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DATA |
DISCURSO / FEVEREIRO |
| 30/04/09 - Expediente Inicial | |
| 28/04/09 - Expediente Final | |
| 28/04/09 - Expediente Inicial | |
| 22/04/09 - Expediente Inicial | |
| 16/04/09 - Expediente Final | |
| 16/04/09 - Expediente Inicial | |
| 14/04/09 - Expediente Inicial | |
| 07/04/09 - Expediente Final | |
| 07/04/09 - Expediente Inicial | |
| 01/04/09 - Expediente Final |
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O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos todos, independentemente de qualquer razão política, acompanhando o quadro de saúde que envolve a Ministra Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, Dilma Roussef. Eu digo independentemente de razões políticas, na medida em que nós próprios estamos envolvidos nas atividades parlamentares e sabemos da perversidade que gira em torno de nossas atividades. Encarando, unicamente, pelo aspecto humano, estamos todos, por dever de solidariedade, inclinados a torcer por sua pronta recuperação. Que ela possa estar em plenas condições de saúde para decidir o destino político, o caminho pelo qual pretende enveredar. O drama vivido pela Ministra Dilma Roussef trouxe mais uma vez para o debate a questão do câncer, principalmente em relação às mulheres: o câncer de mama e o câncer no colo do útero, aliás, câncer que se insere nos indicadores de mortalidade da mulher como algo muito expressivo. Agora surge uma lei que dá às mulheres com mais de 40 anos o direito à gratuidade para realização desse exame preventivo. Muitas vezes, por maior que seja a manifestação de solidariedade, mesmo que o envolvimento seja unânime em toda a sociedade, sabemos que é sempre muito difícil a implementação de políticas públicas capazes de levar a realização de qualquer direito. Faço este registro porque sabemos que os hospitais públicos, rotineiramente, não estão aparelhados para dar um atendimento compatível e preventivo às mulheres. Ontem mesmo, no Expediente Final, ocupava esta tribuna o Deputado Raleigh, que abordou este tema, dentre outros. Estava no plenário a Deputada Cidinha Campos, que recuperou na memória de todos uma lei de autoria de S. Exa. que torna - veja bem, Sr. Presidente – obrigatório que cada hospital público disponha do mamógrafo para, pelo menos, realizar um exame necessário à prevenção. Quando mais cedo a descoberta, mais fácil o tratamento. A própria Ministra Dilma Roussef propala isso: ter, pelos cuidados que tem com o seu corpo, descoberto numa fase inicial e, portanto, estando em condições mais favoráveis para a cura. Está chegando o Deputado Raleigh Ramalho. Eu me referi a V. Exa. no pronunciamento de ontem, tratando da questão do câncer nas mulheres, câncer de mama e câncer de colo do útero. Recuperei a intervenção da Deputada Cidinha Campos, afirmando, recuperando em nossa memória a existência de uma lei de autoria de S. Exa. a Deputada Cidinha Campos, tornando obrigatório que cada hospital público tenha o mamógrafo. Pois não, Deputado Raleigh Ramalho. O SR. RALEIGH RAMALHO – Ontem fiquei tremendamente lisonjeado e contente, porque V. Exa., no passado, fez um projeto de lei vislumbrando justamente essa possibilidade. V. Exa. detectou que as mulheres não faziam os exames por falta de tempo em seu trabalho e, muito felizmente, V. Exa. fez um projeto de lei para que as mulheres tivessem um dia de folga no mês para poderem fazer o exame. Isso me deixou muito feliz, pela sua visão de poder integrar a mulher num tratamento futuro. Então, foi muito legal. Quero parabenizá-lo por essa atitude, que cada vez mais aumenta o valor do legislador nesta Casa. Sua pessoa, a meu ver, é esse expoente que nós temos, não só nesse projeto de lei que foi feito e que V. Exa. me passou ontem, mas também na lembrança de ontem. Vou usar da palavra daqui a pouco, mas fiquei arrepiado com sua lembrança, o trabalho que V. Exa. fez ontem aqui, na festa em memória do ex-Governador, nosso grande líder, que é e que foi o Dr. Leonel. Parabenizando o grande líder que está aqui hoje presente nesta Casa, V. Exa. é um grande líder representando a classe dos políticos do Brasil. O SR. PAULO RAMOS – Muito obrigado, Deputado Raleigh Ramalho. Naturalmente, o elogio é imerecido, mas, de qualquer maneira, o acolho em nome da amizade que estamos construindo aqui, nesta Casa. Sr. Presidente, o Deputado Raleigh Ramalho antecipou a divulgação que eu iria fazer. Através da Comissão de Trabalho, tive a oportunidade de realizar muitas reuniões com mulheres de diversas categorias profissionais. Aí fui cientificado de que, paralelamente à indisponibilidade no serviço público de equipamentos para a realização do exame preventivo, o que descumpre a lei de autoria da Deputada Cidinha Campos, muitas mulheres não dispunham de tempo. Muitas mulheres, na lida diária, mesmo preocupadas com a saúde, a azáfama do dia-a-dia fazia com que elas se descuidassem da própria saúde. Aí apresentei um projeto de lei que se transformou em lei, dando a todas as mulheres que trabalham, tanto no serviço público, quanto na iniciativa privada, um dia de dispensa por ano para a realização do exame preventivo. Comentava eu ontem com o Deputado Raleigh Ramalho que, a partir da semana que vem, todo dia – não só no Expediente Inicial, como no momento de apreciação da Ordem do Dia e também no Expediente Final – vou dizer, ou desta tribuna, ou do microfone do plenário, o número da lei segundo a qual todas as mulheres que trabalham têm um dia de dispensa por ano para a realização do exame preventivo de câncer de mama e de colo de útero. Aí demonstraremos que as mulheres têm direito à prevenção – elas não se obrigam à prevenção, elas têm direito à prevenção. Se por ventura todos os hospitais públicos estiverem supridos com os equipamentos necessários – mamógrafo etc – para realização do preventivo, estaremos facilitando a vida das mulheres com o dia da dispensa. Elas terão tempo suficiente para a realização desse direito. Pois não, Deputado Raleigh.
O SR. RALEIGH RAMALHO – É
importante que V. Exa. fale sobre isso agora porque quando se trata de dar um
dia de licença para uma mulher, uma funcionária, pode-se dizer: mas vai se
perder um dia de trabalho. Qual o custo desse dia de trabalho? E se essa mulher
fizer o preventivo, quanto ela irá economizar para o Estado não ficando doente? O SR. RALEIGH RAMALHO – E para o patrão. Veja a importância de se dar esse dia de bonificação a quem vai se tratar. Parabéns! O SR. PAULO RAMOS – Obrigado, Deputado. Eu só espero, Sr. Presidente, que a classe patronal não veja nesse dia de dispensa um feriado. Claro que não é um feriado, é a oportunidade de criar condições, no próprio ambiente de trabalho, de mais tranquilidade para as próprias mulheres. Imaginamos qual o efeito quando todos os companheiros tomam conhecimento de que alguém do ambiente de trabalho contraiu câncer por não ter feito o preventivo: já há um abalo muito grande. De qualquer maneira, Sr. Presidente, venho aqui dizer diariamente que temos dificuldades de fazer com que uma lei seja cumprida. Temos dificuldades de fazer com que uma lei seja conhecida, temos dificuldades de fazer com que os destinatários de uma determinada lei se mobilizem para a realização do direito através dela conquistado. É o nosso dever, então diariamente tenho procurado fazer contato com todas as mulheres que escrevem artigos nos jornais, que falam nas televisões, nas estações de rádio para que elas ajudem na divulgação. Só assim, a partir desse mutirão, poderemos dar uma contribuição efetiva para que as mulheres não tenham na realização do preventivo uma espécie de dever individual, e sim o reconheçam como um direito e uma necessidade. Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, o Rio de Janeiro está tentando se habilitar para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 e o Brasil será a sede do Mundial de Futebol, em 2014. A população do Rio de Janeiro já está um tanto escaldada, desde a realização dos Jogos Pan-americanos, quando houve uma avaliação inicial de gastos da ordem de R$ 400 milhões, valor que incorporaria benefícios para a cidade. Concluídos os trabalhos, foi constatado um gasto de R$ 4 bilhões, isto é, dez vezes mais ... O SR. PRESIDENTE (Dica) – Deputado Paulo Ramos, me permite a indelicadeza? O SR. PAULO RAMOS – Pois não. O SR. PRESIDENTE (Dica) – Desculpa a interrupção, Deputado Paulo Ramos. Eu cometi uma indelicadeza que devo corrigir. Quero anunciar a presença em plenário do ex-Deputado Carlos Dias. O SR. PAULO RAMOS – V. Exa. tem que saudar o nosso grande companheiro Carlos Dias, sempre muito bem vindo. Como eu dizia, nos Jogos Pan-americanos o poder público gastou, somando gastos do governo federal, do governo estadual e do governo municipal, dez vezes mais do que o previsto. Verificando, na cidade do Rio de Janeiro, é possível constatar e até denunciar não ter havido praticamente benefício algum na infraestrutura da cidade, na infraestrutura viária, nada! Os próprios equipamentos esportivos construídos, a começar pelo Engenhão – o Engenhão foi transferido para a gestão do Botafogo, o meu time de coração – e a população do entorno do Engenhão até hoje espera pelas obras prometidas. Lá em Jacarepaguá, onde construíram a arena multiuso e o Parque Aquático Maria Lenk, a situação no entorno também é extremamente preocupante, sem se contar as dificuldades que o poder público tem para administrar esses equipamentos. Há denúncias, inclusive, de que alguns deles, esses de Jacarepaguá, começam a se deteriorar. Venho à tribuna dizer que ainda, frequentemente, surgem denúncias, e a comprovação delas, até de desvio de recursos públicos, dentro desses R$ 4 bilhões, consumidos na preparação do Rio de Janeiro para a realização dos Jogos Pan-americanos. Mas me surpreendo ao ver que aqui na Marina da Glória as pilastras se tornaram uma obra interminada. Eu me assusto, e também me surpreendo com a questão do Parque Aquático Júlio Delamare, diante do que eles argumentam: dotar o Maracanã de estacionamento. Vejam bem V. Exas., estão propondo agora que o Parque Aquático Júlio Delamare seja substituído por um estacionamento! Chego a ficar preocupado, porque é uma desfaçatez muito grande, é até uma agressão. Se nós precisamos de mais equipamentos esportivos, qual a razão de, após o Parque Júlio Delamare, ligado ao Maracanã, ter sido recuperado para os Jogos Pan-americanos, sendo um centro de excelência, capaz de sediar competições de todos os níveis, qual a razão de transformá-lo num estacionamento? Já para os Jogos Pan-americanos, o Maracanã foi adaptado às exigências. Agora surgem novas exigências e o Maracanã caminha para passar por mais obras? Não sei até onde eles pretendem chegar. Ainda não explicaram o que houve com as despesas dos Jogos Pana-americanos e agora a população começa a ser seduzida em relação aos Jogos Olímpicos de 2016. Existe ainda uma preocupação muito maior, nesse caso, porque as figuras responsáveis são rigorosamente as mesmas que nos representaram no Comitê Olímpico Brasileiro, para a realização dos Jogos Pan-americanos. A cidade é testemunha de que os elevadíssimos custos não incorporaram benefícios à sua população, que os poucos equipamentos esportivos e construções não são administrados e, diante da dificuldade de utilização, estão ociosos. A Vila do Pan sequer está concluída, ainda não tem um habitante! Ela foi utilizada para os Jogos Pan-Americanos, os atletas ficaram hospedados em condições precárias, em termos urbanísticos. Agora, lá estão muitos compradores se sentindo lesados e vêm os mesmos protagonistas mobilizar a sociedade com o entusiasmo de sempre. Aliás, deve ser um grande entusiasmo, porque se para os Jogos Pan-Americanos a previsão era de R$ 400 milhões e eles gastaram R$ 4 bilhões, é de se imaginar os Jogos Olímpicos. Qual será a previsão de gasto e qual será a verdadeira despesa. Devemos sempre, com a experiência dos Jogos Pan-Americanos, pelo menos, multiplicar por dez. Aí, teremos o resultado final e a cidade continuará carente de uma infraestrutura razoável. Hoje, os problemas de trânsito, problemas em geral, são causados porque falta, pelo menos, uma estrutura viária que possa dar à população o mínimo de possibilidade de locomoção. Sem contar a péssima qualidade das obras viárias. Olha, que chega a causar espanto como – aliás, estou fazendo contato com o Conselho Regional de Engenharia porque as obras, mesmo asfaltamento de vias, têm um engenheiro responsável; até está aqui presente o Deputado Luiz Paulo que agora deixou de nos comunicar que é engenheiro – uma simples pavimentação de via chega a ser uma espécie de atestado contra a engenharia nacional, tão elogiada e tão reconhecida. Mesmo logo depois da pavimentação, a pavimentação já fica toda ondulada, toda irregular. Pouco tempo depois, os buracos começam a aparecer. Então, é uma obra de péssima qualidade, numa simples observação visual e a população sofre com os buracos de sempre.
Não vou aqui homenagear – como é
o nome daquela figura? – o João Buracão, mas é preciso que o nosso CREA, que
também tem essa responsabilidade e cumpre, agora com o presidente eleito
recém-empossado, Agostinho Guerreiro, possa fazer uma inspeção nessas obras
públicas, de modo a exigir uma melhor qualidade. Não é possível! De qualquer maneira, Sr. Presidente, como o Comitê Olímpico Internacional esteve, ontem, percorrendo a nossa cidade com os representantes do Comitê Olímpico Brasileiro, com a presença de outras autoridades públicas, de modo a fazer com que o Rio de Janeiro pudesse ser apresentado de forma entusiasta, ante a possibilidade de sediar os Jogos Olímpicos de 2016, quero alertar que não venham, pelo menos, com a mesma desfaçatez, com a mesma irresponsabilidade, com tudo que presidiu – contra a população - os Jogos Pan-Americanos. E esperar. O Deputado Luiz Paulo falou aqui do apoio aos atletas. Outro dia, os lutadores de boxe foram apresentados ao público, de um modo geral, despejados do local onde treinavam. Quer dizer, não têm o mínimo de apoio e de reconhecimento, os judocas, nossos lutadores. Então, paralelamente ao desrespeito à população com um reconhecido desvio de recurso público em torno de uma finalidade nobre, ainda temos o abandono dos nossos atletas. Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho à tribuna para tratar, mais uma vez, de um tema que tem sido para mim motivo de grande perplexidade. Refiro-me a uma espécie de drama, que a cada dia se acentua, que está sendo vivido por um delegado da Polícia Federal, Dr. Protógenes Queiroz. Afinal de contas, a Polícia Federal tem o papel de investigar. Dr. Protógenes Queiroz recebe a incumbência de fazer uma investigação, naturalmente com uma equipe integrada por outros delegados federais e por agentes federais. A investigação alcança algumas grandes figuras da República, principalmente aquelas ligadas ao poder econômico, a começar pelo Sr. Daniel Dantas. A investigação foi levada a efeito ainda com a participação oficial de representantes da ABIN - Agência Brasileira de Inteligência. É natural que em uma investigação policial, aquele que por ela se responsabiliza acumule documentos os mais diversos, acumule informações as mais diversas, mesmo em relação a pessoas que não são ou que não integram o objeto da investigação. Isso é natural. Aqui mesmo, nesta Casa, quando há uma Comissão Parlamentar de Inquérito, por vezes, acumulamos documentos que não são do interesse da investigação. Os documentos são queimados? Não. Os documentos permanecem arquivados. Mas em uma investigação policial, e ainda mais agora com o advento da informática e de outros mecanismos, o investigador acumula sem utilizar. De repente, o juiz de São Paulo, Dr. Fausto De Sanctis, depois do parecer convalidando a investigação do Ministério Público, parecer do Ministério Público consolidando a investigação, determina a prisão preventiva não apenas do Sr. Daniel Dantas mas também do Sr. Celso Pitta, do Sr. Naji Nahas e de outras figuras. O presidente do Supremo Tribunal Federal não só concedeu um habeas corpus a essas figuras como também se transformou no maior defensor do Sr. Daniel Dantas, a quem concedeu mais de um habeas corpus, além de, certamente, ter participado de uma orquestração que procura desacreditar o delegado Protógenes Queiroz. Houve até um fato inusitado: apareceu a gravação de uma ligação telefônica feita pelo Senador Demóstenes Torres ao presidente do Supremo Tribunal Federal. Aliás, uma gravação muito oportuna, que serviu para atestar desvios de conduta do delegado Protógenes Queiroz, mesmo não sendo possível descobrir quem teria feito aquela gravação. Tudo muito apropriado para proteger os poderosos. Agora o delegado Protógenes Queiroz passou a ser investigado, deixou de ser o investigador. Contra ele são reunidas tantas provas que não têm nenhum respaldo, e agora corre ele o risco de ser excluído da Polícia Federal. Olhem a que ponto chegamos: um profissional, delegado de Polícia Federal, está correndo o risco de perder essa condição porque ousou aprofundar uma investigação que alcançou os poderosos. Eu me lembro de um episódio que envolveu um procurador da República, o Dr. Luiz Francisco de Souza, sobre quem ninguém mais ouve falar, praticamente. Ele, numa determinada época, como procurador da República, diligente que é, começou, cumprindo a sua função, a investigar tantos poderosos que quase também foi destituído da condição de procurador da República. Foi ameaçado, intimidado – e, obviamente, reprimido, desistiu de seguir pelo caminho do enfrentamento. Agora, vemos a situação do Dr. Protógenes Queiroz. Na época, esta Casa, por minha iniciativa, conferiu a Medalha Tiradentes ao procurador da República Luiz Francisco de Souza, como já concedeu ao Dr. Fausto de Sanctis, juiz federal em São Paulo, e ao delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal. Venho a esta tribuna para manifestar o meu inconformismo. É duro verificar que um servidor público dotado da autoridade policial, com a competência de fazer investigação, recebe uma tarefa oficial, realiza essa tarefa com proficiência e, de repente, passa a ser vítima de uma trama que pode culminar com sua demissão. Vamos esperar, vamos acreditar que tal absurdo não venha acontecer. Porque, se, porventura, houver a consumação daquilo que já se insinua, todos os delegados federais estarão intimidados, estarão desencorajados para a realização de qualquer investigação. E, aí, estaremos praticamente com tudo perdido. Os poderosos protegidos, os criminosos de colarinho branco sem qualquer possibilidade de alcance, e os representantes no Estado, as autoridades policiais acuadas. De qualquer maneira, fica aqui a minha solidariedade, especialmente ao Dr. Protógenes Queiroz, esperando eu que a Associação Nacional dos Delegados de Polícia, a representação dos delegados federais possa se manifestar. Não é possível que haja o silêncio. Estou, inclusive, buscando contato para verificar. Afinal de contas, onde está a entidade representativa, quando um integrante da categoria sofre esse tipo de perseguição? Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Gilberto Palmares) – Ao mesmo tempo em que convido o nobre Deputado Comte Bittencourt a ocupar a tribuna para a sua intervenção de dez minutos, registramos aqui com alegria a presença nas galerias de uma série de alunos e alunas. Não sei qual é a escola, mas, de nível médio, que se encontra aqui nas dependências da Alerj assistindo as intervenções dos Deputados. Deputado Comte Bittencourt.
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho tratar de uma questão que considero extremamente relevante e que deve ser motivo de alguma reflexão por parte de todos os parlamentares. É uma questão aparentemente singela que envolve a área da Segurança Pública. Quero dizer que, talvez sob o descuido do Secretário de Estado de Segurança Pública, estamos vivendo um grave conflito entre a Polícia Civil e a Polícia Militar. O confronto que pode ser percebido através de diversos fatos. Primeiro, quando um policial militar é assassinado, qualquer um, imediatamente aparece uma entrevista do delegado da circunscrição, alimentando a hipótese de o policial militar assassinado estar vinculado à prática de qualquer ilícito. E a expressão que vem é: “seria” ou “teria”, sempre no condicional. Por outro lado, sei que as divergências se aprofundam pela pretensão que tem a Polícia Militar, institucionalmente falando, e pela atuação de alguns de seus integrantes, de se utilizar do chamado ‘termo circunstanciado’, para levar ao juízo os ilícitos de pequeno impacto, sem a necessidade da intervenção da delegacia da área. Há também uma disputa curiosa, mas que representa uma espécie de desvio de função das duas instituições policiais: as operações policiais de grande vulto. Embora seja uma atribuição quase específica da Polícia Militar, que tem se desviado, porque tem dado quase exclusividade às operações policiais de grande vulto, deixando de realizar o policiamento ostensivo normal. A mesma coisa a Polícia Civil: substitui a investigação criminal pela rotina das operações policiais de grande vulto. E, curiosamente, em sendo uma polícia de investigação, age uniformizada. Não sei, isso me surpreende porque eu não percebo, analisando as polícias no mundo inteiro, o setor responsável pela investigação agir uniformizado. Todo esse confronto, todo esse conflito acontece sem que o Secretário de Estado de Segurança Pública, Dr. José Mariano Beltrame, tome as providências devidas para que haja uma harmonização. Ou seja, cada instituição cumprindo o seu papel constitucional: a Polícia Militar fazendo o policiamento ostensivo, o policiamento preventivo; e a Polícia Civil, a investigação criminal. E aí, em havendo entrosamento, certamente a população do Estado estará recebendo melhores serviços de segurança. Nem estou cuidando aqui das condições de vida dos policiais todos, como baixo salário, jornadas do trabalho escorchantes. Não. Estou cuidando do conflito existente hoje e que precisa ser superado. Mas aí surge uma deliberação do governo, na Secretaria de Segurança, relativa ao banco de informações, troca de informações, ao acesso às informações, assim como assim como surge no noticiário a afirmação de que o Chefe de Polícia, Dr. Gilberto, teria ficado contrariado, se posicionando contra a criação dessa central de informações, acessível a diversas outras forças policiais. Foi substituído, perdeu a Chefia da Polícia e, o que prevalece, é essa afirmação. Mas o que deve ser motivo de reflexão, na minha avaliação: a partir da substituição, quando assume um novo chefe de polícia – o Dr. Allain Turnowsky, para quem desejo todo sucesso – vêm as críticas ao antecessor de que, agora, a Corregedoria será mais ágil! Que, agora, isso e aquilo...tudo vai funcionar melhor! Então, a impressão que fica é de que antes estava ruim; antes não estava bom e a substituição poderia, entre aspas, ser considerada uma substituição de rotina, porque o Dr. Gilberto permanecerá nos quadros da Polícia Civil; a ele será deferida outra atividade. Mas ele poderia e deveria, se houvesse o mínimo de cuidado, o mínimo de respeito à própria instituição policial, ter recebido um outro tratamento, porque dentro de um mesmo governo, se o sucessor assume com críticas tão profundas ao antecessor, como acreditar nas afirmações feitas há dias - ou a partir do início do governo - de que a Polícia Civil passava por um período até glorioso, avançando e se modernizando?
No momento da substituição, as
críticas mais rigorosas são feitas, para justificar a substituição. E isso ainda
tem reflexo na própria insegurança da população. O Dr. Gilberto é substituído, as críticas são feitas, e o novo chefe de polícia certamente será criticado na hipótese de, no futuro, haver sua substituição. E aí vem o caso do comandante da Polícia Militar.
Houve a substituição de um e – como
forma de equilibrar, para não dizer que assumiu a posição em defesa de uma das
partes – tem que haver a substituição também do outro.
E a manchete no jornal, ainda para
contribuir com uma eventual substituição do comandante: o Coronel Pitta estava
“isolado”. O jornal “O Globo” exibe a fotografia, sem mencionar que as presenças no desfile de ontem eram quase as mesmas de anos anteriores. O governador não tem vindo. Desde o início do governo ele não veio, tem outros afazeres. Considera a solenidade até um pouco esvaziada, acabaram com o desfile. O governador não tem vindo; o secretário de Segurança veio a uma e não veio a outra, mas nunca houve tal observação. Guardadas as devidas proporções, a demonstrar a ingerência maldosa da mídia, é o que houve com o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Vivia às turras com o Presidente dos Estados Unidos, George Bush. Quando Obama assumiu, ele continuou criticando o “império americano”. Quando chega a reunião ampla de chefes de Estado, em que ele se comporta de uma maneira que deveria ser, pelo menos pelo critério anterior, elogiada, aparece a manchete: “Beijando a mão do império”. Foi esta a manchete do jornal O Globo. Quer dizer, se chegasse lá e denunciasse, a manchete seria: “Está querendo aparecer, está querendo isso ou aquilo.” Como agiu da maneira como era exigida ou esperada antes, vem a diminuição: “Beijando a mão do império”. Sr. Presidente, voltando às instituições policiais, eu não tenho possibilidade de influir, e mesmo que tivesse não o faria, na escolha de quem vai ser o chefe de Polícia, de quem vai ser o comandante-geral da Polícia Militar. Sempre que alguém assume tal responsabilidade, eu torço para que se saia bem, que consiga realizar um bom trabalho. Mas venho a esta tribuna para alertar: não é possível perseverar nesse conflito existente entre a Polícia Civil e a Polícia Militar e vice-versa. O Secretário de Segurança, Dr. José Mariano Beltrame, tem a obrigação de cuidar desse entrosamento como prioridade. E por que digo como prioridade? Porque quem perde é a população. Os profissionais da segurança pública, cada um na sua instituição, paga um preço diferenciado. Mas, obviamente, a segurança pública é alcançada, fazendo com que a população perceba e acolha com muito mais preocupação os serviços prestados pelos profissionais da área.
Que o Dr. Mariano Beltrame procure
imediatamente superar esse confronto, esse conflito, de modo que os
profissionais da segurança pública possam trabalhar com mais segurança e com
mais tranquilidade, obviamente oferecendo mais garantias, mas tranquilidade e
mais segurança a toda a população.
Cento e noventa e sete toneladas em três meses. Além do crime hediondo, certamente estamos diante de uma forma concreta – vou usar uma expressão – de terrorismo. Porque gera um pânico tal, fazendo com que qualquer pessoa, no momento de adquirir um medicamento, e o fazendo na rede regular de farmácias a pessoa passe a duvidar. É de se imaginar uma pessoa que está tratando um câncer. No momento de ingerir um medicamento, ela é possuída da dúvida: será que esse medicamento é falso? É inócuo? E ainda há algo muito mais trágico. Levantamentos feitos demonstram que o número de pessoas mortas, e no caso do câncer, pessoas que estavam sendo medicadas, triplicou. E aí, se houver a verificação em relação a outras doenças... Diabetes é uma doença que vai mutilando as pessoas. A pessoa vai perdendo partes do corpo. Então, várias farmácias, certamente não todas, já foram fechadas. Estou buscando informações sobre as informações que foram fechadas no Rio de Janeiro. Mas eu fiquei meditando, durante o dia de hoje, sobre a medida, sobre a ação que podemos esperar ou que a população pode esperar da Assembléia Legislativa. Qual seria o papel a ser cumprido por esta Casa de modo a dar uma contribuição na apuração do caso, mas ao mesmo tempo para procurar dar certa tranqüilidade às pessoas que se utilizam de qualquer medicamento? As pessoas que têm necessidade de um tratamento continuado. Nem me atenho às pessoas possuídas de um determinado mal e que aquilo pode ser superado em pouco tempo, mas às pessoas que têm doenças crônicas, como essas pessoas podem sobreviver? Como? Tendo um mínimo de tranqüilidade diante do pânico. Temos a próxima semana que ainda é uma semana que teremos dificuldades de funcionamento no Parlamento, embora a Casa estará aberta e funcionando, cheguei a imaginar, e vou fazê-lo, propor a criação de uma comissão parlamentar de inquérito, que é um instrumento pelo menos mais ágil e mais contundente que a Casa dispõe. É uma situação de tamanha gravidade que chega também a nos deixar perplexos diante do que fazer. É um abuso, um absurdo, eu não sei qual o adjetivo mais apropriado a esse procedimento criminoso: falsificar medicamentos! Olha! Tem lá disfunção erétil. Eu fico a imaginar também esse tipo de situação: tomou o medicamento, movido por grande euforia e, no momento da realização, da consequência...Então, é assim desumano, inominável, inominável! Sr. Presidente, portanto, quero manifestar a minha repulsa a esse tipo de procedimento, a minha solidariedade às pessoas que, já vitimadas pela doença, agora são mais uma vez vitimadas, na medida em que perdem a segurança ou tomam medicamentos que não produzem os efeitos desejados. Ao mesmo tempo, comunico à Casa que vou começar a recolher as subscrições necessárias à realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para que possamos, em relação ao Estado do Rio de Janeiro, ver a extensão do mal causado e, ao mesmo tempo, colaborar com a Receita Federal, com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e com a própria população do Rio de Janeiro. Vamos ver as consequências para que todos os responsáveis, todos os envolvidos seja alcançados, porque também não é razoável aceitar que qualquer farmácia ou rede de farmácias possa estar vendendo medicamentos sem a certificação para maximização dos lucros; o objetivo é o dinheiro. Então, quero isso, Sr. Presidente: em homenagem às pessoas que são as mais atingidas por esse tipo de calamidade, é que vou propor a Comissão Parlamentar de Inquérito. Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS - Em primeiro lugar, agradeço a V. Exa. por ter me permitido ser o primeiro orador desta tarde. Venho à tribuna para tratar de um fato ocorrido no Estado do Rio de Janeiro que envolve um interesse muito grande da população e, ao mesmo tempo, uma categoria profissional de estrema relevância. Quero falar dos trens urbanos, dos problemas ocorridos na SuperVia e que culminaram com a demissão, segundo noticiam os jornais, de quatro trabalhadores. Como presidente da Comissão de Trabalho, e antes como presidente da Comissão de Servidores Públicos, realizei nesta Casa várias audiências públicas mobilizado pelo Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários. Em todos os momentos, todos, sem exceção, representantes do Sindicato se manifestaram preocupados com as condições de trabalho, aliás, em inúmeras oportunidades, muito mais preocupados com a segurança da população, com as condições de trabalho do que propriamente com reivindicações para a categoria. Cheguei, inclusive, Sr. Presidente, a acompanhar a representação sindical em diversos trechos da ferrovia, verificando as péssimas condições de trabalho, as dificuldades enfrentadas para o desempenho da profissão de modo a alcançar uma boa prestação de um serviço público essencial. E agora os ferroviários estão em greve fazendo reivindicações justas, mas acima de tudo, denunciando os riscos a que a população vem sendo submetida em função do descaso, como as questões inerentes à segurança, incluindo a falta de pessoal. E aí alguns trabalhadores foram pilhados numa ação obviamente reprovável, inaceitável, porque alguns passageiros que se movem a partir de uma conduta também reprovável, não permitem que as portas sejam fechadas se submetendo a riscos, e não apenas isso, expondo ao risco os demais passageiros. Muitos fazem surfe na parte superior do teto do trem e a direção da empresa transfere a responsabilidade da disciplina no trem para os seus trabalhadores da área de segurança. E vimos aquele espetáculo sob todos os aspectos, lamentável. Não acredito que ninguém, em sã consciência, possa acreditar que a direção da empresa não tivesse conhecimento daquele procedimento. Eu admito até que houvesse cobrança para alcançar resultados, qualquer que fosse o procedimento. O que verificamos no sistema do metrô? O metrô só se movimenta com as portas fechadas. Todos que estão no metrô, quando algum passageiro está obstruindo o fechamento das portas, quem se mobiliza para disciplinar ou alertar são os próprios passageiros. Mas no trem, não. No trem, os trabalhadores da segurança são apontados como responsáveis. Se o trem atrasar – há casos inclusive de atraso porque o servidor da segurança não consegue disciplinar e o trem deixa de sair ou sai oferecendo risco –, quem é punido, quem é advertido é o próprio funcionário, é o próprio servidor. Sr. Presidente, para aqueles que compreendem as dificuldades dos trabalhadores e para aqueles que simultaneamente também defendem os direitos humanos, os direitos da população, os direitos do cidadão, é uma situação de grande conflito, de muito conflito. É uma concessão pública, um transporte que precisa recuperar o seu prestígio e conduzir muito mais passageiros. Temos dados que indicam que quando a população do nosso Estado correspondia a 65% da de hoje os trens urbanos transportavam aproximadamente 1,2 milhão de passageiros/dia. Se hoje há dificuldade de se transportar 400 mil passageiros/dia, fica demonstrado como essa modalidade de transportes foi sendo precarizada exatamente em função do transporte rodoviário, que polui, que inferniza o trânsito, que atrasa a vida das pessoas. Sr. Presidente, não basta apenas, como forma de silenciar ou de satisfazer a opinião pública, demitir os trabalhadores, que eu vejo, nesse caso, como igualmente vítimas, porque são chefes de famílias que foram premidos a um comportamento com a ciência da direção da empresa e, agora, perdem os seus empregos. Não posso, de forma alguma, é óbvio, justificar o procedimento. Mas, pela Comissão de Trabalho, eu estou organizando uma audiência pública e vou fazê-la em conjunto com a Comissão de Transportes e com a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, para que possamos, aí sim, identificar a natureza do problema. No meu caso específico, não é nem identificar, é ratificar, é reconhecer, porque conhecimento eu já tenho. Não foram poucas as vezes em que fui à direção da SuperVia para levar os pleitos dos trabalhadores, até porque a direção da empresa não tem com a representação sindical um relacionamento mais democrático. Age com a maior truculência, talvez a mesma truculência experimentada pelos passageiros que foram vitimados pela ação da segurança ou de alguns membros da segurança da SuperVia. Os trabalhadores estão em greve reivindicando direitos e melhores condições de vida, mas estão reivindicando também, em homenagem à segurança da população, melhores condições de trabalho e que a SuperVia possa dotar o sistema de melhores condições de funcionamento. Para encerrar, Sr. Presidente, cheguei a constatar que, nos inúmeros trechos da malha ferroviária desativados, a SuperVia retirava trilhos já usados, dormentes já usados para a reposição em outros trechos onde os trens estão trafegando. Então, Sr. Presidente, quero aqui – e sei que é muito difícil, é muito duro – manifestar a minha solidariedade aos trabalhadores ferroviários do nosso Estado porque eles, sim, não estão preocupados com o lucro, estão preocupados com a sobrevivência digna e com a prestação de bons serviços à população. Muito obrigado.
“Não há, na ética ou na lógica, argumentos em favor da terceirização dos serviços públicos. Trata-se de demissão dos deveres e responsabilidades do Estado, seja por comodidade dos governantes, seja pelo interesse criminoso em enriquecer alguns privilegiados, quase sempre associados às autoridades que os contratam. O sistema era comum nas monarquias, e ainda mais grave nas monarquias absolutas, que chegavam a leiloar cargos que a corrupção fazia altamente rendosos, como os de juízes. A prodigalidade dos reis, que se consideravam os donos de seus países e do destino dos súditos, era comum na concessão direta dos privilégios e na remuneração da ociosidade da nobreza.
Contra tal descalabro é que se
fizeram as grandes revoluções republicanas do século XVIII...”
Em outro trecho continua Mauro
Santayana: “...A idéia de República é a da igualdade, do bem comum. Não são do espírito republicano os privilégios que hoje conhecemos. O que era inerente às monarquias, principalmente às absolutas, constitui aberração nas sociedades republicanas. Entende-se que os governantes ditatoriais que infestaram o Terceiro Mundo não são republicanos: estão à margem do Direito e não são coisa alguma a não ser tiranias criminosas. Daí o absurdo da compra de trabalho pelo Estado mediante intermediários. Podemos admiti-la nas relações econômicas privadas, ainda que lembre o aluguel de escravos durante o Império. Mas o Estado não pode alugar trabalhadores. Do ponto de vista moral é inconcebível, e inaceitável do ponto de vista administrativo. Informações da imprensa revelam que uma merendeira de escola primária em São Paulo recebe, líquido, salário no valor de R$500,00, e o erário paga ao intermediário quatro vezes mais. Ainda que o lucro dessas empresas fosse de apenas 10% ou 20% - e é muito mais -, trata-se de exploração suplementar do trabalho alheio”. Eu trago este artigo, Sr. Presidente, para abordar a permanência, a insistência da terceirização, através de formas as mais sofisticadas. Pretendem alguns - e estão conseguindo - a apropriação do serviço público, do dinheiro público, da gestão pública. Estamos, nesta Casa, apreciando uma Mensagem do Governo, reproduzida pelo prefeito da Capital, sendo apreciada na Câmara de Vereadores: as organizações sociais. Num primeiro momento, já incorporando outra Mensagem do Governo, nós temos a área da Cultura na bacia das almas, a área da Cultura, incluindo o Theatro Municipal, todos os demais teatros públicos, inclusive a escola, uma escola pública para formação de atores, músicos. Afinal de contas, o que pretende o governo? E aí, Sr. Presidente, eles ainda inserem no texto da Mensagem do Governo que tais instituições são organizações sociais civis de interesse público. Eles ousam! Eles ainda colocam “sem fins lucrativos”. Mas como “sem fins lucrativos”? Muitos conhecem as chamadas entidades mantenedoras que administravam e administram as universidades privadas, “sem fins lucrativos”. Todos aqueles que montaram universidades enriqueceram, mas elas eram “sem fins lucrativos”. E mais, universidade privada, hoje, foi transformada em franquia: vende o projeto. Então, nós temos as representações de várias universidades em muitos pontos do nosso Estado. Eles vendem a marca, como se fosse o Bob’s, o McDonald’s. É a franquia. Veja que coincidência, Sr. Presidente, eu já estava preparado para fazer este pronunciamento, muito mais para homenagear a lucidez do nosso Mauro Santayana, que conheço pessoalmente, com quem convivi durante os trabalhos da Constituinte, já que Mauro Santayana era um homem muito diligente e prestava assessoria, era uma espécie de consultor obrigatório daqueles que defendiam o interesse nacional. E aí, Sr. Presidente, recebo , hoje, um documento e estou mandando buscar os originais na medida em que há a informação de que já há uma representação no Ministério Público Estadual, através do Registro 9662, na 7ª Promotoria. Eu vou mandar buscar a cópia do original, mas há a transcrição de alguns dados que são extremamente importantes para que os parlamentares desta Casa possam avaliar os propósitos daqueles que pretendem a privatização, dar continuidade a esse processo de Estado nenhum, não é nem Estado mínimo, a partir da cultura, a partir do Theatro Municipal. Vêm denúncias graves que precisam ser apuradas por esta Casa, não simplesmente através, ou única exclusivamente, do Ministério Público. Mas, diz aqui, vejam bem, que através da Lei Rouanet, eles se apegaram à lei e servidor público, utilizando a instalação pública, tirando proveito pessoal. Fala de uma contratação da... Deixe-me ver o nome da pessoa, são R$ 60 mil, valor aprovado pela Lei Rouanet e patrocinado pela Petrobras para a direção da ópera Carmen, realizada em dezembro de 2007 no palco do Theatro Municipal; R$ 20 mil, pela lei estadual de incentivo à cultura e patrocinado pela Michelin, para a concepção do Stabat Mater, concerto de abertura da temporada 2008, também no palco do Theatro Municipal. E quem se beneficiou disso? Segundo a informação que aqui traz, a ex-diretora Carla Camurati. Mas vem também a contratação do Sr. Roberto Minczuk, que é diretor artístico, e também maestro titular da Orquestra Sinfônica da Fundação Theatro Municipal, para reger o concerto de abertura da temporada 2008, no palco do próprio Theatro Municipal, recebendo um cachê de R$ 30 mil - Lei Estadual de Incentivo à Cultura, patrocinada pela Michelin. É preciso dizer que esse patrocínio pela Michelin não significa que a Michelin tenha efetuado o pagamento. Isso aqui representa renúncia fiscal. Quem pagou foi a sociedade. Isso aqui pode significar abatimento no ICMS, são assim benefícios para a própria patrocinadora. Mas vêm também os afastamentos do diretor artístico do Theatro Municipal. O mesmo maestro se afasta para fazer programações no exterior e continua sendo remunerado pelo Theatro Municipal. Aí vem a contratação de uma assessora da presidência: Cica Modesto, como cenógrafa da ópera Carmen, também realizada em dezembro de 2007, no palco do Theatro Municipal, recebendo R$ 15 mil, valor patrocinado pela Lei Rouanet e pela Petrobras. Vem também, a mesma, recebendo R$ 30 mil da Lei Rouanet, patrocínio da Petrobras. Têm outros casos aqui: assistente da presidência, Mônica Diniz, recebe três mil, além do salário, como complementação salarial. O assessor da presidência, Oscar José, cinco mil além do salário. São essas mesmas pessoas: diretor artístico, Roberto, recebe sete mil além do salário. É pagamento de cargos comissionado, com recursos que são públicos. São eles, são essas figuras que estão, Sr. Presidente, tudo fazendo para que as organizações sociais assumam a gestão da Cultura, não só do Theatro Municipal, mas de toda a Funarj. São as mesmas, obviamente junto com a Secretária Adriana Rattes. Ana Maria é uma grande companheira, com quem convivi na Assembleia Nacional Constituinte. Sr. Presidente, esta denúncia foi encaminhada ao Ministério Público, está com o procurador de justiça, Promotor público Dr. Rogério Pacheco Alves, que enviou ofício ao Tribunal de Contas em outubro de 2008. Reiterou em dezembro último e ainda não obteve resposta. Nós vamos buscar esclarecer todos esses fatos. Vamos esclarecer todos, porque não é possível isso acontecer. Tomamos conhecimento desses fatos e sabemos da importância do Theatro Municipal, que completa 100 anos em obras, quando o correto seria que tivesse sido recuperado no ano passado. Agora, ao completar 100 anos, estaria demonstrando para toda a população brasileira a sua importância, o valor do seu corpo artístico, o valor dos seus funcionários, o valor dos seus servidores públicos. Mas está o Theatro Municipal em obras e sendo preparado para ter a gestão nas mãos de figuras aproveitadoras, que não têm qualquer compromisso público. De qualquer maneira, Sr. Presidente, aproveitei a oportunidade de tratar das organizações sociais civis, que dizem ser de interesse público e sem fins lucrativos, para aduzir as denúncias envolvendo figuras conhecidas do Theatro Municipal e que fazem coro para este processo de privatização da gestão da coisa pública na área da cultura. Estou convencido, já que há uma resistência muito grande aqui na Casa, a partir da própria base do governo, de que, com tais esclarecimentos, aí mesmo é que teremos o sepultamento definitivo desta iniciativa do Governador. Precisa ele mesmo, o Governador Sérgio Cabral, ser alertado, porque é inaceitável que esta Casa patrocine uma causa tão espúria. O Governador pode, em sendo alertado, retirar esta mensagem. Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, ontem tive a oportunidade de me reunir com vários servidores públicos e tomei conhecimento de algo sobre o que, inicialmente, me recusei a acreditar. Informaram-me os servidores que o RioPrevidência está cortando dos proventos da aposentadoria dos servidores que se aposentam as gratificações a que faziam jus no período de atividade, inclusive a insalubridade. Fiquei surpreso e me recusei a acreditar, fazendo, naturalmente, a solicitação para que me trouxessem os comprovantes. Hoje recebi dois contracheques de uma mesma servidora, sendo o último do período em que ela estava no serviço ativo e o primeiro já com os proventos sendo pagos pelo RioPrevidência. Primeiro, constato ser verdadeira a afirmação relativa à supressão das gratificações quando da transformação da remuneração em proventos da aposentadoria. Então, já fica aqui registrada essa denúncia na expectativa de que o RioPrevidência, que é subordinado à Secretaria de Administração e Reestruturação, corrija tal erro. O aposentado cumpriu todo o período, na sua vida útil de trabalho, fazendo jus à aposentadoria integral, ainda mais uma servidora que recebia um total de ganhos de R$ 796,00 – aposentada por tempo de serviço; com os descontos indevidos, passou a ter como proventos R$ 443,00, total de ganhos. Não sei se o Secretário, que, segundo me informaram, também é servidor público, ou o Presidente do RioPrevidência, que é funcionário da Caixa Econômica Federal, suportariam esse tipo de perversidade se vítimas dela fossem. Sr. Presidente, no contracheque da servidora eu constato um drama adicional que eu sei que alcança inúmeros outros servidores: ela tinha consignados em sua folha de pagamento três descontos para o BMG, um Rural Empréstimo e outro para a DV Financeira. Isto é, era uma servidora que já atestava a sua penúria buscando resolver os seus problemas, ou agravando os seus problemas, tomando empréstimos aqui, outro ali nas quitandas financeiras que adquiriram o direito da consignação em folha de pagamento para a certeza do recebimento dos empréstimos feitos pelos servidores. Aliás, para beneficiar essas quitandas financeiras até a margem consignável, para estrangular ainda mais o servidor pessimamente remunerado, até a margem consignável foi elevada. A servidora, com os descontos todos, recebia R$ 473,00 líquidos e passou a receber, líquidos, R$ 223,00. É assim que ela tem que sobreviver, o que demonstra não apenas a situação de aviltamento vivida pela maioria esmagadora dos servidores públicos no nosso Estado mas também a perversidade incorporada ao procedimento dos gestores, que deveriam cuidar com muito mais atenção e consideração daqueles que se aposentam. Fica esta denúncia, esperando que na próxima semana o Presidente da Comissão de Servidores Públicos, já tendo sido aprovado um requerimento meu de convocação do Secretário de Administração e Reestruturação, venha com ele também o Presidente do Rio Previdência. Sr. Presidente – é outra denúncia –, em ambos os casos eu vou ao Ministério Público. Mas agora recebo também o contracheque de um médico do Iaserj que recebe uma remuneração bruta de R$ 1.609,00, como está aqui. Tenho aqui também o recibo de um outro médico recebendo por uma das cooperativas contratadas pelo Estado, a Coopinter – Cooperativa de Integrações Residenciais e Apoio Hospitalar –, o vencimento bruto de R$ 7.500,00. Significa o seguinte: um médico concursado que não tem plano de cargos, carreiras e salários, recebe remuneração bruta de R$ 1.609,00 e um médico da Cooperativa recebe R$ 7.500,00 – eu nem sei se ele recebe esse valor, mas é o que consta como pago pelo Estado à Cooperativa. Diante de tamanho absurdo encaminharei esses documentos ao Ministério Público. Mas antes vou encaminhar ao Secretário de Saúde um requerimento de informações. Quero saber quantas cooperativas estão contratadas, quantos servidores são contratados por cada cooperativa, o cargo e a remuneração. Porque, se porventura um médico do Estado recebesse vencimento bruto de R$ 7.500,00 o que, naturalmente, representaria também melhorias de remuneração para todos os profissionais da área de Saúde, teríamos outra realidade em nosso Estado. Como o governador assumiu o compromisso na campanha eleitoral de implantar o plano de cargos, carreiras e salários para os profissionais da Saúde, temos aqui a comprovação de que existe dinheiro em caixa, mas que está sendo aplicado em prioridades outras que não o interesse da população. Muito obrigado.
Nós, que estamos aqui no Brasil, somos forçados a indagar como, estando o Brasil entre as principais economias do mundo, o povo brasileiro pode ser detentor de uma das maiores dívidas sociais também do planeta, já que a maioria esmagadora da população enfrenta todas as agruras. E, na reunião do G 20, sob a liderança dos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Alemanha, França e outros, apresentaram a proposta de enfrentamento dos chamados paraísos fiscais. Seria algo digno de credibilidade, se a Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e França etc. não fossem os maiores controladores dos paraísos fiscais, que servem de estuário para os recursos auferidos pelo crime organizado, incluindo aí o tráfico de entorpecentes e todas as fraudes e corrupções existentes também no planeta, incluindo o Brasil. Na verdade, eles estão tentando, com recurso público, recuperar o sistema que eles próprios elaboraram, levando-nos, obviamente, à conclusão de que o que existe é um novo expediente para retirar dos cofres públicos de todos os países recursos que deveriam ser investidos para a superação dos problemas enfrentados pela população. Aí, surge algo que tem sido motivo de regozijo para algumas figuras, até para a parcela da população brasileira: o Presidente dos Estados Unidos disse que o Lula é “o cara”, que o Lula é “um boa-pinta” e “o político mais popular do mundo”. Diante dessa afirmação, e logo depois ter o Presidente Lula afirmado que “doar dinheiro para o FMI, para o Fundo Monetário Internacional, é chique”, lembrei-me de uma fábula. Durante um tempo de minha vida li muitas fábulas, principalmente as de Esopo e de La Fontaine. Lembrei de O Corvo e a Raposa, de La Fontaine. O corvo, uma das aves mais feias da floresta, cujo canto é um dos mais desastrosos, tinha preso ao seu bico um cheiroso queijo. A raposa, vendo o queijo no bico do corvo, começou a elogiá-lo, dizendo-lhe que era a ave mais bela da floresta, que tinha também o melhor canto, e que ela, a raposa, tão enfeitiçada pela beleza, gostaria de ouvir. O corvo, acreditando em todos os elogios que vinham da raposa, começou a cantar. Mas, para isso, deixou cair o queijo. E era exatamente esse o objetivo da raposa. A raposa pegou o queijo e disse para o corvo: “todo bajulador vive na dependência daquele que o escuta”. O presidente dos Estados Unidos representa, nesse episódio com o Presidente Lula, a raposa; e o Lula, certamente, o corvo, porque não há razão plausível e aceitável para que o presidente dos Estados Unidos, ainda sendo o maior império do Universo, vá dedicar tantos elogios ao presidente Lula, salvo para embutir interesses que, em sendo atendidos, vão subordinar ainda mais o nosso país às potências hegemônicas, à política internacional dos Estados Unidos, o que já está em curso, mas vai ser acentuado. O Brasil continua leiloando nossas bacias sedimentares, entregando o nosso petróleo e, como pagamento à vista e pagamento imediato, o presidente da República aceita contribuir com a ‘sacolinha’, ou ‘sacolão’, do Fundo Monetário Internacional. Até pouco tempo atrás, o Fundo Monetário Internacional assimilou o ódio de muitas nações. Aqui no Brasil, o slogan que ouvíamos sempre na rua era: “Fora daqui com o FMI!” Aliás, o próprio presidente Lula adiantou o pagamento de dívidas que o Brasil tinha com o FMI, com o dólar a R$ 3,00. Adiantou e, um ano depois, o dólar caiu para pouco mais de R$ 1,50. Pagou na alta! Sr. Presidente, venho manifestar a minha indignação e desta tribuna levantar uma voz de reprovação a essa farsa. Nem o Lula é ‘o cara’, nem o Lula é ‘boa-pinta’ e nem o Lula é o ‘político mais famosos do planeta’! Portanto, acolher essa superficialidade e capitular diante das exigências do capitalismo mundial é algo que não pode atrair as pessoas adultas, as pessoas que têm compreensão da realidade, daquilo que acontece em nosso país e da realidade que acontece com esse sistema financeiro ou com essa ordem econômica internacional. Pretendem mandar mais tropas para o Afeganistão. Vai ser um novo Vietnã, ou um novo Iraque, porque o complexo industrial-militar continua patrocinando a hegemonia com que as potências hegemônicas conduzem o interesse dos povos. Então, que o presidente Lula, cuja origem talvez esteja marcada pela submissão e pela pobreza, pelo menos saiba se colocar à altura do cargo para o qual foi duas vezes eleito - de presidente de um país que, com quase 200 milhões de habitantes, ainda vê parcela expressiva do povo vivendo na mais aguda miséria. Ele não pode, de forma alguma, deixar-se seduzir e contribuir para a ‘bolsa-fraude’ do FMI. Muito obrigado, Sr. Presidente.
Dizer que pretendia o Presidente João Goulart fazer uma reforma importante na educação, a começar pela erradicação do analfabetismo. Pretendia também fazer uma verdadeira reforma agrária, começando pela desapropriação de terras às margens das rodovias e das ferrovias, de modo a fazer com que a reforma agrária não significasse apenas a titulação de propriedades, mas, acima de tudo, viabilizando a produção agrícola através da perspectiva maior do escoamento da produção.
Dizer também que na reforma
agrária de Jango havia o privilégio para a produção de alimentos vedada
à exportação. Porque pretendia também erradicar a fome em nosso país.
A bem da verdade, a ditadura pós-64 – e hoje, 1º de abril, é o dia consagrado à mentira – não representou nenhuma contribuição para o desenvolvimento de nosso país. Ao contrário, a ditadura subordinou os interesses nacionais, inclusive a partir do endividamento externo, aos interesses das potências hegemônicas, em especial os Estados Unidos. Hoje, ainda há muitos lares em pranto, porque muitas vítimas da ditadura não puderam sequer ser sepultadas, pois os corpos estão desaparecidos. Pois não, Deputado Rodrigo Neves. O SR. RODRIGO NEVES – Deputado Paulo Ramos, queria me somar com o pronunciamento de V.Exa. O registro do dia 1º de abril de 1964 é importante. V.Exa., como um grande democrata, uma das lideranças do processo da Constituinte de 1988, que mais defendeu os direitos sociais, defendeu tão brilhantemente o Estado do Rio de Janeiro e a nova Constituição, no sentido da democracia, é importante fazer esse registro no dia de hoje. Assim, as novas gerações, aqueles que não viveram o período sombrio da ditadura – aí me incluo, porque já sou fruto da geração do Brasil democrático, desse período mais largo da democracia brasileira que vivemos –, poderão fazer memória, fazer um registro da história sombria do regime de exceção da ditadura, que se iniciou no dia 1º de abril de 1964. Acho que vivemos um novo momento no Brasil, onde inclusive setores majoritários das Forças Armadas percebem que realmente não é possível a convivência em um país com regime de exceção. Por isso, parabéns pelo pronunciamento, pelo registro de V.Exa.! Que possamos estar cada vez mais juntos, irmanados na defesa da democracia brasileira, da ampliação da democracia brasileira, com a garantia real da democracia no plano social e no plano das reformas que se fazem necessárias para ampliar a democracia política brasileira. Parabéns ao pronunciamento de V.Exa.! O SR. PAULO RAMOS – Eu agradeço, Deputado Rodrigo Neves, e aproveito o aparte de V.Exa. para abordar um aspecto vinculado ao golpe de 64. Convencionou-se no Brasil dizer “a ditadura militar”, mas é preciso registrar que foram muitos os militares que resistiram ao golpe, foram muitos os militares que não se conformaram com a participação das Forças Armadas num golpe que se distanciava dos interesses maiores do povo brasileiro. Foram cassados pela ditadura, perderam a carreira, principalmente os militares que eram os heróis de guerra, aqueles brasileiros que, integrando as Forças Armadas, estiveram nos campos da Itália, lutando contra o nazifascismo. Com a ditadura no Brasil, se uma categoria profissional teve vários de seus quadros, ou muitos de seus quadros, penalizados porque resistiram, esta categoria está no seio das Forças Armadas. Quando falam em ditadura militar, eu me lembro desses militares e penso: foi uma ditadura conduzida por militares, mas não podemos envolver todas as Forças Armadas ou todos os seus integrantes, porque a repressão interna foi muito grande, de modo a dificultar ou impossibilitar qualquer resistência. Dizíamos que a ditadura mudou o rumo da história do nosso País. Se porventura as reformas de base tivessem sido implementadas, a nossa realidade de hoje certamente seria outra. Mas houve um órgão de comunicação que agora, 45 anos depois, e foi o jornal O Globo, resolveu divulgar, com a perversidade de sempre, tentando alcançar a honra de Leonel Brizola, documentos da ditadura, do Serviço Nacional de Informações. E, vejam que mesmo na época, de posse de tais documentos, nem os arautos ou os condutores da ditadura resolveram se valer de tais informações, porque sabiam que eram produzidas a partir da elaboração da inverdade. Mas o jornal O Globo, não. O mesmo jornal O Globo que no dia 02 de abril apresenta um editorial de primeira página: “1º de abril” – segundo O Globo – “nascia o paraíso”. Esse é o título. E o editorial demonstra de forma a mais contundente o comprometimento do jornal O Globo para com o golpe. O jornal O Globo, de propriedade do Sr. Roberto Marinho, foi o grande instrumento de apoio à ditadura, por isso o império global cresceu, cresceu não apenas através do jornal, de estações de rádio e canais de televisão alcançando o Brasil inteiro, mas através da sua participação minoritária ou majoritária nos diversos setores da economia. O Sr. Roberto Marinho foi um dos grandes beneficiários da ditadura e por isso a apoiava. Quando leio no jornal O Globo os documentos reproduzidos tratando da honra de Brizola, honra que, aliás, nunca foi alcançada, em nenhum momento, mesmo pelos opositores mais tenazes de Leonel Brizola, que nunca ousaram, nem minimamente, buscar alcançar a sua honra! Mas o jornal O Globo tenta trazer esse desserviço póstumo à história do nosso País, demonstrando claramente que ainda mantém os mesmos compromissos, ainda é o golpista de sempre e não se conforma com a democracia! Seria interessante que o jornal O Globo procurasse então o que consta nos documentos do Serviço Nacional de Informações sobre o Sr. Roberto Marinho. Certamente há de encontrar: “O Sr. Roberto Marinho é o sabujo de sempre. O Sr. Roberto Marinho é o corrupto de sempre. É o Sr. Roberto Marinho que através da ditadura vem construindo o seu império.” Isso deve estar lá, nos documentos do Serviço Nacional de Informações. Portanto, Sr. Presidente, venho a esta tribuna para dizer que nós do PDT temos consciência do papel de Brizola na história do nosso País. Nós do PDT sabemos o que significa ainda a presença viva de Brizola no cenário político nacional. Nós sabemos o significado do trabalhismo com os três nomes que servem para nós de referência: Getúlio, Jango e Brizola. Há aqueles que pensam que podem sepultá-los, alcançando a memória ou alcançando a imagem ou alcançando a honra de uma liderança nacional. Há aqueles que pensam que podem sepultar ou ocultar os seus propósitos políticos. Mas o sistema Globo continua até hoje, e no Governo Lula, sendo o grande beneficiário de tudo o que há de pior no nosso País. Eis as minhas homenagens a Leonel Brizola e a minha repulsa ao jornal O Globo e ao sistema Globo, na esperança inclusive de que os profissionais do jornal O Globo, os jornalistas, todos que lá trabalham saibam pelo menos rejeitar tais idéias e delas não sirvam de condutores, porque estarão participando de uma espécie de trama da qual o povo brasileiro sempre imagina ter se libertado. Salve Leonel Brizola! Tenho em meu gabinete uma expressão de Maiakovski falando de Lênin: “Lênin viveu, Lênin vive, Lênin viverá.” Falo a mesma coisa de Getúlio, Jango e Brizola – Getúlio que foi ao suicídio; Jango que teve uma morte suspeita, que agora começa a ser investigada, como é o caso de Juscelino Kubitschek, como é o caso da morte de Tancredo Neves; e Brizola, que conviveu nos nossos dias dando uma demonstração de apego à causa nacional, de defesa dos trabalhadores. Salve Brizola, que viveu, vive e viverá! Muito obrigado.
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