afinal de contas, eles cumprem suas obrigações trabalhistas para com os
jornalistas ou não cumprem? Colocaram faixa em frente à rádio, colocaram faixas
pelo Centro da Cidade, denunciando o descumprimento dessas obrigações por parte
de vários veículos de comunicação.
O SR. PRESIDENTE (Gilberto
Palmares) – Sr. Deputado Paulo Ramos, a fala de V.Exa. é oportuna e, se me
permite, lembro uma batalha que está em jogo. O Presidente Lula vetou um artigo
que iria ser votado, que impediria o Ministério do Trabalho e o Ministério da
Previdência de fiscalizar o descumprimento da legislação trabalhista. Um absurdo
que ocorre hoje são empregadores obrigarem trabalhadores, individualmente, a
virarem pessoas jurídicas, para burlarem a legislação trabalhista. Uma das
categorias que mais sofre esse atentado é a dos trabalhadores de diversos órgãos
da grande mídia, da grande imprensa.
O SR. PAULO RAMOS – Aliás, a
chamada Emenda 3.
O SR. PRESIDENTE (Gilberto Palmares) – Exatamente.
O SR. PAULO RAMOS – A Emenda 3, que foi vetada, e a pressão contra a emenda nº3,
ao que tudo indica, também vem de órgãos de comunicação, querem transformar os
jornalistas em pessoas jurídicas para que eles próprios não paguem os seus
encargos sociais.
De qualquer maneira, Sr.
Presidente, desta tribuna mando um grande abraço ao jornalista Maurício Azedo,
Presidente da ABI. Manifesto o meu reconhecimento ao papel histórico que a ABI
tem cumprido ao longo de todos esses anos na defesa das liberdades democráticas.
Mando também a minha
solidariedade aos jornalistas que estão sendo vítimas de seus patrões, que são
os donos dos jornais que não cumprem com suas obrigações sociais. Mando um
abraço também, agradecendo a todos pela aprovação, por termos conferido ao
grande jornalista Villas-Bôas Corrêa, em homenagem ao Dia da Imprensa, o Título
de Cidadão Benemérito do Estado do Rio de Janeiro.
Muito obrigado, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Gilberto
Palmares) – Obrigado, Sr. Deputado Paulo Ramos. Eu me associo a V. Exa. não
apenas na solidariedade aos jornalistas como na saudação à ABI, ao grande
Mauricio Azedo, com quem tive a oportunidade de conviver na Câmara Municipal da
Cidade do Rio de Janeiro.
TOPO
Expediente Inicial 03/04/08
O SR. PAULO RAMOS –
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estava atento à Sessão esperando ser
chamado, e acorri a esta tribuna, aproveitando da minha juventude e da minha
disposição física, antes que V.Exa. suspendesse a Sessão.
Mas, agradeço a gentileza de ter me acalmado para que eu pudesse chegar à
tribuna menos esbaforido - expressão que eu não sei se todos conhecem.
Mas, Sr. Presidente, venho à
tribuna para tratar da questão do Iaserj, que reunia a rede de saúde para
atendimento dos servidores públicos civis do nosso Estado - os servidores do
Poder Executivo.
Durante a campanha
eleitoral, o Governador do Estado, comparecendo ao Sindicato dos Médicos,
subscreveu um documento assumindo o compromisso de recuperar o Iaserj,
preservada a sua destinação. Agora, não estamos mais diante de nenhuma surpresa.
Os servidores públicos, de
um modo geral, que acreditaram nas promessas do Governador, mesmo as subscritas,
e que não foram poucas, foram vítimas de um estelionato eleitoral que, aliás,
deveria ser punido; deveria existir o crime de estelionato eleitoral. E como não
existe, os servidores que se sentem enganados, estão indo para as ruas usando o
Pinóquio como a melhor representação do Governador do Estado. Mas, o Pinóquio,
quando mentia, o nariz crescia e o nosso Governador foi protegido pela
impossibilidade de ver o seu nariz crescer e, portanto, mentiu e mente sem
qualquer preocupação com o seu estereotipo.
Em relação ao Iaserj, que é
o tema que abordo, todos sabem, especialmente os servidores, ao longo dos anos
foi sendo sucateado.
A Associação dos Servidores, presidida pela companheira Mariléia, desenvolveu um
esforço muito grande para denunciar o que estava acontecendo mesmo antes da
posse do Governador Sérgio Cabral. Foram muitas as matérias publicadas nos
jornais com as reivindicações dos servidores e as denúncias sobre o estado em
que se encontrava o Iaserj.
O Governador assumiu o
compromisso, mas, logo no início da administração, demonstrou que é o contrário;
ele pretendia extinguir o Iaserj, distanciando-o da sua destinação: uma rede de
atendimento ao servidor público. E os servidores continuaram lutando.
O Presidente da nossa Casa,
Sr. Deputado Jorge Picciani, sensibilizado, certamente preocupado com os
interesses do servidor e com a recuperação do Iaserj, das economias que fez do
Poder Legislativo destinou dez milhões de reais para essa recuperação. Foi
organizada, inclusive, uma solenidade nesta Casa, que contou com a presença de
Sua Excelência, o Governador do Estado. E na presença de muitos servidores, como
também da Presidente da Associação dos Servidores do Iaserj, a Mariléia, o
Governador recebeu o cheque. Tenho aqui a fotografia, os deputados aplaudindo
atrás do Governador, e o Sr. Deputado Jorge Picciani fazendo chegar às mãos do
Sr. Governador o cheque de dez milhões de reais.
Os servidores naturalmente
imaginaram que a partir dali o Iaserj, pelo menos o Iaserj Central, seria
recuperado. Acreditaram tanto que chegaram a promover uma moção de aplausos ao
Presidente da Assembléia. A Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, em
reunião realizada em Porto Alegre, no dia 16 de dezembro de 2007, conferiu ao
Exmo. Sr. Presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro,
Deputado Jorge Picciani, essa moção de aplausos, e o mesmo em relação ao
Governador Sérgio Cabral, moção de apoio ao governador, exatamente na questão
relativa ao Iaserj.
Dinheiro transferido, os
servidores ficaram aguardando o início das obras. Eis que na terça-feira última,
dia 1º de abril, agora, os servidores pensaram até tratar-se de uma página
forjada do Diário Oficial, porque dia 1° de abril é o dia consagrado à mentira.
Já estavam convencidos de que o Sr. Governador mentia, que era mentiroso. Aliás,
já tenho reiterado aqui, a Madre Teresa de Calcutá, que era santa, dizia que o
pior dos homens é o mentiroso.
No dia 1º de abril último,
no Diário Oficial do Executivo, o Sr. Governador do Estado entrega ao Instituto
Nacional do Câncer, sem qualquer ônus, parte das instalações do Iaserj. O Inca
fica ao lado do Iaserj e o Sr. Governador agora destina as instalações do Iaserj
para o Instituto Nacional do Câncer.
Fica a seguinte indagação:
como vem a esta Casa o Governador, na nossa presença, recebe R$ 10 milhões de
economias feitas pelo Poder Legislativo - aliás, economias que poderiam ser
destinadas a uma remuneração melhor dos servidores da Casa, poderia ter sido
concedido um reajuste melhor do que aqueles famigerados 4% . Mas não, destinou
essa verba para o Iaserj.
Então, estamos diante de
outro estelionato. A Casa destina à recuperação do Iaserj dez milhões, o Sr.
Presidente da Casa, para apoiar o servidor público destina esse recurso, com a
concordância de todos. O Sr. Governador recebe o recurso e em vez de empregá-lo
de acordo com o compromisso no momento do recebimento, entrega agora as
instalações do Iaserj para o Instituto Nacional do Câncer. Afinal de contas,
como ter autoridade um governador que vai mentindo tão reiteradamente? E como
fica esta Casa, não apenas o Sr. Presidente, mas todos nós? Como fica a Mesa
Diretora, que decide essas questões? Porque essas questões não são decididas no
Plenário. A Mesa Diretora concordou em transferir do Poder Legislativo R$ 10
milhões para que o Poder Executivo empregasse tais recursos na recuperação do
Iaserj.
Então, Sr. Presidente, já
não dá mais para ser surpreendido pelo Sr. Governador do Estado: mentiu entre o
1º e o 2º turno da eleição; descumpriu todos os compromissos assumidos com os
servidores públicos; os da Educação, esta semana, estavam em passeata pela
Avenida Rio Branco com a figura do Pinóquio, representando o Sr. Governador, os
da Saúde foram surpreendidos com o novo modelo de gestão, que é o da
privatização da Saúde, através das chamadas Fundações Públicas de Direito
Privado. Foram surpreendidos por quê? Porque também dispõem de um documento,
assinado pelo Sr. Governador, com o compromisso da implementação do plano de
cargos, carreiras e salários; e o Sr. Governador ainda engana a todo o Poder
Legislativo, recebendo 10 milhões para recuperar o Iaserj e agora transferindo
as instalações para o Instituto Nacional do Câncer, que é uma fundação.
Então, Sr. Presidente,
quando olhamos o desespero da população na questão da dengue, da tuberculose e
da febre amarela; quando olhamos a desativação do Hospital São Sebastião; quando
constatamos que o Sr. Governador, num ato de império, se apropria das
instalações que estavam funcionando para a Saúde, da Beneficência Portuguesa,
chega a surpreender pouco o que está fazendo com o Iaserj, mas surpreende muito
mais o que está fazendo com esta Casa.
Portanto, Sr. Presidente,
estou apresentando um Projeto de Resolução para revogar a decisão do Sr.
Governador de transferir para o Instituto Nacional do Câncer as instalações do
Iaserj. Espero que seja o Projeto Decreto Legislativo apreciado em regime de
urgência, para que o Sr. Governador, que não está respeitando o servidor público
– não respeita o da Saúde, o da Educação e o da Segurança – para que ele, pelo
menos, respeite esta Casa.
Como estamos diante de mais
um estelionato eleitoral, estou ingressando também com uma representação no
Ministério Público para que os 10 milhões de reais, pelo menos, sejam
restituídos ao Poder Legislativo ou, anulada a transferência, os recursos sejam
empregados na recuperação verdadeira do Iaserj, em homenagem aos mesmos
servidores públicos que o Sr. Governador vem traindo.
Muito obrigado.
TOPO
Expediente Final 02/04/08
O SR. PAULO RAMOS –
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos acompanhando com alguma
perplexidade o debate nacional que vem sendo travado em relação ao chamado
cartão corporativo, em relação às despesas da Presidência da República, o
Presidente e a Primeira-Dama. A surpresa, que certamente está causando
indignação a muitas pessoas, vem da divulgação de um dossiê tratando das
despesas feitas quando presidia a nossa sofrida República o Sr. Presidente
Fernando Henrique Cardoso. A divulgação do dossiê é atribuída à Sra. Ministra
Dilma Roussef, que, acuada num determinado momento, resolveu transferir as
responsabilidades da divulgação para assessores e, agora, numa etapa seguinte, a
alguém não identificado.
O que causa estranheza é que
o ex-Presidente da República Fernando Henrique Cardoso vem a público dizer que
faz questão de ver divulgadas as despesas que fez, e também as despesas feitas
pela primeira-dama da época, com o cartão corporativo ou com seu similar. A
mídia nos dá ciência de que o Sr. ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso teria
sido mais comedido no uso do referenciado cartão e que as despesas feitas pelo
Sr. Presidente Lula são bem maiores – e, aí, ficam as trocas de acusações, um
acusando o outro.
No Congresso Nacional há uma
Comissão Parlamentar de Inquérito que não consegue ouvir as pessoas envolvidas,
mas também não consegue ter acesso às despesas feitas nem pelo ex-presidente nem
pelo atual presidente. Aliás, argumentou o Ministro das Relações Internacionais,
General Félix, que as despesas estão protegidas por um tal sigilo, envolvendo,
inclusive, a segurança nacional. Mas, nas notícias que vazam, tomamos
conhecimento de despesas feitas completamente descabidas e que, em sendo
oficialmente reveladas, de forma alguma poderiam alcançar a soberania nacional.
Ao contrário, a divulgação comprometeria ou alcançaria os valores éticos
observados por ambos os presidentes.
É claro que o povo
brasileiro e a sociedade têm direito a conhecer a forma pela qual os primeiros
mandatários da nação gastam o dinheiro público. Qual a razão de esconder? Qual a
razão do jogo de empurra? O que a sociedade percebe é que há ou receio recíproco
ou medo da comparação, porque o governo atual tem maioria no Congresso Nacional
e também tem maioria na Comissão Parlamentar de Inquérito. Deveria ser o
primeiro a divulgar as próprias despesas e criar condições para que as despesas
feitas pelo presidente anterior também chegassem ao conhecimento de toda a
população brasileira.
Os escândalos são muitos.
Quando eu falo que os escândalos são muitos, eu me lembro de um deputado federal
que está sempre na nossa lembrança, Lysâneas Maciel, que, tratando de
escândalos, uma vez, lá na Câmara de Vereadores, quando ele era deputado
federal, num ato que lá aconteceu, ele falou: “Sr. Presidente, estou falando do
penúltimo escândalo porque o último deve estar acontecendo agora e, amanhã, dele
tomaremos conhecimento”.
Quando um presidente da
República gasta milhões e milhões de reais como despesas pessoais, o povo
precisa tomar conhecimento. Imaginar que um se oculta dizendo que gastou menos
que o outro, embora a gastança tenha sido aparentemente abusiva e precisa ser
conhecida, todos nós ficamos assustados.
Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados, venho dizer que também estou ansioso, como muitos que acompanham as
peripécias do ex e do atual, estou interessado em conhecer o que cada presidente
fez com o chamado cartão corporativo.
A sociedade tem direito a
conhecer. Muito pior do que conhecer é a dúvida. Se nada há a esconder, se as
despesas eram necessárias, o povo precisa tomar conhecimento.
Portanto, é de se esperar
que uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional, no Senado da
República e na Câmara dos Deputados tenha autoridade suficiente para levar o
primeiro mandatário da Nação, o presidente da República, a informar tudo aquilo
que é solicitado, tudo aquilo que é exigido, porque aí teremos a oportunidade de
esclarecer todas as dúvidas e constatar como o dinheiro público é aplicado nas
despesas pessoais e imediatas de quem preside a Nação.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
Expediente Inicial 02/04/08
O SR. PAULO
RAMOS – Sr. Presidente, sinceramente, esperei que V.Exa., ao
anunciar o primeiro orador, fizesse também uma referência à
prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.
O SR. PRESIDENTE
(Dica) – Vou reiterar que, com sua candidatura, quem ganha é a
Cidade do Rio de Janeiro.
O SR. PAULO RAMOS – Muito obrigado. Tenho certeza de que a população
de Duque de Caxias está atenta.
Sr. Presidente,
Sras. e Srs. Deputados, estamos vivendo no Estado do Rio de Janeiro,
mas muito mais no município do Rio, uma grande epidemia – a dengue –
que tem vitimado muitas famílias e levado várias pessoas à morte.
Estamos indignados. E, vejam bem V. Exas., isso ocorre no Município
do Rio de Janeiro, capital do Estado, que muitos ainda proclamam ser
a capital político-cultural do Brasil. Há de se indagar: se
verdadeira tal assertiva, qual a razão, então, de ser exatamente o
Município do Rio de Janeiro aquele onde a incidência da doença e de
óbitos se apresenta com tanta contundência?
(O SR. COMTE BITTENCOURT ASSUME A PRESIDÊNCIA)
Os gestores
públicos – o prefeito, o governador e o presidente da República,
este último o que menos se expõe nessa questão, porque dela trata
através do Ministro da Saúde – todos têm transformado essa grave
situação num embate, para descobrir sobre quem recai a
responsabilidade. E a população, sofrida e vítima, ainda não
consegue distinguir - não apenas na área da Saúde, mas em qualquer
outra área da administração - quais as responsabilidades cabem a
cada um dos três gestores. A população não sabe. E, em não sabendo,
passa a ser duplamente vítima das conseqüências desse ‘jogo de
empurra’, enquanto um transfere a responsabilidade para o outro.
Nós sabemos que
as responsabilidades são compartilhadas, portanto cada esfera
administrativa tem sua parcela de culpa.
Obviamente, aqui no Rio de Janeiro, o prefeito praticamente desistiu
de governar. Estando ele no poder há muitos anos, já se demonstra
cansado, esgotado; permanece enclausurado em seu gabinete, a tratar
das questões municipais através, única e exclusivamente, do seu
laptop. Não convive, não acompanha, não fiscaliza. Desinteressou-se.
VS.Exa.,
o Governador do Estado, praticamente completou um ano de mandato. Na
campanha eleitoral, manifestou uma grande preocupação com a área da
Saúde: grande, a ponto de comparecer ao Sindicato dos Médicos numa
reunião com todas as representações dos profissionais de Saúde,
assumindo compromissos, demonstrando – ou tentando demonstrar - as
suas preocupações com a saúde da população e com as condições de
vida e de trabalho dos profissionais da referida área. Isto ocorreu
entre o primeiro e o segundo turnos. Não cumpriu nenhum dos
compromissos, ao contrário, tenta privatizar o setor.
No Governo
Marcello Alencar, quando o atual governador cresceu na política,
cuidava da saúde através de cooperativas. O atual governador tenta
agora dar início a um novo modelo de gestão através das fundações
públicas, mas de direito privado.
Não podemos
encontrar respaldo para uma figura tão esdrúxula. Mas, por uma
maioria consolidada nesta Casa, o Governador do Estado conseguiu
aprovar o que eu chamei de excrescência administrativa: não
implementou o Plano de Cargos, Carreira e Salários dos profissionais
da Saúde.
Virou-lhes as costas. Mais: desativou o Instituto de
Infectologia de São Sebastião, no Caju. Na última epidemia de
dengue, o Hospital São Sebastião recebeu aproximadamente dois mil
pacientes com dengue sem que tivesse havido um óbito sequer. E o
Governador do Estado, alegando a impossibilidade de recuperação das
instalações do Instituto, vem esquartejando as atribuições
distribuindo-as entre várias unidades hospitalares. Aliás, uma coisa
curiosíssima: o governador, embora seja um liberal, acaba de cometer
praticamente um crime: através de decreto, desapropriou a
Beneficência Portuguesa, na Rua Santo Amaro, hospital que estava e
está funcionando, e que tem uma clientela, alegando que ali pretende
instalar todas as atividades relatcionadas às questões
infectológicas.
VS. Exa. fechou
um hospital; fechou o Iaserj e acaba de transferir uma parte do
Iaserj para o Inca–Instituto Nacional do Câncer, que é vizinho. O
Iaserj estaria em condições também, se funcionando, de receber
muitos pacientes, assim com o Hospital São Sebastião. Agora diz que
vai trazer médicos de fora. É uma manobra diversionista, que
caracteriza a irresponsabilidade. S.Exa. diz que no Rio de Janeiro
não há pediatras. Eu não sei quem é que pode acreditar numa
desfaçatez dessas.
O Sr.
Governador, que viaja muito, que acompanha o Presidente da República
em qualquer suposta inauguração, também foge de suas
responsabilidades. Ao desapropriar por decreto a Beneficência
Portuguesa, ameaça a iniciativa privada – e eu falei que S.Exa. era
liberal. O Estado do Rio de Janeiro, o Município do Rio de Janeiro
tem inúmeros próprios estaduais completamente fechados. Andamos e
vamos encontrando prédios e mais prédios abandonados, e são prédios
estaduais.
Caminho para concluir, Sr. Presidente, dizendo que, na outra
instância – falei do prefeito e do governador –, agora vem o
Presidente da República, através do Ministro da Saúde, que instalou
o gabinete da crise. Naturalmente poupou os feriados; o final de
semana era longo e ele marcou para segunda-feira, depois dos últimos
feriados. Está instalando, como se estivesse numa guerra, hospitais
de campanha, como fez dois anos atrás. Qual a razão da intervenção
havida dois, três anos atrás, sem que as providências tivessem sido
tomadas?
Não há prevenção
e alguns procuram dizer que a população tem uma parcela de culpa,
que a população está sofrendo porque não cuida, não põe areia no
vasinho da planta de casa, deixa a caixa d’água destampada, deixa
pneu velho no quintal. As campanhas preventivas devem ser
permanentes e a dengue já deveria estar mais do que erradicada. Mas
retornam também a tuberculose e a febre amarela. Sr. Presidente, há
outra epidemia que não é muito difundida: a epidemia da loucura. Só
se percebe essa epidemia através dos boletins dos registros
policiais ou dos atendimentos do Corpo de Bombeiros. Os hospitais
psiquiátricos, os leitos psiquiátricos vão sendo desativados e a
população vai ficando com a responsabilidade.
Mas, no momento,
o que está alarmando mais a população é a questão da dengue. É
preciso, portanto, que as ocorrências verificadas, o sofrimento
imposto à população desperte as autoridades governamentais para uma
campanha continuada, uma política pública continuada, permanente. Os
guardas de endemias foram demitidos pelo ex-Ministro José Serra,
hoje Governador de São Paulo. Pararam a Ponte Rio-Niterói, fizeram
passeata na Av. Rio Branco, vieram a esta Casa inúmeras vezes e nada
chamou a atenção, nada foi capaz de mover as autoridades. Mas agora
a impressão que se tem é de que as providências serão tomadas. É de
se esperar que, passado o susto maior, as providências continuem em
homenagem ao mínimo de respeito que deve ser deferido à população.
Ontem, Sr. Presidente, tive a oportunidade de dar entrada num
requerimento para que esta Casa instale uma Comissão Parlamentar de
Inquérito para investigar as questões relativas à dengue e possa dar
uma resposta, e que a resposta seja uma pressão para responsabilizar
e, ao mesmo tempo, livrar a população dessa epidemia que tem levado
o luto e o susto para muitas famílias.
Muito obrigado.
TOPO
Expediente Inicial 01/04/08
O SR. PAULO RAMOS -
Sr. Presidente, quero agradecer a agilidade do Sr. Deputado Luiz Paulo, me
socorrendo na medida em que o documento ao qual vou me referir durante o meu
pronunciamento caiu da tribuna.
VS.Exa. faz referência ao
meu terno novo; é que estou me preparando para assumir a Prefeitura da Cidade do
Rio de Janeiro. Como o Sr. Deputado Luiz Paulo é candidato a vice em uma chapa,
também à Prefeitura, já percebo que teremos, no futuro, um bom entendimento.
Sr. Presidente, Srs.
Deputados, assomo à tribuna, em primeiro lugar, para manifestar a minha
solidariedade aos profissionais da Educação, que estão hoje fazendo uma
paralisação de 24 horas, conduzida e coordenada pelo Sindicato dos Profissionais
da Educação – SEPE.
E o fundamento da
paralisação guarda uma correlação com a campanha eleitoral, à medida que os
profissionais da Educação foram seduzidos e enganados pelo Governador do Estado
o qual, durante a campanha eleitoral, assumiu inúmeros compromissos com a
categoria. Assumiu e assinou.
Já com mais de um ano de
Governo os profissionais da Educação concluíram que S. Exa. não pretende cumprir
com os compromissos assumidos. Entendem, portanto, estarem diante de uma espécie
de estelionato eleitoral.
Os compromissos assumidos
durante a campanha eleitoral formam uma espécie de pacto. Os pactos e os acordos
devem ser cumpridos, até porque o compromisso foi assumido para o segundo turno
da eleição. E o Governador, então candidato, conseguiu uma base razoável de
apoio que o levou à vitória porque a referida categoria nele acreditou.
Eu não sei o respaldo que
pode ser encontrado na legislação, mas não é razoável. Perde a autoridade e o
respeito o governante que, durante campanha eleitoral, assina compromissos e não
os cumpre. O Governador procedeu da mesma forma com os profissionais da Saúde.
Passa o tempo, e S. Exa. não cumpre.
Então, venho primeiro a esta
tribuna a fim de manifestar minha solidariedade aos profissionais da Educação,
minha solidariedade à sua representação que é o SEPE, por um dia de paralisação
e pela marcha que essa categoria vem fazendo hoje no Centro da cidade.
Mas, Sr. Presidente, venho a
esta tribuna para também tratar de um segundo tema: o Governador do Estado,
através de decreto, desapropriou o prédio da Beneficência Portuguesa, sito à Rua
Santo Amaro, que tem um grande histórico de prestação de serviços. A
Beneficência Portuguesa tem tradição e, no local, continuava prestando serviços
de saúde a milhares de moradores do Rio de Janeiro.
O Governador do Estado tem
tratado o setor da Saúde e as suas instalações bem como os profissionais de
Saúde em nosso Estado com tanto descaso.
Através do Decreto 41.232,
publicado no Diário Oficial do Executivo de 25 de março de 2008, atenta contra a
própria propriedade privada. E ele que tem sido um aliado tão grande dos
liberais – é um liberal – tendo em vista a parceria desenvolvida com o grande
empresariado através da Firjan. O Governador viaja e para onde vai leva a
tiracolo o presidente da Firjan, não para trazer investimentos que possam
beneficiar a população ou alcançar as micro, pequenas e médias empresas.
Não. O acerto do governador
é sempre com os grandes. Micros, pequenos e médios ficam na dependência dos
grandes. E agora, o governador desapropria com o argumento de que pretende
instalar no local os institutos especializados, da Secretaria Estadual de Saúde.
Isso é uma apropriação indébita! O Estado dispõe de inúmeros prédios
abandonados. Poderia o governador, se o objetivo fosse sincero, recuperar algum
ou alguns dos seus próprios estaduais que vamos encontrando ao percorrer a
cidade. Mas, não é isso.
A quem pretende o governador
beneficiar? Ele já tem um projeto de privatização da Saúde, com a criação das
fundações públicas, mas de direito privado. Nós sabemos que o objetivo é a
privatização da Saúde. E aí, S. Exa. o governador agride de forma
antidemocrática, arbitrária, truculenta uma instituição que tem tantos anos de
tradição, instituição que foi surpreendida.
Tem sido normal, na
administração, adquirir prédios num conluio com o proprietário. Agora mesmo vi
nos jornais – estou procurando me certificar – que o Estado pretende comprar um
prédio, aqui próximo ao prédio onde está funcionando a administração da Alerj,
para a Procuradoria Geral do Estado. Nós sabemos o custo do prédio adquirido
pela Alerj e estamos comparando com o custo divulgado do prédio que vai ser
adquirido para Procuradoria Geral do Estado. O preço é muito maior e há, para a
compra, um acordo com o proprietário. O governador não desapropriou por decreto:
o governador está comprando o prédio. Tudo leva a crer tratar-se de uma operação
suspeita.
Mas, em relação à
Beneficência Portuguesa, o governador surpreende os controladores e surpreende
muito mais ainda aqueles que são atendidos pela Beneficência Portuguesa, lá na
Rua Santo Amaro. Um prédio histórico, um prédio importante, mas que está sendo
utilizado para sua destinação.
Eu venho a esta tribuna
pedir que seja transcrita nos Anais a nota de repúdio à desapropriação da
Beneficência Portuguesa, nota subscrita pelo seu presidente, Alberto Dias Maia.
E aproveito para comunicar a Casa que, caso o governador não recue desse
propósito – o que, aliás, já vem sendo enfrentado no Poder Judiciário e o
Desembargador Ronaldo Lopes Martins, de plantão no final de semana, concedeu uma
liminar suspendendo os efeitos do Decreto 41.232. Já está suspendendo, mas não é
possível esta Casa permanecer inerte diante de tal agressão.
Por esta razão - em já
havendo mesmo que liminarmente uma decisão judicial – nós estamos encaminhando
um projeto de Decreto Legislativo, até para socorrer o governador dessa
insanidade, para que o decreto seja revogado. É competência desta Casa e, no
caso especifico da Beneficência Portuguesa, essa competência deve ser exercida
porque faz parte do nosso próprio dever.
Portanto, minha
solidariedade não apenas a todos os que trabalham e lutam para manter a
Beneficência Portuguesa – instituição tradicional - mas especialmente aos
usuários; os que não têm acesso aos hospitais públicos, que estão sucateados; e
ainda encontram na Beneficência Portuguesa o caminho para seu atendimento.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Gilberto
Palmares) – Obrigado, Sr. Deputado Paulo Ramos. Está deferida a solicitação de
V. Exa., quanto à publicação do manifesto das pessoas ligadas à Beneficência
Portuguesa.
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