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DATA |
DISCURSO / FEVEREIRO |
| 25/03/09 - Expediente Final | |
| 24/03/09 - Expediente Inicial | |
| 19/03/09 - Expediente Inicial | |
| 17/03/09 - Expediente Inicial | |
| 11/03/09 - Expediente Inicial | |
| 10/03/09 - Expediente Inicial | |
| 10/03/09 - Expediente Final | |
| 05/03/09 - Expediente Inicial |
a questão dos trabalhadores sem terra reunidos no MST–Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra |
| 04/03/09 - Expediente Inicial |
Sambódromo mas também a Cidade do Samba são administrados pela Liesa, a Liga das Escolas de Samba. |
| 04/03/09 - Expediente Final |
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O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho à tribuna, em primeiro lugar, para manifestar a minha mais completa solidariedade às nossas jornalistas, as nossas companheiras que trabalham na TV Alerj aqui no plenário. Todos nós ficamos muito contemplados quando qualquer meio de comunicação acompanha e cobre os trabalhos em nosso Poder Legislativo. É muito importante. Temos aqui vários representantes dos meios de comunicação cobrindo diariamente, principalmente o trabalho do Plenário. Não posso deixar de manifestar uma grande contrariedade por aquilo que está transcrito hoje no jornal Hoje, que tem uma circulação maior em Nova Iguaçu, em uma coluna dedicada à Assembléia Legislativa assinada pelo jornalista Ronaldo Ferraz. A matéria, e até considerando ser o mês de março, o mês em que todas as homenagens as mulheres são reunidas, porque o dia 8 de março é o Dia Internacional da Mulher, diz na coluna uma coisa tão abusiva, tão desrespeitosa que chega a ser muito lamentável. Diz o jornalista:
(Lendo)
(Conclui a leitura) É uma matéria preconceituosa, agressiva, e que merece a resposta, a mais contundente, desta Casa. Deprecia, inclusive, o trabalho dos parlamentares ou a relação que é mantida aqui no Poder Legislativo.
Eu quero fazer este registro e homenagear todos os servidores da TV Alerj, em
especial aquelas que, aqui na TV Alerj, cobrem os trabalhos no plenário. O SR. PAULO RAMOS – Concedo um aparte ao Deputado Alessandro Calazans. O SR. ALESSANDRO CALAZANS – Deputado Paulo Ramos, sempre pertinente nas suas colocações, realmente, eu nem sei quem foi que fez a declaração, mas independentemente de quem seja, foi altamente infeliz, inoportuno, não só preconceituoso, mas eu acho que até um pouco invejoso. Eu acho que a linha foi de inveja. E olha que eu falo com a maior isenção, porque não sei nem quem falou. São profissionais altamente capacitadas, fazem seu trabalho de forma rápida, com sagacidade. Qualquer assunto que qualquer Deputado esteja discutindo, chegamos àquele canto, imediatamente elas já têm argumentação para a entrevista. São profissionais altamente capacitadas, que merecem o respeito de todos nós. Parabéns pela iniciativa de sair em defesa desse grupo maravilhoso. O SR. PAULO RAMOS – Eu agradeço e espero que o Jornalista Ronaldo Ferraz, amanhã, no próprio Jornal Hoje, possa ser elegante e fazer a devida retratação, a devida correção, de algo que não consagra apenas uma injustiça, mas registra um grave abuso. Nenhum jornalista está autorizado a proceder dessa maneira. Venho também, Sr. Presidente, a esta tribuna para dizer que, anteontem, estive participando aqui na Galeria dos Empregados no Comércio, das comemorações dos 50 anos do Sindicato dos Petroleiros. Sabemos da importância da nossa Petrobras para a afirmação da soberania nacional. Sabemos da importância do petróleo como a principal fonte de energia que move o mundo. E sabemos também que enquanto a maioria esmagadora dos países que tem reservas de petróleo está vendo o esgotamento de suas reservas, aqui no Brasil, ao contrário, a cada dia, a Petrobras descobre novos e promissores campos, especialmente no nosso mar territorial, agora no chamado Pré-Sal. Durante as comemorações, com a presença de muitas lideranças sindicais, inclusive do primeiro presidente do Sindicato dos Petroleiros, o companheiro Autran, com a presença, também, da grande Maria Augusta Tibiriçá, hoje com mais de 90 anos e que teve uma participação das mais efetivas na luta pelo “o petróleo é nosso”, final da década de 40, início da década de 50, quando Getúlio Vargas criou a Petrobrás com o monopólio estatal do petróleo, uma lei de um Deputado Federal de São Paulo, Euzébio Rocha. Durante as comemorações, mesmo estando os petroleiros em greve, exigem, primeiro, mais segurança durante as atividades ligadas ao petróleo, principalmente na plataforma continental, onde tem havido inúmeros acidentes. Esta Casa detém hoje um dos maiores acervos sobre o acidente da P-36, que ceifou várias vidas. Pedem também, na greve que fazem, a observação do direito em relação às horas extras. Tratam ainda da participação nos lucros. Mas, paralelamente a esses direitos trabalhistas, há algo que deve mobilizar todos os brasileiros, que é a luta pelo restabelecimento do monopólio estatal do petróleo. Não é razoável que o Brasil, que pode em pouco tempo se transformar no detentor das maiores reservas mundiais de petróleo, esteja, ainda no Governo Lula, dando sequência aos leilões de nossas bacias sedimentares, entregando nosso petróleo a empresas estrangeiras, que vem exatamente de países que são suas matrizes, onde o petróleo vem se esgotando. Como alguém, em nome de nossa soberania, em nome da libertação nacional de um país soberano e socialmente justo, pode, diante de todas as evidências, insistir na entrega do patrimônio nacional? É o que tragicamente vem fazendo o governo Lula. A Agência Nacional do Petróleo persevera, entregando nossas bacias sedimentares, quando é sabido que a única empresa que tem hoje conhecimento para explorar o pré-sal, a única empresa no mundo para a prospecção em águas profundas é a Petrobrás. Qual a razão, então, de compartilhar todo o esforço, que é o esforço do povo brasileiro concentrado na Petrobrás, com os colonizadores, os imperialistas de sempre? Portanto, venho a esta tribuna, Sr. Presidente, para manifestar os meus parabéns aos petroleiros pelos 50 anos de seu sindicato, e, ao mesmo tempo, dizer que estamos juntos numa luta que pertence a todos os brasileiros na defesa do monopólio estatal do petróleo. Salve a Petrobrás! Salvem os petroleiros! Salve a soberania nacional! Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, ontem, em vários pontos do Estado do Rio de Janeiro, especialmente aqui no município, tivemos a oportunidade de constatar a inviabilidade, o absurdo que significa a política de segurança pública levada a efeito por administrações sucessivas, desde o governo Marcello Alencar, na política de segurança pública, cujos efeitos deletérios são identificados pela própria população assustada, por ver milhares de crianças sem aula, hospitais deixando de prestar o atendimento médico; o transporte coletivo sendo paralisado, impedindo que as pessoas possam ter a sua livre circulação. Balas perdidas, e balas achadas, chegando inclusive a alcançar inúmeras residências. O modelo de segurança pública, como eu dizia, vem desde o governo Marcello Alencar, se baseia numa premissa falsa; numa premissa que foi urdida, tramada exatamente com o objetivo de acentuar a exclusão e, simultaneamente, contemplar interesses criminosos facilmente identificáveis. Afirmam, reiteradamente, que o elemento propulsor da criminalidade é o crime organizado. Reduziram o crime organizado ao tráfico de entorpecentes, e simplificaram nas favelas. O objetivo foi identificar os excluídos com mais uma mazela, que é a insegurança pública. E, identificado o inimigo, incorporaram a visão militar. O inimigo tem que ser eliminado. No governo Marcello Alencar ousaram, inclusive, promover incentivos. Era a pecúnia, ficou conhecida, uma gratificação faroeste, promoções por bravura. Aliás, o secretário da época dizia: “Para ser promovido por bravura tem que matar”. Esse modelo, persistindo continuadamente, atravessando o governo Garotinho, Benedita, o governo Rosinha e, agora, dois anos do atual governo, vem demonstrando não apenas a sua desumanidade, mas a sua inviabilidade. Por que? Em determinado momento, mesmo aqueles que fazem a opção pela dura repressão, admitiram o sucesso do modelo mas, depois, foram verificando algo que hoje pode ser reduzido a uma expressão que registra os dados estatísticos, os dados do confronto. A polícia do Rio de Janeiro é a que mais mata e, simultaneamente, é a que mais morre. Nos últimos 14 anos, em cada um dos últimos 14 anos, pelo menos 150 policiais - a maioria esmagadora, policiais militares - foram mortos no ferimento de arma de fogo. Sem omitir o número expressivo daqueles que ficam amputados, paraplégicos, tetraplégicos, incapazes definitivamente para todo e qualquer serviço em decorrência de outras mutilações: a perda de um pulmão, a perda de qualquer órgão que, em não sendo vital, ainda permite uma sobrevivência precária. Digo aqui, Sr. Presidente, não apenas as consequências do estresse profissional, aqueles que vão adoecendo, vão ficando loucos, com desequilíbrio emocional, úlceras nervosas, hipertensão. Esse é o quadro de saúde verificado nas instituições policiais. É um quadro de horror, fazendo com que o Hospital da Polícia Militar passe a ser identificado como especialista em ferimentos de guerra. Afinal de contas, temos ainda, por ano, 150 mortos e 1300 autos de resistência, reconhecendo a letalidade da polícia. Por ano, 1300 são mortos oficialmente pelo aparato do Estado. Sr. Presidente, aí surge outra conseqüência, que é preciso alertar especialmente os profissionais da segurança pública. Matam e morrem, ferem e ficam feridos, mas quando é possível ao Estado fugir da sua responsabilidade, transferindo-a para o profissional da segurança pública, é ele que fica sub judice. O número de policias respondendo a processo criminal é muito grande, e um número expressivamente maior não é por desvio de conduta, é pelo uso de arma de fogo. Na Polícia Militar a situação alcançou patamares tão frustrantes, que foi preciso criar um batalhão prisional, porque, por força do Estatuto, o policial militar tem o direito de cumprir decisões judiciais privativas da liberdade em unidades policiais militares, mas o número foi crescendo e foi ficando inadministrável. Aí criaram um batalhão prisional. Chamaram de batalhão, quando, na estrutura militar, a figura do batalhão tem uma adequação e não pode dar nome a uma unidade prisional. Mas, por um esforço descabido para dizer que o Estatuto estava sendo cumprido, chamaram de batalhão, para dizer que era uma unidade policial militar. Chegamos a esse ponto. Mas a repressão continuada, definido o inimigo, ainda fez com que o inimigo se armasse ou as armas passassem a ser distribuídas com maior facilidade. Diariamente a mídia divulga as armas que são apreendidas, o arsenal apreendido – armas de grosso calibre, armas de grande alcance, armas capazes de disparar, em apenas um segundo, 30, 20, 50 disparos, 50 projéteis. Se esse armamento apresentado ao público em geral tivesse verdadeiramente sendo utilizado, a desgraça ainda seria muito maior. Mas qual a razão de todo esse espetáculo? A fundamentação não resiste a nenhuma análise mais responsável, em conseqüência da opção pelo confronto, a opção pela polícia do espetáculo, as operações de grande vulto, não temos apenas o fechamento do comércio, das escolas, dos hospitais, a paralisação dos transportes e nem somente as mortes, porque qualquer um desses itens, especialmente a preservação da vida já seria uma motivação muito mais relevante para uma reavaliação do modelo, mas o que nós temos é a inviabilização, a supressão da própria destinação constitucional das instituições responsáveis pela segurança pública. A Polícia Militar deixou de fazer o policiamento ostensivo. Não vemos mais o patrulhamento motorizado nas ruas. O desprezo ao policiamento ostensivo é tão grande, que até as viaturas da Policia Militar não têm as mesmas caracterizações da Polícia Civil. Encontramos viaturas pintadas de cores diferentes, quer dizer, aquela marca que deveria fazer com que o policiamento ostensivo representasse um dissuasor psicológico, o cidadão deixar de delinqüir na medida em que vê a presença do policial, a presença do Estado e sua polícia na rua, até isso deixou de existir, e a Polícia Civil deixou de investigar. A operação policial passou a substituir, como se estivessem muito mais preocupados em dar uma satisfação à sociedade do que levar tranqüilidade a toda a população. A insegurança campeia em todos os pontos do Estado e em todos os lares. Não há mais tranquilidade em nenhum lugar e, pior, o modelo de segurança, com a sua fundamentação, não resiste sequer a uma superficial análise econômica baseada na economia de mercado, o consumidor. Onde está o maior consumo? Nas camadas mais favorecidas. Consomem mais diversão, consomem mais alimentos, consomem mais bebidas, consomem mais eletrodomésticos. Se consomem tudo isso muito mais do que os menos favorecidos, como é que não consomem também os entorpecentes? Todo policial minimamente informado sabe que quem compra entorpecente na favela é o viciado pobre ou desesperado. Os centros de armazenamento, distribuição e venda não estão preferencialmente nas favelas. Isto não é verdade, mas, para ratificar e justificar o modelo, quando há uma apreensão na favela, a fotografia sai em todos os jornais. Eu estou convencido hoje de que a inteligência que impregnou o modelo de segurança pública preenche os interesses dos verdadeiros controladores do tráfico de entorpecentes e do crime organizado verdadeiro – o crime organizado não é só o tráfico de entorpecentes, é o jogo, é o contrabando, é a prostituição e o lenocínio e a lavagem de dinheiro. Mesmo nessa análise econômica, os Estados Unidos são os maiores consumidores de tudo, inclusive de entorpecentes. É claro que isso se reproduz em todas as sociedades. Mas qual a razão da afirmação desse ódio social, do apartheid social, jogar pobres supliciados pela exclusão e jogar a classe média, especialmente, contra aqueles que vivem uma situação de miserabilidade? Sr. Presidente, é preciso que haja alguém lúcido no governo, alguém mais sereno, que se disponha a debater esse modelo e suas consequências para a sociedade, porque hoje a situação é visível. Deferiram aos profissionais de segurança pública a força da repressão – estão autorizados até, em nome do Estado, a matar e a morrer. Simultaneamente, precarizaram as condições de vida e de trabalho – salário arrochado, escalas escorchantes, sem assistência – para que o conflito fosse mais acentuado. O secretário de Segurança, agora, quer debater não a recuperação de direitos, quer debater a possibilidade de punir aqueles que, principalmente na estrutura militar, ainda estão longe um pouco do alcance: os oficiais. Como alguns coronéis se insurgiram e se intitularam barbonos, aquilo ficou como marca e eles querem agora retirar uma garantia que está na Constituição Federal e que protege não apenas os oficiais mas também os praças: a proteção contra as arbitrariedades, a exclusão sem qualquer critério, vitimando praças porque a Constituição Federal não é respeitada. Aliás, digo com alegria: sou autor da parcela do dispositivo constitucional que estendeu a praças a mesma garantia que já estava consagrada para os oficiais. Diz assim o texto da Constituição, na sua parte final: “Cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais”. Eu acrescentei: “e da graduação das praças”. Está lá na Constituição de 5 de outubro de 88, mas não é respeitado. Em relação a praças, eles excluem sumariamente quem tem menos de dez anos. É comissão de revisão disciplinar, com praças sendo colocados na rua sumariamente. Quem tem mais de dez anos – é conselho de disciplina – também está sendo colocado na rua sumariamente. A situação é tão grave que o comandante-geral da corporação – não o atual, os anteriores também – sequer respeita as decisões dos comandantes de unidade. Quando o comandante decide pela permanência, o comandante geral decide pela exclusão. Quando o comandante geral da unidade decide pela exclusão, o comandante geral concorda. Ele só discorda para prejudicar. Isso influi nas questões disciplinares. Como é que um comandante de unidade não tem autoridade, porque acompanhou o caso mais imediato, nomeou um conselho, toma uma decisão e o comandante geral discorda e põe na rua, dizendo assim “Vai para a Justiça, busque o seu direito no Judiciário?”. Muitos dentre aqueles que buscam o Judiciário conseguem a reparação, mas só aqueles que têm pique, têm dinheiro, porque têm que contratar advogado, enfim, a situação é muito lamentável. Ao invés de recuperar direitos, ao invés de deferir os direitos já consagrados, o Secretário quer precarizar direitos.
E, para encerrar, Sr. Presidente, atestando definitivamente a
irresponsabilidade, e aí acuso diretamente o Secretário de Segurança Dr. José
Mariano Beltrame. Como ousa dar uma entrevista no último domingo ao Jornal O
Globo, dizendo que 25%, ¼ dos bombeiros militares, têm envolvimento com as
milícias? Ele esteve presente aqui prestando depoimento na CPI das Milícias e
não fez tal afirmação. Depois de ter ido a Brasília nos últimos dez dias - essa
matéria saiu superficialmente -, veio aqui prestar depoimento na Comissão de
Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania, a requerimento meu, e disse que não se
lembrava de ter feito tal afirmação, que não tinha nenhum levantamento, nenhuma
investigação que pudesse levar a tal conclusão. Imaginem: amanhã alguém recebe um grupo de bombeiros trabalhando na prevenção da dengue. Deixa entrar na casa? Ou olha para o bombeiro hoje na rua e pensa: será que é miliciano? Quer dizer, uma falta de respeito, uma desconsideração a uma tradição. O Secretário José Mariano Beltrame é um irresponsável. Ele não poderia fazer o que fez. Não sei. Tenho recebido muitos telefonemas de companheiros do Corpo de Bombeiros. Se o Dr. José Mariano Beltrame pretende debater a desmilitarização dos bombeiros, se pretende debater o desarmamento dos bombeiros, não apenas nas atividades, porque os bombeiros já não atuam armados na sua atividade-fim, os bombeiros não vão combater um incêndio armados, os bombeiros atuam desarmados, têm direito ao porte de arma, são profissionalizados para o uso da arma, porque o Corpo de Bombeiros ainda é força auxiliar e reserva do Exército, mas se ele quer debater este tema, vamos debater sinceramente, e não inventar argumentos para sensibilizar a sociedade para os seus projetos, que nós não sabemos motivados por quê. O Secretário não conhece o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, seguramente nem conhece o Estado, porque daqui não é. Não conhece. Aliás, eu nem sei como alguém pode ser Secretário de Segurança de uma unidade da Federação sem nunca ter vivido nela. Não conhece. Não conhece a sociedade, não conhece a cultura, não conhece nada. Acredito que devamos em homenagem ao Corpo de Bombeiros e amanhã estarei propondo: o Secretário de Segurança tem que receber desta Casa pelo menos um voto de pesar, ou de condenação a essa sua atitude em respeito aos bombeiros militares e em respeito à sociedade, em respeito à população, que não pode ser presa de um modelo equivocado de segurança pública que causa muito mais insegurança do que promove a segurança, e não pode ser mais intranqüilizada ainda com a tentativa de levar ao descrédito uma corporação que caminha para dois centenários. São dois centenários de luta, de afirmação, de trabalho! Não pode. Portanto, Sr. Presidente, isso não é mais possível. O Secretário de Segurança tem que vir prestar depoimento no plenário desta Casa, com todos os Parlamentares presentes, não numa Comissão. Ele precisa dizer sobre os fundamentos dessa política e onde buscou informações para dizer que 25% do Corpo de Bombeiros ou 25% dos milicianos são integrantes do Corpo de Bombeiros. Presto minha homenagem aos bombeiros militares, presto minha homenagem aos profissionais da segurança pública, como os bombeiros também, porque também são profissionais da segurança pública, convivem nos mesmos ambientes. Como militares, são convocados para agir em questões de segurança. Mas presto minha homenagem àqueles que estão sendo sacrificados em homenagem a uma política equivocada, uma homenagem ao conjunto da sociedade, especialmente àqueles que hoje, desesperados, na Zona Sul, compreendem o que é uma operação policial de grande vulto, com violência e com balas disparadas para todos os lados, obrigados a deitar no chão, se esconder na banca de jornal. Sobre o que houve ontem na Zona Sul, no Catumbi e em Realengo, e o que tem havido em várias partes de nosso Estado, que a população se insurja para dizer: esse modelo de segurança pública não pode prosperar. Os profissionais da segurança pública precisam ser reconhecidos, os servidores públicos, de um modo geral. Então, Sr. Presidente, é inaceitável. Que o Secretário de segurança pelo menos assuma a responsabilidade de dizer que aquilo que foi publicado não corresponde àquilo que ele pensa, se é que não corresponde. Muito obrigado.
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho à tribuna para tratar, mais uma vez, de um tema que tem sido para mim motivo de grande perplexidade. Refiro-me a uma espécie de drama, que a cada dia se acentua, que está sendo vivido por um delegado da Polícia Federal, Dr. Protógenes Queiroz. Afinal de contas, a Polícia Federal tem o papel de investigar. Dr. Protógenes Queiroz recebe a incumbência de fazer uma investigação, naturalmente com uma equipe integrada por outros delegados federais e por agentes federais. A investigação alcança algumas grandes figuras da República, principalmente aquelas ligadas ao poder econômico, a começar pelo Sr. Daniel Dantas. A investigação foi levada a efeito ainda com a participação oficial de representantes da ABIN - Agência Brasileira de Inteligência. É natural que em uma investigação policial, aquele que por ela se responsabiliza acumule documentos os mais diversos, acumule informações as mais diversas, mesmo em relação a pessoas que não são ou que não integram o objeto da investigação. Isso é natural. Aqui mesmo, nesta Casa, quando há uma Comissão Parlamentar de Inquérito, por vezes, acumulamos documentos que não são do interesse da investigação. Os documentos são queimados? Não. Os documentos permanecem arquivados. Mas em uma investigação policial, e ainda mais agora com o advento da informática e de outros mecanismos, o investigador acumula sem utilizar. De repente, o juiz de São Paulo, Dr. Fausto De Sanctis, depois do parecer convalidando a investigação do Ministério Público, parecer do Ministério Público consolidando a investigação, determina a prisão preventiva não apenas do Sr. Daniel Dantas mas também do Sr. Celso Pitta, do Sr. Naji Nahas e de outras figuras. O presidente do Supremo Tribunal Federal não só concedeu um habeas corpus a essas figuras como também se transformou no maior defensor do Sr. Daniel Dantas, a quem concedeu mais de um habeas corpus, além de, certamente, ter participado de uma orquestração que procura desacreditar o delegado Protógenes Queiroz. Houve até um fato inusitado: apareceu a gravação de uma ligação telefônica feita pelo Senador Demóstenes Torres ao presidente do Supremo Tribunal Federal. Aliás, uma gravação muito oportuna, que serviu para atestar desvios de conduta do delegado Protógenes Queiroz, mesmo não sendo possível descobrir quem teria feito aquela gravação. Tudo muito apropriado para proteger os poderosos. Agora o delegado Protógenes Queiroz passou a ser investigado, deixou de ser o investigador. Contra ele são reunidas tantas provas que não têm nenhum respaldo, e agora corre ele o risco de ser excluído da Polícia Federal. Olhem a que ponto chegamos: um profissional, delegado de Polícia Federal, está correndo o risco de perder essa condição porque ousou aprofundar uma investigação que alcançou os poderosos. Eu me lembro de um episódio que envolveu um procurador da República, o Dr. Luiz Francisco de Souza, sobre quem ninguém mais ouve falar, praticamente. Ele, numa determinada época, como procurador da República, diligente que é, começou, cumprindo a sua função, a investigar tantos poderosos que quase também foi destituído da condição de procurador da República. Foi ameaçado, intimidado – e, obviamente, reprimido, desistiu de seguir pelo caminho do enfrentamento. Agora, vemos a situação do Dr. Protógenes Queiroz. Na época, esta Casa, por minha iniciativa, conferiu a Medalha Tiradentes ao procurador da República Luiz Francisco de Souza, como já concedeu ao Dr. Fausto de Sanctis, juiz federal em São Paulo, e ao delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal. Venho a esta tribuna para manifestar o meu inconformismo. É duro verificar que um servidor público dotado da autoridade policial, com a competência de fazer investigação, recebe uma tarefa oficial, realiza essa tarefa com proficiência e, de repente, passa a ser vítima de uma trama que pode culminar com sua demissão. Vamos esperar, vamos acreditar que tal absurdo não venha acontecer. Porque, se, porventura, houver a consumação daquilo que já se insinua, todos os delegados federais estarão intimidados, estarão desencorajados para a realização de qualquer investigação. E, aí, estaremos praticamente com tudo perdido. Os poderosos protegidos, os criminosos de colarinho branco sem qualquer possibilidade de alcance, e os representantes no Estado, as autoridades policiais acuadas. De qualquer maneira, fica aqui a minha solidariedade, especialmente ao Dr. Protógenes Queiroz, esperando eu que a Associação Nacional dos Delegados de Polícia, a representação dos delegados federais possa se manifestar. Não é possível que haja o silêncio. Estou, inclusive, buscando contato para verificar. Afinal de contas, onde está a entidade representativa, quando um integrante da categoria sofre esse tipo de perseguição? Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Gilberto Palmares) – Ao mesmo tempo em que convido o nobre Deputado Comte Bittencourt a ocupar a tribuna para a sua intervenção de dez minutos, registramos aqui com alegria a presença nas galerias de uma série de alunos e alunas. Não sei qual é a escola, mas, de nível médio, que se encontra aqui nas dependências da Alerj assistindo as intervenções dos Deputados. Deputado Comte Bittencourt.
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, venho à tribuna tratar de um tema que extrapola as questões regionais e as questões nacionais, porque envolve o concerto das nações. E o faço tendo em vista intervenções por mim já feitas nesta Casa, mas também aproveitando a notícia, publicada em todos os jornais, envolvendo a visita do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva ao Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Já na campanha eleitoral, o Presidente dos Estados Unidos assumiu o compromisso de enfrentar os paraísos fiscais, atribuindo a estes uma parte importante de responsabilidade na crise do capitalismo mundial. Agora, o Presidente do nosso Brasil vai fazer uma visita oficial ao Presidente dos Estados Unidos e manifesta esse desejo de enfrentamento dos paraísos fiscais. Tive a oportunidade, Sr. Presidente, Srs. Deputados, de tratar deste tema durante a elaboração da Constituição promulgada em 05 de outubro de 1988, Deputado constituinte que fui. Mas de tratar deste tema, não apenas de uma abordagem relativa ao sistema financeiro internacional, mas também em relação à segurança pública, ao crime organizado. E aí podemos incorporar também todas as práticas de corrupção, porque os paraísos fiscais, além do recolhimento de recursos financeiros ligados a procedimentos ilegais e à corrupção de todo matiz, eles são verdadeiros arquivos criminais, porque quem recolhe os seus recursos financeiros aos paraísos fiscais o faz porque não pode publicamente demonstrar a origem daquele recurso.
Então, o detentor do recurso sabe quem
infringiu a lei, quem integra o crime organizado, quem se corrompeu, ficando
numa relação de dependência interessantíssima que pode ser constatada agora, com
todos os golpes, com toda a crise do sistema financeiro internacional,
demonstrando que não apenas os paraísos fiscais, mas fundos de pensão, grupos de
investimento, todos deram um golpe, a bolha, mentiram, se apropriaram do
dinheiro de pessoas as mais diversas. O SR. PAULO RAMOS – Eu estou ali em duas metades, não é, Sr. Presidente? Mas nós não estamos constatando aqui no Brasil a reação de nenhum investidor individual. Não há ninguém se insurgindo contra o golpe de que foi vítima. Aqueles brasileiros que recolheram seus recursos auferidos de forma ilícita, obviamente, aos paraísos fiscais, não estão reclamando, não há nenhuma manifestação e não reclamam, porque a reclamação seria uma verdadeira confissão: a confissão de ganho, a confissão do recolhimento de recursos financeiros através de procedimentos ilícitos. E eu dizia que tratei deste tema na Assembléia Nacional Constituinte também na perspectiva da Segurança Pública. E tentei inserir no texto constitucional um dispositivo que dizia o seguinte: “O Brasil não manterá relações diplomáticas e nem comerciais com países cujos sistemas bancários se utilizem do mecanismo de conta numerada e secreta, e se recusem a fornecer informações sobre movimentações financeiras feitas por brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil, quando solicitadas pelo Governo ou pela Justiça brasileiros”. É claro que eu não consegui aprovar este dispositivo. Depois, cheguei até a apresentar como projeto de lei, cheguei a realizar na Comissão de Relações Exteriores da Câmara de Deputados uma audiência pública tratando deste tema, porque enfrentar os paraísos fiscais significa enfrentar a corrupção e o crime organizado a partir do estuário dos recursos financeiros, pois é lá que eles depositam. Então, hoje quando vejo nos jornais, após ter acompanhado – porque era impossível não acompanhar – a campanha eleitoral dos Estados Unidos, vendo que os conglomerados econômicos, quer dizer, vendo a crise do capitalismo mundial se expressando já naquela eleição, porque o governo americano se subordina aos grandes conglomerados econômicos fazendo uma alusão mais especial, ao complexo industrial militar. Todos sabem disso. Mas os grandes grupos econômicos definem a composição do governo, e quando um candidato que foi vitorioso se manifesta desejoso de enfrentar os paraísos fiscais, isso é motivo de grande alegria. Agora, quando o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também se manifesta disposto a esse enfrentamento, eu imagino que, pelo menos a partir da América do Sul e da América Latina, que são regiões prejudicadas porque têm recursos financeiros desviados através de mecanismos dos mais diversos para os paraísos fiscais, vejo que o Presidente Lula pode até liderar um movimento, não se subordinando a qualquer iniciativa do Presidente dos Estados Unidos, mas liderar um movimento a partir da América do Sul e da América Latina. Aí estaremos constatando a sinceridade e o desejo verdadeiro de enfrentar esse cancro que, às vezes, oculta até algumas honras já perdidas, porque os recursos são lá depositados. Então, Sr. Presidente, eu quero dizer do meu contentamento de constatar que essa janela agora começa a ser aberta, que nós não podemos aceitar que os verdadeiros receptadores do crime organizado e da corrupção que campeiam no mundo possam continuar com suas portas abertas, livres, leves e soltos. Que fique aqui a minha manifestação de solidariedade a essa proposta e a minha disposição, não só de continuar acompanhando, mas também de, com as limitações do mandato, continuar exigindo providências. Muito obrigado, Sr. Presidente.
O primeiro é a punição imposta ao Coronel PM Menezes, já na inatividade, e que desenvolve uma atividade pública no município de Búzios, atividade esta vinculada à área da segurança pública. O Coronel Menezes está preso, punido com quatro dias de prisão. É um tempo até pequeno, considerando os aspectos disciplinares, quando eu, no período que estive no serviço ativo cheguei a experimentar três de trinta, mas a minha perplexidade prende-se ao motivo determinante da prisão disciplinar ter acontecido em maio do ano passado. Além de tudo, o fato de o Coronel Menezes ter difundido, através do que é disponibilizado pela internet, um posicionamento relativo à segurança pública, ser uma posição correta, porque ele manifesta estranheza ou até indignação o fato de os policiais militares terem a necessidade de recorrerem a bicos em face dos pequeníssimos salários. E também a distribuição de uma parcela do efetivo da Polícia Militar nos diversos outros órgãos públicos, prejudicando a população no concernente ao policiamento ostensivo. Por outro lado, independente da concordância ou não em relação ao posicionamento em maio do ano passado do Coronel Menezes, quando havia certa ebulição na Polícia Militar, em decorrência da questão do arrocho salarial, como alguém que alcança o último posto da Polícia Militar pode ser privado do direito de emitir uma opinião. Afinal de contas, como vamos conseguir resolver os graves problemas na área da segurança pública se alguém que acumulou experiência, ao longo da carreira, ficar impossibilitado de manifestar publicamente uma opinião. Quero desta tribuna manifestar minha solidariedade ao Coronel Menezes e convocar, especialmente aqueles que ocupam os últimos postos da carreira policial militar, para que emitam suas opiniões, para que não permitam que uma instituição como a Polícia Militar, completando 200 anos, seja conduzida por pessoas estranhas que não têm compromisso com a segurança pública, muito menos com a instituição, e que ainda se arvoram no direito de punir aqueles que ousam se manifestar. Então, quero mandar um abraço ao Coronel Menezes. Trato também, Sr. Presidente, de outra questão que me surpreendeu muito mais. S.Exa. o Secretário de Estado de Segurança Pública comparece a um evento em Brasília e lá diz uma coisa grave, sem nenhuma prova, porque é óbvio que a afirmação leviana do Secretário Beltrame não corresponde à verdade: diz que 25% do envolvimento nas milícias estão no Corpo de Bombeiros. Não sei se ele tem o quantitativo de milicianos, nem sei se ele conhece o efetivo do Corpo de Bombeiros, mas, de qualquer maneira, é uma afirmação destituída de qualquer lógica – 25%, como ele quantifica, e ainda procura se apresentar como um defensor da instituição. Sabemos, aliás, todos sabem que, se existe uma corporação, uma instituição reconhecida pela opinião pública, esta é o Corpo de Bombeiros, pelos relevantes serviços prestados à população ao longo de quase dois séculos de existência. E vem o Dr. Beltrame, que não conhece o Estado do Rio de Janeiro, não conhece nossa realidade e não conhece o Corpo de Bombeiros, se atrevendo a fazer uma afirmação que somente tem repercussão, não pelo seu significado, mas pelo fato de ser algo proferido pelo Secretário de Estado de Segurança Pública – 25%! Em nenhum momento ele cuida da remuneração dos profissionais da Segurança Pública. Como o Corpo de Bombeiros não pertence mais à Secretaria de Estado de Segurança Pública, o Corpo de Bombeiros estranhamente faz parte da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, uma figura esdrúxula criada na atual administração. Aliás, o Corpo de Bombeiros passa a ser desacreditado por estar assumindo responsabilidades na área da Saúde, já que administram as chamadas UPAs, Unidades de Pronto-Atendimento. Sr. Presidente, diante de tamanha irresponsabilidade, dei entrada na Comissão de Defesa Civil, Comissão Permanente desta Casa, em um requerimento para que o Secretário de Segurança venha nos esclarecer. Se ele possui informações, se ele possui provas que nos convençam de que 25%, aliás fala do transporte alternativo também, e quando ele fala do transporte alternativo na verdade se apresenta muito mais como um defensor dos interesses da Fetransport do que como um defensor de um sistema de transporte de massa que beneficia a população. Ali está embutida uma confissão. Não sei. Não sei quais os comprometimentos do Secretário de Segurança. Aliás passei a ter dúvidas quando ele, no carnaval, se manifestou contrariado com a participação de policiais militares, a maioria policiais militares inativos, na segurança do carnaval, na segurança da população, dizendo, fazendo coro: “Ah, mas é a Liga das Escolas de Samba”. A Liga é controlada pelos banqueiros do Jogo de Bicho, tendo aqueles que controlam no Estado inteiro, dividindo território, as máquinas caça-níqueis. Ele se omitiu, quando há recursos federais destinados à Liga das Escolas de Samba, há recursos estaduais, recursos municipais. Os contratos para administração da Cidade do Samba e para administração do Carnaval são contratos firmados com a Liga das Escolas de Samba. Ele deixou de dizer que o camarote frequentado pelo Presidente da República, pelo Governador do Estado e outras autoridades, é cedido pela Liga! Que nos bastidores do Carnaval, nos bastidores do camarote, há figuras condenáveis, com uísques e mulheres, e as figuras mais expressivas da nossa República compartilhavam aquela euforia exatamente com os banqueiros dos jogos de Bicho, ou do Jogo dos Bichos - era assim que falávamos quando éramos novos, Deputado Sabino. Não era o Jogo de Bicho, era o Jogo dos Bichos. Considero estranhos os posicionamentos do Secretário de Estado de Segurança Pública. No carnaval ele não condena as autoridades; condena o supliciado do policial militar que está lá tentando complementar o salário, num momento festivo, que poderia estar com sua família, deveria estar brincando carnaval, mas está ali, em função dos parcos salários, tentando complementar. A parcela majoritária é inativa. E agora, faz uma denúncia irresponsável, que alcança a imagem do Corpo de Bombeiros, em defesa de quê? Da Fetransport? Em defesa do verdadeiro crime organizado? Em defesa de quê? Deveria o Secretário ser pelo menos mais recatado e tratar dessa questão no foro próprio, que é o Poder Executivo, que ele integra. Então, encerrando, primeiro quero mandar um forte abraço para o Coronel Menezes, pela injustiça contra ele praticada e dizer que ele tem razão quando manifesta preocupação com o fato de os policiais militares terem a necessidade, pelo pequeno salário que recebem, de recorrer ao bico para uma complementação salarial, para dar melhores condições de vida à sua família, ter uma vida mais digna, o que deveria ser proporcionado única e exclusivamente pelos cofres públicos. A economia do Rio, a segunda no país, depois de São Paulo – São Paulo, Rio e
Minas – paga aos policiais militares o pior salário. Não há nenhuma outra
unidade da Federação que defira a um soldado da Polícia Militar ou a um soldado
do Corpo de Bombeiros, R$ 850,00 líquidos. É a última. O Coronel Menezes, em
maio do ano passado! A punição é acima de tudo intempestiva, quando já está ele
na inatividade, e teve que se apresentar para cumprir quatro dias de prisão.
Aliás, recuperando na memória os valores policiais militares, a punição deve ter
o propósito da recuperação do punido. O punido comete um erro, recebe a punição
para refletir sobre o seu comportamento. É uma vingança torpe, não sabemos industriada por quem. Mas está lá o Coronel Menezes. Quatro dias. Seguramente na sexta-feira já estará ele no convívio da sua família, afirmando a sua dignidade que está preservada porque algumas punições honram. E é esse o caso: manifestou a sua opinião e foi punido. Opinião correta, porque é incompreensível que profissionais da segurança pública, que dependam do descanso necessário à prestação do serviço, ainda tenham que recorrer a outras atividades remuneradas, de modo a que possam dar à sua família uma vida mais digna. O Estado é que é irresponsável, o Dr. Beltrame atinge de forma injusta e irresponsável uma instituição como o Corpo de Bombeiros, instituição que merece todo o nosso reconhecimento. Portanto, Sr. Presidente, os meus aplausos ao Coronel-PM Menezes e o meu repúdio ao Dr. Beltrame, que sequer tem consciência de suas responsabilidades, porque, no fundo, no fundo, o que ele acusa é o governo do Estado, mas não sabe o que está fazendo. Lembro-me até de algo que V.Exa. tem aí ao lado - a Bíblia. Aí está, na vida de Cristo, a máxima: “Perdoai-os, Senhor, porque eles não sabem o que fazem”.
Estamos vendo em vários hospitais, especialmente, Deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha, na Zona Oeste, no Hospital Rocha Faria, uma situação muito difícil, enfrentada pela população em face da inexistência de profissionais de saúde, especialmente obstetras. Mulheres grávidas – observem que estamos no mês de março, quando as mulheres são homenageadas com o Dia Internacional da Mulher, dia 8 – estão com dificuldade de encontrar profissionais para a realização do parto, principalmente no Hospital Rocha Faria. Estamos há mais de dois anos com o mesmo governo e ficamos extremamente preocupados porque ainda somos inseridos no debate relativo à contratação de profissionais através de cooperativas, através de terceirizações as mais diversas, quando o correto, o constitucional, consiste em admitir servidores através do concurso público. Há um debate também que envolve a questão da remuneração. Mas a remuneração de um médico-obstetra está na casa de R$ 1.800,00 e aí fica muito difícil atrair quem se disponha a cumprir uma determinada carga horária, recebendo tal remuneração, incompatível com a aspiração e com o próprio direito desses profissionais. Aí lembro que, durante a campanha eleitoral, o governador do Estado percorreu as entidades representativas dos profissionais de saúde, as reuniu no Sindicato dos Médicos, e assumiu o compromisso, Deputado Flávio Bolsonaro, da implementação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, porque o servidor público – esta é a regra – tem que ser concursado, estatutário, tendo também um Plano de Cargos, Carreiras e Salários. Eles devem estar organizados dessa forma, o único caminho para a valorização do servidor, o único caminho para fazer com que o servidor tenha um compromisso público. É impossível, Deputado João Pedro - e quem acumulou experiência administrativa sabe disso – conseguir administrar, tendo servidores vinculados a regimes jurídicos diferentes e a remunerações diferentes. Isto não acontece só no Hospital Rocha Faria. Isto acontece na área de saúde que eu chamo de civil, e vem acontecendo também, de uma forma estranha, no Corpo de Bombeiros. Os profissionais de saúde do Corpo de Bombeiros Militares classificados nas unidades de pronto atendimento, principalmente os médicos, têm uma gratificação, enquanto os mesmos profissionais de saúde que trabalham no Hospital Central do Corpo de Bombeiros não têm. Mas como é uma corporação hierarquizada, ocorrem conflitos hierárquicos, na medida em que, por vezes, um oficial da área de saúde recebe mais do que o seu superior hierárquico combatente. Todos nós sabemos que quem construiu a imagem do Corpo de Bombeiros, reconhecida pela população, foram os bombeiros militares combatentes, aqueles que caracterizam a realidade da instituição. Mas, voltando à área de saúde, já houve tempo suficiente. Não é possível, cumprida mais da metade do mandato, estejamos ainda a discutir outras questões, como o relacionamento entre município, Estado e União, já que o Rio de Janeiro é a unidade da Federação, por ter sido capital, que tem também um grande número de unidades de saúde administradas pela União. Se há a necessidade de harmonia, isso já deveria ter sido construído há muito tempo, porque quem paga um alto preço é a população. Então, nós temos a população que não é atendida; nós temos servidores públicos tratados de forma diferenciada; às vezes, regimes jurídicos diferentes, dentro da mesma unidade de saúde; às vezes até servidores pertencendo a esferas administrativas diferentes. Então, é uma confusão de tal ordem que faz com que a prestação do serviço de Saúde deixe a desejar. Quem perde com isso é a população, mas também perdem os servidores públicos, porque por vezes permanecem na mesma unidade de Saúde tendo conflitos internos, pois cada um recebe um tratamento que, comparativamente, faz com que seja mais ou menos benéfico. Sr. Presidente, uma área que é reclamada pela população e que o serviço público não pode, de forma alguma, deixar de corresponder é a área de Saúde. Claro que também a da Educação. O que estamos vendo na Educação? Hoje, o município que está na ordem do dia é o de Belford Roxo. Quinze mil alunos sem aula! Quinze mil, num município, sem aula! Porque a prefeitura não está estruturada, mas também o Estado, com suas unidades, tem deixado a desejar. E são dois serviços públicos essencialíssimos: Educação e Saúde. Sr. Presidente, venho à tribuna para dizer: afinal de contas, quando – quando? - o governo vai interagir com os municípios e com a União para que possamos ter o Serviço Único de Saúde, respeitadas as competências de cada esfera administrativa sendo implementado? Porque quem ganha com isso sempre é a iniciativa privada. Ganham os planos de saúde. Quem pode pagar, paga o plano de saúde. E quem não pode pagar? A maioria esmagadora da população.
Agora, lançaram um plano de Saúde a R$ 50,00. Disseram que estava destinado às
donas de casa, às pessoas que recebem remuneração menor. Mas R$ 50,00! A pessoa
paga todos os impostos e ainda recebe aquela caracterização de baixa renda e vai
ter um plano a R$ 50,00, mas que atende seletivamente, não atende em todas as
clínicas, e a população sofre muito. Há o caso dramático vivido por profissionais de Saúde do Hospital Getúlio Vargas. Como fazer com que a família aceite um possível erro médico que levou uma mulher ao óbito, quando o lado do cérebro que deveria ser operado, não foi: operaram o lado direito e teria que ser o esquerdo ou vice-versa. E a família está lá, desesperada, porque morre uma mulher da família, deixando filhos e um sofrimento muito grande. Mas a responsabilidade recai, única e exclusivamente, sobre os ombros dos profissionais de Saúde. Sr. Presidente, é tudo muito lamentável e é de se esperar que, o mais rapidamente possível, o serviço de Saúde do nosso Estado seja reestruturado ou estruturado, de modo a que os profissionais de Saúde sejam reconhecidos, admitidos por meio de concurso público, sejam estatutários, tenham plano de cargos, carreiras e salários e recebam, obviamente, uma remuneração que seja compatível com as necessidades de cada um, mas acima de tudo compatível com a dignidade humana. Muito obrigado.
Está novamente ocupando todas as páginas de jornais, sendo falado através de todos os meios de comunicação e por quê? Pelas razões publicadas na revista Veja? Claro que não. O Delegado Protógenes Queiroz alcançou notoriedade porque recebeu na Polícia Federal, delegado que é, a atribuição de fazer uma investigação que, ao final, concluiu pelo envolvimento de pessoas de alto coturno, especialmente o senhor Daniel Dantas. O senhor Daniel Dantas construiu um império econômico através da convivência também com altas figuras da república, aliás o senhor Daniel Dantas chegou a ser patrocinado pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal que concedeu habeas corpus para que ele ficasse livre, leve e solto depois de ser pilhado na prática de inúmeros ilícitos. Aliás, o presidente do Supremo Tribunal Federal também se apresenta agora como grande aliado dos latifundiários, se insurgindo contra os movimentos que lutam pela reforma agrária - o MST e também a Via Campesina, principalmente o MST. Então, o presidente do Supremo patrocina a causa. Tudo aparentemente estava sendo sepultado. A CPI dos grampos, presidida também por um deputado federal oriundo dos quadros da Polícia Federal, estava sendo encerrada sem qualquer conclusão ou quem indiciasse, que apresentasse algo de relevante para o povo brasileiro. Mas a CPI agora ganha novo fôlego, vai ser prorrogada por mais 60 dias e tudo indica que o objetivo seja alcançar o Delegado Federal Protógenes Queiroz que, ao fazer a investigação que fez, contou com a participação de outros integrantes da Polícia Federal. Uma investigação oficial que teve interlocução com a Abin-Agência Brasileira de Informação. Ora, vejam só, a Abin, interlocutora de inúmeras outras investigações, como é natural que o seja. Aliás, quem faz uma investigação se relaciona com diversos setores da administração pública e da administração privada. Às vezes quem investiga busca informações até nos presídios, porque percorre caminhos onde circulam provas ou informações sobre a prática de crimes. Quem faz uma investigação recebe informações paralelas, sobre questões as mais diversas, que ficam registradas, mas não são usadas. Imaginar a possibilidade de existir informações sobre pessoas diversas, sob a responsabilidade de quem fez uma investigação que envolvia altas figuras da nossa República, é natural. Agora, tentar estabelecer uma confusão e tentar também atribuir uma suposta gravação feita de um telefonema trocado entre o presidente do Supremo Tribunal Federal e o Senador da República, Demóstenes Torres, quando aquilo claramente deixou transparecer ser uma grande orquestração, para exatamente consubstanciar ou fortalecer a posição do Ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal...
Tivemos a oportunidade - e a iniciativa foi minha - de conferir ao Dr.
Protógenes Queiroz, Delegado da Polícia Federal, a Medalha Tiradentes. Não posso
acreditar que o Deputado Federal Marcelo Itagiba vá se prestar a cumprir um
papel para alcançar um companheiro seu de profissão, que agiu corretamente, fez
uma investigação responsável, chegou a conclusões com provas.
Parabéns, Dr. Protógenes Queiroz! Persevere! Não se deixe curvar, porque a luta
é muito difícil, principalmente quando travada contra os grandes poderosos.
O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, corrigindo o Deputado Dica, que preside a Sessão, não sou coronel, sou major. Naturalmente que mereço; por mérito, seria general, pronto, mas ainda não. Aliás, nem dá mais tempo, já perdi a possibilidade. Mas agradeço a V. Exa. por ter feito a promoção. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna tratar de um assunto a que se precisa dar correta visibilidade: a questão dos trabalhadores sem terra reunidos no MST–Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, que é sem dúvida o movimento social de mais expressão no nosso País e que denuncia permanentemente, diuturnamente, continuadamente, a não-realização até hoje da reforma agrária no Brasil. Aliás, se a reforma agrária já tivesse sido realizada, seguramente hoje a fome não seria o principal problema do País. Peço licença a todos, pois preciso atender esta ligação. (Pausa) Como vou falar, a seguir, dos trabalhadores sem-teto, fiz uma consulta para saber o nome do líder que foi assassinado lá em Campo Grande no Acampamento Serra do Sol, de quem eu só sabia o apelido. É José Carlos, o Pé-pé. Voltando ao MST, Sr. Presidente, sabemos que os sem-terra têm lutado com muita garra. Não é fácil lutar no campo contra a força política e a força dos latifundiários e usineiros armados. Não é fácil. Inclusive os usineiros foram chamados de heróis pelo nosso presidente da República. Houve um triste episódio em Pernambuco, durante uma ocupação. Aliás, foi Pernambuco que consagrou também Francisco Julião, nas ligas camponesas, lutando pela reforma agrária - Francisco Julião, cassado pela ditadura, perseguido sob todas as formas. Pernambuco é um estado que representa, talvez com muito mais clareza, a luta pela reforma agrária. Os trabalhadores do campo em Pernambuco são reconhecidos como conscientizados, sabem a luta que travam. E são muitos, são muitos os trabalhadores rurais que vêm sendo assassinados ao longo de décadas sem que haja uma reação contundente das chamadas forças conservadoras, que lutam, ao lado do latifúndio, contra a reforma agrária. É preciso também lembrar, Deputado Sabino, o que todos sabem: uma das razões para o golpe de 1964, para a deposição do Presidente João Goulart – e está no jornal de hoje que ele foi anistiado, mas deveria ter sido o primeiro ou um dos primeiros. João Goulart foi anistiado e a família, liderada pelo filho de Jango, tenta agora comprovar que Jango foi assassinado no exílio, envenenado. Mas João Goulart, uma das razões de ter sido deposto, em 1964, foi porque nas reformas de base ele incluía a reforma agrária, a desapropriação de terras ao longo das rodovias e ferrovias, não só para dar o título de terra, mas apoiar o agricultor para que ele pudesse produzir e escoar a sua produção. Aliás, a reforma agrária de Jango também previa o fim da fome; assim como sua reforma educacional previa o fim do analfabetismo. Incorporava inclusive uma participação expressiva das Forças Armadas na distribuição dos gêneros alimentícios que fossem produzidos. Afinal de contas, dizem que a fome é má conselheira. E a tragédia da fome é vivida por parcela expressiva da população do nosso País, inclusive aqui no Rio de Janeiro, em várias regiões. Lembro-me, quando estive em Rio das Ostras, Sr. Deputado Sabino, de uma ampla reunião organizada por meu companheiro de partido, Gelson Apicelo, alguns anos atrás, que reuniu talvez o que houvesse de mais representativo das dificuldades vividas pela população da Região dos Lagos: a pobreza. Muitas pessoas confessaram ali, de forma a mais dura, que passavam fome com seus familiares. Pais passam fome com seus filhos! Agora há a tentativa de criminalização do MST, por causa de um episódio, que é claro que tem que ser esclarecido, é claro que tem que ser investigado. Mas não podemos aceitar que o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Sr. Ministro Gilmar Mendes, açodadamente venha assumir uma posição já condenatória, sem que tenha havido uma investigação. Chegou a acuar o Presidente da República, que deu uma declaração um pouco dúbia, mas também fazendo coro a uma criminalização prévia. Afinal de contas, o Presidente do Supremo Tribunal Federal tem se apresentado aos olhos da nação como o grande advogado do Sr. Daniel Dantas, que também é latifundiário. Mas com que autoridade? Por que não dizer, serenamente: “Vamos exigir uma investigação criteriosa, vamos verificar as circunstâncias”? É preciso responsabilizar os culpados, sim, mas depois de uma apuração. Por que imediatamente concluir que os trabalhadores sem terra estavam armados com um arsenal, quando sabemos que os trabalhadores do campo são as grandes vítimas? Figuras expressivas, que alcançaram notoriedade, não só no Brasil como no mundo, foram assassinadas, lutando pela defesa da terra ou do meio ambiente: Chico Mendes, Dorothy Stang e tantos outros. São muitas as lideranças do campo que foram assassinadas. Há outros movimentos, além do MST. Mas dizer que o Governo Federal, em cinco anos, liberou para organizações ligadas ao MST 48 milhões? Em cinco anos? Dá o título da terra e abandona o lavrador. Mas o Fantástico mostrou que um pedaço de terra no Pará foi vendido por 300 mil reais e tinha feito parte da reforma agrária! A grande característica dessa pseudo-reforma agrária que acontece no Brasil é dar o título da terra, não dar apoio, e o lavrador, sem condições de sobreviver, vende a terra. Durante o período autoritário, vários latifúndios foram constituídos a partir de glebas de terras que foram distribuídas e tituladas em homenagem à reforma agrária. Mas como o sujeito vai sobreviver, se não há uma política agrícola de apoio, um planejamento? O MST é o maior movimento popular do Brasil. Precisa ser apoiado e prestigiado. Tudo o que acontecer que resulte em dano, qualquer episódio, tem que ser investigado. É claro que tem que ser! Vemos famílias enlutadas daqueles que, lá em Pernambuco, num conflito, foram mortos. Mas nós sabemos que os latifundiários têm capangas. A capangagem existe no campo, contra o trabalhador rural. Assim, o MST precisa ser homenageado e reconhecido, ainda mais num País como o nosso, onde a população vem sendo massacrada e não encontra nem forças para se organizar, resistir e conhecer o que acontece no País. Foram 48 milhões para o MST em cinco anos; em uma hora, deram 4,6 bilhões ao Sr. Antônio Ermírio de Moraes. Os banqueiros estão ganhando dinheiro a rodo, os grandes empresários estão ganhando dinheiro do BNDES e de outras fontes. E para a reforma agrária? Nada. Sr. Presidente, aqui, entre Campo Grande e Santa Cruz, há um acampamento de trabalhadores sem teto. O PAC está aí, vai fazer um milhão de habitações. Mas para quê? Para vender ou para consagrar o direito à moradia? Um grupo de sem-tetos ocupou um pedaço de terra às margens da Avenida Brasil, entre Campo Grande e Santa Cruz. Terras que não têm proprietário identificado, nem terras públicas são. E lamento dizer, a Prefeitura do Rio de Janeiro, tendo numa secretaria, o Deputado Federal Jorge Bittar, do Partido dos Trabalhadores, está lá ameaçando os posseiros; está lá, causando constrangimentos. Não há, até agora, nenhuma ação de reintegração de posse porque não há proprietário. Mas tentam dizer: “Mas essa terra é da União. Essa terra é do Estado, é do município”. Dizem que a terra é da União, mas têm que provar. Não basta dizer. E aí, José Carlos Pepé foi assassinado. Outro membro da comunidade foi assassinado durante o carnaval. Mas aquele que era a principal liderança no local foi assassinado. Assassinado por quem? Quem tem interesse naquela terra? Dizem que a Vale Sul tem interesse. Será que contratou algum capanga? Será que contratou alguém para tirar a vida de um homem que lutava pacificamente para distribuir pequenos lotes, dez por doze, dez por quinze, para quatrocentos e cinqüenta famílias? Afinal de contas, está lá. Foi sepultado hoje, às 12 horas, no cemitério de Santa Cruz. Não houve, em relação a ele, nenhuma notícia com grandes espaços. Mas foi um trabalhador sem-teto que foi assassinado. Líder de um acampamento de uma terra que não tem proprietário. Qual seria o papel do poder público, ainda mais tendo na secretaria do município, seja Habitação ou seja lá o que for, um deputado federal, Jorge Bittar, do Partido dos Trabalhadores? Chega lá e busca uma alternativa. Dá títulos de propriedade, urbaniza, para que possa se constituir ali um condomínio, um bairro decente. Não! A truculência ameaça. A população lá vive assustada. Então, Sr. Presidente, além de homenagear os trabalhadores sem- terra, quero homenagear os sem-teto. Venho aqui mandar essa mensagem para aquela comunidade, em homenagem ao Pepé, como era conhecido. A luta continua. Claro que a luta continua. Sabemos do sofrimento, sabemos da angústia, sabemos da truculência, sabemos da vingança. Mas é assim mesmo. A luta continua. Salve o nosso grande Pepé. Obrigado, irmão.
Todos nós sabemos que há anos não apenas o Sambódromo mas também a Cidade do Samba são administrados pela Liesa, a Liga das Escolas de Samba. Todos sabem ainda que a Liga das Escolas de Samba é controlada pelos também controladores do crime organizado, a partir do jogo em nosso Estado. Todos nós sabemos disso, mas o poder público – a Prefeitura do Rio de Janeiro – realizou com a Liga das Escolas de Samba um contrato, mesmo quando esta era dirigida pelos banqueiros do jogo do bicho, que, hoje, dividindo o território do Rio de Janeiro, são os controladores das máquinas caça-níqueis. O jogo do bicho incorporou os avanços tecnológicos e, com as máquinas caça-níqueis, hoje é mais residual. O grande faturamento nesse ramo do crime organizado que é o jogo se dá através das máquinas caça-níqueis. As figuras controladoras, todas conhecidas, dirigiam diretamente a Liga das Escolas de Samba quando os contratos foram assinados. Depois de algumas exposições e condenações em diversos fóruns de nosso País, as figuras principais passaram a administrar a Liesa através de prepostos, mas essas figuras continuam integrando uma espécie de conselho e são exatamente elas que frequentam os chamados camarotes. No último carnaval, não sei patrocinando qual interesse – admito até de uma empresa concorrente –, um grande veículo de informação que integra o principal sistema de comunicação de nosso País resolveu denunciar uma empresa privada que presta serviços de segurança à Liesa e que tem como dirigente um coronel da reserva da Polícia Militar. Aliás, essa empresa privada já presta serviço de segurança pública através de contrato com a Liesa há muitos anos, não apenas no último ano, mas há muitos anos. A Liesa tem o contrato principal, mas terceiriza vários outros serviços: som, segurança, fornecimento de gêneros. Tudo ali é praticamente terceirizado. A Liesa é uma grande empresa que mobiliza outras empresas e é controlada diretamente pelos grandes banqueiros do jogo do bicho ou das máquinas caça-níqueis. A Prefeitura fez o contrato. As televisões e essas outras empresas também fazem contrato com a Liesa. A Globo teve a exclusividade. Assinou contrato com quem para ter a exclusividade? Com o Prefeito? Com o Governador? Assinou com quem? Assinou com a Liga das Escolas de Samba. Aí vem outra questão. O Presidente da República e o Governador do Estado compareceram ao desfile. Com quem foi tratada a segurança das autoridades? Com a Liesa, através da empresa contratada pela Liesa para fazer a segurança no Sambódromo. Quem representou a segurança do Presidente da República? Quem representou a Secretaria de Estado de Segurança Pública? O policiamento é conjunto: a Polícia Militar faz o policiamento na área externa, e a empresa contratada pela Liesa faz a segurança no interior do Sambódromo, nos camarotes. Quem fez essa integração? Foi alguém do Poder Público, mas fez com a Liesa – obviamente, a Liesa representada pela empresa por ela contratada para fazer a segurança no Sambódromo. Soube que, nos camarotes refrigerados, com muito uísque e muitas mulheres, as figuras principais de nossa República se banquetearam com os grandes banqueiros do jogo do bicho. Chegaram até a comemorar resultados. Repentinamente, o jornal O Globo faz uma reportagem tentando comprometer quem? Os profissionais da segurança pública, principalmente policiais militares, que, na inatividade ou na hora de folga, estavam trabalhando no bico para a empresa contratada pela Liesa. Aí surge o ponto que quero abordar com mais especificidade. O Sr. Walter Maierovich, que é uma figura que respeito, já foi Secretário Nacional Antidrogas, é um especialista, dá uma opinião completamente conveniente para aqueles que fizeram a reportagem, que devem estar defendendo o interesse de outra empresa. No fundo, o que eles querem é substituir uma empresa por outra na prestação do serviço de segurança, mesmo que a nova empresa contrate depois os mesmos policiais militares e os mesmos policiais civis. Mas eles querem substituir. Diz o seguinte: em sendo agentes da autoridade, aqueles profissionais da segurança pública que ali estavam fazendo bico, perderiam a condição de atuar no momento em que tivessem, em nome do Estado, que reprimir quem? Os controladores do crime organizado, donos do carnaval. Perderiam a autoridade, teriam constrangimento, porque ali estaria sendo criada uma relação de subordinação. Como o Sr. Walter Maierovich é uma figura muito respeitada, cujas opiniões são colhidas em diversos fóruns, aquilo teve repercussão, cartas de leitores. Mas o que me surpreendeu foi a posição do Secretário de Estado de Segurança Pública, numa entrevista que deu, porque faz coro a isso. Diz que vai apurar, quer saber se há policiais militares ativos. Ora, veja só. Ele estava ali, como Secretário de Segurança, certamente designou um representante da Secretaria para tratar da segurança no Sambódromo, para fazer a interlocução com a Liesa e, portanto, com os banqueiros do jogo do bicho, que são os controladores da Liesa, e não disse uma palavra em relação ao princípio da autoridade. Como um governador, um presidente da República e um prefeito, como eles sentam através de seus representantes para a promoção do seu prazer e da sua segurança? Porque, é claro, já houve um presidente da República que enfrentou um grave percalço no Sambódromo. Talvez aquela experiência tenha feito com que outros cuidados passassem a ser tomados, para que a mesma exposição ou o mesmo constrangimento não alcançasse futuros dirigentes do nosso estado, do nosso município e do nosso país. De qualquer maneira, eu venho aqui para dizer que já não é a primeira vez. Tratei desse assunto antes do Carnaval. Quem quiser consultar o depoimento do Secretário de Segurança na CPI das Milícias vai ali constatar que eu tratei rigorosamente dessa mesma questão. Eu perguntei a ele: “Como fica o princípio da autoridade quando a banca do crime organizado controla a principal festa popular do país e se relaciona com as autoridades da área da segurança? Como fica isto?” Se está correta a opinião do Sr. Walter Maierovitch, de que os profissionais da Segurança Pública - os poucos, se é que tinha ali algum ativo -, como agentes da autoridade, perdem a possibilidade de agir diante dos grandes criminosos que controlam o Carnaval, qual o constrangimento a que é submetida a autoridade responsável pela elaboração da política de Segurança Pública do nosso estado? Fica também subordinada ao interesse! Eu ando pelo Estado do Rio de Janeiro e vejo quanto existe de máquina caça-níquel instalada por aí! Já conversei com comerciantes que instalam a máquina e são obrigados a isso. Não querem, mas são constrangidos a deixar a máquina ali. O Secretário de Segurança, no depoimento que prestou, disse que tinha recolhidas não sei quantas mil máquinas caça-níqueis, que não havia nem mais depósito no estado para o recolhimento de máquinas. Afinal de contas, seria a confissão da capitulação? Então, Sr. Presidente, quero aqui prestar uma homenagem aos profissionais da Segurança Pública que fazem bico, que buscam uma complementação salarial através das mais diversas atividades. Eles estão aí no transporte alternativo, dirigindo táxis, dando aulas em colégios, enfim, nas mais diversas atividades. E também na segurança. O número maior, claro que é na área da segurança pública, porque é a proteção patrimonial, a proteção individual, ou seja, essa é a profissão de cada um. Se encontrarmos engenheiros fazendo bico, estão fazendo bico como engenheiros. É assim: professores, médicos, cada um desenvolve a atividade em função da sua capacitação profissional. Nenhuma palavra sequer do Secretário sobre o salário dos profissionais da Segurança Pública. Nenhuma! Ele deveria dizer que esses profissionais são uns desgraçados, uns infelizes; que, se aposentados, poderiam estar aproveitando o justo lazer, depois de vários anos de serviço público prestado; e aqueles que estão na ativa poderiam estar com as suas respectivas famílias nas horas de folga. Entretanto estão aqui. Estão aqui porque ganham pouco, porque querem complementar o salário, mesmo com sacrifício. Então, a minha solidariedade àqueles que estavam no Sambódromo lutando com dignidade por um complemento salarial. E a minha reprovação àqueles que, em controlando o poder, se aliam ao verdadeiro crime organizado e tentam buscar biombos. Muito obrigado.
O Legislativo estadual dispõe de diversos mecanismos para se comunicar com a sociedade. Um deles, importantíssimo, é o das Comissões Permanentes. As Comissões, tratando de cada tema específico, são instrumentos de interlocução com a sociedade, e registro que a minha avaliação é de que as Comissões têm cumprido esse papel; têm cumprido. Temos também, em inúmeras Comissões, o disque-denúncia, um outro mecanismo. Mas não contamos, igualmente, com o patrocínio da grande mídia. Há, de fato, e isso é perfeitamente identificável, um ou outro, ou há aqueles que são os preferenciais da grande mídia, mesmo quando outro parlamentar trata nesta Casa de tema da maior relevância para a sociedade. Não há repercussão. E nós dispomos, aí sim, de forma igualitária e democrática, do plenário – do Expediente Inicial e do Expediente Final –, porque pela TV Alerj, ao vivo, e pelo Diário Oficial, no dia seguinte, os nossos pronunciamentos são transmitidos a uma parcela da população. Então me vejo no dever, e entendo que, aqueles que procedem da mesma forma e que não têm naturalmente grande espaço nos meios de comunicação, estão naturalmente procurando levar o seu posicionamento, o seu pensamento, a sua convicção a uma parcela da população do Rio de Janeiro que assiste a TV Alerj ou àqueles poucos que leem o Diário Oficial. E venho agora à tribuna para tratar de um tema, que tenho certeza absoluta, é do maior interesse de toda a população do Estado do Rio de Janeiro. Venho tratar da privatização das vias públicas: uma desfaçatez, uma agressão! Instalam praças de pedágio, verdadeiros caça-níqueis, inviabilizando a economia, prejudicando comunidade inteiras no entorno da praça do pedágio. Já tive a oportunidade de dizer aqui, reuni-me com inúmeras comunidades do Estado inteiro, tratando da questão do pedágio. As comunidades no entorno do pedágio, Deputado Dionísio Lins, enfrentam as seguintes situações: a escola que o filho está matriculado é do outro lado da via, para levar o filho à escola tem que pagar pedágio; ou ir ao hospital, à igreja, ao supermercado, ao clube. É uma tragédia incomensurável vivida diariamente pela população. Eles dizem: “mas nós vamos dar passe livre para os moradores do entorno”. Isso é uma grande mentira! Estamos aí vendo a BR-101, sem receber nenhum benefício, nenhuma obra, nada. Sempre a primeira obra consiste na instalação das praças de pedágio. O cidadão paga, quando tem automóvel, o IPVA; para usar o automóvel ele paga o Imposto sobre Combustíveis. Tudo com o objetivo de recuperação e ampliação da malha viária. Um imposto é estadual, o outro é federal, e não se recebe o benefício correspondente. E, vejam bem, são impostos que têm uma destinação específica. Eu aprovei nesta Casa uma lei que proíbe a instalação de praças de pedágio. Claro que eu sei da força política das empreiteiras que se ocultam nas diversas praças de pedágio. Em cada estrada pedagiada tem uma Odebrecht, em uma OS, tem uma Camargo Corrêa, as grandes empreiteiras. São donas das estradas. Mas agora surge um caso muito mais preocupante: a Nova Dutra pretende instalar mais praças de pedágio. Quer dizer, quando a Nova Dutra, quando a empreiteira que controla a Nova Dutra ganhou a concorrência, se é que houve, porque o Senador Jarbas Vasconcelos tem denunciado, com a autoridade que tem, mais uma vez, mais uma, como são feitas as tratativas com os governos e com o governo atual.
A Nova Dutra está pretendendo
instalar mais praças de pedágio, alegando que tem como objetivo ampliar
o número daqueles que pagam para diminuir o valor do pedágio. Mas quem
eles pretendem enganar? Porque o cidadão que vai do Rio para São Paulo,
mesmo que amanhã o preço nas praças de pedágio, o preço diminua, ele vai
pagar em mais praças de pedágio. No fundo, no fundo, o que eles
pretendem é incluir, como contribuintes, como extorquidos, aqueles que
moram, trabalham nos municípios que ainda não são alcançados. Vão instalar outras, porque os municípios de Miguel Pereira, Paty do Alferes, Paracambi ainda conseguem, porque estão antes da primeira praça do pedágio, ter suas populações protegidas. O que eles querem, na verdade, é cercar a Presidente Dutra, que liga o Rio a São Paulo, tendo às suas margens dezenas de municípios, o que eles querem é arrecadar mais. E aí, Sr. Presidente, existe a agência reguladora responsável. E sai no jornal: a ANTT – Agência Nacional de Transporte Terrestre está analisando a proposta da Nova Dutra para colocação de mais praças de pedágios com o objetivo de, em tendo mais pagantes, reduzir o preço de pedágio. “É uma estrada federal!” - alguns poderão dizer. Mas, em sendo uma estrada federal, a Assembléia Legislativa não tem possibilidades de atuar. O que não é verdade. Portanto, estou entregando, amanhã, na Comissão de Transportes da Casa um requerimento para que possamos fazer aqui uma audiência pública tratando da questão das vias estaduais e federais pedagiadas, no Estado do Rio de Janeiro. Vamos analisar o custo para a economia do Estado, o custo para a sociedade. Porque a população paga um preço muitíssimo alto. Neste momento de crise econômica, quando o desemprego prospera, criar mais praças de pedágio significa onerar ainda mais a economia. E quando cotejamos com a informação de que pagamos IPVA e pagamos impostos sobre combustíveis, a situação fica muito mais dramática. Portanto, abaixo as praças de pedágios! Que os governos cumpram com as suas obrigações e com os impostos recolhidos da população - IPVA e CIDE - que o governo federal e o governo estadual recuperem e ampliem as vias, sem penalizar aqueles que já estão muito mais do que penalizados. Muito obrigado.
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