Expediente
Inicial
27/02/2008
O SR. PAULO RAMOS
– Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna para denunciar a
natureza, a índole do Governo Sérgio Cabral, porque tenho constatado duas
coisas. Primeiro, a aliança clara que vem fazendo o Governo Sérgio Cabral, para
o desenvolvimento de várias políticas públicas, com o grande empresariado, com
os grandes grupos econômicos. A segunda característica é a perversidade em
relação aos servidores. Não há praticamente nenhuma iniciativa do governo que
não incorpore maldades que são feitas com servidores públicos.
Eu venho cuidar dos servidores, os trabalhadores da
antiga Flumitrens. Todos sabem que o transporte ferroviário foi primeiro
estadualizado, depois foi privatizado. À época, depois que o Governo Marcello
Alencar privatizou tudo, os funcionários da Flumitrens, já no governo seguinte,
no Governo Garotinho, foram distribuídos para diversos órgãos dentro de nosso
Estado. Foram para o Detro, o Ministério Público, a Defensoria Pública e várias
Secretarias, como a Secretaria de Cultura. E lá estavam na perspectiva da
complementação de tempo de serviço, buscando a passagem para a aposentadoria,
obviamente preservados os postos de trabalho.
Surpreendentemente, agora o Governo Sérgio Cabral
vem com o discurso de uma reestruturação administrativa – aliás, pretende
demitir, como vem fazendo na Emater, e em várias outras empresas públicas – e
começa a tomar iniciativa pouco surpreendente em relação a esses trabalhadores.
Aqui, presidindo a Comissão de Trabalho, Legislação
Social e Seguridade Social, pelo menos, realizei duas audiências públicas. Tenho
participado das Assembléias dos Trabalhadores, reagindo obviamente, através de
seus sindicatos, a essa nefasta ação do Governo.
Há poucos dias, juntamente com o Deputado Federal
Carlos Santana e com o Vereador do Município do Rio de Janeiro, Rubens Andrade,
fomos ao Palácio Guanabara, acompanhando as representações sindicais. Lá, foi
explicitado ao Sr. Secretário de Governo, Wilson Carlos, a situação desses
trabalhadores e demonstrada a crueldade do Governo, sem qualquer necessidade,
porque razoável seria aguardar que os trabalhadores ferroviários, pudessem
complementar o tempo de serviço, até porque não estavam na ociosidade, estavam
trabalhando.
O Sr. Deputado Carlos Santana, inclusive, chegou a
dizer que o Governo Federal estava disposto a recuperar todo o ramal de
Saracuruna, Piabetá, Magé e que muitos desses trabalhadores passariam a ser,
progressivamente, aproveitados.
É claro que a proposta do Sr. Governador Sérgio
Cabral consiste em investir recursos públicos naquele ramal, entregando logo
depois para a SuperVia – sem licitação e sem que a empresa privada faça qualquer
investimento. Aliás, no setor ferroviário existe o setor metroviário.
O Sr. Governador, numa manobra espúria, prorrogou
por vinte anos a concessão do Metrô, antes de ela completar dez anos, sem que a
concessionária cumpra suas obrigações perante o Estado, que está sendo acusado
pela concessionária de não cumprir também com seus deveres contratuais. Várias
ações recíprocas correm no Judiciário e o Sr. Governador Sérgio Cabral, ainda
adulterando o traçado original, que daria ao sistema metroviário uma agilidade
muito maior, atendendo um número maior de passageiros, prorroga por vinte anos.
Podemos dizer, com total tranqüilidade, tratar-se de
uma maracutaia e está sendo avaliada pelo próprio Governo em um bilhão e
duzentos milhões de reais. Por que fazer mal aos ferroviários? Qual a razão?
Se, porventura, mesmo o discurso da reforma
administrativa fosse verdadeiro, o Sr. Secretário de Transportes não estaria
demitindo ferroviários e, simultaneamente, contratando apaniguados, muitas vezes
com salários bem superiores aos salários dos ferroviários distribuídos por esses
órgãos, aliás, contratando sem concurso público.
Sr. Presidente, venho mais uma vez a esta tribuna
para denunciar a natureza desumana do governo Sérgio Cabral, a sua tendência a
uma aliança com o grande capital, transferindo até responsabilidades públicas.
Assim como o acordo feito com a Firjan, está substituindo os técnicos da Feema
para a elaboração de estudos e relatórios de impacto ambiental. Não é razoável
aceitar isso. Venho à tribuna para fazer esta denúncia e espero que o governo
reveja a sua posição em respeito a esses trabalhadores.
O SR. GILBERTO PALMARES – V. Exa. me concede um
aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Pois não, Sr. Deputado
Gilberto Palmares.
O SR. GILBERTO PALMARES – Sr. Deputado Paulo
Ramos, sem querer atrapalhar a sua intervenção, fizemos várias audiências
públicas ano passado sobre acessibilidade no metrô. Técnicos do metrô, da
Riotrilhos vieram aqui e se posicionaram contrários, tecnicamente, à solução que
está sendo adotada. É curioso, porque a privatização passou à Oportrans a
oportunidade de operar, mas não coube ao Estado, daí a importância da Riotrilhos,
a responsabilidade das obras, do planejamento e da ampliação. Então, até para
que houvesse essa renovação da concessão, teriam que ser ouvidos os
profissionais da Riotrilhos, profissionais esses que, segundo denúncia de V. Exa.,
estão ameaçados de demissão.
O SR. PAULO RAMOS – Na verdade, há uma outra
característica do governo Sérgio Cabral: é um governo autoritário, que não quer
compartilhar decisões com aqueles que têm conhecimento e cultura nas diversas
atividades.
De qualquer maneira, Sr. Presidente, através da Comissão de
Trabalho, vamos tentar realizar, semana que vem, aqui na Casa, uma audiência
pública. Vamos convidar ou convocar – os membros da Comissão vão decidir – não
só o Sr. Secretário de Transportes mas também o Sr. Secretário de Governo, para
que S. Exa., de viva voz, nos transmita tudo aquilo que nós conversamos. Poderia
ficar comprovado que esses trabalhadores estavam verdadeiramente prestando
serviço, que eles não seriam demitidos, mas estamos constatando que o governo
empurra com a barriga e persevera na sua ação que penaliza sempre os mais fracos
e beneficia os donos do capital.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
Expediente Inicial
26/02/2008
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e
Srs. Deputados. Todos nós, Sr. Presidente, temos acompanhado a cada ano a
derrocada da educação pública em nosso Estado e sempre na fase que antecede o
início das aulas verificamos o suplício das famílias para terem seus filhos
matriculados nas escolas públicas. Essas famílias formam enormes filas à procura
de vagas porque, progressivamente, o Estado vem oferecendo um número menor.
Outro problema é a carência dos professores em sala de aula. Muitas escolas por
vezes retardam o início das aulas - ou iniciam as aulas - com a falta de muitos
professores. Há, naturalmente, um descaso para com a Educação.
O Sr. Governador do Estado pratica uma espécie de “ilusionismo”, aliás, sem
sucesso algum. Agora, no início do ano letivo e para justificar a incúria de seu
governo, demitiu o Sr. Secretário de Educação, o Sr. Nelson Maculan.
E por que o fez? Porque o ano letivo começava com problemas graves, relativos à
falta de professores. Mas não era o Professor Maculan responsável pela seleção
dos professores. Quem deveria fazê-lo em tempo hábil era a FESP, a Fundação
Escola de Serviço Público, que tem como presidente um ex-secretário de Educação
que, seguramente, deve continuar aspirando ao cargo, porque o Prof. Nelson
Maculam foi vítima de uma espécie de sabotagem, feita dentro do próprio governo.
Mas o Sr. Governador, tendo em vista o clamor das famílias, denunciando as
dificuldades – em primeiro lugar para a matrícula, depois para o início do ano
letivo - preferiu virar as costas para suas responsabilidades, atribuindo-as ao
Sr. Secretário Maculan.
O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação chegou a ouvir promessas e
receber por escrito compromissos assumidos pelo Sr. Governador Sérgio Cabral
quando era candidato. Aliás, nenhum compromisso foi cumprido.
A representação dos profissionais da Educação, então, denunciou a falta de
professores, dizendo, inclusive, o número: faltam 20 mil professores na rede
estadual.
O Sr. Governador diz que o SEPE age promovendo o terrorismo e começa a discutir,
não a questão fundamental da Educação, mas simplesmente o número de professores
que faltam na rede estadual.
Qual a razão disso? Por que o Sr. Governador não debate o centro da questão?
Preocupou-se muito em divulgar a distribuição de lap tops, mas não se preocupou
em discutir o que é mais fundamental para a Educação: em primeiro lugar, as
condições de vida oferecidas aos profissionais da Educação e, depois, as
condições de trabalho para que tenhamos uma educação pública de boa qualidade.
Mas não! O Sr. Governador não tem a coragem de assumir que prometeu – e se
comprometeu - com aquilo que não quer cumprir e procura, agora, com manobras
diversionistas, transferir as responsabilidades para a representação dos
profissionais da Educação, em face do caos experimentado na área.
Não sei aonde pretende chegar o Sr. Governador, mas é preciso dizer que quem
está aterrorizando as famílias, quem está aterrorizando os profissionais da
Educação é o próprio governador.
Uma coisa interessante, Sr. Presidente, é que em várias categorias
profissionais, que foram objeto da campanha eleitoral dirigida antes do 2º turno
das eleições, como os profissionais de Saúde, o Sr. Governador subscreveu um
documento assumindo um compromisso com a implementação do plano de cargos,
carreiras e salários dos profissionais de Saúde. Na entidade representativa dos
oficiais da Polícia Militar, S.Exa. reuniu policiais militares e bombeiros
militares, sob ordens da governadora e do comandante-geral da época, para também
fazer suas promessas, para assumir compromissos. Com os profissionais da
Educação, S.Exa. fez a mesma coisa e, agora, começa a ficar falsamente indignado
quando vem sendo representado pela figura do Pinóquio.
Pinóquio é muito conhecido, porque é a representação mais explícita daquele que
mente. Mentia o Pinóquio e o nariz crescia. O nariz do Sr. Governador cresce?
Não cresce. O que cresce é a falta de pudor, o descompromisso, a forma acintosa
com que o Sr. Governador se dirige às categorias profissionais de servidores
públicos quando qualquer uma se manifesta denunciando a crise no setor. E agora
temos a ação do Sr. Governador dizendo que o Sepe procura promover o terrorismo.
Então, Sr. Presidente, venho a esta tribuna para manifestar minha solidariedade
aos profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro, meu reconhecimento à
luta travada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação. Ao mesmo
tempo, quero repudiar a atitude do Sr. Governador. Se S.Exa. tivesse o mais
longínquo compromisso com a Educação em nosso Estado, seguramente estaria
sentando e conversando, dialogando com as representações dos servidores e
encontrando soluções para uma área tão delicada, que tem tanta responsabilidade
na formação e na educação de nossas crianças, adolescentes e jovens. Deveria o
Sr. Governador Sérgio Cabral começar cumprindo aquilo com que se comprometeu
durante a campanha eleitoral.
Dirijo-me a S. Exa. desta tribuna: Sr. Governador Sérgio Cabral, quando V. Exa.
é representado pela figura do Pinóquio, é porque V. Exa. tem faltado com a
verdade, e Madre Teresa de Calcutá, que era santa, dizia que o pior dos homens é
o mentiroso.
Muito obrigado.
TOPO
Expediente Final
20/02/2008
O SR. PAULO RAMOS
– Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna, em primeiro
lugar, para lamentar profundamente o falecimento do eterno deputado baiano
Francisco Pinto.
O Deputado Francisco Pinto foi uma das
maiores lideranças nacionais no concernente à resistência democrática. O
Deputado Francisco Pinto foi duas vezes cassado: primeiro como Prefeito de
Feira de Santana, e depois, como um dos grandes líderes da oposição,
integrando juntamente com Lysâneas Maciel o grupo autêntico do MDB, cassado
como deputado federal.
Tive a honra de conviver com o Deputado
Francisco Pinto durante a elaboração da Constituição promulgada no dia 5 de
outubro de 1988, e durante o final daquele mandato.
Já naquela ocasião, naquele momento
histórico, mesmo sendo um deputado influente, Francisco Pinto já demonstrava
uma grave desilusão com os destinos do nosso País, e mesmo sendo a
Assembléia Nacional Constituinte um momento de renovação de todas as
esperanças.
Francisco Pinto se destacou muito. Foi um
grande lutador social, um grande representante do povo baiano e do povo
brasileiro.
Lembro-me de que Francisco Pinto fez inúmeros
pronunciamentos demonstrando sua firmeza em defesa das liberdades
democráticas. Em um deles, que tenho de memória, ele relatava toda a
trajetória e toda a legislação da Alemanha nazista, que guarda grande
coincidência com a legislação da ditadura militar imposta aqui no Brasil.
Num pronunciamento a que deu o título de
Um Período Negro na História Contemporânea
ele se referia à Alemanha nazista, com as coincidências com a legislação do
período autoritário. Ele termina o pronunciamento dizendo: “Há aqueles que
pensam que estão inovando, mas, se consultarem a história, vão constatar que
estão plagiando.”
Há um outro pronunciamento em que ele reúne
todas as suas esperanças. Na conclusão, Francisco Pinto se refere aos
ditadores da época assim:
“Sois
como os clarões da agonia do sol no ocaso. Amanhã vai ser outro dia.”,
inspirando Chico Buarque de Holanda a fazer aquela música que tanto empolgou
pessoas de todas as idades que se alinhavam na resistência democrática.
Venho manifestar meu profundo pesar pelo
passamento de Francisco Pinto e mando um abraço a todo o povo baiano, que
certamente está agora chorando e lamentando a morte desse grande brasileiro.
Sr. Presidente, em uma coincidência história,
morre Francisco Pinto e o grande comandante Fidel Castro se afasta da
condução direta dos destinos do povo cubano, mas não do poder, e o faz com
uma magistral carta dirigida àquele povo, cuja transcrição nos Anais desta
Casa, como parte de meu pronunciamento, solicito a V. Exa.
O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – A Presidência
defere o pedido de V. Exa.
O SR. PAULO RAMOS – Muito obrigado.
É possível a qualquer um imaginar as
dificuldades enfrentadas pelo povo cubano para afirmar a sua revolução,
dificuldades que advêm de um demoníaco bloqueio imposto pelos Estados
Unidos, contando com uma força capaz de mobilizar quase todos os povos. O
bloqueio a Cuba é acompanhado por inúmeros outros países, inclusive o Brasil
– inclusive o Brasil na era Lula. Imaginar que a Comunidade Européia
participa desse bloqueio é calcular todos os obstáculos que foram sendo
transpostos pelo povo cubano.
Diante do império americano o povo cubano
resiste – e Fidel Castro merece todo o reconhecimento na medida em que
mobilizou o povo cubano. Com toda a certeza – não pode haver qualquer dúvida
–, se não fosse a liderança que exerceu e que exerce em homenagem ao povo
cubano; se não fosse Fidel Castro capaz de mobilizar o povo cubano,
seguramente Cuba teria sido invadida, porque ninguém se liberta do jugo
americano impunemente.
Não tem sido possível a ocupação militar do
território cubano porque seu povo está unido, mobilizado em torno da
revolução e em torno da liderança de Fidel Castro.
Eu me atrevo, Sr. Presidente, além de ter
solicitado a V. Exa. transcrição da carta do comandante Fidel Castro
dirigida ao povo cubano, a ler pelo menos o trecho final, quando ele diz:
(Lendo)
“O caminho sempre será difícil e requererá
o esforço inteligente de todos. Desconfio das sendas aparentemente fáceis da
apologética ou da autoflagelação como antítese”.
(Interrompendo a leitura)
Ele não sai como vítima. Não vê a Revolução
Cubana derrotada, mas sim, vitoriosa.
(Continua a leitura)
“Prepare-se sempre para a pior das
variantes. Ser tão prudente no êxito como firmes na adversidade é um
princípio que não se pode esquecer. O adversário a derrotar é sumamente
forte, mas o mantivemos a raia durante meio século”.
(Interrompendo a leitura)
Quando ele diz “mantivemos a raia”, quer
dizer, mantivemos o adversário acuado, distante. O adversário não se atreveu
a ocupar a mesma raia porque o território cubano, a Revolução Cubana era
conduzida por todo o povo cubano.
Agora tentam explorar o afastamento de Fidel
Castro, dizendo que o povo cubano poderá conquistar a liberdade; a economia
poderá ser aberta como se ele, povo cubano, não estivesse consciente de que
ele é que vem construindo seu próprio destino.
Apesar de todo bloqueio, Cuba ostenta
indicadores sociais equiparados aos povos mais desenvolvidos da nossa Terra.
O SR DÉLIO LEAL – Sr. Deputado Paulo Ramos,
V.Exa. concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Pois não, Sr.
Deputado Délio Leal.
O SR DÉLIO LEAL – Fazendo um aposto ao
pronunciamento de V.Exa., os indicadores cubanos são os mesmos dos da
Dinamarca. Rigorosamente os mesmos daquele país, que está entre os 10 povos
e países mais ricos do mundo!
O SR. PAULO RAMOS – Do mundo. Então, é
possível constatar o êxito da Revolução Cubana.
E é importante lembrar da frase fixada no
aeroporto de Havana, não para fazer uma propaganda da Revolução Cubana mas
para atestar a fidelidade e a dignidade humana. A revolução voltada
especificamente para superar os problemas enfrentados pelo ser humano. Assim
está escrito: “Nesta noite, milhões de crianças no mundo estarão dormindo ao
relento. Nenhuma delas é cubana”.
Ao tentarem apregoar que uma parcela do povo
cubano fugiu para os Estados Unidos é preciso esclarecer que as fronteiras
americanas estão fechadas para todos os imigrantes, menos para os cubanos.
Qualquer cubano poderia ingressar nos Estados Unidos sendo recebido com
pompa e circunstância. Muitos brasileiros – e não são poucos - estão fugindo
do Brasil em função do modelo, da exclusão, da falta de perspectiva. Cubanos
fugiram para os Estados Unidos em função da sedução. É algo extremamente
diferente.
Vou concluir, Sr. Presidente, lendo aqui o
último trecho da carta de Fidel:
(Lendo)
“Não me despeço de vocês, desejo somente
combater como um soldado das idéias, seguirei escrevendo sob o título:
“Reflexões do companheiro Fidel”. Será uma arma a mais do arsenal com o qual
se poderá contar. Talvez minha voz seja escutada, serei cuidadoso.”
(Conclui a leitura)
Portanto, Sr. Presidente, peço a V. Exa. que
autorize a transcrição e digo aqui: salve o Comandante Fidel, salve a
Revolução Socialista, salve o povo cubano!
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Atendendo à
solicitação do Deputado Paulo Ramos, autorizo a transcrição nos Anais
da Casa da exortação de Fidel Castro ao povo cubano no momento da sua saída
do comando geral da política cubana.
TOPO
Expediente Final
19/02/2008
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, assomo à tribuna
para manifestar minha revolta por algo de muito grave que aconteceu no
Estado do Rio de Janeiro mas que diz respeito a nosso País: segredos que
deveriam ser guardados com muito mais responsabilidade, tratando de
informações estratégicas quanto a descobertas feitas pela Petrobras – e que
deveriam ser guardados pela própria Petrobras –, estavam em laptops que
foram roubados. Se eram segredos importantes, como estavam sendo
transportados daquela forma?
Tais segredos poderiam até estar sendo transportados de forma disfarçada por
decisão orientada de alguma inteligência, para não chamar atenção. Mesmo
assim, é algo inaceitável, pois o fato incorpora algo muito mais grave: a
empresa responsável pelo transporte, Halliburton, é americana, está sediada
nos Estados Unidos da América do Norte. Afinal de contas, era a raposa
tomando conta do galinheiro, era um cachorro com coleira de lingüiças? –
isto numa linguagem popular.
Ora, todos sabemos que os Estados Unidos da América, através do Presidente
George W. Bush, são responsáveis pelo maior assalto a mão armada de que se
tem notícia nos últimos anos: a invasão ao Iraque. E qual a razão? Mesmo
contrariando decisão da ONU os Estados Unidos invadiram o Iraque e levaram o
presidente da República daquele país, Saddam Hussein, à farsa de um
julgamento, condenado à morte e enforcado.
Por qual razão? Porque o presidente do Iraque, um país soberano, havia
nacionalizado tudo que dizia respeito ao petróleo. Desde a prospecção até a
bomba de gasolina ou de óleo diesel. Nada havia no Iraque relativo ao
petróleo que não tivesse sido nacionalizado.
A partir desta decisão, transformou-se em inimigo, assim como todos os que
contrariam os interesses maiores dos Estados Unidos viram inimigos.
Aqui no Brasil, a Petrobras, com recursos do povo brasileiro, descobre novas
reservas de petróleo: reservas promissoras, bilhões e bilhões de barris. E
ainda se atreve, contrariando princípios elementares relativos à soberania
nacional, a Agência Nacional de Petróleo vai empreendendo a oitava, nona,
décima rodada de leilão para entregar o nosso petróleo à exploração de
empresas estrangeiras, sem qualquer compromisso de sequer, se houver
necessidade, vender aquilo que é extraído ao governo brasileiro. Não tem
sequer esse compromisso.
Aí, os segredos relativos às descobertas são confiados aos adversários,
especialmente a um país imperialista que já deu demonstrações que se dispõe
a se utilizar da força bélica para impor os seus interesses. Não seria
razoável acreditar nessa possibilidade. Há alguma coisa muito mais estranha
que precisa ser esclarecida.
A direção da Petrobras, o presidente da Petrobras tem o dever de se utilizar
da cadeia nacional de rádio e televisão para dar uma explicação ao País,
porque tamanha irresponsabilidade não é aceitável. Se segredos eram
importantes, estratégicos, qual a razão da guarda não ter observado
critérios compatíveis com a própria importância dos segredos? Hoje estamos
atravessando uma quadra da vida nacional em que tudo vai sendo vendido,
doado, em que a corrupção está presente em pontos até inimagináveis.
Quando
acontece um fato como esse, que representa uma espécie de traição nacional,
temos que exigir um aprofundamento das investigações e, obviamente, as
investigações devem ser aprofundadas, os autores devem ser descobertos e
punidos. Mas ainda há uma alternativa que deve caminhar, paralelamente, às
investigações: toda a área – toda, pelo menos isso – com incidência de
petróleo cujos segredos constavam dos laptops roubados não poderá ser objeto
de privatização.
O governo daria imediatamente uma resposta: toda essa área
será explorada única e exclusivamente pela Petrobras. Desestimularia novos
procedimentos iguais e faria com que começássemos a restabelecer o monopólio
estatal do petróleo. Esta deveria ser a decisão, porque o petróleo é um
recurso não- renovável, está sendo esgotado em outras partes do mundo
enquanto o Brasil vai descobrindo novas reservas.
Sr. Presidente, é preciso proteger a Petrobras principalmente da sanha
nefasta daqueles que, às vezes, até estão ocupando um cargo de direção. O
nome da Petrobras está acima disso tudo, mas cabe ao governo tomar a efetiva
providência de incluir todas as reservas descobertas, como Tupi – são os
nomes que vão sendo dados –, no monopólio estatal. Que possamos voltar, pelo
menos, à Constituição de 1988, que restabeleceu o monopólio estatal do
petróleo. Precisamos respeitar e preservar a Petrobras; ao mesmo tempo,
precisamos exigir a responsabilização daqueles que, por ação ou por omissão,
ensejaram a perpetração de um ato tão hediondo. O petróleo há de ser nosso!
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs.
Deputados, venho à tribuna para tratar de uma questão que alcança a nossa
rede televisiva nos programas que mobilizam a participação da sociedade,
através dos meios de comunicação, cabendo ao telespectador que participa o
pagamento dos custos da ligação.
Há tempos, tive a oportunidade de verificar que, em alguns casos, o
telespectador ficava diante de um verdadeiro estelionato, na medida em que o
custo da ligação era apresentado na tela de forma ilegível, sem que o
telespectador tivesse a oportunidade de saber que, ao participar ele estaria
contraindo alguma despesa. E o mais grave, para iludir o telespectador o
apresentador do programa só anunciava a existência do custo da ligação,
quando o custo inexistia: a ligação é gratuita. Fazendo com que, pela
dificuldade de ler, quando a ligação era onerosa, o telespectador fosse
induzido a acreditar que a participação era sempre gratuita.
Para tanto, apresentei um projeto de lei transformado na Lei 454 de
06.05.2005, que diz o seguinte: “Nos programas transmitidos por emissora de
televisão que mobilizem a participação da população do Estado do Rio de
Janeiro, através de ligações telefônicas, internet e mensagens de celular,
além da exposição no vídeo, de forma clara e legível, do custo da ligação
e/ou mensagem, é exigível a sua proclamação por parte do apresentador”. E
estabelece penalidade, estabelece multa.
Agora estamos verificando um programa que premia aqueles que ficam
enclausurados numa casa. O prêmio é de um milhão de reais, mas a
participação do telespectador é onerosa para este. É impossível ler o custo
da ligação porque exatamente na barra, quando vem o número dos telefones
para participação, fica uma tarja branca, dificultando, ou melhor,
impossibilitando que o telespectador tome ciência de que vai pagar pela
ligação.
Considero isto uma espécie de agressão, uma afronta à própria ética, além de
poder ser considerado um grande estelionato. A pessoa, ao participar, tem
que ser esclarecida de que vai pagar pela ligação, de que é ela quem está
bancando não apenas o prêmio para aquele que for o primeiro colocado depois
de inúmeras semanas de participação; ela tem que ser cientificada também de
que o lucro que vai ser ali auferido é muito grande.
Quantas famílias
manifestam reclamações constantes de que os próprios filhos, às vezes
adolescentes, às vezes até crianças, são estimulados a participar e fazem
ligações sucessivas torcendo para qualquer um dos participantes? A técnica
de mobilização é muito sofisticada e acaba fazendo com que o incauto, não
sabendo das despesas decorrentes, torça e telefone para beneficiar o
participante com o qual mais simpatiza.
Não vou nem tratar aqui das cenas obscenas, não vou nem registrar que é um
programa impróprio para crianças. Atenho-me, única e exclusivamente, a uma
espécie de fraude, a um abuso que precisa ser o mais rapidamente possível
reprimido.
Já tive oportunidade, há mais de um ano, de entrar com uma representação no
Ministério Público – não sei se isto envolve a Defesa do Consumidor ou
qualquer outra instância do Ministério Público que cuide de ilícitos penais.
Assomo à tribuna para anunciar que amanhã estarei ingressando no Ministério
Público com mais uma representação, esperando, naturalmente, providências.
Se porventura não houver qualquer iniciativa, vou ajuizar uma ação popular.
Sabemos que ao ser concluída a ação judicial seguramente esse seriado já
terá acabado.
Imagino, porém, que o Ministério Público, por seus deveres, poderá, numa
velocidade muito maior, estancar uma espécie de sangria que acarreta graves
prejuízos para muitos incautos. Falo especificamente do Programa Big Brother
Brasil. Basta que cada um observe se na margem onde vem anunciado “custo da
ligação” é possível a leitura.
É de se esperar que pelo menos a Lei 4.548 de 2005 seja cumprida e que
qualquer emissora de televisão que venha descumprindo o que na lei consta
possa se responsabilizar e assumir a multa. Aqui diz: “A multa corresponderá
ao total arrecadado pelo infrator com a programação referente ao dia.” A
cada dia, então, multa igual ao arrecadado. Vamos ver se pelo menos, mesmo
que não haja qualquer iniciativa do Ministério Público, mesmo que em
qualquer ação judicial não seja alcançado o sucesso esperado, as emissoras
de televisão respeitam os senhores telespectadores, esclarecendo-os sobre o
custo da ligação sempre que a participação for mobilizada.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
Expediente Inicial
14/02/2008
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a
esta tribuna reiterar minha preocupação com dois temas que já tive a
oportunidade de aqui abordar. O primeiro foi o estranho empréstimo de um
helicóptero, feito pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, para que
a Rede Globo de Televisão gravasse cenas de uma novela – um helicóptero da
Polícia Civil. Não sei se as atividades da Polícia Civil comportam novelas
da Rede Globo.
Não só o Jornal O Dia, como também o Jornal do Brasil, ambos, trasantontem,
numa pequena filigrana não usual, publicaram que o helicóptero da Polícia
Civil fora utilizado para a gravação de uma novela da Rede Globo, e que a
Anac teria interpelado ou oficiado a Secretaria de Segurança, tendo em vista
o fato de o uso da aeronave ter colocado em risco não apenas os atores mas
também as pessoas que acompanhavam a gravação e as instalações prediais onde
a novela estava sendo gravada.
Fiquei preocupado. S. Exa. o Secretário de Segurança Pública, Dr. Beltrame,
tem se apresentado como um rigoroso cumpridor da lei. Aliás, tem sido cruel
com os profissionais da Segurança Pública – em especial nesta fase, com os
policiais militares, que estão reivindicando os compromissos assumidos pelo
Sr. Governador Sérgio Cabral antes do segundo turno da última eleição na
sede da entidade representativa dos oficiais da Polícia Militar e do Corpo
de Bombeiros, na Rua Camerino.
Já tive oportunidade de aqui dizer que a Sra. Governadora Rosinha Garotinho,
através do comandante-geral da Polícia Militar na época, determinou o
comparecimento de todos os comandantes, chefes, diretores de OPM,
acompanhados de oficiais e praças sob os respectivos comandos, para que
ouvissem as promessas do Sr. Governador. A Sra. Governadora Rosinha
Garotinho, “estuprando” a estrutura militar da instituição, baseada na
hierarquia e na disciplina militares, ousou fazê-lo e o Sr. Secretário de
Segurança, agora, tem usado de veemência.
Também o Sr. Governador do Estado vem exigindo a observância dos
regulamentos militares, mas quando chega a notícia de que o Sr. Secretário
de Segurança compartilhou dessa decisão, oferecendo ao sistema Globo
recursos públicos para a gravação de uma novela, pondo em risco a vida da
população, fico preocupado. Tomei a iniciativa de ingressar com uma
representação junto ao Ministério Público Estadual para que este grave fato
seja investigado.
Todos se lembram de uma operação policial de grande vulto levada a efeito
pela Secretaria de Estado de Segurança Pública num local chamado Coréia, em
Senador Camará, Bangu. A operação policial foi toda filmada de um
determinado ponto. Obviamente, com a exclusividade que teve o sistema Globo,
a câmera estava instalada no próprio helicóptero da Polícia Civil – não
existe outra alternativa. A Globo teve a exclusividade das imagens, e como
há competição entre as emissoras, certamente as demais sentiram-se
prejudicadas, na medida em que foi um furo exclusivo, acompanhada do próprio
helicóptero da Polícia Civil a operação policial.
É claro que a instituição Polícia Civil, os profissionais, os policiais
civis são também vítimas do uso daquilo que deveria ser empregado unicamente
para o serviço em favor dos setores da iniciativa privada. Então, ingressei
com representação junto ao Ministério Público e espero que haja apuração.
Entrei também com requerimento de informações e ao mesmo tempo requeri, na
Comissão de Segurança Pública, a convocação do Secretário de Estado de
Segurança Pública, não apenas para explicar este episódio, mas também para
que esta Casa, através da Comissão própria, possa manifestar a sua
preocupação com a crise na área de segurança pública. Vamos ver os
desdobramentos.
Venho aqui também, Sr. Presidente, para falar da Cidade da Música, um
escândalo permanente, porque é uma construção de grande vulto na Barra da
Tijuca, até de uma ostensividade agressiva e que o Prefeito da Cidade
investe ali aproximadamente 500 milhões de reais. Uma obra indesejada pela
população, rejeitada pelos setores culturais do Estado e que o Prefeito
pretende ainda privatizar, entregar para a gestão da iniciativa privada. Não
está encontrando interessados.
Será que acontecerá como aconteceu com alguns equipamentos do Pan-Americano?
Aliás, o Governador Sérgio Cabral veio a esta tribuna dizer que o
Pan-Americano foi um grande sucesso. Para a cidade não foi. Deve ter sido um
grande sucesso a partir da matemática. Havia uma previsão de gastos de 400
milhões de reais e gastaram mais de 4 bilhões; talvez aí esteja o sucesso.
Gastaram tanto para construção de tão pouco, para o município um resultado
pífio.
Tomei conhecimento, e nem sei que o que foi trazido à minha apreciação
representa a verdade, porque a própria família herdeira do Sr. Roberto
Marinho estaria agora, diante do escândalo, recusando-se a manter o nome
daquela Cidade da Música de Roberto Marinho. Porque manter um nome de uma
instalação cultural erigida sobre o superfaturamento, contrariando a vontade
da população, que, aliás, reage agora em vários pontos com o não-pagamento
do IPTU, pode ser que tenha alguma procedência.
Não querem os herdeiros de Roberto Marinho perpetuar o nome de quem
construiu todo esse sistema de comunicação, segundo chegou ao meu
conhecimento, não querem manter lá o nome do patrono do império. Quando falo
império nem estou preocupado com qualquer interpretação pejorativa. Quando
falamos de grandes conglomerados econômicos, em qualquer setor, falamos de
um império. Dr. Antônio Ermírio de Morais tem um império. É nesse sentido.
É claro que não posso, por dever de consciência, deixar de registrar, porque
todos nós sabemos da aliança feita com a ditadura para que o império
crescesse. Isto também eu não posso me recusar a registrar. Tenho de fazê-lo
em homenagem à História, em homenagem à verdade. Mas não estou tratando
disso neste momento. Estou tratando de uma obra que tem um custo
surpreendente, certamente superfaturada, num momento em que o município do
Rio de Janeiro enfrenta uma situação de completo abandono. A população tomar
conhecimento de uma obra de 500 milhões de reais é algo extremamente
abusivo.
Ficam aqui esses registros e quero ver se, durante o dia, consigo confirmar
o que chegou ao meu conhecimento, que a família dos herdeiros de Roberto
Marinho já não concordam mais em permitir que o nome do patrono seja
utilizado para dar nome a uma obra espúria.
TOPO
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras e Srs.
Deputados, tive a oportunidade de secundar, no Expediente Inicial, o Sr.
Deputado Luiz Paulo, e agora no Expediente Final também sou o segundo orador
inscrito.
Venho à tribuna, Sr. Presidente, para tratar de um tema pertinente
exclusivamente ao município do Rio de Janeiro, hoje objeto de ampla
publicação no jornal O Globo, tema sobre o qual tive a oportunidade de
pronunciar-me algumas vezes durante o ano passado.Trata-se da chamada Cidade
da Música Roberto Marinho, que está sendo construída pela Prefeitura do Rio
de Janeiro na Barra da Tijuca, em frente ao Barra Shopping e ao New York
City Center, no local chamado Cebolão.
Já existe naquela comunidade inúmeras casas de espetáculos, cinemas e
teatros. Ali, a capacidade instalada ainda é muito menor do que o público
que busca diversão naquelas casas. Esse é o primeiro aspecto. Em segundo
lugar, temos outros ambientes, como a Sala Cecília Meireles, o próprio
Theatro Municipal, que têm tradição e dependem muito de iniciativas no campo
cultural para que os espaços sejam ocupados.
Os que se dedicam a acompanhar a atividade cultural do Estado também se
manifestam contrários àquela obra. Mas vem a população da Barra da Tijuca e
do Recreio dos Bandeirantes, que ficou assustada com a localização, tendo em
vista problemas de trânsito, e também com o tamanho da obra. Tem-se a
impressão que estão instalando ali um transatlântico. Transformaram o
Cebolão num estaleiro para construção do maior navio talvez já construído em
nosso Estado. Vem não um susto, mas uma constatação e, ao mesmo tempo, uma
revolta: o custo da obra de aproximadamente 500 milhões de reais.
Com 500 milhões de reais o Prefeito César Maia resolveria, com toda certeza,
muitos problemas em várias comunidades. Se considerarmos a região onde a
obra está sendo realizada, com ruas sem pavimentação e drenagem, com praças
a construir, com esgoto a céu aberto, a população, se fosse consultada, não
optaria por aquele monumento ao desperdício e ao descaso. Mas se problemas
da Cidade do Rio de Janeiro, mesmo que em outras comunidades, fossem
resolvidos com os recursos ali investidos, certamente o movimento de recusa
de pagamento do IPTU não existiria, porque o Prefeito estaria cuidando da
cidade, atendendo as prioridades da população – sem falar na questão da
saúde, com os hospitais enfrentando gravíssimas dificuldades e a população
sem atendimento.
Naturalmente, há um precioso dado a considerar: o Sr. Prefeito César Maia,
imaginando que teria o beneplácito do maior sistema de comunicação do país,
procurou dar à chamada Cidade da Música o nome do patrono maior do sistema
Globo, Roberto Marinho. É uma homenagem, mas uma homenagem a quê? O próprio
Jornal O Globo denuncia – o conteúdo da matéria é de denúncia – e faz
algumas comparações, pois o custo da obra é maior do que o de toda a Linha
Amarela, com desapropriações, inúmeros túneis, inúmeras vias de acesso. A
Linha Amarela é uma obra de grande vulto, mas o custo da Cidade da Música é
maior. Sr. Deputado André do PV, ao ler a denúncia feita pelo Jornal O
Globo, compreendo que já há uma rejeição a dar àquela obra, a Cidade da
Música, o nome do patrono, daquele que construiu o império global.
O SR. ANDRÉ DO PV – V.Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo um aparte ao Sr. Deputado André do PV.
O SR. ANDRÉ DO PV – Sr. Deputado Paulo Ramos, V.Exa. falou de inúmeras
questões e eu destaco o problema da Cidade da Música, em relação ao mau
investimento dos recursos pela administração César Maia. A administração
César Maia há muitos anos não serve para a Cidade do Rio de Janeiro. A
Cidade do Rio de Janeiro está abandonada. Nós, que saímos do Centro para ir
para casa e enfrentamos o trânsito da Cidade do Rio de Janeiro, percebemos
como a cidade está abandonada.
Hoje, o mesmo jornal que fala da Cidade da Música, com a qual foram gastos
580 milhões de reais, mais do que se gastou com a Linha Amarela, uma
vergonha para a Cidade do Rio de Janeiro, também fala do Lixão de Gramacho.
O Sr. César Maia administra esta cidade há 16 anos e já deveria ter
solucionado o problema do Lixão de Gramacho, mas não o fez. Foi descoberta
agora mais uma fenda, o que já denunciávamos, Sr. Deputado Paulo Ramos, há
mais de 20 anos, e o Sr. César Maia não tomou providência alguma.
A Cidade do Rio de Janeiro está abandonada e a Cidade de Duque de Caxias vai
sofrer as conseqüências da má administração do Sr. Prefeito César Maia. Eu,
como filho, morador da Cidade de Duque de Caxias e amante da Cidade do Rio
de Janeiro, sinto uma tristeza profunda em meu coração com essa situação.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço V.Exa. Fica aqui mais um exemplo da má
aplicação de recursos, pois problemas fundamentais poderiam ser resolvidos.
Tive a oportunidade de ler um artigo sobre o Lixão de Gramacho, publicado no
Jornal O Dia, de autoria do Sr. Deputado Pedro Paulo, presente no plenário,
que buscava demonstrar a perda de postos de trabalho. Os catadores vêm
enfrentando dificuldades, porque nos aterros sanitários não há espaço para
aquela mão-de-obra que sobreviveu numa situação de muita dificuldade, muita
insalubridade.
Só lamentei profundamente que, ao publicar o artigo, o Jornal O Dia tenha
colocado a fotografia do Sr. Deputado Altineu Côrtes e não do Sr. Deputado
Pedro Paulo.
O SR. PEDRO PAULO – V.Exa. me concede um aparte?
O SR. PAULO RAMOS – Concedo um aparte ao Sr. Deputado Pedro Paulo.
O SR. PEDRO PAULO – Mas fiquei feliz que foi a foto do Deputado Altineu
Côrtes e não a do Deputado Paulo Melo, o que seria pior ainda.
Mas queria dizer que esse artigo tem uma preocupação que foi uma
contribuição de V. Exa. Lembro-me que na audiência pública que fizemos com
os catadores, V. Exa. fez uma intervenção dizendo: “É preciso encontrar uma
alternativa para os catadores, porque os novos modelos dos aterros
sanitários que estão sendo implantados no Rio de Janeiro não prevêem a
utilização dessa mão de obra”. Esta é uma questão preocupante, porque os
investimentos em meio ambiente, eles não podem ter um caráter só econômico,
e que é uma das minhas principais críticas em relação ao novo aterro de
Paciência. Ele tem que ter sim um viés social, além do viés ambiental. Não
necessariamente aterro sanitário tem que dar lucro e essa sempre foi a
justificativa da Comlurb.
Queria fazer este registro aqui, porque nós temos muitas divergências sob o
ponto de vista da economia, do modelo exato de Estado, mas convergimos
também em vários outros pontos.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço a V. Exa. Falando no lixão em Paciência ou no
aterro sanitário, a população da Zona Oeste está dizendo o seguinte: “Não
queremos mais presídios, não queremos lixão. Precisamos de escolas,
precisamos de hospitais”.
Aliás, tratando da questão, que é a questão que me traz a esta tribuna, Sr.
Presidente, para concluir, estávamos falando da denúncia feita no Jornal O
Globo sobre a Cidade da Música, que leva o nome de Roberto Marinho. E é
exatamente o Jornal O Globo que traz a denúncia.
Com os 500 milhões que estão sendo consumidos ali - aliás, é um monumento à
empreiteira e não ao interesse público - me lembram também que mais de cinco
hospitais poderiam ser concluídos. Talvez o Hospital de Acari pudesse passar
a funcionar com o emprego de muito menos recursos do que os que vêm sendo
consumidos ali.
De qualquer maneira, Sr. Presidente, nós, ontem, tivemos aqui o Governador
Sérgio Cabral falando da herança maldita que recebeu da sua antecessora. Eu,
obviamente, como espero ser indicado pelo meu partido, para concorrer à
Prefeitura do Rio de Janeiro, acredito que vá receber aquela Cidade da
Música uma herança muito mais maldita.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados, assomo à tribuna para tratar de um tema que vem sendo chamado de
“a crise na área da Segurança Pública”, em especial, um movimento de grande
envergadura que vem sendo conduzido por representações dos policiais
militares e dos bombeiros militares, através da chamada Associação dos
Oficiais Militares Estaduais – que ainda insisto em chamar de Clube de
Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.
O Sr. Governador Sérgio Cabral esteve aqui ontem e, indagado pelos
jornalistas, resolveu dizer que tentam transformar movimentos de militares
estaduais em movimentos sindicais. S.Exa. estava se referindo a uma passeata
que está programada para o próximo domingo, às 9h30, na Av. Delfim Moreira.
Aproveito para fazer um convite, uma convocação, não só aos policiais
militares e bombeiros, mas a todos que manifestam o entendimento de que só
haverá segurança pública quando os profissionais da área receberem uma
remuneração compatível com a importância das atribuições que desempenham.
Mas o Sr. Governador Sérgio Cabral resolveu rotular a manifestação de
movimento sindical. S.Exa. deveria colocar a mão na consciência ou, pelo
menos, precisa ter sua memória refrescada.
Na campanha eleitoral, recebeu apoio da Sra. Governadora Rosinha Garotinho.
Aliás, ontem, S. Exa. fez duras críticas à administração anterior. Encontrou
a administração pública num grau de esculhambação talvez nunca verificado na
história do nosso Estado. Mas S. Exa. não apenas pertence ao mesmo partido
da Sra. Governadora Rosinha Garotinho como recebeu o mais amplo apoio da
estrutura do governo estadual, a começar pela estrutura hierárquica e
disciplinar, com fundamentos militares da própria Polícia Militar.
É necessário recuperar na memória do Sr. Governador Sérgio Cabral que S.
Exa., através da Sra. Governadora Rosinha Garotinho, compareceu ao Clube de
Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. S. Exa. lá compareceu
em face de um ato organizado pela própria representação? Não. À época, O
Comandante-Geral da Polícia Militar, Coronel Hudson, recebeu ordens da Sra.
Governadora Rosinha Garotinho, e as cumpriu, determinando a todos os
comandantes, chefes e diretores de organizações policiais militares que lá
comparecessem acompanhados de oficiais e praças das unidades que comandavam,
chefiavam ou dirigiam. A entidade ficou superlotada.
Qual seria naquele momento o entendimento do Sr. Governador? Estava S. Exa.
diante de um sindicato? Estava diante de quê, então? Na verdade, houve,
naquele momento, uma espécie de estupro de princípios os mais elementares,
os mais basilares de uma estrutura militar, pois muitos compareceram
constrangidos, visto terem obedecido a uma cadeia de comando. Mesmo assim,
ouviram de S. Exa. o Sr. Governador Sérgio Cabral todas as promessas. S.
Exa. lá compareceu entre o primeiro e segundo turnos assumindo compromissos.
É bom que se diga, tudo foi filmado. A entidade agora, pois S. Exa falou por
um período prolongado, está editando os melhores momentos. Terei
oportunidade de aqui trazer os melhores momentos da apresentação do
candidato naquela ocasião.
S. Exa. assumiu compromissos. Chegou a dizer que qualquer governante que
dissesse não dispor de recursos para pagar bem os policiais militares e
bombeiros militares deveria ser adjetivado de incompetente, até porque não
se faz segurança pública somente com viaturas; que o mais importante é o
pessoal. S. Exa. teve o mesmo procedimento com os policiais e bombeiros
militares e com os policiais civis na Academia de Polícia. Agora,
descumprindo o compromisso, não querendo atender à reivindicação com a qual
se comprometeu, usa a mesma estrutura militar para punir, perseguir e ainda
adjetivar.
Na primeira passeata S. Exa. demitiu o Comandante-Geral da Polícia Militar,
Coronel Ubiratan Ângelo. É preciso dizer que o Coronel Ubiratan não foi
substituído em função daquela passeata, até porque o Comandante-Geral que
assumiu, Coronel Pitta, também subscreveu o documento, também participava do
mesmo grupo, também esteve com o Secretário de Segurança levando as
reivindicações junto com o grupo.
O Coronel Ubiratan foi substituído e é
preciso denunciar isto aqui, porque ele não suportava mais, já não estava
mais compactuando com a política pública para a área de segurança, que é
baseada no extermínio e no confronto e vem ceifando a vida de muitos
policiais militares e civis. A entidade também fez um ato na Praia de
Copacabana, colocando lá uma cruz para cada policial militar morto durante
os últimos quatro anos. O Sr. Governador se beneficiou de um pretexto para
substituir o Coronel Ubiratan, que pregava uma polícia comunitária. Aliás,
no período que antecedeu a eleição, houve um seminário: “A polícia que
queremos”. Já era uma preparação.
Sr. Presidente, venho a esta tribuna dizer que o Sr. Governador Sérgio
Cabral, assim como compareceu ao Sindicato dos Médicos e assinou um
documento se comprometendo com a implementação do Plano de Cargos, Carreiras
e Salários, assim como compareceu diante da representação dos profissionais
da Educação, o Sepe, e assinou um documento se comprometendo a atender as
reivindicações dos profissionais da Educação, fez o mesmo na área de
Segurança Pública.
Agora paga um preço porque os comandantes, chefes e
diretores de organizações de policiais militares estão constrangidos diante
de seus subordinados, inclusive aqueles que foram compulsados ao
comparecimento na assembléia montada pela estrutura de comando da
corporação. Estão constrangidos porque estão sendo indagados: “Comandante, o
senhor não nos levou lá? O senhor não nos fez acreditar no compromisso
assumido pelo atual governador? O que o senhor está fazendo agora para
cobrar?”
O Sr. Governador Sérgio Cabral perdeu a autoridade moral para agora falar em
sindicalismo, porque, através da ex-Governadora Rosinha Garotinho, abusou da
estrutura hierárquica e disciplinar da Polícia Militar para fazer seu
proselitismo político. E vai responder por isso, a crise é grave. S.Exa. não
vai conseguir contornar com punições e ameaças. Só existe uma forma de
contornar essa crise: o Sr. Governador sentar, conversar e apresentar um
cronograma para a recuperação dos salários dos profissionais da segurança
pública. Foi o que S.Exa. prometeu.
Por último, Sr. Presidente, espera-se pelo menos que a boa vontade do
Governo seja a mesma com que o Secretário de Segurança tratou uma novela da
Rede Globo – cedeu um helicóptero para a gravação de uma novela, pintou a
aeronave com uma cor diferente. Quem pagou isso? Pintou, emprestou e o
piloto foi da própria Polícia Civil, cumprindo ordens. E o pior: colocando
em risco a vida daqueles que estavam assistindo à gravação e causando
preocupação aos atores, principais e coadjuvantes. Mas o Secretário de
Segurança patrocinou isso. Qual é a explicação?
Vou concluir, pois já está chegando aqui o próximo orador, que é o Sr.
Deputado Gilberto Palmares. É preciso dizer que, quando daquela operação em
Bangu, num local chamado Coréia, em que a operação policial foi filmada, ela
foi filmada porque o Secretário de Segurança também autorizou o Sistema
Globo a colocar uma câmera na aeronave para filmar. Trata-se de um conluio,
com desvio de recurso público. Isso também precisa ser denunciado.
Ao mesmo tempo em que venho a esta tribuna manifestar minha solidariedade
aos profissionais da Segurança Pública – os policiais militares estão
reivindicando, assim como os policiais civis e os bombeiros militares –
quero dizer que o Sr. Governador não tem compostura; não teve na campanha e
não tem agora. Ele precisa assumir a responsabilidade de seu cargo e também
cumprir aquilo com o que se comprometeu.
Muito obrigado.
TOPO