Expediente Final
27/03/2008
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras e Srs.
Deputados, venho a esta tribuna primeiro para agradecer à Casa, aos pares, pela
aprovação de uma Indicação Legislativa de minha autoria para que seja o
Governador do Estado alertado para a necessidade da construção de uma escola de
Nível Médio no Município do Rio de Janeiro, na região de Vargem Grande e Vargem
Pequena.
A região vem experimentando um crescimento
imobiliário muito grande, a população vem crescendo e não há escola de Nível
Médio, um sofrimento à medida que os alunos, quando chegam ao Nível Medio, têm
que percorrer grandes distâncias para que possam dar continuidade ao aprendizado
das suas respectivas carreiras.
Então, a Indicação Legislativa nº 281/07 de minha
autoria foi aprovada. E nesta mesma semana, na associação de moradores de Vargem
Grande, houve uma reunião para tratar justamente dessa matéria.
Não tive oportunidade de lá comparecer, pois estava
aqui numa homenagem prestada, também de minha autoria, à Dra. Maria Augusta
Tibiriçá Miranda e ao Dr. Modesto da Silveira, para entrega da Medalha
Tiradentes a ambos, lutadores sociais que são.Dona Maria Augusta, uma
nacionalista de longa carreira, com 91 anos de idade, lutou pelo Petróleo é
Nosso; já com Barbosa Lima Sobrinho, aqui, no movimento em defesa da economia
nacional, lutou contra as privatizações e vem lutando até hoje. Modesto da
Silveira, advogado dos perseguidos políticos, é um homem de grande
sensibilidade, que também foi perseguido político mas que tem um reconhecimento
muito grande, merece e mereceu de todos nós – tem merecido –grandes aplausos.
Não pude comparecer a Vargem Grande para participar
de uma reunião que, segundo informações que me foram transmitidas, contaria com
a presença da Secretária de Estado de Educação ou de alguns de seus
representantes. De qualquer maneira, a indicação legislativa foi aprovada
reforçando a luta daquela comunidade em defesa de uma escola de nível médio.
Também, Sr. Presidente, hoje a nossa Casa aprovou o relatório da Comissão
Parlamentar de Inquérito que investigou o sistema de medição eletrônica
centralizada que vem sendo implementado pela Ampla em vários municípios do nosso
Estado, a começar por São Gonçalo, Itaboraí, Magé, Duque de Caxias, acarretando
um sofrimento muito grande para a população, visto que o sistema representa uma
espécie de extorsão, mede sempre para muito mais.
A Comissão Parlamentar de Inquérito concluiu seus
trabalhos – tive a oportunidade de ser o relator e o relatório foi aprovado.
Preciso dizer que, dentre as inúmeras sugestões, as principais consistiram na
incriminação do presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica, Dr. Jerson
Kelman, e de dois diretores daquela agência reguladora. Foram incriminados por
extorsão, crime de peculato e formação de quadrilha, juntamente com o presidente
do Inmetro e do diretor de Metrologia Legal. Os dirigentes da Ampla, inclusive
seus dois presidentes, o ex-presidente e o presidente atual, além dos crimes de
extorsão e de formação de quadrilha, ainda foram enquadrados em diversos crimes
contra o consumidor. Obviamente, há inúmeras outras sugestões.
A Comissão Parlamentar de Inquérito concluiu seus
trabalhos e vamos esperar agora os desdobramentos. Não basta apenas que esse
sistema de medição centralizado seja reconhecido como inútil, como perverso e
prejudicial ao consumidor. É preciso, acima de tudo, frear sua implementação,
voltar ao sistema anterior e punir criminalmente aqueles levaram a população à
situação de sofrimento hoje verificada.
Muito obrigado.
TOPO
Expediente Final
25/03/2008
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e
Srs. Deputados, venho à tribuna, sucedendo o Sr. Deputado Gilberto Palmares,
para mandar um abraço muito fraterno em homenagem ao Partido Comunista
Brasileiro, àqueles que ainda estão empenhados, preservando as bandeiras
tradicionais do comunismo em nosso país. A utopia que não pode nunca ser
soterrada.
Quero mandar um abraço para a Professora Zuleide
Faria de Mello, para o nosso grande companheiro Ivan Pinheiro, que assim como
outros continuam mantendo de pé uma sigla histórica, que deu e tem dado uma
grande contribuição para que o Humanismo, para que as idéias humanísticas ainda
permaneçam na alma, na mente e no coração do povo brasileiro.
O Sr. Deputado Gilberto Palmares citou alguns
comunistas históricos, como Luiz Carlos Prestes, cuja fotografia está lá no meu
gabinete; Astrogildo Pereira, e poderíamos citar inúmeros outros comunistas.
Pois não, Sr. Deputado Gilberto Palmares.
O SR. GILBERTO PALMARES – Serei breve, é que aos
poucos vamos lembrando. Eu queria homenagear uma figura pouco conhecida,
falecida há alguns, mas que durante décadas foi um baluarte do antigo Partido
Comunista Brasileiro, um tecelão da antiga fábrica Covilhã, na Tijuca, morador
do Morro do Catumbi e que, desde a sua juventude até os oitenta e tantos anos,
carregou essa bandeira: o grande Moacir Pacheco Chaves, um grande comunista, um
grande combatente do movimento comunitário.
O SR. PAULO RAMOS – Obrigado, Sr. Deputado Gilberto
Palmares. Sra. Deputada Inês Pandeló.
A SRA. INÊS PANDELÓ – Gostaria de corroborar com V.
Exa. e fazer das suas as minhas palavras, homenageando o Partido Comunista.
Muitos, hoje, comemoram a democracia, o direito ao voto; estamos discutindo a
questão da fidelidade partidária, a reforma política, que é necessária
urgentemente no nosso Brasil, e muitos esquecem a história que foi construída,
do quanto foi preciso lutar para termos hoje essa democracia, inclusive o
direito ao voto. E eu, como mulher, posso dizer do direito ao voto feminino, só
conquistado depois de muita luta.
Então, parabéns ao Partido Comunista. É preciso
enaltecer essa garra, essa luta, porque faz parte da nossa história. Muito
obrigada.
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço, Deputada Inês Pandeló.
Tenho de falar de alguns comunistas, Sr. Deputado Gilberto Palmares, com os
quais tive a oportunidade de conviver, lá em Realengo. Trabalhadores que não
estão esquecidos, na medida em que durante a vida inteira lutaram por um ideal
pagando sempre um preço. Lembro Jaci Freire, Assunção, Hugo, João Lopes, João
Tomaz, comunistas que, para a minha infância, minha adolescência e minha
juventude, exerceram grande influência e são os verdadeiros responsáveis pelas
convicções ideológicas com as quais até hoje nos conduzimos.
E têm outros mais, já que para o Conjunto
Habitacional do IAPI- Realengo - primeiro conjunto habitacional do Brasil,
pronto em 1942, na Era Vargas - foram os trabalhadores, ao final da guerra. E,
com a Constituinte de 1946, com a legalização do Partido Comunista, a ele todos
se filiaram. Quando o Partido Comunista, logo depois, caiu na clandestinidade,
foi levado à clandestinidade, todos foram muito perseguidos. Eu me lembro, como
se fosse hoje, das prisões que aconteciam lá em Realengo; das torturas; pelo
suplício que passaram, mas continuaram muito coerentes na luta que travaram
porque as utopias devem ser preservadas.
Quando citei aqui, ainda hoje, a professora Zuleide
Faria de Melo e o nosso companheiro Ivan Pinheiro, eu poderia citar inúmeros
outros que estão lá na Fundação José Martí se manifestando de forma sempre
contundente, defendendo o povo cubano contra o bloqueio irracional, perverso,
mas que, acima de tudo, só consagra a luta daqueles que compreendem o que é um
ideal.
Pois não, Sr. Deputado Gilberto Palmares.
O SR. GILBERTO PALMARES – Vemos aí a presença dos
comunistas na nossa história. O Presidente Lula, que nunca foi comunista,
reconhece a influência que sofreu do seu irmão, Frei Chico – ele próprio na
ocasião um militante de base comunista, lá no ABC – que ajudou a formar várias
lideranças, entre eles o próprio Presidente Lula.
O SR. PAULO RAMOS – Para terminar, Sr. Presidente,
mais uma vez quero mandar um abraço de solidariedade e reconhecimento aos
comunistas brasileiros e o faço nas pessoas da professora Zuleide Faria de Melo
e na pessoa do nosso grande Ivan Pinheiro.
Parabéns, portanto, aos comunistas brasileiros pelo dia de hoje. Reitero algo
que é repetido em muitos lugares: a luta continua! Muito obrigado.
TOPO
Expediente Inicial
25/03/2008
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. e
Sras. Deputados, hoje é o último dia de um programa de televisão que mobiliza a
participação da sociedade, aliás, nos moldes de outros programas que também o
fazem. Trata-se do Big Brother.
No último ‘paredão’ – uso tal expressão porque agora
temos que dominar também essa terminologia – o apresentador divulgou ter havido
a participação de aproximadamente 45 milhões de telespectadores – que
telefonaram! Já vi em outros programas, em outros canais, também a mobilização
para a participação dos telespectadores. Como a participação faz com que o
telespectador remunere pela participação, paga para participar, e como esse é um
problema já antigo, tive a oportunidade aqui de apresentar um Projeto, que se
transformou em Lei, exigindo, em casos assim, que o apresentador proclamasse o
custo da ligação, além de, no painel, ficar expresso e explícito o custo da
ligação. Assim, o telespectador poderia ler e também ouvir os valores.
O SR. DICA – (FALA FORA DO MICROFONE) V.Exa. parece
até um Prefeito falando!...
O SR. PAULO RAMOS – Agradeço ao Deputado Dica, que
já faz uma referência à Prefeitura do Rio de Janeiro. Tenho certeza absoluta de
que, a partir de 1º de janeiro, estaremos lá.
Mas, Sr. Presidente, existe uma Lei determinando
que, além de o custo ficar legível, o apresentador tem que proclamá-lo para que
o telespectador seja cientificado de que a sua participação o obriga a pagar o
custo da ligação.
O curioso, no caso do Big Brother, o que inclusive,
poderiam colocar em português, no nosso idioma pátrio, já seria uma deferência a
Camões, pelo menos, mas, então, o custo da ligação só é proclamado quando não há
custo – “A ligação é gratuita.” – induzindo, portanto, o telespectador a
acreditar que toda ligação é gratuita. No entanto, quando aparece o custo da
ligação, vem uma mancha branca que impossibilita a leitura. Os números para a
participação são legíveis, mas o custo da ligação, não.
Muita gente fala em ética jornalística ou na defesa
do consumidor, e eu, então, venho a esta tribuna para mandar uma mensagem ao Dr.
Rodrigo Terra, representante do Ministério Público, encarregado da defesa do
consumidor. Há tempos tive a inocência de mandar por escrito uma comunicação ou
até uma denúncia de que não havia o esclarecimento. O telespectador não é
esclarecido a respeito do ônus referente à participação.
O que me causa estranheza é: quais são as razões que
levam qualquer emissora de televisão a tratar o telespectador como se ele
estivesse diante de uma armadilha, de uma sedução? Qual a razão de não informar?
Será que já há um levantamento, um estudo feito a respeito da informação? Se o
telespectador tomar conhecimento de que ele está pagando pela ligação, pela
participação, será que se reduz o número de participantes? Mas, de qualquer
maneira, é uma obrigação.
Portanto, venho a esta tribuna para alertar o
Ministério Público, na pessoa do Dr. Rodrigo Terra, que existe uma lei que
determina que o custo da ligação fique legível e que o apresentador ainda o
proclame, para que o telespectador participe conscientemente, sabendo que vai
pagar por aquela participação, em todos os canais. Em outros canais, embora o
custo da ligação apareça legível – já verifiquei isso em outros canais –, o
apresentador não o proclama e aquilo passa rapidinho, podendo iludir o
telespectador.
Sr. Presidente, cioso como é, preocupado como é,
atento como é o Ministério Público, por intermédio do Dr. Rodrigo Terra, às
questões da defesa do consumidor, tenho certeza de que, a par da existência
dessa lei, as providências serão tomadas.
Por último, Sr. Presidente, venho falar sobre a
questão da dengue. Como é que as autoridades federais, estaduais e municipais,
tendo em vista a gravidade do problema, instalam o chamado “gabinete da crise”
preservando os feriados? A instalação foi marcada na semana passada para ontem
por causa dos feriados. A população que se dane.
Registro esse aspecto e digo que se porventura as
autoridades merecessem alguma credibilidade elas estariam em condições de
liderar um movimento mobilizando a participação da sociedade, porque o problema
da dengue só pode ser enfrentado com políticas públicas preventivas, mas, nessa
situação de crise, com a mobilização e a participação a mais efetiva da
sociedade. É preciso que as autoridades compreendam que a população quer
participar, mas ela participará de uma forma mais eficiente a partir do momento
em que os governantes tenham credibilidade.
Muito obrigado.
TOPO
Expediente Final
19/03/2008
O SR. PAULO RAMOS
- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna tratar de um
crime que foi perpetrado há alguns anos contra a soberania nacional. Uma grande
maracutaia, porque envolve o subsolo brasileiro. Eu falo da privatização da
Companhia Vale do Rio Doce.
A Constituição de 5 de outubro de 1988 nacionalizou
o subsolo brasileiro, fazendo com que daqui saíssem inúmeras multinacionais, que
já contavam com alvará de pesquisa e lavra de parte expressiva do território
nacional. Para dar uma noção aproximada do que foi feito à Assembléia Nacional
Constituinte, apenas uma empresa inglesa, a British Petroleum, detinha alvará de
pesquisa e lavra de áreas que, somadas, davam um território maior do que a
Inglaterra. Uma multinacional!
Desgraçadamente, para a soberania nacional e para o
povo brasileiro, o Presidente Fernando Henrique Cardoso, no início de seu
primeiro mandato, modificou todos os dispositivos que estavam na Constituição,
aliás, comprando o voto do Congresso Nacional, assim como fez para aprovar a
emenda da reeleição, transformando o Congresso Nacional num antro de corrupção.
O Presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu adulterar todos os dispositivos
que garantiam a soberania nacional, inclusive, aquele que nacionalizava o
subsolo. E o fez exatamente com o objetivo de dar prosseguimento ao nefasto
programa de desestatização ou de privatização, abrindo caminho para a chamada
privatização da Companhia Vale Rio Doce, que é a maior mineradora do
mundo.porque o subsolo brasileiro é o mais rico do mundo em quantidade,
qualidade e diversificação. Mas, o que há de estranho na privatização da
Companhia Vale do Rio Doce, além do preço? Porque foi comprada por três bilhões
e estava avaliada em vários trilhões. Era uma companhia lucrativa controlada
pelo Estado. Reitero, a Companhia Vale do Rio Doce era uma companhia lucrativa,
superavitária, mas foi privatizada.
Mas, o que há de inusitado na privatização da Vale
do Rio Doce? É o nome do atual proprietário: Eike Batista, que, aliás, é
apresentado agora como um dos homens mais ricos do mundo, num país que merece
uma distribuição da renda para alcançar as camadas populares. Mas, em pouco
tempo, Eike Batista passa a ser um dos homens mais ricos do mundo.
Mas, o que há de inusitado? Reitero, Sr. Presidente.
O pai do Sr. Eike Batista, Eliezer Batista, foi servidor público durante
praticamente toda a sua vida, presidindo a Vale do Rio Doce, isto é, aquele que
hoje se apresenta como o grande controlador da Companhia Vale do Rio Doce é
filho de servidor público que, durante anos, presidiu a empresa estatal Vale do
Rio Doce. Alguém pode indagar como um servidor público amealha tanto recurso a
ponto de deixar para o seu herdeiro a possibilidade de adquirir a maior
mineradora do mundo, que é a Companhia Vale do Rio Doce.
Isto ainda não foi devidamente explicado e nem é
divulgado pela grande mídia. Dá a impressão de que a Companhia Vale do Rio Doce
nunca foi estatal e que o verdadeiro patrono do herdeiro foi o servidor público
que presidiu a própria companhia. Agora, além de ser o Sr. Eike Batista um dos
homens mais ricos do mundo, a Companhia Vale do Rio Doce é apresentada como uma
empresa de muito sucesso e que vai investir alguns bilhões. Quantos empregos ela
gera, esburacando o nosso subsolo? Exportando recursos que não recebem nem um
tratamento primário. Não é só o minério de ferro, não, outros minérios são
exportados sem nenhum beneficiamento. É claro que os países compradores compram
os nossos minérios até para reservas estratégicas, assim como aconteceu com a
Serra dos Navios com o nosso manganês, todo exportado para ficar depositado nos
desertos americanos. A Serra dos Navios, no Amapá, hoje é uma planície. Quem
tiver a oportunidade de ver os mapas, vai olhar o que era e como ficou aquela
região.
Há um movimento no Brasil inteiro de patriotas que
estão lutando na Justiça, com possibilidades de vitória, para anular a
privatização da Companhia Vale do Rio Doce. Sabemos que é muito difícil, sendo
também importante consignar que todas as privatizações feitas, sem nenhuma
exceção, tanto no Governo Sarney, algumas, quanto no Governo Collor e Itamar,
quanto no Governo Fernando Henrique Cardoso, praticamente todas são alvos de
ações judiciais.
O tempo passa muito depressa e o subsolo brasileiro,
no caso da Vale do Rio Doce, vai sendo exportado, sem distribuir renda, sem
contribuir para o desenvolvimento nacional, ao contrário. Como estatal, era uma
empresa estratégica, que poderia e deveria ser vinculada a um planejamento, a um
projeto nacional, a um projeto de desenvolvimento. Mas, agora, como empresa
privada...
Eu venho a esta tribuna para lembrar a todos que
estão ouvindo este pronunciamento, não apenas aqui no plenário e na Casa, mas
também aqueles que estão assistindo a TV Alerj, que o Sr. Eike Batista, um dos
homens mais ricos do mundo, dono da Vale do Rio Doce, é filho do ex-presidente
da Companhia Vale do Rio Doce, quando era estatal. Portanto, fica mais ainda sob
suspeição a privatização levada a efeito por aquele que pode ser apresentado
como o grande vendilhão da pátria e traidor do povo, o ex-presidente da
República Fernando Henrique Cardoso.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Mário Marques) – Obrigado.
TOPO
Expediente Inicial
19/03/2008
O SR. PAULO RAMOS
– Sr. Presidente, venho à tribuna para tratar de dois temas que chamo de
municipais: um ligado ao Município de Cabo Frio, envolvendo a luta da população
do distrito de Tamoios, pela emancipação daquele distrito. E a outra sobre o
Município do Rio de Janeiro, a sucessão municipal, na medida em que o meu
partido, o PDT, decidiu apresentar o meu nome para representar a nossa legenda
no importante pleito de 5 de outubro de 2008.
Está aqui um companheiro de Tamoios, Carnaval, e uma delegação representativa da
população daquela localidade, que vem lutando, há muito tempo, na busca da
emancipação daquele distrito, porque Tamoios tem a responsabilidade de conferir
aos cofres públicos de Cabo Frio a receita proveniente dos
royalties
do petróleo que, aliás, contribui com 70% do orçamento municipal. Mas, o
distrito não tem recebido, ao longo de sua história, a atenção, pelo menos
compatível com aquilo que contribui para os cofres públicos de Cabo Frio.
Percorrer as ruas de Tamoios é constatar o abandono quase que total e conviver
com os habitantes daquela região significa registrar, a cada passo, a revolta de
que a população é possuída. Por esta razão, ou por estas razões, estou
apresentando hoje, mais uma vez, o projeto destinado a iniciar o processo de
emancipação daquele distrito. Muitos podem argumentar, ou invocar preceitos
legais, ou preceitos constitucionais.
Há pouco mais de dois meses, no Piauí, um município foi emancipado, observando
as mesmas normas em vigor. E, tomei conhecimento de que o Congresso Nacional
acaba de ultimar a revisão constitucional, de modo a possibilitar novas
emancipações.
Portanto, ao mesmo tempo em que cumprimento a delegação que vem do distrito de
Tamoios, sob a liderança do nosso companheiro Carnaval, faço esta comunicação à
Casa de que, acolhendo a reivindicação daquela comunidade, estou apresentando
hoje, mais uma vez, um projeto buscando a emancipação de Tamoios que nem sequer
se vincula geograficamente a Cabo Frio. A independência já é natural, só falta
ser consolidada política e legalmente.
Agradeço a presença dos companheiros.
Sr. Presidente, tenho ocupado esta tribuna para tratar da eleição no Município
do Rio de Janeiro. Tenho denunciado o papel que vem sendo cumprido pela mídia,
patrocinando preferencialmente duas candidaturas. Mas, hoje, resolvi abordar o
tema através de outra perspectiva, a religiosa.
Todos nós sabemos que o sistema Globo é uma rede católica e que está
patrocinando, estranhamente, um candidato, o Sr. Deputado Federal Fernando
Gabeira que, ao longo de sua trajetória, nega, porque se agarrou a algumas
bandeiras rejeitadas pelo catolicismo. Mas o Sistema Globo patrocina outros
meios de comunicação, liderados pelo Sistema Globo, que abrem todos os espaços
ao Deputado Federal Fernando Gabeira. E uma outra rede de comunicação, a Rede
Record, esta sim, protestante – falam evangélica, mas protestante, termo que se
pode utilizar de uma forma genérica – a Rede Record, representando uma corrente
protestante, não todas as denominações, apenas uma denominação, vem patrocinando
a candidatura do Senador Marcelo Crivella, tentando inclusive aprofundar a
polarização.
E qual é o meu temor, Sr. Presidente? E venho a esta tribuna para manifestar
esta preocupação: nós não podemos, de forma alguma - o povo brasileiro é um povo
pacífico, o povo brasileiro é um povo que respeita as divergências, o povo
brasileiro é um povo acolhedor – não podemos, portanto, imaginar que possa
acontecer, a partir do Rio de Janeiro, um conflito religioso entre católicos e
protestantes, o que já acontece em outras partes do mundo. A Irlanda do Norte
vem agora, depois de muito esforço, depois de um conflito que chegou a ceifar
muitas vidas, somente agora começa a superar o confronto entre católicos e
protestantes. E como, um país como o Brasil, a partir do Rio de Janeiro, capital
cultural e política do país, nós vamos acolher ou aceitar esse tipo de conflito,
ainda mais com o patrocínio de importantes sistemas de comunicação?
Portanto, Sr. Presidente, primeiro: rejeitar esse tipo de manipulação, criando
artificialmente uma polarização entre duas candidaturas. Isto é inaceitável. Se
dizem que a liberdade de imprensa é um dos fundamentos da democracia, qual a
razão de eles não estarem dando igualdade de espaço aos candidatos dos demais
partidos? Alguns estão aí recebendo migalhas, às vezes até migalhas um pouco
expressivas. Mas o candidato do PDT, que ora ocupa esta tribuna, recebe um
tratamento completamente diferenciado. Qual a razão? Eles não merecem essa
liberdade, liberdade que não autoriza esse tipo de procedimento. A liberdade de
imprensa deveria fazer com que os concessionários, especialmente em relação à
rádio e à televisão, mas aqueles que também controlam a mídia impressa, eles
assumissem a compreensão do significado da liberdade. Que eles, que se
beneficiam dessa liberdade, não sejam os primeiros a afrontar essa liberdade,
patrocinando interesses que nós sabemos de onde provêm, porque vêm do poder
econômico, dos grandes anunciantes, de grandes bancos, das grandes empreiteiras
que, aliás, se apropriaram daquilo que poderíamos chamar interesse público, para
o interesse daqueles que fazem do lucro, exclusivamente do lucro, a sua
motivação para controlar determinados poderes.
Sr. Presidente, concluindo meu pronunciamento em dez minutos, quero dizer que o
povo do Rio de Janeiro vai começar a compreender esse tipo de maquinação, esse
tipo de manipulação; e vai rejeitar, porque o povo do Rio de Janeiro, se tem
aqui a consciência política maior do nosso país, o povo do Rio de Janeiro vai
rejeitar, rejeitar
a priori, para
enquadrar os meios de comunicação naquilo que deve ser o cumprimento dos
respectivos deveres e, com certeza absoluta, vai rechaçar esse tipo de conchavo
espúrio nas urnas, Sr. Presidente.
TOPO
Expediente Final
18/03/2008
O SR. PAULO RAMOS
– Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tomamos conhecimento de que o Comitê
Olímpico Brasileiro acaba de assumir a responsabilidade pela administração do
Parque Aquático Maria Lenk e da Arena Multiuso, que foram construídos na área do
autódromo. Somando-se ao Engenhão, representam os equipamentos esportivos que
foram incorporados ao Rio de Janeiro, em face do Pan-americano. Não chega a ser
surpresa, porque o Comitê Olímpico Brasileiro foi o órgão que organizou toda
aquela competição, cuidando, inclusive, pelo parceiro do governo federal, do
governo do Estado e do governo municipal, tendo uma parceria em relação às
construções.
Não surpreende, diante de um fato extremamente
escabroso, na medida em que o orçamento inicial para o Pan-americano esteve na
ordem dos 400 milhões de reais, mas, ao final de tudo, os gastos ultrapassaram a
casa dos 4 bilhões de reais, mais de dez vezes o que foi orçado inicialmente,
sem que ninguém tenha sido responsabilizado pelo exagero, embora já esteja
devidamente comprovado ter havido um super, um ultrafaturamento, sem que o
Pan-americano trouxesse para a Cidade do Rio de Janeiro grandes benefícios em
relação ao transporte, à pavimentação e drenagem das vias ou ao embelezamento da
cidade.
A propaganda inicial tecia, assim, todas as loas aos
benefícios que seriam trazidos para o Município do Rio de Janeiro, não só em
equipamentos esportivos, mas também em qualquer outro equipamento urbano. O
resultado final foi o mais trágico. O tempo vai passando e, com certeza, todas
as responsabilidades, ou irresponsabilidades, no trato dos recursos públicos,
tudo vai ficar devidamente sepultado. A Prefeitura do Rio de Janeiro, sem
possibilidades, sem encontrar interessados na gestão não só do Parque Aquático
Maria Lenk como também da chamada Arena Multiuso, agora recupera a parceria com
o Comitê Olímpico Brasileiro. Eles foram sócios coniventes, ou cúmplices, e
agora um socorre o outro.
Tive oportunidade de apresentar a esta Casa um
requerimento para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito,
exatamente para investigar tudo aquilo que existiu, com o emprego de recurso
público, em homenagem ao Pan-americano. Não fui bem-sucedido, não consegui, mas
ainda há tempo de implantar essa Comissão Parlamentar de Inquérito.
O que não me surpreende nessa questão é uma espécie
de torpor, de silêncio da grande mídia. Há um silêncio sepulcral, um silêncio de
uma certa cumplicidade com as chamadas grandes empreiteiras, aquelas que
receberam de mão beijada, através de licitações seguramente suspeitas, a
deferência para a construção desses equipamentos esportivos e para outras obras
não tão perceptíveis assim, até porque inexistiram. Somente isto justifica o
comportamento da nossa grande imprensa na sucessão municipal, aqui no Rio de
Janeiro. Estamos diante de um grande escândalo que representa a negação da
chamada liberdade de imprensa, aliás, liberdade de imprensa tão apregoada como
um dos fundamentos da democracia.
Afinal de contas, quem é que tem a responsabilidade
por uma tentativa escusa de indução da opinião pública através de uma falsa
polarização entre dois candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro? São dois
candidatos: o Senador Marcelo Crivella que, aliás, também tem uma trajetória um
pouco subterrânea; ninguém sabe por onde ele passou, ninguém sabe o que ele fez;
de repente, divulga um projeto, desenvolvido lá na Bahia, em Irecê, se eu não me
engano, para atender a crianças e nunca mais se ouviu falar daquele projeto, só
na campanha eleitoral, como agora tem o tal do cimento não sei o quê – cimento
social – a servir de alavanca para uma trajetória não muito ilustrada, não tem
tanta sustentação, mas tem o patrocínio dos grandes meios de comunicação,
estabelecendo uma certa polarização com o Deputado Federal Fernando Gabeira.
Deputado Federal Fernando Gabeira que, dentre outras coisas notórias, tem a
famosa sunguinha.
Não se sabe exatamente quais as opções, ou opções políticas, do Deputado
Fernando Gabeira que ainda ousava difundir ou divulgar um passado de luta em
defesa das liberdades democráticas. Mas, agora, se associa à negação da
liberdade, porque é patrocinado, da forma mais absurda e suspeita, exatamente
pelos grandes meios que, em determinadas oportunidades, davam a ele publicidade,
mas o ridicularizavam.
De onde vem tanto dinheiro para um tratamento
diferenciado? Os partidos políticos, inclusive o meu partido, o PDT, têm seus
candidatos. Em convenção, fui escolhido o candidato a prefeito pelo PDT. Aliás,
já tive a oportunidade de dizer aqui que na pré-convenção realizada pelo PDT,
com uma presença muito grande de delegados, foi a pré-convenção mais expressiva
até hoje realizada por qualquer outro partido, não houve cobertura de ninguém da
mídia. A cobertura, acontecida dois dias depois, era uma cobertura que procurava
até ridicularizar a escolha partidária. Mas lá na nossa convenção, os fiscais do
TRE estavam lá, para saber se tinha alguma faixa no exterior do prédio, lá na
Praça Tiradentes, ou se havia algum automóvel com plástico, falando em nome de
um ou outro candidato a vereador.
Os grandes meios de comunicação estão fazendo
propagandas escandalosas, escandalosas, divulgando inclusive programas que estão
sendo alavancados através de recursos que todos nós sabemos de onde provêm. Não
provêm de fonte lícita; as fontes são sempre as do não- declarado, do dinheiro
lavado, do submerso, para enganar a população.
Sr. Presidente, estou me dirigindo ao Ministério
Público e ao Tribunal Regional Eleitoral, encaminhando também ao presidente da
Associação Brasileira de Imprensa, para saber se isto significa a defesa da
liberdade de imprensa. Grandes meios de comunicação são cevados pelas grandes
empreiteiras, pelos grandes bancos, porque eles são os grandes anunciantes,
patrocinando candidaturas que são as preferenciais desse modelo que está aí, que
condena o povo ao abandono, que abandona os serviços públicos. São eles que
patrocinam esses dois competidores.
De qualquer maneira, Sr. Presidente, pelo menos
ainda temos esta tribuna para denunciar um escândalo que é um atentado à
democracia, um atentado à liberdade de imprensa, porque meios de comunicação que
são concessões públicas estão patrocinando duas candidaturas que não têm,
certamente, nenhum compromisso com a população, têm compromisso com aqueles que
os patrocinam.
Muito obrigado.
TOPO
Expediente Final
12/03/2008
O SR. PAULO
RAMOS
– Sr. Presidente, Srs. Deputados, venho a esta tribuna para tratar de um tema já
por mim abordado ontem: a eleição municipal e o comportamento da mídia em
homenagem aos candidatos – neste momento, ao candidato - dos poderosos, aqueles
que, seguramente, têm um compromisso com a grande elite, desprezando a população
a partir da classe mídia. O pior que esses patrocinados pelos grandes
conglomerados econômicos. Tentam se apropriar de idéias alheias, das quais
sempre discordaram ou contra as quais militaram, na época em que essas idéias
estavam sendo implementadas.
Refiro-me ao
Sr. Deputado Federal Fernando Gabeira, que em sendo alavancado por grandes
grupos econômicos, experimentando um patrocínio ato inusitado, além de ousar
manifestar qualquer possibilidade de tentativa de aliança com o PDT - que tem
candidato próprio, escolhido no sábado passado, na ultima convenção, e este
deputado que ora ocupa a tribuna -, ainda diz que poder acolher propostas
vinculadas à educação que o PDT, quando no governo, através de Leonel Brizola e
Darcy Ribeiro, tentou implantar. Na época, militou contra, trabalhou contra e
vem agora prestar homenagens a Leonel Brizola. Com Brizola vivo, nenhuma! Ao
contrário, nunca prestou nenhuma homenagem, além de ter trabalhado arduamente
contra o programa da educação integral.
Tenta também
sinalizar com qualquer possibilidade de aliança com o PDT. Coloca-se num plano
de superioridade, já se coloca ato no segundo turno das eleições. Como está
aliado ao PSDB, já se comporta como fez Fernando Henrique Cardoso nas eleições
para a Prefeitura de Paulo: sentou-se na cadeira de prefeito antes de ser
eleito e não o foi.
Para muitos,
podem ser surpreendentes os espaços oferecidos na mídia para tentar alavancar
essa candidatura. Para nós, do PDT, não há nenhuma surpresa, pois os que
controlam o poder têm força política capaz de assumir as responsabilidades do
Estado recebendo recursos públicos, principalmente as grandes empreiteiras. Esse
patrocínio não surpreende, mas é preciso que haja respeito aos demais siglas.
Disse ontem
que a mídia que esta , que estão completamente acanalhada, com as exceções
conhecidas, vem, agora, patrocinar uma candidatura. Não sei... Estamos numa fase
de debates sobre a liberdade de imprensa como fundamento da democracia. A
liberdade de imprensa Ú um dos fundamentos da democracia, a liberdade de
expressão é um dos fundamentos da democracia. Mas com essa mídia que estão,
com as exceções de praxe, a liberdade de imprensa fica ato comprometida, pois
eles não merecem a liberdade a eles conferida e agem em função do dinheiro que
recebem dos grandes patrocinadores, dos grandes anunciantes.
E vêm, agora,
alavancar uma candidatura em detrimento de qualquer outra. Eu mencionei aqui que
na convenção do PDT, ocorrida no último sábado, a pré-convenção, não houve a
presença de nenhum representante da mídia. Nenhum. Uma convenção expressiva.
Aliás, uma convenção tão grande que não há nenhum partido político no Rio de
Janeiro, hoje, capaz de fazer uma convenção igual aquela para escolher o seu
pré-candidato à prefeitura. Nenhum! Nenhum!
Porque ali era
uma convenção natural e não artificial. Não havia ali artificialismo. A
mídia resolveu ignorar, mas patrocina outras candidaturas; abre espaços.
Quem é
alavancado assim tem compromisso com quem? Tem compromisso com a educação
pública? Tem compromisso com a saúde pública? Tem compromisso com qualquer
serviço público? Tem compromisso com a população? Claro que não. Tem compromisso
com aqueles que dispõem de grandes recursos, a ponto de conduzir os meios de
comunicação para tentar estabelecer polarizações, encurralando a população que
perde a possibilidade de refletir.
Estou tentando
marcar uma audiência com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral. Disse
aqui, ontem, que na convenção do PDT, no sábado, fiscais do TRE lá compareceram.
Vejam bem, para verificar se havia alguma faixa no exterior do prédio e se havia
automóveis com plásticos de pré-candidatos a vereador.
É um rigor
surpreendente, na medida em que os grandes meios de comunicação, especialmente a
mídia impressa, vem fazendo propagandas com projetos de governo, com propostas
de políticas públicas, especialmente do preferido do momento. Aliás, já tem
compromisso com os poderosos. Já diz, quando diz que vai frear as ocupações. O
que vai fazer são remoções sem respeitar os mais carentes. O que, certamente,
vai fazer é aumentar impostos para sacrificar a classe média.
Certamente,
vamos ter renúncias fiscais para beneficiar os poderosos. Não sei por que,
agora, foram possuídos de um amor pela imagem de Leonel Brizola.
O jornal
Extra, não sei se no sábado, chegou a dizer que o governador Sérgio Cabral
era uma espécie de sucedâneo, nas políticas públicas, de Leonel Brizola, só
porque o governador Sérgio Cabral estava recuperando algumas piscinas de Cieps e
poderia adotar o programa da educação integral.
Com mais de um
ano de governo, ele não sinalizou, sequer, para a construção de uma escola. As
escolas estão aí sem professores; muitas escolas.
Aliás, Sr.
Deputado Alcides Rolim, recebi hoje uma comissão que veio lá de Babi, Belford
Roxo, do Ciep Carmem Silva que, tenho a certeza, V.Exa. conhece muito bem.
Faltam
professores de inúmeras matérias, inúmeras. E vem o Governador Sérgio Cabral, ou
é o jornal Extra, dizer que seria, assim,uma espécie de sucessor nas políticas
públicas. A distância é tão grande que nós podemos dizer que é o contrário. O
Governador Sérgio Cabral sucede nas políticas públicas o Governador Marcello
Alencar. Na saúde, o Governo Marcello Alencar, cooperativas; Sérgio Cabral vem
com as fundações. Na educação, os concursos públicos não eram observados. Depois
de um ano e um mês de governo, não houve concurso público para professor. Os
investimentos na educação são mínimos, dentro do limite da lei. Então, eu não
consigo ver nenhuma linha de contato.
A política de
Segurança Pública, baseada no extermínio, especialmente das comunidades
carentes. E tendo como conseqüência o extermínio também de profissionais da
Segurança Pública, especialmente policiais militares. Qual é a identidade,
portanto, desses dois governos? Nenhuma.
Então, Sr.
Presidente, vou dar aparte ao Deputado Dr. Alcides Rolim, mas concluo dizendo o
seguinte.
O PDT, no
Município do Rio de Janeiro, o PDT tem candidato próprio. Qualquer corrente
política que desejar conversar sobre possível coligação, qualquer uma que já
venha conversar conosco, o cabeça de chapa é o do PDT. O PDT se dispõe até a
sair sozinho contra os poderosos, contra o poder econômico, contra todas as
manipulações. Mas acredita, como dizia Brizola, na força do povo. Vamos ver se a
população vai compreender as manipulações de sempre, as orquestrações de sempre,
e vai se posicionar.
Concedo o
aparte ao Deputado Dr. Alcides Rolim.
O DR. ALCIDES
ROLIM – Obrigado, Deputado Paulo Ramos.
A situação de
Belford Roxo, as escolas estaduais têm uma carência enorme de professores.
Nós começamos,
no ano passado, o ano letivo, e achávamos que o secretário anterior iria
resolver a situação do Estado, mas, principalmente do nosso município. E não
houve essa situação. O ensino hoje está abandonado. O ensino público, hoje, em
Belford Roxo, na parte estadual, está abandonado.
O poder
público é praticamente inoperante em Belford Roxo. Nós temos observado que a
situação do Babi, não só na educação não, a situação do Babi, hoje, é lastimável
no saneamento básico. O Governo que se instalou já em dois mandatos seguidos,
consecutivos, praticamente, ele não consegue trabalhar naquela cidade, porque
não tem operância. Nós temos observado isso.
O CIEP ali se
torna até uma unidade de atendimento às pessoas que, muitas vezes, sofrem com os
desmazelos daquele governo, com as enchentes que assolam constantemente o nosso
município. Os CIEPS, principalmente ali do Babi, são usados como se fossem oásis
para atender à população. Porque em termos de colégio, de escola, não conseguem
porque não temos profissionais ali dentro.
Temos
observado também na nossa cidade, deputado, que não é só educação, não. A saúde
é caótica. Ainda encontramos os dirigentes daquela cidade, que hoje estão até
aqui no nosso seio também, e eles ainda chegam a afirmar nas inaugurações, nos
eventos que o Governo Estadual vai lá realizar, têm a capacidade de dizer que a
saúde é ótima e a educação é excelente. E, veja, nós não temos formação de
mão-de-obra lá; não temos uma escola técnica municipal; não temos uma escola
técnica estadual; não temos investimento nenhum.
O PAC, lá, foi
precaríssimo. Para ter uma idéia, uma cidade hoje com 600 mil habitantes, com o
PAC de oito milhões de reais para um bairro, Estive lá São Leopoldo, que
necessita de 20 milhões, 30 milhões para se resolver. Quer dizer, nosso
município tem que ter política pública, não só na educação, mas em todos os
setores para recuperar a dignidade do nosso povo.
O SR. PAULO
RAMOS – Eu agradeço, Deputado Dr. Alcides Rolim.
Estive lá,
inclusive. Cidade sem saneamento básico, sem pavimentação e drenagem das vias,
sem transporte. Uma situação extremamente lamentável. V. Exa. tem razão.
Por fim,
agradeço ao Sr. Deputado Coronel Jairo, que preside esta Sessão. Reitero: o PDT,
no Município do Rio de Janeiro tem candidato próprio. O PDT não aceita que
qualquer desavisado, qualquer aventureiro ou qualquer oportunista tente se
manifestar em relação à nossa sigla, salvo se resolver na capital dar o vice. O
PDT pode conversar, mas sobre o vice. O PDT tem candidato próprio, e o candidato
próprio do PDT se chama Paulo Ramos.
Obrigado, Sr. Presidente.
TOPO
Expediente Inicial
11/03/2008
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tive a honra
de ser escolhido pelo diretório municipal de meu partido, o PDT, para
representar nossa histórica legenda no pleito municipal, no Município do Rio de
Janeiro, como candidato a prefeito. A escolha acontece exatamente no momento em
que há um debate nacional sobre a liberdade de imprensa como um dos fundamentos
da democracia. Aliás, é o meu partido, o PDT, que está argüindo a
inconstitucionalidade da Lei de Imprensa, sob a justa alegação de que ela advém
do período autoritário, sendo necessárias não só a sua revogação mas também uma
análise, a mais profunda, sobre a conveniência ou não de o país e a sociedade
brasileira terem à sua disposição a Lei de Imprensa.
Por que faço tal observação? Porque o noticiário no Rio de Janeiro,
especialmente da mídia impressa – não me refiro a toda a mídia impressa, e sim a
alguns jornais –, tem dispensado um tratamento de privilégio a um ou outro
candidato e um tratamento frontalmente desrespeitoso a outros candidatos, dentre
os quais me incluo. Incluo-me na medida em que, quando exerci os dois mandatos
de deputado federal, travei uma luta muito grande pela democratização da
informação e, à época, denunciei e provei muitas coisas sobre o principal
sistema de comunicação do país, o sistema Globo. Não sei se esta luta
previamente me estigmatizou.
Há aqueles que dizem assim: “Eu exijo respeito!”. Eu não exijo respeito, eu
imponho respeito – há uma diferença muito grande entre uma coisa e outra.
Procuro impor respeito respeitando. Quem não respeita certamente não se dá ao
respeito.É óbvio que tenho que dizer aqui que a mídia brasileira, num percentual
muito grande, já está acanalhada, porque não respeita nenhum preceito ético e se
comporta de acordo com os interesses dos grandes conglomerados econômicos que
patrocinam os anúncios – os grandes anunciantes.
Há um jornal que está em situação não muito favorável – já teve uma
credibilidade muito maior e vem passando por uma situação difícil –, o Jornal do
Brasil. Quando falo do Jornal do Brasil, lembro da luta heróica daquele jornal
no período autoritário; lembro de Castelo Branco, que já não está mais entre
nós, e de Villas-Bôas Corrêa, que ainda está entre nós e continua a escrever no
próprio Jornal do Brasil – talvez merecesse um outro destaque, pela dimensão que
tem como jornalista.
O PDT fez, no último sábado, uma grande convenção, concorrida, num local muito
próximo, onde esteve o Sr. Presidente da República para comemorar os duzentos
anos da vinda da Família Real, na Praça Tiradentes. Não houve cobertura de
nenhum órgão. Ninguém compareceu lá para cobrir a nossa convenção – cada um
decide o que deve fazer. Na segunda-feira, o Jornal do Brasil, por intermédio de
uma de suas jornalistas, publica a seguinte matéria: “Mesmo sem ter qualquer
chance, o Deputado Paulo Ramos afirma a sua candidatura”.
O pior é que estamos numa fase em que uma candidatura vem sendo orquestrada. A
peso de quê? A peso de ouro? Ou porque é o candidato que agora se alia ao PSDB?
Qual a razão? Até porque o PDT é um partido importante, nacionalmente falando; é
um partido importante no Rio de Janeiro, e destacou um nome, como o meu, que,
pelo menos, tem aí uma trajetória de luta incorporada muito grande. Qual a razão
do desrespeito? Qual a razão de uma jornalista, que ainda começa sua carreira, e
do diretor da redação admitir esse tipo de manipulação, se a campanha sequer
começou e nem todos os partidos escolheram os seus candidatos? Afinal de contas,
a soldo de quem? À disposição de quem? Para satisfazer qual interesse? E aí vem
o jornal O Globo, através de dois jornalistas pelos quais eu tinha um grande
respeito: Maiá Menezes e Chico Otávio. Conversei com a Maiá Menezes. Ela disse
que, embora o nome dela estivesse na reportagem, na questão que incluía o PDT,
quem tratou foi o jornalista Chico Otávio.
Sem qualquer cerimônia, num comportamento abjeto, que não consagra o bom
jornalismo – e olha que da convenção pedetista eu consegui ter mais de 75% dos
votos –, ele diz que a candidatura é muito mais para marcar uma posição e depois
ser vice. Mas, vice de quem? Vice de quê? Divergências internas num partido
político, claro que há. Mas, a partir do momento em que o partido escolhe o seu
candidato, não pode haver nenhuma contestação. Está escolhido e, obviamente, vai
se conduzir de modo a buscar o apoio. Se não tem o apoio da grande mídia,
corrompida - a grande mídia no Brasil está completamente corrompida -, não pode,
porque não tem autoridade moral, falar em liberdade de imprensa, embora, mesmo
nesse ambiente, eu defenda a liberdade de imprensa. Mas temos que denunciar,
fazer com que a população compreenda que a imprensa que está aí, com percentual
muito grande, está completamente corrompida e submetida a interesses escusos.
Não são os profissionais, claro que não são. Mas são aqueles que dirigem. E,
como dirigem, eles acabam conformando determinados comportamentos de jornalistas
incautos, porque passam a se comportar de acordo com a orientação do patrão, com
os interesses escusos do patrão.
Então, hoje, no máximo amanhã, entrarei no Tribunal Regional Eleitoral. Porque,
enquanto na convenção do PDT, os fiscais do TRE lá compareceram. Sabe para o
quê, Sr. Presidente? Para saber se tinha alguma faixa do lado de fora; para
saber se algum automóvel tinha adesivo de algum candidato. E no mesmo dia, e no
dia seguinte, os candidatos dos patrões – quando eu digo dos patrões, dos
grandes grupos econômicos, não estou falando da média, pequena empresa, e micro
empresa, não, dos grandes conglomerados –, os candidatos do sistema econômico
dominante, davam entrevistas em páginas e páginas sobre programa de governo.
Isso representa, ou não, campanha eleitoral? Uma coisa é anunciar a candidatura;
uma coisa é discutir as coligações. Mas fazer propaganda de propostas de
Governo, isso já é campanha eleitoral. E aí? E o Tribunal Regional Eleitoral,
que vem sendo tão cioso, que vem tentando demonstrar uma preocupação muito
grande com a campanha eleitoral antecipada, a ponto de não permitir que uma
faixa externa anunciasse uma convenção partidária em sua sede, a ponto de
deslocar fiscais para verificar adesivos em automóveis.
Estou marcando uma audiência com o presidente do TRE, Desembargador Roberto
Wider, que tem se empenhado muito. Talvez não esteja atento a esses grandes
detalhes, aos monstruosos detalhes, só a pequenos detalhes, não aos grandes,
para saber se pelo menos o Tribunal vai determinar aos jornalões corrompidos se
os candidatos deverão ter igualdade de espaços. Igualdade de espaços? Não sei.
Muita gente diz: “Mas, fazendo esse tipo de pronunciamento, o que você espera?”
Eu não espero que eles se modifiquem, não espero que eles tenham qualquer
comportamento ético, porque eles nem sabem o que é isso. Mas faço uma
advertência aos jornalistas, especialmente aos mais jovens: eles não podem
continuar, ou para preservar empregos ou para agradar ao chefe, com esse
procedimento e, simultaneamente, defender a liberdade de expressão. Qual a
liberdade de expressão que prevalece num meio de comunicação que é orientado por
interesses escusos? Qual?
Sr. Presidente, já aprendi a dar topadas. Aliás, quando converso com os
companheiros de partido, sempre digo o seguinte: “Ganhando ou perdendo, chego
sempre com os pés arrebentados, mas com a consciência e com as mãos limpas.”
Vamos ver, estando na contramão – na contramão! – desse poder massacrante que a
quase tudo avassala, o resultado. Não vou deixar de denunciá-los. Não tenho em
relação a eles nenhum temor – nenhum temor! – de chegar aqui e dizer: a imprensa
brasileira, na sua quase totalidade, com algumas exceções, está completamente
acanalhada e se utiliza do seu poder de influência para obliterar a visão da
população, especialmente da mais carente, induzindo o pleito, demonstrando que
não quer conviver num ambiente democrático. De qualquer maneira, Sr. Presidente,
como diz o outro, já estou acostumado.
Está no filme e no livro em homenagem a Che Guevara, Diários de Motocicleta:
“Sobretudo creio que nem tudo está perdido. Há uma voz que me chama e diz ‘rema,
rema’.” Fernando Pessoa também disse: “Navegar é preciso.” Vamos navegar contra
eles!
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Dionísio Lins) – Parabéns ao deputado e futuro prefeito do Rio
de Janeiro, Sr. Paulo Ramos, líder do PDT, um homem honrado, pelo belíssimo
pronunciamento. S. Exa. expôs aqui razões que a Presidência considera
procedentes.
TOPO
Expediente Inicial
05/03/2008
O SR. PAULO RAMOS
– Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho, desta tribuna do Palácio
Tiradentes, mandar o meu abraço de solidariedade ao Ministro do Trabalho e
presidente do PDT, companheiro Carlos Lupi. E faço isso, por que, Sr.
Presidente? Porque sou forçado a reconhecer que, em vista das posições assumidas
pelo Ministro Carlos Lupi à frente do Ministério do Trabalho, em defesa dos
interesses e dos direitos da classe trabalhadora, ele vem sofrendo dura
perseguição.
É preciso registrar - tenho certeza que esta é a
posição também do Ministro Carlos Lupi – que não podemos aceitar nem acolher, em
qualquer esfera governamental, desvio de conduta e desvio de recursos públicos.
Todas as denúncias devem ser apuradas. Aqueles que se comportaram de forma
irregular, ilegal, devem ser responsabilizados.
No caso específico do Ministro Carlos Lupi, não
resta qualquer dúvida de que S. Exa. tem se manifestado claramente em defesa dos
interesses da classe trabalhadora. Primeiro, ele não aceita que nenhum dos
direitos até hoje conquistados seja sequer flexibilizado. A palavra
flexibilização passou a ser utilizada com uma insistência muito grande para que,
num quadro de desemprego, os trabalhadores pudessem ser induzidos ou seduzidos,
ante a ameaça da perda do posto de trabalho, a abrir mão de alguns dos seus
direitos.
Outro ponto, é a questão do imposto sindical. O
imposto sindical, embora tenha o nome de imposto e cada trabalhador contribui
com um dia do seu ano de trabalho, é o imposto sindical que vem da era Vargas,
que proporciona a liberdade do trabalhador se organizar.
Às vezes, quando debato o imposto sindical, procuro
usar um sinônimo. Aproveitando, CLT é a Contribuição para a Libertação dos
Trabalhadores. Qualquer pessoa que já organizou uma entidade, uma associação de
moradores, um clube sócio recreativo, qualquer uma que dependa da contribuição
dos associados, sabe das dificuldades. Não é à toa que dos grandes aos pequenos
bancos, ou os bancos menores, intermediários dos grandes bancos, tem aí
conquistado a possibilidade do desconto em folha para oferecer empréstimos a
trabalhadores, aposentados e servidores públicos. O desconto em folha lhes
garante a pontualidade no pagamento.
Então, imaginar que na luta entre o capital e o
trabalho, sendo o trabalho ou estando o trabalho rotineiramente numa situação de
inferioridade, como poderemos esperar uma organização sindical sem a
compulsoriedade da contribuição? Certamente - aliás, como acontece nas
organizações militares - os patrões, influiriam, proibiriam e diriam “Quem
estiver filiado ao sindicato será demitido”.
Participei ontem de uma audiência pública com os
terceirizados da Reduc, refinaria da nossa Petrobras, uma empresa genuinamente
brasileira. Sou um defensor dessa estatal, como, ainda, do monopólio estatal do
petróleo.
As empresas terceirizadas têm um cadastro com o nome
dos trabalhadores que reivindicam, lutam pelos seus direitos, e que lideram as
categorias que integram. Tais trabalhadores não mais têm direito a postos de
trabalho. Estão na lista negra.
Imaginem se, porventura, ao trabalhador não for
garantida a verdadeira liberdade sindical, mediante a contribuição que permite
aos sindicatos enfrentar o capital numa relação de independência, como ficará a
classe trabalhadora para se organizar e para afirmar os seus direitos já
conquistados e conquistar novos direitos?
O Ministro Carlos Luppi já se manifestou defensor da
preservação da contribuição sindical , CLT – Contribuição para a Liberdade dos
Trabalhadores – Consolidação das Leis do Trabalho. Não é o imposto sindical.
Claro que o ideal seria que a luta de classe
estivesse arrefecida. Alguns falam até que com a queda do muro de Berlim e com a
dissolução da União Soviética, que a luta de classe acabara.
A luta de classe é permanente. Só não haverá luta de
classe quando existir apenas uma classe, e, obviamente, será a classe
trabalhadora.
O Ministro Carlos Luppi, Sr. Presidente, também
defende a convenção, o que vem da Organização Internacional do Trabalho para a
proteção do trabalhador, contra a demissão sem justa causa. Está na Constituição
dependendo de regulamentação. A Constituição é de 5 de outubro de 1988, e até o
presente momento a regulamentação não ocorreu.
Mas, à frente do Ministério do Trabalho, o Ministro
Carlos Luppi conseguiu influir para que a mensagem fosse encaminhada ao
Congresso Nacional.
Agora, ele vem sendo constrangido. Argumentam não
ser ética sua permanência na presidência do partido e, simultaneamente, no
Ministério do Trabalho. São aqueles que proclamam a hipocrisia alegando que tem
havido privilégios para uma ou outra entidade ligada ao nosso Partido, o PDT.
O Sr. Ministro Carlos Luppi já demonstrou, com todos
os documentos, que tem sido apartidário, tratando das questões ligadas à
qualificação de mão-de-obra, através de mediações de instituições as mais
diversas. Aliás, somos contrários a esse sistema. O correto seria que, com o
dinheiro público, a qualificação do trabalhador só se desse através de órgão
público. A da educação, por exemplo, que a qualificação profissional fosse
incluída na atribuição da Secretaria de Estado de Educação. E só pudesse ser
realizada através de órgão público - de escolas públicas – e não entidades
privadas.
De qualquer maneira, Sr. Presidente, hoje o PDT se
reúne em Brasília.
Os jornais noticiam – não temos essa informação
confirmada – a possibilidade de o Ministro Carlos Luppi deixar a presidência do
PDT para permanecer apenas no Ministério do Trabalho.
Quero dizer, pela confiança que tenho no Ministro
Carlos Lupi, qualquer que seja a decisão contará com a nossa solidariedade.
Confiamos na liderança, na correção e na intransigente defesa das forças de
trabalho que faz o Ministro Carlos Lupi.
Sr. Presidente, daqui lanço a minha voz e espero que
ela seja ouvida no Planalto, em Brasília, na capital federal: Ministro Carlos
Lupi, a luta continua.
Muito obrigado, Sr. Presidente..