28/08/08 - Expediente Final

--> clique aqui <--

26/08/08 - Expediente Inicial

--> clique aqui <--

21/08/08 - Expediente Inicial

--> clique aqui <--

21/08/08 - Expediente Final

--> clique aqui <--

19/08/08 - Expediente Inicial

--> clique aqui <--

19/08/08 - Expediente Final

--> clique aqui <--

14/08/08 - Expediente Inicial

--> clique aqui <--

13/08/08 - Expediente Final

--> clique aqui <--

12/08/08 - Expediente Inicial

--> clique aqui <--

07/08/08 - Expediente Inicial

--> clique aqui <--

07/08/08 - Expediente Final

--> clique aqui <--

06/08/08 - Expediente Inicial

--> clique aqui <--

05/08/08 - Expediente Inicial

--> clique aqui <--

05/08/08 - Expediente Final

--> clique aqui <--

 

Expediente Final 28/08/08

 


O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tenho reiteradamente tratado aqui, nesta tribuna, nas últimas semanas, da questão eleitoral, especialmente do Município do Rio de Janeiro. Tenho condenado, de forma a mais veemente, o papel dos meios de comunicação, a começar pela mídia impressa, que vem impondo candidaturas. Eu considero até que esteja havendo propaganda irregular, embora o TRE vire completamente as costas para os patrocinadores da veiculação.
Diz o TRE que os jornais são empresas particulares e que têm o direito de fazer a veiculação que bem desejarem. Se são empresas privadas, têm interesses econômicos e se têm interesses econômicos, a propaganda passa a ser irregular, porque toda a mídia impressa tem sido pautada ou liderada pelo sistema Globo. Impondo candidaturas, acoplam a televisão e as estações de rádio e os que são patrocinados se sentem felizes até o ponto em que são alcançados.

 Quando percebem que estão sendo vítimas da mesma manipulação com a qual se entusiasmaram quando foram beneficiados, começam a tentar se insurgir e, aí, não dá mais tempo, já perderam a autoridade política e perderam completamente a autoridade moral porque os meios de comunicação, numa cumplicidade criminosa com os órgãos de pesquisa – tanto os meios de comunicação quanto os órgãos de pesquisas –, são casas comerciais que vendem por alto preço o seu produto.


No caso da eleição, os beneficiários desse sistema são produtos estragados, que vão fazer mal à população, que já estão comprometidos com os mesmos poderosos que formam uma verdadeira quadrilha para assaltar o poder e subjugar os governantes. No momento de decidir o emprego dos recursos públicos, não impera o interesse da população e sim o interesse daqueles que assaltaram o poder.


Podemos citar inúmeros exemplos. A quem pode ter interessado a Cidade da Música, que vai chegar à casa, se equipada com recurso público, de um bilhão ou mais? Para entrar em outro exemplo, e os equipamentos esportivos do Pan-Americano, tudo superfaturado? A decisão observou o interesse público ou o interesse das empreiteiras que iam fazer a obra? Ainda vem aí o trem-bala, que vai custar bilhões e bilhões e bilhões – são muitos – de reais. O trem-bala interessa a qual parcela da população? À população que se espreme nos trens, nos ônibus, no metrô, nas barcas? À população que depende de uma solução urgente para o transporte na Região Metropolitana, incluindo o Rio de Janeiro, a Ilha do Governador, que sofre, o pessoal de Caxias, São Gonçalo, Magé, Niterói?


Afinal de contas, como é possível imaginar que um governante cioso de suas responsabilidades decida sobre o emprego de volumosos recursos distanciando-se do interesse público? Quais as prioridades? A opção recai sobre aquilo que não interessa à maioria esmagadora da população. É exatamente isso que deve ser visto pelos próprios eleitores. Eles estão fazendo campanhas as mais agressivas e ricas, jogando uma espécie de terra nos olhos da população, que perde a possibilidade de comparar, não conhece os candidatos, só conhece os impostos, só conhece aqueles que são veiculados, só conhece as campanhas que são massificadas. Como ela vai comparar? Como ela vai refletir? Como ela vai decidir o seu voto?


Ainda há algo que contribui para o aniquilamento do eleitor. Imaginemos um cidadão que mora mal, que não tem os filhos na escola, que não trabalha, ou, quando trabalha, o salário é muito minguado, quer um atendimento médico, não tem. Esse cidadão fica isolado porque a sociedade está desagregada, desorganizada. São poucos aqueles que participam das comunidades de bairro, das associações de moradores, das categorias profissionais; são poucos os que ficam esclarecidos. Mas esse cidadão olha e pensa: eu só tenho um voto; eu tenho um voto e dez mil problemas. Ele se sente completamente impotente.


Na medida em que se sente impotente, ele não compreende que é exatamente no dia da eleição, com um voto, que ele está em situação de igualdade com o mais poderoso dos cidadãos, que também tem um voto. Só que o mais poderoso dos cidadãos tem força para manipular o voto de milhares e milhares de cidadãos isolados, cidadãos que não compreendem a força daquele um voto e da igualdade que aquilo proporciona.


Então, Sr. Presidente, eu, mais uma vez, venho a esta tribuna para dizer, para tentar esclarecer àqueles que acompanham a TV Alerj, àqueles que, pelo menos, têm TV por assinatura, porque há redes que não são por assinatura: a TV Globo, a Rede TV, a TV Bandeirantes, a CNT, o SBT e a Record. A Record ainda compõe uma corrente política, também tem jornal, também dispõe de rádios e, portanto, tem a possibilidade de proteger o seu candidato. O candidato da Record, candidato de uma corrente religiosa, está protegido, porque dispõe de instrumentos poderosos de comunicação para se preservar. Ele passa a ser hostilizado por aqueles que, a partir do Sistema Globo, tentam também fazer uma polarização. É assim: está condenado a perder, mas, sob certos aspectos, também se beneficia do mesmo sistema.


Há outras candidaturas destinadas a perder, de outros beneficiários do próprio modelo. Posso citar, sem preocupação alguma, os outros beneficiários do sistema: o Senador Crivella é o beneficiário da corrente religiosa que controla canal de televisão, estações de rádio e jornal; é apresentado como o favorito das pesquisas, mas também aquele que tem o maior percentual de rejeição e que é crescente tal percentual.


Quais são os outros? Tem a ex-Deputada Jandira Feghali, do PCdoB, que foi alavancada de uma forma deliberada para ser cooptada pelo modelo – obviamente que já foi cooptada de outras formas. No momento em que é atingida, começa a tentar reagir, mas também perdeu a autoridade moral e política. Quando começa a cair nas pesquisas – falsas – em que ela própria acreditou quando estava sendo beneficiada, começa a reagir. Tem o Deputado Chico Alencar, que também tem sido beneficiado por esse sistema, porque tem sua campanha divulgada nos jornais, nas rádios e na própria TV Globo, que cobre o Rio de Janeiro, manipula pesquisa ao seu sabor.

 Não denuncia esse esquema, se solidariza a ele porque está sendo beneficiado. Vem o Deputado Fernando Gabeira que, num determinado momento, foi alavancado de forma tal pelas pesquisas e pelo Sistema Globo que lidera os demais meios de comunicação – vou concluir –, que chegou a sonhar com a possibilidade de vitória, e a Globo sepultando tudo aquilo que, sob algum aspecto, fazia e faz com que a candidatura de Fernando Gabeira à Prefeitura do Rio não tenha futuro, que são questões ligadas ao uso e ao tráfico de entorpecentes, por exemplo.


Há inclusive um slogan que termina em eira, e diz: “Vote no Gabeira. Quem fuma, cheira”. Olha que coisa horrível! Imaginar que isto poderia estar sendo alavancado pelo sistema Globo que falsamente diz que protege a família. Basta verificarmos os Big Brothers da vida, uma espécie de casa de prostituição, mobilizando famílias inteiras para ver o que acontece dentro dela. Só os pais e mães que têm filhos e filhas, em determinada idade, para a compreensão do mal que aquela casa de prostituição faz às famílias.


O SR. PRESIDENTE (Marcus Vinícius) – Sr. Deputado Paulo Ramos, conclua, por favor; há outros oradores inscritos.


O SR. PAULO RAMOS – E eu falo por mim mesmo, pois tenho duas filhas de 13 anos agora, e sendo supliciado por aquela orgia! Orgia, em horários em que crianças e adolescentes estão acordados.


E esse canal de televisão, a Globo, ainda se diz a TV Católica. Ainda se diz a TV Católica, mas alavancou o Gabeira.


Tem aqui também o candidato do Partido dos Trabalhadores, Deputado Alessandro Molon, que vive um drama hoje. Vive um drama por quê? Porque chegou a ser estimulado pelo Governador do Estado. Chegou a imaginar que teria o apoio do Governador Sérgio Cabral.


Nas votações aqui, coisas tradicionais em que ele se posicionava contra, passou a se posicionar a favor, a se ausentar do plenário. A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania está completamente paralisada, não obstante o que vem acontecendo nas comunidades carentes.


E aí, Sr. Presidente, perderam a autoridade. Perderam. Mas nós, do PDT, estamos reagindo, estamos denunciando, estamos tentando, pelo menos, num esforço muito grande, na campanha de rua. Em todos os momentos em que podemos nos pronunciar através de qualquer veículo, porque os jornais obviamente, não reproduzem a opinião que tenho expendido em relação à manipulação para levar e, aí sim, vem o outro candidato, que é o ex-Deputado Eduardo Paes.


Está na cara que os assaltantes do poder, os corruptores de sempre estão engendrando o processo eleitoral para colocar, no segundo turno, Eduardo Paes e Crivella. Está óbvio, isto. Nem falei da Solange Amaral que, num determinado momento, seria apoiada pelo Governador Sérgio Cabral numa aliança PMDB/DEM.


Vejam, é uma confusão. Porque o ex-Deputado Eduardo Paes ingressou na atividade política dando um golpe do baú político, porque namorava a filha do Prefeito quando foi ser administrador regional na Barra e no Recreio. É uma situação tão lamentável, muito lamentável. Mas agora o Prefeito ainda simula brigar com o Governador e vice-versa.


A bem da verdade, são candidatos que não têm causa. São candidatos que sobrevivem em função desses arregos partidários, mas sempre à disposição daqueles que, com uma mão aparentemente invisível, estão habituados a assaltar o poder, porque quem sai governante através desse tipo de indústria já chega sem independência, já chega submetido, já chega corrompido, porque vai decidir, não em homenagem ao interesse público, vai empregar os recursos públicos em homenagem aos corruptores de sempre. Aí não tem dinheiro para a educação, não tem dinheiro para a saúde, não tem dinheiro para coisa alguma e a população vai ficando no desespero.


De qualquer maneira, Sr. Presidente, esses candidatos que citei são laranjas dos poderosos e são laranjas podres, porque não permitem sequer que se faça com essas laranjas um suco. Quem beber o suco que venha de qualquer dessas laranjas estará envenenado. É de se esperar, Sr. Presidente, que a população do Rio de Janeiro, que o eleitor do Rio de Janeiro saiba que Marcelo Crivella, Eduardo Paes, Jandira Feghali, Fernando Gabeira, Chico Alencar e Alessandro Molon estão dentro desse conluio deliberadamente, ou para dar uma chance à paz, como inocentes úteis ou inúteis – úteis para os poderosos e inúteis para a população.
Muito obrigado, Sr. Presidente.


O SR. IRANILDO CAMPOS – Sr. Presidente.


O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Pois não.


O SR. IRANILDO CAMPOS – Eu queria justificar a falta do Deputado Sabino, que se encontra em reunião externa com seu partido.


O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Muito obrigado.

 

TOPO


 

 

Expediente Inicial 26/08/08

 


O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs Deputados, atravessamos uma fase da vida de nosso País, Estado e Município marcada pela prevalência da criminalidade – não do crime comum, não do crime do asfalto, mas de um crime contra algo que custou muito caro ao povo brasileiro conquistar, um crime contra a democracia.


Nesta fase, muita gente ouve falar em crime organizado, em formação de quadrilha, para a prática de delitos financeiros, para a exploração do jogo. Mas há diferença entre crime organizado e formação de quadrilha, porque a formação da quadrilha não observa uma estrutura hierarquizada. O crime praticado não é um crime que tenha continuidade. A quadrilha se forma para uma determinada prática e depois se extingue, mas o crime organizado não. A característica do crime organizado é a permanência.


Estamos diante de uma prática criminosa, mas cujos autores não serão alcançados, porque esta prática ainda não está tipificada. Há o crime organizado, que se caracteriza a cada eleição para assaltar o poder. Qual é a mão invisível que coordena e comanda esse crime organizado? É a mão dos chamados corruptores. São os corruptores que se organizam criminosamente para assaltar o poder e nele colocar seus prepostos. Falo que é uma mão aparentemente invisível, mas ela pode ser perfeitamente identificada. Ao longo da nossa história, os corruptores nunca foram alcançados.

 Quando falo ‘corruptores’ é porque a corrupção é um crime que tem o ativo e o passivo – o ativo é aquele que corrompe, enquanto o passivo é aquele que é corrompido. Os corruptores nunca são alcançados e permanecem controlando, em diversas oportunidades, o Poder Executivo nos municípios; por vezes, nos estados, e também na Presidência da República. No Município do Rio de Janeiro, agora, os corruptores, que são os golpistas, talvez movidos por um determinado frisson, estão se utilizando dos mesmos instrumentos, dos mesmos mecanismos, só que de uma forma mais desavergonhada e, portanto, mais facilmente perceptível.


Há, no Município do Rio de Janeiro, uma espécie de orquestração, liderada pelo Sistema Globo de Rádio e Televisão e da imprensa propriamente dita – um sistema que pauta os demais.


Como a mídia impressa facilita essa constatação, tive o cuidado de recortar, durante um mês de campanha eleitoral para a prefeitura do Rio, de três jornais – O Globo, Jornal do Brasil e O Dia – as fotografias estampadas relativas à cobertura de cada campanha eleitoral e as colei numa folha de cartolina, separadamente. Ali fica muito evidente que a mídia impressa, como instrumento do crime organizado, golpista, para assaltar o poder, patrocina algumas candidaturas. Isso porque não é razoável imaginar, nem acolher, mesmo em sendo empresas privadas, com seus interesses econômicos, que tenham os jornais se apropriado de um dos fundamentos da democracia: a liberdade de imprensa.

Liberdade de publicar aquilo que é do seu interesse, tudo bem. Mas não na campanha eleitoral, salvo, considerando os interesses econômicos envolvidos, considerar como propaganda irregular, como matéria paga. A Justiça eleitoral deveria estar atenta e verificar o custo daquela publicidade.


E aí, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ao mesmo tempo em que a mídia impressa cumpre esse papel de retirar do eleitor a possibilidade de conhecer todas as candidaturas, a possibilidade de comparar os candidatos, as propostas, a trajetória dos candidatos, também suprimem dos eleitores tanto a possibilidade e refletir quanto a possibilidade de decidir em quem votar. Estão impondo candidaturas. Impondo.


Vem em seguida o patrocínio das mesmas candidaturas pela TV Globo e por estações de rádio que reproduzem aquilo que está estampado na mídia impressa. O efeito multiplicador é muito grande porque ainda incorpora os chamados órgãos de pesquisas.


Pesquisa eleitoral deveria ser proibida, ainda mais quando associada ao esquema publicitário de uma mídia corrupta, já que patrocinada por grandes conglomerados econômicos, às vezes até integrando uma holding - o jornal, o canal de televisão, a estação de rádio integrando um mesmo conglomerado econômico - que tem empreiteiras, editoras, imobiliárias, construtoras e tudo mais.


É assim, Sr. Presidente, que apresentam os candidatos. Eu, outro dia, Deputado Luiz Paulo, compareci a um debate e me assustei. Pensei que estava diante de outros candidatos, ao comparar a fisionomia, a apresentação de cada um. As fotografias estão espalhadas, às vezes abusivamente, por todo município. Eu me assustei porque nas fotografias: um candidato, mesmo sendo jovem, quer parecer ser mais jovem, uma espécie de “mauricinho”; outro quer se apresentar como se fosse aquele genro que toda mãe de moça casadoira cobiça para levar para sua casa. Tem uma candidata que parece a Lady Di; outra parece dona de bordel, de tão maquiada. Outro parece chefe de máfia, protegido porque também dispõe de meios de comunicação: de jornal, canal de televisão e estações de rádio. É um grande competidor.


Eles dispõem de marqueteiros e são apresentados à população como um produto a ser comprado: uma geladeira, uma pasta de dente, um sabonete. Mas, na verdade, eles não são nem geladeira, nem sabonete, nem pasta de dentes. São outro produto, já conhecido no mundo do crime: são “laranjas”. E podemos dizer que são laranjas estragadas, porque já foram ou corrompidos ou seduzidos por um glamour que, por vezes, tentam impor para desmoralizar ainda mais a atividade política. Aí saem em colunas sociais, com cachos nos cabelos e tudo mais. São comparados com Bombril, Assolan, tudo em torno de uma alegria falsa, que não corresponde àquilo que se passa na alma da população. Mas é preciso dizer que são laranjas podres, que fazem mal a quem as consome ou a quem vier a consumi-las.


Portanto, Sr. Presidente, é preciso que a população do Município do Rio de Janeiro seja alertada para um verdadeiro golpe patrocinado pelo crime organizado de sempre. Aliás, o mesmo crime organizado que levou Getúlio Vargas ao suicídio – faz 54 anos agora. São os golpistas que impediram que João Goulart concluísse seu mandato. São os mesmos golpistas que produziram um resultado falso na primeira eleição direta para presidente da República, após a Constituição de 88. Primeiro, deram um golpe para retirar Brizola do segundo turno. Depois, deram outro golpe para eleger Collor de Melo. E eles estão aí, tramando, conspirando, sem qualquer compromisso com os destinos de nosso País, nosso Estado e todos os municípios – a começar pela capital.


Sr. Presidente, para concluir, quero dizer que a população do Rio de Janeiro já deve saber que o golpe está em marcha e que ela tem que resistir. Até o jornal O Estado de São Paulo, que não tem no Rio de Janeiro grande circulação, que circula intensamente no Estado de São Paulo, está patrocinando aqui, na Associação Brasileira de Imprensa, entrevistas com candidatos – um por dia –, nos mesmos moldes feitos pela TV Globo, no RJ-TV2, na semana passada.

 Só que seleciona alguns candidatos e exclui outros. Coincidentemente, os selecionados são sempre os mesmos. Sempre os mesmos! E eles dizem que se baseiam nas pesquisas eleitorais. Todos sabem que o Ibope é um antro de corrupção, e no mesmo caminho está o Datafolha, porque são casas comerciais que fazem a pesquisa de acordo com o interesse de quem está pagando.


Mas o Estado de São Paulo vir ao Rio de Janeiro para manifestar sua cumplicidade ao que acontece aqui na capital, passa a ser uma prova adicional.


De qualquer maneira, Sr. Presidente, concluo, dizendo: se porventura, mais uma vez, o crime organizado conseguir assaltar de uma vez só todo o Palácio da Cidade, a população já sabe que os problemas vão continuar, vão se agravar. Eles não estão preocupados com o sofrimento ou com a insegurança, e até com o percentual que ainda resta de esperança na população. Não. Eles estão preocupados em administrar um orçamento de mais de 12 bilhões, e dos outros bilhões - muitos bilhões - que giram em torno da economia do Rio de Janeiro e que cabe à Prefeitura fiscalizar. É isto que eles querem.


Para dar apenas um exemplo, aliás, vou dar dois exemplos: um exemplo municipal e um exemplo que perpassa pelo Governo do Estado, alcançando o Governo Federal.
O primeiro é a Cidade da Música. A obra vai custar muito mais de 500 milhões. Depois, para ser equipada, seguramente irá exigir outro tanto igual ou maior.


A população, se consultada, seguramente teria outras prioridades. Chamam de Cidade da Música, mas é um shopping center. É um shopping center com lojas, restaurantes, cafeterias, cinemas, e pouquíssimas instalações para a música. Com esse dinheiro ali investido, quantos problemas da população teriam sido resolvidos? Muitos.
Se a população tivesse sido consultada seguramente teria, repito, outras prioridades.


Mas o que deve ser pesquisado? Qual foi a empreiteira que fez a obra? A qual grupo pertence a empreiteira? Porque aí sim, a população vai compreender que a decisão de fazer a Cidade da Música não observou o interesse público e sim, o interesse de quem, conluiado com o poder, iria realizar a obra.


Segundo exemplo, Sr. Presidente, é o trem-bala, cujos projetos e estudos já vêm consumindo alguns milhões. A população, porém, se fosse consultada, iria preferir o trem-bala ou a solução de todos os problemas de transporte, não apenas no Município do Rio de Janeiro mas em toda a região metropolitana?


Com muito menos dinheiro, poderia ser implantado o sistema de barcas, poderia conferir aos trens urbanos o mesmo sistema de um metrô sobre superfície para a Ilha do Governador, região metropolitana, Ilha de Paquetá, tudo atendido. O metrô até a Barra da Tijuca, o túnel da Grota Funda, o túnel da Pedra Branca. O veículo leve sobre trilhos ou sobre rodas ligando Santa Cruz à Praça Mauá na Avenida Brasil.


Sr. Deputado Dica, até Duque de Caxias com a Baía de Guanabara estaria uma cidade contemplada com um sistema eficiente de barcas para transporte de passageiros. Tudo isto por um custo menor do que o que vai custar o trem-bala.


Todas essas obras, por um custo muito menor. Mas aí há o seguinte: como os candidatos patrocinados pelo chamado crime organizado, ao qual me refiro, vão condenar essas obras? Não podem. Há candidatos se apresentando como os candidatos do presidente da República; há candidatos e candidatas se apresentando como do governador do Estado; há candidata do prefeito da cidade. Afinal de contas, quem será, então, o candidato do povo? Será o candidato do povo aquele que não tem rabo preso, não foi cooptado, não foi corrompido nem seduzido pelos controladores do crime organizado.


Sr. Presidente, se a população perceber – e vamos fazer força, vamos denunciar, vamos cuidar para que a população compreenda – o golpe que está em marcha, vai dar a resposta e, seguramente, o prefeito do Rio de Janeiro a partir de 1º de janeiro será o hoje Deputado Paulo Ramos, candidato pelo PDT.
Muito obrigado.


O SR. PRESIDENTE (Dica) – Amém.

TOPO


 


Expediente Inicial 21/08/08

 


O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, eu tenho ocupado esta tribuna para denunciar um golpe que está sendo praticado, está em curso, contra a democracia e a população do Município do Rio de Janeiro, tendo em vista as eleições municipais.

Os meios de comunicação, pautados principalmente pelo jornal O Globo, quando falo “pautados” é porque todos os jornais acompanham a mesma linha do jornal O Globo, patrocinando as candidaturas – o que cria até suspeição, na minha visão – daqueles que são os candidatos dos poderosos, os prepostos dos poderosos, daqueles que formaram uma espécie de quadrilha que às vezes não é muito visualizada pela população, mas é uma quadrilha que se especializou em assaltar o poder, retirando da população o direito de comparar e refletir sobre em quem vai votar. E o fazem de uma forma a mais agressiva, ridícula, porque é facilmente perceptível, o que demonstra que, além de golpistas, são também atrevidos.


Eu só lamento que os próprios profissionais, os próprios jornalistas, os comunicadores sofram e, para a preservação dos respectivos empregos, dos postos de trabalho, sejam obrigados a cumprir ordens que são absurdas. Muitos – não são poucos –, em conversas informais, relatam: “Deputado, eu fiz a matéria, mas lá na redação ela foi ajustada de acordo com o interesse do meio de comunicação”.

 O profissional, portanto, cumpre o papel e não tem a possibilidade de ver seu trabalho publicado ou divulgado. É um golpe, como, aliás, já aconteceu em nosso Estado e País. Tenho aproveitado e sempre aproveito a TV Alerj para veicular isso, para que pelo menos seus telespectadores tenham a oportunidade de tomar conhecimento de algo que, se consumado, vai fazer com que a realidade no município continue a mesma.


Quero aduzir que, por resistência minha, um canal de televisão, a TV Bandeirantes, deixou de realizar um debate completamente antidemocrático. É preciso que todos saibam que televisão e rádio são concessões públicas e, portanto, se obrigam a observar o que chamo de mínimo democrático, porque, certamente, se não estivessem obrigados, procederiam do mesmo jeito, da mesma forma como vem procedendo a mídia impressa, todos os jornais de grande circulação no Rio de Janeiro, pautados, reitero, pelo Jornal O Globo. Quando digo que representam os poderosos, representam aqueles que estão acostumados a manipular os recursos orçamentários, manipular os governantes, afirmar seus interesses econômicos e escusos, em detrimento dos interesses da população.


Hoje, vou ter a oportunidade de responder aos representantes da TV Globo da mesma forma como respondi à TV Bandeirantes. Àquele canal de televisão que tem a obrigação de cobrir a campanha eleitoral, no horário obrigatório do Município do Rio de Janeiro, vou dizer o mesmo “não” que disse à TV Bandeirantes. Como dizia o nosso saudoso, ainda presente, Brizola: “vou dizer um não rotundo às pretensões antidemocráticas”. Eles se aliam fraudulentamente a órgãos de pesquisa - que são também casas comerciais já corrompidas, que manipulam e vendem o seu produto - para tentar dizer à população quais candidatos estão selecionados, por eles, como possíveis vencedores. É assim que eles agem.


Mas, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o que me causa repulsa ainda maior é que todos os demais candidatos, inclusive aqueles que se apresentam como integrantes do campo progressista, inclusive aqueles que procuram dizer que lutaram pela democracia, todos concordaram. Todos se submeteram a injunções antidemocráticas. E agora que começou o horário gratuito da campanha eleitoral, eu até compreendi o comportamento daqueles que são apresentados como os preferidos dos golpistas. Vejo a propaganda nos cartazes de rua e vi a propaganda na televisão: eles se apresentam como pessoas mais jovens, como pessoas mais bonitas; não se assumem e não assumem a própria realidade deles. Eles se envergonham deles próprios.

Os cabelos aparecem pretos, não têm uma ruga, não existem olheiras; eles são seres artificiais, não suam. Mas se eles mentem para a população agora, o que não serão capazes de fazer depois!? Na verdade eles estão inseridos em duas condições: eles são atores, estão enganando a população, estão mentindo para a população, mas também são tratados pelos corruptores de sempre como mercadoria, como um produto a ser vendido: uma pasta de dente, um sabonete.

 Eu até, na gravação para o programa, falei: um saco de batatas. Só que são produtos estragados: fizeram, estão fazendo e vão fazer mal à população, caso a população não se dê conta de que está diante de uma grande armação; de uma grande armação – reitero - montada pelos corruptores de sempre, por aqueles que abocanham as esperanças da população, oportunistas que subtraem dinheiro dos cofres públicos, que estão mamando nas tetas do governo, recebendo todos os favores governamentais. Usam os meios de comunicação e os órgãos de pesquisa para enganar a população.


Tenho esperanças de que a TV Alerj, de que os nossos telespectadores vão também assumir o compromisso, constatando a veracidade das minhas palavras, de ajudar a esclarecer a população. É preciso que os eleitores do Rio de Janeiro, que o povo do Rio de Janeiro seja alertado para esse golpe.


Não posso de forma alguma acolher imposições de poderosos; não posso aceitar que quadros políticos que tentam se apresentar como defensores da democracia, defensores da transparência – os discursos são os mais apropriados para a ocasião – cumpram as ordens dos poderosos, mintam para a população, não assumam a sua própria realidade e ainda pensem que poderão ser vencedores. Somente, como dizia Brizola, a força do povo – estamos verificando que a força do povo começa a se manifestar nas ruas e vai ser consagrada no dia 5 de outubro – é capaz de derrotar os poderosos, os seus prepostos e os mentirosos.


Muito obrigado, Sr. Presidente.

 

TOPO


 


Expediente Final 21/08/08

 

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, como relatei no Expediente Inicial, tendo em vista as eleições municipais no Rio de Janeiro, a população tem que ser alertada sobre o golpe que está em curso, patrocinado pelos poderosos que se utilizam dos meios de comunicação para privilegiar as candidaturas dos seus prepostos – e, aí, a situação da população não muda, o sofrimento humano se acentua a cada dia, a cidade vai ficando feia e as pessoas, abandonadas. Tudo acontece sob a liderança do jornal O Globo, que pauta todos os demais jornais. O procedimento dos meios de comunicação é tão acintoso que eles preparam as suas equipes para acompanhar os candidatos que são prepostos dos poderosos e que já estão comprometidos – usando uma expressão popular, eles já têm o rabo preso.


Venho trazer aqui, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, mais um esclarecimento. Antes do vencimento do prazo para que os partidos políticos escolhessem os seus candidatos, o governador do Estado fez uma aliança, através do seu partido, com o Prefeito César Maia, para apoiar a candidata do prefeito. Logo depois, por razões políticas desconhecidas, o próprio governador retira o apoio da candidata do Prefeito César Maia e passa a apoiar o candidato do Partido dos Trabalhadores, exatamente na semana que antecedia a pré-convenção do Partido dos Trabalhadores para escolha do seu candidato.


E caminhou nesse apoio até o dia seguinte ao prazo da lei para a desincompatibilização de secretários e entes públicos para a eleição de outubro.


Aí, um secretário de Estado que estava no exterior com o Governador, se desincompatibiliza, com publicação em Diário Oficial com data retroativa. Aliás, uma vergonha que causa espanto, ter o Tribunal Regional Eleitoral acolhido o registro da candidatura. E ainda lançar um candidato próprio.


Veja a seqüência: o Governador se alia ao prefeito, rompe depois com o prefeito, apóia um outro candidato do Partido dos Trabalhadores, depois rompe e lança o seu próprio candidato no dia seguinte ao prazo da lei.


Lembrei-me de uma expressão que corria por aí: Fulano amava Fulana, que amava Fulano, que amava Fulana, que amava Fulano, e morreu de aids. E me faz lembrar, com todo respeito àqueles que sofrem desse mal, e que lutam a duras penas para superação. Mas foi algo utilizado na propaganda.


Há uma outra candidata que, num determinado momento, ousou dizer que era a representação da esquerda. Não sei de qual esquerda falava. O que eu sei é que a candidata conta com o apoio de um dos partidos de sustentação do Governo do Estado nesta Casa. Aliás, o partido deu até o vice na chapa.


Afinal de contas, a quem eles estão enganando? Ou a quem eles pensam que estão enganando? O mais decepcionante é que todos eles se submetem às imposições dos meios de comunicação pautados pelo jornal O Globo.


Olha, Sr. Presidente, vinha e venho acompanhando o comportamento da TV Globo. E posso dizer que o comportamento tem sido – não vou usar a expressão irrepreensível – mas tenho observado padrões elementares, padrões democráticos elementares, salvo o propósito de realizar um debate selecionando os candidatos da preferência do Ibope, não é da preferência da população, mas da preferência do Ibope.


Aí, a TV Globo escorrega. Demonstra que, em sendo uma concessão pública, cumpre aquilo que a lei determina mas tem força suficiente para subjugar. E olha, Sr. Presidente, são 12 candidatos. Mas 10 candidatos pertencem a partido político ou coligação que tem representação no Congresso Nacional.


Para que seja feita a vontade antidemocrática da TV Globo, todos têm que concordar, todos. Há a exigência da unanimidade.


Eu não digo que não é estranho que somente este deputado que ocupa a tribuna, candidato do PDT, seja o único a recusar. Qual a razão? Por que os outros nove se submeteram? Se são defensores da democracia, não deveriam aceitar. Estou me referindo aos que estão incluídos nos critérios globais. Mas e os excluídos? Qual a razão dos excluídos se submeterem?


Então, Sr. Presidente, venho a esta tribuna para reiterar. Há um golpe em marcha, como já houve outros, mas há um golpe em marcha.


Concluo convocando aqueles que assistem à TV Alerj a um movimento de resistência para demonstrar que, por mais força que eles tenham, por maior que seja a capacidade de manipulação que eles disponham, o povo poderá dar a resposta no dia 5 de outubro.


Portanto, Sr. Presidente, me manifesto aqui repudiando o procedimento de nove candidatos a prefeito, aqueles que pertencem a partidos políticos com representação no Congresso. E vou dizer os nomes porque se curvaram diante do poder global: Senador Marcelo Crivella, ex-Deputado Eduardo Paes, ex-Deputada Jandira Feghali, Deputados Federais Chico Alencar e Fernando Gabeira, Deputado Estadual Alessandro Molon e, lamentavelmente, um companheiro de luta que enfrenta também restrições e dificuldades que é o nosso Vinícius Cordeiro.


Vamos ver se ainda conseguimos fazer com que eles reflitam para retirar a subscrição desse atentado à democracia mas, acima de tudo que eles demonstrem que não são subordinados, que não são prepostos, que não têm rabo preso mas que estão dispostos a oferecer à população do Rio de Janeiro o direito de conhecer as propostas e as trajetórias de todos os candidatos para, aí sim, a população, livre e com conhecimento, possa refletir e decidir. Se isto acontecer, seguramente o candidato do PDT levará toda vantagem.


Muito obrigado.

TOPO


 


Expediente Inicial 19/08/08

 


O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, agradecer ao Deputado Nilton Salomão que, seguramente, será reconhecido pela população de Teresópolis.


Sr. Presidente, pelo menos todos nesta Casa e parcela da população do Rio de Janeiro sabem, o meu Partido, o PDT, me lançou candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. Os compromissos do nosso Partido são conhecidos, a começar pela educação integral. Todas as crianças na escola, na educação integral.


O programa dos CIEPs, idealizado por Darcy Ribeiro e implementado por Leonel Brizola - que deu nome às instalações - foi projetado por Oscar Niemeyer. Hoje, essas instalações são conhecidas como “Brizolões”.


Mas, Sr. Presidente, vivemos uma situação que eu tenho denunciado aqui. É extremamente lamentável porque a mídia impressa, se apropriando da liberdade de imprensa e em face de interesses econômicos conhecidos, se estruturou numa espécie de - vou ser rigoroso - de quadrilha para praticar um crime que pode não estar sendo muito percebido pela população.


O primeiro crime foi furtar ou roubar a esperança da maioria esmagadora da população. Mas há um segundo crime: a mídia impressa vive uma orquestração de modo a tentar impor como preferenciais as candidaturas dos prepostos, dos corruptores de sempre, para que tudo seja mantido exatamente como está, para que as expectativas da população não sejam atendidas, para que perdure e prevaleça a desesperança. Aí, talvez para ratificar, para confirmar o procedimento da mídia impressa, a TV Globo, que cobre o Rio de Janeiro, resolveu entrevistar, de segunda a sexta-feira, cinco candidatos da sua preferência, alegando estar baseada numa pesquisa eleitoral feita pelo Ibope – que posso denunciar: é uma casa comercial inescrupulosa. Aí tudo fica, como vou dizer, contaminado.


Quero aqui cumprimentar a representação jurídica do PDT junto ao Tribunal Regional Eleitoral, Dr. Lauro Schuch e Dra. Mara Hoffmann. Ambos, em meu nome, ingressaram com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral, que decidiu ontem, concedeu liminar obrigando a TV Globo a contemplar igualmente, pelo menos, os outros cinco candidatos cujos partidos têm representação no Congresso Nacional. Rádio e televisão são concessões públicas, o que não acontece com a mídia impressa. A mídia impressa diz que faz o que quer, publica o que quer, mas é movida por interesses econômicos, porque é uma empresa, uma casa comercial – como disse Bertold Brecht, se é uma casa comercial, comercializa, vende.


Sr. Presidente, quero aqui dizer que estou convencido da existência no Rio de Janeiro, Capital do Estado do Rio de Janeiro, de uma espécie de golpe em marcha para eleger um candidato que pertence ou é um preposto da própria quadrilha que está formada, administrando a população pública, porque o comportamento coletivo é cientificamente analisado e conduzido. Além de fazer esta denúncia, peço a V.Exa. a transcrição nos Anais da Casa da decisão do TRE determinando à Rede Globo que dê aos demais cinco candidatos tratamento igual.

Quero lamentar que os outros quatro, cujos nomes não vou citar, pelo menos se submeteram; e veja que situação dramática e subserviente: assinaram autorizando a TV Globo a proceder de forma antidemocrática. Na decisão, o TRE diz que não está contemplando simplesmente o direito de um candidato cujo partido tem representação no Congresso Nacional, está acima de tudo preservando o direito do eleitor, que precisa conhecer as propostas de todos os candidatos para comparar, refletir e decidir.


Portanto, Sr. Presidente, quero aqui dizer que pelo menos desta vez acertou a Justiça Eleitoral, que tem fechado os olhos para o procedimento escuso da mídia impressa, dos jornais do Rio de Janeiro - e falo dos jornais, sem exceção - todos liderados pelo jornal O Globo, pautados pelo Sistema Globo, atendendo aos interesses da mesma quadrilha, acostumada a assaltar o poder público colocando a frente do governo os seus prepostos.


Como dizia o velho Brizola: “Só a força do povo”! Muito obrigado Sr. Presidente.


O SR. PRESIDENTE (Dica) – Está deferido o seu pedido.


O SR. PAULO RAMOS – Obrigado, Sr. Presidente.


(O Deputado faz uma leitura)
O SR. PRESIDENTE (Dica) – Quero agradecer aos alunos que nos visitam na tarde de hoje, e ao nosso guia que acompanha esses jovens estudantes pela Casa.

 

TOPO


 


Expediente Final 19/08/08

 


O SR. PAULO RAMOS – Sra. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho à tribuna para ratificar, para reiterar, para reproduzir a minha manifestação do Expediente Inicial. E o faço convencido de que, no Município do Rio de Janeiro, estamos vivendo o prenúncio de um golpe que precisa ser evitado. E o golpe só será evitado com o esclarecimento da população.


Sei do alcance do TV Alerj, mas, obviamente, não se compara, ainda, ao alcance já conquistado pelos jornais e pelas emissoras de televisão, veículos que são de comunicação de massa. Quando um ou outro, isoladamente, assume uma postura, o golpe passa a ser mais facilmente enfrentado. Mas, quando há uma orquestração, reunindo tais veículos de comunicação de massa, evitar o golpe passa a ser muito mais difícil.

E a qual golpe me refiro? Refiro-me a um golpe que vai alcançar, se consumado, a democracia representativa. Forças poderosas, que controlam os meios de comunicação, a começar pela mídia impressa, pelos jornais de maior circulação no nosso Estado e nosso Município do Rio de Janeiro, a capital, se estruturaram para um verdadeiro assalto ao poder, buscando eleger o seu candidato, ou os seus candidatos preferenciais à prefeitura do Rio de Janeiro, porque não há um só.

Eles dispõem de alternativas gradativas, mas têm, obviamente, a candidatura preferencial.


A população precisa ser alertada. Primeiro, porque o orçamento do Município do Rio de Janeiro está na ordem de 13 bilhões de reais – bilhões –, mas a prefeitura cuida de interesses os mais diversos, que ultrapassam em muito mais a casa dos 500 bilhões. A economia do Município do Rio de Janeiro é uma das principais do país, portanto, eleger um prefeito tem um significado muito grande. Eleger um subordinado passa a ser o interesse desses poderosos grupos econômicos, que são também proprietários dos meios de comunicação.


Eles tentam demonstrar para a população, a partir de órgãos de pesquisa igualmente corrompidos, quais são os candidatos que têm possibilidades de ganhar e quais os que estão condenados a perder. Eles sabem que há pelo menos um candidato que não tem com eles o rabo preso, que conhece a cidade, que conhece o sofrimento da população, que tem propostas para melhorar a vida daqueles que moram no Rio de Janeiro, que tem independência, que eles não conseguiram nem corromper nem cooptar para o projeto deles.


Eles temem, eles estão preocupados e procuram, privilegiando os seus prepostos, fazer com que a população não disponha de referências para comparar, para que a população se veja numa espécie de armadilha e se incline a escolher aquele que entenda ser o menos pior dentre os piores selecionados por uma verdadeira quadrilha que se apropria do poder.


Sra. Presidente, o PDT escolheu para concorrer à prefeitura do Rio de Janeiro o Deputado Paulo Ramos, que ora ocupa a tribuna para dizer que os candidatos devem assumir, primeiro, a sua própria realidade – vejo candidatos que estão se maquiando, retirando as rugas; quando mulheres, tentam se apresentar como mais jovens e até mais bonitas. Se o candidato não assume a sua própria realidade, como vai assumir compromissos públicos? Como vai merecer a credibilidade da população se ele já começa a mentir em relação a sua própria imagem?


Sra.Presidente, Srs. Deputados, o candidato do PDT, Deputado Paulo Ramos, que exerceu dois mandatos de deputado federal, tendo sido constituinte e já está no terceiro mandato de deputado estadual é o candidato do PDT. Não é submisso a essa quadrilha que quer assaltar o poder e manipula informação de acordo com sua conveniência, a de controlar o orçamento municipal e a conveniência de participar de qualquer orgia envolvendo toda a economia do Rio de Janeiro.


O Deputado Paulo Ramos tem independência, tem compromisso com a população, tem compromisso em buscar soluções para a educação, para a saúde, para o transporte e para o desenvolvimento do município com a geração de empregos, tem proposta para a nossa juventude que está aí sem alternativa.


Portanto, Sra. Presidente, essa quadrilha, aparentemente invisível, cujos comandantes e chefes não aparecem aos olhos da população, será permanentemente denunciada, de modo aqui, pelo menos através da TV ALERJ, a população tome conhecimento de que ela não poderá se deixar induzir e nem seduzir por aqueles que não têm compromisso público, que estão preocupados única e exclusivamente com o enriquecimento ilícito, que tanto é repudiado pela própria população que constatamos nas ruas durante a campanha eleitoral.


Que o pleito seja limpo, que os meios de comunicação cumpram com suas obrigações democráticas e ofereçam à população as informações necessárias para que ela possa escolher o candidato que, realmente, irá contribuir para a solução dos graves problemas que afetam a população.


Muito obrigado.

TOPO


 


Expediente Inicial 14/08/08

 

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, aproveitando a intervenção do Deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha, que seria um candidato a vice-prefeito cobiçado por muitos candidatos à prefeitura - e eu, que já me sinto muito contemplado, porque tenho como candidato a vice-prefeito na minha chapa do PDT um grande atleta, um grande jogador de futebol, Carlos Alberto Torres, o capitão do Tri, filiado ao PDT há muitos anos, já exerceu mandato de vereador pelo PDT - embora reconheça que poderia cobiçá-lo, informo que já estou contemplado.


Aproveito, somente para acrescentar algo relativo às questões do metrô: a suspeitíssima prorrogação do contrato de concessão por mais 20 anos, uma ruptura das cláusulas contratuais, e a falta de transparência como isso aconteceu. Nem nós no exercício do nosso mandato, nem a Assembléia Legislativa, não tomamos conhecimento prévio desse fato, ninguém tomou. Foi algo assim tramado por trás dos bastidores e só depois divulgada sua consumação.


Vamos esperar que o Ministério Público, apure isso com toda presteza. Já encaminhei uma representação e espero que tudo seja devidamente esclarecido e, se o for, seguramente essa prorrogação vai ser anulada porque está completamente viciada.


Estive hoje, Sr. Presidente, em contato com a população de Copacabana. Sabemos que Copacabana é o ponto mais conhecido do nosso país no exterior, é uma espécie de porta aberta para o turismo, indústria sem chaminé que tantos empregos gera. Percebi o abandono em que se encontra o bairro de Copacabana, mas ouvi também as reclamações da população, principalmente dos idosos, já que Copacabana é reconhecida como a parte da cidade onde há mais idosos morando e essa proporção de idosos elege Copacabana como a “capital da terceira idade”.

Aliás, percorrendo outros bairros da cidade, mormente nas praças públicas, onde disponibilizam mesas para os aposentados, para um carteado e para o jogo de damas, percebi - eu já sabia, só ratifiquei - a inexistência de sanitários, mas em Copacabana os idosos reclamavam: primeiro, da dificuldade de acesso aos ônibus, não só porque o degrau é muito alto, como também porque o direito ao passe-livre não é respeitado; segundo, da situação das calçadas que faz com que muitos idosos sofram acidentes.


Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, reclamaram também da chamada população de rua, sempre manifestando solidariedade e compreensão tendo em vista a situação de sofrimento e de indigência que tantas pessoas vivem. Disseram: “Como Copacabana pode estar se transformando não apenas em um albergue a céu aberto, mas também em uma espécie de sanitário a céu aberto?” Percorri algumas ruas: o mau cheiro é assustador. Como aceitar que o principal ponto turístico do Brasil, que deveria merecer uma atenção muito especial do poder público, esteja enfrentando tais mazelas? Se Copacabana, com todo esse reconhecimento, enfrenta esse tipo de abandono, o que podemos dizer dos bairros da Zona Oeste, da Leopoldina e os da Zona Norte?


Houve uma reclamação também quanto ao excesso de eventos realizados na orla, na praia, intranqüilizando a população, agravando os problemas e não trazendo qualquer contribuição para o turismo. Então, cheguei à conclusão de que a cidade como um todo leva a população a reagir e as reações são proporcionais às dificuldades que cada um enfrenta.


Venho a esta tribuna para dizer da nossa preocupação com esse cartão-postal da nossa cidade, preocupação em viabilizar, através de cuidados especiais, as atividades turísticas, fazer com que os pontos turísticos recebam uma atenção compatível com sua importância. Os empregos gerados, as receitas geradas e a propaganda de nosso país no exterior são pontos que devem ser objeto da atenção e zelo de quem administra a cidade.


Quero mandar meu abraço a toda população da Cidade do Rio de Janeiro, de todos os pontos, Zona Oeste, Leopoldina, Zona Norte, Centro, Ilha do Governador, Ilha de Paquetá, toda a Zona Sul. Tendo em vista a maneira calorosa como fui recebido, aliás, reproduzindo a forma calorosa como tenho sido recebido em todas as comunidades – mesmo aquelas que alguns insistem em acentuar a criminalização, as comunidades menos favorecidas, as favelas –, quero mandar, portanto, um abraço especial à população de Copacabana.


Muito obrigado, Sr. Presidente.


O SR. PRESIDENTE (Dica) – Eu é que agradeço por V.Exa. utilizar seu tempo regimental adequadamente. V.Exa. vai ser um excelente prefeito.

 

TOPO


 


Expediente Final 13/08/08

 


O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tenho ocupado esta tribuna em muitas oportunidades para denunciar o tratamento dispensado por S. Exa. o Governador do Estado, Sérgio Cabral, ao servidores públicos do Poder Executivo. Aliás, o Governador Sérgio Cabral já demonstrou claramente a opção que fez não pelo estado mínimo, mas pelo estado nenhum. S. Exa. já demonstrou ter uma aversão, a mais completa, aos servidores públicos. Durante a campanha eleitoral entre o primeiro e o segundo turno, S. Exa. o Governador percorreu todas, todas as entidades representativas dos servidores públicos, assumindo compromissos, conhecendo as reivindicações e, em vários casos, se comprometendo a atender e assinando o documento.


E mais: hoje aconteceu uma manifestação de servidores públicos, unificados - servidores públicos civis e militares de todas as categorias. Saíram do Largo do Machado e foram ao Palácio Guanabara. E o que fizeram os servidores? Eles colocavam o som com um trecho da palavra do governador, enquanto candidato, quando ele dizia que o Estado do Rio de Janeiro tinha uma receita de aproximadamente 33 bilhões e gastava com o servidor apenas 13 bilhões, muito longe, portanto, das exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal.


E no discurso, Deputado Flávio Bolsonaro, o governador, então candidato, diz que governante que dissesse não dispor de recursos para pagar dignamente o servidor é porque era um incompetente. Incompetente. Hoje, os servidores em cada trecho da caminhada em direção ao Palácio Guanabara colocavam a gravação.


E aí, eu, na manifestação que fiz, me lembrei da Madre Teresa de Calcutá, santa. Ela disse que o pior dos homens era o mentiroso. Mas ela, quando falou isso, estava fazendo uma avaliação em relação ao homem comum que nas suas relações pessoais mentia. Ela, talvez, não tenha imaginado a mentira para uma coletividade tão grande quanto o número de servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro. Ela não conhecia ainda o Governador Sérgio Cabral.


O SR. FLÁVIO BOLSONARO – V. Exa. me concede um aparte?


O SR. PAULO RAMOS – Eu não sei qual adjetivo ela utilizaria para qualificar ou desqualificar quem procede ou procedeu dessa maneira. Concedo o aparte ao Deputado Flávio Bolsonaro.


O SR. FLÁVIO BOLSONARO – Deputado Paulo Ramos, eu ia me inscrever após V.Exa. para tratar do mesmo assunto, mas aproveito a oportunidade para aparteá-lo e concordar com as palavras de V.Exa. Eu estaria presente hoje também em solidariedade a todos os servidores públicos civis e militares, porque realmente é um escárnio o governador oferecer 8% para recompor os salários de categorias já tão sofridas e há tanto tempo aguardando um reajuste digno, que pelo menos possa por exemplo garantir aos nossos policiais civis e militares, Deputado Paulo Ramos, que sobrevivam apenas do contracheque e não tenham que ficar cumprindo jornadas extraordinárias para garantir o complemento da sua renda mensal, fazendo bicos.


O Deputado Coronel Jairo sabe muito bem disso, também é oriundo da corporação Polícia Militar, ele sabe como é importante para o policial e para a sociedade que ele, após o seu serviço, possa passar um período de descanso junto a sua família ou quem sabe até se aprimorando nas suas técnicas de abordagem, se aprimorando para sua atividade-fim, no caso da Polícia Militar o policiamento ostensivo, no caso da Polícia Civil, aprimorando técnicas de investigação. Mas não! É obrigado, Srs. Deputados Coronel Jairo e Paulo Ramos, a batalhar mais uma jornada de trabalho para, inclusive, dar de comer à sua família.


Então, lamento essa possibilidade – esse anúncio de apenas 8% para todo funcionalismo público, porque não vai satisfazer a categoria e acho que é um momento de o nosso governador refletir, porque, como bem disse V. Exa., Deputado Paulo Ramos, vejo algo inédito no serviço público do Estado do Rio de Janeiro: uma unidade, uma coesão e uma organização de muitas categorias, das principais áreas de nosso Estado: Saúde, Educação, Segurança Pública, Sistema Penitenciário.


E, se chegam a um consenso de paralisação, por exemplo, o desgaste maior certamente será para a nossa sociedade. Que o Governador Sérgio Cabral, do alto da responsabilidade tem, no comando deste Estado, possa ser sensível.


Repito, para concluir, Sr. Deputado Paulo Ramos, algo que há muito já venho falando: se ele não pode conceder um reajuste digno agora, que, pelo menos, se planeje ao longo de seu mandato para que possa oferecer números concretos a todas as categorias, do quanto de reajuste ele vai poder conceder! São 8% agora, 20% no ano que vem, mais 15% no ano seguinte, que seja. Mas que se programe e coloque isso como prioridade de seu governo. Muito obrigado.


O SR. PAULO RAMOS – Agradeço a V. Exa., Deputado Flávio Bolsonaro, e digo a V. Exa. que o governador já demonstrou o compromisso que tem: não vai cumprir a palavra empenhada; não vai honrar sua própria assinatura, porque não sabe ele que a maioria esmagadora da população depende dos serviços públicos. E que não há serviço público de boa qualidade sem um servidor dignificado, reconhecido e bem remunerado.


Mas qual tem sido o procedimento do Governador Sérgio Cabral? Em primeiro lugar, através da secretaria a que chama de “Secretaria de Administração e Reestruturação”, começou demitindo. Está demitindo muita gente. Uma perversidade, porque demite até servidores faltando seis, cinco meses para a aposentadoria. Servidores que vêm ou das empresas que foram privatizadas e que estavam distribuídos pelo Estado, trabalhando! Aliás, demite estes e admite apaniguados. Ao mesmo tempo, começou um processo de extinção de vários órgãos. Aí, temos o estrangulamento da Emater: e vem Codim, Caserj, Pesagro, Ceasa, Instituto Vital Brasil, Emop, Cehab, Fundação Cide.


Já extinguiu o Iperj! O pessoal do Iperj, envelhecido, está aí, aguardando o Plano de Cargos, Carreiras e Salários do Rio Previdência. Está praticamente extinguindo a Rede Iaserj. Está tentando transferir as atribuições da perícia médica para a iniciativa privada! Enfim, a privatização da Saúde já está em curso.

No ano passado, encaminhou a esta Casa uma mensagem com um reajuste de 4%. Um reajuste mesquinho! E ainda contou com a solidariedade dos chefes dos demais poderes: do Poder Legislativo, recebendo 4%; do Poder Judiciário, que havia encaminhado uma mensagem um pouco mais benéfica, embora também injusta, do Ministério Público, tudo 4%. E o pior: no Executivo, só o pessoal da Educação, da Saúde e da Segurança. Os demais servidores nem essa migalha receberam.


E aí, Sr. Presidente, uma coisa pouco surpreendente, tendo em vista a auto-estima e o brio dos servidores que, aparentemente, estavam sendo beneficiados. Vieram a esta Casa manifestando a recusa daquele reajuste. Pela primeira vez, entendo, um reajuste foi recusado, mas foi aprovado.


E agora, o governador, sucedendo o presidente do Tribunal de Justiça, que já encaminhou a esta Casa uma mensagem de reajuste para os serventuários – aliás, um reajuste também pequeno, pouco mais de 7% -, o governador encaminha a esta Casa uma mensagem de 8% para a Educação, incluindo a Faetec, e para a área da Segurança.


Por que não incluiu a Saúde? Porque pretende ele privatizar a gestão, através da famigerada fundação pública, mas de direito privado. E aí, o servidor da Saúde vai ter que optar.


Mas os servidores públicos, hoje, realizaram um ato que unifica todos os servidores públicos. Estavam lá os servidores da Educação, da Saúde, da Segurança, os servidores civis e militares, todos, estavam lá, num movimento unificado, dizendo ao governador, em claro e bom som, que os servidores não aceitam o reajuste de 8%.
A reivindicação para a recuperação, não de todas as perdas, mas pelo menos a recuperação de parte das perdas, o reajuste exigido é de 66%. Aliás, indo ao encontro daquilo que disse o governador, porque a receita tem aumentado.


Se, quando o governador fez o discurso, na campanha eleitoral, estava na casa dos 32%, 33%, para o ano de 2008, a receita já foi bem maior.


Então, Sr. Presidente, não sei qual vai ser o procedimento nesta Casa. Não sei se o servidor vai ser atendido, porque segundo informações que recebi, a mensagem já foi encaminhada. Ainda não tive a oportunidade de ver o seu conteúdo. Vê-lo-ei amanhã, depois de publicado no Diário Oficial.


Mas os servidores públicos caminharam do Largo do Machado até o Palácio Guanabara na expectativa de o governo receber a comissão representativa dos servidores. E tomei conhecimento de que o governo virou as costas para os servidores e não recebeu a comissão. Aliás, estive lá praticamente das 11 horas até as 15 horas. Não pude mais permanecer, mas de lá saí acreditando que o bom senso fosse prevalecer e que, pelo menos, algum representante do governo, algum secretário recebesse a comissão. Porque o objetivo consistia, única e exclusivamente, em fazer a entrega das reivindicações.


Quer dizer, é um governo, um governante que, quando candidato, assume compromissos, é eleito com o voto dos servidores, não os cumpre, recusa-se a receber uma representação dos servidores e vem agindo de forma a mais perversa, durante o seu ano e meio de governo, exatamente em relação àqueles com os quais se comprometeu. Os servidores não têm condições de vida e muito menos de trabalho. Quem é que perde com isso? Perde a população, especialmente a população mais sofrida, que depende dos serviços públicos.


Sr. Presidente, não sei para onde as coisas estão caminhando, mas tenho certeza de que a população do Estado já reconhece a índole, a natureza do governo: é um governo comprometido com os interesses da iniciativa privada, distanciando-se dos interesses públicos da população.

 Que pelo menos tivesse tido a decência de, durante a campanha eleitoral, manifestar essa opção. Não sei, se tivesse sido sincero na campanha eleitoral, se tivesse pautado o seu procedimento pela verdade, se teria sido eleito. De qualquer maneira, são os percalços da democracia, da democracia representativa e os servidores públicos hoje reconhecem que estão diante de um grande estelionato político. Vamos ver se conseguem verdadeiramente unificar o movimento para chamar o Governador às suas responsabilidades públicas.


Muito obrigado.

TOPO


 


Expediente Inicial 12/08/08

 


O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tive a oportunidade, ontem, de comparecer a esta Casa na audiência pública para um debate sobre o Aeroporto Internacional do Galeão, o Aeroporto Tom Jobim, que é, naturalmente, um sustentáculo com alto significado para a economia do Rio de Janeiro, além de ser o Rio de Janeiro a principal porta de entrada e de saída de turistas no Brasil.


Imaginei que participaria de um debate sério. E, depois de ouvir vários expositores, inclusive o presidente da Infraero, ex-deputado federal, com quem convivi no Congresso Nacional, Sérgio Gaudenzi, que vem da Bahia, e relatou o cronograma de obras previstas para a recuperação do Terminal 1 e conclusão e ampliação do Terminal 2, incluindo os recursos já disponibilizados para os investimentos necessários. Transmitiu-nos o cronograma de obras, registrando a dificuldade, surpreendente até, porque as empreiteiras brasileiras que vivem buscando obras, especialmente no governo federal, não têm comparecido ao processo licitatório.


A surpresa era grande, mas se tornou menor a partir do pronunciamento do governador do estado, Sérgio Cabral. O pronunciamento do governador Sérgio Cabral significou para mim a certeza de que havia sido montada uma espécie da farsa, nesta Casa, para que o governador, até em face do bom relacionamento que diz ter com o governo Lula, se mobilizasse para agilizar a participação das empresas dispostas a participar da licitação. Mas, não.

O governador Sérgio Cabral vem aqui, trata das Olimpíadas de 2016 - sendo candidata a Cidade do Rio de Janeiro - dizendo que o Aeroporto Tom Jobim representava o principal entrave para que a candidatura do Rio pudesse ser exitosa.


A questão da segurança pública, ou da insegurança pública, o governador omitiu. E é esse o principal entrave. Surpreendentemente, o governador do estado trouxe um complicador, na medida em que propôs a privatização do aeroporto, dizendo: “Por que não entregar à iniciativa privada?” Como na administração tem o governo Sérgio Cabral optado pela iniciativa privada, até para entregar a gestão da saúde, essa posição do governador não representou novidade. A novidade é porque é um complicador.


Como é que agora, em vez de envidar esforços para realização das obras necessárias no aeroporto, já com todos os investimentos liberados, o governador propõe a privatização? Em quanto tempo? Esse debate ultrapassará do exercício de 2008.


Então, eu que presido a Comissão de Trabalho, tendo presidido antes a Comissão de Assuntos Municipais e de Desenvolvimento Regional, tendo realizado várias audiências públicas tratando da questão do Aeroporto Tom Jobim. E tendo realizado uma ainda há poucos dias. Quando vi a reprodução da audiência pública aqui, no plenário, mobilizando o Presidente da Firjan, representações da ANAC, representações as mais diversas do Rio de Janeiro, imaginei que estaria diante de um esforço para a agilização das obras. Mas não! Vi que foi montado um palanque para que o Sr. Governador do Estado propusesse a privatização do aeroporto.


Lamentavelmente, registro isso, porque compareci à audiência pública como uma espécie de incauto. De qualquer maneira, como privatizar significa sempre demitir, quero, de antemão, manifestar minha solidariedade aos funcionários da Infraero, que já devem se mobilizar para resistir, mas também para denunciar. Se o Rio de Janeiro não for escolhido para sediar as Olimpíadas em 2016, certamente não terá sido pelo aeroporto, mas seguramente por outras questões que cabem ao Sr. Governador enfrentar, para – aí, sim – o Rio de Janeiro estar mais habilitado.


Sr. Presidente, venho também a esta tribuna para tratar de algo ligado à eleição municipal, na capital, na medida em que sou candidato pelo meu partido, o PDT, e percebo a existência de uma orquestração para criminalizar ainda mais as comunidades excluídas, menos favorecidas. Vários candidatos estão apregoando, pela mídia, que enfrentam resistências, hostilidades e até a impossibilidade da realização das respectivas campanhas.

Dizem que estão sendo proibidos, reprimidos, que a democracia está em jogo. Aí aquelas comunidades começam a ser mais criminalizadas ainda, justificando a desumana política de segurança pública levada a efeito pelo Governo do Estado. Desumana, porque reprime; desumana, porque assassina; desumana, porque elimina; desumana, porque faz com que as vítimas do modelo passem a ser vítimas maiores, acusadas de responsáveis pela insegurança pública. As conseqüências também são verificadas no aparato policial. A polícia do Rio de Janeiro fica sendo reconhecida como a que mais mata, mas também é a que mais morre.


No último sábado, estive na Mangueira, subindo a Mangueira, percorrendo as vielas e vendo o sofrimento da população, sem sofrer nenhuma hostilidade. Aí constatei, mais uma vez, que na Mangueira a escola de samba passou a ocultar o sofrimento da população. E há aqueles que se apropriaram até do nome da escola de samba, para tirar proveito eleitoral. Mas a população sofre muito. Percebi ali até o abandono em que se encontra aquela população.


Depois, fui também ao Complexo da Maré, na Nova Holanda, e vi a dinâmica daquele bairro. É um bairro plano, com ruas, mas percebemos o empobrecimento da população. Lá também fui recebido sem nenhuma hostilidade; ao contrário, tive na Mangueira e na Nova Holanda uma recepção calorosa.

Fui lá com pessoas da comunidade, com os candidatos a vereador; não fui com aparato, câmeras de televisão, máquinas filmadoras ou máquinas fotográficas sofisticadas para oprimir ainda mais a população, para demonstrar que a população tem que ser subjugada, que tem a obrigação de se deixar fotografar sem que seja a sua própria vontade. Ao contrário, compareci como tenho comparecido: sou bem recebido, mas manifesto respeito e compreensão pela situação vivida por essas comunidades, que precisam muito mais da presença do poder público do que de candidatos que só passam a conhecer aquela realidade na campanha eleitoral.


Eles estão sendo hostilizados porque a população não reconhece neles a possibilidade de uma representação legítima. Nós, do PDT, temos sido muito bem recebidos e continuaremos visitando as comunidades, não para conhecer o sofrimento da população, porque já o conhecemos, mas para dizer que estamos dispostos, à frente da prefeitura, a levar o poder público para essas comunidades, que são muito mais do que sofridas.


Muito obrigado, Sr. Presidente.

TOPO


 


Expediente Inicial 07/08/08

 


O SR. PAULO RAMOS - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, acabamos de ouvir o Deputado Luiz Paulo, que faz parte de uma chapa como candidato a vice-prefeito.
O ideal seria que o nosso sistema observasse uma prática já havida no Brasil, em que o eleitor poderia votar no prefeito, no Presidente da República e no vice. É claro que eu tenho na minha chapa o Carlos Alberto Torres, o capitão do “TRI”, que já foi vereador pelo nosso partido, um grande companheiro. Mas é claro que estamos dentro de um regime em que o eleitor, quando vota, vota na chapa inteira. Se porventura o critério fosse o do passado, mesmo eu torcendo muito para a minha eleição, acompanhado do meu vice, Carlos Alberto Torres, se o povo resolvesse fazer como foi feito com Jânio, Jango, tendo eu o Deputado Luiz Paulo como vice, não ficaria infeliz.


Sr. Presidente, essas manifestações de gentileza fazem parte do respeito que tenho pelo Deputado Luiz Paulo, não obstante as eventuais divergências que fazem parte da nossa convivência democrática.


Mas Sr. Presidente, quando vejo aqui o Deputado Comte Bittencourt e volto meus olhos para Niterói, vejo que o povo daquela cidade foi mais sábio: partidos políticos de Niterói, majoritariamente, reuniram-se em torno do candidato do meu partido, o PDT, Jorge Roberto Silveira. Está aqui o Deputado Comte Bittencourt com quem estive, para minha alegria, no dia em que a coligação foi consagrada na Câmara de Vereadores de Niterói.


Mas, Sr. Presidente, venho à tribuna para, mais uma vez, manifestar minha solidariedade ao pessoal do transporte alternativo que, bravamente, vem resistindo a uma perversidade levada a efeito pelo Governo do Estado em face da aliança que tem o governo com a Fetranspor, tentando, através de um processo de licitação, aniquilar o transporte alternativo, reduzindo em muito os postos de trabalho, o que vai gerar desemprego e também prejudicar a população.

 Porque o transporte alternativo já ocupou uma faixa do mercado; aqueles que pegam o transporte alternativo manifestam a preferência por aquele transporte. Agora, vem o Governo do Estado tentando reduzir de quase 1900 vagas para, quatrocentas e vinte e poucas. Estão resistindo ante a ameaça feita pelo presidente do Detro de colocar todos na ilegalidade.


Então, é uma medida truculenta e irresponsável. Espero que não seja endossada pelo Secretário de Transportes Júlio Lopes e nem pelo Governador Sérgio Cabral, que seja só um arroubo autoritário do presidente do Detro, Rogério Onofre.


Mas os trabalhadores do transporte alternativo estão resistindo democraticamente. Vamos ver se o governo, na verdade, atende à população e modifica o edital de modo a permitir que a mesma não seja prejudicada pela supressão de um transporte que tem atendido a uma parcela muito expressiva do nosso povo.


Mas venho também, Sr. Presidente, a esta tribuna, para não só denunciar como manifestar as minhas preocupações com o rumo que vem sendo seguido pelo governo do Estado na tentativa de privatizar a Cedae.


Já tenho organizada, na Comissão de Trabalho, uma audiência pública de modo a ver se a esta Casa comparecem não apenas o presidente da Cedae, mas também o secretário que, em última análise, tem aquela empresa pública sob a responsabilidade de sua secretaria, para que possamos ser esclarecidos a respeito do que se pretende com a Cedae.


Estranhei e até me revoltei quando vi, pelos jornais, que um dirigente da Cedae compareceu a Nova Iorque para divulgar que, num futuro muito próximo, ações da Cedae seriam colocadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque.


Olhem o desrespeito a esta Casa Legislativa! Era de se esperar, pelo menos, que o Parlamento estadual tomasse conhecimento.


A Cedae é uma empresa pública. A água é um bem essencial à vida e à saúde das pessoas. Como imaginar a pretensão de subordinar a água e o recolhimento e o tratamento de esgoto à sanha do lucro na Bolsa de Valores? Os investidores, obviamente, vão querer o retorno do capital investido.


Tenho dito que a água é um bem tão precioso que até quem faz greve de fome tem direito a beber água. Então, a uma população empobrecida, a uma população de excluídos, a uma população de indigentes ou de remediados, como imaginar que a água deixará de ser um bem público?


Mas qual tem sido a iniciativa da direção da Cedae para alcançar esse objetivo? Uma iniciativa já por todos nós conhecida, não representa nenhuma novidade: pretende, a direção da Cedae, começar demitindo cedaeanos. Demitindo!


Estão lá, buscando acordo coletivo, formas de atendimento das reivindicações da categoria, mas a direção da Cedae, dentre as cláusulas, inclui a demissão. Mas, ainda, espera a aceitação da própria categoria.


Todos nós estamos lembrados dos demitidos do Plano Collor, muitos, ainda, lutando pela reintegração. Collor iniciou um processo irresponsável de privatização do patrimônio nacional. As conseqüências estão aí. Depois, veio Fernando Henrique Cardoso, adulterou a Constituição, uma maioria absurda que conquistou no Congresso Nacional, modificou os dispositivos que garantiam o monopólio estatal do petróleo e das comunicações, acabou com a nacionalização do subsolo e, aí, entregou as telecomunicações, entregou a Vale do Rio Doce e ainda vem fazendo – ainda há as bacias sedimentares – as rodadas de leilão da Agência Nacional de Petróleo.


Venho a esta tribuna, Sr. Presidente, para manifestar a minha solidariedade à resistência dos cedaeanos, que estão dispostos até a fazer uma greve. Mas quero alertar a todos que, dentre os cedaeanos, ainda há alguns que estão vacilando; há alguns, até com representação da categoria, que tentam demonstrar algum imaginário benefício na aceitação da demissão de 2%. Demitir 2% agora significa escancarar a porteira para a demissão de todos. Mas com qual propósito?

Porque são os cedaeanos que têm a cultura da empresa, que resistiram à tentativa de privatização. Eles querem retirar os que resistiram, eles querem estabelecer um conflito interno, uma desagregação, demitindo e escancarando as portas para a privatização.


Defendo a Cedae pública, controlada totalmente pelo Estado, e alerto aos cedaeanos: não se deixem demitir, não se deixem dividir. A coesão, a unidade é que vai fazer com que os cedaeanos conquistem os seus direitos e dêem uma contribuição para que a Cedae continue sendo uma empresa pública, porque a água é um bem essencial à vida e à saúde.


Obrigado, Sr. Presidente.


O SR. PRESIDENTE (Gilberto Palmares) – Deputado Paulo Ramos, a bancada do Partido dos Trabalhadores também está na linha de frente contra qualquer perspectiva de privatização da Cedae e, mais ainda, contra a demissão de qualquer grupo de trabalhadores da Cedae.

 

TOPO


 


Expediente Final 07/08/08

 

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na peregrinação, Sr. Presidente, que tenho feito pela Cidade do Rio de Janeiro, em contato direto com a população tenho constatado a cada dia o abandono que enfrentam parcelas expressivas daqueles que sonham ainda viver na cidade chamada maravilhosa.


Cheguei a dizer a um grupo que encontrei na praça de Cascadura, em frente à Policlínica da Polícia Militar - onde tive a oportunidade de servir no início da década de 80 - que o administrador, o prefeito da cidade, que não manifesta sequer preocupação para solucionar as necessidades primárias da população. Afinal de contas, ele cuida de quê? Faço esse tipo de observação porque em muitas praças do nosso município foram disponibilizados equipamentos, as mesas de concreto, para que os idosos participassem de atividades de lazer: um carteado, um jogo de damas.

Olho os demais concorrentes, candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro e a impressão que tenho é que eles são extraterrestres, não vivem a vida dos normais. Mas para quem joga um buraco ou uma sueca sabe que o jogo de cartas prende a pessoa, ela às vezes não quer se afastar nem um momento, ela quer continuar o jogo. Eu fui constatando, mais uma vez, que praticamente em todas as praças onde disponibilizam esse tipo de lazer, principalmente para os idosos, não há sanitários. Não há! Estive na Praça Saens Pena, o local está completamente degradado. Lá, onde chegaram a fazer uma cobertura, está tudo quebrado.


Aí, comecei a buscar informações em todas as praças: Praça Saens Pena, Praça das Nações, a praça em Cascadura. Em todas elas, não há um serviço que, necessariamente, tem que ser prestado pela prefeitura. Mas somente nas praças? E também nos terminais rodoviários. Aqui mesmo, próximo à Assembléia Legislativa, há uma concentração de pontos finais de ônibus. Também ali não há a disponibilização de sanitários públicos. Aqui, em torno da Assembléia Legislativa, a Praça XV virou um grande albergue, como em outros pontos da cidade. Quando chegamos cedo à Assembléia Legislativa, concluímos que o entorno da Assembléia Legislativa se transformou num grande sanitário público, a céu aberto.


Percorrendo também alguns pontos da cidade consagrados como áreas turísticas, há dois aspectos: um é o crescimento da população de rua, aliás, de todas as idades; outro é o estado em que se encontram os sanitários, pelo menos dos bares, nas ruas perpendiculares. Especialmente em Copacabana, onde a população de rua é maior, e outros que trabalham na rua fazem suas necessidades em via pública, embaixo de marquises, num canto atrás da banca de jornal. Se na região considerada turística nós percebemos tais mazelas, imaginem em outros pontos mais distantes.


Para quem é um ser normal, que vive a vida da cidade, para quem acumulou experiência, para quem tem possibilidades de reunir corpos técnicos, definindo as diretrizes para a elaboração de políticas públicas, esses aspectos causam uma agonia muito grande. Quando alguém me consulta: quais são as prioridades de alguém que assume o cargo de prefeito do Rio? São muitas, porque são muitas as demandas, na área de educação, de saúde, todas.


É preciso ter uma política social que construa albergues para atrair a população de rua. Como se fosse um hotel, onde permanece à noite e volta para as ruas durante o dia? Não! Para começar, um processo de reinclusão dessas pessoas, ao mesmo tempo, humanizando uma relação, que não pode ser uma relação baseada na repressão. Para os idosos, nas praças públicas, é preciso disponibilizar sanitários. Para aquelas categorias profissionais que trabalham necessariamente na rua e permanecem em pontos da cidade onde o sanitário de qualquer restaurante, bar ou órgão público é distante. Os sanitários têm que ser disponibilizados para os taxistas, rodoviários, às pessoas em geral.


Um prefeito há de ser sensível a ponto de - além dos inúmeros problemas que tem a cidade - ajudar todos os cidadãos, mesmo os mais indigentes, todos, para que possam encontrar um lugar público a fim de satisfazerem as suas necessidades fisiológicas, em homenagem à saúde, à limpeza da cidade, à dignidade da cidade, mas, acima de tudo, à dignidade de todas as pessoas.


Muito obrigado.


O SR. PRESIDENTE (João Pedro) – Obrigado, Deputado Paulo Ramos.

 

TOPO


 


Expediente Inicial 06/08/08

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na peregrinação, Sr. Presidente, que tenho feito pela Cidade do Rio de Janeiro, em contato direto com a população tenho constatado a cada dia o abandono que enfrentam parcelas expressivas daqueles que sonham ainda viver na cidade chamada maravilhosa.


Cheguei a dizer a um grupo que encontrei na praça de Cascadura, em frente à Policlínica da Polícia Militar - onde tive a oportunidade de servir no início da década de 80 - que o administrador, o prefeito da cidade, que não manifesta sequer preocupação para solucionar as necessidades primárias da população. Afinal de contas, ele cuida de quê? Faço esse tipo de observação porque em muitas praças do nosso município foram disponibilizados equipamentos, as mesas de concreto, para que os idosos participassem de atividades de lazer: um carteado, um jogo de damas.

 Olho os demais concorrentes, candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro e a impressão que tenho é que eles são extraterrestres, não vivem a vida dos normais. Mas para quem joga um buraco ou uma sueca sabe que o jogo de cartas prende a pessoa, ela às vezes não quer se afastar nem um momento, ela quer continuar o jogo. Eu fui constatando, mais uma vez, que praticamente em todas as praças onde disponibilizam esse tipo de lazer, principalmente para os idosos, não há sanitários. Não há! Estive na Praça Saens Pena, o local está completamente degradado. Lá, onde chegaram a fazer uma cobertura, está tudo quebrado.


Aí, comecei a buscar informações em todas as praças: Praça Saens Pena, Praça das Nações, a praça em Cascadura. Em todas elas, não há um serviço que, necessariamente, tem que ser prestado pela prefeitura. Mas somente nas praças? E também nos terminais rodoviários. Aqui mesmo, próximo à Assembléia Legislativa, há uma concentração de pontos finais de ônibus. Também ali não há a disponibilização de sanitários públicos. Aqui, em torno da Assembléia Legislativa, a Praça XV virou um grande albergue, como em outros pontos da cidade. Quando chegamos cedo à Assembléia Legislativa, concluímos que o entorno da Assembléia Legislativa se transformou num grande sanitário público, a céu aberto.


Percorrendo também alguns pontos da cidade consagrados como áreas turísticas, há dois aspectos: um é o crescimento da população de rua, aliás, de todas as idades; outro é o estado em que se encontram os sanitários, pelo menos dos bares, nas ruas perpendiculares. Especialmente em Copacabana, onde a população de rua é maior, e outros que trabalham na rua fazem suas necessidades em via pública, embaixo de marquises, num canto atrás da banca de jornal. Se na região considerada turística nós percebemos tais mazelas, imaginem em outros pontos mais distantes.


Para quem é um ser normal, que vive a vida da cidade, para quem acumulou experiência, para quem tem possibilidades de reunir corpos técnicos, definindo as diretrizes para a elaboração de políticas públicas, esses aspectos causam uma agonia muito grande. Quando alguém me consulta: quais são as prioridades de alguém que assume o cargo de prefeito do Rio? São muitas, porque são muitas as demandas, na área de educação, de saúde, todas.


É preciso ter uma política social que construa albergues para atrair a população de rua. Como se fosse um hotel, onde permanece à noite e volta para as ruas durante o dia? Não! Para começar, um processo de reinclusão dessas pessoas, ao mesmo tempo, humanizando uma relação, que não pode ser uma relação baseada na repressão. Para os idosos, nas praças públicas, é preciso disponibilizar sanitários. Para aquelas categorias profissionais que trabalham necessariamente na rua e permanecem em pontos da cidade onde o sanitário de qualquer restaurante, bar ou órgão público é distante. Os sanitários têm que ser disponibilizados para os taxistas, rodoviários, às pessoas em geral.


Um prefeito há de ser sensível a ponto de - além dos inúmeros problemas que tem a cidade - ajudar todos os cidadãos, mesmo os mais indigentes, todos, para que possam encontrar um lugar público a fim de satisfazerem as suas necessidades fisiológicas, em homenagem à saúde, à limpeza da cidade, à dignidade da cidade, mas, acima de tudo, à dignidade de todas as pessoas.


Muito obrigado.


O SR. PRESIDENTE (João Pedro) – Obrigado, Deputado Paulo Ramos.

 

TOPO


 


Expediente Inicial 05/08/08

 


O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras e Srs. Deputados, dou boas-vindas a todos na primeira Sessão depois do recesso.


Acredito que nos períodos eleitorais todas as pessoas de determinada geração que presenciaram, vivenciaram e rejeitaram determinado procedimento da nossa mídia tenham os fatos já ocorridos refrescados em sua memória. Quem pode ter esquecido o papel nefasto para a democracia liderado pelo sistema Globo durante o pleito de 1982? Quem esqueceu quando, a partir de uma indesejável conspiração, numa fase em que o Brasil caminhava para a transição liderando os demais meios de comunicação, o sistema Globo resolveu impedir a eleição de Leonel Brizola, Governador do Estado do Rio de Janeiro? A manobra foi denunciada, não surtiu o efeito desejado. Foi devidamente comprovada, mas ninguém assumiu a responsabilidade por aquela prática criminosa.


Passado o tempo, depois de institucionalizado o Brasil, democraticamente, período pós Constituição de 1988, na primeira eleição direta para presidente da República, mais uma vez o Sistema Globo liderou um golpe que culminou com a eleição de Collor de Mello. Ali aconteceu um verdadeiro golpe porque, com a morte de Tancredo Neves, assume a Presidência da República o Presidente José Sarney que, obviamente, com a experiência acumulada que tinha e com os compromissos com o regime que estava sendo superado, tudo fez para impedir o rumo do Brasil na afirmação da sua soberania e na afirmação da democracia. É preciso dizer que o presidente José Sarney era uma espécie de aliado ou de cúmplice do golpe que culminou com a eleição de Collor de Mello presidente da República.


Digo isso por quê? Porque José Sarney conseguiu, corrompendo parcela dos constituintes, mais um ano de mandato. E o Sistema Globo se transformou num partido político elegendo Collor de Mello, que era a negação de tudo aquilo que estava na Constituição brasileira, que afirmava a nossa soberania e, ao mesmo tempo, promovia a perspectiva da justiça social. Collor de Mello foi eleito. Todos lembram o último debate, todos sabem do que ele foi capaz, do que foram capazes os controladores de concessões públicas, para torcer, para adulterar a vontade do povo brasileiro.


Digo isso, Sr. Presidente, porque agora, aqui no Município do Rio de Janeiro, estamos diante de mais um golpe, liderado pelo Sistema Globo, especialmente o jornal O Globo que lidera todos os demais jornais e praticamente todos os canais de televisão e estações de rádio, salvo o Sistema Record, porque o Sistema Record também se transformou em porta-voz de um partido político chamado ‘Igreja Universal do Reino de Deus’. Mas o Sistema Globo consegue pautar os demais meios de comunicação porque define a linha: é uma empresa privada como os demais jornais, tem interesses econômicos, tem os seus financiadores, tem os seus anunciantes e tem também interesse em controlar politicamente a principal capital cultural e política do País que é o Rio de Janeiro. E aí, o que fazem?

 O que têm feito? Têm tentado escolher previamente quais são os candidatos preferenciais para uma apresentação ou para uma imposição à população, em aliança óbvia com os corruptos órgãos de pesquisas.
Aliás, se podemos apontar corrupção, temos que apontar também a mídia, porque o procedimento frauda os mais elementares preceitos democráticos. Imaginar que os jornais selecionam determinado fato, determinada pergunta da população, dizendo assim: “vejam as repostas”, ou “vejam as opiniões dos candidatos”, mas não colocam a opinião de todos os candidatos. São sete os selecionados, que silenciam porque são igualmente cúmplices, embora se apresentem como beneficiários.


Aprendi, há muito tempo, a diferença entre o artigo definido e o artigo indefinido. Quando colocam “a opinião dos candidatos”, ou “vejam o que dizem os candidatos”, o entendimento é de que somente aqueles são candidatos, porque usam o artigo definido. Para quem freqüentou escola pública de boa qualidade, essa percepção é mais acentuada.


E qual a razão para isso? Eles dizem que os jornais são empresas privadas. Mas eles se apropriaram da liberdade de imprensa! Esse valor da democracia pertence a eles, para seus interesses econômicos?


Na verdade, estamos diante de matéria paga, porque aquela matéria é paga, em homenagem a alguns candidatos, alguns que até se dizem comunistas, alguns que se dizem socialistas, mas todos se dizem democratas. E como aceitam?


E aí, Sr. Presidente, há um dado que considero muito mais grave, muito mais, diante de tudo o que está acontecendo; não apenas montar equipes para acoplar os seus candidatos preferenciais, não apenas inserir matérias como propaganda, propaganda paga, desses candidatos.


O fato mais grave que venho a essa tribuna denunciar é a omissão do presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Desembargador Roberto Wider. Ele está omisso diante dessa propaganda irregular!


Sair nas páginas dos jornais, assumindo a postura de moralizador do pleito, assumindo a postura de buscar candidatos supostamente com ficha suja, tudo isso é perceptível e, às vezes, até louvável.


Se transformar em capitão do mato pode ser motivo de aplauso. Mas o que a opinião pública precisa saber é que o Desembargador Roberto Wider, presidente do Tribunal Regional Eleitoral, está omisso diante da propaganda irregular, paga, feita pela mídia impressa. É propaganda irregular, porque são empresas que têm interesses econômicos e políticos! E recebem, lucram, para proceder dessa maneira. Imagino até que o presidente do TRE, Desembargador Roberto Wider, talvez na sua santa pureza não tenha percebido, não esteja atento ao que não é um detalhe.

Por isso, venho a esta tribuna para ver se daqui nossa voz é ouvida por aquele que tem o dever maior de moralizar o pleito, mas também de preservar os valores maiores da democracia.


Muito obrigado, Sr. Presidente.

TOPO


 


Expediente Final 05/08/08

 


 

O SR. PAULO RAMOS – Sra. Presidente, ...


O SR. DICA – Deputado Paulo Ramos, V.Exa. me concede um aparte?


O SR. PAULO RAMOS – Com prazer concedo o aparte a V.Exa.


O SR. DICA – Cometi uma injustiça e, obviamente, não vou dormir se eu não pedir desculpas.


Na verdade, a emenda do Deputado Chiquinho da Mangueira diz que, preferencialmente, tem que ser utilizado com a comunidade. Então, eu retiro aquilo que falei. Parabenizo o Deputado Chiquinho da Mangueira, mas continuo com o meu pensamento - entre gastar um milhão para ajudar uma escola rica como a Grande Rio, Mangueira e Vila Isabel, prefiro gastar um milhão para construir um posto de saúde em Duque de Caxias.


Muito obrigado.


O SR. PAULO RAMOS – Sra. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho à tribuna para tratar de uma questão que poderá, paralelamente, interessar àqueles que aqui estão representando o funk. Porque eu venho tratar de fatos que estão ocorrendo na campanha eleitoral no Município do Rio de Janeiro.


Durante todos os últimos anos temos nos posicionado contra a política de segurança pública levada a efeito pelos últimos governos, e agora mais explicitada ainda no Governo Sérgio Cabral. Porque a política de segurança pública se baseia, deliberadamente, numa falsa premissa. Dizem eles que o elemento propulsor da criminalidade é o crime organizado. Reduziram o crime organizado ao tráfico de entorpecentes e simplificaram mais ainda, nas favelas.

 E aí todo o aparato do Estado, o aparato repressivo é dirigido para reprimir aqueles que moram nas comunidades carentes, promovendo de forma cruel a eliminação física de adolescentes e jovens. Como a mentira pré-fabricada e repetida assumiu a conotação da verdade, qualquer um nas comunidades carentes, vítima de uma política genocida e fascista, passa a ser rotulado de traficante de entorpecentes.


Em contrapartida, na medida em que o governo, pelo uso indiscriminado e abusivo da força, vai perdendo a autoridade, o governante transfere a culpa para aqueles que são os seus agentes, que vão lá cumprir ordens e exterminar. E aí, como resposta, os policiais também vão sendo mortos, e cada um que morre já é suspeito ou acusado de envolvimento com qualquer crime. Como os policiais, principalmente os policiais militares, eles são oriundos das comunidades menos favorecidas, temos pobres jogados contra pobres que vão sendo reciprocamente eliminados.


Mas o que está acontecendo na campanha eleitoral? Já denunciei aqui que os meios de comunicação, principalmente os jornais, liderados pelo O Globo, que pauta os demais, selecionaram os candidatos de sua preferência e se mobilizam com fotógrafos, com profissionais que acompanham os candidatos – normalmente também acompanhados pelas representações das televisões. E vão às comunidades carentes, numa manifestação de grave desrespeito, com provocações para fazer suas campanhas eleitorais; vão lá desrespeitando as comunidades, fotografando quem não quer ser fotografado, filmando quem não quer ser filmado. Aí, quando a reação vem, eles acentuam a criminalização da pobreza. Eles não dizem que a reação é proporcional à agressão sofrida.

Eles não dizem que as comunidades carentes rejeitam os candidatos impostos por eles porque são candidatos que têm privilégios e comparecem às comunidades com provocações – não com preocupações sociais, mas com o intuito de desacreditar mais ainda e fortalecer a política de segurança pública que criminaliza a pobreza. Poderíamos até dizer que eles vão até lá com esse aparato da mídia da mesma forma que as crianças vão ao jardim zoológico: “Vamos ver como os ‘bichos’ reagem à nossa presença”. É assim que eles consideram!


Aqueles que estão sendo hoje beneficiários desse aparato imaginam que a massificação da propaganda vai credenciá-los; mas não! O que há é a denúncia de que são rejeitados porque abusam da pobreza, não respeitam a situação de sofrimento vivida por aquelas populações. Eles excluem e criminalizam; excluem e criminalizam até as manifestações artístico-culturais, porque o objetivo consiste em justificar essa maldita política de segurança pública que vem eliminando muitas vidas.
Então, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna para denunciar e lamentar.

Aqueles que já são identificados com esta visão fascista a população conhece, mas há candidatos que tentam se apresentar como ligados ao campo progressista. Eles se proclamam defensores dos direitos humanos, mas são cúmplices de um procedimento que já está sendo percebido e rejeitado, primeiro, pelas comunidades ofendidas e, depois, será rejeitado por toda a população, porque aqueles que realizaram minimamente as suas pretensões materiais vivem na insegurança, na intranqüilidade. Ainda não perceberam que os responsáveis são aqueles que assumem funções governamentais e criminalizam os pobres.


Nós do PDT defendemos a verdadeira inclusão social. Somos contrários ao estigma e à repressão, mas o somos sinceramente. E é exatamente por isso que quando percorremos as comunidades lembramos os programas dos CIEPs, lembramos que quando o PDT com Brizola esteve no governo as comunidades carentes não eram discriminadas, havia uma preocupação com a verdadeira inclusão.


Sr. Presidente, há aqueles que pensam que vão contribuir com a criminalização da pobreza e, pelo patrocínio que recebem da mídia, vão ser reconhecidos. Já estão sendo rejeitados. A população não aceita sequer a propaganda eleitoral deles e quando a resposta vier, e a resposta vem através das urnas, quando aqueles que se dizem progressistas forem vítimas dos mesmos mecanismos com os quais se acumpliciam, no futuro, já não poderão argumentar, porque terão perdido a autoridade moral e a autoridade política.


Eu venho a esta tribuna para dizer que não é possível aceitar que, além da exclusão, ainda criminalizem os excluídos e que, num momento mais importante, num momento de manifestação democrática para a escolha dos dirigentes, essas populações sejam encurraladas, não tenham o direito de refletir, sejam massacradas em nome de algo que já está sendo percebido.


Sr. Presidente, para encerrar, em relação às comunidades carentes, as favelas, eles excluem e criminalizam. Em relação ao meio político, eles corrompem e desmoralizam. Esta é a equação que nós temos que enfrentar, porque a partir da desmoralização das Casas Legislativas eles também desvalorizam o voto, porque a população perde a esperança naquilo que é a única possibilidade disponível de transformação, a transformação através do voto. Portanto, Sr. Presidente, salve a verdadeira democracia!


A minha condenação aos meios de comunicação, especialmente aos jornais que se aliam a essa política de segurança pública que culmina por infernizar a vida de quem já vive, às vezes, num grande inferno.


Muito obrigado, Sr. Presidente.


O SR. PRESIDENTE (Dica) – Parabéns, Sr. Deputado Paulo Ramos.

 

TOPO