DATA

DISCURSO / FEVEREIRO

19/02/09 - Expediente Inicial

audiência pública promovida pela Agência Nacional de Energia Elétrica

18/02/09 - Expediente Inicial

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17/02/09 - Expediente Inicial

Paulo Ramos lembra Darci Riberio nos 12 anos de sua morte

12/02/09 - Expediente Final

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12/02/09 - Expediente Inicial

Vício de entorpecente, o vício é uma forma de perdição que aniquila, que anula a pessoa humana.

10/02/09 - Expediente Inicial

Venho a esta tribuna tratar de dois temas: um envolve a administração federal e o outro, a administração estadual. Tomamos conhecimento, e hoje está em todos os jornais, de que a BR-101 vai ser “pedagiada”. A população que se desloca do Rio de Janeiro para Campos enfrentará cinco praças de pedágio e, no sentido contrário, quatro praças de pedágio.

10/02/09 - Expediente Final

A Secretária tem uma trajetória que a envolve com interesses específicos na área da cultura; o que ela quer é transferir a cultura para transformá-la numa ação entre amigos

05/02/09 - Expediente Inicial

Sobre a eleição do José Sarney a presidência do Senado

05/02/09 - Expediente Final

Parabenizando Deputado Olney Botelho por estar Presidindo a Sessão

04/02/09 - Expediente Inicial

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04/02/09 - Expediente Final

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O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, compareci esta manhã à audiência pública promovida pela Agência Nacional de Energia Elétrica. A audiência era destinada a debater o reajuste das tarifas de energia elétrica para a Companhia Ampla Distribuidora, que alcança uma parcela expressiva do território do Rio de Janeiro, tendo centenas de milhares de consumidores.


Quando vi o anúncio na televisão e li em um ou outro jornal sobre a divulgação da audiência pública, imaginei que a Agência Nacional de Energia Elétrica estava estruturando uma audiência pública e mobilizando, pelos meios de comunicação, de uma forma mais geral, o comparecimento de entidades, de representações profissionais, de setores em condições de aprofundar o debate, na medida em que o tema exige até conhecimentos específicos. Em lá chegando, constatei tratar-se única e exclusivamente de um pequeno esforço simplesmente para cumprir as exigências da lei. Para que haja o reajuste das tarifas periodicamente, audiências públicas são necessárias.


Vi também que, mesmo sendo a audiência pública realizada num dia de semana, num dia útil, houve o comparecimento de algumas poucas pessoas, na medida em que o auditório, um pequeno auditório no SESC de Niterói, não estava completamente ocupado. A presença maior era de servidores da própria Ampla, funcionários da empresa. Compareceram dois Vereadores de São Gonçalo: Pericard e Miguel Moraes. A parcela pequeníssima da população que compareceu – talvez oito, dez pessoas – fazia as mesmas reclamações: contas exorbitantes, queda frequente de energia, tudo aquilo que nós nesta Casa passamos a conhecer profundamente, em especial o sistema eletrônico de medição centralizado, que ainda não está devidamente certificado pelo Inmetro.


O medidor ainda não está chancelado pelo Instituto Nacional de Metrologia. São várias as versões que foram sendo instaladas, as reclamações continuando. V. Exa., Deputado Marco Figueiredo, que preside esta Sessão, também presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito para tratar exatamente das relações da Ampla com os consumidores, tendo como núcleo o medidor, o sistema de medição eletrônica centralizada.


O SR. MARCO FIGUEIREDO – Nobre Deputado Paulo Ramos, V. Exa. me concede um aparte?


O SR. PAULO RAMOS – Pois não.


O SR. MARCO FIGUEIREDO – Lamentavelmente, esse mal da medição eletrônica tem se espalhado no nosso Estado como uma epidemia e, infelizmente, já está chegando ao 1º Distrito de Duque de Caxias através da empresa Light. Lá, o nosso Prefeito Zito, diferentemente do que ocorreu com seu antecessor, tem se manifestado ao lado da população, contrário à instalação dos medidores no 1º Distrito através da empresa Light.


Já convido V. Exa., que foi um baluarte que fortaleceu e deu dimensão a essa CPI, como relator, a estar conosco lá no dia 6 de abril, numa grande audiência pública que vai ocorrer na Câmara Municipal de Duque de Caxias. Estendo este convite a todos os nobres deputados aqui presentes, para que participem, ao lado da população de Caxias, do movimento contra a instalação da medição eletrônica no 1º Distrito através da empresa Light.


O SR. PAULO RAMOS – Estou a par dos trabalhos que vêm sendo realizados pela Light, a outra distribuidora de energia elétrica no Rio de Janeiro. A Light está instalando os medidores, mas não está ainda fazendo a medição com os medidores novos. Obviamente, está aguardando simplesmente a sinalização, que poderá partir da certificação do Inmetro, para fazer a cobrança pelo novo sistema. Está adiantando e manifestando até uma certeza, porque tem investido nisso. Há a certeza, por parte da outra distribuidora, de que o sistema vai ser reconhecido.


Niterói e uma parcela de Duque de Caxias são atendidas pela Ampla. A comunidade compareceu aqui a audiências públicas, durante a CPI, com algumas de suas representações. Houve uma participação efetiva da população nos trabalhos que antecederam a CPI e nos trabalhos da CPI. O que ficou evidente na audiência pública hoje, acontecida em Niterói, é que o poder da distribuidora é muito grande, que não obstante tudo o que foi investigado, tudo o que foi denunciado, as ações do Ministério Público Federal, são decorrentes da CPI, com informações e provas levadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito, mas apenas ainda com foco na defesa do consumidor. São várias ações.


Mas ainda estamos perseguindo outra conclusão da CPI, no aspecto criminal. Se as pessoas dependem, para uma sobrevivência digna, do consumo de energia elétrica, na medida em que uma distribuidora superfatura, cria um constrangimento. Incluímos na CPI como extorsão, na forma de extorsão. A pessoa não consegue sobreviver sem consumir energia elétrica, mas a conta, quando vem, o valor é estratosférico.


Na realidade, as coisas continuam rigorosamente no mesmo patamar em que se encontravam; o Inmetro, atualmente, tomando algumas cautelas, como desdobramento da CPI, criou uma comissão especial para acompanhar a conclusão dos trabalhos dos medidores comparadores que o Inmetro estava instalando, para que pudéssemos saber do resultado. O Inmetro nos mandou um relatório, que estamos esmiuçando. Mas já houve um fato novo, e muito interessante. O diretor de Metrologia Legal esteve aqui na comissão especial, trazendo o relatório, e nos revela algo surpreendente: que o Inmetro cuida exclusivamente do medidor, que o órgão não tem a atribuição de conhecer todo o projeto, todo o software; o Inmetro não sabe se a conta é emitida de acordo com aquilo que o marcador determina. A responsabilidade dessa fiscalização é da agência reguladora.


E como fica a população? O sofrimento humano tem sido muito grande, muito grande!


Já encerro, Sr. Presidente. Mas algo me surpreendeu: presente à audiência pública estava uma senhora que preside o conselho dos consumidores. Sei que na legislação de criação das agências reguladoras, - no processo criminoso de privatização de empresas públicas – para cada área de serviço público concedido, o consumidor tem que ter o conselho. Como nas rodovias, o conselho de usuários. No caso de Xerém, cheguei a ter uma atuação aqui na Assembléia Legislativa contra aquele pedágio que desgraça a vida da população. E em função de nossas audiências públicas aqui, foi criado o conselho de usuários da Rio-Juiz de Fora.


Mas nem poderia eu imaginar que um conselho de consumidores da Ampla já tivesse sido eleito. Organizado, como? Eleito por quem? E olhem que os trabalhos realizados nesta Casa, o enfrentamento com a Ampla foi alvo de muita divulgação nos jornais. Saíam frequentemente notícias. Como é que existe um conselho de consumidores e a direção, a presidente do conselho não buscou nenhuma articulação com a Assembléia Legislativa? Qual a razão? Afinal de contas, quais os consumidores que esse conselho representa, se a população foi para as ruas em Duque de Caxias, Magé, São Gonçalo? Houve audiências públicas nas Câmaras de Vereadores desses municípios? Não sei.


De qualquer maneira, uma coisa resultou de útil, pelo menos. Vamos agora, com a Comissão Especial, trazer a esta Casa a Presidente do Conselho de Consumidores, para saber como tem atuado e o que tem feito esse Conselho em defesa dos consumidores. Porque, se depender das relações de conivência da Agência Reguladora com a distribuidora Ampla, a população vai continuar sendo extorquida.


Muito obrigado, Sr. Presidente.

 

 

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Expediente Inicial 18/02/09

 

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, vou ser muito econômico nas palavras e quero demonstrar que vou desligar o meu telefone celular. Vou fazê-lo porque vou tratar exatamente de questões relacionadas à telefonia, que alcançou em nosso país um grande desenvolvimento. Se existe algo facilmente acessível a qualquer cidadão, este é o telefone celular. Sei que é tão fácil ter acesso à maconha, às substâncias entorpecentes, quanto é fácil ter acesso ao telefone, talvez porque as duas mercadorias já estejam alcançando um grau de equiparação. O telefone foi tão disseminado, que vem se transformando quase que numa necessidade fundamental, superando outras necessidades. Há pouco tempo aqui, na Praça XV, assisti a uma cena extremamente preocupante ou até patética: uma senhora que estava esmolando, completamente maltrapilha, falava ao telefone.
 

O telefone, portanto, está incorporado como necessidade primeira. Porém, há outro aspecto facilmente constatável, mas que não tem sido objeto de grandes preocupações. Estou falando de uma espécie de jogo de azar, de máquina caça-níquel. A Polícia Federal e a Polícia Estadual vêm apreendendo, em face da proibição, máquinas caça-níqueis instaladas em diversos locais, clandestinos ou ostensivos, não clandestinos. Em qualquer município, qualquer bairro, encontramos essas máquinas instaladas no comércio local. A população é seduzida e acaba perdendo parte de sua economia através do jogo; muitas pessoas ficam até viciadas.
 

Mas e o telefone? O telefone se disseminou de uma forma tão grande, que agora temos a profusão, especialmente na televisão, de jogos de azar, ou de uma arrecadação através da máquina caça-níquel simbolizada pelo telefone. Estamos assistindo ao Big Brother e, no momento da divulgação do resultado das apostas, o locutor diz não sei quantos milhões de ligações, não apenas por telefone, mas também via internet. Em outros canais de televisão existe a mobilização da população para participar, através do telefone, inclusive oferecendo prêmios, que se assemelham ao jogo de azar.
 

Já acompanhando essa questão, tive eu a oportunidade de aprovar uma lei que, pelo menos, obriga o apresentador do programa a divulgar o custo da ligação, para que o telespectador saiba quanto vai pagar pela participação naquele jogo, naquele programa. A situação é tão ridícula e tão abusiva, que o custo da ligação é colocado escrito na tela de forma ilegível. Não se consegue distinguir, é confuso. Está lá o custo da ligação, mas as pessoas não conseguem ler. A lei em vigor diz ser obrigação do apresentador do programa, daquele que mobiliza a participação do telespectador, dizer o custo da ligação, além da obrigação de, no vídeo, a divulgação sobre o custo estar legível. Nada disso é cumprido. Por quê? Será que, em sendo avisado a respeito do custo da ligação, o telespectador teria a mesma disposição para participar? A arrecadação da banca seria a mesma?
 

Sr. Presidente, mais uma vez, como já fiz de outras vezes, estou encaminhando uma solicitação ao Procurador de Justiça, responsável no Ministério Público pela área de defesa do consumidor – se não me engano, ainda é o Dr. Rodrigo Terra –, para que o Ministério Público tome as providências exigidas pela lei, de modo a fazer com que os poderosos controladores dos meios de comunicação, especialmente dos canais de televisão, respeitem a lei, manifestando respeito à sociedade.
 

Portanto, Sr. Presidente, minha presença nesta tribuna é para dizer que, se o jogo está proibido, se a máquina caça-níquel está proibida, qual a razão de se permitir que, de forma abusiva, sem esclarecer o telespectador, o telefone passe a se equiparar a uma máquina caça-níquel, mobilizando a população para certamente participar de um jogo de azar? Porque o susto só vem quando a conta é apresentada para o pagamento. E as companhias telefônicas, que cresceram de forma até assustadora, também são as grandes patrocinadoras de inúmeros outros programas de televisão.
 

Que haja, pelo menos, a sensibilidade e o respeito à lei. Que o telespectador seja esclarecido a respeito da fraude a que está submetido, sob o manto de uma legalidade que não existe, porque a lei está em vigor e obriga a divulgação do custo da ligação e sua exposição legível na telinha.
Plim-plim. Muito obrigado, Sr. Presidente.

 

 

 

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Expediente Inicial 17/02/09

 

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, venho fazer um registro da saudade que sentimos do nosso grande Darcy Ribeiro, hoje, 12 anos do seu passamento. Também estamos completando 25 anos da inauguração do 1º CIEPs.
 

Aprendi há muitos anos e tenho guardado uma expressão que diz: “Já que não temos o poder da vida eterna, deixemos uma obra para testar que vivemos”.
Tenho certeza absoluta de que, enquanto houver um CIEP de pé, a memória de Darcy Ribeiro e, naturalmente, a de Brizola, estará sempre sendo lembrada. É claro que Darcy Ribeiro deixou também inúmeras outras obras.
 

Então, quero aqui, em nome de nossa bancada do PDT, manifestar esta lembrança e homenagear sempre Darcy Ribeiro.
 

Sr. Presidente, venho também a esta tribuna para tratar de um tema que considero da maior relevância e que vem sendo objeto de grande cobertura dos meios de comunicação, mas com uma abordagem que não contempla aquilo que tenho a dizer. Em função da chamada crise mundial, crise do capitalismo, crise econômica ou crise do sistema financeiro, o presidente eleito dos Estados Unidos, depois de tomar posse, na mensagem que encaminha ao Congresso americano para transferir exatamente para aqueles que foram os causadores da crise uma quantia que se aproxima de um trilhão de dólares, diz que para as empresas beneficiárias haveria restrição para que a remuneração de seus executivos não fosse superior a 95 mil dólares mensais – 95 mil dólares representam aproximadamente 200 mil reais.
 

O jornal O Globo, vários dias atrás, publicou também a remuneração dos principais executivos das grandes empresas, as controladas pelo Estado e as multinacionais. Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e, seguramente, Furnas remuneram seus executivos com quantias bem inferiores àquelas com que são contemplados os executivos das grandes empresas privadas. Chegamos a ver remunerações superiores a 300 mil reais por mês – 300 mil reais por mês! O Presidente Lula chegou a dizer que criaria uma condição para a transferência de recursos públicos, como vem sendo feito, e estabeleceria também um teto para a remuneração dos executivos.
 

O Banco do Brasil comprou o percentual minoritário do Banco Votorantin, do ínclito Sr. Antônio Ermírio de Moraes, por 4,6 bilhões. Depois, o Sr. Antônio Ermírio de Moraes ainda pegou 2,2 bilhões de reais de empréstimo no BNDES para comprar a Aracruz Celulose por 5,2 bilhões. Quer dizer, ganhou a Aracruz Celulose e ainda saiu com quase 1,5 bilhão de saldo. Isso demonstra a orgia com os recursos públicos.
 

Enquanto todo esse debate vem sendo travado, verificamos, como disse aqui, que não se trata de uma crise, e sim de um grande golpe do capitalismo mundial, dos controladores. Esse grande golpe registra uma surpresa: não estamos vendo, aqui no Brasil, nenhuma pessoa física que perdeu seu dinheiro, nem mesmo na chamada pirâmide de Madof, se insurgindo, reclamando o dinheiro perdido. Afinal de contas, quantos e quais brasileiros perderam sua poupança para os especuladores, alguns contemplados, outros aparentemente perseguidos pela Justiça de seus respectivos países? Ninguém! Não há reclamação. E é exatamente nesse ponto que eu toco: não há reclamação porque a fonte do recurso é escusa. Não pode reclamar.
 

Aqueles que vivem da corrupção, do superfaturamento, aqueles que fraudam e se utilizam dos paraísos fiscais para o depósito desse recurso, vivem também uma dependência porque, se um paraíso fiscal resolver se apropriar do dinheiro, o depositante não tem como reclamar porque ele não pode confessar a origem do dinheiro.
 

Essa relação de dependência não é abordada pela grande mídia. E deveria. Deveria, porque muitos que se locupletaram através de práticas ilícitas as mais diversas, muitos perderam quantias vultosas diante desse quadro apresentado como de crise. Mas não há qualquer reclamação. Não vemos: “Eu vou à Justiça, eu vou entrar com uma ação, eu fui roubado; se apropriaram do meu dinheiro”. Não. Estão todos calados.
 

E aí, diante desse debate todo, surge um fato paralelo envolvendo uma grande apresentadora de televisão. A nossa estimadíssima Hebe Camargo. Aliás, a Sra. Deputada Cidinha Campos que com ela conviveu tem por ela uma grande amizade. Mas ela traz ao nosso conhecimento um fato extremamente relevante: o Grupo Sílvio Santos, enfrentando dificuldades, resolveu reduzir o salário dos seus funcionários. E a Hebe Camargo – segundo o que foi noticiado – resistiu a princípio mas depois concordou com a redução do seu salário em 50%, isto é, ganhava 1 milhão de reais por mês e abriu mão para ganhar 500 mil. 500 mil!
 

Afinal de contas, chega a ser uma surpresa. Eu tenho ouvido algumas informações – não sei se verídicas – dizendo da remuneração de vários apresentadores. Ah, porque, nos telejornais o William Bonner ganha 1,2milhão por mês; a Fátima Bernardes tantos mil; o Faustão ganha tantos mil; todos. Todos. E são concessões públicas! Concessões públicas que recebem recursos de anunciantes públicos, tais como: Banco do Brasil, Caixa Econômica, a própria Petrobras.
 

Afinal de contas, no Poder Legislativo principalmente, temos a nossa vida completamente esquadrinhada. São esses próprios apresentadores que por vezes tratam as denúncias de forma debochada. Generalizam.
 

Mas como e por qual caminho poderíamos saber a verdade sobre a remuneração daqueles que trabalham especialmente como apresentadores para todas as redes de televisão? Será que seria necessári uma lei para que, anualmente, os canais de televisão principalmente – nem vou incluir as estações de rádio – como concessões públicas tivessem o dever de publicar quanto pagou a cada um dos seus funcionários? Não apenas àqueles que trabalham na rotina, no dia a dia, como aqueles que são contratados para determinados episódios. Exemplo, atores contratados para uma novela como se fossem prestadores de serviços.
 

A minha curiosidade ficou aguçada porque é desta forma: o apresentador x recebe 800 mil reais por mês; o outro, 1,3 milhão. Chegaram a dizer que a Xuxa – fiquei surpreso – ganhava 1,3 milhão. Eu não sei se isso é verdade mas seria o caso de, em sendo uma concessão pública, que os salários também fossem desnudados para o conhecimento público, aproveitando inclusive o momento em que o nosso Presidente da República manifesta - seguindo a orientação ou a própria iniciativa divulgada pelo Presidente dos Estados Unidos - de limitar a remuneração dos executivos das empresas que fossem beneficiárias de recursos públicos. Temos as que serão beneficiárias episodicamente e temos as que são concessões públicas e recebem recursos públicos. Qual a razão, então, de não divulgar?
 

Fica esta manifestação na medida em que ontem assistindo a um jornal, tendo em vista as declarações surpreendentes e contundentes do Senador Jarbas Vasconcellos, do Estado de Pernambuco, o apresentador do telejornal procurou generalizar, até de maneira sórdida, mas ao mesmo tempo jocosa. Fiquei curioso em saber não só a remuneração dele mas dos demais. Mas é claro que o Senador Jarbas Vasconcellos, e aí lamentavelmente deixa muito mal o seu partido, o PMDB. (Palmas)
 

Muito obrigado.

 

 

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Expediente Final 12/02/09

 

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna tratar do mesmo tema agora abordado pelo Deputado Luiz Paulo, porém será em outra perspectiva. Nós não estamos diante de uma crise, é preciso denunciar que estamos diante de um golpe do capital contra o trabalho. Não serão os países, especialmente aqueles que serão os maiores beneficiários desse golpe, da chamada Comissão Trilateral – Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão - são os controladores, são os golpistas, porque os governos desses países são conduzidos pelos grandes conglomerados econômicos, que estão sendo regiamente remunerados com recursos públicos. Pregaram para o mundo que o mercado tinha solução para todos os conflitos; que o Estado deveria se distanciar de toda economia; que não deveria o Estado ter acesso a qualquer meio de produção e, muito menos, dos mecanismos de distribuição da renda.
 

E aí, recursos orçamentários, recursos dos tesouros têm sido transferidos – vejam que perversidade - têm sido transferidos, na visão deles, para salvar empregos. Essa é uma grande mentira, porque o desemprego vem crescendo em várias partes do mundo, inclusive aqui no Brasil.
 

Registro que assim como os governos, inglês, francês, americano, japonês - todos eles - na defesa do emprego, o que é uma farsa, estão capitalizando os golpistas, os grandes conglomerados econômicos. Aqueles que dirigem esses conglomerados não enfrentam mais, nem vão enfrentar as dificuldades do dia-a-dia. Enfrentam as dificuldades do dia-a-dia os trabalhadores, quando perdem seus empregos.
 

Aqui no Brasil acabamos de ver algo assustador: o Banco do Brasil comprou o Banco Votorantim. Quatro bilhões e seiscentos milhões, para ser minoritário, porque o grande magnata Antonio Ermírio de Moraes continua controlando o Banco Votarantim! O Banco do Brasil é minoritário.
 

Poderia citar inúmeros exemplos. Lá, agora, nos Estados Unidos, os grandes conglomerados econômicos vão receber aproximadamente um trilhão de dólares. É uma soma muito grande. E mais: ainda estão dizendo que o aporte é pequeno, que há necessidade de muito mais.
 

E o Presidente Barack Obama fica sendo escalado para ser uma espécie de salvador de todas as pátrias, como se não tivesse ciência do golpe que foi dado. Cabe a ele agora rearrumar as forças no sentido de preservar os interesses dos Estados Unidos.
 

Ontem, aqui, em frente à Vale do Rio Doce, criminosa e escandalosamente privatizada, algumas centrais sindicais, vários sindicatos organizaram um ato público em defesa dos empregos – aqui, no Brasil.
 

Um dado precisa ser assinalado: é que o Brasil, ao longo dos últimos anos, foi um grande exportador de mão-de-obra – são centenas de milhares de brasileiros trabalhando no exterior. No momento em que a crise do emprego se acentua, nas manifestações chamadas nacionalistas, os xenófobos começam a dizer: “Estrangeiros, não!” Muitos brasileiros começam a enfrentar dificuldades ainda maiores. Se antes estavam subempregados, desempenhando atividades menos dignas na opinião das elites dominantes no mundo, agora vão perder até esses postos de trabalho e vão retornar ao Brasil.
 

Ontem ou anteontem, assistia a uma entrevista dada por um brasileiro que está no Japão. Nem nissei era, era brasileiro – como os nisseis são, os filhos de japoneses nascidos no Brasil, filhos e netos –, mas nem a fisionomia tinha. Tinha a fisionomia de nordestino, como o Presidente Lula. Estava lá dizendo da situação que ele já estava enfrentando, a ponto de um hotel abandonado ter sido usado só para hospedar brasileiros desempregados. Isto está acontecendo em inúmeras partes do mundo.
 

O episódio com a brasileira na Suíça violentada por nazistas – nazistas cujo partido está no poder – também já é um registro da intolerância em relação à presença estrangeira, pela ocupação de postos de trabalho. Essa ocupação em momento de crise passa a ser muito mais rejeitada.
 

Nós passamos nos consulados e vemos as filas de brasileiros querendo visto de entrada em outros países. O visto, agora, vai ser negado – já vinha sendo negado. As reações na Espanha não são única e exclusivamente contra brasileiros, é uma reação à entrada de estrangeiros para a ocupação de postos de trabalho, que vem acontecendo praticamente em toda a Europa.
 

Sr. Presidente, nesse golpe liderado pelos Estados Unidos, do capitalismo mundial, os trabalhadores é que estão pagando. Obviamente, em países que não têm a independência, como o Brasil, o preço passa a ser ainda muito maior. Lá eles têm como socorrer os seus trabalhadores porque o nível de conscientização é muito maior. Eles não conseguem fazer lá, com os seus trabalhadores, aquilo que é possível fazer aqui.
 

Lembro um episódio pequeno que aconteceu na Grécia: um estudante foi morto, atribuíram a morte à polícia, quase cai o primeiro-ministro. Foram vários dias de reação popular, reação contundente, de que alguns dirão: “Que desordem!” Tacaram fogo em ônibus, em automóveis, em prédios públicos.
 

Na França, quando tentaram reduzir o tempo do primeiro emprego de jovens, foi uma tragédia: dias e dias, meses de quebra-quebra até o governo voltar atrás. Aqui, não. Aqui, as mortes vão acontecendo, acontecendo, acontecendo e a orquestração tende a justificá-las.
 

Sr. Presidente, venho dizer, mais uma vez, reiterar que esta é uma crise produzida para beneficiar as chamadas potências hegemônicas, especialmente a Comissão Trilateral: Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão. O povo brasileiro, enquanto isso, vai pagar um preço muito maior, porque nosso País ainda não tem soberania e copia o modelo: socorre banqueiros, socorre grandes empresários e penaliza aposentados. O percentual de reajuste dos aposentados e pensionistas é inferior ao concedido ao salário mínimo.

Será que não poderiam comparar os aposentados ao Sr. Antônio Ermírio de Moraes? Aos donos das grandes empreiteiras? Poderiam comparar às montadoras de automóveis – vejam bem, são montadoras, porque as matrizes não estão aqui. Mesmo assim, eles as socorrem em homenagem ao emprego, propondo redução de jornada, redução de salário e flexibilização das relações trabalhistas. E para quê? Para o trabalhador abrir mãos de suas férias remuneradas? Do 13º salário integral? Para quê?
 

Na verdade, esse golpe do capitalismo mundial contra a classe operária tem o objetivo claro de precarizar as relações de trabalho e, em países como o Brasil, restabelecer a escravidão.


Muito obrigado.

 

 

 

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Expediente Inicial 12/02/09

A SRA. CIDINHA CAMPOS – Deputado, antes de V. Exa. começar o seu discurso, me permite um aparte? Permite?

O SR. PAULO RAMOS – Claro! V. Exa. pode concluir o pronunciamento.

A SRA. CIDINHA CAMPOS – É que eu me esqueci de citar um outro palácio que ele tem e que eu também gostaria que investigassem, vamos lá tirar fotografia.

Tem esse em Teresópolis e tem um outro em Niterói, que é fantástico! É no condomínio mais caro de Niterói, Jardim Ubá I, na Região Oceânica de Niterói. Vamos fotografar os dois e vocês vão ver o que é brincadeira com o dinheiro público.

O SR. PRESIDENTE (Armando José) – Deputado Paulo Ramos.

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, não só na nossa vida pessoal, mas especialmente no exercício de mandato, nós convivemos com muitas pessoas. Somos, às vezes, interlocutores não apenas de reivindicações, mas somos uma espécie de interlocutores dispostos a ouvir todo sofrimento das pessoas, toda natureza de sofrimento. Aqui mesmo na Assembleia Legislativa a convivência é muito intensa. E a minha experiência me diz que dificilmente há uma família onde não haja alguém dependente de substância entorpecente, a começar pela maconha. Quem tem na sua família um dependente sabe a profundidade do sofrimento humano vivido por vezes pelo viciado e o sofrimento vivido pela família, principalmente pais e mães ou mães e pais. O sofrimento é muito grande.

O vício é uma forma de perdição que aniquila, que anula a pessoa humana. É claro, e ninguém pode alimentar nenhuma dúvida, que todo viciado precisa de tratamento. Todos também sabem que há uma espécie de porta de entrada para o vício e a maconha tem sido considerada essa porta de entrada. Há substâncias mais importantes no sentido do malefício, e agora surgem também as chamadas drogas sintéticas.

Sabemos que o envolvimento com substância entorpecente já incorpora uma parcela talvez razoável da nossa população. Mas eu não acredito que qualquer pessoa de boa-fé possa defender a legalização, a estruturação legal da venda de entorpecentes. Só quem tem compromissos escusos com o verdadeiro crime organizado pode assumir a responsabilidade de propor isto para qualquer sociedade.

Digo isso por que, Sr. Presidente? E tem gente que diz assim: “Mas você tem fixação!” Eu não tenho fixação com o Sistema Globo, mas com muita frequência surgem casos de atores globais envolvidos com substâncias entorpecentes. Há quem diga que o Projac é um centro de consumo. Nós ouvimos isso não de pessoas que guardam, com o principal sistema de comunicações do nosso País, qualquer tipo de rancor ou animosidade. Ouvimos isso dos freqüentadores do Projac. Dizem que lá o entorpecente corre solto!

Poderíamos até duvidar, mas venho verificando que há uma orquestração do Sistema Globo na busca, primeiro, da descriminalização da maconha. O discurso é sempre muito envolvente; por vezes, sedutor. Mas é enganoso!

E aí, vejam: são várias publicações. No dia 25 de janeiro, o jornal O Globo, traz em página inteira a entrevista de um juiz federal americano. “O Uso de Droga é Questão de Saúde Pública”. Ele não diz assim: “Também...”. Claro que é questão de saúde pública, mas também! Mas é um problema envolvido na ordem social, desgraça a família do viciado.

O que existe hoje é uma espécie de pressão da oferta, para ampliar o mercado de consumo, porque o crime organizado – que alimenta os paraísos fiscais – tem, no tráfico de entorpecentes, um de seus vetores.

Mas, no dia 25 de janeiro, temos aqui uma entrevista praticamente de página inteira. O nome do juiz é Robert Sweet, Juiz Federal da Corte de Nova Iorque. Pinçou um juiz para manifestar uma opinião compatível com o episódio que aconteceu ontem.

Vejam que coisa interessante: criaram uma ONG que se chama “Comissão Latino-Americana Sobre Drogas e Violência” e organizaram um debate. A ONG organizou um debate mobilizando três ex-presidentes de países sul-americanos: um do México, um da Colômbia e o nosso ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que está se transformando em garoto propaganda, porque emprestou seu nome e sua imagem até para uma manipulação, pois está aqui: “ex-presidentes defendem descriminalizar a maconha”.

Mas quando olhamos a transcrição do que os ex-presidentes dizem, eles não dizem rigorosamente isso, não dizem isso com tal objetividade! Mas, como certamente não negam, ao mesmo tempo em que eles tentam preservar levemente suas responsabilidades, emprestam seus respectivos nomes. Primeiro porque o maior mercado mundial de drogas são os EUA; depois, o maior co-produtor de cocaína ou de folha de coca é a Colômbia.

Afinal de contas, se os americanos estão lá há tanto tempo, apoiando o governo colombiano para resolver o problema da produção da droga, por que até hoje não conseguiram substituir aquela cultura? Qual a razão?

Vão querer acusar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, quando todos sabem do envolvimento, da convivência e, certamente, da conivência do atual presidente da Colômbia com o tráfico de entorpecentes, com os grandes produtores da Colômbia?

Aqui, não! Aqui eles falam assim: “A narcoguerrilha”, porque procuram se utilizar de um movimento revolucionário antigo, como biombo para o que verdadeiramente acontece na Colômbia. Mas organizaram um seminário: “Drogas e Democracia.” Quais eram os participantes, além desses ex-presidentes? Quais são os integrantes dessa ONG? Um deles é um dos diretores presidentes do Sistema Globo, não sei se é o João Roberto; é um deles, mas Marinho. Outro é o presidente de outra ONG, a Viva Rio, que é um braço da Globo: o Sr. Rubens César Fernandes. Qual a legitimidade que eles têm para falar em nome da população de toda a América Latina, propondo a ONU um debate, ou pelo menos propondo que a ONU intervenha de modo a mobilizar as nações no sentido dessa proposta?

Aí, Sr. Presidente, vem outra manipulação. Eles dizem que agora, com a eleição de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, a possibilidade fica maior, porque é um presidente que vai propor mudanças. A que ponto eles chegam! Lembro – e disso eles não tratam – que, na campanha eleitoral, o então candidato Barack Obama disse publicamente que enfrentaria os paraísos fiscais, não preocupado com o que estão chamando de crise do sistema financeiro mundial ou crise da economia mundial.

Estamos diante de um golpe, não é crise. É um golpe do capitalismo mundial, até porque empresas e bancos estão recebendo recursos de governos, recursos da população. Em todas as partes do mundo, inclusive, no Brasil, são eles que governam, e os dirigentes são prepostos dos controladores dos grandes conglomerados econômicos. Eles formam holdings, o acionista majoritário também é acionista do banco, da financeira. Aqui, no Brasil, tivemos o exemplo do ínclito Sr. Antônio Hermínio de Morais, que era dono também do Banco Votorantim, comprado pelo Banco do Brasil. Foram 4,6 bilhões para comprar 40, 40 e poucos por cento das ações. Ainda continuou majoritário, mas ganhou 4,6 bilhões. Bilhões! Devem estar faltando agora para dar a equiparação aos aposentados e pensionistas.

Veja, Sr. Presidente, a que ponto chega a desfaçatez. Eles não tratam aqui de enfrentar os paraísos fiscais. O argumento é o tráfico de entorpecentes, porque o modelo é o repressivo, que eles apóiam. Essa proposta de enfrentamento com a perspectiva militar, que vem através dos Estados Unidos ao longo dos anos, já se demonstrou ineficaz. Por que não enfrentam de cima para baixo? Transformaram – vamos pegar o caso do Rio de Janeiro – as comunidades carentes, que vão tendo aí seus filhos vitimados, em responsáveis pela insegurança pública. E o modelo de confronto leva a Polícia a reprimir, levando os policiais a matar e morrer. Esse é o confronto. Por que eles não propõem uma mudança no modelo de segurança pública baseado na prevenção?

Eles constroem uma realidade, fortalecem uma compreensão na população e, depois, se utilizam da tragédia que eles próprios produziram como argumento para alcançar o objetivo maior. E o objetivo maior é realmente a liberação da venda. Não é a descriminalização só. É transformar nossa sociedade num amplo mercado livre. Alguns países, especialmente a Holanda, já fizeram essa experiência. Estão agora assumindo a compreensão de que se antes, com a tolerância, particularmente a juventude foi vitimada, com a permissividade total a tragédia foi muito maior.

Sr. Presidente, eu vim aqui para dizer: não é possível. Nós não podemos aceitar. É claro que compreendemos os interesses embutidos na proposta, os interesses econômicos, mas aceitar nós não podemos.

Falei aqui inicialmente que qualquer um que tenha na família um viciado em maconha sabe a tragédia vivida pela família. Falo com conhecimento próprio, lembrando especialmente da minha mãe, do sofrimento dela em função do meu irmão, e conheço outras famílias, também.

O jornal não é uma concessão pública, portanto, não pode ser alcançado; é uma empresa particular, com interesses particulares. A televisão, não. Televisão é uma concessão pública que reproduz aquilo que vem nas folhas. Então, manifesto meu mais veemente repúdio ao principal sistema de comunicação do nosso País, o sistema Globo, por patrocinar uma campanha nociva à sociedade, nociva à população brasileira, nociva a todos os povos. Dizer não a isto significa ter uma preocupação com algo que por vezes faz com que muitos capitulem. Não podemos temer, porque a partir do temor eles avançam. E eles, com essa proposta, certamente não passarão.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

 

 

 

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Expediente Inicial 10/02/09

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, venho a esta tribuna tratar de dois temas: um envolve a administração federal e o outro, a administração estadual. Tomamos conhecimento, e hoje está em todos os jornais, de que a BR-101 vai ser “pedagiada”. A população que se desloca do Rio de Janeiro para Campos enfrentará cinco praças de pedágio e, no sentido contrário, quatro praças de pedágio.

Todos aqueles que se utilizam de automóvel para os seus deslocamentos têm a obrigação de manter a regularidade do veículo, não só o veículo em boas condições de uso, como também pagar o principal imposto que incide sobre o automóvel, o IPVA. Aliás, com o chamado choque de ordem, unindo o prefeito da capital ao governador, têm ocorrido inúmeras operações policiais estruturadas pelo Detro, com o objetivo de fiscalizar a regularidade dos veículos. A propaganda é de que diariamente vários veículos são removidos para os depósitos, exatamente pelo não-pagamento de IPVA, mas uma parcela muito majoritária paga o IPVA.

O IPVA tem exatamente uma destinação específica. É um imposto que se destina à recuperação e ampliação da malha viária. Muitos poderão dizer que a BR-101 é uma via federal e que o IPVA é um imposto estadual. Tanto as estradas estaduais, com raríssimas exceções, como as estradas federais, estão no nosso Estado em péssimas condições. É o caso da BR-101.

Tem mais: para o uso do veículo automóvel há que usar combustível. E todos que compram combustível para mover seus veículos pagam um imposto, o imposto sobre combustíveis - a CIDE-Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – que também tem como finalidade a ampliação e a conservação da malha viária, mesmo sendo um imposto federal.

Qual a razão, então, num momento em que uma crise tem sido motivo de grande preocupação, ameaçando inclusive a classe operária, que tem que se submeter à redução de salário, à ameaça do desemprego? Qual a razão de contemplar uma empreiteira? Sim, porque atrás de cada praça de pedágio tem uma empreiteira. O governo federal, já que o modelo liberal está sendo alvo de toda condenação, é do Governador, que esteve em Davos, na Suíça, no Fórum Econômico Mundial.

Estou esperando uma resposta ao meu requerimento, Sr. Presidente, porque um governador quando viaja, por qualquer período, mesmo que inferior a 15 dias, quando não necessita do conhecimento prévio desta Casa, ele se obriga, por força de dispositivo legal, a encaminhar ao Poder Legislativo um relatório sobre a viagem realizada – para onde foi, o motivo da viagem, de quem se fez acompanhar, com quem se relacionou. Ele tem que mandar a esta Casa um relatório.

O Governador Sergio Cabral, grande viajante, até hoje nunca encaminhou a esta Casa um relatório correspondente a qualquer viagem sua, e eu tenho requerido. Estou requerendo agora o seu relatório sobre a sua viagem a Davos. É uma obrigação para qualquer viagem e eu tenho requerido. Estou requerendo, agora, sobre a viagem a Davos. É uma obrigação para com o Poder Legislativo. Ele esteve lá participando da confissão do modelo liberal.

Há necessidade da intervenção do Estado. E aqui, no Brasil, e em outras partes do mundo, há intervenção do Estado para socorrer banqueiros, para socorrer grandes empreiteiras! E vem o Governo Federal, que poderia socorrer pelo menos os caminhoneiros - e nem trato aqui do desespero da população local, da população no entorno das praças de pedágio, populações que vão viver um desespero muito grande, pois, para ir à igreja, se for do outro lado, tem que pagar pedágio; para levar as crianças à escola, os pais vão ter que pagar pedágio. Vai ser assim! Dizem: “Ah, nós vamos dar uma carteira habilitando o morador, credenciando para não pagar pedágio”.  É uma grande mentira.

Mas qual a razão de o Governo Federal condenar ainda mais a economia do Rio de Janeiro, penalizar a Região dos Lagos, que tem a vocação para o turismo. Já temos lá a Via Lagos, com o maior pedágio do país!

Pois não, Deputado Mário Marques.

O SR. PRESIDENTE (Mário Marques) – Eu só queria que V. Exa. me dissesse, eu não tenho noção, quantos quilômetros são daqui até Campos?

O SR. PAULO RAMOS – São 260 quilômetros.

O SR. PRESIDENTE (Mário Marques) – Quantos pedágios?

O SR. PAULO RAMOS – Cinco.

O SR. PRESIDENTE (Mário Marques) – Cinco pedágios. Daqui a São Paulo são 400 quilômetros e são quantos pedágios?

O SR. PAULO RAMOS – Quatro. E são três pedágios até Resende.

O SR. PRESIDENTE (Mário Marques) – São seis pedágios, até São Paulo, em 400 quilômetros.

O SR. PAULO RAMOS – Seis pedágios. Estou tentando me lembrar. Tenho ido até Resende e pego duas praças

O SR. PRESIDENTE (Mário Marques) – Está proporcional, não é?

O SR. PAULO RAMOS – Proporcional. Resta saber qual é a empreiteira beneficiária. Mas aí vem uma questão: se o contribuinte já paga impostos para ampliação e recuperação da malha viária, qual a explicação para a instalação de praças de pedágio antes da recuperação da via? Não há uma obra sequer, a primeira obra é a construção da praça de pedágio. Isso é um absurdo, uma extorsão!

Indignado, venho primeiramente a esta Tribuna para manifestar meu repúdio a essa iniciativa do governo federal de pedagiando a BR-101 e, obviamente, a minha solidariedade à população do entorno da via, e acima de tudo também àqueles que desenvolvem atividades econômicas e dependem do transporte de carga e do transporte pessoal.

 Muito rapidamente, por último, Sr. Presidente, tomei conhecimento de uma tragédia representada por uma operação policial na Estrada de Taquaral, Bangu-Senador Camará, cujo resultado foi de 10 mortos. A OAB do Rio de Janeiro se manifestou, assim como algumas entidades ligadas aos direitos humanos, por justos motivos. O susto dói muito grande e a tragédia inominável, em nome do Estado, o aprofundamento do confronto, ceifando vidas, com certeza absoluta, vidas inocentes.  Porque qualquer um hoje que sofre as conseqüências, perdendo a vida em decorrência de uma ação policial, previamente já está rotulado de traficante de entorpecentes. Mas outra desgraça apenas num dia, apenas numa noite, cinco policiais militares tiveram as suas vidas ceifadas. Cinco!

E aí poderíamos esperar também a manifestação comovida daqueles que defendem os direitos humanos, até por uma questão de coerência. Mas, não. Os policiais militares são assassinados e imediatamente são transformados em suspeitos de envolvimento em qualquer atividade ilícita.

Então, Sr. Presidente, venho aqui dizer que sou solidário às famílias enlutadas pela ação policial. Mas quero mandar aqui a minha solidariedade também à família policial militar. Não é possível. Não é possível! Estamos esperando a presença do Secretário Estadual de Segurança Pública aqui na Assembléia Legislativa, para que ele possa se manifestar a respeito da insanidade de um modelo de segurança pública que leva os profissionais da Segurança Pública a uma equação: ou eles matam ou eles morrem; ou eles ferem ou ficam feridos. Mas ficam sub judice: no momento em que algum e pilhado numa ação que representa um excesso, quem o vem condenar em primeiro lugar é o próprio Governador do Estado. Que ele seja alcançado pelo menos pelo crime de responsabilidade, porque ele é o autor dessa política fratricida,  que joga irmãos contra irmãos e não soluciona a questão da segurança pública.

Muito obrigado.

 

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Expediente Final 10/02/09

 

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, todos nós ouvimos atentamente o pronunciamento do Deputado Luiz Paulo, bem como os apartes que foram feitos.

É claro que as duas iniciativas do Governo somente seriam alvo de suspeição se não conhecêssemos as atividades desenvolvidas pela própria Secretária de Cultura, porque é uma espécie de confissão. A Secretária tem uma trajetória que a envolve com interesses específicos na área da cultura; o que ela quer é transferir a cultura para transformá-la numa ação entre amigos. (Palmas)

Ela quer, naturalmente, é tirar a privatização do Estado, falando genericamente. E, com as amizades que foi construindo ao longo da vida, quer assumir o controle da cultura para através desse controle, obviamente ter lucros, levar vantagens pessoais. (Palmas)

Não há motivo de suspeição. Temos ali uma certeza, a prova concreta. Não sei se poderíamos imaginar ter sido o Governador enganado. Não sei se é possível dar uma chance a esse tipo de paz, porque na área da saúde o Governador criou as fundações públicas, mas de direito privado, uma excrescência jurídica.

Agora, tenta criar outra, as OSCIPs para administrar a cultura.

É claro que a cultura no Estado do Rio de Janeiro não incorpora apenas o Theatro Municipal. Nós temos, naturalmente, toda uma infra-estrutura, temos um conjunto de servidores que, com grandes dificuldades, tem se dedicado, às vezes sem nenhum apoio governamental, pelo amor que tem às atividades culturais e artísticas em nosso Estado. Já no ano passado houve publicações nos jornais assustando o pessoal da cultura – Sala Cecília Meireles, Teatro João Caetano, vários. Mas agora o governo concretiza essa iniciativa.

Já no ano passado, em reuniões sucessivas na Presidência da Casa, o próprio Presidente Jorge Picciani manifestou apreensão e chegou, inclusive, a adiantar uma posição pessoal contrária a essa iniciativa. Nós estamos aqui com vários funcionários da cultura, representantes da categoria. É preciso alertá-los. O governo tem, nesta Casa, uma grande maioria, mas nem todas as iniciativas do governo têm sido vitoriosas nesta Casa, mesmo contando o governo com a acachapante maioria. É preciso, portanto, abordar, esclarecer todos os parlamentares, um a um, gabinete por gabinete, porque na verdade sempre é assim com os servidores públicos. Os servidores públicos são os legítimos representantes da sociedade nas suas respectivas atividades. É por isso que defendemos o concurso público, é por isso que defendemos o plano de cargos, carreiras e salários, porque é o servidor que conhece a atividade, é o servidor que tem o compromisso público imediato. É preciso trazer o devido esclarecimento para que os parlamentares possam se posicionar.

De antemão, posso dizer que toda a bancada do PDT será contrária a esse projeto. Não há nenhuma possibilidade. Temos em nossa bancada a Sra. Deputada Cidinha Campos, que, pelas atividades que desenvolveu, tem um conhecimento muito mais aprofundado dessa questão. Mas, convivendo aqui, na Casa, também há algum tempo, conhecendo as atividades culturais e compreendendo o papel do Estado, posso, como líder do PDT, dizer que nossa bancada – que ainda tem os Srs. Deputados Wagner Montes, Marcos Abrahão e Olney Botelho – vai ajudar a categoria. O Sr. Deputado Luiz Paulo, juntamente com outros parlamentares, tem aqui, em reiterados pronunciamentos, assumido esse compromisso de resistência. Ouvi a Sra. Deputada Inês Pandeló, que é o do Partido dos Trabalhadores.

É de se imaginar que essa proposta, pelo absurdo que contém, seja rejeitada, mas vamos travar uma luta em defesa da sociedade, em defesa da cultura do Rio de Janeiro. Os servidores, que já estão aqui perseverando, tenho certeza, vão cumprir esse papel. Portanto, é preciso dizer que a proposta não passará e, pela ousadia, se o Governador verdadeiramente cometeu um equívoco, que assuma a responsabilidade de se ver livre de propostas assim, se vendo imediatamente livre da Secretária.

Muito obrigado. 

 

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Expediente Inicial 05/02/09

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, venho a esta tribuna não sei se para manifestar uma perplexidade ou uma grande indignação, e o faço a partir da leitura dos jornais de ontem e de hoje, após a eleição do Sr. José Sarney, Senador da República e ex-Presidente, para conduzir os destinos do Senado e do Congresso Nacional. Minha perplexidade e minha indignação vêm da primeira entrevista levada a público pelo imortal Senador José Sarney. Aliás, falo imortal porque o atrevimento é tanto, que chegou a utilizar do prestígio político conquistado para ainda integrar a Academia Brasileira de Letras, tendo escrito à época, segundo informações que também foram divulgadas, um livro chamado “Marimbondos de Fogo”.

Mas a trajetória política do imperador do Maranhão José Sarney é muito conhecida e marcada por um distanciamento, o mais evidente, da ética. É fácil buscar o testemunho de qualquer maranhense de meia-idade. E ainda, teve o desplante de, em sendo do Maranhão, concorrer – na época por alguns impedimentos legais – ao Senado pelo Estado do Amapá, abrindo naturalmente o espaço para a afirmação de sua clã, na medida em que sua filha é senadora pelo Estado do Maranhão.

Mas, a entrevista dada pelo Senador José Sarney expressa certa revolta, da qual ele se diz possuído, tendo em vista o uso abusivo, por parte do Presidente da República, do instrumento das medidas provisórias, atropelando naturalmente as atribuições legislativas do Congresso Nacional. O Poder Executivo enfeixando em suas mãos dois Poderes.

Tive a oportunidade de participar da elaboração da Constituição promulgada no dia 5 de outubro de 1988, e o ano passado foi festejado como se estivéssemos comemorando 20 anos daquela Constituição. E, por um acidente de percurso, presidia a nossa República o Sr. José Sarney. Digo, um acidente de percurso, uma fatalidade histórica, porque trânsfuga que era, o Sr. José Sarney integrou a chapa de Tancredo Neves para que houvesse a eleição do Colégio Eleitoral, representando ele o regime que estava sendo superado, tendo sido reservado a ele um papel secundaríssimo naquela transição. Mas traindo seus companheiros de regime autoritário, o Sr. José Sarney cumpriu esse papel.

Tancredo Neves morre antes de tomar posse, praticamente, porque foi possuído de uma doença simples que se imaginava em pouco tempo, dez dias no máximo, estaria ele recuperado para assumir a Presidência. Lembro-me do desespero com a morte de Tancredo Neves, já na Assembléia Nacional Constituinte, o Deputado Ulysses Guimarães, que não se conformava com aquela fatalidade, porque ele próprio, que presidia a Câmara, deveria ter assumido a Presidência da República, também como todos, não imaginou que Tancredo Neves morreria.

O Sr. José Sarney assume a Presidência da República na condição de vice. Com a morte do titular, ficou José Ribamar. E aí, Sr. Presidente, posso registrar aqui todos os esforços do Sr. Presidente José Sarney, à época, para criar dificuldades durante a elaboração da Constituição. Na fase final, quando caminhávamos para a votação da redação final. O Sr. José Sarney, Presidente da República, ocupa a cadeia de rádio e televisão para dizer que a Constituição deixaria o país ingovernável. E me lembro que, no dia seguinte, o Deputado Ulysses Guimarães, que presidia a Assembléia Nacional Constituinte, também ocupou e impôs, telefonou para o Presidente da República comunicando que, no dia seguinte, ocuparia a cadeia de rádio e televisão para falar como Presidente da Assembléia Nacional Constituinte.

Ulysses Guimarães disse, alto e bom som, que a Constituição seria a guardiã da governabilidade. Mas, a Constituição foi promulgada e ainda me lembro também que, ao ser promulgada a Constituição no dia 5 de outubro de 88, presente à solenidade o Presidente da República José Sarney, ele, talvez acuado ou constrangido com o discurso feito pelo Deputado Ulysses Guimarães para promulgar a Constituição, quando Ulysses Guimarães, olhando em seus olhos, disse: “Odeio a ditadura, tenho nojo de ditaduras”, o Presidente José Sarney não conseguiu jurar a Constituição com a mão na posição que era exigida pelas normas regimentais. Tremeu que nem vara verde, mas assim mesmo, de forma claudicante, jurou cumprir a Constituição. Durante o período que lhe restou de governo, é importante consignar que chegou o Sr. José Sarney a corromper Constituintes, dando canais de rádio e televisão, para integrar ao texto mais um ano de mandato. Cinco anos de mandato, quando o texto pronto, na Comissão de Sistematização, antes de ir para o plenário, consignava quatro anos de mandato. Foi o “Centrão”.

O Sr. José Sarney, com o país institucionalizado em bases democráticas, passou ele mesmo a se utilizar abusivamente do instituto, do instrumento das medidas provisórias. Editou mais de cem no período que lhe restava, inviabilizando até a regulamentação dos dispositivos constitucionais que dela dependiam. Ele foi o precursor, atropelou o Congresso Nacional. É claro, com a submissão da maioria parlamentar, como Presidente da República, além de ter corrompido Constituintes para ter mais um ano de mandato, ainda conseguiu capitular inúmeros governadores eleitos pelo PMDB, com o prestígio da reação ao regime autoritário.

Sr. Presidente, aí hoje pego os jornais e vejo o Sr. José Sarney, Senador da República, depois de tantos anos, se apresentar como alguém que é contrário ao uso da medida provisória – porque todos a usaram. Ele usou, dando exemplo, legislando sobre matérias que não tinham nenhuma relevância, muito menos urgência, através de medidas provisórias, submetendo a maioria que constituiu no Congresso Nacional. Depois dele, veio o candidato do sistema Globo, Collor de Melo, o caçador de marajás, o homem da globalização, o homem que disse que nossos carros eram carroças e que, em função das companhias que tinha e da sua própria natureza, perdeu o mandato de Presidente da República, cassado por corrupção. O Presidente foi cassado por corrupção, mas seus corruptores permanecem aí. O Sr. Fernando Henrique também usou e abusou das medidas provisórias, como o Presidente Lula usa e abusa das medidas provisórias, enfeixando dois Poderes num só. Agora está lá o Sr. José Sarney.

Mas minha reação hoje é não permanecer, permitir que pelo menos uma voz se insurja contra. Ele é também uma metamorfose ambulante. Ele poderia, pelo menos, fazer um mea culpa, uma autocrítica: “Eu sou o precursor desse procedimento abusivo; eu não respeitei a Constituição; eu corrompi o Congresso Nacional ou parcela do Congresso Nacional; usei e abusei das medidas provisórias; inviabilizei a regulamentação da Constituição; inviabilizei, portanto, a concretização da transição.” Por fim, Sr. Presidente, é lamentável.

Pois não, Deputado Mário Marques.

O SR. MÁRIO MARQUES – Mais um dado ao discurso de V.Exa.: foi o Presidente Sarney quem deixou, em dezembro, no encerramento de seu mandato, uma inflação de 85% ao mês; e o Ministro da Fazenda era o Sr. Maílson da Nóbrega.

O SR. PAULO RAMOS – Estão aí todos como vestais, com empresas de consultoria. Eles agora se apresentam como os economistas de plantão, mostrando alternativas para o País, sugerindo caminhos, todos aliados dos grandes conglomerados financeiros. Aliás, daqueles que saíram do Banco Central, praticamente todos, não conheço nenhum que não seja aliado dos grandes conglomerados financeiros. Todos eles estão aí. Todos!

A equipe econômica do Sr. José Sarney tinha uma tradição no campo progressista, manifestando uma compreensão do papel do Estado. Lembro-me da convivência com o falecido ministro Dílson Funaro, mas os que estão aí, incluindo até o Sr. Daniel Dantas, são grandes financistas ou titulares de empresas de consultoria ou diretores de bancos, integrantes dos conselhos de administração. Todos eles estão mamando regiamente nas tetas de uma vaca que não é sagrada, mas mamando nas tetas. Está aí “Caminho das Índias”, estamos vendo.

Sr. Presidente, concluo dizendo que o Senador José Sarney não tem autoridade moral e muito menos autoridade política, salvo se fizer uma grande autocrítica, porque a autocrítica é impossível, é o crime impossível, pela inexistência do fim. Que o Sr. Sarney saiba que não tem autoridade moral nem política para agora, como Presidente do Senado, dizer que as medidas provisórias são usadas abusivamente. Ele é o grande precursor e, portanto, que queime na fogueira do inferno com essa marca, a marca do trânsfuga, a marca do traidor e também a marca da mentira.

Muito obrigado.

 

 

 

 

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Expediente Final 05/02/09

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, nem vou ocupar a tribuna, pois venho apenas registrar minha alegria em ver V.Exa. presidindo uma Sessão desta Assembléia Legislativa. Nós, do PDT, estamos possuídos de uma alegria muito maior, porque V.Exa. não só representa nossa bancada na Mesa Diretora como também, e seguramente, representa o pensamento melhor do Poder Legislativo. Parabéns!

O SR. PRESIDENTE (Olney Botelho) – Muito obrigado.

 

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Expediente Inicial 04/02/09

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, uma saudação muito especial ao Deputado Marcos Soares, que inicia o mandato integrando a bancada de meu partido, o Partido Democrático Trabalhista. Tenho certeza de que S. Exa. há de dar uma grande contribuição para valorização do Poder Legislativo estadual e, sobretudo, para o crescimento da nossa legenda, o PDT.

Sr. Presidente, iniciei meu pronunciamento tratando de algo que considero motivo de grande alegria, mas venho à tribuna tratar de três episódios – vou me ater mais detidamente a um deles – de profunda tristeza, ocorridos nesta última semana, nos últimos dias.

Primeiro, o falecimento do grande desportista, introdutor das lutas livres no Brasil, que deixou uma marca no desporto brasileiro, o grande Hélio Gracie. O segundo nome, V. Exa. a ele já se referiu, e também tratamos do tema ontem, quando tomamos conhecimento do passamento do grande advogado Paulo Saboya. O sepultamento foi hoje, às 11 horas, no Cemitério São João Batista. Somos forçados, mais uma vez, a reconhecer que se trata de uma grande perda.

O Dr. Paulo Saboya dignificava a advocacia, a advocacia militante, na perspectiva correta no significado mais profundo de ser advogado, porque, conhecedor da tragédia social vivida pelo povo brasileiro, o sofrimento humano que perpassa por toda a nação, o Dr. Paulo Saboya era um grande defensor dos direitos humanos. Nem invoco aqui a condição de socialista do Dr. Paulo Saboya, mas, simplesmente, do seu compromisso com os direitos humanos, seu compromisso com a pessoa humana, a advocacia como a busca do ideal de justiça, que não se encerrava com o exercício da profissão.

Por último, uma figura que ficou esquecida nos últimos anos. Um empresário nacional que, em sendo empresário, também tinha um projeto nacional. Um homem que enfrentou talvez todas as resistências de um mundo que caminhava para a globalização, mas, acima de tudo, os esforços de grupos econômicos que ainda persistem em inviabilizar o Brasil como nação soberana. Venho aqui homenagear o grande empresário João Gurgel, que idealizou um automóvel genuinamente brasileiro, que se integrava completamente àquilo que seria a grande aspiração da própria classe trabalhadora: o acesso a um automóvel de baixo custo, anticorrosivo. Enfrentou, portanto, naturalmente, a indústria do aço, especialmente dos aços planos, porque o automóvel gurgel era feito de fibra de vidro.

Nós que já temos alguma trajetória, não de luta, mas de vida, sabemos das dificuldades enfrentadas por aqueles que compram carros que apodrecem e criam, é claro, a alegria dos lanterneiros. Mas o gurgel pretendeu ser um carro também econômico, fazia 18 quilômetros por litro. O empresário procurou desenvolver tecnologia de modo a fazer com que todo o automóvel gurgel fosse constituído de peças com patente brasileira.

Eu, na Assembleia Nacional Constituinte, na Frente Parlamentar Nacionalista, tive a oportunidade de, juntamente com outros Constituintes, conviver com o grande brasileiro João Gurgel. Eu me lembro, Sr. Presidente, quando, no esforço da Frente Parlamentar Nacionalista, resolvemos ouvir o empresariado nacional. Cito José Mindlin, da Metal Leve, cito também o Sr. Brasil, do setor de medicamentos, da Sibran. Esses empresários enfrentavam uma dura resistência de setores industriais globalizados que se conjugavam com o objetivo de impedir o surgimento de qualquer indústria autônoma brasileira.

Pelo menos alguns dispositivos que estão na Constituição resultam da participação desses empresários. Um deles, a empresa brasileira de capital nacional, um caminho encontrado pelos constituintes com objetivo de proteger a indústria nacional.

João Gurgel deu essa contribuição. Sempre que convidado, estava lá presente para dar o seu testemunho, fazer o seu depoimento. Lembro-me de que numa audiência mais ampla, na Frente Parlamentar Nacionalista, estavam presentes João Gurgel, José Mindlin, Antônio Ermírio de Moraes. Colhendo os depoimentos, já naquela oportunidade, o empresário Antônio Ermírio de Moraes, cultuado hoje como o grande empresário brasileiro que é, mas longe da perspectiva de um projeto de nação, defendeu um outro modelo.

Participava – ele dizia que era uma espécie de consultor informal – dos trabalhos da Frente Parlamentar Nacionalista um outro grande brasileiro, Osny Duarte Pereira, desembargador cassado, um homem que dedicou sua vida inteira a um projeto de país soberano e socialmente justo. Em determinado momento em que Antônio Ermírio de Moraes expunha o seu pensamento, Osny Duarte Pereira deu um tapa na mesa e perguntou: “Mas o senhor já leu os discursos de seu pai?” José Ermírio de Moraes tinha sido Senador. “Se o senhor não conhece, eu vou fazer chegar às suas mãos, porque o seu pai, apesar de empresário, tinha um projeto de país, tinha um projeto de nação. Então, o senhor, que herdou a fortuna, por que não herda também as idéias?” Nessa ocasião presente estava, aplaudindo a intervenção de Osny Duarte Pereira, também João Gurgel.

Venho, Sr. Presidente, a esta tribuna exatamente num momento em que o povo brasileiro assiste, acredito eu até estupefato, à eleição do Sr. José Sarney para a Presidência do Senado – uma excrescência, uma agressão, porque os esforços do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para definir os destinos da nossa pátria, começaram a ser frustrados exatamente pelo imperador do Maranhão. Um homem que representa uma carreira marcada pela maior corrupção que talvez o País e o Maranhão tenham visto, o Sr. José Sarney sabotou a entrada em vigor da Constituição e, agora, está sendo recuperado para um patamar imerecido.

Homenagear João Gurgel pelo seu falecimento, pela contribuição que deu e que tentou dar para a construção de um país diferente daquele em que vivemos hoje significa também manifestar a maior execração à eleição do Sr. José Sarney, Presidente do Senado Federal. João Gurgel foi precursor do desenvolvimento do carro elétrico não-poluente. Se porventura aquela tecnologia por ele incorporada tivesse sido prestigiada, seguramente agora o Brasil estaria muito mais na vanguarda de algo que tem sido perseguido pela inteligência humana.

Sr. Presidente, encerro o meu pronunciamento prestando todas as homenagens a Hélio Gracie, pelo que representou para o desporto brasileiro; todas as homenagens a Paulo Saboya, pela defesa dos direitos humanos; e todas as homenagens também a João Gurgel, empresário brasileiro que sonhava com um país diferente.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

 

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Expediente Final 04/02/09

 

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos aqui para manifestar nossa perplexidade com o espetáculo que vem sendo protagonizado pelo Presidente da República e o Governador do Estado diante de toda a tragédia vivida pelo povo brasileiro, não apenas em decorrência das enchentes, mas em decorrência do próprio modelo liberal, que exclui a maioria esmagadora da população.

 

O que vemos? Tira fotografias como se estivesse participando de uma equipe de futebol. Aparece dançando o “Créu”! Aparece também – aí falo respeitosamente – dando um amasso na primeira-dama! Brinca com a falta do dedo do Presidente no momento de colocar a luva! O Governador, que, a exemplo do Presidente da República, vive viajando pelo mundo, sem dizer a que vai nem a que volta, foi a um encontro em Davos, na Suíça, o Fórum Econômico Mundial. Enquanto isso, o Presidente da República foi ao Fórum Social no Pará.

 

Não sei se existe uma inversão de valores. No momento da crise mundial, em que o modelo globalizado fica completamente desmascarado, o antro de corrupção em que se transformou o sistema financeiro internacional, o socorro no mundo inteiro, inclusive aqui, no Brasil, a banqueiros corruptos, a empresários inescrupulosos, o Presidente da República não deveria estar lá fazendo denúncias?

 

Não! De forma patética, o Presidente Lula diz na televisão e para todos os meios de comunicação: “Eles agora é que têm que responder. Eles que criaram a globalização, eles que criaram esse modelo!” Como se este tipo de apelo pudesse resultar em qualquer compreensão daqueles que estão à frente das grandes potências mundiais, que, na verdade, são conduzidos pelos grandes banqueiros internacionais, que se subordinam a esse modelo.

 

Então, esse espetáculo todo, Sr. Presidente, agora foi mais uma vez reproduzido, ontem, lá, com a sofrida população do Morro Santa Marta. Uma comunidade sofrida, a favela mais íngreme do nosso Estado, e foi lá o nosso querido Presidente Lula dizer que vai construir 500 mil casas, habitações. Não sei se serão habitações com 30 m2 ou com 18 m2, igual à Vila do João há anos, na época do regime autoritário.

 

Aliás, lembro-me, Sr. Presidente, que quando a Vila do João estava sendo inaugurada - não estava eu no exercício do mandato, estava lá como Major da Polícia Militar - conversei com um dos moradores que seria beneficiado com uma habitação, e eu falei: “Mas como?” Comparando o custo da habitação com a dimensão daquela habitação: 18 m2. E ele me respondeu, de uma forma até sofrida: “Major, muito melhor do que a palafita”. Palafita que eu conhecia bem.

 

Cheguei a conviver, Sr. Presidente, com algumas famílias, na Favela da Maré, que perderam filhos que não foram encontrados, porque os filhos caíam, as crianças caíam no lamaçal, morriam afogadas e as famílias não as encontravam.

 

Posso, aqui, reproduzir alguns episódios e não vou fazê-lo. Claro que mesmo aquela habitação de 18 m² representava um avanço em relação à palafita, mas era uma indignidade fazer, com recursos públicos, habitações caras de 18 m² para socorrer desvalidos.

 

Há dinheiro para tudo. Há dinheiro para socorrer banqueiros em todas as fases. Temos aí o Presidente Fernando Henrique Cardoso como vestal, escrevendo em vários jornais que socorreu com o seu Proer banqueiros falidos, fraudulentamente.

 

E, agora, quando os bancos, aqui no Brasil, experimentam lucros estratosféricos, cobrando juros altíssimos - é difícil o acesso ao crédito com a crise mundial -, ao invés de socorrer os trabalhadores, os mesmos estão sendo constrangidos a reduzir jornada de trabalho, com a redução de salário ou a perda do emprego. Os banqueiros continuam recebendo dinheiro, favores do Governo; os grandes empresários, até a indústria automobilística continua recebendo benefícios. Dinheiro público, dinheiro público, bilhões e bilhões!

 

Por que não socorrer a sofrida população brasileira, com uma dívida social que não tem precedente? Construindo, sim, habitações dignas, não para serem vendidas. Será que ao propor a construção de 500 mil casas não poderia buscar o Presidente da República inspiração na política habitacional da Era Vargas, quando os trabalhadores recebiam uma habitação digna, pagavam um aluguel simbólico, tendo que morar naquela residência e 30 anos depois seriam donos da residência. Era o leasing social.

 

Dizer que na favela há de ter o mesmo recurso que existe, somente faltando a praia que não pode ser levada, é algo assim surpreendentemente abusivo.

 

Uma política habitacional responsável deve se destinar, sim, à substituição da habitação sem a remoção das pessoas. Não à preservação da habitação com algumas melhorias. É claro que as comunidades que vão ser “beneficiadas” ficam gratas. Claro que ficam! Até porque existe um velho ditado que diz: “Cavalo dado não se olha os dentes.” Tive um amigo que dizia: “Se houver uma pessoa com fome e você puser diante dela um prato de feijão salgado, se ela estiver com muita fome, pode ofendê-la de tudo, que ela come. Porque a fome fala mais alto.”

 

Agora, estamos aí com esse espetáculo nojento porque, a cada dia, o Governador do Estado, tenta fazer do Presidente da República um biombo; 84% de aprovação, a que custo? Quanto os meios de comunicação estão recebendo do Poder Público para o patrocínio dessa orgia? Porque é uma verdadeira orgia. Um espetáculo! Estão felizes. Estão aí se conduzindo à frente do Poder com toda a irresponsabilidade e uma irresponsabilidade circense. E olhem que eu tenho o maior apreço aos profissionais do circo.

 

De qualquer maneira, Sr. Presidente, é possível denunciar que o Governador do Estado tenta fazer do Presidente da República um biombo. Serviço público falido; servidor público esquecido; as pessoas morrendo nas filas dos hospitais; as unidades de pronto atendimento não atendendo casos de maior complexidade. E afinal de contas, qual a razão de tanta alegria? Qual é a razão de tanta festa?

 

Portanto, Sr. Presidente, venho aqui deixar este protesto e dizer: que dirija o país, que dirija o Estado com mais responsabilidade e, portanto, com menos alegria.

 

Muito obrigado.

 

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