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Expediente Inicial 27/11/08
 

 

O SR. PAULO RAMOS – Antes de me dirigir à tribuna, complementando os cumprimentos que V.Exa. transmitiu ao jornal A Tribuna, de Niterói, quero incluir também nosso Pereirinha, que é o jornalista que no nosso dia-a-dia cobre para A Tribuna, de Niterói, os trabalhos da Assembléia Legislativa.


O SR. PRESIDENTE (Altineu Côrtes) – Obrigado, Sr. Deputado Paulo Ramos. O Pereirinha já completou 90 anos.


O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vou aproveitar a presença no plenário do Sr. Deputado Comte Bittencourt, que preside a Comissão de Educação, para abordar uma questão que é do amplo conhecimento de S.Exa., a questão dos institutos superiores de educação, em especial nosso Iserj aqui, na Rua Mariz e Barros. No tradicional Instituto de Educação, depois de muita luta por parte dos professores, à época da criação dessa figura esdrúxula de submeter os Institutos Superiores de Educação à Faetec, após muita luta, eles foram implementando um curso que foi alcançando muito sucesso.


A impressão que tenho, Sr. Presidente, é de que alguns governantes se assustam com o sucesso, mesmo que o sucesso em determinadas áreas da administração possa até contribuir para que o governo seja reconhecido. O esforço e liderança dos professores chamados de implementadores, cedidos pela Secretaria de Estado de Educação – porque lá já trabalhavam –, foi coroado de êxito. Na última eleição para a direção do Iserj, foi eleita a Professora Sandra, que derrotou de forma a mais acachapante toda a máquina administrativa do governo de então, fazendo com o governo registrasse o golpe, mas se submetesse à derrota.


Agora, no Governo Sérgio Cabral, não só o Sr. Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, ao qual a Faetec é subordinada, o Sr. Deputado Alexandre Cardoso e também o presidente da Faetec, Dr. Massini, resolveram impedir que os professores cedidos participassem da eleição para a escolha de um novo diretor.


É claro que a proibição causou não apenas comoção, mas surpresa, porque as normas em vigor são as mesmas da época em que a Professora Sandra, cedida, conquistou a direção do Iserj.


Alegando que os cedidos, por força de uma lei, não poderiam ocupar cargos comissionados, hoje, não vou citar os nomes, mas há, na estrutura da Faetec, inúmeros professores cedidos pela Secretaria de Estado de Educação ocupando cargos comissionados. Muitos! Afinal de contas, a lei então só vale para a eleição dos diretores dos Institutos Superiores de Educação.


No caso de Campos, do Isepam, a única candidata era uma cedida. A eleição lá não se realizou e o Presidente da Faetec está designando um interventor.


No Instituto Superior de Educação, aqui no Rio de Janeiro, no Iserj, a eleição se realizou, mas a participação na eleição, o comparecimento na eleição - mesmo com toda pressão da direção da Faetec, em tendo dois candidatos, ambos situacionistas - culminou com o término da mesma agora, por volta de 13h30, restringindo-se ao percentual de 18%! Isto é, 82% do colégio eleitoral não participaram! O que torna a eleição não apenas completamente ilegítima, como demonstra o desejo de professores, alunos e servidores de ver na direção do Iserj a Professora Sandra, que foi impedida de participar.


Não posso imaginar - e lamento ter que dizê-lo - que o Deputado Alexandre Cardoso, que tem uma tradição de convivência democrática e de respeito ao serviço público, possa estar patrocinando essa espécie de golpe, além, obviamente, de todos os esforços que vêm sendo despendidos pelo Governo para destruir o Instituto Superior de Educação – destruir!


O Deputado Alexandre Cardoso é um diletíssimo companheiro e eu aproveito para, desta tribuna, fazer um apelo: que ele reveja esta situação, para que ele não compactue e seja não apenas uma espécie de apaziguador, mas para que ele demonstre o compromisso público que tem e no qual nós estamos, agora, nos recusando a acreditar.


Não é possível, porque ele foi e tem sido cientificado de tudo o que acontece no Iserj. Tem havido aqui, ao longo até desses últimos anos, inúmeras audiências públicas. A última realizada, agora, na semana passada, na Comissão de Educação. Compareceu, representando a Faetec, o Professor Fernando Lobo, que é cedido e exerce cargo comissionado, mas invocou um dispositivo que orientou a decisão para que a professora Sandra, cedida, não pudesse participar da eleição. Não sei se, na visão do Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia e do Presidente da Faetec, a lei vale para um e não vale para outro. Ou se eles se utilizam da lei de acordo com os seus propósitos, que eu adjetivo de malignos.


Já em função dos desdobramentos da audiência pública, de mais uma, ocorrida na semana passada, o Deputado Comte Bittencourt, que conduz de forma a mais primorosa a Comissão de Educação, nos mobilizamos e demos entrada em um projeto de lei revogando, pelo menos, o artigo no qual se arvora a direção da Faetec para impedir a participação.


E também, em contato com o Presidente da Casa, Deputado Jorge Picciani, recuperamos um projeto que já estava tramitando na Casa desde o final do ano passado, quando o presidente da Faetec, o mesmo Dr. Massini, quis devolver à Secretaria de Estado de Educação todos os professores do Iserj que estavam cedidos.


E o projeto recuperado tem o objetivo de transferir para a Secretaria de Estado de Educação todos os institutos superiores, retirando, por descabida, a permanência na Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, Faetec.


Então, Sr. Presidente, quero manifestar a minha solidariedade aos professores cedidos de todos os institutos, de todos, na pessoa da Professora Sandra, Diretora do Iserj. E esperar que esta Casa possa, ainda na próxima semana, votar os dois projetos: um, suprimindo o artigo que proíbe a participação em cargos comissionados de professores cedidos pela Secretaria de Estado de Educação à Faetec. E, ao mesmo tempo, transferindo para a Secretaria de Estado de Educação os institutos superiores de Educação. E aí teremos equacionada uma situação que há muito reclama uma providência.


Portanto, a minha solidariedade e a minha denúncia de que a eleição concluída agora, às 13 horas e 30 minutos, não tem qualquer respaldo daqueles que formam o colégio eleitoral no Instituto Superior de Educação.

 

TOPO


 


Expediente Inicial 26/11/08

 

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, faço uma saudação às representações da Universidade do Estado do Rio de Janeiro que estão nas galerias. Sobre o plano de carreira dos docentes, falaremos no momento apropriado, quando a matéria estiver sendo discutida na Ordem do Dia. De qualquer maneira, sejam todos muito bem-vindos à nossa Assembléia Legislativa, que, com certeza, a mais absoluta, dará contribuição expressiva para que todos saiam daqui, pelo menos, na próxima quarta-feira, com o plano devidamente aprovado, incorporados os avanços possíveis.


(Palmas)
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quando presidia a Comissão de Assuntos Municipais e de Desenvolvimento Regional, tive oportunidade de travar um embate relativo à privatização das estradas. Cheguei até a aprovar um projeto, que se transformou em lei, proibindo, no Estado do Rio de Janeiro, a instalação de praças de pedágio, isto porque tenho eu a certeza, e acredito também que todos conheçam isso, de que escondida em cada praça de pedágio há uma grande empreiteira.


As empreiteiras transformaram as praças de pedágio em verdadeiros caça-níqueis, submetendo a população a uma espécie de múltipla tributação. Pagamos um imposto federal sobre combustíveis, com o objetivo de colaborar para a recuperação e ampliação da malha viária – esse imposto é federal. Para dar uma noção sobre a contribuição, no ano passado, a população do Rio de Janeiro recolheu para os cofres da União aproximadamente 800 milhões de reais, sem que praticamente nada tenha retornado ao nosso Estado. Falo “nada”, Sr. Presidente, e dou como exemplo o exercício de 2008, quando no Orçamento da União havia a disponibilização de aproximadamente 118 milhões de reais para a recuperação de nossas estradas federais. E a União liberou somente trezentos e poucos mil reais.


Agora, estamos diante de um escândalo patrocinado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, que está autorizando, na BR101, ligando o Estado do Rio de Janeiro ao Espírito Santo a partir da Niterói-Manilha, a colocação de praças de pedágio antes da realização da obra de recuperação e de ampliação das vias.


Pagamos imposto sobre combustíveis para os cofres federais, pagamos IPVA para os cofres estaduais, ambos os impostos com a mesma finalidade, e ainda somos supliciados com praças de pedágio nas estradas federais e nas estradas estaduais.


Não posso imaginar, no plano federal, que o Governo Federal esteja disponibilizando recursos para bancos, empreiteiras, construtoras e que queira, ainda, fazer com que a população do Estado pague ou contribua, para as empreiteiras nas praças de pedágio. E o Governo do Estado, que tem sido tão perdulário em diversas áreas da administração, a começar pela Educação, contemplando setores conhecidos da iniciativa privada e, numa pesquisa mais detalhada, são exatamente aqueles que financiam as campanhas eleitorais daqueles que se dispõem a patrocinar determinados interesses. Mas a população é que sofre.


De qualquer maneira, venho a esta tribuna para dizer do meu descontentamento com a decisão do Governo Federal de supliciar a população do Estado, na BR101 e na BR393, autorizando a colocação de praças de pedágio antes da realização de qualquer obra que possa fazer com que as estradas ofereçam melhores condições de uso.


Que o presidente Lula compreenda que a população do Estado do Rio de Janeiro sofre inúmeras injunções impostas pelo Governo do Estado, que tem como característica a fuga de compromissos que assumiu na campanha eleitoral, principalmente com os servidores públicos e, agora, ser igualmente supliciada, a população, pelo governo federal, passa a ser algo insuportável.


De qualquer maneira, aqui fica a denúncia de que o Governo Federal beneficia empreiteiras conhecidas, permitindo, autorizando a construção de praças de pedágio antes que as estradas sejam recuperadas.


Muito obrigado. (Palmas)

TOPO


 


Expediente Inicial 25/11/08

 

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, eu tinha me preparado para usar a tribuna para tratar de algo que considero extremamente grave, envolvendo as estradas federais do Rio de Janeiro – poucas, considerando que agora a Agência Nacional de Transportes Terrestres está autorizando as concessionárias que foram vitoriosas em leilões sempre duvidosos a instalarem praças de pedágio antes da conclusão de qualquer obra. Isto é, primeiro instalam as praças de pedágio, supliciam a população com obras para, após a sua conclusão, com as obras prontas – naturalmente, com recursos retirados do bolso do sofrido contribuinte –, o preço do pedágio ainda aumentar.


Tomo conhecimento, aqui no plenário, em conversa com o Deputado Gilberto Palmares, de que hoje acaba de acontecer mais um acidente na Baía de Guanabara. Passageiros, aproximadamente doze, caíram na Baía e sabemos que possivelmente não haverá nenhuma conseqüência para a concessionária, já que após os acidentes anteriores, considerando tudo que aconteceu anteriormente, a concessionária permanece livre, leve e solta.


Cheguei a desenvolver na Casa um esforço com o objetivo de proibir que aquele que participasse do controle acionário de uma modalidade de concessão, na área de transporte, participasse da outra modalidade. Quem está participando do controle das barcas não poderia participar do controle de empresas de ônibus ou da SuperVia. E não alcancei êxito no meu propósito. Mesmo não sendo eu ligado à corrente liberal, mas era uma forma de promover a competição, já que eles pregam que o mercado é que resolve tudo. Então, a competição seria uma necessidade.


E não tenho alcançado êxito. Mas tenho acompanhado o esforço do Deputado Gilberto Palmares que, numa fase anterior, ainda tentou a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito exatamente para investigar os serviços de barcas, tendo em vista os riscos óbvios. Não eram nem riscos, mas a ocorrência de acidentes, demonstrando claramente que o risco deixava de ser um risco para ser um fato.


Agora, é de se esperar que com esse último acidente, as pessoas sendo até enganadas no momento de descer da barca, em função da atracação que não é perfeita, o balanço das águas, a falta de investimentos, o descaso com a população, pelo menos será possível a instalação desta CPI.


É muito difícil instalar uma CPI na Casa, Deputado Gilberto Palmares. Até porque, pelo Regimento Interno, sete comissões já deveriam estar funcionando. Porque há requerimentos em número maior do que sete. Há requerimentos encaminhados com o número necessário de assinaturas quando, em tendo de vinte e quatro para mais, a instalação tem que ser automática, desde que sete não estejam funcionando, mas não conseguimos.


Porque Comissão Parlamentar de Inquérito, que é um instrumento das minorias parlamentares, tem o objetivo de fiscalizar o governo principalmente. Fiscalizar, obviamente, as concessões públicas. E não temos alcançado êxito nas cobranças que fazemos.


Vamos apoiar a iniciativa de V.Exa. Vamos ver se, pelo menos, diante do clamor da população que se utiliza das barcas, o Legislativo estadual possa dar a sua contribuição investigando e pressionando os concessionários, as pessoas. Porque, às vezes, eles dão uns nomes. É a concessionária; a concessionária é uma pessoa jurídica. Mas quais são as pessoas físicas que ficam auferindo lucros em detrimento da realização do interesse da população?


O SR. GILBERTO PALMARES – V. Exa. me concede um aparte?


O SR. PAULO RAMOS – Concedo aparte ao Deputado Gilberto Palmares.


O SR. GILBERTO PALMARES (Aparteando) – Deputado Paulo Ramos, duas coisas. Infelizmente, algumas questões que dizíamos há um ano que iriam ocorrer, caso medidas urgentes não fossem tomadas, estão ocorrendo. Está aqui, num documento que enviamos ao Ministério Público. Colocamos na justificativa para a CPI, que acabou não sendo aprovada, que Barcas S/A. tencionava aumentar as tarifas no trecho Praça XV- Ilha do Governador, Praça XV- Paquetá e acabar com as viagens noturnas no trecho Rio - Niterói. Acabaram. Não há mais barcas no horário entre meia-noite e cinco da manhã, o que está previsto no contrato de concessão.


E V.Exa. disse uma coisa evidente. Em outros países, Sr. Presidente, Deputado João Pedro, é proibido, se alguém opera um modal de transporte rodoviário, por exemplo, que ele opere simultaneamente o transporte aquaviário. Aqui, sabe o que fizeram? Acabaram com o serviço no horário entre meia-noite e cinco horas e colocaram um ônibus. Ora, linha de ônibus já existe.


E a outra questão que dizíamos é: será que as autoridades que têm responsabilidade nesse processo, o Governo do Estado, como poder concedente e a agência reguladora iam esperar que víssemos esses cidadãos caindo no mar para então tomar providências? Dizíamos isso mais de um ano atrás e hoje, ao quererem saltar em Paquetá, a rampa de atracação afundou e 12 usuários caíram no mar.


Então, quero ver se com essa evidência – vou começar a colher assinaturas de hoje para amanhã – finalmente instauramos uma CPI para avaliar por que há um ano e meio ocorrem sistematicamente acidentes, que estão botando, inclusive, em risco a vida de cidadãos e cidadãs de nosso Estado.


O SR. PAULO RAMOS – Sr. Deputado Gilberto Palmares, aproveitando o aparte de V.Exa., presidi a Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional e realizei aqui inúmeras audiências públicas, tratando do transporte de barcas, que envolvia também a Ilha de Paquetá, que só dispõe das barcas. É uma ilha grande, mas a força política dos donos da concessionária...


O SR. GILBERTO PALMARES – Da 1001, Deputado.
O SR. PAULO RAMOS – É uma força muito grande, que não consegue mover, que impede que se mova até talvez o Ministério Público. Assim, vamos apoiar a iniciativa de V.Exa. e vamos verificar se a CPI sai e a Casa vem a dar uma contribuição de modo a fazer com que a eficiência contemple a população interessada de Niterói, São Gonçalo e aqui, do Rio de Janeiro, os usuários das barcas da Ilha do Governador, para que, ao contrário, possamos estimulá-los com o transporte aquaviário. A Baía de Guanabara é um milagre que não é aproveitado exatamente pela prevalência do transporte rodoviário.


O SR. COMTE BITTENCOURT – V.Exa. me concede um aparte?


O SR. PAULO RAMOS – Concedo um aparte ao Sr. Deputado Comte Bittencourt.


O SR. COMTE BITTENCOURT – Sr. Deputado Paulo Ramos, ano passado subscrevemos esse pedido do Deputado Gilberto Palmares para a CPI das Barcas, naquele período em que ocorreram uma sucessão de eventos gerando acidentes de conseqüências sérias para os usuários. Tenho dito aqui – eu e o Sr. Deputado Gilberto Palmares temos debatido o assunto – que sou um usuário das barcas e elogiei o serviço ano passado. Mesmo subscrevendo a CPI, apoiando a CPI, aqui declarei meu reconhecimento pela melhoria dos serviços. Mas após um acidente grave como esse, no dia de hoje, na Estação Hidroviária de Paquetá, e o que vem acontecendo sistematicamente com o usuário no seu dia-a-dia no serviço das barcas, somos no mínimo motivados, Sr. Deputado Paulo Ramos, Sr. Deputado Gilberto Palmares, a solicitar, subscrever novamente a CPI.


O SR. PAULO RAMOS – É claro.


O SR. COMTE BITTENCOURT – Independentemente de essa empresa ter sede na minha Cidade. Conheço até a família que construiu a história dessa empresa, mas essa é outra questão. Estamos falando da responsabilidade pública. Nós é que temos que fiscalizar o concessionário que presta um serviço em que o concedente é o Estado.


Acho que poderíamos fazer de forma mais rápida, Sr. Deputado Paulo Ramos, até para motivarmos mais ainda a instalação de uma CPI, uma audiência na Comissão de Transportes. Poderíamos solicitar ao Sr. Deputado Dionísio Lins, mediante o que aconteceu hoje pela manhã na Estação de Paquetá, que fizéssemos – eu, V.Exa., o Sr. Deputado Gilberto Palmares e os Deputados interessados – uma audiência nos próximos dez dias ou ainda nesta semana, na Comissão de Transportes, para debatermos a matéria e pressionarmos pela instalação de uma CPI, com o que colhermos da audiência.


Muito obrigado.


O SR. PAULO RAMOS – Concluo, Sr. Presidente, respondendo ao Sr. Deputado Comte Bittencourt que acolho, sou solidário à proposta que S.Exa. nos traz. Sr. Deputado Gilberto Palmares, se porventura houver dificuldades na Comissão de Transportes, vamos realizar a audiência pública na Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social, na medida em que os trabalhadores são os usuários das barcas e enfrentam as dificuldades no dia-a-dia, na ida para o trabalho e no retorno para a residência.


Então, fica a Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social também à disposição em caso de dificuldades. O que não podemos fazer é virar as costas para essa tragédia diária, esse suplício diário vivido pelos usuários das barcas.


Muito obrigado, Sr. Presidente.

TOPO


 


Expediente Inicial 19/11/08

 

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna para registrar o meu reconhecimento da força que tem o Sr. Daniel Dantas, que se faz acompanhar do Sr. Naji Nahas e também de quebra do Sr. Celso Pitta. Estão acompanhados, como envolvidos em uma investigação que a Policia Federal de denominou de Satiagraha, mas a força do Sr. Daniel Dantas, principalmente, faz com que estejamos diante de uma verdadeira orquestração. E aí sim, tenho que registrar, liderada pelo Sistema Globo, com o objetivo de desqualificar o trabalho feito pela Polícia Federal, na pessoa do Delegado Protógenes Queiroz e a sua equipe, uma equipe que também era integrada pelo menos por outro delegado federal, cujo nome no momento não me recordo, mas uma investigação levada a efeito pela Polícia Federal, numa articulação com o Ministério Público Federal e com o Juiz Federal Fausto de Sanctis.


Eu acredito que não haja necessidade de conhecer a investigação criminal, nem de conhecer a legislação criminal. Qualquer um que acompanha o noticiário no dia-a-dia sabe que é normal o juiz criminal acompanhar um processo, uma investigação que às suas mãos chegue através de denúncia feita pelo Ministério Público. A articulação - juiz criminal, Ministério Público e autoridade policial - é algo rotineiro e corriqueiro, o delegado com a sua equipe, contando com o apoio da Abin; o relacionamento Polícia Federal e Agência Brasileira de Inteligência também é rotineiro nas investigações levadas a efeito pela Polícia Federal.


Temos aí o seguinte quadro: a Polícia Federal investiga, o Ministério Público encaminha o pedido de prisão preventiva de todos os envolvidos, e o juiz decreta a prisão. Surpreendentemente, tem que ser registrado, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, cumprindo seu papel - cabia a ele realmente decidir - em duas oportunidades revoga o mandado de prisão, liberando não só o Sr. Daniel Dantas como os Srs. Naji Nahas e Celso Pitta.


O que eu quero dizer da orquestração? Primeiro, o Delegado Protógenes Queiroz foi acusado de ter vazado informações. Exatamente para quem? Para a TV Globo, de modo que a aquela emissora pudesse acompanhar os atos de prisão. Mas os jornalistas têm direito à preservação da fonte e os jornalistas não vão dizer de onde receberam a informação privilegiada.


Numa ação policial determinada pela Justiça, contando com o envolvimento de tanta gente, por que concentrar a suspeição sobre o delegado que, com exação, conduziu as investigações, de modo a tentar descaracterizar sigilo de Justiça? Ele não poderia!


Há ainda uma outra questão: ele buscou apoio à participação de muita gente, de muitos quadros da Agência Brasileira de Informação, e o fez oficialmente, porque era impossível contar com 40, 30, 50 representantes da Agência Brasileira de Informações sem que isto fosse do conhecimento não só dos dirigentes da própria Agência, como também dos dirigentes da Polícia Federal. Aí, pegam o depoimento dele na CPI que trata do grampo, lá na Câmara dos Deputados, para dizer que ele mentiu.

 Quando estamos diante dos trechos do depoimento, constatamos que ele, delegado Protógenes Queiroz, com as necessárias cautelas, disse que estava realmente contando com a participação de profissionais, servidores da Agência Brasileira de Informação.


Como se não bastasse, para caracterizar ainda a orquestração que vem sendo levada a efeito, porque o poder corruptor do Sr. Daniel Dantas é muito grande, existe um outro episódio. Fazendo um relatório para a cúpula da Polícia Federal, relatório gravado, o delegado Protógenes Queiroz diz que sabia que dois habeas corpus estavam sendo gestados no Supremo Tribunal Federal para beneficiar o Sr. Daniel Dantas, Naji Nahas e o Sr. Celso Pitta.


Tomar conhecimento é natural; aliás, se ele não tomasse conhecimento, poderia ser caracterizado como um profissional até despreparado. Quem faz uma investigação desse porte, envolvendo figuras que controlam tanto dinheiro, tem que cuidar para saber dos resultados da ação. Aí, lamentavelmente, vem um Deputado Federal, Raul Jungmann, afirmando que esse trecho do relatório pelo delegado Protógenes Queiroz feito para a cúpula da Polícia Federal atesta que o Ministro Gilmar Mendes estaria sendo investigado ou teria suas ligações telefônicas grampeadas a partir de uma conversa, que ninguém sabe quem gravou, entre o Ministro Gilmar Mendes e o Senador Demóstenes Torres.


Quem gravou? Como surge uma gravação, num momento tão oportuno, para somar com outros fatos, para dar ares de veracidade à orquestração que vem sendo conduzida, claramente, pelo Sistema Globo? O Sistema Globo teve a informação da hora da prisão e vai formulando conclusões, tentando enganar a população. Aí surge também, Sr. Presidente, a figura do juiz Fausto de Sanctis, que decretou duas vezes a prisão, passou a correr risco de punição disciplinar sob a alegação de que estaria confrontando as suas decisões com as de uma instância maior, o Supremo Tribunal Federal.


E mais, hoje surge um dado interessantíssimo: quando se apropriaram de uma palestra feita por Fausto de Sanctis, dizendo do poder que tinha o juiz para decidir. Todos nós sabemos – e aí nem precisa ser advogado – que o juiz decide até contra a lei. Ele pode decidir já que depende, única e exclusivamente, do próprio convencimento.

 Se formos ali, na frente do Fórum, na Rua Erasmo Braga, vamos verificar três estátuas: a primeira é a justiça; a segunda é a lei e a terceira é a eqüidade. A justiça antecede a lei. E aí, procuraram estabelecer comparação entre a palestra feita pelo Juiz Fausto de Sanctis e o jurista da Alemanha nazista. A que ponto chega a orquestração. Aí, vem um fato extremamente relevante, que não podemos para ele virar as costas: o Dr. Fausto de Sanctis, por antiguidade, tinha a possibilidade de sair desembargador federal. Bastava comunicar a sua pretensão, porque na antiguidade ele é o primeiro e tem a vaga. Dr. Fausto de Sanctis resolveu não preencher a vaga para permanecer à frente do caso.


Existe uma expressão que Chico Buarque de Holanda colocou numa música, mas que é da autoria de Miguel de Cervantes, no Dom Quixote de La Mancha: “Negar, quando a regra é vender”.


Sr. Presidente, venho à tribuna para dizer que também, assim como tomei a iniciativa de propor a Medalha Tiradentes para o Delegado Protógenes Queiroz, farei o mesmo em relação ao Juiz Fausto de Sanctis, uma forma de, pelo menos, prestar uma mínima homenagem à dignidade, àqueles que não se curvam, mesmo diante de todos os poderes, mas principalmente diante de um poder que vem se alastrando por todos os cantos do nosso país, que é o poder de corromper daqueles que têm muito dinheiro; o poder de orquestrar; o poder de conduzir os meios de comunicação a partir do sistema Globo a um procedimento que, obviamente, busca levar a opinião pública a uma conclusão muito distante da verdade.


Portanto, a minha homenagem, hoje, ao Juiz Federal Fausto de Sanctis, porque se comportou de forma desassombrada, abrindo mão de uma prerrogativa, abrindo mão de uma promoção, abrindo mão de um pedaço da sua carreira para enfrentar aqueles que pensam que podem tudo.


Muito obrigado, Sr. Presidente. (Palmas)

TOPO


 


Expediente Inicial 13/11/08

 

 

O SR. PAULO RAMOS – Exmo. Sr. Deputado Comte Bittencourt, que preside esta Sessão, V. Exa., como Presidente da Comissão de Educação, conduziu o povo do Rio de Janeiro pelo menos a uma vitória preliminar, na medida em que pretendia o Sr. Governador do Estado centralizar, com ônus muito grande para os cofres públicos, a questão da merenda escolar. Vamos acreditar que a atuação de V. Exa. à frente da Comissão de Educação possa ser definitivamente exitosa e que o bom senso prevaleça nas hostes governamentais. Vamos acreditar que a descentralização e a transparência prevaleçam e nossas crianças possam até ser muitíssimo mais bem atendidas com os mesmos recursos que seriam disponibilizados para algo que contrariava em muito o interesse público.


Chegar à casa de um bilhão – vamos ver se agora o governo defere recursos para a descentralização com o mesmo entusiasmo com que já estava disposto a transferi-los para a empresa que ganhasse a suposta licitação – seria, talvez, uma nova Cocea. Mas, lendo os jornais hoje, já me alegrei de manhã e quero aproveitar para cumprimentar V. Exa.


Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tenho acompanhado uma iniciativa que está tramitando no Congresso Nacional, a partir do Senado, de autoria do Sr. Senador Paulo Paim, do Partido dos Trabalhadores, com quem tive a oportunidade de ser constituinte. Lembro-me da luta dos aposentados e pensionistas para que os proventos da aposentadoria e a pensão por morte correspondessem sempre ao número de salários mínimos da época da concessão.


Lembro-me de que no texto permanente da Constituição Federal, numa das fases da elaboração, no final do dispositivo que fixava o salário-mínimo nacionalmente unificado, vinha: “vedada sua vinculação para qualquer fim” – texto que prevaleceu, promulgada a Constituição. Mas, nas Disposições Constitucionais Transitórias, foi inserido um dispositivo que dizia que os proventos da aposentadoria e a pensão por morte seriam corrigidos, a partir do sétimo mês depois de promulgada a Constituição, de acordo com o número de mínimos da época da concessão. Aí vinha uma vírgula: “até que seja elaborado o Plano de Benefícios e Custeio da Previdência.”


Como todos sabem, muitos dispositivos constitucionais até hoje não foram regulamentados, mas este dispositivo foi o primeiro a ser regulamentado e, no Plano de Benefícios e Custeio da Previdência, a vinculação ao mínimo ficou impossibilitada porque o texto permanente da Constituição, ao tratar do tema, dizia: “vedada sua vinculação para qualquer fim.” De lá para cá, os aposentados e pensionistas foram percebendo o seguinte: a correção do salário mínimo observava – e vem observando – percentuais sempre maiores do que os oferecidos para a correção dos proventos e da pensão.


Historicamente falando, com o passar do tempo, todos os proventos e todas as pensões caminham para uma equiparação ao salário mínimo. Os aposentados e pensionistas, portanto, vivem hoje uma situação análoga ou mais perversa do que a que estavam experimentando durante o período de elaboração da Constituição, mesmo em tendo auferido uma recuperação rápida, a partir do sétimo mês, até que o plano tivesse sido, como foi, elaborado. E agora o Senado aprova, restabelecendo o que era uma reivindicação, algo que vem sendo perseguido por aposentados e pensionistas há muito tempo.


Lembro-me de que, quando da tentativa de revisão constitucional, cheguei a apresentar uma emenda para o artigo do salário mínimo, na qual, depois da expressão “vedada sua vinculação para qualquer fim”, tentei escrever “salvo para fixação e correção dos proventos da aposentadoria e da pensão por morte”, que seria uma oportunidade de dar aos aposentados e pensionistas aquilo a que eles fazem jus.


Hoje nos jornais – onde li a notícia sobre os resultados de um trabalho desenvolvido pela Comissão de Educação, sob a presidência de V.Exa., Sr. Deputado Comte Bittencourt, que preside a Sessão – li também as reações dos mesmos setores dizendo que a Previdência Social seria ou será ou poderá ser onerada em 9 bilhões, se porventura a Câmara dos Deputados também aprovar o mesmo dispositivo, a mesma modificação que poderá ser sancionada pelo Presidente da República.


Essa manifestação conservadora e injusta se dá no mesmo momento em que, em face da chamada crise mundial, o governo brasileiro, que dissera antes que nossa economia estava blindada, começa a liberar recursos para que a Caixa Econômica e o Banco do Brasil possam comprar bancos falidos; liberar recursos, através do BNDES, para as construtoras, para os diversos setores da economia, inclusive, o setor automobilístico – quando o governo federal, através de uma medida provisória, anistia as chamadas filantrópicas, incluindo na anistia aquelas que vivem aí sugando o dinheiro público.


Qual é a conclusão a que se chega? Para beneficiar banqueiros inescrupulosos, para beneficiar grandes empresários em dificuldades, para transferir dinheiro público para setores da economia, como o setor automobilístico e outros setores, que ganhavam mais dinheiro na ciranda financeira do que na sua atividade-fim, para anistiar corruptos de todos os matizes, há dinheiro público. Mas, para fazer a distribuição da renda, através de algo que é justo para aposentados e pensionistas, as críticas são as mais contundentes.


Sr. Presidente, considerando que o relógio já despertou e V.Exa. sequer abateu o tempo que consumi para registrar o sucesso da Comissão de Educação, concluo dizendo que precisamos reagir, precisamos usar esta tribuna, mesmo sendo uma tribuna estadual, para dizer que o governo federal prioriza uma distribuição de renda que não beneficia diretamente a população. Quer facilitar o consumo dando dinheiro aos bancos para empréstimos. Então, a luta dos aposentados e pensionistas continua, e vamos acreditar que o projeto de autoria do Senador Paulo Paim venha a ser aprovado rapidamente na Câmara dos Deputados e que possamos comemorar com os aposentados a recuperação de um direito, de modo a que os proventos da aposentadoria e a pensão por morte possam sempre corresponder ao número de salários mínimos da época da concessão.


Muito obrigado, Sr. Presidente.


O SR. PRESIDENTE (Comte Bittencourt) – Muito obrigado, Deputado Paulo Ramos. Convido V. Exa. a assumir a Presidência, já que sou o próximo orador inscrito.

TOPO


 


Expediente Inicial 11/11/08



 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna tratar de um tema que seguramente merece a atenção de todos, dada a sua gravidade. Na semana passada todos os jornais publicaram um fato muito interessante: o Senador Romero Jucá, do PMDB, líder do governo federal no Senado, contou com o privilégio de ter três processos criminais que contra ele corriam no Supremo Tribunal Federal, prescritos. Significa dizer que por aqueles crimes – ainda há outros – ele não mais responderá.


Já não é a primeira , não é a segunda vez - nem sei quantas vezes - que venho a esta tribuna lembrar e denunciar que é do Supremo Tribunal Federal a competência, que o STF representa o foro privilegiado para julgar crimes praticados pelas principais figuras da República e aqueles que, com as principais figuras, cometem diversos crimes. Falo dos deputados federais, dos senadores, dos ministros, dos governadores, dos prefeitos. Quem os julga é o Supremo Tribunal Federal. Mas até hoje o Supremo Tribunal Federal nunca julgou ninguém. Não há um processo criminal que tenha tramitado no Supremo Tribunal Federal que fosse concluído – ou com a absolvição ou com a condenação.


O que houve com alguns crimes pelos quais era acusado o Senador Romero Jucá já houve com inúmeros outros processados: a prescrição é a principal ocorrência dos processos criminais que tramitam no Supremo Tribunal Federal.


Aí, temos a caracterização da mais cruel impunidade, quando dizem assim: “O exemplo há de partir de cima”. Então, nenhuma das grandes figuras da República quando denunciadas, respondendo a processo pela prática de qualquer ilícito, de qualquer crime, foi até hoje julgada pelo Supremo Tribunal Federal.


A minha observação tem a ver com um fato extremamente escabroso, que resultou de importante investigação levada a efeito pela Polícia Federal - sob a responsabilidade do Delegado Protógenes Queiroz - que resultou no mandado de prisão contra os Srs. Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta.


Talvez não tão surpreendentemente, o Sr. Presidente do Supremo Tribunal Federal, numa decisão monocrática, cassou o mandado de prisão, tendo lá suas possíveis razões.


Mas, tendo em vista o histórico do Supremo Tribunal Federal, na apreciação de crimes praticados pelas figuras de alto coturno de nossa famigerada República, a decisão do Sr. Ministro Gilmar Mendes causou perplexidade, para dizer o mínimo.


Como se não bastasse, além de ter sido cassado o mandado de prisão liminar e monocraticamente, logo depois o Pleno do Supremo Tribunal Federal – com algumas poucas defecções – confirmou a decisão do Presidente. E aí, vêm inúmeras outras conseqüências.


A alegação foi de que o Delegado Protógenes Queiroz teria se excedido; utilizou-se de quadros da ABIN para fazer a investigação, que estava sob segredo de justiça. Portanto, ao contar com a colaboração de servidores públicos também de outra área de inteligência, teria rompido com o segredo de justiça.


Há também a acusação de que ele – e aí, está de difícil concretização – também teria comunicado à Rede Globo e ao jornal A Folha de São Paulo sobre dia, hora e local da efetivação dos mandados de prisão contra os Srs. Naji Nahas, Daniel Dantas e Celso Pitta. Como os jornalistas têm o direito de preservação – é o segredo sobre a fonte –, eles não podem revelar. Então, quem revelou?


Sabemos que tem sido até, Sr. Deputado Comte Bittencourt, uma prática na polícia do Brasil inteiro, quando da ação policial, da conclusão da ação contra algumas figuras que têm força política e poder econômico, para resguardar a ação policial, alguns até mobilizam a presença da imprensa, muito mais como garantia, para que depois os policiais que realizam a ação não sejam acusados de excessos, arbitrariedades, etc.


Há uma crise na própria Polícia Federal. Aliás, não só na Polícia Federal, como também na magistratura, porque um juiz, De Sanctis, foi quem determinou a prisão dessas figuras. A Polícia Federal resolve praticamente anular toda a investigação feita, passando a investigar exatamente aqueles que participaram da operação policial, especial e principalmente o Dr. Protógenes Queiroz, que teve sua casa invadida por integrantes da própria Polícia Federal, em mandado de busca e apreensão da lavra de outro juiz federal, que já teria sido investigado em fase anterior pela própria Polícia Federal, e deveria pelo menos ter tido o zelo de se considerar impedido.


Venho a esta tribuna, Sr. Presidente, para manifestar minha preocupação e, ao mesmo tempo, fazer essa denúncia. Não é possível que, quando a investigação recai sobre algumas figuras da República reconhecidas como corruptoras – é o caso específico do Sr. Daniel Dantas –, todo o peso das instituições recaia sobre aquele que teve a responsabilidade da investigação. Então, venho a esta tribuna para fazer essa denúncia e manifestar minha solidariedade ao Dr. Protógenes Queiroz, delegado da Polícia Federal. Estou tomando a iniciativa de lhe propor a concessão da Medalha Tiradentes, para que ele, pelo menos, não permaneça isolado, reprimido, através de um concerto, uma orquestração que envolve seguramente o poder econômico e algumas práticas nefastas que prevalecem em nosso país.


Muito obrigado.

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